Broken Trust - Season 2
2 Convite
Notas iniciais
Fiquei muito contente com os reviews do primeiro capítulo, muito obrigada a todos, viu?! *-*
Me perdoem se eu demorei um pouquinho pra continuar, é que eu estava sem muitas ideias. Mas aqui está a continuação, espero que gostem.
Boa leitura.
Maka POV
– W-wes? – Balbuciei a pergunta mesmo já sabendo qual seria a resposta.
– Sou eu mesmo! – Wes respondeu empolgado, acompanhado de um riso fofo, parecendo feliz por eu ter lembrado dele. – Nossa! Como você está... – Ele fez uma pequena pausa na fala enquanto me analisava de cima a baixo. Depois retomou a palavra. – ...diferente.
– Ah, é... Obrigada. Se é que isso foi um elogio. – Me encolhi toda de vergonha depois daquele olhar intimidador.
Eu tentava disfarçar com um sorriso torto, mas me parece que ele havia notado o meu constrangimento. O grisalho pigarreou e voltou a pronunciar novas palavras, de forma mais serena desta vez.
– Sabe que foi ótimo te encontrar? Eu estava mesmo procurando o apartamento do meu irmão, mas acabei meio perdido. Você sabe onde fica?
– Claro que sei, eu moro com ele. – Disse enquanto recompunha a minha postura. – Eu posso até te dizer, mas ele não está em casa agora. Na verdade ele está na quadra que fica na próxima esquina desse quarteirão. – Completei a resposta, indicando com uma das mãos a região onde a quadra se localizava.
– E você estava saindo com pressa de lá por quê? – Wes questionou, me surpreendendo, pois eu percorri uma rua inteira até trombar com ele. Então desde quando ele devia estar me observando?
– Bem... É que eu estava indo comprar água... – Respondi ainda envolta por aquela pergunta que fazia minha cabeça naquele momento.
– Ah, entendi. – Ele lançou mais um sorriso fofo. Fazia muito tempo que eu não o via, mais de anos, e eu tinha me esquecido daquele jeito “gatinho manhoso” que ele tinha.
– Então... – Proferi sem graça, me desviando do corpo dele à minha frente e continuando meu caminho. – Vou lá comprar. Depois a gente se vê.
Wes permaneceu parado no mesmo lugar, me observando com o olhar. Eu fiquei com dó de deixá-lo ali sozinho, ele parecia tão deslocado no espaço e no tempo... Mas não dei corda para a piedade e dei continuidade aos meus passos. Quando atravessei a rua, voltei a ouvir a voz de Wes se propagar.
– Oe, Maka! – Quando olhei pra trás, ele estava vindo correndo atrás de mim. O grisalho atravessou a rua apressado e assim que me alcançou, me fez um pedido. – Ér... Será que eu posso ir com você?
De início senti uma hesitação. “Por que ele não ia logo atrás do Soul e insistia em me seguir?” Pensei sem obter uma resposta. Vai ver que ser “grudento” era um mal de família dos Evans.
– Hãm... Ér... Pode. – Respondi ainda meio confusa e prosseguindo com o andar sobre a calçada, esperando que o grisalho me seguisse.
E assim ele fez. Andou ao meu lado em silêncio, fitando o meio fio até chegarmos na loja de conveniência de um posto de gasolina. Entramos, e enquanto eu pegava uma garrafinha de água, Wes permaneceu próximo ao balcão do caixa logo na entrada da loja. Às vezes eu o olhava de soslaio e notava que ele tinha o olhar preso em mim. Quando eu decidi o encarar diretamente, ele desviou o olhar de imediato e começou a remexer sem graça em alguns jornais expostos ao lado do balcão. Eu estava achando aquilo cada vez mais estranho, mas relevei as minhas suspeitas e me dirigi ao caixa. Logo quando coloquei a garrafinha em cima do vidro do balcão e enfiei uma das mãos no bolso buscando pelo dinheiro, a voz de Wes se fez ouvir.
– Você deve estar me achando bizarro, né? – Ele falou baixinho, meio acanhado.
– Não, não... Imagina, Wes! – Dei uma risadinha descontraída enquanto negava, mesmo querendo responder que sim, que ele estava me deixando um pouquinho assustada com todos aqueles olhares de espionagem que me lançava.
Já Wes soltou um único riso abafado, dando a ideia de que ele sabia que eu mentia.
– Você vai me achar totalmente idiota depois que eu disser isso, mas é que... – Ele pausou mais uma vez. “Ai, droga! Porque ele é tão lento para falar?!”. Quando recebi o troco das mãos da atendente do caixa, o grisalho voltou a falar. – É que eu estou com um pouco de receio em encontrar o meu irmão.
