Brothers
10 CH10: Vingança custa caro
— Ele não atendeu outra vez.
— Para com isso, mãe. O Matteo deve estar ocupado com o cliente.
Úrsula ficou indignada com a história sobre chantagem entre os irmãos. Ligou mais de três vezes para Matteo, porém sem receber uma resposta. O celular dele (um segundo celular que Matt levara para a viagem) havia sido desligado.
— Eu ainda não decidi se falo para o seu pai. O que me deixou furiosa foi o fato do meu filho chantagear outro. Chantagem? Por acaso eu criei algum mafioso? E você? Por que aceitou a chantagem?
— Sinto que não posso falar nada a respeito disso agora. Mas juro que direi quando chegar o momento.
A admoestação de Úrsula deixou Lucca completamente atordoado a ponto de esquecer da existência de Donatello por alguns minutos. Após lembrar do amigo, foi para a sala apenas para se deparar com o vazio.
— Ele se foi...
— Lucca volta aqui!! — gritou Úrsula.
...
A briga entre Matteo e Victor não piorou porque outros homens ali perto separaram os dois. Acabaram com hematomas e até mesmo com lábios machucados. E quem ficou paralisado de medo foi Giancarlo.
— Vem — Matteo puxou Gian para longe.
— Não pense que terminou — falou Victor ainda alterado.
Gian e Matt entraram na suíte. O loirinho pegou um kit de primeiros socorros para cuidar do ferimento do seu acompanhante. Retirou um chumaço de algodão e molhou num soro; Matteo sentiu uma leve pinicação na ferida labial durante o processo.
— Fique quieto.
— Você está se tremendo todo.
— Como queria que eu ficasse? Estou a ponto de desmaiar de tão nervoso. Pensei que os dois se matariam ali mesmo.
Matteo segurou a mão de Gian e jogou o algodão para o lado. Enlaçou o loirinho pela cintura e escorou a cabeça na barriga. Disse que o único remédio para a sua dor era a companhia dele. Gian ficou lisonjeado, mas pediu para ele não se meter com Victor por sua causa.
— Defende-o?
— Não é questão de denfender. Ele errou ao chegar aqui durante a nossa viagem. Mas até que ele tem razão. Nosso relacionamento é estritamente profissional. Você mesmo disse.
— Eu disse. Acontece que não costumo dividir quando estou trabalhando. Sou um pouco egoísta até.
O gêmeo puxou Gian e o colocou deitado na cama. Por cima, começou a beijá-lo lentamente pelo pescoço. Desabotoou a camisa branca do loirinho e passou a chupar os mamilos cor de rosa. Sempre iniciava essa preliminar, porém nunca terminava em sexo.
Um fato curioso era que Matteo deixou cair o seu celular durante a briga, contudo não se lembrou de pegá-lo. E assim, Victor Hugo olhou o aparelho e ligou. Viu algumas notificações de ligações perdidas com o nome "Úrsula — Mãe".
— Senhor, por favor, devolva o celular — pediu um empregado do hotel que já sabia de quem era o dono.
— Oh! desculpa.
O homem entregou o celular ao empregado e voltou ao seu quarto. Chegando lá, pesquisou todos os sites pornôs gays que existiam. Olhou para aqueles de anúncios de garotos de programa, mas não achou nenhum Matteo por lá.
— Alô? Quero te pedir algo — Victor ligou para um contato da Itália. — Quero que procure donos de sites pornôs que agenciam prostituição. Sim... sim... Conto com você.
A vingança de Victor Hugo seria cruel até mesmo para alguém como Matteo.
...
Marco Polo lia um jornal no seu tablet, bebia vinho tinto, sentado à mesa. Tentou esquecer as chateações oriundas do seu filho mais velho. Preferiu deixar tudo por conta de sua esposa.
— Voltaremos no domingo — contou Úrsula.
— E o Matteo?
— Saiu de viagem. Lucca e eu voltaremos.
— Certo.
...
Na manhã seguinte, Úrsula ainda não conseguia se comunicar com o filho primogênito. O tempo passava e a situação ficava cada vez pior. Ela deixou a raiva de lado para ficar preocupada. Afinal, nem mesmo Lucca tinha notícias do irmão.
