Broken Hearts
62 Último romance
Notas iniciais

► "Eu encontrei-a quando não quis mais procurar o meu amor (...) E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão, sabe que eu te encontrei”, (Los Hermanos) ◄
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FLASHBACK ON
♣ Torre de Vigilância || Dormitório 003 ♣
|| Três horas antes da reunião ||
Dentre todos os fundadores que sofreram ataques quase fatais orquestrados por Ra’s al Guhl, Superman era, sem dúvida, o único membro 100% recuperado – sem qualquer resquício de dano físico causado pela bala de kryptonita ou limitações de seus poderes.
A regeneração celular do alienígena, apelidado de Homem de Aço, era extraordinária a ponto de superar (com uma vantagem modesta) a do Flash (Tanto Barry, quanto Wally). Retirado o projétil, longe dos efeitos do cristal, Clark estava melhor em 20 minutos, ótimo em 30, novo em folha em 50 e Super em pouco mais de 1h.
Mas seu coração estava a anos luz de ter poderes regenerativos semelhantes aos físicos. Na verdade, um olhar minucioso sobre ele, revelaria uma fragilidade tamanha, mais vulnerável e sensível comparado aos humanos.
Ele obviamente sentiu o impacto emocional do que vivenciou, mas não tanto quanto outros companheiros que estavam conscientes ao serem cortejados pela morte. Mas nada poderia superar o que ele sentiu quando Wally soltou, sem querer, que os planos eram do Batman. Seu amigo... Pelo menos, ele acreditava que ele era seu amigo.
(...)
Clark respirou fundo antes de acionar o código de conexão do seu comunicador para o de Diana. Os passos lentos que o levaram do refeitório ao dormitório dela eram sinal de que havia algo errado com ele.
— Di, como você está? – Superman perguntou, entrando no dormitório.
O lugar estava escuro e frio. Totalmente diferente do habitual.
— Eu estou bem, Kal. – Diana respondeu, olhando em seus olhos azuis profundos, iluminados pela luz do corredor, que penetrou o dormitório quando Clark abriu a porta – Alguma notícia do Bruce? Eu não consigo falar com ele.
Ele a viu sentada em um pequeno sofá no canto, encoberta pela escuridão. Diana estava abraçando os joelhos, olhando para o espaço, da janela.
— Não... Nada ainda! – Clark não tinha decidido se deveria falar com ela sobre Bruce. Ele estava preocupado como ela iria reagir quando ele lhe desse a notícia sobre o que Wally tinha-no revelado.
Superman acendeu a luz moderada de um abajur que pouco iluminava o dormitório, mas era o suficiente para afastar o breu completo e sutil o bastante para não incomodar.
— Estranho... Ele não me atende. – Diana mudou-se para uma posição sentada, voltando-se para o amigo – O comunicador está inativo e eu perdi a conexão com o computador da Batcaverna.
A amazona estudou as reações do Superman as suas palavras. Ela podia traduzir a mensagem em cada movimento, por mais sutil que fosse. Conhecia o significado de cada expressão facial, mesmo aquelas que Clark fazia quando tentava disfarçar a verdade dela.
Se pudessem eleger aquilo que representava o nível de intimidade da amizade compartilhada pelos três heróis, os três pilares que dão sustentação à base da Liga, seria a compreensão que tinham uns dos outros. Em um nível de profundidade que os mostrava transparentes e, raramente, mascarar totalmente a verdade – mesmo o Batman.
A ligação entre eles, ao longo dos anos, permitiu-lhes uma leitura dos reais sentimentos de Bruce, ainda que não fosse fácil vê-los em baixo de tantas máscaras. Diana e Clark sabiam quase sempre que a maioria de suas palavras não refletiam a verdade. Mas ser amigo do Batman exigia aceitar seu complicado temperamento e suas escolhas, mesmo sabendo a verdade.
Quando Clark a viu olhando pra ele e desviou os olhos para a escrivaninha, Diana soube que algo estava errado. E as batidas do pé direito mais rápidas que o esquerdo eram sinal que ele estava escondendo algo.
Ela levantou-se e deu alguns passos na direção do kryptoniano, aproximando-se. Superman olhou pra ela com um olhar estranho. Ela o fitou, tentado decifrá-lo.
— Kal... Por que você está me olhando assim? – Clark arregalou os olhos por alguns segundos, antes de responder.
— Di... – Kal-El se perguntou se aquele som era real ou algum tipo de dano cerebral – Você... Você... – Ele sabia que não. Então, qual a dificuldade?
