Broken and Destroyed
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Então, eu disse que ia postar o capítulo dia três, mas acabou que ele já estava pronto desde sexta, mas eu não tive tempo de postar porque estava me preparando para o Lollapalooza, que foi lindo por sinal, aiai. ♥
Inclusive, inicialmente o nome dessa fic ia ser "Puscifer", o nome de uma banda que tocou lá. ♥
Mas enfim, eu não sei se esse capítulo ficou bom, eu sempre acho que o que eu escrevo está uma merda.
E eu só estou vendo o número de leitores subirem, podem ir aparecendo, viu? u3u
E obrigada a Kami linda, que betou o capítulo dessa vez, por isso, leiam a fic dela que alem de ser Yullen, é linda e maravilhosa. http://fanfiction.com.br/historia/339863/Then_Winter_Comes_To_Trace_Our_Love/ ♥
Eu ainda não tive tempo de responder os reviews do capítulo passado, me perdoem por isso, logo logo eu já vou estar respondendo.
É que estava sem internet esses dias. :(
Enfim, boa leitura.
Espero a opiniões de todos você.
"Se quiseres poder suportar a vida, fica pronto para aceitar a morte." – Sigmund Freud
Broken and Destroyd — capítulo 3
– Para onde o Lavi pretende me mandar? — Allen perguntou totalmente inexpressivo enquanto permanecia sentado no banco ao lado do motorista.
– Eu não sei, mas logo vamos descobrir. — Cross respondeu e, em seguida, atirou a terceira bituca de cigarro pela janela de seu carro.
Os dois estavam parados há uma hora dentro do estacionamento do aeroporto, apenas esperando que Lavi retornasse a ligação, dizendo que eles já poderiam ir.
– Ei, garoto... — o mais velho chamou, tentando iniciar uma conversa — Não precisa se preocupar, apenas tente esquecer tudo isso que aconteceu e ter, ao menos, um pouco de paz no lugar para onde vai. Enquanto isso, eu tento descobrir mais sobre o que está acontecendo. – comentou por fim, fitando pelo retrovisor o sol que já começava a sobressair-se sobre o céu.
Não obteve resposta do menor e nem tentou insistir no assunto, pois seu celular vibrava indicando o recebimento de uma nova mensagem.
Lavi
“Tudo pronto, eu sai daqui para comprar umas coisas p/ o Allen, mas já voltei. Peça p/ ele me encontrar no banheiro masculino do segundo andar.”
Cross Marian não demorou em responder um “ok”, e logo já estava abrindo a porta do carro.
Mas antes que saísse por completo, chamou a atenção de Allen, que ainda retirava o cinto de segurança.
– Vista a touca de seu agasalho e aja de forma discreta. — pediu sério — Não sabemos se a polícia já está atrás de você.
O albino, por sua vez, se sentiu totalmente desconfortável ao ouvir sobre a possibilidade de a polícia estar à sua procura.
Nunca pensou que fosse passar por algo parecido, mas respirou fundo e logo se retirava do interior do carro, batendo a porta de leve e em seguida já puxava a touca sobre os cabelos.
– O Lavi pediu para que você o encontrasse no banheiro do segundo andar, quando entrarmos, vá para lá, que eu ficarei esperando vocês ali por perto. — o homem de cabelos compridos comentou enquanto caminhava ao lado do outro, até a porta de entrada do maior aeroporto de Boston.
Assim que adentraram o local, se misturaram a enorme quantidade de pessoas que esperavam por seus voos, entre várias outras, cada qual com seu compromisso.
Allen dirigiu o olhar para Cross uma última vez antes de andar até a escada rolante que levaria até o segundo andar.
Sem hesitar, ele procurou pelo banheiro assim que pôs os pés para fora da escada. Fazia muito tempo que não visitava aquele aeroporto, não se lembrando de quase nada.
Esse andar era composto de várias lanchonetes, cafés, lojas e bancas, e quase não havia muitas pessoas como no andar de baixo.
Seguiu as placas que o guiaram até o toilet, que localizava-se em um corredor um pouco mais afastado das pessoas.
Assim que adentrou o banheiro, não foi difícil localizar Lavi que, encontrava-se na primeira das enormes divisórias do local, parado em frente a um espelho, aparentando estar “ajeitando” a touca vinho que cobriam seus cabelos.
Mas se Allen conhecia bem o amigo, diria que ele estava apenas disfarçando, pois mais três homens encontravam-se ali dentro.
