Brothers

5 CH05: O Monstro sai da jaula


Aquela caixa... Ah, a caixa! A vida santa e inocente de Lucca mudou no momento que ele decidiu pegar a bendita da tal caixa. Vamos entrar em detalhes sobre ela: havia um pênis de borracha no formato de um pinto de cavalo, acredite se quiser. A vontade de vomitar de Lucca era tanta que teve de por a mão na boca e ir passando os objetos. Um lubrificante sabor morango.

— Por que lubrificante com gosto?

* ( ͡° ͜ʖ ͡°)

Uma algema apareceu. Era muito parecido com as de policiais, mas era de borracha com a cor metálica que dava o efeito de ser verdadeira. O mesmo modelo daquela em que foi preso durante o aniversário de seus pais. Produtos para higiene íntima, objetos para sadomasoquismo, incluindo uma cinta liga.

Colocou de volta todas as coisas e devolveu a caixa para o seu lugar de origem. Abriu o guarda-roupa do irmão para ver os itens que teria que usar durante a semana. Não teve como recusar, pois tanto na quinta quanto no sábado haverá uma live pornô em que terá de se passar por Matteo.

— Fala sério. Como um marmanjo usa esses tipos de roupas? — indagou-se, segurando uma calça de couro.

Foi usar a vestimenta. Era apertada o suficiente para ficar bem grudada no corpo, com os glúteos evidentes e a região da virilha apertada. Nossa, como alguém sobrevive com isso?

— Como que alguém consegue andar com isso no rego? Meus ovos estão amassando. Céus! Isso é sexy? — Lucca olhava-se no espelho do próprio guarda-roupa dentro do closet.

Os dvds na prateleira de discos eram os mais inusitados possíveis. Havia títulos de filme famosos como "Duro de Matar", por exemplo. O coisa desandou quando os títulos ficaram "Alimentando a boca do Predador", "Dando Mingau para o Soim", "Fogo na Priquita da Dona Esteves", "Luta de Espadas", "Caverna do Dragão", "Nem sempre o Piru faz Glu Glu" e muitos outros.

— Ah, cara. O Matt deve ser um doente, só pode. — Deitou-se na cama do irmão e adormeceu.

Já Matt, sobre uma altura de 9 quilômetros do chão, sendo agarrado por Gian durante o voo. O loiro fazia questão de encostar a cabeça em seu peito.

*o chuveirinho

...

No dia seguinte, o peito de Lucca ardeu pra caramba quando foi tomar banho devido a raspagem anterior que Matt fizera em seu corpo. Como alguém suportava isso toda a vida? Se só naquela vez já tava sendo um inferno. Saiu dos devaneios, enxugou-se e foi colocar uma roupa mais comportada que o gêmeo pérfido usava. Por sorte ele ainda tinha algumas roupas sociais.

A título de curiosidade: Lucca só bebia leite por causa que o seu corpo não reagia bem ao café, mas na casa do Matt só tinha suco e café. Uma maldade o outro não ter comprado nada antes de viajar. Isso forçou o moreno a descer e ir para o supermercado mais próximo.

Durante as suas andanças pelos corredores do mercado, foi chamado por uma voz muito conhecida.

— Matt?

— Donatello? O que faz aqui? — Por sorte não usava o óculos de grau, deixando-o no porta-luvas do carro. Sua visão estava turva por causa da miopia, mas dava para enxergar um pouco.

— Podemos conversar?

Lucca então convidou o melhor amigo, passando-se pelo próprio irmão, para o apartamento. No meio do caminho para casa, o moreno sentiu um pouco de arrependimento de ter convidado o outro.

— Nossa, a sua casa é bem arrumada e espaçosa. Quantos cômodos possui?

— Ah... só um minuto. Pode sentar aí no sofá, por favor.

— Claro.

Como um furacão, Lucca imediatamente foi tirando qualquer objeto sexual das prateleiras do corredor. Havia um porta-retrato do irmão só de sunga com outros "colegas". Trancou o estúdio das lives e achou um lugar melhor para aquela caixa surpresa de antes.

— Pronto.

— Mas o que é isso? — Donatello viu uma revista gay debaixo da almofada. Lucca praticamente voou para pegar o objeto, mas tropeçou no tapete e caiu. Don ficou abismado ao passar as páginas.

— Uau. Você tem um gosto bem peculiar, não é? Engraçado que já ouvi de você que é bissexual, mas até hoje não o vi com mulheres.

— Eh... hahahahahahaha... Sabe como é, não é? Muito trabalho. A maioria dos meus clientes são homens, por isso a demanda masculina é maior. Eu também gosto de mulher, mas até agora prefiro fazer sexo com outros caras.

— Deve ser fácil para alguém como você ser assim. É bom?

— Oi?

— O sexo com outro homem. É bom?

Lucca quase deixou o queixo cair ao ouvir a pergunta do amigo. Voltou a interpretar o irmão, sentando-se ao lado do colega e fazendo pose de galã.

