Notas iniciais
Bem vindo, querido leitor! Aos que já leram a primeira temporada, é um prazer ter vocês aqui novamente. Aos que são novos no esquema, espero que curtam a minha escrita e saibam que críticas construtivas são sempre bem recebidas aqui, ok?

Enfim, vamos à fic. Tenham uma boa leitura.

Soul Eater POV


Acordo no chão de um quarto. Olho pros lados e tudo o que eu vejo são quatro paredes feitas de espelhos. Todos eles refletem a minha imagem caída no chão. Quando foi que eu entrei aqui? Não sei. Não consigo me lembrar de nada que tenha acontecido nas últimas horas.


(...)


Há um silêncio ensurdecedor.


Um vazio absoluto.

Apenas eu com o meu reflexo.


Finalmente decido me levantar. É quando percebo que o chão também é um espelho extenso, assim como o teto acima de minha cabeça. Eu me vejo por todos os lados, com o olhar meio perdido, tentando encontrar a saída daquele lugar estranho. Caminho pelos quatro cantos daquele cômodo, fazendo meus passos ecoarem naquele vácuo. Vasculho, procuro, mas não há nada... Apenas eu. Quando decido encarar um daqueles meus reflexos, ouço uma voz estranha. Percebo então que há alguém atrás de mim, mas que não se reflete no espelho como eu.



– Sente-se perdido? – A voz questiona, fazendo com que eu sentisse um choque de surpresa.


Me virei instantaneamente e notei o pequeno demônio que vive dentro de mim à minha frente. Eu não esperava que fosse ele, pois a voz dele estava mais grotesca do que eu estava acostumado.

– Que lugar é esse? – Indaguei aflito, achando estranha a presença daquele demônio, pois ele só costuma aparecer em meu inconsciente.

– Não consegue mais reconhecer o seu interior, Soul? – Ele sorriu malicioso ao fim de suas palavras.

– Meu interior? Mas onde está o meu piano? E o que aconteceu com aquela vitrola irritante que você insistia em ligar? De onde surgiram esses espelhos? – Lancei as indagações em um ritmo frenético, demonstrando que não conseguia acreditar que aquele era o meu inconsciente.

– Digamos que você está passando por uma fase de transição. – Respondeu ele, esfregando as mãos com um semblante perverso.

– Que tipo de transição é essa? Eu não irei mudar nada!


Exclamei impaciente, mas logo depois fui calado pelas risadas diabólicas que aquele demônio propagava, ecoando a maldade contida em seu som por todos os cantos do cômodo.



– Você não tem que querer... As mudanças já estão acontecendo. Não vê?! – Ele questionou apontando para o ambiente ao nosso redor. – Não só você, mas eu também estou transgredindo. Essa será a última vez que você me verá assim, meu caro.


Ele encerrou com mais um sorriso diabólico. Na sequência, se virou para o lado oposto e se afastou com alguns passos. Eu continuei inerte na mesma posição, com mil dúvidas e questionamentos nas mãos. O demônio colocou uma das mãos sobre um dos espelhos e uma saída se abriu imediatamente.

– Até mais, Soul. Esteja preparado.

Ouvi suas últimas palavras seguidas de risadinhas logo antes que ele dirigiu seus passos para dentro da saída recém aberta. Eu permaneci atônito, observando o corpo miúdo e vermelho dele sumir no meio do espelho. Assim que ele desapareceu, subitamente, senti uma onda de pavor me atingir e, num impulso, eu corri na direção do espelho que serviu de saída para ele. Na tentativa de também conseguir abrir caminho para fora daquele quarto, eu fiz o mesmo que o demônio. Mas apenas o meu toque sobre aquela superfície não resultava em nada. Comecei então a esmurrar a parede, esbravejando em fúria.


– Volta aqui, seu idiota! – Exclamei enquanto atingia o espelho com socos.


