Notas iniciais
Galerinha, Me permitam um minuto da atenção de vocês: Eu queria agradecer, de todo coração, a cada um. Do anônimo ao comentarista. Do leitor ávido, que se manifesta, ao que toma sua leitura silenciosamente. Os comentários no capítulo anterior despertaram o melhor de mim, no sentido de me instigar a continuar me dedicando de coração a este trabalho. Obrigada é pouco, mas o afeto da gratidão é gigantesco! ♥ ♥ ♥

“I'll fix you with my Love”

(Irei curá-lo com meu amor)

♫ Lady Gaga ♪ The cure ♥

♣ Gotham City ♣

|| 05h48 ||

Diana permitiu-se relaxar, na medida do possível, deslizando suavemente no assento do passageiro da impressionante máquina automotiva do Cavaleiro de Gotham, grata pelo toque do couro fresco contra sua pele um tanto fria. Ela ajustou-se, anulando a postura rígida das costas e esticando as pernas, até chegar à medida de conforto tranquilo... Fechando os olhos, respirando fundo e sorrindo suavemente, como quem conquistara a paz interior.

À medida que as restrições automáticas se ativavam, com o travar das portas e a saída imediata rumo à caverna, Bruce também passou a assumir um comportamento semelhante – embora em uma dose infinitamente mais comedida, ainda sim, digna de nota (para um homem cuja paranóia está no pódio dos traços de personalidade mais marcantes).

Mas nem mesmo seu pessimismo poderia suprimir o considerável percentual de relaxamento que o invadira, após os recentes acontecimentos que selaram a reconciliação entre eles, tampouco inibir a sensação de alivio que o dominara, ao vê-la a salvo e em paz, ao seu lado.

Bruce não poderia evitar as reações físicas que seu corpo assumira: a coluna ereta (mas sem rigor), e ombros firmes e alinhados – totalmente diferente do costumeiro encolher que seu tronco refletia, com as costas arqueadas e ombros caídos; a respiração profunda, proporcionando-lhe cada vez mais tranquilidade – ao contrário das inspirações longas. Uma tentativa desesperada de retomar o controle das emoções; dois ou três sorrisos tímidos, provocados pelos olhares furtivos em direção a Diana, que ele se atrevera a dar.

Como ele poderia impedir que tais sentimentos viessem à tona? Como sua racionalidade lendária poderia conter a força do golpe de emoções que ela não reconhecia, um inimigo que jamais enfrentara? Os poucos segundos em que sua mente tentou trazê-lo a normalidade prevenida e paranoica, foram inúteis diante da tsunami de novas e boas sensações que o derrubaram.

Ele nunca experimentou o alívio pós-tragédia. O perdão de outrem, de si mesmo, por amor. O recomeço imediato ao fim. O calor do afeto, a força do bem-querer, a sensação de segurança e confiança, após escolhas difíceis.

Nem mesmo o Batman negou-se a gozar de tais resultados positivos: Era o poder do amor restaurando o homem e a solidez da confiança e do respeito reforçando o Morcego.

Era impossível soterrar um sorriso leve ao atravessar a experiência libertadora de voltar para casa, pela primeira vez, ao ser brutalizado por mais uma tragédia, sem sentir-se miserável. Ele estava feliz em voltar pra casa... Ele estava em casa... Com ela... Diana era, como ela disse pra ele, seu lar.

♣ ♣ ♣

♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣

|| 7h26 ||

Surpreendentemente, quando Diana observou a batcaverna, ao sair do batmóvel, o único som que se ouvia, bem como as únicas presenças, era dos Morcegos aglomerados no topo, entre as estalactites de formação rochosa.

Ela esperava que o clã estivesse lá, aguardando Bruce, dada a gravidade da situação, ou pelo menos Alfred. Contudo ela sabia que certamente Bruce informara sobre seu retorno e ordenara a saída de todos, Prevendo que obedeceria a ordem natural de sua vida: isolamento, solidão, negando a si mesmo qualquer tipo de apoio ou afeto que diminua sua dor!

Diana sentiu a tensão diminuir de seu corpo quando olhou para Bruce, sem o capuz do traje, caminhando ao lado dela em direção ao vestiário. Qualquer um diria que sua expressão e sua postura eram neutras. Mas a profundidade de seu relacionamento a fez capaz de enxergar através dele, de ver suas verdadeiras emoções, enterradas debaixo de inúmeras camadas de máscaras e escudos que ele usa para escondê-las.

