Broken and Destroyed
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Oi... *corre*
Fico até sem graça de aparecer aqui com todo esse tempo de atraso, hihi.
Primeiramente quero pedir desculpas.
Eu deixei a justificativa de estar atrasada no meu perfil, mas creio que nem todo mundo chegou a ver. Mas então, além de eu ser uma pessoa enrolada e irresponsável, meu computador deu aquele problema do Windows seven, e demorei pra conseguir arrumar. -o-
Houveram outros problemas também. Pois sempre que eu sentava pra escrever, passava algum tipo de nervoso, e tinha mais a vontade de quebrar o computador do que escrever. Nossa, entre várias outras coisas. Fiquei gripada, a luz acabou, pqp. E o pior é que é tudo verdade.
E agora, um dos motivos principais pra eu ter demorado tanto. Bom, acho que quem me conhece de verdade, sabe que eu sou insuportável quando o assunto é fic. Eu tive um breve momento de perder a vontade de escrever B&D porque PUTA QUE PARIU, da última vez que eu olhei o número de leitores era 13, e sabe quantos são agora? 24!!! Sim, vinte e quatro.
Agora eu me pergunto: Onde raios estão os leitores comentando? Não há palavras que expressem o quão puta eu fico com isso. Tipo, eu sei que tem gente que não tem tempo de deixar um review grande. Mas se você teve tempo de ler, qual o problema em deixar um mísero, Gostei da sua fic, vou acompanhar? Eu já tinha deixado claro no primeiro capítulo da fanfic que eu não queria passar por isso de novo. Leitores fantasmas me tiram do sério. Porque porra, eu gasto grande parte do meu tempo tentando escrever algo que preste e que os agradem. Acho que a única contribuição que vocês poderiam dar é um review. E não é questão de mendigar comentário, é que eu REALMENTE acho isso frustrante e desencorajador.
Se eu não quisesse opiniões, eu digitava a história toda e postava depois.
Vai chegar uma hora na fic que os leitores terão que interagir comigo, pois são vocês que vão definir uma parte do final da história por uma votação.
Sério, não falo mais nada.
Agradeço de coração a todos os leitores lindos que vêm acompanhando desde o início e deixando suas opiniões lindas. Afinal, B&D não seria nada sem vocês. Obrigada pelos incentivos e etc. ♥ E obrigada também aos leitores que apareceram depois. *u*
Agora, chega de revoltas.
Obrigada ao meu beta lindo e irresponsável (leia-se imprestável) qn, por me aguentar enchendo o saco dele e fazendo ameaças. Diga aonde você vai, que eu vou varrendo, EHAUEHAUHEUAHEUAHE Te amo, Ree. ♥ E ah, se tiver algo errado é culpa dele, por ter ficado dando risada e zoando ao invés de corrigir.
Obrigada a Kami por ser a noiva mais linda do mundo, e sempre estar me ajudando em relação a fic, mesmo estando ocupada com a dela. ~♥
A propósito, leiam a fic perfeita dela ♥ 548454 propagandas que eu já fiz, mas vale a pena. http://fanfiction.com.br/historia/339863/Then_Winter_Comes_To_Trace_Our_Love/
Enfim, sobre o capítulo, eu achei uma merda, mas fazer o quê.
IMPORTANTE ::: Vai tocar uma música nesse capítulo, por favor escutem. Vai ter um aviso de quando dar o play. LINK da música :::: http://www.youtube.com/watch?v=oIm4-TkYhp0
Vou responder os reviews maravilhosos do terceiro capítulo agora. ;u;
Sem mais chatices, boa leitura. ♥
“Talvez a morte tenha mais segredos para nos revelar que a vida.”– Gustave Flaubert.
Broken and Destroyed — Capítulo 4
Haviam se passado apenas vinte minutos dentro do carro, e Kanda já não conseguia mais disfarçar seu descontentamento em permanecer naquele silêncio desconfortável, por todo o trajeto até sua casa.
Seus dentes rangiam silenciosamente, enquanto ele tentava encontrar algum assunto para iniciar com o mais novo.
De vez em quando chegava a observá-lo pelo canto dos olhos, e o garoto apenas continuava em silêncio, mantendo a cabeça encostada no vidro.
