Broken Hearts
10 À flor da pele

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“Estranho seria se eu não me apaixonasse por você.” (Nando Reis)
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*** Batcaverna/ noite do crime ***
Bruce estava analisando atentamente algumas provas colhidas no local, enquanto Diana se concentrou avidamente nas anotações que ela pôs em um bloco de notas que ele lhe cedera.
Ela reagiu surpresa, com um suspiro, quando Alfred furtivamente colocara uma bandeja com chá e biscoitos finos na mesa, ao seu lado. Mesmo sua audição meta-ampliada, fora incapaz de captar os passos do mordomo em sua direção. Não foi difícil deduzir de onde veio a habilidade extraordinária do Batman de não ser detectado, nem mesmo pelo Superman.
Diana lamentou o fato de que ele permanecera muito pouco na Caverna, mas ela percebeu que o mordomo sabia exatamente quando retirar-se. Na verdade, estava grata pelo fato do Batman deixá-la ficar para ajudá-lo, então, seria prudente não abusar da sua boa-vontade em conversas fora de contexto com Alfred.
Ela desviou a atenção das anotações quando o computador central mostrou a imagem de um homem muito semelhante à segunda vítima. Diana subiu as escadas e apoiou a mão sobre o encosto da poltrona em frente a tela, ocupada por um absolutamente concentrado Morcego.
A imagem com os dados apareceu:
Nome: Robert Andrew Forbes Jr
Ocupação: Chief Executive Officer (CEO) do Gotham Royal Bank
Idade: 63 anos
Estado civil: Divorciado
Filiação: Uma filha legalmente registrada – Joana Forbes, 28 anos
Observações:
É réu em um processo judicial que pede reconhecimento de paternidade para três filhos. Pedido de pensão alimentícia também em curso. Reclamante: Mercedez Lopez. Governanta da família por 16 anos.
Bruce estava visivelmente intrigado e Diana se atreveu a perguntar se ele conhecia a vítima, assim como a anterior.
— Bob Forbes era um predador, princesa. Talvez o homem mais ambicioso dessa cidade. Há tempos os Federais o investigam por fraudes à Receita, mas nunca conseguiram nada. Eu mesmo tentei, mas visto que iria me tomar um tempo precioso que eu não disponho, tive que me concentrar em crimes hediondos, nos vilões psicopatas de Gotham e na Liga.
Batman continuou: – Forbes quintuplicou sua fortuna durante a crise da economia americana, em 2008. Ele lucrou muito com a falência de empresas e outros bancos, de menor porte, engolindo-os, à preço irrisório, para incorporar ao patrimônio do Royal Bank. Ele executou centenas de promissórias de casas hipotecadas, deixando várias famílias sem teto.
— Sendo assim, a lista de suspeitos com motivo o bastante para matá-lo é gigantesca! – Ela o sondou e, instintivamente, completou – mas eu aposto que você sabe exatamente como reduzir essa lista ao máximo.
— Sim... Eu sei. – Ele roçou o queixo, como se estivesse pensando – Muita gente o queria morto, mas poucos teriam oportunidade de matá-lo. Ele vivia cercado por seguranças e a casa era impenetrável. A casa, bem como todas em Belle Ville, usam um sistema de segurança desenvolvido pela WayneTech. E eu posso garantir que é o que há de melhor, oferecido no mercado.
— Concordo – Diana interrompeu – Aliás, você disse que nem o sistema de alarme disparou, nem as câmeras captaram algo no momento do crime, certo? – Ele assentiu, esperando por sua dedução – Então o criminoso precisa ser um hacker... ou – ela olhou pra ele – precisa de um. E se não for apenas um, mas dois assassinos?
— Pode ser... mas ainda é cedo para seguir essa linha de investigação – ele disse.
— Mas tem uma coisa que eu não consigo ver: qual a ligação entre os assassinatos? Por que você disse ao Jim que este crime estava ligado ao da socialite morta na joalheria?
— Bom, eu detectei um certo padrão em determinadas lesões. Forbes foi morto dentro do mesmo padrão. Mas como eu disse, ainda é muito cedo pra afirmar com certeza e eu preciso realizar alguns exames detalhados, mas de antemão, há um padrão sutil nos ferimentos, como se fossem repetidos pela mesma pessoa. – Ele se concentrou na tela do computador, procurando algo – Além disso, assim como o anterior, existe uma ligação com alguém em comum.
