Brothers
4 CH04: A caixa surpresa
A revelação do seu irmão acerca do beijo na sua época de estudante com Donatello o deixou completamente sem chão, sem vontade de levantar a cabeça. Não queria olhar diretamente para a cara do irmão. Eis que Lucca se recuperou, sorriu falso e se fez de desentendido.
— Tá maluco? Não sei do que você fala. Agora, por gentileza, pare de delirar com essa história estapafúrdia de me fazer passar por você. É a piada mais sem graça que já ouvi.
Matteo deu uma risadinha.
— Caro brother, não vai me contar o motivo de ter beijado o seu melhor amigo? Você por acaso é gay?
Lucca ficou irritado, preferindo sair do quarto a ouvir tantos absurdos da boca de Matteo. No entanto, o modelo se levantou e se meteu na frente do outro.
— Sai da frente.
— Se você sair, eu vou até o papai e conto o seu segredo a ele e que você está enganando se passando por santo.
O homem de óculos agarrou o irmão pelo colarinho da camisa e o ameaçou bater. Matt riu e disse que nada disso seria necessário, caso ele fosse a Roma e se passar durante uma semana.
— Em primeiro lugar, eu não engano ninguém e nunca que expus meu corpo de uma maneira tão nojenta como você faz. Segundo, o que você propõe é falsidade ideológica e é um crime. Terceiro, o beijo foi um acidente. Eu respeito muito o Donatello e nunca que faria algo assim a ele.
*O que tem a ver? A Paulina passou 1 ano se fazendo e só foi pega por puro azar.
— Será? Ele até me beijou.
— QUÊ?!!! Maldito...
Marco abriu a porta e viu os dois filhos se agarrando no quarto. Matt se levantou e deu um abraço no pai e ameaçou contar algo para ele sobre Lucca.
— Fale.
— Nada, papai. Só estamos brincando. Matt e eu entramos num acordo.
— Dois marmanjos brincando. Isso me foi bem nostálgico. Matt, desistiu de Roma?
— Nunca.
— Okay. Se quiser almoçar aqui hoje é só pedir. Aproveite e veja a sua mãe.
Ambos voltaram a ficar sós. Lucca sentou na cama, exausto e sem a mínima vontade para discutir com o outro.
— Sabe que isso é cruel, não é? Estou decepcionado contigo.
— Eu não queria te chantagear, mas não tive escolha. Sobre o Don, não contei nada que o magoasse. Apenas descobri que ele é gay.
Em poucas palavras, Matteo explicou sobre a viagem que terá à noite com Gian. Na sequência, disse sobre as lives do site privê.
— Temos que voltar logo. Preciso arrumar as minhas coisas para a viagem.
Sem falar muito, Lucca entrou no carro do irmão e assim permaneceu calado. Antes contou para os pais uma mentira: passar uma semana na casa do Matt por causa de uma viagem a trabalho. Marco e Úrsula compraram a história.
Horas de carro, os dois finalmente chegaram ao apartamento.
— Tira a roupa.
— O quê? Por quê? — indagou assustado.
— Quero ver o seu corpo — desabotoou os botões da camisa, tirou os sapatos e a calça.
— Droga — fez o mesmo que o gêmeo. O tronco de Lucca era praticamente igual do Matteo, exceto o fato de conter pelos.
— Por favor, você usa samba-canção? E esses pelos no peito e abdome?
— Todo mundo usa esse tipo de cueca. Inclusive cuecas boxers são vulgares e usadas por garotos de programa, ou seja, você e seus camaradas!
— Cara, você nunca usou uma Calvin Klein antes? Deixa o bumbum do homem maior. E sobre seus pelos... que horror. Não vai dar certo você parecendo o King Kong. Vem comigo.
— Eu... King Kong?
*King Kong é o galã dos monstros...
Matt pegou uma máquina de barbear e passou nos pelos do tórax, abdome e até nas pernas do irmão.
— Que humilhante.
— Meu cu. Você tava parecendo o Antonio Banderas. Assim não dá. Abaixa a cueca pra eu depilar lá.
— Deixa que eu faço aí!
Os dois escutaram Gian chegar e vê-los no banheiro. O loiro interpretou errado, pensando que havia um sexo incestuoso naquele espaço úmido.
— Meu cliente chegou. Não faça essa cara, não tava fazendo um bola gato no meu irmão. Isso nunca.
— De-desculpa, mas a porta tava aberta...
Lucca soltou fogo pelos olhos e pediu para Gian se virar a fim de não olhar para o seu corpo. Matt ficou andando de cueca sem nenhum pudor.
— Sabe o que foi? Pedi pro meu irmão se passar por mim durante a semana que você e eu passarmos na Grécia.