Os ombros erguidos, as omoplata alinhadas, a coluna ereta... mas não com a rigidez dos dias tensos. Ele estava relaxado, à sua maneira – acredite. Esta era a postura elegante que o príncipe de Gotham, educado por seu tutor sob o rigor irrepreensível das regras da etiqueta britânica que se aplica à realeza, assumia naturalmente. Ao contrário dos ombros caídos e tronco curvado, como se carregasse uma pesada cruz de culpa nos ombros.

No rosto, raríssimas pessoas seriam capazes de decifrar a realidade de seu estado de espírito. A expressão de neutralidade em seu rosto não vacilava, não deixando brechas para sondagem, nem mesmo dos seus. Mas Alfred, Leslie e agora Diana, eram capazes de reconhecer suas emoções, em virtude da extraordinária habilidade, na qual se especializaram, de perceber detalhes quase indetectáveis em sua expressão, postura, tom de voz, que lhes revelava o que Bruce tentava omitir.

Mesmo que seu rosto exibisse uma imagem que refletia NADA, ela sorriu suavemente ao traduzir o que vira. A mandíbula não estava contraída, os olhos não pareciam vazios, o queixo não se erguera demais – como quando ele ruge ordens, ou faz argumentos furiosos e imperativos – nem de menos – como nos dias em que ele se isola, melancólico.

Ele parecia estar em paz? Não... Seus demônios pessoais não permitiriam. Entretanto, se não era paz, decerto, podia-se chamar de quietude, uma quase harmonia, a tranquilidade parcial da ausência de conflitos emocionais.

Bruce arqueara sutilmente o canto esquerdo dos lábios, ao observar, em um canto da imensa bancada de suporte para as pias do vestiário, uma garrafa térmica, sobre a bandeja de prata.

Café!!

Diana se desfez do uniforme e fez seu caminho para um dos boxes com duchas. Eles ficavam exatamente do lado oposto ao de Bruce, que bebia tranquilamente seu café, apoiando os quadris na bancada, com as pernas esticadas em um ângulo pouco inclinado. Ela sorriu ao perceber que seu corpo nu estava exposto ao escrutínio minucioso do olhar dele. O que a motivara a desobrigação de fechar a porta do Box, para banhar-se com privacidade.

Ela estava cansada, mas aquele olhar despertou um desejo que enviou-lhe uma descarga de energia que ela não se imaginava capaz. A força do jato de água fria sobre seus ombros, massageando os músculos retesados, provocara na amazona uma sensação de prazer imediato, resultando em um gemido de satisfação que ela fora incapaz de conter.

A filha de Hipólita contemplou os efeitos que um som tão simples, somado a sua nudez, causara no herói poucos metros à sua frente. Seu corpo abandonara a posição relaxada, quando ele se pôs de pé, tomando uma imensa quantidade de ar ao inspirar profundamente, enchendo os pulmões ao limite de sua capacidade, expandindo ao infinito o peitoral de proporções sedutoramente descomunais, cuja proeminência dos músculos esculpidos à perfeição, adornado com os entalhes de suas cicatrizes, eram hipnotizantes.

O olhar faminto sobre ela, o desconforto evidente na região pélvica, a respiração densa, mostrara a heroína uma disposição vigorosa, que não lembrava em nada a exaustão que Bruce exibira há um par de horas.

O brilho intenso da chama do olhar fixo dela era prova incontestável do seu desejo por ele. A lentidão do movimento da boca ao morder o lábio inferior era um sinal da intensidade de seu apetite – arrancando de Bruce um sorriso lascivo, que poderia facilmente ser atribuído ao playboy, não fosse o fato de que era espontâneo e sincero demais pra isso.

Diana, ainda que mostrasse sinais de que não estava em sua plenitude física, também exibia uma disposição contraditória a qualquer prerrogativa de descanso.

A sequência vigorosa dos beijos de Bruce a privaram completamente de suas capacidades mentais – o poder inebriante que seu corpo exercia sobre o dela, roubava-lhe a razão, o bom senso, o controle de suas ações, seu livre arbítrio. Deixando-lhe apenas de posse dos sentidos, que um a um, eram estimulados por ele. Envolvendo-a em uma cadeia de sensações que reforçavam ainda mais sua incapacidade de pensar.

Sua genética meta-humana elevaram exponencialmente o desenvolvimento desses sentidos. O que, consequentemente, tornara suas sensações igualmente multiplicadas. Dizer que, aos olhos de Diana, Bruce era um herói imensamente mais extraordinário que para qualquer um que o considera espetacular, não é só uma metáfora romântica.

