Brothers
11 CH11: Reconciliação com bebida e tudo
Um mês passou após o fatídico dia. A família Silvestri já não era mais a mesma após o encontro entre pai e filho em Santorini. Brigas e até ameaças judiciais marcaram a nova sintonia deles. De um lado, um pai inflexível que julgou o filho por ter feito sexo com homens em troca de dinheiro; do outro, uma mãe apaziguadora que ainda lutava para manter a união familiar.
Matteo não abdicou do seu trabalho. Desafiou o pai, falando que não precisava do dinheiro dele. Já Lucca voltou a sua atenção ao trabalho na vinícola, mas com a mente em Donatello. Ambos sofriam.
...
Giancarlo tocou a campainha do apartamento de Victor Hugo. Este abriu a porta e atendeu rapidamente.
— Quer algo para beber?
— Não, porque serei breve. Foi você o mentor daquilo tudo? Falo da descoberta do pai do Matteo.
O homem assentiu.
— Fiz isso para protegê-lo! Aquele cara só pensou no seu dinheiro.
— Você sempre foi um amigo de verdade. Para mim, nunca passou disso. Agora, porém, nem isso.
Victor se aproximou de Gian e pediu para compreendê-lo. Gian se afastou e afirmou que não pensava em Victor como namorado ou algo do tipo. E que o relacionamento de amizade entre eles saiu abalado.
— Amo o Matteo, não você.
— Gian... por favor!
— Adeus Victor. Nunca mais se aproxime de mim.
A amizade entre eles acabou num piscar de olhos.
...
Campainha tocou inúmeras vezes. Gian bateu na porta da casa de Matteo e pediu para que abrisse. Queria vê-lo, haja vista não o fazia desde o dia em que o segredo foi descoberto.
— Abre, Matteo. Tenho algo importante para te dizer. Nem tente se esconder. O porteiro me contou que você tá mais de uma semana trancado aí.
*porteiro pouco fofoqueiro kk
O homem abriu a porta. A sua aparência estava desleixada, cabelos bagunçados, barba crescendo, roupas mais largas do que o normal.
— Você tá mais magro!
O loirinho entrou de uma vez sem ao menos perguntar ao dono se podia fazer isso ou não. Matteo tentou se justificar, mas Gian não quis saber de conversa fiada. Segurou o Silvestri pela mão e pediu que sentasse. Ambos sentaram.
— Falei com Victor Hugo.
— Argh! Esse cara outra vez.
— Descobri que foi ele o responsável por falar com o teu pai. Ele contratou um detetive para descobrir o seu trabalho e visitou o seu pai na Toscana.
Matteo ficou muito furioso a ponto de quebrar um copo de vidro na parede. Mas Gian o abraçou e pediu que ele parasse o sentimento de ódio. Revelou que havia visitado Victor e terminado a sua amizade com ele. E tudo isso por amar Matteo.
— Não sei qual será a sua resposta, mas fiz isso pensando no meu amor por você. Não sei bem o que temos. Quando penso no muro que existe entre nós, fico triste, mas minhas esperanças foram renovadas quando o vi brigar com o Victor naquele dia. Senti como se você estivesse com ciúme.
A expressão de Matteo era de confusão e tristeza. Seu silêncio reverberou no recinto. Gian se levantou e afirmou que nunca mais pagaria um euro para contratar Matteo como GP ou no site. Despediu-se. Essa atitude deixou o gêmeo arrasado, pois acabava de perder um cliente valiosíssimo. Mas a sua consciência dizia que não era apenas pelo dinheiro. Matteo se levantou e correu para fora do quarto; o elevador não chegava a tempo. Desceu as escadas.
— Boa noite, senhor.
— Boa noite — respondeu o porteiro.
Antes de chegar ao carro, Gian viu Matteo correr até ele. Ofegante, o gêmeo pediu ao loiro que não fosse embora.
— Qual o significado disso?
— Senti que me arrependeria se te deixasse ir. Sei que pode ser hipocrisia a minha depois de tanto tempo negando o seu amor, mas dessa vez estou sentindo borboletas no meu estômago — Matteo segurou as mãos de Gian. — E esse sentimento começou logo lá atrás. Senti tanto ciúme daquele cara que resolvi partir pra cima. Você pode me dar mais uma chance?
Os olhos de Gian se encheram de brilho ao ouvir a confissão do homem que mais amou na vida. Rapidamente puxou Matteo para dentro do elevador, que estava com pessoas. Entraram no apartamento e logo iniciaram beijos intensos. Matteo e Gian arrancaram as suas roupas. Matteo segurou Gian nos braços e o levou para dentro do seu quarto. O jovem ex-cliente aceitou ir até o fim e fazer sexo.
As horas passaram, o sexo durou muito bem para ambos. Camisinhas pelo chão. Abraçados debaixo do lençol. Um clima de aconchego tanto pelo início do namoro quanto pela chuva gostosa que acontecia.
— Isso é um sonho? — Gian era abraçado por trás.
— Se for, que nunca me acordem. Estou adorando.
— Nunca fiquei tão feliz assim na minha vida. Sabia que um dia esse dia chegaria. Meu mundo agora é mil vezes melhor. Mas ainda me deixa um pouco triste por você estar numa situação tão conflitante com a sua família.