— Aprontou as coisas?
— Sim, mama — Lucca segurava uma bagagem com as suas roupas.
— Vamos embora.
Durante a saída, os dois se depararam com Coronatto no hall do prédio. Nem se Lucca quisesse conseguiria se esconder. Foi abordado pelo homem.
— Você...
— Vem logo, mama.
Coronatto não entendeu a pressa do homem que era idêntico ao Matteo. Saiu e observou os dois entrarem num carro.
— Perdão. Pode me dizer se aquela mulher é uma cliente do senhor Matteo Silvestri — perguntou ao porteiro.
— É a mãe dele, creio. Na verdade aquele não é o senhor Matteo, e sim o irmão gêmeo dele.
— Irmão gêmeo? Tem outra coisa que quero perguntar.
O porteiro revelou que ultimamente o irmão de Matteo estava sozinho. Contou detalhes sobre o dia em que Matteo havia viajado com um cliente. Mas as datas não batiam. Coronatto falou com um impostor na semana, e era o irmão gêmeo.
Na fazenda, Marco Polo repreendeu Lucca por se ausentar por dias. O trabalho na vinícola ficou parado durante todos os dias.
— Ainda tenho que falar com o seu irmão. Ele ainda vai me matar de desgosto.
Para Lucca, a culpa de tudo era exclusivamente de Matt. Desde a história de usurpação. E o pior que não havia paradeiro de Donatello desde o sábado à noite. Sentiu-se um lixo por ter feito parte de um plano baixo. Queria pedir desculpas.
...
O tempo passou. Matteo viu as ligações perdidas de sua mãe. Ela era a única que tinha o número. Seu pai nem fazia ideia do outro celular.
— Vai ligar para eles? — perguntou Gian ao sair do banho com um roupão.
— Mais tarde mando uma mensagem. Minha mãe sabe que prefiro ficar um tempo sem me comunicar. O pior é que não sei como foi a live do Lucca. Ele ainda não me ligou.
Nesse ínterim, Victor Hugo pousou na Itália após uma investigação de um amigo detetive particular. Os nomes dos sites privês pertencentes a italianos foram dados. Apenas um deles era de nacionalidade italiana e que gerenciava conteúdo gay.
A campainha tocou.
— Cassandra? Cadê tu, mulher?
Coronatto não esperou a empregada atender a porta e foi verificar a pessoa. Viu um homem de belos olhos azuis. Falou no interfone (que também tinha a imagem da câmera) com o não convidado que tocava incessantemente.
— Quem é?
— O senhor deve ser Coronatto, certo?
— Não estou interessado no evangelho, mon amour. O Vaticano fica um pouco longe daqui.
— Espera. Não é nada disso. Eu me chamo Victor Hugo. Sou um amigo de Giancarlo Berger, que é cliente do seu empregado no site. O nome dele é Matteo.
O coroa tatuado abriu a porta. Nunca em sua vida havia visto alguém tão bonito sem ser os seus modelos.
— Senta. Cassandra?
— Sim, senhor.
— Que moleza, Cassandra! Precisei de ti agora e nada. O que houve?
— Tava no banheiro.
— Você me faz ter cabelos brancos, mulher. Prepare algo para o cavalheiro.
— Água — disse Victor.
Cassandra assentiu e foi buscar um copo com água. O convidado bebeu e agradeceu. Falou para Coronatto todo o assunto envolvendo a relação dele com Gian, além da briga que tivera com Matteo. O mais velho respondeu que havia visto a mãe e o irmão de Matteo no apartamento.
— Não posso falar o endereço do Matteo para você. Mas posso te falar sobre a família dele. Tudo tem a ver com a família Silvestri.
— Já ouvi falar...
— Do vinho mais famoso da Toscana. Sim, a família do Matt é dona da vinícola. São bem famosos por lá. Mas não sei o endereço pois nunca me interessei por isso.
— Isso é tudo, senhor Coronatto.
— Mon amour. Só quero que saiba que tenho uma galinha que coloca ovos de ouro. Se o seu plano é afastar Matteo de Giancarlo, aceito as suas condições. Matteo me dá rios de dinheiro. Seria um desperdício perdê-lo. Sabe que depois de namorar, dificilmente voltará à atividade do site. Avise-me se der certo.