O timbre do barítono naturalmente sexy de sua voz, sussurrando seu amor, seu desejo e inúmeras palavras e expressões do repertório sexual, em várias línguas, provocavam uma onda de prazer sonoro que faziam seu corpo inteiro vibrar. "Te quiero, Diana" (Quero você, Diana) / " Je vais te faire foutre jusqu'à l'aube " (Eu vou te foder até o amanhecer)

A cada toque dele em sua pele, Diana experimentava uma amplitude de sensações que não poderiam ser explicadas. Levando-a ao limite da sanidade quando concentrado em zonas erógenas.

Ela se deliciava com cada gosto e cada aroma de Bruce. O sabor doce de sua saliva; o gosto salgado do seu suor. O cheiro da loção pós-barba que ela adorava – quando era a única coisa que reconhecia nele; o cheiro dele misturado ao dela, quando fazem amor.

Seu olhar sobre o guerreiro, vestido com sua armadura, o Batman, escaneou cada detalhe, revelando-o para ela, como se o traje não pudesse esconder quem ele é... Não dela. Ela não consegue esconder a excitação imediata ao observar as incontáveis cicatrizes dispostas ao longo de sua exuberante estrutura muscular precisa. Mas ao contrário do que Bruce supõe, e do que Diana compreende, essa excitação não é tesão – ou melhor, o tesão não é determinante. Tem um quê de deslumbramento.

(...)

Diana não tinha lembrança de como ela chegara à suíte do casal. Os beijos profundos e ininterruptos a desconectaram do mundo. Não lembrava dele tirando peça por peça do traje do morcego, deixando apenas a bermuda esportiva que usa por baixo da armadura. Não lembra dele entrar no chuveiro, beijá-la, desligar a ducha e carregá-la completamente nua, pela casa, até o quarto, ciente de que a esta hora da manhã, todos estariam de pé.

Não lembra – porque não vira – do sorriso aliviado de Alfred, que os vira subindo as escadas – ele semi-nu, ela despida completamente, quando atravessou o corredor da cozinha para a sala de jantar, para servir o café-da-manhã de Tim, Damian, Bárbara e Dick – que, por sorte, haviam acabado de descer.

— Bruce... Eu preciso respirar... – O som do riso dela, abafado pela boca dele, o garantiram que estava mesmo tudo bem. Que não era uma reconciliação que exigia grandes esforços para reconstruir a relação. Em que ele estava pisando em ovos, que não poderia cometer erros. – Eu pensei que você estivesse cansado... O que tinha naquele café?

— Eu estou... Meu corpo está. Eu não durmo há 46 horas... E pouco antes de você me encontrar, eu me sentia no limite. – Diana o abraçou, sussurrando com a voz abafada em seu peito ‘que odeia quando ele faz isso’ – Mas eu preciso de você agora, Diana... Eu quero muito... Meu coração, minha mente, meu corpo, precisam se convencer que você não... se foi... Eu preciso de você agora!!

(...)

Bruce abriu caminho até o banheiro. Logo após uma sequencia dupla de atividades sexuais. Diana entendia porque Bruce mal a havia levado pra cama e já estava dentro dela. Ele estava no limite da urgência. Mas ela o amava. Ela podia entender cada aspecto de seu comportamento. Bruce é daqueles que dá muito amor, desde que você possa decifrá-lo.

Ela entendeu que amar não significa se anular, se curvar. No entanto, amar te faz capaz proteger os sentimentos do veneno que as fragilidades do outro, quando as feridas abertas, expõem seus defeitos mais horríveis, como víboras. Ela olhou pra ele, dizendo-lhe em silêncio, que nunca o deixaria, sorrindo, tentando ao menos, reafirmar seu amor, durante a desesperada urgência sexual com que Bruce a "castigava". Isso é amar... Sim, e eles se amavam completamente. Curando suas feridas através do bem-querer, da compreensão, do afeto, do tesão, da paixão. Mas nunca da anulação, da mesquinhez, da miudeza, do dissabor da falta de respeito e da frieza da falta de admiração.

Mas toda pressa se tornara irrelevante, quando eles recomeçaram, após 10 minutos. Não havia pressa... E as dezenas de ‘eu te amo’, ditas com olhares que se abraçados, em silêncio encontravam, as carícias carinhosas, despertando prazer e cuidado, os sorrisos, o brilho dos olhos refletindo um amor desmedido... As penetrações em ritmo compassado, que provocaram em Diana prazer para o corpo e a confirmação de que ele era seu, todo seu. Que fez Bruce experimentar outras sensações e sentimentos novos.