Diana esperou pela resposta, ansiosa, olhando para ele e arregalando os olhos: – Quem?
— Bruce Wayne! – Foi a resposta seca, que ele deu, pouco antes de se despedirem.
Era quase 6h da manhã e ele precisava dormir.
(...)
A polícia de Gotham estava empenhada nas investigações sobre os homicídios da filha do milionário alemão e do banqueiro. O governador e o prefeito exigiram que o Comandante-Chefe de Polícia desse total prioridade a estes assassinatos, colocando-os à frente de todos os outros em curso. A população, obviamente, estava alheia ao comportamento imoral de seus políticos, que priorizavam sua elite, em detrimento da população em geral.
Mas enquanto a Divisão de Homicídios da Polícia de Gotham investigava os crimes como ações distintas, o Batman seguia a linha de investigação de que não só os assassinatos estavam ligados, como foram cometidos pela mesma pessoa.
Apenas Diana sabia de sua suspeita e não seria prudente dizer a polícia que se tratava de um serial killer e assustar a população sem necessidade. Além disso, mesmo sua brilhante mente dedutiva sabia que, considerar as duas mortes como variável numérica – com tão poucas semelhanças e nenhuma ‘assinatura’ do assassino – não era suficiente para estabelecer um padrão confiável ou ter certeza que não era apenas coincidência.
Tudo que ele tinha até agora eram pistas vagas, que não levavam a lugar algum. A suspeita de que ambos os crimes foram executados pelo mesmo criminoso se baseava muito mais em seus instintos e na sua experiência investigativa do que em evidências.
*** Sentinela / Refeitório / duas semanas após o crime ***
Diana sentou-se à mesa olhando nos olhos alaranjados amáveis de seu amigo marciano. Ela levantou a caneca fumegante de café até sentir o aroma da bebida quente. Depois de tomar um gole, olhou para o copo, com o olhar distante, traçando a borda suavemente com o dedo indicador.
— Eu não quis me intrometer, Diana. Mas as suas emoções estão gritando. Eu simplesmente não tive como bloqueá-las. Se você não quiser falar, eu vou entender! – J’onn reiterou.
— Eu sinto que preciso falar, J’onn. Há tanta coisa presa na minha garganta. Coisas que eu nunca vivi e que eu não sei como... Bom, são sentimentos que não reconheço de antes. (...) Mas eu não sei por onde começar. – Diana fez uma pausa, suspirando, mais uma vez.
— Por que você não começar pelo início?
‘Que começo?’, ela pensou. Pelos deuses... seu coração parecia um galope de Pegasus, o famoso cavalo alado da mitologia grega, que nasceu do sangue da Medusa, após ser esta decapitada por Perseu. Ela assentiu com a cabeça, preparando-se para abrir o coração.
Quando Diana deixou a ilha, ela não conhecia ninguém e não sabia quase nada sobre o mundo do homem. Ela nunca havia estado lá antes, ao menos não fisicamente. Tendo passado toda a sua vida em uma ilha habitada apenas por mulheres, ela não tinha nenhuma experiência ao interagir com homens. Cada homem que ela encontrou depois de sua chegada era um ser estranho para ela.
No início, essa experiência com seus colegas machos foi absurdamente desconfortável, mas aos poucos, as coisas tomaram assento e foram ficando confortáveis. Mas há alguns meses, especialmente para com seu amigo, o ‘cavaleiro de armadura negra’, a forma como interagiam se tornou familiar e os sentimentos de Diana começaram a ganhar um determinado conflito dentro de si: amazonas não se sentem familiarizadas ao redor de homens!
Claro, ela ainda não sabia quem ele era, então a confiança entre eles vinha sendo construída aos poucos, bem como sua aproximação. Por isso, mesmo que não soubesse como era o rosto do homem por baixo do capuz, sempre houve alguma ligação especial com ele, desenvolvendo-se rapidamente, com conforto, confiança e alegria de forma que ficaria difícil descrever.
Durante todo o tempo em que estava no Patriarcado, Diana experimentou a imensa amizade e respeito para com os seus colegas homens da Liga, mas com o Batman, esses sentimentos eram diferentes. Eram maiores e mais intensos! Havia, além do normal, admiração, atração, sensação de ‘pertencimento’, entendimento, e uma paz imensa quando ele estava por perto.
