Brotherhood
3 Brotherhood
Logo que Victoria adentrou o castelo, pareceu como se tivesse chegado o apocalipse: criaturas do mundo das sombras aterrorizavam todos os que estavam ali presentes, levando embora as almas de suas vítimas. Vários cavaleiros lutavam bravamente contra esses seres submundanos, mas a maioria estava caindo. A cavaleira ergueu sua espada e dizimou quase todos com poucos movimentos.
-Vão ajudar os indefesos, eu vou ver se o rei está bem! – disse ela, com raiva nos olhos. No momento, ela queria matar Shinji, pois ele estava acabando com a cidade-natal deles.
Adentrando o castelo, Victoria deu de cara com um gigantesco monstro de quatro braços que empunhava dois enormes machados. Destemida, ela lutou contra a fera bravamente, até que a mesma jogou um dos machados na direção da cavaleira, que foi ágil e desviou, correndo na direção do adversário. Ao cravar o machado no chão, o monstro deixou seu pescoço exposto para qualquer ataque, pois havia se curvado quase que totalmente para frente. Victoria subiu por um dos braços dele e cravou sua espada num ponto vital, matando a fera. Logo após o corpo dele ter se transformado em cinzas, ela correu até o andar seguinte, destruindo todos os seres das trevas que surgiam em sua frente. Ao chegar à sala do trono, viu o rei em pé, de frente para o trono.
-Meu rei, ainda bem que está vivo! Temos que sair daqui o mais rápido possível! – exclamou Victoria com desespero.
-O verdadeiro inimigo não é seu irmão, mas sim aquele que você tem protegido durante todos os anos... – o rei se virou para a cavaleira e uma onde de som a empurrou contra a parede com força.
A aparência dele não era agradável: sua pele estava lilás, tinha os olhos totalmente pretos, possuía uma coroa de chifres no topo de sua cabeça e emanava uma poderosa energia maligna. Victoria nunca desconfiou que aquele quem ela protegia era o verdadeiro mal daquela vila, pois todos diziam que era seu irmão, que, antes que o rei jogasse outra onda de som contra a cavaleira, havia caído de um buraco no teto e atacado o mesmo com sua claymore.
-NEM PENSE EM MACHUCAR ELA!!! – Shinji emanava uma aura negra muito poderosa devido à raiva que estava sentindo.
- Parece que você realmente veio, mas é tarde demais, nem as suas tropas das trevas podem acabar com todo o mal que existe aqui.
-Isso é o que veremos!!!
Então os dois começaram a lutar bravamente. Cada onda de som que o rei jogava, Shinji cortava ao meio com sua claymore, e cada ataque do jovem com sua espada gigante, o rei defendia jogando algum objeto da sala contra ele. Nenhum dos dois desistia ou se cansava. Victoria não queria ficar apenas assistindo, então pegou sua espada que estava caída ao seu lado e correu até os dois, mudando o estilo da luta: Shinji continuava cortando as ondas de som, mas também dava cobertura para a irmã quando a mesma ia atacar o rei. Quando ambos o atacaram, cada um acertou uma região: Shinji havia acertado em cheio o braço esquerdo dele, enquanto Victoria conseguiu acertar a perna direita. Isso fez com que o rei liberasse toda sua fúria e os jogasse do outro lado da sala com uma onda de som poderosíssima.
-Acha que podem me derrotar? Eu sou invencível, ninguém pode me vencer! Hahahahahahaha! – disse o rei, com sua sanidade totalmente ausente.
Shinji se levantou e correu na direção dele, com toda a fúria que possuía. Dessa vez, o rei havia feito com que o ar ao redor dele se tornasse cortante, mas isso não impediu o menino de avançar. Ao ver que estava bem próximo, Shinji fez com que a “boca” de sua claymore abrisse, então ele pulou na direção do rei e, colocando a espada envolta dele, fechou a, partindo seu adversário ao meio e fazendo uma chuva de sangue surgir. Parecia que estava tudo acabado, então ele foi até sua irmã e estendeu a mão para ela.
-Está bem? – disse ele, num tom calmo.
-Por que fez aquilo com o reino? Está louco? Nós nascemos aqui esqueceu? – ela recusou a ajuda e se levantou sozinha, furiosa com ele.
- Era necessário...
-Não, não era! Você matou várias pessoas que não tinham nada a ver!
-Não foi nada disso...escute, as pessoas que eu matei estavam corrompidas pelo poder do rei, meu exército não teve outra escolha a não ser executá-los.
A cavaleira pegou sua espada e não disse mais nada, apenas virou as costas e foi se retirando do local, então, ao abrir a porta, Shinji a abraçou com força. Sem entender, a menina tentou empurrar o irmão, que acabou caindo no chão imóvel. Ao olhá-lo, viu que suas costas estavam sangrando e que o rei estava intacto e empunhando uma espada negra com sangue escorrendo.
-Eu disse a vocês, sou invencível!!! – exclamou o rei enquanto corria na direção da cavaleira, que empunhava sua espada.
Ambos começaram a lutar, porém ela ficava apenas na defensiva, pois o rei atacava descontroladamente, sem nem tentar quebrar a defesa. Ao ver uma brecha, Victoria desviou do ataque e atacou o braço esquerdo dele, já ferido. Mas, adiantando o movimento, o rei desviou e cravou sua espada na perna dela, fazendo-a ficar de joelhos.
-Seu irmão está morto agora, não tem ninguém que possa te proteger.
O rei levantou a espada sobre sua cabeça com uma das mãos. Victoria viu sua vida inteira passar diante dos seus olhos: amigos, familiares, lutas, vitórias...tudo agora iria desaparecer num único movimento do rei. Porém ele não se movia. Ao levantar a cabeça, ela viu seu irmão segurando-o com o que restava de sua força, então um tornado de energia negra surgiu ao redor dos dois e empurrou Victoria para trás. A mesma pegou sua espada e tentou se levantar, mas as palavras do irmão a impediram.
-Não precisa mais lutar, eu já cuidei dele...irmã, me perdoe por tudo que eu já te fiz de ruim. Eu sempre te amei, vim aqui acabar com esse mal porque fiquei preocupado com você...bom, agora tenho que ir, preciso me sacrificar para ele ser enviado para o submundo...cuide-se ok? – As últimas palavras de Shinji tinham um tom triste. Por um instante ela viu o irmão chorar, então o tornado explodiu, fazendo os dois desaparecerem.
TRÊS MESES DEPOIS
O reino estava calmo, mesmo depois do desastre. A princesa havia conseguido reconstruir grande parte dos estragos que foram feitos e também havia nomeado Victoria como “a Avatar”. A menina estava na sacada, olhando para o pôr-do-sol. Não carregava mais sua espada, agora, em suas costas, havia uma claymore negra que possuía um olho vermelho na base da lâmina, que possuía uma “boca” no meio. Depois daquele dia, nunca mais largou a espada que Shinji carregava, pois era a única lembrança que possuía dele e a única coisa que a fazia lembrar do sacrifício que ele fez não pelo reino, mas por ela.
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