— Eu o quê, Kal? – Diana perguntou atônita – Grande Hera, diga de uma vez.
— Você está grávida, Diana – Superman ficou de pé.
Levou cerca de 4 a 5 segundos de pausa até ela reagir às palavras dele. Antes disso, ela havia congelado.
Clark não sabia se fora o abalo com a descoberta da gravidez ou uma reação física normal, quando teve que ampará-la. Foi então que ele teve uma visão da aparência dela.
Diana estava mais magra, mas poucos saberiam dizer porque. Desde que se conheceram, ela nunca apresentou variação de peso – nem ganho, nem perda. Com exceção do período em que fora afetada por um vírus. Ela estava perdendo massa magra, tecido muscular.
A amazona estava fraca – como se estivesse muito cansada, não debilitada – exibia algumas olheiras – que em uma mulher normal seria sutil, mas nela ganhava intensidade, porque era a primeira vez que ele a vira assim – e cortes e arranhões superficiais que normalmente já teriam cicatrizado – com base no tempo habitual que o organismo de Diana leva para se recuperar.
Ele pode ver sinais de recuperação, que indicavam que o fator de cura estava funcionando. A diferença estava na lentidão visível de sua regeneração celular.
Após a reunião, ele pediria a J’onn para examiná-la. Especialmente para verificar as condições do feto.
— O quê? Você está louco, Kal – Diana experimentara uma mistura conflituosa de sentimentos: confusão, alegria, medo – Eu não posso engravidar... Eu fui trazida à vida do barro... Eu não acho que minha mãe tenha moldado um útero... Eu não sou como as mortais... Devo ser oca... Meus órgãos, se eu tiver, não são normais – Ela respondeu como se cada palavra a ferisse.
Clark a abraçou, doando-lhe todo afeto possível. Na intenção de mostrar-lhe que ela era especial. Não importava o fato de ser ou não semelhante ao organismo humano.
— Como você sabe? – A voz de Diana indicava que ela estava chorando. – Você tem certeza disso, Kal? Não brinque comigo, por favor.
Ela podia dizer que ele estava confirmando, pelo movimento do queixo dele no topo de sua cabeça.
— Di... Eu estou ouvindo – Há mais de um coração batendo, além do seu. Eu posso ouvir vindo de dentro de você.
— Você sabe, ele vai surtar... – Kal-El sentenciou, um tanto animado – Mas é uma chance de recomeçar pra ele, Di... Ele vai precisar.
— Por que está dizendo isso, Kal?
— Nada... Eu te digo quando chegarmos à sala de reuniões. Por hora... Só quero ficar abraçado a mina melhor amiga, que vai ser mãe.
— Eu te amo, Kal... – Diana disse, sorrindo para seu amigo.
— Também te amo, Di!
FLASHBACK OFF
♣ ♣ ♣
♣ Gotham City || Wayne Enterprises ♣
Sua capa balançava violentamente, acompanhando a direção do vento. Ele estava pendurado no topo da Wayne Enterprises, uma das edificações mais altas do mundo – seguramente, a mais elevada de Gotham. Tão alto que, se ele fosse um poeta trovador, estaria agora cantarolando sonetos sobre quão perto ele está do céu.
Mas ele não é um trovador, tampouco merece o céu.
A figura do Cavaleiro Negro, camuflada pela escuridão da noite, se conforma de que jamais poderá fugir da sina cruel das tragédias que o perseguem. Mais uma vez, o destino o iludira com um punhado de felicidade – até convencê-lo de que, mesmo ele, poderia aliviar a dor com um pouco de amor. Para divertir-se às suas custas, assistindo-o cair de joelhos, quando mais uma vez arranca-lhe com violência quem ele se atreve a amar.
Lá, no topo do arranha-céu, tudo ganhava intensidade – A força do vento o chicoteava e a escuridão da noite o engolia. Os ruídos da ventania eram brutais o bastante para sobrepujar os ruídos que ele mesmo emitia: uma mistura intercalada de choro, soluço, gritos e lamentos.
Doía como o inferno saber que seus amigos quase morreram por sua causa. Mesmo que a consciência argumentasse que Ra’s foi responsável por transformar seus planos de contenção, projetados apenas para deter e capturar os membros fundadores, em ações mortais. A culpa contra-argumentava que se não houvesse o Protocolo, com relatórios detalhados sobre as fraquezas de seus amigos, além da base de planos para atingi-los, Ra’s sequer teria a chance de modificá-los.