— Qualquer sexo que você faça, se fizer bem, será um bom sexo. Não adianta fazer as coisas quando tá de mau humor ou depressivo.

— Sabe naquela noite do aniversário dos seus pais?

— Minha nossa...

— Conversei com o Lucca... e eu disse umas coisas meio vergonhosas. Revelei a ele que gosto dele, falamos sobre o beijo que eu dei nele no tempo de escola e nos beijamos.

Uma crise de tosse tomou conta de Lucca ao ouvir aquela revelação do seu próprio amigo. Nem nos seus mais profundos sonhos desconfiaria da masculinidade de Donatello.

— Tudo bem?

— Sim, só me engasguei um pouco. Falava sobre a conversa que teve com o meu irmão e que naquela noite o beijou. E aí?

Donatello se levantou do sofá e ficou um pouco afastado. Revelou que sempre gostou de Lucca desde a escola, que guardou o sentimento por ele durante muito tempo, pois o seu amor era impossível.

— Você pode me ajudar, Matteo. Você pode me ensinar essas coisas. — Donatello tentou beijar o outro.

— Não, espera, Donatello. Não precisa ser assim. Nós desse mundo somos promíscuos, ou seja, nada a ver contigo.

— Mas você também era como eu e virou desse ramo. Se pelo menos eu liberasse o monstro do armário dentro de mim...

— Sabe o qu eu acho? O monstro não precisa sair ainda dessa jaula. Vai com calma. Meu irmão precisa de um tempo para refletir também.

Lucca empurrou Don para fora do apartamento, inventando que ligaria para si mesmo. O rapaz agradeceu ao "Matteo" ter ouvido a sua história. Assim que fechou a porta, Lucca deslizou e sentou-se no chão. Sua cara era de espanto total, de choque. Na época da escola, o tal beijo foi acidental, pois eles limpavam o banheiro masculino quando Donatello escorregou e se beijaram sem querer. Nada foi proposital, mas agora aquilo veio à tona. O seu amigo de infância revelou amá-lo, coincidiu com o fato de si mesmo ter poucas aventuras românticas com mulheres. Na faculdade namorava uma moça de família rica, mas logo a dispensou. Será que... Não pode ser! Lucca estava convicto de que era hétero, talvez sim... Oh Céus! Agora a sua sexualidade ficou em xeque.

— Eu mato o crápula do Matt. — Por alguma razão ficou enciumado de Donatello ter beijado o gêmeo cafajeste.

...

Atenas, Grécia

Aproveitando a semana luxuosa, Matteo saiu pela manhã para tomar banho na piscina do hotel. O rapaz retirou o roupão e foi nadar.

— Bom dia, garotão — disse Gian com dois copos de suco.

— Bom dia. Valeu — saiu da piscina e foi beber com o seu cliente.

Um senhor ficou olhando para o corpo de Matt, mas o loiro fez cara de cão brigando pelo seu osso, espantando o fura-olho.

— Hoje vamos ter um encontro com os meus pais. Não se preocupe, eles sabem que sou gay.

— Você é uma puta sortuda. Meus pais nem imaginam que sou acompanhante. Ainda acreditam que sou modelo. Tirando o meu irmão que já sabe do segredo.

— Melhor subirmos para a nossa suíte, querido. — Gian grudou no braço de Matt.

— Já disse pra não me chamar de querido. Por acaso sou casado contigo, porra?

— Não... por enquanto.

Horas depois...

A mãe de Gian era uma senhora de uns 50 anos, toda espalhafatosa, com a pele laranja depois de bronzeamentos artificiais, em resumo era o botox em forma de pessoa; pensa na Donatella Versacce e vai ter a visão.

O pai dele era um coroa brega — daqueles que usam camisa de flores por baixo do paletó branco — bigodudo, meio careca e com seis namoradas. Isso mesmo, o velho multimilionário tinha namoradas para cada dia da semana.

*no domingo tem Faustão. Aí não dá pra se virar nos 30 depois de atarrachar 6 dias seguidos, né nom? Assiste a porra do ex-da Selena.

A família era no mínimo hilária. À mesa, no salão de jantar do hotel, as pessoas riam e falavam tão alto que mais parecia a família da Maria do Carmo.

— Querido, esse é o boy gostoso que você decidiu fisgar? — disparou a perua.

— Mãe, ele não é meu namorado. É apenas um acompanhante de luxo.

— Sua P.O.C sortuda. Eu queria pegar um homem assim. Talvez ele queira me acompanhar.

— Não, mamãe. O Matt está fechado essa semana comigo. Procure outro.

A perua pediu ao serviçal que alimentasse a sua cadelinha de estimação. A voz estridente daquela boneca inflável da terceira idade deu nos nervos em Matteo.

— O que tá achando deles?

— Prefiro os meus pais.

O pensamento dele era "que merda vim fazer nessa família de loucos?". Parecia a família Buscapé. Para se ter uma noção que dinheiro também pode transformar seres comuns em breguice elevada ao cubo.