O moreno tinha vontade de frear, parar o maldito carro, e chacoalhar aquele moyashi, até que falasse o porquê de estar tão quieto, afinal, isso era impossível. Ele não conseguia pensar em outro ser vivo que falasse tanto quanto aquele ao seu lado (na verdade, até conseguia pensar em outra pessoa), porém, era algo anormal que o garoto estivesse tão quieto. As coisas definitivamente não eram assim há seis anos.
“Acho que dizer que as coisas realmente mudam com o tempo, faz sentido.” — pensava exasperado.
Acabou deixando o costumeiro estalo escapar por entre seus lábios à medida que mudava a marcha de seu carro, de forma extremamente brusca, imaginando que aquele simples câmbio pudesse ser o pescoço de um certo usagi.
– E então? — falou sem perceber, acabando por chamar a atenção do mais novo para si.
– Hã? — Allen questionou confuso, dirigindo o olhar para o homem ao seu lado.
– Que merda você fez para ficar desse jeito? — perguntou de forma prepotente, deixando com que um sorriso formasse-se no canto de seus lábios.
Allen acabou por mudar sua expressão de confusa para uma extremamente séria. Perguntava-se o porquê de aquele idiota estar sorrindo de seu aparente sofrimento. Por mais que Kanda não soubesse do que se tratava, não era nada certo agir dessa forma, mesmo porque Lavi havia dito que era uma situação delicada.
– Er, podemos falar sobre isso outra hora? — pediu sem jeito, voltando a fitar as ruas iluminadas pelo sol fraco.
– Hm. — comentou brevemente, sentindo-se ainda mais irritado.
Nenhum dos dois ousou trocar mais alguma palavra, e o silêncio permaneceu, até que Kanda adentrou a rua em que morava. Seguiu até o final da mesma, e parou em frente a casa média, de telhado triangular, em seguida apertou o botão do portão automático, para poder adentrar a garagem.
Walker observou em como aquele final da rua aparentava ser isolado, sem muitas casas ao redor da do moreno.
“Hm, ótimo lugar para esconder um assassino como eu!” — pensou com amargura.
Logo que entraram, Kanda desligou o carro, e retirou-se do mesmo (batendo a porta), seguindo direto para o porta-malas.
– Não vai sair daí de dentro, moyashi? — o albino pôde ouvir o outro chamar, enquanto ainda permanecia sentado no banco do carona, com cinto e tudo.
Levou a mão até o fecho do cinto de segurança, e logo já deixava o interior do veículo, caminhando até o local aonde o mais velho o esperava com sua mala em mãos.
– Obrigado. — agradeceu, abaixando o braço para pegar sua mala.
– Pode deixar que eu levo. — o moreno o impediu, empurrando-lhe o ombro de leve. — É só subir aquela escada. — comentou, apontando para o lado direito da garagem.
– Ok, então. — Allen respondeu, virando-se em seguida, para ir até o local indicado.
No mesmo momento, Kanda respirou fundo, enquanto observava o portão se abaixar.
“Se acalme, porra!” — pensava consigo mesmo.
Voltou a virar-se e deu de cara com Allen, que o encarava inexpressivamente.
– Por que diabos você ainda não subiu? — perguntou irritado.
– A casa é sua, oras. — respondeu simplesmente.
Yuu, sentindo-se ainda mais colérico, devido ao olhar do menor, ultrapassou-o bruscamente, e subiu os degraus, sendo acompanhado pelo outro.
Ao término da escada, adentrou sua sala de estar, e depositou a mala de Allen, próxima à outra escadaria, que ficava de frente ao sofá de couro branco. Caminhou até a pequena mesa de vidro, de quatro lugares, na sala de janta improvisada atrás da sala e largou todas suas chaves por ali.
Allen observava a casa do outro, pensando que era realmente bonita e bem cuidada (apesar da bagunça) para um cara que morava sozinho. As paredes da sala de estar, eram pintadas na cor azul marinho, com exceção de uma, que era da mesma cor que os sofás e as duas poltronas. Um vaso com algumas flores brancas artificiais, ficavam no canto do cômodo, e uma TV de aproximadamente quarenta polegadas permanecia no meio da parede de cor gelo, entre outros detalhes.
Mas o que mais chamava a atenção do albino, era a enorme bagunça de livros espalhadas pela mesa de centro e pelo chão.
Aproximou-se um pouco e apanhou um livro que se encontrava jogado aberto no tapete bege.