E, por mais inexperiente que fosse, ela começou a perceber – através dos sinais evidentes que ele lhe dera – que esse vínculo não era sentido apenas por ela. Não era algo gerado por sua própria gravitação em torno dele.
O episódio em Gorilla City foi um início evidente de que havia algo mais no coração do Morcego. J'onn havia dito a ela sobre o comportamento dele – seu desespero para cavar, realizando um esforço inútil. Shayera tinha muito mais a dizer. Diana achara que as atitudes do Batman haviam sido ‘a doce atitude de um homem que se importa’, mas Shayera disse que aquilo era a atitude IRRACIONAL de um homem DESESPERADO! “Isso, vindo do homem mais sem emoção que eu já conheci neste mundo”, a thanagariana completou.
Shayera disse a ela sobre como ele se comportou quando o míssil caiu em cima dela. O pensamento racional tinha aparentemente deixado a mente mais brilhante do planeta. Shay descreveu como ele tinha pulado para dentro do buraco, chamando seu nome e puxando rochas e pedras longe do corpo de um foguete cheio de nitrogênio líquido. Ele nunca poderia tê-la puxado para fora, mas ele tentou de qualquer maneira. Eles nunca tinham falado sobre isso, porque sempre que ela tentava falar, Batman fugia.
Ela olhou novamente para os olhos alaranjados. Ele não tinha dito uma palavra o tempo todo. Ele não o fez até então, apenas perscrutando seus pensamentos. Ele simplesmente olhou para ela com os olhos quentes e ea sorriu tristemente para ele.
— Quando minha irmã amazona decidiu aniquilar toda a população masculina do planeta*, ele me empurrou para fora do caminho daquele ônibus e quase foi morto. Na hora, eu fiquei com tanta raiva, J’onn. Eu o vi lutar desnecessariamente para salvar o motorista, quando eu poderia ter parado o ônibus com uma mão. – Ela sorriu com menos mágoa – Ele é magnífico em suas ações. No momento em que ele caiu em meus braços, por causa dos efeitos do vírus, eu já não estava com raiva. Eu estava tão apavorada.
— Mas você ainda não sabe por quê, não é Diana?
— Não. Eu não entendo, J’onn – Ela balançou a cabaça, fazendo com que a linda cascata cor de asas de graúna das madeixas se moverem. Ele estava sendo tão paciente, ela pensou, enquanto olhava para o homem do outro lado da mesa. Ele estava permitindo que ela explicar as coisas à sua maneira, no seu próprio ritmo, sem interrupção. Era finalmente tempo para confessar exatamente o que aconteceu há três dias, quando voltara de uma missão.
— Então... Veio Paris*! – disse Diana.
Bruce Wayne a resgatou de uma multidão de curiosos e repórteres e a chamou para dançar. No início, ela sentiu os músculos retesarem ao toque do homem estranho – a reação imediata que seu corpo emitia justamente para com o seu amigo protetor de Gotham. Então ela começou a observar outros sinais: a mandíbula forte, imponente e bem estruturada, a firmeza dos movimentos, a imponência da postura, a altura, a força, a precisão, o encantamento – ‘aquele homem era o Batman!’, foi o que seu pensamento imediatamente estalou.
E as dúvidas se evadiram quando o Morcego apareceu em seu quarto de hotel mais tarde. Na manhã seguinte, ela sabia que o homem com quem ela havia dançado era o mesmo que se sentava à sua frente, cobrando-lhe explicações, como um namorado ciumento.
Seu pensamento viajou neste instante:
Ela e Batman estavam lado a lado, assistindo a cena da prisão de Savage se desenrolar diante deles. Não havia nada a ser dito, depois que os guardas levaram-no e Audrey se despedira. Eles olharam juntos para o horizonte, onde o sol de desembrulhava, subindo para alumiar o amanhecer em Kasnia. Diana de repente, sorriu e se virou para seu companheiro de armas:
— Você sabe, Batman... – Ela disse, em um tom furtivo, flertando timidamente, com os cabelos sendo arrebatados pelo vento – Nós nunca chegamos a terminar a nossa dança.
Batman olhou para ela, executando seu melhor olhar de frieza e rigidez, como se a postura indicasse a ausência total de expressividade: – Eu não sei do que você está falando, princesa – foi a negação realizada com firmeza.