Ele não se arrependia de fazer o que é certo. Ainda que soubesse o custo dessa decisão. Mas se culpava por sentir-se responsável por quase matá-los.
(...)
Ele podia ver as pálpebras inchadas e os olhos vermelhos. Vestígios deixados quando as lágrimas vertem excessivamente, por muito tempo. E ainda sim, desfeita, Diana ainda era a coisa mais linda que vira na vida.
Ela pairava no ar diante dele. Longe demais para ser beijada. Perto o bastante para obrigar seu corpo a reagir à sua presença com mais intensidade, estremecendo, provocando arrepios à pele dele. Ele não queria vê-la agora. Ele não estava pronto. Ele estava em pedaços.
Mas não podia fugir. Não podia negar a ela – depois de tudo – ao menos, o direito de despejar sua fúria, sua frustração, sua decepção sobre ele.
— Por quê? – O tom fraco da voz dela o surpreendera.
— Se Clark mandou você aqui para me convencer a me desculpar, é melhor dar meia-volta, Diana – Ela ficou surpresa como Batman parecia cansado, e mesmo assim, sua voz se mantinha poderosa.
— Ninguém me mandou. Eu estou aqui por mim. – Ela parecia tão cansada, tão diferente – Por quê, Batman? Responda!
— Você estava lá quando expus meus motivos, Diana. Eu não gosto de me repetir.
— Aquela foi sua resposta profissional, Batman. Para seus colegas de trabalho – A amazona se aproximou do Morcego, a fim de decifrá-lo através das sutis reações físicas que revelavam as reais emoções que ele tentava esconder. – Eu não mereço uma resposta honesta? A minha resposta? Ou aquele memorando verbal também é pra mim?
Bruce respirou fundo antes de responder. Ele fez uma pausa que parecera durar uma eternidade.
— Porque alguém precisava fazê-lo, Diana. Você viu os Lordes da Justiça. Todos nós tivemos uma demonstração ao vivo do pior de nós. Se a Liga, por qualquer motivo, decidir impor seu domínio sobre a humanidade, nada nos impediria.
— Não somos como eles... – As lágrimas retornaram. Por mais que tivesse jurado que não choraria na frente dele, tomando o tempo necessário para se recompor antes de procurá-lo, a amazona não tinha qualquer controle sobre elas – Não nos insulte ainda mais... Aquelas pessoas são minhas amigas. São SEUS amigos... Eu fui exilada pela minha mãe... Perdi minha família... – Ela amaldiçoou a si mesma silenciosamente, usando sua língua materna, o antiquíssimo grego clássico em desuso há séculos, mesmo entre gregos. – Aquelas pessoas são minha família... Alfred, Tim e Damian também... Bruce... Bruce é meu único lar, Batman... Meu coração faz morada no coração dele... Eles são tudo que eu tenho... Eu quase perdi metade deles porque você porque você não confia em nós
— Não se trata de confiança, Diana. Nem de amizade ou respeito – Sua voz já não era tão imperiosa. Sua postura vacilou e seus ombros caíram quando ela disse-lhe que Bruce era seu lar – Eu fiz o que precisava ser feito. Ponto. Não adianta quantas vezes eu explique os motivos. Vocês não veem as cores escuras do meu mundo. A vida de vocês é em cores. Vocês são otimistas demais para esperar o pior das pessoas. Eu não.
— Não tomar o mesmo caminho que o seu ou discordar de você não significa que não o entendemos, Batman. Você pensa muito pouco de nós, não é? “Pobres metas estúpidos. Eu sou o único com um cérebro” – Diana atirou a ironia.
— Minhas escolhas não são fáceis, Diana. Mas alguém tem que tomar decisões difíceis – Ele sentia-se tão exausto – Vocês não entendem... Você... Você não...
— Não se atreva a dizer que eu não entendo... – Ela o cortou e sua raiva interrompeu as lágrimas – Eu posso entender suas razões. Seus planos. Sua desconfiança de nós no início... Mas você, Batman, se recusa a admitir que não confia em nós... NENHUM de nós – ela enfatizou a palavra para destacar sua inclusão
— Eu sinto muito ser uma decepção pra você, Diana... Eu não sei mais o que dizer para você acreditar em mim... – Ele abriu a longa capa, acionando o impulso elétrico que enrijece o tecido, possibilitando ao Batman usá-la para planar, como um voo de para-pente, aterrissando no heliporto da empresa – Eu confiaria minha vida à você Diana.