Se aproximou calmamente, e logo o ruivo o avistou pelo reflexo do espelho, não demorando em abrir seu enorme sorriso característico.
– Até que enfim. — ele comentou, virando-se de frente para o amigo — Você está bem... Ern — atrapalhou-se — Quer dizer, você está mais calmo? — Lavi sabia que não havia como o amigo estar bem.
– Ah, estou tentando ignorar os fatos. — Allen respondeu, tentando sorrir de leve, falhando previamente.
Olhou para baixo e percebeu que uma enorme mala de rodinhas preta encontrava-se ao lado do ruivo. E não demorou para que o mesmo seguisse o seu olhar.
– Eu comprei umas coisas pra você. — declarou baixo, respondendo a pergunta muda do outro.
– Lavi, não precisava... — o albino comentou sentindo-se incomodado — Eu não quero que você gaste seu dinheiro comigo, ainda mais em uma situação como essa. — falou no mesmo tom de voz, baixo.
– Allen, melhores amigos são para essas coisas, não se importe com algo tão pequeno — respondeu e logo notou que o banheiro estava finalmente vazio — Vem aqui... — pediu enquanto arrastava Allen e a mala para dentro de uma cabine.
– O que você vai... Fazer? — o albino perguntou, brevemente assustado com a atitude do outro.
– Shh! — Lavi fez sinal para que o amigo permanecesse quieto e logo trancou a porta da pequena cabine do banheiro. — Coloque isso aqui — pediu enquanto retirava uma touca de lã cinza de dentro de uma sacola e a entregava para o outro — E eu vou dar um jeito de cobrir sua cicatriz. — comentou por fim, retirando algo do bolso, que Allen apenas conseguiu definir como algum tipo de maquiagem.
– Pra quê tudo isso? — perguntou um tanto confuso.
– Porque é melhor tomarmos todo tipo de precaução. — respondeu não querendo revelar o verdadeiro motivo de estar fazendo isso.
Segurou o rosto do amigo entre as mãos e começou a espalhar aquela coisa que nem ele sabia o nome, apenas visando esconder a cicatriz estranha que o amigo sempre tivera, começava próxima do lado esquerdo da testa e seguia até a metade do rosto.
E quando finalmente terminou, deu uma última olhada e chegou à conclusão de que estava perfeito. Allen nunca seria descoberto se os cabelos e a cicatriz estivessem escondidos.
– Vamos... — falou enquanto destrancava a porta do banheiro e certificava-se de que não havia mais ninguém ali.
Enquanto isso, o albino abria a mala e colocava algumas coisas que estavam dentro de sua mochila.
– Lavi, espera... — o “ex-estudante” de medicina chamou após alguns segundos, e também se retirou do banheiro.
– O quê? — perguntou forçando um sorriso, tentando não deixar que o outro notasse sua preocupação.
– Para onde são as passagens que você comprou? — perguntou com a mesma expressão vazia, porém com o tom de voz curioso.
– É... Então... — o ruivo sabia que seria difícil contar a verdade para Allen, mas, afinal, não havia tempo — Bom, você vai pra Inglaterra. — respondeu, coçando a cabeça, visando disfarçar.
– Inglaterra? Por que o lugar onde eu nasci? — perguntou confuso, mas, depois de analisar o rosto do amigo, a ficha acabou caindo — Pera aí... Não... Você não pode ter feito o que estou pensando que fez. — pela primeira vez naquela manhã, Allen esboçava algum tipo de expressão e essa era totalmente indignada e irritada. — Por favor, me diga que você não fez. — pediu aumentando gradativamente o tom de sua voz. — Pra qual cidade da Inglaterra?
– ... Londres. — o ruivo respondeu de forma lenta, se entregando de vez, até já podia sentir a consciência pesar.
Allen nem esperou o amigo dar alguma explicação e, em um breve momento de raiva, puxou a mala com violência e caminhou a passos longos até a porta.
Mas Lavi por sua vez agiu mais rápido e o segurou pelo ombro.
– Allen, me escuta... Eu sei o quanto isso pode ser difícil, mas pense bem... -puxou o amigo para que o encarasse — Você vai estar seguro com ele e ninguém irá desconfiar, afinal, você não será mais conhecido como Allen Walker... Pelo menos por enquanto.