O empresário se despediu de Coronatto e saiu. O plano de desmascarar Matteo estava entrando num nível perigoso.
...
Na segunda-feira, Matteo fez o seu primeiro contato com Úrsula. Tanto ele quanto a mãe falaram sobre a viagem e a vida do filho. Mas ela não tocou no assunto acerca do trabalho do filho.
— Entrou em contato com o Lucca? Estou sem contato com ele.
— Mas não foi você que o arrastou para a sua casa? Eu ainda nem falei com ele.
Úrsula dissimulou. Precisava manter o mínimo de paz na família.
E Marco Polo passou o dia nas plantações de uvas. Esqueceu os problemas com o Matteo, pegou o cavalo e foi supervisionar a fábrica de vinho.
— Senhor Silvestri.
— Sim, Maurizzio.
— Tem um homem que quer vê-lo.
— Despache-o.
— Falou que sabia onde Matteo estava. Ele veio com uma pasta com documentos importantes sobre Matteo.
Os olhos do patriarca encararam o empregado rapidamente. Marco saiu da fábrica e cavalgou para a entrada da fazenda.
Na guarita, o guarda recebeu a ligação do patrão sobre a presença do tal homem. Disse que estava para chegar. Pouco depois, o portão automático abriu. Marco Polo surgiu montado em seu cavalo. Convidou o homem. Victor dirigiu e foi de carro até a frente da casa principal da fazenda.
— E o senhor é?
— Victor Hugo.
Na biblioteca, Victor se apresentou como herdeiro da família Hugo. Sem papas na língua, revelou toda a sua identidade sexual.
— Você é gay. E daí?
— Daí que gosto de um homem chamado Giancarlo. Somos amigos desde adolescentes. Giancarlo também é gay, mas nunca demonstrou interesse amoroso em mim. E isso porque ele tem olhos apenas para um homem: Matteo Silvestri.
O patriarca se levantou da poltrona e caminhou pelo recinto. Afirmou que os seus filhos eram homens bonitos (e até Marco Polo era um coroa enxuto), mas que nenhum deles eram gays.
*sabe de nada inocente! Hihihihi
— Posso processá-lo por calúnia, sabia?
Victor retirou alguns papéis da pasta. Era um dossiê completo das atividades de Matteo durante meses. Fotografias dele, comprovantes de pagamentos e até filmagens em bares gays. Ele não especificou como conseguiu tais informações, mas que mostrava as atividades de Matt na industria pornográfica.
— Além de vender o corpo, seu filho também trabalha num site em que ele exibe o corpo para homens. O dinheiro que ele recebe são das visualizações dos vídeos.
Hugo colocou um vídeo de Matt no seu celular e mostrou ao patriarca. Marco Polo, por sua vez, não negou tal informação, haja vista a parede atrás era a mesma que surgiu na imagem da propaganda que vira dias antes.
— Acho que vou passar mal. Sabe onde ele está agora?
— Sei muito bem.
— Por favor, não diga a mais ninguém. Dou o tanto que queira para ficar de bico fechado.
— Tenho muito dinheiro, senhor. Apenas quero que Gian se separe do seu filho.
Um gosto amargo surgiu na boca de Marco Polo. Não queria acreditar, porém as provas eram irrefutáveis. Na sua mão estava o endereço exato que o seu filho estava passando. Ligou a fim de comprar uma passagem para a Grécia.
Um tempo depois, saiu de casa sem responder os questionamentos de Úrsula.
— Aonde esse homem vai com tanta pressa?
Já dentro do avião, Marco Polo pensou no que faria com Matteo. Deserdar seria uma opção juridicamente plausível?
Grécia — Santorini
A vida tranquila de Matteo e Giancarlo terminou quando a campainha da suíte soou pelo recinto. Matt caminhou até a porta e abriu sem hesitar, pensando que era o serviço de quarto.
— Oi, filho.
— Papa?
Giancarlo surgiu logo atrás.
Marco Polo andou alguns metros, olhou ao redor, olhou Gian e percebeu que ambos vestiam roupões. Aproximou-se de Matteo e deu uma bofetada com toda as forças.
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