“Engenharia de Software”
Ian Somerville
Passou algumas das folhas, e passou mal só de ver todos aqueles desenhos complicados. Acabou por pegar outro livro na mesa.
"O Retrato de Dorian Gray"
Oscar Wilde
“Nossa, tudo a ver” — pensou Allen.
– Não sabia que você gostava de ler... — comentou, virando-se para o moreno e apontando para o segundo livro que havia apanhado.
– Pois é — Kanda respondeu, dirigindo-se para sua cozinha, localizada depois da parede da sala. — As coisas mudam. — murmurou, mais para si mesmo, do que para o albino.
– Eu sei bem disso. — respondeu de forma angustiada, fitando o chão, enquanto aproximava-se da entrada da cozinha.
Por um momento Allen sentiu sua mente ficar em branco e a dor lancinante do dia anterior, o atingiu no peito.
– Oi — Yuu chamou, percebendo a mudança repentina na expressão do pirralho, que aparentava estar com o pensamento bem longe dali — Você tá bem? — perguntou, se aproximando lentamente.
Não obteve resposta.
Atravessou o pequeno espaço que os separava, até parar em frente ao garoto, que encontrava-se paralisado. Acabou por encarar os orbes prateados, que agora se revelavam acinzentados e completamente desfocados.
– Moyashi — chamou novamente, usando o indicador esquerdo para puxar o queixo de Allen, para que o encarasse.
– ... É Allen! — o albino respondeu sem fôlego, finalmente voltando a si e dando-se conta do quão próximo o moreno estava. — O que você está fazendo? — perguntou, fitando os olhos negros, e o dedo em seu queixo.
– Eu é que deveria te perguntar isso! — respondeu de forma irritada, afastando-se do garoto — Você ficou petrificado por um tempão, sem me responder. — declarou, fechando a cara.
“Puta que pariu! Que merda esse retardado tem?” – Kanda pensou, caminhando de forma brusca, de volta a sala.
– Kanda! — proferiu em voz alta, praticamente correndo para alcançá-lo. — Me desculpe... — pediu, avistando-o carregar sua mala para a escada que levaria ao andar de cima. — Eu acho que só estou meio cansado por causa da viagem, por isso, me desculpe por estar agindo de forma estranha. — comentou por fim, forçando-se a sorrir do melhor jeito que pode.
– Você sempre foi estranho. — sorriu de canto — Vou te mostrar seu quarto.
Allen sorriu de forma sincera pela primeira vez naquele dia, e logo pôs-se a seguir Kanda, que já o esperava no andar de cima.
Não demorou em chegar ao topo da escada, e observar as paredes pintadas em cinza claro, e em seguida varrer os olhos para o japonês, que parava em frente a segunda porta do corredor.
O albino o alcançou em silêncio, e Kanda apenas entrou no cômodo, que permanecia com a porta entreaberta.
– Mugen! O que pensa que está fazendo aí? — ouviu o proprietário da casa questionar, para algo ou alguém, que se encontrava dentro do quarto.
Olhou curioso para o local, visualizando o quarto pequeno sob o chão de assoalho, que continha uma cama de casal no canto, e localizava-se abaixo de uma janela. Do lado oposto havia uma escrivaninha, um guarda roupa, e alguns nichos na parede, ocupados de livros.
Mas o que mais surpreendeu Allen, não fora nada disso, e sim o lindo felino felpudo, que encontrava-se esparramado preguiçosamente sobre a cama. O gato possuía a pelagem negra, lisa e longa, aparentando ser extremamente macio. E os olhos eram azuis escuros, assemelhando-se muito a cor do oceano.
Kanda caminhou até a cama, e sentou-se ali mesmo, começando a acariciar de leve as orelhinhas do animal, que remexia-se dengoso, sobre a colcha.
“Yuu Kanda tem um... Gato?” — Perguntou mentalmente, estranhando o fato. Não conseguia imaginá-lo sendo carinhoso com alguém, por mais que fosse com um animal fofo como aquele.
– Como ele é lindo! — comentou, entrando no quarto e aproximando-se um pouco.
– É ela! — respondeu o mais velho, retirando o animal da cama.
– Ah, sim. Do que foi que você a chamou mesmo? — perguntou, assistindo o pequeno ser caminhar até a porta do quarto e desaparecer.
– Mugen. — o japonês levantou-se, e logo estava a abrir o guarda roupas, retirando de lá, alguns lençóis e cobertores.