O vidro começou a trincar, e minha mão ardia e manchava aquela superfície com algumas gotículas de sangue. Eu estava domado pela fúria e não me importava com futuros ferimentos. Assim que perdi um pouco do fôlego, cessei os murros naquela parede e observei meu reflexo no espelho. Foi então que tomei um susto inesperado. Minha imagem refletida tinha um sorriso no rosto. O mesmo sorriso daquele demônio. O detalhe é que eu não estava sorrindo, mas o meu reflexo estava. Rapidamente, sem pensar duas vezes, dei um único soco suficientemente forte no ponto do espelho onde encontrava-se aquele sorriso, fazendo com que uma trinca maior se formasse. A trinca logo se transformou em uma rachadura enorme, que partiu o espelho em dois. Observei com medo tudo aquilo e notei meu reflexo, ainda sorridente, fazer uma reverência, como se estivesse se despedindo. Depois disso, não tive tempo para mais nada. De repente, em todos os espelhos surgiram rachaduras como aquela, inclusive no chão e no teto. Com isso, o espelho do chão se quebrou e o piso se abriu, e eu comecei a cair em uma imensidão escura, com todos aqueles espelhos, agora quebrados, caindo em cima de mim.


Quando eu pensei que não iria mais parar de cair, senti um movimento convulsionante atingir meu corpo. Num baque, abri os olhos com urgência e dei de cara com Maka, que me fitava angustiada.



– Soul! O que aconteceu?! – A loira indagou parecendo atormentada. Ela apertava meus braços de forma firme, dando menção de que há alguns instantes estava sacudindo meu corpo inconsciente.


Eu inspirei profundamente uma grande quantidade de oxigênio, retomando o fôlego. Varri com o olhar ligeiro o ambiente ao meu redor e percebi que estava na sala do apartamento que eu tinha voltado a dividir com Maka. Eu estava sentado no sofá, com o controle remoto em mãos. Foi então que me lembrei de que eu estava esperando Maka voltar de uma missão com o pai, e decidi ver algo na televisão para me distrair até que ela retornasse. Até que houve um momento em que eu simplesmente apaguei.


– Acho que eu desmaiei. – Respondi, logo depois voltando a fitar a loira. Apesar de ter largado meus braços, ela ainda tinha o olhar aflito sobre mim.


– Seu nariz está sangrando, Soul. Você andou sonhando com coisas pervertidas de novo?

Ela estava pronta para me bater, caso a minha resposta fosse positiva. Mas, contrariando as expectativas dela, eu neguei com a cabeça. Depois levei uma das mãos ao rosto e passei os dedos pela região entre a boca e o nariz. Pude então afirmar: Eu estava mesmo sangrando. Mas não era uma hemorragia comum, como aquelas que aconteciam quando, por exemplo, a Blair decidia andar de roupa íntima pela casa. Essa era uma hemorragia diferente, pois o sangue que escorria dela... Era negro.

Por estar em grande concentração antes, Maka talvez não tenha percebido a coloração escura do sangue, mas depois que meus dedos também se sujaram, a loira percebeu e pareceu se surpreender tanto quanto eu. Ela arfou e começou a disparar palavras de preocupação.


– Sangue negro?!! O que aconteceu, Soul? Me diz logo!


– Calma, não precisa se preocupar. Foi só um sonho estranho. – Respondi, mesmo sem muita certeza sobre o que havia acontecido no meu inconsciente. – Só fica aqui comigo. – Na tentativa de tranquilizar Maka, a puxei para o meu lado no sofá e abracei a loira pela cintura. Ela retribuiu o gesto, e me envolveu com seus braços também.

Ela pareceu conformada, pois não relutou nem fez nenhuma outra pergunta. Apenas se desvencilhou do abraço quando se levantou e foi até o banheiro, logo depois voltando com uma pequena caixa de lenços umedecidos. Maka me entregou a caixa, e enquanto eu passei a limpar o sangue em meu rosto, ela voltou a sentar-se ao meu lado, em silêncio e bastante pensativa.


– Então... Como foi a missão? – Tentei iniciar a conversa.


– Bem. – Ela cortou, logo voltando ao silêncio.

– Maka... Não fica assim. Acredita em mim, não foi nada.

– Como não foi nada? O que era esse sangue então? – A loira lançou os questionamentos impaciente.

– Eu não sei! Eu só lembro de ter desmaiado e quando acordei, estava assim. – Menti em partes, mas só porque não queria causar preocupações desnecessárias a ela.

Maka bufou, extravasando a tensão que a corroia. Depois voltou a pronunciar, desta vez um pouco mais doce.