– Lavi, você se esqueceu de como a gente se odiava no colégio? Das brigas? Por acaso se esqueceu do que aconteceu naquela festa? Como acha que vou me sentir estando perto de alguém que me odeia? Quer que eu saia do que aparentemente é o inferno, para viver com o próprio demônio?! Você só pode ter surtado. — falava exasperado enquanto virava-se novamente, tentando caminhar para a saída, mas o ruivo não o soltava.
– Ok, vamos conversar sério agora. — Lavi declarou enquanto segurava os dois ombros do albino que encontrava-se vermelho de raiva — Me diga, Allen... Alguma coisa que aconteceu lá atrás atrapalhou a amizade que eu e você temos hoje?
– ... Não. — respondeu, desviando o olhar.
O albino não gostava muito de relembrar o passado, sempre que alguém tocava no assunto, ele se sentia extremamente incomodado.
– Sim, claro que não. E você não acha que já somos crescidos demais para ficar se importando com coisas que aconteceram na adolescência? — respirou fundo enquanto continuava a falar — Eu sei que com você a situação é mais complicada por nunca ter se dado bem com o Yuu, mas também sei que no fundo ambos se consideravam amigos, todos nós éramos, e isso você não pode negar. — resolveu soltar o outro ao ver que ele já estava mais calmo — Lembra quando aqueles idiotas tentaram te bater no segundo ano? Quem foi que apareceu ali para te defender, ein? — perguntava visando jogar a verdade na cara do outro.
– Ele...– respondeu abaixando a cabeça para fitar o chão.
– Você sabe que essa situação é delicada, para onde mais poderia ir? Sabe que não tem mais nenhum parente e eu, definitivamente, não iria deixar você ficar sozinho em algum lugar. É muito mais seguro que você fique com alguém que confio. — acabou por abraçar o amigo — Será que não entende o quão importante você é pra mim? Independente de qualquer coisa que aconteceu, você é meu melhor amigo e eu não quero te ver sofrer mais do que já está sofrendo. – falou, por fim, de forma sincera e preocupada.
– Me desculpe, eu vou tentar... — tentou responder, mas o nó recém-formado em sua garganta dificultava tal ato — E-Eu tenho que sobreviver a isso. — comentou.
– Sim, apenas tenha paciência. Você sabe que o Kanda tem aquele jeito, mas não é tão frio quanto parece. — falou baixo soltando o amigo em seguida, assim que avistou a porta do banheiro se abrir. — Vamos.
Acabaram por atravessar a porta e voltar para o segundo andar, que começava a encher de pessoas devido ao horário.
Allen puxava a mala imerso em pensamentos. Não se sentia nada confortável com a ideia de ir “morar” com Kanda, afinal, apenas aquele nome lhe trazia “más” lembranças. A última vez que o vira fora na festa de formatura do terceiro ano de Lavi e do próprio Kanda. Ele se lembrava vagamente de que naquele dia já não falava mais com o moreno, devido a acontecimentos que preferia nem lembrar.
Até então, iria fazer seis anos que não se viam, ou mantinham qualquer tipo de contato. E o albino nunca havia cogitado a possibilidade de que um dia chegaria a reencontrar o outro, muito menos em uma situação dessas.
“O que será que o Lavi disse, para logo ele concordar com a ideia de me ter por perto?” — pensava Allen.
***
Lavi logo avistou Cross, que permanecia sentado em uma das mesas de uma cafeteria, o mesmo fingia ler uma revista enquanto bebericava um café, aparentando estar totalmente distraído.
Assim que os dois mais novos se aproximaram, o ruivo os encarou de cima em baixo.
– Que porra de demora foi essa? Já estava começando a achar que estavam transando dentro do banheiro. — comentou sério, porém a voz estava cheia de ironia.
– Vê se cala essa boca, a situação não permite esse tipo de brincadeira. — Lavi falou irritado, não se conformando em como seu tio poderia agir dessa forma quando estavam correndo tanto perigo — Vamos, falta apenas quarenta minutos para o voo do Allen. — comentou enquanto verificava o relógio de pulso.
Até o próprio Allen estranhava o fato do melhor amigo estar agindo de forma tão séria, afinal, ele nunca estava sério, sempre fazia piadas e brincadeiras.
O mais velho não demorou em levantar-se, deixando algumas notas de dinheiro sobre a mesa.
Os três caminhavam para a escada rolante, quando Lavi retirou o celular do paletó procurando por algo e em seguida o entregou para seu tio.