– O que significa? — Allen perguntou curioso, conseguindo se distrair.
– Sonho, ilusão, infinito e etc. — respondeu brevemente — Foi um amigo que me deu de presente, então, não tive escolha a não ser ficar com ela.
– Está na sua cara que você é muito apegado a ela, não tente negar. — o albino o acusou, rindo levemente da expressão assassina que o moreno lhe dirigiu.
– Não fale asneiras, idiota. — caminhou até o pirralho, e jogou todos os cobertores e lençóis em cima dele, e Allen praguejou, tentando não deixar tudo cair. — Eu tenho que ir trabalhar agora. — falou enquanto retirava-se do quarto apressadamente — Tenho certeza que você consegue arrumar uma cama sozinho, huh?!
Walker pôde escutar Kanda caminhar pelo chão de assoalho, e adentrar outro cômodo, que possivelmente seria o quarto do mesmo.
Acabou sentando-se sobre a cama, pensando em como seria ficar sozinho em uma casa desconhecida.
– Oi — ouviu o outro chamar sua atenção, escorado na porta do quarto — Tem comida na geladeira e o banheiro fica no final do corredor. Pode fazer o que quiser, contando que não entre no meu quarto, e que não coloque fogo na casa, ok? — anunciou, antes que o costumeiro sorriso escarnico delineasse-se no canto de seus lábios.
– Ok. — murmurou tristonho.
Allen não queria ficar sozinho, ou melhor, ele não podia ficar sozinho. As memórias iriam voltar assim que sua mente estivesse sem algo para se ocupar.
– Eu chego às dez. — Kanda comentou por fim, partindo em seguida, sem mais nada dizer.
∞ ॐ ∞
O moreno praticamente correu para seu carro após retirar-se do quarto de hóspedes. E quando finalmente fazia a rota do trabalho, conseguiu relaxar.
Reencontrar aquele moyashi depois de tanto tempo, estava mexendo com sua cabeça. Tudo acontecera de forma inusitada, e ele definitivamente não sabia em como lidar com o fato de que o pirralho iria morar em sua casa por um tempo.
Respirou fundo pela milionésima vez naquele dia, tentando conter a irritação que o invadia. Estava curioso em saber o porquê de o garoto ter tido que sair dos EUA, porém, como Lavi havia dito, o próprio Allen iria contar o que estava acontecendo.
– Tch– o estalo saiu automaticamente.
“Que merda eu estou pensando? Não tenho nada a ver com a vida daquele imbecil, então, contando que não me tire do sério, que ele se foda.” – pensou consigo mesmo, enquanto aproximava-se do local em que trabalhava.
∞ ॐ ∞
Fazia meia hora que Allen encontrava-se sozinho na casa de Kanda.
Havia jogado-se de costas sobre a cama e tentava a todo custo, não pensar em nada. Cobria o rosto com a parte superior da mão direita, visando livrar-se da claridade que vinha da janela.
Ouviu um miado vindo da porta do quarto, e acabou por virar-se de bruços na cama para fitar a gata que agora, caminhava em sua direção.
– Psss Psss Psss — Allen emitia o som, tentando chamar a atenção do animal, que o olhava desconfiado. — Mugen, vem cá menina. — acabou esticando um dos braços enquanto chamava.
O gato se aproximou, e começou a roçar-se no braço do albino, que assistia a cena com fascínio.
– Que bonitinha. — falou com doçura, afagando o topo da cabeça da felina, que começava a ronronar.
Teve que interromper o carinho, pois ouviu seu estômago roncar.
– Acho que vou ter que comer alguma coisa... — murmurou, encarando os olhos de Mugen, que o fitavam de volta.
Levantou-se cansado, e caminhou até a porta do quarto, tomando o cuidado de não tropeçar na gata, que insistia em esfregar-se em suas pernas.
– Acho que você gostou de mim, né? — riu de leve.
Observava a casa, enquanto dirigia-se até a cozinha, pensando em como Kanda conseguia sozinho, manter uma residência grande como aquela.
Provavelmente seria uma herança dos pais dele, pensava o garoto.
Sentia-se meio desconfortável em mexer nas coisas dos outros, mas por fim, abriu a geladeira e procurou por algo que pudesse comer.
