Brooke Junior - E a Clava de Hefesto
1 Talvez eu não seja tão normal
Notas iniciais
Acordei, e então ouvi uma voz suave de mulher chamando-me, fiqueiassustado...Mas era apenas uma linda garota, que tinha me salvado ontem à noite. Seu nome era Annabeth,- Era mais baixa do que eu, aparentava ter uns 18 anos de idade, cabelos ondulados e pretos, e estava sempre sorridente, o que me deixou um pouco mais aliviado.
Junto à ela estava outras duas pessoas, garotos, na verdade...Só que um era meio estranho, quer dizer, muito estranho. Tinha os membros inferiores como os de um bode, como eu nunca tinha visto.
– Surpreso com minhas pernas novato? Sim, são de bode. Eu sou um Sátiro, nunca ouviu falar? – Disse o garoto.- Meu nome é Grover.
– Mais ou menos....é que nunca tinha ouvido falar sobre sátiros.
O outro garoto riu, parecendo zombar de mim, mas não me importei muito, pois fora ele que ajudou a me salvar de um dragão de sete cabeças ontem à noite, chamado de Hidra.
– Bom dia, garoto preguiçoso! Sou Percy Jackson, prazer.–Disse o outro garoto.
– E então... qual seu nome? – Annabeth falou, curiosa.- Como você veio parar neste lugar?
– Meu nome é Brooke...Brooke Junior. Que lugar é esse afinal?
Eles estavam com uma camiseta laranja na qual estava escrito “Acampamento Meio-Sangue”, e eu não tinha ideia do que significava aquilo escrito na camiseta.
– Vocês tem um acampamento? Estão em missão por aqui? – Disse eu.
Com um sorriso meigo, Annabeth disse:
– Somos todos de lá. Ahh... uma missão só nossa! Queremos uma resposta de Poseidon, pai de Percy, sobre um problema no acampamento.
– Amm?? Poseidon? Me lembra o nome de um deus grego. – Disse eu, meio confuso com as palavras dela.
Eu sabia que Poseidon era o deus dos mares, dos terremotos e algo assim, então pensei que fosse loucura ele ser pai de um garoto de 16 anos em tantos anos.
– Você é um deus Percy? – falei.
– Não, garoto. Sou um “semideus”, é diferente. Sou humano como você, porém tenho poderes e habilidades como o de um deus – Disse Percy. – E você, também é um semideus?
– Creio que não... Sou fraco demais pra ser um semideus, acho.
– Mas de qualquer modo, você pode descobrir isso. Podemos ajudá-lo.
– Ehh... quem sabe?
Estava recompondo minhas forças com a ajuda de Annabeth, que me deu alguns biscoitos e uma garrafinha de coca-cola, além de frutas que a floresta nos providenciara. Grover perseguia uma ninfa muito bela, – espécie de mulheres-fada que tem a pele esverdeada que geralmente são pequenas, amiga das árvores – sendo que já tinha namorada.
– Ahh.. vou contar pra Júniper em Grover! – Falaram os dois.
– Relaxa, já parei! – Murmurou ele.
Começaram a marchar e quando já estavam um pouco longe, Annabeth falou:
– Garoto fofo? Você não vem? Poderá ser útil nessa viagem e para o sucesso da nossa missão.
– Mas... Annabeth, ele nem é um semideus. Como irá ajudar? – Reclamou Percy, com raiva.
– Cala a boca, cabeça de alga, sei o que estou fazendo.
Eu gostava do modo como ela me olhava, talvez com pena ou algo assim, mas isso fazia eu me sentir bem melhor, com certeza.
– Chega de papo galera!! – Grover se meteu. – Vamos levar esse guri, assim protegeremos ele também.
Percy assentiu, mas falou:
– Mais uma pessoa para termos que cuidar... Já basta protegermos nossas vidas, e agora mais essa..
– Pode parar Percy. – Gritou Grover – Annabeth tem razão, se ele for conosco poderá descobrir sua verdadeira identidade e nos ajudar futuramente.
Eu estava começando a sentir raiva de Percy, mas deixei isso de lado por enquanto. Passamos por alguns lugares muito belos, floridos e com uma diversidade de árvores, e também tinha outros de arrepiar a espinha só de imaginar como seriam os monstros.