Cross tomou o aparelho em mãos não demorando em ler o que se encontrava em uma página da internet.
Boston Morning News:
– 04h59am — Dono de enorme empresa de brinquedos é brutalmente assassinado. Há suspeitas de que o culpado possa ser alguém próximo do empresário. Ainda não foi divulgado o nome da empresa, e nem do homem. As investigações estão sendo iniciadas neste exato momento. Novas informações relevantes serão anunciadas assim que possível.
...
Allen não notava a troca de olhares entre os dois presentes atrás de si.
O mais velho entendeu, pelo olhar do sobrinho, de que não devia falar nada, pois era mais do que óbvio que aquela notícia só debilitaria ainda mais a instabilidade mental do Walker.
Apressaram o passo assim que saíram da escada rolante, e o albino apenas os seguiu.
Após passar a mala no Check-in, esperaram por alguns minutos no saguão até que o voo fosse anunciado.
E quando finalmente faltavam quinze minutos, Allen sentou-se em uma fileira de bancos, onde as pessoas ficavam a esperar pelo embarque.
Os outros dois permaneciam alguns metros afastados, conversando entre si.
– Você acha que eles já desconfiam dele? — Lavi perguntava — Na notícia apenas falava que o suspeito poderia ser alguém próximo.
– Lógico que eles já devem saber, apenas não deixaram as informações vazarem até terem certeza — Cross comentava enquanto observava o albino fitando o nada — A pericia deve estar lá, fazendo toda aquela coleta. Tivemos sorte de ter conseguido uma passagem tão em cima da hora. Pra onde é que você vai manda-lo mesmo?
– Pra Inglaterra. Eu já falei com um amigo nosso, que mora lá, e dei um jeito de convencê-lo a ajuda-lo. Ele ainda não sabe o que aconteceu, falei que o próprio Allen vai contar... Na hora certa. — comentou por fim, pondo-se a observar uma lanchonete que acabará de colocar alguns doces a venda.
– Espero que ele seja mesmo de confiança, pois, quando o garoto contar a verdade, vai ser complicado.
– Eu confio no Yuu. — respondeu, enquanto caminhava até a lanchonete, deixando que seu tio retornasse sozinho ao local onde o albino permanecia sentado.
Allen, por sua vez, encontrava-se extremamente assustado, porém tentava não deixar isso transparecer aos olhos das pessoas à sua volta.
O motivo para se encontrar assim se devia ao fato de que, na hora em que passou pelo detector de metais, ele acabou por se lembrar de que havia uma arma em sua mochila e que ele havia a tirado de lá, junto de suas roupas ensanguentadas e a enfiado dentro da mala quando ele e Lavi estavam no banheiro.
Seu coração quase saiu pela boca quando a mala atravessou aquele túnel, mas, no fim, nada, absolutamente NADA, aconteceu.
Nenhum alarme havia soado e ninguém havia notado algo de diferente.
E ele não entendia o porquê daquilo ter acontecido, afinal, era impossível aquela arma não ter sido detectada.
A única coisa que pôde fazer fora agradecer aos céus que, por algum defeito na máquina ou talvez por um milagre, ele não tivesse sido descoberto.
“Senhores passageiros com destino à Londres, favor comparecer ao portão doze.” – a voz feminina saída pelos alto falantes logo acordou Walker de seu estado de choque.
Cross foi o primeiro a se levantar.
– É agora, garoto... — comentou enquanto avistava Lavi retornar do local de onde havia ido.
***
Uma melancolia estranha começava a invadir o albino a cada passo que ele dava em direção ao local do embarque.
Era seguido pelos outros dois e o silêncio permaneceu, até que as pessoas em volta começavam a se despedir das que iriam entrar no avião.
Allen virou-se sabendo que aquele era o momento, a hora de se despedir e, talvez, até dizer adeus.
– É... — começou ele, mas acabou sendo impedido pelo ruivo que se aproximou o envolvendo em um abraço sufocante.
– Guardou todos os documentos que eu te entreguei? — Lavi perguntou, a voz um pouco mais baixa que o normal.
– Sim...– Allen respondeu, já sentindo lágrimas se formarem em baixo de seus olhos. — Lavi, eu não sei o que dizer... — conseguiu falar, a voz levemente falhada.
– Allen, não precisa dizer nada. Você é o melhor amigo que alguém poderia ter e eu só tenho a agradecer por me aguentar todos esses anos. E não importa o que aconteça, a gente vai dar um jeito de resolver isso e logo você voltará pra mim, pra Lena e todos os seus amigos. — ele também queria chorar, mas tentava se controlar ao máximo que podia.