Depois de devorar dois sanduiches de presunto e queijo, e um pouco de suco de laranja, Walker pôs-se a lavar a louça, juntamente com a pilha que o dono da casa havia deixado sem lavar.
Não demorou em voltar novamente para o quarto, e forrar a cama com os lençóis e colchas que o japonês havia lhe dado.
Allen mirou o relógio na escrivaninha, que marcavam 17h03min. Um Bocejo cansado acabou escapando por seus lábios, e logo, resolveu tomar um banho.
Ele se surpreendia com o fato de estar conseguindo bloquear o acontecimento da madrugada passada de sua mente. Ocupava os pensamentos com coisas totalmente aleatórias e sem sentido.
Deitou sua mala no chão, e a abriu em busca de uma toalha de banho, tentando não dar a mínima atenção para a sacola plástica esquecida em um canto dali de dentro.
Agradeceu Lavi mentalmente, por ter comprado tudo que ele precisava.
– Ok, Allen, não pense em nada relacionado a vida que tinha. — proferiu calmamente para si mesmo, dirigindo-se até o banheiro ao final do corredor.
∞ ॐ ∞
O ex-estudante de medicina, passava a toalha pelos cabelos molhados, quando ouviu um barulho de telefone tocando no andar de baixo. Colocou a cabeça para fora da porta do banheiro para ter certeza do que ouvia, e constatou que realmente havia um telefone que não parava de tocar.
Vestiu rapidamente a camisa branca e a calça jeans, saindo a passos rápidos, descendo a escada, e finalmente encontrando o eletrônico sem fio em cima do sofá.
– Alô? — falou receoso, pelo fato de estar atendendo o telefone em uma casa que não era sua.
“Allen?!”
– Lavi? É você? — sorriu, perguntando o óbvio, afinal, a voz de seu melhor amigo era facilmente reconhecível para si.
“Sim, sou eu! Você tá bem? Como foi a viagem? E o Yuu?”– ouvia as inúmeras perguntas do amigo, ao passo em que andava em círculos pelo tapete da sala.
– Permanecerei bem enquanto não pensar em nada do que aconteceu... — murmurou fitando os pés descalços. — E ah, a viagem foi bem, fiquei muito feliz com os Dangos que comprou pra mim, obrigado Lavi. — sorriu de leve. — E o Kanda está bem, ele foi trabalhar, mas até que não está tão insuportável como antes, pelo menos até agora... Só o clima entre a gente que está meio... Estranho. — franziu as sobrancelhas, fitando a janela da sala.
“Não foi nada– Lavi riu de forma sufocada - É, seria difícil o clima não estar estranho. Faz muito tempo que vocês dois não se veem.”– Allen pode notar que a voz do amigo estava estranha.
“Fala logo pra ele, porra!” – acabou por ouvir a voz irritada e, agora tão conhecida de Cross, falando próxima do ruivo mais novo.
– F-Falar o quê? — O albino perguntou com a voz trêmula, já sabendo que coisa boa não era. — O Cross está ai com você?
“Não é nad-”– Lavi fora interrompido de responder, e logo se pode perceber que o telefone havia sido arrancado de sua mão.
– Alô?
“Allen!” – agora era Cross.
“Não faz isso” – Walker começava a ficar irritado ao ouvir Lavi tentando retirar o telefone das mãos do tio. Até que finalmente, o som de uma porta batendo pode ser ouvida.
“Allen! E então? Como está?” – o ruivo perguntou, a mesma voz inexpressiva de sempre.
– Eu estou bem, agora me conte o que aconteceu!
“Primeiramente, quero que saiba que por enquanto, você está seguro. Houve um ataque hoje mais cedo na Boylston Street, as bombas mataram umas três pessoas. Essa notícia está circulando pelo mundo todo. Por isso, irá camuflar o caso do Mana, mesmo porque a polícia ainda não tem muitas pistas e mesmo que o único suspeito seja o próprio filho desaparecido, estão segurando os fatos...– houve uma pausa, provavelmente o homem tragava um cigarro — Mas...”
– Mas?
“...Só achei que você iria querer saber que o enterro de seu pai foi às três da tarde... Eu e o Lavi comparecemos e digo que foi algo honrável, e digno para um homem como o Mana.”
Allen pressionava o telefone fortemente sobre seu ouvido a cada palavra que ouvia, fazendo com que o local ficasse vermelho. A mão esquerda se fechava em punho, e ele já podia sentir os olhos enxerem-se de lágrimas.