Eles ficam de pé, lado a lado, contemplando o horizonte. Ambos evitando olhar um para o outro... Depois de um longo silêncio, em que o único som era o sussurro do vento, a amazona ressaltou:
— Eu não estou decepcionada, Bruce. Se estivesse, não estaria aqui – Ela o chamou pelo nome pela primeira vez. Baixinho, evitando expor sua identidade – Meu vocabulário não tem nada que diga o que eu ‘estou’... Eu nunca me senti assim... – Sua voz perdeu-se, sem retorno.
— Eu só sei que dói... Muito. Em lugares que você não pode tocar... É um sentimento que esmaga, você se sente pequeno, vazio, sozinho. O estômago parece pegar fogo e todas as dores suportáveis pra você ficam insuportáveis – Diana soltou uma risada melancólica.
— Eu não entendo, Bruce – Ela dirigiu seu corpo na direção dele – Deve haver algo errado comigo... – Ele quebrou quando olhou para a mulher que amava deixando cair lágrimas graciosas por sobre as maçãs de seu rosto – É como se arrancassem meu coração...
— Eu sinto muito, princesa – Bruce queria abraçá-la, mas ela jamais permitiria que ele a tocasse novamente, ele pensou. – Você e a Liga ficarão livres de mim.
— Eles estavam zangados... – Ela disse, como se não tivesse ouvido ele – Menos o Wally e J’onn. Você sempre o assustou... Você sabia que você é o segundo herói preferido dele? – Ela riu suavemente.
— ...Clark? – A pergunta quanto ao primeiro estava implícita.
— Barry, primeiro. Batman, o segundo. Kal, o terceiro... E chamam você de grande detetive! – Aos poucos, Diana ia tentando abandonar a postura rígida – Kal foi duro com você, mas quando você saiu, ele desmoronou. Ele também não estava com raiva. Ele só está ferido...
A mente de Diana mostrou a lembrança de Kal-El abraçado a ela, chorando copiosamente, nas dependências de seu dormitório. “Nós éramos amigos, Diana... Ele era meu melhor amigo. Eu pensei que ele me considerasse seu amigo”.
— Eu nunca planejei ferir nenhum de vocês. Muito menos, matar. Eu só... Não importa... Está feito. E não há nada que eu possa fazer.
— Você poderia se desculpar, Bruce. Dizer que sente muito.
— Eu não vou fazer isso... Eu não me arrependo dos meus planos, Diana. Eu me arrependo de ter sido negligente a ponto de terem-nos acessado.
Um longo silêncio caiu sobre eles...
O som do choro baixinho de Diana o quebrou. Ela não entendia porque não conseguia se conter ou controlar minimamente as emoções.
Tudo que Bruce queria era abraçá-la, mas se negou a ofendê-la com sua postura.
— Diana... Eu estou cansado... Você ainda mais. Acabe com tudo de uma vez...
— O quê? Bruce, por favor, seja mais claro porque eu não estou em condições de traduzir o que está por trás das suas palavras.
— Eu estou pedindo que você faça logo o que veio fazer aqui. Que despeje toda sua frustração, que jogue na minha cara toda a merda que eu fiz você passar, toda porra insuportável dos meus defeitos que você aguentou. Diga que vai me deixar de uma vez, Diana...
— Pela primeira vez... – Ele suspirou – Eu não posso culpar a mulher que eu amo por me abandonar, por me trair, ou preferir a liberdade de uma vida sem regras à ser condenada a uma vida de socialite tediosa – Bruce não tinha força pra manter o controle se olhasse pra ela – É a primeira vez que eu machuco, ao invés de ser machucado. Pelo menos, agora eu sei que elas sofreram tanto quanto eu.
Diana ficou em silêncio... Ambos com os olhos vidrados no horizonte. Aos poucos a noite se despedia e já se via a linha fina do pedacinho do sol despontando.
— Eu não tenho mais o direito de dizer isso, Diana... Eu me sinto afogado em um lamaçal... – Bruce finalmente voltou-se para ela – Você não vai acreditar, mas eu amei você como nunca amei ninguém. Não mais, não menos. Não importa. Só você teve tudo de mim, Diana: Coração, corpo, alma, espírito. Eu amei outras vezes. Me apaixonei antes de você. Mas mesmo que eu me esforçasse, parte de mim se mantinha desconfiado, pessimista, planejando o que fazer QUANDO acabar.
— Eu amei você, Diana... Eu continuo amando, princesa...
O redemoinho de emoções dentro dela se agiganta quando ele diz isso. as emoções já fora de controle, ganham um status de desequilíbrio que a fazem afundar, se ajoelhando enquanto o choro se torna intenso.
