Brothers

12 CH12: Briga de irmãos


Marco Polo sempre trabalhou duro para dar a melhor qualidade de vida para os filhos. Com suas palavras, ações e dedicação, construiu um verdadeiro império de uvas; o maior de toda a Itália. Não era nenhuma surpresa, ele sabia gerir o negócio como ninguém, pois as suas raízes ascendiam de grandes produtores italianos. Criou os filhos numa família tradicional católica, apesar de nunca ter sido um fiel fervoroso, faltando muitas vezes a missa do domingo por motivos de trabalho ou viagem. E, sempre que podia, ele tinha a companhia da esposa diretamente na economia da vinícola. E essa vida de trabalho e igreja alimentou a percepção dos seus únicos filhos à alcunha de tirano. Deu-se uma virada na família a partir da adolescência dos meninos, revelando a orientação sexual de Matteo para a vida bissexual, enquanto Lucca se retraía e era definitivamente homossexual incubado.

Após o climão, Marco Polo acordou na cama, Úrsula ao seu lado. O patriarca sentiu uma forte dor de cabeça, mas já havia tomado um remédio antes.

— Como está o Lucca? — ele perguntou já sabendo a resposta vinda da sua esposa.

— Dormindo. Matteo e Gian acalmaram ele. Você passou por poucas e boas, hein? Tem dois filhos que não são héteros. Isso significa que nenhum deles fará um neto com uma mulher.

Marco Polo resmungou um pouco e sentou na cama. Pensou que seria culpa dele por ter sido alguém tão metódico, disciplinado e indefectível. A imagem que passou para os filhos foi de um velho tirano preconceituoso, mas isso não era verdade.

— Nunca tive contato com gente do tipo dos nossos filhos, mas nunca os julguei.

Úrsula abraçou o marido.

— Certamente, Matteo e Lucca chegaram a esse ponto porque você pensou mais no trabalho do que na vida deles. Matteo se enveredou na vida imoral, Lucca deixou de expressar os seus sentimentos. E tudo piorou depois que você rompeu com Matt.

Marco lamentou. A consequência de seus atos fez com que tanto Matteo quanto Lucca sofressem durante anos. Era a hora de consertar tudo.

Horas depois.

— Nunca entendi vocês, meus filhos — disse, por fim. — Troquei o meu papel de pai para o de empresário. Sempre quis dar uma vida boa à minha família, mas, talvez, exagerei a ponto de não enxergar os seus problemas. Fiquei horrorizado quando soube que pensaram mal de mim, transformando-me num reacionário sem escrúpulos. Matteo sempre deu trabalho, porém, estando na condição que estava, faria a mesma coisa. Tirando a parte de vender o corpo, que acho ter sido um exagero da sua parte, comecei a entendê-lo. Lucca, filho, o que posso dizer? Achei que seria o meu sucessor direto nos negócios e te sobrecarreguei de deveres. Não vi que aí dentro tinha um ser humano precisando de ajuda com a sexualidade. Você ser gay não é um absurdo para mim.

Pai e filhos se abraçaram pela primeira vez depois de décadas! A última vez que esse ato ocorreu, os gêmeos eram crianças.

Úrsula bateu palminhas. Gian ficou aliviado. Aparentemente, tudo deu certo para os três. Pai e filhos resolveram algumas pendências.

...

Três semanas se passaram, e Lucca pediu a seu pai férias antecipadas. Tal decisão foi por causa da chance do gêmeo mais novo de se reencontrar com Donatello numa conferência em Dubai. E, claro, Marco Polo permitiu e desejou boa sorte ao filho.

O avião aterrissou na pista do aeroporto dos Emirados Árabes às 16 horas. Tal conferência seria às 19 horas.

Um motorista contratado pegou o Silvestri e o levou para o hotel. Ele viu o Burj Khalifa da janela do veículo. Dubai era uma cidade iluminada. Uma joia no meio do deserto.