A ficha finalmente caía. Seu pai estava morto, e nunca mais iria voltar. E ele não pudera nem comparecer ao enterro do mesmo.
“O Lavi não queria que eu contasse pra você, mas eu não acho justo que não saiba de um acontecimento tão importante, por mais que isso doa...”.
Por um momento, milhares de flashes e lembranças, adentraram a cabeça do albino, que praticamente caiu sentado sobre o sofá.
“- Não se esqueça de fazer a lição de casa”
“- Vá dormir Allen, já está tarde!”
“- Allen, não ande com os pés descalços, você vai acabar pegando um resfriado.”
“– Filho, você tem que entender que nada nesse mundo é perfeito. O que faz uma pessoa não é a cor da pele, nem qualquer tipo de beleza imposta pela sociedade, e sim o caráter e principalmente o que elas trazem dentro do coração. A verdadeira beleza está na bondade de quem procura realizar os seus sonhos e acredita em si mesmo. Por isso o que tenho a dizer é que, não vejo nada de errado ou anormal com você, Allen. Você tem sua própria beleza. E ainda mais porque são as atitudes e a bondade que fazem uma pessoa ser mais bonita ainda. Por favor, não dê atenção ao que essas pessoas preconceituosas dizem, apenas tenha um foco em sua vida, filho.”
“-Como foi a aula hoje?”.
“- Não volte muito tarde e tenha juízo!”.
“- Parabéns por entrar nessa faculdade! Estou orgulhoso de você.”
“- Você ainda é jovem, esse é seu problema, há muita coisa que você tem que saber e aprender.”
“- Olhe pra mim, estou velho, mas sou feliz. Por que você não seria?”
“- Eu não me importo com sua opção sexual, vou continuar a te amar do mesmo jeito.”
“- Vai dar tudo certo.”
“- Eu sei que você consegue”.
“- Vai ficar tudo bem...”.
“- Eu te amo, filho.”
A voz de seu pai ecoava por sua cabeça, fazendo com que se sentisse tonto. Acabou se dando conta de que seus olhos transbordavam em lágrimas.
Tentou respirar fundo, mas a visão estava embaçada demais.
“Allen?!– Cross chamava, a voz aparentando estar preocupada devido ao choro surtado do garoto. — Me escute...”
– Realmente foi bom você me dar essa notícia — soluçou. — Pelo menos assim... — achava que não conseguiria terminar a frase devido ao nó em sua garganta — ...Não vou me esquecer do que eu fiz ao homem que me ensinou a viver.
“Você sabe muito bem que a culpa não foi sua! — A voz de Cross aumentou gradativamente — Vai ter que aprender a lidar com isso se quiser viver e...”.
– A CULPA É MINHA SIM!– gritou desesperado. — Eu devia ter pensado em algo! Se eu não fosse tão fraco, talvez ele ainda estivesse vivo. — fechava o punho esquerdo com tanta força, que as unhas chegavam a cortar a carne da palma de sua mão.
“Você se lembra do que ele sempre falava?– pela primeira vez, a voz de Cross estava rouca e soava melancólica. — ‘Aguente firme, Allen. Continue andando. Não pare’.”
“Aguente firme, Allen. Continue andando. Não pare.” — o albino jurou ter ouvido a voz de seu pai, próxima de seu ouvido esquerdo, fazendo com que se arrepiasse dos pés a cabeça.
Repentinamente, a mesma sensação de transe de quando havia deixado Kanda falando sozinho o invadiu novamente. A mente ficou em branco. E logo, alguns sons e imagens começaram a ser relembrados de forma nítida.
Flashback ::: ON
Curvou-se sobre o seu pai e o abraçou ternamente, tomando o cuidado de ser delicado para que o mesmo não sentisse nenhuma dor.
– Pai, me perdoe — começou a falar da forma mais calma possível — Eu quero agradecer o senhor por tudo que me fez nessa vida, obrigado por ter cuidado de mim por todos esses anos e ter me tratado como se eu realmente fosse um filho de sangue — lágrimas silenciosas percorriam seu rosto enquanto tentava continuar a falar — Eu poderia passar a vida toda agradecendo o senhor se eu conseguisse sobreviver depois do que estou prestes a fazer nesse momento, mas sei que sou fraco demais para viver com esse tipo de culp... — foi interrompido por um leve tocar da mão esquerda do mais velho que roçava na sua tentando fazer algum contato com o filho.