– Tudo bem então. Mas se você lembrar de alguma coisa, ou se isso voltar a acontecer de novo, você promete que vai me contar?

– Prometo. – Respondi sem hesitação, para que ela sentisse segurança na minha promessa.

Envolvi os ombros da loira com um dos braços e ela deitou a cabeça na altura da minha clavícula.

– Você ainda quer ir no jogo que o pessoal marcou? – Maka perguntou sem se levantar.

Subitamente, me lembrei do jogo de basquete que Tsubaki, Black Star, Kid e as irmãs Thompson tinham combinado conosco. Foram tantas horas discutindo entre nós sobre qual dia todos estaríamos disponíveis para essa partida, e eu simplesmente acabei me esquecendo. “Como pude?”, pensei antes de analisar o relógio na parede. Eram 10:15 da manhã, ainda havia tempo para ir ao jogo.


– É claro que quero! – Respondi num átimo, surpreendendo Maka que se ergueu. – Me dá só alguns minutos pra trocar de roupa. – Disse me levantando e direcionando alguns passos para fora da sala. – Você vai assim? – Indaguei antes de seguir para o quarto.


– Como assim “você vai assim”? O que tem de errado comigo?! – Indignada, Maka se levantou com uma postura que dava a entender que se eu desse alguma resposta errada, ela iria me dar um tiro no meio da cara.

– Não, não tem nada de errado. É só que... Você parece um pouco cheinha com essa roupa. – Eu não pensava nada daquilo, pra mim ela estava linda como sempre. Mas eu queria provocar, para acabar de sair daquele clima tenso que nos cercava.

Entretanto, essa não foi uma das estratégias mais sábias, pois eu acabei deixando a loira furiosa. Posso até mesmo jurar que eu conseguia ver seus olhos em chamas e ela soltar labaredas de fogo pelas narinas.

– Ch-che-cheinha...?! – Ela balbuciou enquanto um tique piscava um de seus olhos de forma psicótica.

– Mas está tudo bem, eu me amarro em uma gordinha. – Proferi tentando segurar algumas risadas ao ver a cara dela.

Sem ter muito tempo, me desviei de um vaso de planta que havia sido arremessado e acabou quebrando na parede. Com passos ligeiros saí correndo casa à dentro, dessa vez sem conseguir conter as risadas.

– Gorda é a sua mãe, retardado! – Ouvi ela gritar da sala, seguida por seus passos pesados em marcha sobre o piso atrás de mim.


。。。



Maka POV



Estávamos na rua, frente ao muro que separava a quadra da calçada. De casa até ali, andei ao lado de Soul com a cara fechada e os braços cruzados, dando um gelo nele por ter me chamado de gorda. Ele não parou de me bajular o caminho inteiro, pedindo desculpas e dizendo que ele me acha a garota mais atraente do mundo. Eu não estava com tanta raiva dele assim, mas eu continuei dando gelo nele para revidar a raiva que ele havia me feito passar. E além do mais, eu estava gostando mesmo de ganhar elogios dele, hehe.


Quando avançamos com mais alguns passos pela calçada, chegamos até a grade onde se encontrava a entrada para a quadra. De longe eu avistei toda a turma, que estava reunida nos bancos localizados nas extremidades do local. À medida que eu e Soul nos aproximamos, eles foram notando nossa presença.


– Até que enfim apareceu a margarida! – Exclamou Black Star do mesmo jeito “sutil” de sempre, dando um soco no braço de Soul.


– Ihh... Que cara é essa gente? O que rolou? – Liz indagou para mim e para Soul, já que eu estava de cara virada para o grisalho, e ele estava com aquela velha expressão de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança.

– É essa Dona Encrenca que não tem amor nesse coração de pedra. – Soul declamou, com direito a todo o drama e exagero do mundo.

Tsubaki começou a passar a mão na cabeça dele, como se estivesse adulando um bichinho. Eu resisti à vontade de rir, e continuei com o mesmo semblante fechado.

– Dá pra gente começar a jogar ou não? – Questionei rígida.

– Como quiser, Dona Onça. – Black Star caçoou e jogou a bola no meu colo.