Chegamos em uma espécie de caverna, pouco profunda, então presumi que podíamos passar a noite ali mesmo, porque eu já estava muito cansado. Pedi uma pausa:
– Gente? Vamos parar por aqui mesmo hoje – Sugeri.
Annabeth assentiu.
– Ele tem razão, está escurecendo.
– UUUFF... Poxa, pensei que nunca íamos parar! – Disse Grover, quase sem fôlego. – Que alívio! Percy, pode ir buscar água para nós? Já que é esse o seu ponto forte...
Ainda com raiva, Percy foi a alguns metros para fora da caverna procurar um rio ou outra fonte de água. Então olhei e deparei com uma mulher saindo de cima da caverna e indo atrás de Percy; na verdade, era uma mulher horrível, com patas de urso e corpo de leão, na qual tinha uma cobra enrolada.
_ Percy!! Atrás de você!! – Adverti.
Percebendo então o monstro, Percy destampou uma caneta esferográfica do seu bolso, segundo ele chamado de Contracorrente, que logo se transformou em uma brilhante e linda espada de bronze celestial, e desferindo um golpe sobre o monstro, ele se desintegrou e se transformou em uma nuvem de poeira...Sim, poeira, sem sangue algum. Minha primeira lição sobre monstros.
Depois que bebemos água, improvisamos um lugar lá dentro para dormir.
– Bom pessoal, poderemos sofrer outro ataque a qualquer momento, — Disse Grover. – Então ficarei acordado de guarda na primeira vigília da noite, porque se as Dracaenae nos pegam dormindo, estamos fritos.
– OK Grover, eu fico com a segunda parte, — Indagou Percy. – Masss... uma coisa me deixou confuso, como pode um ser humano normal como Brooke ver as Dracaenae no seu formato real? Quer dizer... ele deveria ver uma mulher comum como todos os normais veem.
– Escute, Percy. – Annabeth franziu a testa – Ele conseguiu ver através da Névoa certo? Isso quer dizer que ele pode ser...
– Um semideus??!! – Gritou Grover.
– Exatamente... um semideus que ainda não descobriu sua verdadeira identidade, sua descendência, seus poderes.
Fiquei muito surpreso com aquilo... como eu consegui ver através da névoa? Qual era meus poderes? se eu tinha algum. Quem era meu pai e minha mãe?
– Garoto... Você tem muita coisa para aprender conosco e com o chefe do nosso acampamento ainda. – Disse Annabeth, dando-me uma piscada.
Grover assentiu.
Estava pensativo naquela noite, imaginando como seria minha vida se meu pai fosse um deus, como o de meus amigos. De tanto pensar nisso minha mente foi ficando cansada pouco a pouco.
Caí no sono.
Parecia tão tranquilo estar dormindo ali naquele lugar que até esqueci o perigo que podíamos estar correndo. Lugares floridos, árvores altas, pequenos animaizinhos graciosos e muitas folhas.... mesmo sendo outono.
Acordei exausto por causa do sonho que tive essa noite, onde eu vi um ser humano, mais alto do que qualquer um normal. Devia ter uns 2 metros de altura, com uma deficiência nos olhos, ou melhor, no seu “olho”. Vocês podem achar que eu estou louco, mas era exatamente isso, “um homem” com um olho só, que estava todo sujo de limalha de ferro.
Vi também uma espécie de forja, com vários materiais de aço, ferro, bronze celestial e outros instrumentos metalúrgicos, onde o gigante trabalhava incansávelmente fabricando armas eu acho.... e utensílios de guerra.
– Pai! Meu irmão ainda vive? – Falou a criatura. – Se sim, ele tem que conhecer isto, ajudarei no que for preciso... faz tempo que não o vejo.
Suas mãos gigantes manipulavam com destreza nas peças tão pequenas que eu já julgava ser anormal, e ele não se queimava; e logo depois disso, ouvi uma voz dentro da forja:
“NA SABEDORIA DE HEFESTO HÁS DE CHEGAR, INVENÇÃO PODEROSA ELE VAI USAR.”
Não entendi o que dizia aquela voz grossa, nem tampouco sabia pra quem era. Algo me dizia no meu inconsciente que eu devia procurar respostas... mas eu não sabia como.
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