Allen automaticamente levou a mão a de seu pai e a segurou firme, e o outro tentava fazer o mesmo, mas não encontrava forças para isso. O mais novo por sua vez não demorou em sentir que havia um pequeno papel amassado na mão de seu querido pai e que ele logicamente queria que o filho o notasse.
Ouviu Tyki pigarrear impaciente, e conseguiu disfarçadamente colocar o pedaço de papel em um dos bolsos de sua calça.
Sem mais delongas, juntou todo o autocontrole que ainda restava e direcionou o cano da arma prateada no peito de seu pai, mas agora em um ponto extremamente vital, do lado contrário do tiro que o mesmo já havia tomado.
Flashback ::: OFF
Allen acordou de seu estado de choque no exato momento em que reviveu a última parte daquela lembrança. Ainda podia sentir o cheiro de sangue fresco de Mana, por mais que fosse uma mera criação de sua mente atormentada.
Mas o que o fez levantar de imediato, e deixar o telefone com Cross ainda na linha no sofá, fora a recordação do pequeno papel amassado que seu pai havia lhe entregado minutos antes de... Não se permitiu pensar. Apenas saiu correndo, em disparada para a escada, subindo-a de forma frenética.
Mugen, que se encontrava deitada na cama do quarto de hospedes, sobressaltou-se quando o garoto adentrou a porta de forma desesperada, jogando a mala no chão e a abrindo de imediato.
Apanhou a sacola que tanto havia tentado evitar, e a abriu, revelando o conteúdo que nada mais era que roupas ensanguentadas e uma arma prateada. Passou a procurar pelo pequeno pedaço de papel em todos os bolsos. Seu coração batia forte e a visão continuava embaçada devido as lágrimas. Quando finalmente encontrou o que procurava, respirou fundo, e logo seus olhos varreram a escrita desajeitada, na nota de papel dobrada e manchada de sangue:
[Execute a música a partir daqui]
Por quê? Por que as pessoas boas sempre tinham que morrer? Por que essas pessoas, em algum momento de sua vida, tinham que passar por tanto sofrimento? — Perguntava-se Allen, enquanto apertava o papel com força, caído de joelhos, totalmente a mercê da dor que parecia ser insuportável. Seu peito doía de forma aguda, por mais que o sentisse vazio.
Ele chorava, berrava, e batia os punhos no chão, perguntando-se o porquê de ter que passar por isso.
Já sentiu aquela sensação de desespero, que chegava a lhe tirar a visão? Já chegou a perder a sua fé? Talvez Allen não conseguisse expressar o que sentia, mas acreditava que tudo aquilo doía bem mais do que qualquer dor física. Afinal, pelo menos uma ferida normal poderia se cicatrizar. Mas e as feridas do coração? Ele podia sentir sua alma quebrar-se ao meio.
Quase que automaticamente, o garoto, agora cegado pela dor, voltou a vasculhar sua mala. Apanhou o objeto prateado que brilhava para si. Sim, ele pensava não poder aguentar, por isso fitava a arma em sua mão.
“MILLENNIO” — Acabou por passar as mãos no que estava gravado no cabo da arma.
Fechou os olhos, segurando firme o objeto, direcionando o cano lentamente para dentro de sua boca. Ele tremia, e o seu choro saia entrecortado por estar com aquela coisa praticamente batendo em sua garganta.
“O que o Kanda vai pensar se me encontrar morto?– pensava com amargura. — Daria muito trabalho pra ele limpar e eu não tenho o direito de estragar a vida dele dessa forma.”
– Continue andando, não pare. — repetiu para si mesmo, depois de jogar a arma de volta à mala e resolvendo abandonar essa ideia idiota.
Afinal, seu pai não podia ter morrido em vão. Era seu dever fazer justiça e descobrir a verdade.
Enxugou as lágrimas que ainda rolavam silenciosas por sua face. E em seguida, apanhou a sacola que continham suas roupas ensanguentadas.
***
Walker observava o fogo alastrando-se pelos pedaços de tecido que comprovavam seu crime.