Ele estava estranhamente confortável, posicionado sobre ela, olhando seu rosto bonito, sorrindo pra ele, dizendo que o amava pelo modo que o fitava.

Por mais que quase ninguém entendesse que esse amor não era um sacrifício. Diana aprendera que Bruce também poderia dar amor, carinho, afeto, não apenas receber – como todos pensavam.

(...)

A suíte da imensa mansão Wayne tinha uma ‘casa de banho’ suntuosa. Seus pais eram amantes formidáveis, apesar de Bruce não pensar nisso. Mas a banheira e algumas configurações do quarto diziam-lhe muito sobre isso: era grande o bastante para caber os dois – e Bruce sabia que isso não era meramente uma extravagância aleatória, porque seus pais não faziam o tipo de casal que desperdiça dinheiro ou tempo com superficialidades.

Bruce acionou os jatos de hidromassagem, que tornaram a água espumosa e jogou as pétalas de rosa flutuantes, sais de banho aromáticos e abriu champanhe – Diana não perguntou. Os ricos sempre devem ter esse tipo de coisa ao alcance das mãos. Dois roupões de banho pendiam nos ganchos na parede.

— Eu sei que você está sempre preparado, mas como sabia que eu... que nós?... Se é que você estava me esperando... – Diana disse, respirando fundo.

— Alfred... Ele deve ter nos ouvido lá em baixo. E nós nunca poderíamos detectar a presença dele, a menos que ele queira... Ele me ensinou, Diana. Acredite! – Bruce sorriu pra ela. – Eu normalmente só tomo banho no chuveiro!

Bruce deu um passo para trás e olhou para o corpo de Diana, nua. Ela era indiscutivelmente linda, mas saber que ela carregava um filho seu a tornou ainda mais exuberante, como se isso fosse possível. Ele tocou seu ventre delicadamente e ela estremeceu com seu toque delicado. “Tão linda”, ele sussurrou em seu ouvido, aproximando-se.

Bruce relaxou lentamente, enquanto mergulhava na banheira. Diana sentou-se confortavelmente entre as pernas dele, com as costas contra o peito do playboy. A cabeça aninhada entre a curva do pescoço e o ombro.

Ele espiou e sorriu enquanto seus seios se erguiam e submergiram sob as bolhas com cada respiração profunda que ela tomou. Eles haviam provocado um ao outro enquanto se banhavam, extraindo a tensão entre ambos, mas ainda não cederam totalmente, como um cansaço residual.

Para o seu crédito, ela havia ignorado um determinado apêndice crescente. Uma vez, eles se instalaram nesta posição íntima, meditando calmamente sobre os eventos da noite.

Ele finalmente quebrou o silêncio: – Champanhe, princesa?

— Sim, por favor.

— Eu realmente gosto da carbonatação da bebida. – Ela sorveu lentamente o líquido.

— Essa é uma declaração que eu não espera vir de você – Bruce riu.

— Em Themyscira bebemos vinho. Não há esse processo. Não há bolhas!! – Ela riu modestamente. A declaração o fez lembrar-se do que o atraiu para ela. Essa honestidade destemida, tão ausente no ‘Mundo do Homem’, onde as pessoas preferem mostrar algo que não são.

— Diana... Eu preciso perguntar: Você está comigo só por causa... – Ele não precisou terminar.

— Não... Claro que não, Bruce. – Ela virou um pouco a cabeça para olhar para ele de soslaio – Amazonas não precisam de homens para criar seus filhos. Mas eu quero você comigo, porque eu amo você... Porque quero fazer isso com a sua ajuda, como uma escolha, não por coação.

Ele soltou um suspiro aliviado, como se voltasse a respirar de repente.

— O que vai fazer agora, princesa? – Bruce perguntou, mas só depois Diana percebeu que era uma pergunta retórica – Eles não vão aceitar sua saída tão bem quanto a minha.

— Eles não precisam – Ele estava tentando decifrar o significado do sorriso sutil e despreocupado nos lábios dela. – Eu não pretendo deixar a Liga, Bruce.

— Diana, não vai funcionar... Com você na Liga e eu não! – Bruce bufou – E você está grávida. Pense no bebê!