– Não diga esse tipo de coisa, não foi difícil te aguentar, seu idiota! — sorriu de leve deixando com que as lágrimas finalmente escorressem — E ah, a Lena... Diga a ela que eu a amo e que vou ficar bem, ok? — pediu enquanto devolvia o abraço apertado.
– Pode deixar, já sei que ela vai surtar quando souber... E não se esqueça de ter paciência com o Kanda. O que aconteceu no passado não tem a menor relevância agora. – comentou, enquanto se soltava do amigo. — E pare de chorar, isso não é um adeus. — sorriu de forma sincera.
– Ok — respondeu tentando enxugar as lágrimas, que insistiam em cair.
– Toma, isso é pra você, deve estar com fome. — falou entregando um pacote marrom.
– O que é isso? — perguntou curioso.
– Depois você vê, agora tem que ir. — dessa vez fora Cross que entrou no meio da conversa — E não se esqueça nada do que eu te disse hoje mais cedo. E tente ficar bem, tenho certeza que era isso que seu pai iria querer. – comentou levando a mão até o ombro de Allen, dando batidas leves: era essa sua maneira de demonstrar afeto.
Allen acabou o abraçando de leve, surpreendendo o mais velho com tal ato.
– Obrigado por me ajudar. — em seguida direcionou o olhar a Lavi que o fitava com os olhos brilhando — e você também, Lavi, não sei o que teria acontecido se eu não o tivesse como amigo. Enfim... A gente se vê. — comentou enquanto recebia um soquinho de brincadeira do amigo.
– O Yuu vai te esperar no aeroporto, não vai ser difícil encontra-lo, apenas espere lá, ok? — Lavi falou, enquanto observava o amigo se afastar. — Eu te ligo mais tarde.
– Tá. — foi a única coisa que o albino conseguiu responder antes de entrar pela porta do avião.
Logo, Lavi já não podia mais avista-lo, e uma lágrima silenciosa acabou por escorrer em seu rosto.
– Vamos sair daqui. — ouviu a voz grossa de Cross chama-lo. — Temos que eliminar qualquer prova de que ele tenha estado em seu apartamento.
“Vai ficar tudo bem.” — repetiu mentalmente e logo caminhou ao lado do outro, visando sair daquele lugar.
***
O relógio de seu celular marcavam, exatamente, 14h22min.
O rapaz, com quase vinte e cinco anos, encontrava-se sentado em uma das cadeiras do mais conhecido aeroporto de Londres, aeroporto Heathrow.
“Droga! Maldito usagi.” — o moreno repetia mentalmente desde o exato momento que resolvera atender o favor que Lavi praticamente lhe obrigara a aceitar.
“Por que foi que eu concordei com isso mesmo?” – perguntou para si mesmo enquanto um estalo de língua escapava por entre seus lábios.
Completava mais de uma hora que Kanda permanecia sentado naquela fileira de cadeiras, já havia dado umas voltas pelo aeroporto, mas todas aquelas pessoas o irritavam profundamente, afinal, ele odiava lugares lotados e barulhentos.
Os dedos tamborilavam frenéticos em sua perna, enquanto ele tentava encontrar uma resposta de por que ter concordado em ajudar aquele pirralho que tanto odiava. O que, afinal, o idiota teria feito de tão grave para estar correndo o tal “risco de vida?”.
“Tem certeza que você o odeia?”– ouviu seu próprio subconsciente perguntar.
– Tch — apenas deixou que mais um estalo escapasse.
O voo atrasara alguns minutos, e Kanda não conseguia manter a calma, pois, além de ter saído mais cedo da faculdade, ainda teria que trabalhar: e ele entrava às 15h45min.
Respirou fundo, enquanto apoiava o queixo na mão esquerda. Sua expressão provavelmente assustaria qualquer um que cruzasse olhares com o dele.
Ele definitivamente estava de mau humor, mais do que o habitual.
***
Depois de praticamente sete horas de viagem, Allen finalmente descia daquele avião.
Encontrava-se cansado, pois a viagem havia sido extremamente exaustiva e passou a maior parte dela pensando sobre tudo o que acontecera nas últimas horas.
A única coisa que conseguiu arrancar um sorriso de sí fora o pequeno pacote que havia recebido de Lavi, e teve que segurar as lágrimas quando o abriu, dando-se conta que o amigo havia lhe comprado uma porção enorme de Dangos.