— Se você diz... – Ela o envolveu em seu braço – Mas mesmo assim, você vai me levar pra dançar – Ela sorriu e eles partiram.
Ele não fazia idéia, mas a partir dali, ela passou a reconhecer mais dele do que ele gostaria. Ela passou a reconhecer seus olhos: quando ele se torna 'Bruce Wayne, o playboy bilionário mulherengo e fútil', há um olhar diferente sobre ele. Seus olhos se tornam mais escuros e o brilho deles se muda, deixando apenas o espaço vazio e sem qualquer brilho, a não ser o predatório. Ele se torna menos genuíno, como ela vira em Paris.
— Diana, é preciso que você saiba que as emoções do Batman também estão à flor da pele. – J’onn começou. – Mas não é algo que me cabe dizer. Apenas a ele. Eu só posso adiantar que você está conhecendo-o e sabe das prioridades dele e se sua ‘fuga’ de amar constante, não é? – Ela assentiu – Então, tudo que eu peço é: vá com calma. O terreno em direção ao coração do Batman é arenoso e as bases não estão solidificadas. Você pode se machucar.
O marciano deu-lhe um sorriso reconfortante e a abraçou. Em seguida, ela deixou a sala.
*** Watchtower / sala de monitoramento / horas mais tarde ***
Batman materializou-se a bordo do Sentinela para recuperar alguns arquivos do mainframe da torre, para uma investigação em que ele estava trabalhando. Ele poderia ter conseguido isso através de um uplink do computador da Batcaverna, mas Gotham estava tranquila. Ao menos, foi o que sua lógica indicara, mas a verdade escondida em seu coração era que ele esperava ver Diana, que estava de plantão no monitoramento.
Quando ele se aproximou, ouviu o ruído familiar que soava como música, através da porta. E quando a canção acabou, ele a ouviu repetir-se, enquanto uma voz melodiosa acompanhava as notas e letra.
♫ All along it was a fever
A cold sweat hot-headed believer
I threw my hands in the air I said show me something
He said, if you dare come a little closer ♪
(Por muito tempo, era como uma febre
Um suor frio que só um impulsivo experimenta
Ergo as mãos e digo 'mostre-me alguma coisa'
Ele responde: 'se você se atreve, chegue mais perto')
A porta se abriu, silenciosamente, quando as lentes opacas encobriram as cores da beleza à sua frente. Em meio ao bloco do feed de notícias embotadas nas telas dos computadores, ela estava cantando, de pé, lentamente movendo os quadris, enquanto dançava no mesmo ritmo da cadenciada melodia.
♫ Not really sure how to feel about it
Something in the way you move
Makes me feel like I can't live without you
It takes me all the way
I want you to stay ♪
(Não tenho muita certeza de como me sinto quanto a isso
Algo em seu jeito de se mover
Faz com que acredite não ser possível viver sem você
Me domina do início ao fim
Eu quero que você fique)
Ela usava o uniforme, mas os pés, estavam estranhamente descalços. As notícias do mundo não fizeram diferença para o Caped Crusader, já que ali, diante dele, cantando e dançando, estava a mulher mais linda que já havia tido a honra de conhecer.
Ele fez uma anotação mental para se apropriar dos dados de segurança de áudio e vídeo do monitoramento e ficou na porta, observando-a em silêncio. Ela estava de costas para ele e ainda não tinha notado sua presença. A música estava relativamente alta e ela sequer percebera a notificação de alarme de ativação do teletransporte – o que mereceria uma de suas palestras sobre atenção, mas o que seria motivo de preocupação e raiva, transformara-se apenas em deleite.
Ele nem sequer estava prestando atenção no que ela estava cantando. Apenas deixou-se envolver por sua voz melodiosa e a visão de sua dança executada em seu uniforme, o que, por razões que lhe escapavam a compreensão lógica, parecia ainda mais tentador. Os quadris fazendo um balanço sensual, que provavelmente ele sequer fazia idéia do quão hipnotizante se tornara. O cabelo batia contra os ombros nus e algumas pequeninas gotículas do suor brilhavam nas costas, dando a impressão de que ela devia estar fazendo isso a um certo tempo.
‘Aposto que o Flash venderia um rim para ver o que eu estou vendo!’, ele pensou consigo mesmo. Sem admitir, claro, que provavelmente, ele mesmo venderia os dois.