— Eu vou falar com eles. Pretendo me consultar com o J’onn. Eu não posso simplesmente sair!! Eu quero falar sobre nós...

— Você não lhes deve nada. Não precisa da aprovação deles. Não precisa dizer nada!

— Eu não pretendo lhes pedir permissão, Bruce. Mas eles são nossos amigos – Ela ouviu quando ele murmurou ‘não meus’ – e companheiros de missão. Não posso simplesmente deixá-los. Não agora. Eles estão feridos... Por dentro – Bruce se encolheu um pouco, tentando disfarçar o dissabor gravado no movimento de tremor sutil de seu corpo.

— Eles não vão gostar. Podem não confiar mais em você por minha causa, Diana. Qualquer mal-entendido com você e eles irão acusá-la de ser manipulada por mim.

— Bruce, confie em mim, o pior já passou. – Ele bufou, descrente – Em nossa última reunião com você estávamos todos com as emoções à flor da pele. Mesmo um afago seria doloroso para qualquer um. Você é inteligente demais para considerar a reação intempestiva dos fundadores naquele momento como referência nas suas análises comportamentais, Dr Wayne.

— Doutor...? – ele virou o rosto para olhar diretamente pra ela. Exibindo aquele maldito sorriso em apenas um dos cantos dos lábios que faziam-na derreter como sorvete em dias quentes. Os olhos curiosos e uma elevação sutil arqueando a sobrancelha esquerda.

— Sei o quanto é difícil pra você aceitar o fato de que eles o consideram um amigo, Bruce, mas não duvide. Todos ficaram arrasados quando você se foi.

— Quem sabe? Sobre o bebê?

— Só o Kal. Foi ele quem me disse que eu estava grávida – Ela sentiu o peito de Bruce inchar com a respiração profunda – Ele ouviu outro coração bater além do meu.

— Kal? Você quer dizer ‘Clark’? – Ele não viu Diana revirar os olhos.

— Se você tivesse um pequeno vislumbre do quanto a sua saída foi difícil pra ele, você estaria envergonhado de si mesmo agora, Bruce. Eu não entendo porque você às vezes é tão implicante com o Kal.

— O nome dele é Clark... – ele disse baixinho, como uma criança ranzinza, que não quer perder a última palavra.

— O nome dele também é Kal. – Ela também não recuou.

— Ah, claro. Porque você quer garantir que nunca nos esqueçamos que ele não é um ser humano comum. Poderia ao menos chamá-lo Kal-El e não com essa sílaba que parece nome de cachorro.

Diana bufou, quase rendida.

— Hera, dai-me paciência.

— Ele deve estar pensando em consolar você... O caminho está livre sem mim!

— O que você está resmungando, Bruce? Em nome de Hera, por favor, não me diga que sua mente está projetando a mim e... Oh, não... Pelo amor de Afrodite... Bruce Thomas Wayne, eu estou esperando um filho seu. Que tipo de mulher você acha que eu sou? – Diana ressaltou, um tanto inclinada a fúria.

Ele se encolhe na banheira, desejando poder diminuir o sentimento de vergonha que o varreu. Ele sabia que ela estava olhando pra ele, esperando que ele fizesse o mesmo, mas ele não queria olhar pra ela.

O ciúme nos faz tão estúpidos. Nos cega para o óbvio. E, no caso de Bruce, dono de uma mente genial, ainda que paranóica, é um casamento perfeito.

— Ele me disse pra lutar por você, seu idiota!

Ela sorriu com meio sorriso e inclinou a cabeça contra o ombro dele.

— Temos que contar pros meninos... E Alfred! – Ela disse em um tom receoso que Bruce logo refutou. – Você acha que eles vão receber bem a notícia?

— Oh, eu diria que sim... Mas nada comparado ao Alfred. Nada mesmo!! – Enquanto ele falava, riscava círculos preguiçosos no abdômen de Diana, com a ponta dos dedos grossos.

Um beijo suave iniciou o banho tardio, no fim da tarde, encerando as atividades de um dia longo... Após o banho, eles dormiram... E nem se deram conta de que entrelaçaram as mãos no processo, como se tivessem medo de se perder um do outro, em seus sonhos.

♣ ♣ ♣

♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣

|| 19h30 ||

Dizer que foi surpreendente o pedido de Bruce que todos permanecessem na mansão após os acontecimentos trágicos envolvendo os heróis da Liga foi, no mínimo, um eufemismo. Ele pedira a Alfred que avisasse a todos – Dick, Tim, Bárbara e Damian – que gostaria de contar com a presença de todos no jantar. Reiterando o pedido para que Alfred conzinhasse algo especial para família.