Respirou fundo enquanto pegava sua mala no check out e logo caminhava em busca do local que, provavelmente, encontraria Kanda.
Chegou a pedir algumas informações pelo caminho, mas em seguida avistou o saguão que certamente seria onde as pessoas esperavam.
Era tudo desconhecido, por isso se sentia completamente perdido e também começava a sentir-se desconfortável, ao notar que faltava pouco para encontrar o moreno.
Seus olhos acabaram por observar todo aquele espaço, tentando encontrar o conhecido em meio a todas aquelas pessoas.
Virou-se de costas e fitou o enorme relógio que marcava 14h36min.
Suspirou, voltando a procurar pelo amigo que há tanto tempo não via. Não demorou muito para que o avistasse sentado em uma das fileiras de bancos.
***
Mais alguns minutos se passaram e Kanda praticamente cochilava sentado naquele banco.
Nem se deu conta de que alguém se aproximava de si.
– Hey! — ouviu uma voz baixa chamar, levantando o pescoço imediatamente para ver quem havia resolvido lhe atazanar.
Piscou várias vezes antes de se dar conta de que era Allen Walker que se encontrava diante de si.
O observou por alguns segundos, até chegar a conclusão de que o garoto não havia mudado em nada, exceto em uma alguma coisa, que ele não conseguia descobrir do que se tratava. Se não o conhecesse, diria que apenas havia crescido alguns centímetros e desenvolvido feições um pouco mais maduras, afinal, fazia tempo desde a última vez que o vira, não é?
Seus olhos acabaram por encontrar os levemente prateados do outro, que o encarava apreensivo.
E foi ali que Kanda acabou por notar o que havia de tão diferente: era o olhar de Allen, não parecia o mesmo dos tempos de colégio. O olhar parecia... Vazio.
– Moyashi. — falou sério enquanto se levantava.
Allen por sua vez tremeu ao ouvir o velho apelido, esquecido há tanto tempo.
– Já disse que é Allen... — sorriu de leve enquanto erguia a mão para cumprimentar o outro, percebendo que o moreno ainda continuava mais alto do que ele.
– Pelo jeito você continua o mesmo. — comentou devolvendo o aperto de mãos, forçando um leve sorriso, que mais pareceu um repuxar de lábios.
– Você também. — respondeu continuando a analisar o mais velho, que também não parecia ter mudado em muita coisa. Os cabelos continuavam presos em um alto rabo de cavalo e continha a mesma carranca mal humorada, talvez apenas estivesse mais alto.
A tensão pairava no ar e os dois podiam sentir isso.
– Vamos? — Kanda quebrou o silêncio soltando-se do aperto de mão do mais novo.
– Er... Me desculpe por te fazer perder seu tempo pra vir me buscar. — comentou sem jeito enquanto começava a seguir o outro que caminhava na frente.
– Ah, não precisa se preocupar, eu só perdi três aulas importantes. — comentou de forma irônica, observando Allen de soslaio.
– Hm, sinto muito. — respondeu, já se sentindo irritado com a pequena provocação que havia recebido.
Caminharam em silêncio até o estacionamento do aeroporto e logo Allen se dava conta de como aquele lugar era diferente, principalmente o clima, estava muito frio.
Kanda destravava as portas de seu Outlander GT4 preto, quando percebeu que o albino batia os dentes de frio.
– Oi, não está tão frio assim. — disse analisando o outro — Entre no carro, e deixe que eu coloco a sua mala lá atrás. – comentou, enquanto dava a volta, parando ao lado do garoto e apanhando a mala.
O outro não esperou duas vezes antes de adentrar o carro, sentando-se no banco do carona.
Por inúmeros motivos ele se sentia mal, irritado e desconfortável.
Logo o moreno retornou, entrando e batendo a porta do carro.
No momento, apenas o silêncio desconfortável tomava conta do veiculo e dos dois presentes ali dentro.
Notas finais
Foi só eu que chorei nas horas que os dois se despediram? Claro que sim.
Os dois são muito gays ♥
Kanda lindo e maravilhoso finalmente apareceu.
O que acharam?
Dúvidas em alguma coisa?
Não sei quando o próximo capítulo sai, provavelmente daqui 10 dias.
Afinal, tenho que me recuperar mentalmente da lindeza que foi o Lolla. *u*
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