Ela fecha os olhos e só ouve um adeus fraco.
Ele se foi...
(...)
Ela voa em silêncio a uma certa distância dele. Planando pelo céu de Gotham. Ele desliza no beco onde escondera o Batmóvel. Ela o observa... Os ombros se elevando e abaixando, a cabeça baixa, o movimento do corpo como se estivesse convulsionando. Quando as portas se abrem, ela se aproxima e ele congela.
Ela senta no banco do passageiro, sem olhar pra ele.
— Você... Seu arrogante... Seu estúpido... Homem!
“Jesus, ela está chorando novamente”, ele pensa, angustiado. Sua mente o preparando para ouvir o desabafo dela antes de ir embora para sempre.
— Eu não vim pra dizer adeus – Ela olhou pra ele, os olhos vermelhos, ardendo, vertendo um rio de lágrimas que fizeram o coração do Morcego queimar – Eu... Só queria saber se você ainda me amava... Se ainda se importa comigo... – Bruce não sabia se exultava por ver nos olhos dela a intensidade do amor que ela sentia por ele, superar o que ele fizera.
— Eu sempre amarei você, princesa... Sempre... Você sempre foi e será importante pra mim... você está gravada em meu coração, Diana. Se eu quiser arrancá-la, eu terei que viver sem ele.
Ela sorriu e a vida de Bruce parecia menos miserável. Como se seu sorriso fosse a razão que o motiva a levantar todas a manhãs.
— Eu posso lidar com a raiva de todos eles. Eu já lidei com o pior, acredite – Ele tira o capuz e Diana vê as olheiras profundas e os vestígios que mostravam que ele havia chorado em seus olhos – Quer saber o que doeu, princesa? O que ainda está me matando? O que vai me assombrar até o fim da minha vida?
Ela fez sinal de negativo com a cabeça. Os olhos brilhando de compaixão por ele.
— Foi aqui – ele apontou o dedo indicador para o topo da cabeça – Dentro da minha mente... Foi ela que criou algo que por pouco, quase a matou... Que tipo de doente... – Bruce desabou... em um choro copioso – Um homem são não... – Diana se aproximou, sentando-se mais perto, cercando-o com os dois braços para abraçá-lo
— Eu não... Você não pode, Diana... Fuja... – Ela tomou seu rosto com a palma das mãos e ergueu seu rosto, levando o olhar dele para o dela – O Morcego é um monstro... Uma aberração... Como todas as que Gotham cria
— Bruce, vamos pra casa... Alfred deve estar preocupado.
— Eu não posso... Eu não poderia encará-lo Eu já o decepcionei mais vezes do que me lembro.
— Ele tem orgulho de você, Bruce – Diana disse olhando em seus olhos – Eu... Eu também
— Princesa... Eu não posso... Não tenho... – Ele a olhou com olhos tão vazios que doeu contemplá-los – Você pode... Se afaste... Eu sou... nocivo
— Bruce, olhe pra mim – Ela reuniu forças de onde nem ela sabia para dar-lhe um olhar cheio de determinação – Eu não vou embora. Nem agora... Nem nunca.
— Eu não posso... Bruce. Eu te amo
Ele chora. Ouvi-la dizer que o amava apesar de maravilhoso, o fez culpar-se ainda mais.
— Eu preciso de você comigo, Bruce. Mais do que nunca... Não me deixe.
— Princesa...
— Eu não posso sem você, Bruce... Eu não sei nada sobre bebês
Ele não parecia entender ou não sabia se estava delirando
— O quê? Do que diabos você está falando, princesa? Eu... eu...
— Sim, Bruce – Ela colocou a mão dele sobre seu estômago. – Eu não tenho a menor ideia do que fazer... Em Themyscira não há bebês.
— Mas... Eu quase a matei. Eu quase matei vocês! – Ele suspirou, cansado, entregue, exausto, emocional e fisicamente.
— Não fuja de nós Bruce... Nós precisamos do papai. – Diana disse, suavemente – Por mais negra que seja a noite, na sua hora mais escura, vem a luz do amanhecer, Bruce. Nós podemos começar de novo. Você quer isso?
Eles colaram as testas um no outro e se olharam nos olhos por um longo tempo, alternando riso e choro, desta vez, de alegria emocionada.
— Seu amor é minha segunda chance, princesa!
Pela primeira vez, após uma tragédia, a vida lhe sorrira, dando-lhe uma nova chance, ao invés de zombar de seu sofrimento.
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