Eu agarrei a mesma e fui para o centro da quadra quicando-a. O restante da turma me seguiu e, como os times são sempre os mesmos, iniciamos a partida sem mais delongas. Eu, Black Star e Liz de um lado, Soul, Tsubaki e Kid do outro. Patty ficou de fora, gritando e torcendo do banco, ao lado de um som que tocava “Locked Out Of Heaven” em um volume bastante alto.

Ao longo do jogo, eu trombava de propósito em Soul, roubava a bola dele e o derrubava no chão o tempo todo. Ele devia estar se sentindo todo dolorido, pois foram inúmeras as vezes que eu arremessei a bola com força nele. Houve um momento em que o jogo estava empatado: 8 x 8. Foi então que Kid pediu uma pausa.


– Tempo! – Exclamou ofegante e um pouco suado. – Meu cabelo ficou assimétrico demais com esse jogo, preciso resolver essa catástrofe.


Todos bufaram impacientes com a obsessão por simetria que ele tinha. Mas como estavam todos mesmo cansados, concordamos com a pausa. Eu me dirigi a um dos bancos depois de pegar uma garrafa de água na caixa de isopor próxima à Patty. Assim que me sentei, Soul se acomodou ao lado.


– Você judia demais de mim, sabia? – Ele disse com um biquinho nos lábios.


– E o problema é de quem? – Proferi com rigidez, mas cheia de peso na consciência, já que eu não estava mais conseguindo manter aquela pose de difícil.

– Ô loirinha, não faz assim comigo não. – Ele aproximou-se mais, beijou a curva entre meu pescoço e meu ombro, me deixando sem saída.

– Ta, eu te perdôo. Mas não vai se acostumando não, ta? – O puxei pela toalha de rosto que envolvia seu pescoço, deixando meu rosto próximo ao dele.

Ele, de imediato, me roubou um beijo, mas eu não tentei impedir e acabei dando início a um caloroso beijo. Soul começou a me deitar no banco, ficando sobre mim e pressionando nossos corpos um contra o outro.

– Oe, ainda estamos aqui! – Black Star reclamou, nos fazendo interromper o que fazíamos.

Voltei à posição inicial um pouco ruborizada por ter esquecido da presença dos demais ali. Soul riu, do jeito que sempre faz quando diz que me acha uma gracinha envergonhada.

– Adoro te ver assim. – Ele cochichou próximo à minha orelha.

Pelo jeito ele não ia parar com aquele charme pra cima de mim até que eu desse a ele o que ele queria... Mas como essa ideia estava fora de cogitação, eu tratei logo de arranjar uma desculpa para escapar daquela respiração quente em meu pescoço.

– Eu vou ali comprar mais água... – Proferi ao me levantar em um solavanco, deixando Soul vacilar com o corpo pra frente já que estava apoiado em mim.

– Mas nós temos água o bastante aqu-...

– Não, eu quero outro tipo de água. – Interrompi o grisalho, dando a desculpa mais esfarrapada do mundo. Mas foi o veio à minha cabeça na hora.

Na sequência, me virei e avancei com os passos rápidos para fora da quadra, escapando aliviada de Soul. Permaneci com os passos apressados até a esquina que dava fim ao quarteirão, quase sempre lançando o olhar para trás, verificando se Soul não vinha atrás de mim. Quando notei que já havia me afastado o suficiente da quadra, voltei a me virar para frente, mas assim que realizei tal ato, trombei com tudo em alguém que vinha na direção oposta à minha.


– Ai! Me desculpe... – Balbuciei com a mão na testa, que estava um pouco dolorida por causa da colisão. Quando ergui o olhar, notei que a pessoa em que eu havia trombado era um homem alto, grisalho, estranhamente parecido com o Soul. Será que ele é...


– Maka?! – O homem à minha frente indagou surpreso.

Sua voz me fez perceber que ele realmente era quem eu pensava ser: Wes Evans.

Notas finais
Então...? Fui muito ruim? Me digam plmdds! Estou ansiosa, a ponto de entrar em um colapso nervoso só de pensar que ninguém vai se interessar em ler essa fic.
Mas se alguma alma caridosa leu, dê o ar da graça pelos comentários para que eu lhe envie um abraço virtual, ta? hihi ^^
Até a próxima.