Ninguém entendeu, mas todos – à exceção de Damian, que não conhecia o temperamento de Bruce em tais circunstâncias – ficaram felizes com a mudança. Que logo creditaram a Diana, obviamente.

Bruce normalmente levaria muito tempo para sair do casulo após um acontecimento como este. Ele afastaria as pessoas, se isolaria na caverna, como sua rotina de autopunição tradicional.

O inglês previa que seu mestre* estaria de bom-humor e fez questão de preparar um jantar apropriado para comemorar essa mudança de postura. Prevendo que Bruce teria algo bom a dizer, mas estava tão longe da verdade, que ele também ficaria desconcertado com as noticias.

Os pratos foram servidos pontualmente às 19h30, na imensa mesa provençal, de madeira maciça, que estava na família Wayne desde o século XIX, trazida da França. A intuição do inglês de que era uma ocasião especial não falhara e ele fez questão de usar a louça de porcelanas Royal-Limoges, que Bruce logo reconhecera como as que sua saudosa mãe Martha usava em ocasiões e especiais, como o Natal.

O jantar seguiu em silêncio. Todos esperando que Bruce dissesse algo, mas ele se calou, não tirando os olhos da comida nem por um segundo. Até que Diana pigarreou, forçando-o a olhar pra ela, que atirou-lhe um olhar de incentivo.

— Bom, eu tomei uma decisão e vocês devem ficar cientes que... – Ele iniciou, duramente, mas foi interrompido pela mulher de cabelos negros sentada do seu lado esquerdo da mesa.

— Na verdade, o que Bruce quer dizer é que ele quer conversar com vocês sobre algumas decisões provisórias e dividir com a família algumas outras... Digamos, novidades... – Diana sorriu para os membros da Batfamily, que sorriam vendo Bruce ser ‘coagido’ a ser um ‘homem de família’. – Bruce... Continue... Por favor! – Ela deu-lhe um lindo sorrido, que o desarmou, moderadamente.

— O Batman não faz mais parte da Liga... – Ele começou quando Alfred entrou no ambiente para recolher a louça e trazer a sobremesa. – E Diana pode falar, eu não... Eu não... Não quero...

— Tudo bem, Bruce – Antes que Alfred se retirasse, ela disse – Alfred, você pode ficar, por favor?! Você é parte da família. – Diana disse ao mordomo, como se esperasse receber um olhar de conforto – Bem, eu e Bruce, nós... Bom, eu acho que nossa família vai aumentar.

“If I can't find the cure, I'll / I'll fix you with my love (…)

Promise I'll always be there / Promise I'll be the cure”

(Se eu não conseguir encontrar a cura / Te curarei com meu amor

Prometo que sempre estarei ao seu lado / Prometo que serei a cura).

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Notas finais
*The Cure / Canção de Lady Gaga Amo essa coreografia de BLAKE MCGRATH Como a música não tem clipe oficial, resolvi postar essa versão! https://www.youtube.com/watch?v=AwSjxweBsrA *Um adendo: Vocês, como sempre educados, nunca me perguntaram por que eu sempre escrevo Alfred se referir a Bruce como “mestre Bruce”! Se alguém tem curiosidade, a resposta: Nas traduções, é comum Alfred chamá-lo de ‘patrão’ e não ‘mestre’, como eu costumo usar. Contudo, nos quadrinhos, o original é ‘Master Bruce’ (mestre Bruce = tradução literal). Patrão’ não está incorreto. É apenas uma questão de preferência. Não é por presunção. Alfred raríssimas vezes tratou Bruce como ‘você’. Mesmo que seu relacionamento com seu patrão não exija formalidades, ele mantém a postura impecável de um mordomo inglês (referência quanto à impecável etiqueta). Meu Alfred é inspirado no personagem de um mordomo, que deu um Oscar de melhor ator à Anthony Hopkins. No filme, Vestígios do Dia (1993), ele é um mordomo britânico, preparado e educado sob as mais rigorosas regras de etiqueta formal inglesa, que trabalha para uma das famílias mais ricas e influentes da Inglaterra. Obrigado a reprimir seus sentimentos afetivos por uma das criadas, simplesmente porque a excelência de sua profissão exige uma postura absurdamente polida, a ponto de considerar demonstrações de afeto como uma quebra imperdoável de decoro.