Broken Trust - Season 2
6 Perdido na escuridão
Notas iniciais
Bem, vocês já devem ter percebido que dessa vez eu bati meu recorde na demora para postar um novo capítulo. Me desculpem por isso. Além da falta de ideias, eu estava realmente sem tempo para escrever. Espero que entendam e que não me abandonem plmdds. Y_Y
Enfim, chega de drama, porque vocês não estão aqui pra ler isso. Vamos ao capítulo novo.
Espero que gostem, boa leitura!
Maka POV
Olhei atordoada para aquela imagem distorcida de Soul. Ele com certeza estava dominado pelo sangue negro de um jeito que eu nunca havia visto antes. Tentei pensar rapidamente em uma maneira de livrá-lo daquela situação, mas não houve tempo para mais nada. Num átimo, Soul me puxou mais forte pelo tornozelo, fazendo com que eu perdesse o equilíbrio e caísse no chão. Nesse momento, bati o corpo contra a porta e ela bateu, fechando-se. Com o mesmo ritmo rápido de antes, vi o vulto de Soul se levantar e ao mesmo tempo transformar o braço em foice. Quando tentei me levantar, ele avançou sobre mim e me cortou no ombro. Agradeci aos céus por ter conseguido desviar, já que ele havia mirado em minha cabeça. Rolei para o lado e me ergui antes de sofrer um novo ataque, que agora atingira a prateleira atrás de mim, derrubando muita coisa e quebrando vários frascos. Quando o grisalho tomou consciência de que havia errado o alvo – eu – ele pareceu zangado e soltou um alto grunhido, o qual liberou uma alta onda de insanidade por todo o cômodo. Por não suportar tal onda, senti meus músculos, principalmente das pernas, fraquejarem, fazendo com que eu caísse ajoelhada. Ergui a cabeça com certa dificuldade e encarei Soul a alguns metros de distância. Mesmo sabendo que aquele a minha frente não era o verdadeiro Soul, eu podia saber que em algum canto dentro dele estava o meu parceiro, e eu precisava ajudá-lo de alguma forma.
– Soul! Você consegue me escutar? Por favor, acorde! – Exclamei ainda agachada, e percebi o corpo do grisalho mudar um pouco a postura.
Mas não durou muito e ele partiu para cima de mim, em um novo ataque. Mesmo sem muitas forças, voltei a me esquivar e a me distanciar dele, tentando ganhar tempo para pensar em uma maneira de pará-lo.
Soul Eater POV
As forças da insanidade atuavam impetuosamente sobre mim. Meu corpo parecia estar amarrado a pesos de chumbo que tornavam qualquer tipo de movimentação que eu tentasse uma árdua tarefa. Juntos em sons abafados, eu conseguia ouvir alguns arfares e alguns impactos, como se alguém travasse uma batalha ao longe. Em certo momento, ouvi o chamado fraco da voz de Maka gritar o meu nome. Foi então que percebi que precisava ir até ela, ela precisava de mim. Com urgência no olhar, fitei o ambiente que me cercava. Era grotesco. Um cômodo escuro, de piso e paredes cobertos por um lamaçal denso que mais parecia uma areia movediça. Não havia luz. Apenas uma mísera penumbra permitia que eu visse alguns objetos ao longo do cômodo. Havia desde cordas e armas brancas até armas de fogo ali. E mesmo que aquele ambiente inóspito me causasse certa repugnância, eu podia sentir, pelo som fraco de um disco arranhado tocando ao fundo, que aquele cômodo era o meu inconsciente. Todavia, eu mal conseguia aceitar isso. O que afinal eu havia me tornado? Uma má pessoa? Um monstro?
A resposta pouco importa, o que eu preciso agora é terminar de uma vez por todas com essa agonia. Comecei a me mover lentamente sobre a lama do piso, tentando não me afundar naquele lodo. Ao longo do percorrer, senti como se recuperasse parte da consciência de meu corpo, e pude ver alguns flashes da tal batalha que eu suspeitava acontecer ao longe. Sem muitos detalhes, vi Maka caída ao chão, com o ombro sangrando. Constatei pelo brilho da foice em meu braço que quem havia ferido-a, era eu. Entretanto, como se alguém houvesse desligado uma televisão, os flashes desapareceram e eu me emergi novamente para dentro da total inconsciência. Senti um pavor me tomar por inteiro. Eu estava ferindo Maka! Tinha que tomar providências rápidas.
Ainda com os pés dentro da lama, cheguei à beira de uma mesa que possuía em sua superfície um revólver carregado. Com a mão pesada, apanhei a arma e apontei-a em direção a minha garganta. Encostei o cano gélido entre o queixo e o topo do pescoço, enquanto engolia seco. O peso na consciência me impediu de apertar o gatilho por um momento, mas me lembrei da imagem de Maka caída e ferida, e me senti novamente encorajado a por um fim em todo aquele sofrimento.
– Maka, desculpe-me, mas isso é por nós. – Balbuciei enquanto espremia os olhos, como se não ver a cena fosse tornar tudo menos doloroso.
Levei o dedo ao gatilho, mas assim que estava prestes a pressioná-lo, senti uma mão fria segurar meu pulso e arrancar a arma de minha mão. Abri os olhos de imediato, e dei de cara com o último que eu esperava encontrar naquela hora: O demônio do sangue negro.