Ele disse em um tom de confissão, logo depois aliviando uma tensão que contraía seus músculos dos ombros. Eu me senti mais do que surpresa com aquele dito. Fiquei curiosa também, afinal, por que tanto medo em ir conversar com o próprio irmão?
– Ué, por quê? – Avancei com os passos para fora da loja, deixando para receber a resposta fora dali.
– Ah, você sabe que o Soul não gosta muito de mim né...
– Não! É claro que ele gosta. Só que ele tem um jeito mais cabeça dura de demonstrar. – Interrompi-o sem cerimônia, com uma entonação de consolo na voz.
– Antes fosse isso. – Ele sorriu sem graça, parecendo agradecer minha tentativa de consolação. – Ele sempre teve a cara virada pra mim, já estou acostumado com isso. Mas é que da última vez em que nos encontramos, nós nos desentendemos em uma discussão e... Eu não sei se ele vai ficar muito contente em me ver. – Continuamos andando de volta à esquina em que nos trombamos, enquanto ele prosseguia com as palavras. – É por isso que eu queria ir até ele com você. Eu acho que se você estiver por perto, as chances dele tentar me dar um soco na cara são menores do que se eu estiver a sós com ele. Entende? – Perguntou o grisalho desajeitado, com uma mão erguida até a nuca e um sorriso torto.
– Acho que entendo... – A ideia de servir como escudo humano para Wes não estava me cheirando muito bem. – Vou tentar acalmar aquele baka, pode deixar comigo.
– Obrigado... Mesmo. – O grisalho soltou o agradecimento em meio a um suspiro aliviado.
Com mais alguns passos, chegamos à grade de entrada da quadra. Notei que a turma já havia retomado o jogo, e Patty estava me substituindo. Não esquentei a cabeça, já que todos pareciam muito empolgados em jogar e eu devia mesmo ter demorado demais para voltar. Sendo assim, deixei que continuassem jogando com aquela formação e segui até os bancos, passando pelo canto esquerdo da quadra e tentando não atrapalhar o jogo. Chamei Wes para que ele me acompanhasse, e o mesmo seguiu meus passos até a lateral da quadra onde se localizavam os bancos. O quicar da bola e o barulho do solado dos tênis arrastando no chão tinham um soar constante desde que entramos na quadra. Mas houve um momento em que os sons diminuíram, e a bola parou de quicar. Eu e Wes, que estávamos sentados no mesmo banco, olhamos simultaneamente para o centro da quadra e verificamos que a turma havia parado a partida, e todos olhavam para nós. Não era nenhum tipo de olhar diferente, apenas pareciam curiosos sobre a presença inesperada de Wes ali. O único que tinha o olhar distinto era Soul, que fitava fulminantemente o irmão mais velho, com os olhos cerrados e o cenho franzido.
– O que você está fazendo aqui? – Soul questionou possesso, depois de quicar a bola com força para trás, deixando-a rolar para longe.
– Eu só vim trazer um recado dos nossos pais. – A resposta receosa veio de Wes, que engoliu seco antes de proferir.
– Se é isso, pode ir embora. Eu já te disse que não quero ouvir nada relacionado a eles. Muito menos se eu tiver que ouvir de você. – Soul continuou alfinetando o irmão com desdém.
Ele agora se aproximava do banco onde eu estava com Wes. Notei o Evans mais velho se mover ainda sentado, dando menção de que iria se levantar também para ficar de igual para igual com Soul. Vendo que aquilo não iria dar em boa coisa, resolvi intervir antes que o clima piorasse.
– Soul, não começa... – Proferi, me colocando entre os dois irmãos.
– E o que você estava fazendo com esse idiota? Você não ia só comprar água?! – Soul agora tomava uma postura mais agressiva.
– Eu comprei! – Exclamei enquanto apontava para a garrafinha em cima do banco. – Mas eu encontrei com ele no meio do caminho. Soul... Ele veio até aqui só pra dar esse tal recado, deixa ele falar pelo menos.
– Não! Ele gastou o tempo dele à toa, porque sabia que eu não iria escutá-lo.
– Para de ser bobo! O que vai te custar ouvir? Nada! – Proferi bastante expressiva.
Soul bufou depois de revirar os olhos. Num átimo, ele voltou-se para trás e sinalizou para que o restante da turma continuasse o jogo sem ele. Assim que a partida reiniciou com um jogador a menos, Soul se posicionou frente ao irmão de braços cruzados, e com o semblante fechado.
– Fala rápido. – Ele ordenou.
Wes suspirou. Na sequência, buscou alguma coisa nos bolsos da calça, e assim que encontrou, retirou para fora, revelando um pequeno envelope.
– São os convites para a festa de bodas de prata dos nossos pais. Eles me pediram para que eu viesse pessoalmente entregar-lhe, pois eles acreditavam que se enviassem pelo correio você não iria receber. – Wes finalizou erguendo o pequeno envelope na direção de Soul que, por sua vez, analisou com desprezo a entrega.