— Isso não é crime?
— ISSO MESMO! Eu falei pra ele que podemos ir pra cadeia se isso vazar.
— Gian, meu caro. Vai cancelar minha companhia?
— Claro que não. Lucca, estou torcendo por você.
— QUÊ?!!!
* hehehe
Durante à tarde, o modelo e prostituto instruiu o irmão sobre as lives obrigatórias que deverá fazer na quinta e sábado. Acalmou o outro quando disse que havia cancelado quaisquer programas, portanto não será necessário fazer sexo com clientes.
AEROPORTO INTERNACIONAL DE ROMA.
Matteo mandou uma última chamada de vídeo. Desejou sorte ao irmão sobre a semana mais louca que ele terá.
— Não está sendo radical demais com ele? É o seu irmão e gêmeo. Não deveria ser mais compreensivo?
— Quando éramos criança eu fiz muitas coisas pra aquele cara. Chegou a hora dos papéis se inverterem.
Os seguranças foram junto e todos passaram para o setor dos aviões particulares. Gian e Matteo entraram num jatinho rumo Atenas.
...
Limpou o óculos, ficou sentado no sofá enquanto assistia a algo pela televisão. Naquele momento sozinho, refletiu sobre o que acabara de fazer com a sua vida ao aceitar o convite do irmão.
O arrependimento passou, deixando a sala e ir para o quarto de Matteo. O ambiente era bem arrumado, com paredes brancas, uma cama de casal e móveis clean. Havia um estante com vários livros e outra com DVDs.
— Isso é uma perversidade! — exclamou ao ver os DVDs de pornô.
Outro quarto, ao lado, era como se fosse um estúdio. Havia um computador de mesa, dois monitores, caixas de som, um cromaqui verde atrás... possivelmente era um quarto de hóspede transformado e com certeza era o estúdio que Matt fazia as lives.
A campainha tocou. Uma empregada diarista chamada Laura apareceu imediatamente e insistiu para fazer o trabalho mesmo com os apelos de Lucca para não o fazer.
— Eu peço que não faça hoje. Por favor?
— O que deu em ti, bicha má? Usando disfarce com esse óculos ou é uma fantasia nova? Vai trazer algum pega da balada pra cá? Hã? Vai fazer coisas S-E-X-U-A-I-S.
— Bichá má? Sexuais?
— Vai pegar o boy de jeito ou dessa vez vai dar um chá de bunda nele?
— Eca, não!
— Ou será uma mulher? Vai dar uma lambida na ostra dela? Os dois entre quatro paredes. Qual vai ser a posição? Meia nove, papai e mamãe, como os cachorros transam...
— As pessoas imitam os cachorros?
— Vai, bebê! Me coma, me possua! UHUULL.
— Laura, melhor você ir. Não tem trabalho hoje.
— Chefinho, mas eu vim também pra cobrar os cinquenta euros que o senhor me deve.
Ele abriu a carteira e deu o dinheiro pra ela. Empurrou-a para a saída e fechou a porta.
— Matt, você me paga.
Ele saiu por um momento para colocar o lixo na lixeira embutida na parede no final do corredor. O celular tocou, era o seu pai. Depois de uma breve conversa, o patriarca falou que ligará para Matt. Outro celular tocava, para o desespero do homem.
— Esse cara deixou o dele aqui! — pegou o aparelho sobre o tampo de granito do balcão da cozinha.
— Alô?
— O que que deu em você? Chega aqui em casa e sai como se não houvesse família e ainda assim arrasta o seu irmão para aí?
Naqueles segundos, pensou em se passar por Matt. No entanto, mediu o impacto na sua consciência que isso causaria.
— Alô?
— Pai, sou eu, Lucca.
— Filho... pensei que era o seu irmão. Onde ele está?
— E-está no banho... ele acabou de entrar.
— Pois avise-o que eu quero conversar com ele! Tchau.
Naquele momento, Lucca deu um pouco de razão a Matteo. Marco Polo era completamente diferente ao tratar os filhos. Enquanto era rígido e ríspido com o outro, era afável com ele. Sentiu-se mal pelo irmão.
Deixou os pensamentos negativos de lado, desligou os dois celulares e foi tomar banho. Ao sair, viu uma caixa suspeita abaixo da pia. Pegou e foi abri-la no quarto.
— Que absurdo! Que... argh, não!
Dentro da caixa uma boa quantidade de produtos de sexy shop como vibradores, entre outras coisas. Nesse meio havia coleira, chicote, algemas iguais àquela que fora preso. Sem dúvida eram produtos para masoquismo. Se Lucca não conhecia o irmão, agora desconhecia mais ainda.
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