Brotherhood
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Cinco anos se passaram depois daquele incidente. O reino estava com muito mais cavaleiros que antes, pois boatos corriam pela região que a morte havia revelado sua forma e agora vagava por entre a escuridão devorando todas as almas que surgiam em seu caminho. O rei, duas vezes por dia, mandava um grupo de cavaleiros patrulhar a área para garantir que o sujeito apelidado de “Ceifeiro Negro” não ataque o castelo e para avisarem os outros cavaleiros que ele está por perto.
Em uma dessas patrulhas, especificamente uma noturna, Victoria estava com mais seis cavaleiros, todos sentados ao redor de uma fogueira perto da clareira da floresta. Estava muito escuro, mas era possível ver o castelo por causa das tochas que estavam acesas, o que acalmava a todos do grupo.
- Como vocês acham que esse tal Ceifeiro Negro é? – disse um dos cavaleiros, enquanto polia sua espada.
- Deve ser só mais uma lenda, esse tipo de coisa não existe – comentou o cavaleiro sentado à esquerda de Victoria.
- E se ele for um cavaleiro como nós, mas com poderes sobre-humanos? – disse o cavaleiro que estava de frente para o que polia sua espada.
- Acho que não deveríamos baixar nossa guarda... real ou não, devemos ficar atentos até o amanhecer, que será daqui 5 horas – Victoria finalizou a conversa dos companheiros com uma voz séria e fria.
Mesmo sendo a melhor do reino, estava com um pouco de medo. Ela já havia escutado muitos boatos sobre seres do mal infernizando a vida das pessoas, mas nada comparado a esse: pelo que correu no reino, o Ceifeiro Negro era tão poderoso que até o portador da lendária Excalibur caiu perante ele. Isso a fez sentir um frio na espinha e, pela primeira vez, sentiu medo de lutar.
Duas horas se passaram e metade do grupo já estava dormindo. Dois cavaleiros estavam pegando água num rio próximo, para preparar um pouco de sopa para eles e pra quem quisesse comer... foi quando a hora deles chegou: o arrastar de algo de metal bem pesado chegou aos seus ouvidos, fazendo-os sacar suas armas e olhar atentamente para tudo à sua volta. No meio das árvores, um deles viu um vulto preto se movendo, então avisou o outro, que não conseguiu se conter depois de olhar o vulto por alguns segundos e avançou no meio da floresta. Não deu 20 segundos quando se pôde ouvir uma espada cortando algo, então a cabeça do cavaleiro voou na direção do outro, que tentou fugir assustado para avisar os outros, mas foi cortado ao meio pela espada que o vulto carregava. Os outros membros da patrulha acordaram assustados com o grito que o cavaleiro recém-morto havia dado antes de morrer, então foram todos até o lago. Foi quando viram seu alvo: o Ceifeiro Negro. Victoria ficou paralisada no mesmo instante, tanto com a aura quanto com a aparência do mesmo: ele usava vestes negras que o cobriam da cabeça aos pés, deixando apenas suas mãos e a região abaixo do nariz nuas, também empunhava uma claymore negra que parecia estar viva, pois possuía um olho vermelho no começo da lâmina e dentes que pareciam ser extremamente afiados no centro, como se ela estivesse observando os cavaleiros enquanto sorria.
- MANDEM UM SINAL PARA O CASTELO!!! – disse um dos cavaleiros
Quando um outro cavaleiro iria atirar uma flecha na direção do reino, uma estaca negra que havia surgido da sombra dele o atravessara bem no peito. Os outros avançaram contra seu adversário, porém, sem dificuldades, o Ceifeiro aniquilava cada um deles, alguns com estacas sombrias, outros com a sua claymore. Victoria foi a única que conseguiu sobreviver e lutar de igual para igual contra ele, porém seus bloqueios não adiantavam muito, pois a força aplicada por ele enquanto lutava com a espada era demais pra ela. Seus ataques também não adiantavam, pois a arma era grande demais, parecendo um grande escudo, e a agilidade dele também era muita. Por sorte, ela encontrou uma pequena brecha, quase nula, e aplicou um ataque vertical para o alto, o que fez com que o capuz do Ceifeiro caísse para trás. Foi nesse momento que ela se surpreendeu e perdeu suas forças: o seu adversário era Shinji, seu irmão mais novo. Ao ver a irmã sem reação, o rapaz acertou um soco na barriga da mesma, o que a fez cair no chão, então, como mágica, a lâmina da claymore se abriu ao meio, como se fosse uma boca, e Shinji a cravou no chão com a cabeça de Victoria no meio, quase a cortando fora.
- Shinji, você está... – os olhos da cavaleira encheram-se de lágrimas enquanto dizia isso e olhava nos olhos do irmão, mas antes de terminar foi interrompida pelo mesmo.
- Cale a boca, não merece dizer meu nome – o jovem a olhava nos olhos com frieza e cheios de ódio, como naquele dia, então continuou – Eu deveria te matar agora mesmo, mas não vale a pena, pois você não merece... Agora que te encontrei, vou mostrar para aquele maldito rei o que é uma criatura das trevas.
O jovem fez um corte na bochecha esquerda de Victoria e tirou a claymore do chão, que logo fechou sua “boca”, então foi arrastando a grande espada na direção do castelo logo após colocar seu capuz de volta. Mais uma vez ele desaparecera da vista de sua irmã, que havia se levantado e guardado sua espada. A mente dela estava cheia de perguntar para fazer ao seu irmão, mas seria impossível, principalmente agora. Ela, então, “acordou” se seus pensamentos e saiu correndo na direção do castelo.
Agora, todo o reino estava nas mãos dela, porém a luta era muito mais difícil do que as anteriores, pois era contra a pessoa que ela mais amava de todo o mundo...
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