– Perda de tempo. Pelo correio ou por você, eu não vou de qualquer jeito. – Soul cuspiu as palavras e depois virou-se de costas, jogando a toalha de rosto sobre os ombros e caminhando para a saída da quadra.
Eu fiquei constrangida por Wes, pois ele permaneceu com a mão erguida no vácuo, entregando o envelope para o nada.
– Ér... Pode deixar que eu fico com isso. Vou dar um jeito de fazer ele ir. – Eu proferi com um sorriso sem graça, tomando o convite das mãos do mais velho. Me ergui ligeira do banco e avancei com os passos ágeis atrás de Soul. – Depois a gente se fala, Wes. – Exclamei já um pouco longe do banco. – Até mais, pessoal! – Proferi a todos, que retribuíram à despedida.
Sem mais delongas, cheguei rápida à grade que servia de saída, e assim que me coloquei para fora dos limites da quadra, avistei Soul atravessando a rua.
– Baka! Me espera! – Corri até ele, que parou no meio do caminho e ficou me aguardando próximo ao meio fio.
Assim que o alcancei, levei a mão urgente até a parte traseira da cabeça grisalha dele, dando-lhe um tapa.
– Isso é jeito de tratar seu irmão?! – Levei as mãos até a cintura, adotando uma postura mandona e um timbre de voz rígido. – Saiba que ele estava super inseguro de ir falar com você, justamente porque sabia que você ia agir que nem uma mula empacada!
– Se ele sabia como iria ser, não devia ter me procurado então!
– Por que é que você fica sempre tão nervoso em relação à sua família? – Questionei neutra.
Soul arqueou o corpo, demonstrando que não esperava uma indagação dessas há essa hora. Por um momento ele deu a ideia de que não iria responder, mas por fim acabou soltando alguns murmúrios.
– Porque são todos uns idiotas. Eu saí daquele inferno de casa pra não ter que aturá-los mais, mas parece que eles ainda não desistiram de continuar me fazendo infeliz. – O grisalho desfez o cenho franzido e se livrou de parte da tensão que tornava seu semblante fechado. – Enfim, eu não quero falar sobre isso agora. Então... Será que dá pra gente ir embora, ou você vai continuar defendendo o Wes?
Soul perguntou enquanto se virava de lado, como se dissesse nas entrelinhas que, independente da minha resposta, ele iria embora. Eu compreendi a posição dele. Ele sempre carregou algum tipo de mágoa sobre a própria família, e não era de uma hora pra outra que eu iria fazê-lo restabelecer seus laços familiares.
– Vamos. – Proferi vencida, enquanto guardava escondido no bolso o pequeno envelope de convites dado por Wes, e avançava com novos passos para casa junto a Soul.
Soul Eater POV
Depois de chegarmos em casa, fui direto ao chuveiro para tomar um banho que me tirasse a sensação desagradável de ter respirado o mesmo ar que Wes. Durante o banho, novas hemorragias de sangue negro escorreram pelo meu nariz. Tratei de me livrar daquele sangue rápido para que não houvesse chance da Maka entrar ali e acabar vendo aquilo. A última coisa que eu queria agora era ser interrogado de novo sobre coisas que nem eu entendia direito por que estavam acontecendo. Talvez depois eu até procurasse pelo Stein-sensei para que ele me examinasse, mas isso fica pra outra hora.
Terminado o banho, vesti qualquer roupa que encontrei pela frente. Ainda do quarto, senti um suculento aroma, oriundo provavelmente da cozinha, invadir o cômodo e fazer meu estômago roncar. Enquanto secava o cabelo, agitando os fios grisalhos no meio da toalha, me deixei ser guiado por aquele cheiro e dirigi os passos para a cozinha. Chegando lá, observei Maka com uma roupa distinta de antes, indicando que ela tivera a mesma ideia que eu em relação ao banho. A loira estava de costas para mim, em frente ao balcão da pia, mexendo em um tipo de tábua. Ao me aproximar, observei melhor o que ela preparava e nesse ato, senti um embrulho no estômago. Eram uma espécie de bolinhos de arroz enrolados por uma fita de alga e recheados com aspargos, peixe e cerejas, acompanhados por um exagerado cheiro de canela. Pela janela aberta, percebi que o aroma delicioso sentido antes, na verdade vinha de alguma casa vizinha, e não da nossa cozinha. Com receio de que ela me fizesse experimentar aquele alien chamado de comida, tentei sair de fininho, mas para minha infelicidade, ela já havia notado minha presença.
– O almoço está servido! – Disse Maka cantarolando.
Eu engoli seco, sentindo uma ânsia na boca do estômago querendo regurgitar a comida que eu ainda não tinha sequer engolido.