– Você pensou mesmo que eu deixaria você partir? Achou que eu o libertaria? – Ele gargalhou medonhamente e arremessou o revólver no lodo do piso. – Se pensou, é uma pena, pois isso nunca irá acontecer. Você nunca escapará de mim!
Com alguns passos em marcha ré e grudentos na lama abaixo de mim, me afastei dele, enquanto o fitava com ódio, reconhecendo-o como causador de toda aquela terrível situação.
– Você é apenas um rosto no espelho. Se eu fechar meus olhos, você irá desaparecer! – Exclamei com ira, concentrando todas as minhas forças nos punhos, para avançar sobre ele.
– Sou mesmo o que você vê quando olha o espelho. Mas enquanto você viver, eu continuarei lá. – Proferiu o demônio com a voz áspera, enquanto sorria parecendo deliciar-se com todo o ódio contido em mim.
– Você é só o fim de um pesadelo, um grito interrompido. Desta vez acabarei com esse sonho maldito! – Esbravejei ao mesmo tempo em que avançava até ele com passos largos e com os punhos erguidos acima da cabeça.
Contrariando minhas expectativas, o demônio segurou meus punhos fechados assim que me aproximei dele. Na sequência, me jogou com força na lama do piso, fazendo com que aquela solução gelatinosa respingasse para os lados e sobre o meu corpo. Foi então que percebi que todo aquele lodo era sangue negro e que isso tornava a situação perfeita para o demônio, pois servia de combustível para ele e lhe dava cada vez mais força.
– Isso não é um sonho, meu amigo. E nunca terá fim. – Ouvi ele dizer com a voz repleta de maldade. – Você não pode me controlar, vivo dentro de você. Vai me sentir todo dia devorando sua alma! – Proferiu entre os dentes. – Estarei em você para sempre. Ninguém nunca conseguirá nos separar! – Ao fim de seus dizeres, ele gargalhou glorioso.
Ainda caído, aproveitei seu momento de distração e estiquei o braço, apanhando o revólver caído logo ao meu lado. O ruído da arma sendo engatilhada fez com que o demônio cessasse as risadas e voltasse a atenção até mim.
– Acabou, é hora de morrer. – Proferi amargo, levando o cano do revólver até a testa. Mas antes do próximo ato, o demônio retirou a arma do meu alcance novamente, desta vez com um movimento telecinético.
– Não eu, apenas você! – Ele disse possesso, logo em seguida me atingindo com um chute no estômago.
Tossi por reflexo, sentindo meus órgãos internos se contraírem.
– Se eu morrer, você morrerá também! – Proferi, em meio aos tossidos.
– Você morrerá em mim. Eu serei você! – Disse ele, convicto.
Ainda sentindo fincadas no estômago, me contorci sobre o lodo e ergui o olhar sôfrego até o demônio.
– Maldição, deixe-me livre! – Implorei, mesmo que com certa relutância.
– Não há o que libertar. Não consegue ver? Você é eu, eu sou você! – Ele ergueu os braços, mostrando-se e tentando convencer-me daquela falsa verdade.
– Não, nunca! – Gritei.
– Sim, para sempre. – O demônio proferiu com um sorriso diabólico no rosto.
Quando suas palavras tiveram fim, ouvi um grito forte de medo soar ao fundo. Era Maka. Isso soou como a gota d’água para mim. Com forças que não soube de onde vieram, me levantei com firmeza com o revólver na mão, e apontei-o na direção do demônio.
– Maldito seja, pegue seus planos perversos e vá apodrecer no inferno! – Rosnei com ódio e apertei o gatilho antes que voltasse a ser impedido.
Junto ao estrondo da bala sendo disparada, ouvi um riso de deboche do demônio.
– Eu o verei lá, Soul. – Ele disse logo antes de se dissipar em forma de sangue negro e desaparecer.
Imediatamente, senti o controle de meu corpo voltar às minhas mãos. Quando foquei a visão que estava embaçada, assisti a uma das piores cenas que nunca imaginei presenciar: Maka, caída, me olhava com os olhos arregalados e com a boca semi-aberta, enquanto meu braço transformado em foice fincava fundo em sua garganta, formando uma poça de sangue em sua clavícula.
Notas finais
Também queria dizer que boa parte do capítulo foi baseada no (brilhante) musical chamado "Jekyll & Hyde". Pra quem se interessar (e entender inglês), recomendo que assistam ao ato da peça que se chama "Confrontation". É muito bom, rs.
Mas voltando ao capítulo de hoje: O que acharam? Espero que não tenha saído tão ruim quanto eu imagino. :S
E tem outra coisa que quero lhes propor. Estou pensando em diminuir um pouco o tamanho dos capítulos (deixá-los mais ou menos como o de hoje), pois acho que estou sobrecarregando de mais a estória com capítulos de 3.000 palavras. Mas antes, quero saber a opinião de vocês: Vocês tem preguiça de capítulos grandes? Acham muito cansativos? Gostam de capítulos curtos? Pf, digam-me para que eu consiga melhorar a fic, ok?
Enfim, muito obrigada a quem teve paciência de esperar e que leu. Prometo não demorar mais tanto assim. ^^
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