Quando ele a viu repetir mais uma vez a canção, se deu conta de que a letra estava bem próxima ao que ambos estavam vivendo em sua ‘relação de amizade’. E isso o agradou mais do que ele gostaria. Quadris, pernas, tronco, braços, tudo parecia obedecer uma cadência excepcional para levá-lo à paixão exacerbada. Era preciso por fim à isso, se ele ainda quisesse ser o dono e senhor de sua razão: Batman diplomaticamente limpou a garganta com uma tosse simples.
Diana assustou-se, lançando-se sobre o console do computador, tentando desesperadamente alcançar os controles de áudio antes que a música seguisse o traçado da repetição novamente. Quando ela virou o rosto para ele, suas bochechas pareciam balões cor de sangue, tomados de vergonha, timidez e ansiedade. As mãos entrelaçadas na frente dela, se contorciam nervosamente, um sinal de seu extremo desconforto por ter sido pega, fizeram com que o encantamento do Morcego crescessem ainda mais forte.
Batman levou cada milímetro de seu lendário autocontrole para manter uma carranca fria e rígida em sua expressão, para esconder seu real divertimento. Embora ele não tivesse certeza de quanto tempo ele poderia fazer isso, diante do brilhante arrependimento exposto nos olhos azuis dela, iluminando o rosto de bochechas lindamente coradas.
— Princesa! – Ele a sondou.
— Eu... eu só estava... é... – A voz dela estava vacilante quando ela tentou explicar. Mas quando ela o viu sorrir, ela relaxou um tanto mais.
Abandonara então sua intenção de se explicar, já que vira que ele estava rindo dela, obviament. Por isso, Diana fez a única coisa que podia fazer: Ela cruzou os braços sobre o peito e tentou soar como se não tivesse feito nada errado. Em um tom levemente indiferente, ela perguntou: – O que você está fazendo aqui tão tarde? Você devia estar em Gotham, sua preciosa cidade!
Ele percebeu a irritação e foi muito cuidadoso ao evitar olhar diretamente em seus olhos azuis quando se aproximava dela. Ele tinha aprendido, da maneira mais dura, que ela poderia quebrar seu autocontrole de forma eficiente à medida que ele chegava mais perto dela.
Batman virou-se para ela, inclinou-e e resolveu sussurrar, com um indescritível divertimento na voz: – Eu sabia que você era uma dançarina maravilhosa, mas desconhecia o fato de que era tão boa cantora!- ele riu, como se fosse deboche, mas estava longe de ser.
‘Como ele?? (...) hum... Paris... claro!!’, ela deduziu.
— Mas isso não devia ser uma das suas atribuições durante o trabalho, princesa! – o tom era de zombaria leve, não de recriminação.
Ela virou-se para ele com raiva incandescente nos olhos. Ele recuou um passo e agradeceu a Deus que o capuz escondia seus olhos dela. Ela se aproximou dele lentamente, com fúria gravada em seu rosto.
— Isso não... – Ela começou – Você nem devia... – um toque em seu peito – Porque você está aqui, afinal? – Ela fez um bico amuado que tornou as coisas ainda mais divertidas.
Ela virou-se com um floreio digno da realeza e passeou, propositadamente, descalça e balançando os quadris de volta para a cadeira. Sentou-se e olhou para os monitores com atenção exagerada.
— Diana... – Ele tentou ser caloroso, mas ela o interrompeu:
— Basta ir. E pare de rir de mim – Ela estava magoada, como as meninas que, apaixonadas, sentem-se ridículas quando aos olhos de quem amam, são apenas tolas dignas de seu divertimento.
Ele fez uma nota mental para não ir tão longe, da próxima vez. ‘É o que eu ganho quando tento ser engraçado’, ele pensou.
— Eu só vim trazer seu convite. Gordon me entregou esta noite. O baile é na próxima semana e você será a homenageada da noite. Os policiais querem demonstrar seus préstimos. – ele entregou a ela o envelope dourado.
A porta se abriu e ele fez uma pausa longa o suficiente para dizer a ela suavemente, antes de sair: – Boa noite, princesa. – Ele passou por cima do limiar da raiva dela e a porta se fechou atrás dele, bem a tempo de esconder quando a cadeira que ela estava sentada voltou-se para a porta ela respondeu, melancólica, querendo abraçá-lo:
— Boa noite, Bruce!
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