– Ér... Por que você não deixou a Blair preparar o almoço? – Questionei para ganhar tempo enquanto dava alguns passos silenciosos para trás e tentava escapar daquela cozinha.
Para minha surpresa, Maka se virou para mim bruscamente, com um semblante nada legal. Era como se eu tivesse chamado-a de gorda novamente.
– Ah, é assim que você me agradece? – Questionou retoricamente, num tom furioso. – Então vai procurar a Blair pra ela cozinhar algo melhor pra você! – Exclamou, fazendo escárnio ao pronunciar o nome da gata bruxa.
Eu não tive a intenção de despertar a fúria de Maka daquele jeito, mas antes que eu tivesse oportunidade de me desculpar por minhas palavras erradas, fui bombardeado por aqueles aliens preparados pela loira. Tentei me desviar rapidamente, mas acabei sendo acertado por um deles no olho direito. “Ai! Como isso está duro!” pensei, depois de arrancá-lo do meu olho com urgência, antes que ele criasse vida ainda grudado em mim.
– É por que eu sou alérgico à canela. – Dei a desculpa com esperança de que ela não me batesse mais.
– Mentira! Quando a Blair faz sobremesa com canela, você come até não aguentar mais! – Exclamou Maka, que atirou o último daqueles aliens em mim, mas acertou a parede. “Droga! Preciso melhorar mais nas minhas mentiras.”
Sem ter mais argumentos para sustentar minha desculpa falha, corri até Maka e a peguei pelos quadris, em seguida joguei-a sobre um dos ombros.
– Me solta! – A loira protestava de cabeça para baixo, esmurrando minhas costas.
Eu não cedi aos protestos e segui carregando-a até a sala. Quando me vi em frente ao sofá, joguei a garota sobre o móvel de couro, depois fiquei apenas observando de cima as contestações verbais e corporais dela.
– Eu te odeio! – Maka proferiu emburrada, puxando um livro repousado próximo a ela e, logo depois, cobrindo o rosto com a capa da obra.
Sabendo que ela falava aquilo só da boca pra fora, preferi não dizer nada como resposta. Eu já estava acostumado a vê-la agir assim toda vez que a Blair entrava na discussão. A loira não se dava nem o trabalho de disfarçar os ciúmes.
Me sentei no sofá, aguardando aquele acesso de fúria dela terminar. Assim que tomou consciência de que eu estava próximo a ela no sofá, ela jogou as pernas com força em cima do meu colo. Ao observar a cena, soltei algumas risadinhas, despertando a curiosidade de Maka.
– Ta rindo de quê, baka? – Indagou a loira, abaixando um pouco do livro que cobria o rosto, espiando-me por uma fresta.
– Calcinha bonita. É nova? – Indaguei esboçando um sorriso malicioso.
Depois que Maka jogou as pernas sobre mim, eu conseguia ver tudo por debaixo da saia dela. A loira não deve ter notado esse fato, já que estava cobrindo o rosto. Mas agora, o livro já tinha sido arremessado longe, revelando a face ruborizada de Maka. Ela rapidamente retraiu as pernas, e passou a abaixar a saia com as mãos urgentes.
– Baka! Eu devia lhe dar um Maka-chop bem dado. – Disse ela, esboçando uma expressão mista entre vergonha e raiva.
– Você devia me dar outra coisa, isso sim. – Proferi com a voz grave, avançando até ela enquanto me apoiava no sofá com as mãos e os joelhos. Parei próximo à Maka, quase em cima dela, devido ao fato da loira estar encolhida. Eu mantinha um sorriso largo e provocante no rosto que estava bem próximo ao dela. Maka, por sua vez, tinha a face corada ao extremo.
– S-so-soul... – Ela balbuciou. Por mais que ela tivesse aquela vermelhidão nas bochechas, eu podia sentir pela atmosfera de seu corpo que ela queria o mesmo que eu.
Antes que ela fizesse algum movimento de recuo e se retirasse dali, eu avancei mais sobre ela, prendendo-a entre meus braços. Á medida que eu diminuía a distância entre nós, ela cedia o corpo e abaixava as pernas antes retraídas, permitindo que eu me colocasse entre elas. Pressionei meu peitoral contra o dela, podendo sentir entre o volume de seus seios os seus batimentos descompassados. Enquanto uma de minhas mãos passou a alisar uma das coxas nuas de Maka, meus lábios tocaram a boca dela, que se encontrava semi-aberta, liberando alguns suspiros. Vendo que ela já estava entregue e que não havia mais necessidade de conter algum movimento dela, usei a outra mão para alisar a pele macia das costas de Maka por debaixo de sua blusa. “Hoje ela não me escapa.” Presumi mentalmente enquanto iniciava um beijo caloroso.
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