— Só o meu pai que é o pivô desse conflito. Ainda falo com a minha mãe e o Lucca.
— Ele te perdoou?
— Quem? O Lucca?
— Sim?
— Ele disse que não vai parar de falar comigo, mas que nunca pisará um pé aqui. Bom, eu mereço. Fui eu o responsável pela situação dele quando viajei.
Gian continuou pensativo, apesar de Matteo estar mais feliz do que antes. Virou-se para o homem e falou que estava interessado em conversar com o sogro. Matteo se sentou na cama e rechaçou completamente a ideia do Gian. Sabia muito bem que o seu pai não ouviria nenhuma palavra de um gay.
— Ele é homofóbico?
— Nunca o vi criticando abertamente os gays, mas ele costuma ser católico praticamente. Sinto que não poderei permanecer um segundo naquela fazenda.
Gian acalmou o namorado. Pediu para que confiasse nele. Tentaria persuadir Marco Polo.
...
Em Giancarllo Porpetonne, a fazenda de uvas abriu para o público outra vez após um mês fechada por causa dos problemas familiares dos proprietários. E mais uma vez os visitantes pagaram uma quantia de 20 euros para a visitação completa.
— Filho, vai recepcionar os visitantes? — indagou Úrsula ao ver Lucca no quarto e mexendo no notebook.
— Hoje não, mama.
Úrsula se aproximou dele e sentou na beirada da cama. Expressou a sua preocupação com o filho, haja vista havia se tornado mais retraído. Sequer saía para se divertir pela cidade.
— Estou muito bem. Pra que se preocupar com isso?
— Desde o sumiço de Donatello...
— Para!
— Mas é verdade. Um mês que está assim. Você é o meu filho que é sempre fechado. Não expressa o que sente. Diferente do seu irmão.
— Aceitei as condições do Matteo por minha conta e risco. Ultrapassei uma linha vermelha. Não culpo os outros.
— Filho, você é g...
A empregada chamou Úrsula por um momento. A matriarca deixou o filho continuar o trabalho.
Um sentimento paradoxal invadiu a mente de Lucca desde o dia em que o seu irmão foi desmascarado. Um conflito interno a ponto de perder as estribeiras e começar a se embriagar com vinho. Por duas vezes a empregada o pegou bêbado dormindo no corredor entre os quartos. E tudo isso por causa do sumiço de Donatello. Pensou na ultima vez que vira o rosto de tristeza dele. E não se perdoou por isso.
Marco Polo trabalhava no escritório da fazenda quando alguém avisou acerca da presença de duas pessoas improváveis na sala da casa.
— O que fazem aqui?
— Falei para você que seria perda de tempo.
— Espera, Matteo. — Gian andou para perto de Marco — Olá, senhor. Sou Giancarlo Berger.
— Conheço você. É o rapaz que estava com Matteo naquele hotel. Mas não sei por qual motivo está aqui, pois seu namorado veio aqui disposto a tudo.
Matteo virou o rosto para não ver o pai. Sentiu que a conversa não progrediria.
— Fica aqui, Matt. Não pedi para sair.
— Você praticamente me deserdou, coroa. O que quer de mim? Arrancar a minha alma?
Gian pediu para ter uma conversa sincera com Marco sozinho. Pediu a Matteo que esperasse fora da biblioteca.
Um tempo passou, ambos saíram do recinto. O rosto inquisidor de Marco Polo encarou o filho por um momento. Pensou num jeito de falar com ele e não estragar tudo.
— Seu namorado me contou toda a situação. Você ser bissexual não é motivo para eu pular como no carnaval, mas é menos pior do que saber que o meu filho vende o corpo.
— Não sou mais garoto de programa.
Ursula bateu palmas e abraçou o filho. Comemorou a trégua entre pai e filho, além da notícia que Matteo havia saído da vida promíscua.
— Eu também quero falar!! — gritou Lucca ao descer as escadas completamente bêbado.
— Meu filho!
— Sai, mama!
— Você tá completamente bêbado! Ingeriu todo o vinho da garrafa.
Lucca empurrou a mãe para o lado e se aproximou do irmão. Parabenizou pelo namoro. Debochou, relembrando dos dias em que se passou por Matteo.
— Melhor tirar ele daqui.
— Vai me tirar... Matteo? Você mesmo me chantageou. Sim, ele me chantageou naquele dia para se passar por ele... Agora... agora tá com o Gian. Isso é amor ao dinheiro hehehehe. Matteo é interesseiro. Ele tá contigo apenas pela grana da tua família.
— Volta pro seu quarto, Lucca — falou Marco.
— Ah papai. Quantos anos acha que eu tenho? Hehehehehe. O senhor fica aqui se enchendo de preconceito. Com ódio a quem é diferente. Um verdadeiro tirano. E eu estou de saco cheio do senhor. Sabe por quê? Porque o motivo... o motivo que aquele cretino ali do Matt ter me chantageado foi que eu havia beijado o Donatello na adolescência. Sim, sou gay pra caralho! Sou uma putona de quase 1,90 de altura. O senhor é homofóbico pra caralho!!
Marco Polo desmaiou.
Fale com o autor