Donatello assistiu à conferência empresarial e saiu do saguão do andar para o elevador. O ruivo viu um xeque ou algum árabe vestido a caráter. Reverenciou e logo deus as costas para apertar o botão digital no painel. O elevador desceu. Nesse momento, o tal xeque agarrou Don por trás. O italiano pensou que seria morto por uma adaga ou ser feito em pedaços num ataque suicida.

— Sou eu.

— Lucca!!!

O local ficou em silêncio até o elevador parar devido aos outros entrarem. Donatello ficou estarrecido, pois nunca imaginara essa atitude bizarra de alguém como Lucca Silvestri.

— Vamos conversar num lugar melhor.

— Estou hospedado nesse hotel — Donatello mostrou um cartão que pegara com o recepcionista.

— Sério? É o mesmo que estou hospedado.

Ambos saíram do elevador. Lucca segurou o braço de Don e pediu para dar uma chance de explicar todo o corrido desde o dia da troca de identidades.

— Estou tão cansado.

— Você se deita na cama e eu explico a história. Não vai levar mais do que alguns minutos.

Donatello suspirou, mas assentiu. Desde o dia em que sumiu, teve uma crise de vergonha em olhar na cara de Lucca, ficando quase dois meses sem falar com ele. Por fim, entraram no carro que estava Lucca e foram ao hotel.

— Você quer reatar a nossa amizade? — disse, entrando no quarto do hotel.

— Calma. Tenho algumas coisas para falar. Você vai entender tudo.

O conteúdo da conversa era sobre as ações de Matteo durante os dias de viagem para a Grécia. Lucca contou sobre a chantagem, sobre a festa de aniversario de casamento de Marco e Úrsula quando Matteo se fingiu de Lucca, sobre o Lucca se fingindo de Matteo e fazendo vídeos para um site privê, nos dias seguintes ao encontro deles na noite que Úrsula descobrira, ou seja, quando Marco soube da vida mundana de Matteo e além.

— Nunca pensei que vocês tivessem passando por tudo isso. Eu só lamento. Não entendo por que veio até aqui para falar dos seus problemas pessoais.

— O motivo principal de eu vir aqui é...

Lucca Silvestri reuniu toda a força para falar sobre o passado deles na escola, o beijo que deram acidentalmente no banheiro durante a limpeza. Disse que a sensação de beijar um amigo homem como Donatello Fernando não fora repugnante, pelo contrário... sentiu borboletas no estômago, ficando com essa sensação por anos. O Lucca confessou que era homossexual puro, diferente do irmão, que era bissexual e, teoricamente, se apaixonaria por mulheres também. A confissão deixou Donatello completamente sem reação. Lucca ergueu a mão e pediu a mão da pessoa que ele amava. Donatello pôs a mão sobre a de Lucca.

...

Quem não gostou dessa história de reconciliações foi Coronatto. Perdeu o modelo mais famoso do catálogo do site. Pensou num possível substituto: Victor Hugo. Talvez desse certo...

...

Matteo e Lucca fizeram as pazes. Abriram um cana do Youtube com o nome SilverBros, que tinha o conteúdo de gincana ou de acertar alvos (tais canais eram bastante famosos nos Estados Unidos). E, sempre que acertavam o alvo sincronizados, diziam: lets go!

Já Giancarlo e Donatello não participavam dos vídeos. Preferiam jogar baralho, uno ou yugi oh! E sempre ouviam as reclamações dos gêmeos com o câmera. Logo, uma briga entre irmãos iniciou.

Notas finais
Muito obrigado a quem perdeu tempo para ler isso aqui. Finalmente, eu consegui tirar do hiato. Possivelmente, a história seria maior ou teria mais detalhes, mas perdi o raciocínio e os pormenores, não me lembro mais e, assim como Porto Maribel, optei por um final mais simples. Até um próximo dia que me der na telha e escrever um yaoi qualquer aí.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!