Depois de conseguir se controlar e tomar a decisão de apagar o máximo de coisas que o relembrassem do acontecimento, conseguiu encontrar uma caixa de fósforos e um vidro de álcool, e dirigiu-se até o pequeno gramado que localizava-se atrás da casa de Kanda. Jogou tudo em um velho latão de lixo, seguido do álcool e do fogo. Só teria que limpar toda aquela bagunça depois e o japonês não iria desconfiar de nada.
– ...Não vou desistir. — proferiu, ainda fitando as chamas.
∞ ॐ ∞
Depois de um dia longo e cansativo de trabalho, Yuu Kanda adentrava a porta de sua casa. O relógio de sua sala marcava 22h36min. Suspirou cansado, dirigindo-se à cozinha, perguntando-se o que aquele moyashi poderia estar fazendo.
Por um momento, jurou ter sentindo de leve, o cheiro de algo queimando. Mas não encontrou nada que comprovasse sua suposição.
Depositou sobre a pequena mesa de vidro os pacotes com hambúrgueres que ele havia comprado para ele e o pirralho comerem. E começou a estranhar o fato de o outro ainda não ter decido, devido ao cheiro de fritas. Aquele broto de feijão costumava aparecer magicamente quando tratava-se de comida.
Caminhou a passos pesados até o pé da escada, que levava ao andar de cima.
– Moyashi! — chamou entredentes.
Não recebeu nenhuma resposta, por isso resolveu subir para ver que porcaria estava acontecendo.
Acabou por encontrar sua gata próxima da porta do quarto, e abaixou os joelhos para acariciar o topo de sua cabeça. E não demorou em entrar no cômodo, que permanecia com a porta entreaberta.
– Ei — chamou. — Mas que merd- acabou não terminando a frase, pois seus olhos avistaram o garoto que permanecia sentado em um canto, a cabeça pendendo para o lado.
Preocupou-se de início, mas relaxou ao constatar que o idiota estava apenas dormindo.
– Qual a dificuldade em deitar em uma cama? -questionou, arqueando uma sobrancelha. — Já está me dando trabalho no primeiro dia. — comentou sozinho, enquanto curvava-se para pegar o menor nos braços (que a propósito era bem leve), colocando-o sobre a cama.
Allen ressonava de leve, enquanto Kanda o observava com curiosidade em meio a baixa iluminação do quarto, apenas pela luz da lua que entrava pela janela próxima da cama, fazendo com que os fios prateados brilhassem. O garoto se remexeu por um segundo, levando a mão por cima do peito, mas o mais velho não se deu ao trabalho de sair dali. Estava escuro, por isso ele não conseguia enxergar os olhos vermelhos de Allen, devido as lágrimas derramadas mais cedo.
Apenas puxou uma coberta sobre o corpo adormecido, fitando-o uma última vez antes de abandonar o quarto.
– Tch– o costumeiro estalo saiu assim que ele fechou a porta.
Notas finais
Não vou dar um prazo para o próximo, porque a pressão me atrapalha a escrever. Mas provavelmente sai daqui uns 10 dias mais ou menos.
Me desculpem por ser chata, e espero que tenham gostado dessa coisa que saiu.
Beijos ♥
PS: Minha amiga falou que na parte da música parecia uma igreja e o pastor pregando as palavras, UHEAUHEUAHEUAHEUAHEHE.
O Allen só se ferra na minha mão. D:
Pra quem não conseguiu ler a carta do Mana na foto:
" Allen,
Desculpe-me por não poder continuar ao seu lado, e a vê-lo crescer, tornando-se um médico famoso.
Me perdoe por não ter lhe contado coisas que você deveria saber quando eu já não estivesse mais aqui, deixando-o sozinho e correndo perigo. Você terá que descobrir tudo por si mesmo, e eu sinto por isso. Talvez fosse melhor que nunca soubesse de nada. Mas isso já está fora de meu controle.
Eu me apeguei a você desde o momento em que sua mãe lhe apresentou a mim. Tenho orgulho de ter sido responsável por cuidar de você, quando ela já não podia fazer o mesmo. Eu realmente o considero meu filho de sangue, sempre considerei.
Seja forte, e nunca se esqueça de que eu sempre estarei olhando por você, da onde quer que eu esteja. Supere isso, levando em consideração que a dor é sempre tão necessária quanto a morte.
Continue andando e não pare. ( o "a" depois de morte, tem crase na foto, mas está errado daquele jeito. Por isso, desconsiderem.)
Mana Walker."
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