Broken Hearts
11 Wayne, Bruce Wayne
Notas iniciais

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“Amo-te como se amam certas coisas obscuras, secretamente, entre a sombra e a alma”. (Pablo Neruda)
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*** Sentinela / Dormitório 03/ Membro Fundador: Mulher Maravilha ***
Diana tinha acabado de deixar o serviço de monitoramento. Um deslizamento de terra, por causa das monções na Índia, aconteceu, mas nada muito urgente. Lanterna e Mulher Gavião atenderam o chamado sem pedido de backup.
Tudo estava tranquilo na Torre de Vigilância e ela poderia aproveitar o momento para tomar um bom e relaxante banho. Finalmente, de volta ao seu quarto, ela voltou às suas pesquisas na internet, vestindo nada além de uma camiseta doada por Wally e roupa íntima de algodão. A diferença é que agora havia um novo nome à ser acrescido às variáveis de pesquisa. Um nome que daria ampla vastidão de informações: Bruce Wayne.
A primeira evidência encontrada após seu nome ser digitado no Google: Bruce Thomas Wayne é um bilionário americano, playboy, magnata de negócios, filantropo e dono da corporação Wayne Enterprises. Cursara Harvard e era um aluno médio. Nada espetacular!
Percorrendo os olhos sobre as notícias, descobriu que Bruce fora casado e isso a fez franzir a testa, sentindo uma queimação ao redor da garganta absurdamente incômoda. Segundo as imagens, ele frequentava inúmeras festas, sempre com uma – ou mais – mulher diferente nos braços. Ela leu as notícias com cuidado, tentando imaginar porque um homem agiria como uma ‘verdadeira prostituta’, um exemplar tão evidente do machismo injustificável. ‘Mas ele parecia tão diferente em Paris’, foi seu pensamento, decepcionado, porém, intrigado. Ingênua sim, mas estúpida, Diana nunca permitiria-se ser!
Horas depois da cansativa rotina de investigações sobre Bruce, zangada com as notícias de tabloides e fotos embaraçosas dele em momentos vexatórios com mulheres e bebidas, ela decidiu cavar sobre seu passado. Foi lá que ela descobriu sobre a morte trágica de seus pais.
O assassinato de Thomas e Martha Wayne a chocaram sobremaneira. Haviam tantas fotos do crime e do garoto órfão, sem o cuidado com as vítimas e com o menino, sem o menor sinal de respeito, que ela imaginou a dor do garoto solitário. A partir dali, ela passou a entender os motivos do Batman integralmente.
Seus olhos se encheram de lágrimas quando ela viu a foto de um jovem Bruce ajoelhado em um beco, segurando um colar de pérolas quebrado, rodeado por sangue e a expressão lívida de dor. Segundo o jornal, um assaltante chamado Joe Chill havia assassinado seus pais, num local chamado Beco do Crime, bem na frente do menino de oito anos.
As reportagens sobre os pais de Bruce mostraram-nos como cidadãos respeitados e queridos em Gotham City. Havia fotos do funeral que Diana fez questão de ver. Seus olhos procuraram imediatamente pelo menino, mas uma figura em particular chamara-lhe a atenção e o coração de Diana saltou, confirmando suas suspeitas: com a mão posta sobre o ombro do menino de oito anos, que emanava nos olhos ocos, a ausência de brilho, um homem um tanto grisalho o confortava – Era Alfred, não havia dúvidas.
Alguns periódicos também indicavam que o jovem Bruce continuou o legado de obras beneficentes de seus pais através da Fundação que levava o nome de sua mãe (Martha Wayne) e ainda as fez ainda mais eficientes, ampliando as áreas de doação e os montantes doados. Ele era verdadeiramente um homem melhor do que ele se permitira ser retratado pela imprensa.
Ela entregou-se ao sono profundo, após deitar na cama, envolta em lágrimas compassivas pelo homem que amava – apesar de ainda não saber disso.
*** Mansão Wayne / Batcaverna ***
Ele percebeu o brilho extra nos olhos dela. Olhou o conteúdo das imagens na tela do laptop, cabisbaixo. Era uma dor angustiante se formando no peito do Morcego, relembrando aquele momento trágico e vendo-a ceder às lágrimas, que caíam vertiginosas pelo seu rosto bonito. Ele sentia dor, mas não tinha a ideia exata do porquê.
Há muito tempo o sistema de segurança da Torre estava configurado ao sistema da Batcaverna e ele tinha acesso – irrestrito – às imagens de qualquer setor ou dormitório – sem que seus amigos leaguers soubessem, claro.
— Fique longe dele, princesa. Wayne só vai causar-lhe dor e decepção! – Ele suspirou, dizendo a si mesmo, sem notar a presença por trás de si – Ele é só um garoto rico com problemas.
— Sabe, mestre Bruce, um velho homem precisa de muito conhecimento médico psiquiátrico para entender essa sua tendência a falar sobre si mesmo em terceira pessoa. – Alfred ponderou, com ironia.
— Velho ou não, você ainda consegue ser furtivo e silencioso, meu nobre mordomo. – Bruce quis desviar do assunto – A questão é: desde quando você não domina um assunto? – Eis aí a retribuição da ironia. – Bom, diga o que quer, Alfred. Estou ocupado.
— Bom, senhor, se me permite, eu diria que sim, Bruce Wayne teve uma infância difícil. Mas eu acredito que ele é uma boa pessoa, bem como essa moça que o senhor tanto espiona. Então, mestre Bruce, dada sua inclinação para se envolver com moças de caráter duvidoso, eu aconselho a sentir-se honrado que a princesa amazona o considere como um amigo. Tente não afastá-la por causa deste ‘pecado’ que a pobre moça cometeu de gostar sinceramente do senhor. – Dito isso, Alfred se retirou.
Batman bufou calmamente, internalizando cada palavra de seu pai substituto. No fundo, ele estava feliz que ela se interessava por ele, que sentia compaixão por suas dores e por ser tão teimosa em insistir em sua relação de amizade.
Talvez, ele não precisasse afastá-la de todo. Ele podia aprender sobre ela, para usar as informações no Protocolo Rouge. Claro! Não porque ele a queria por perto. Isso não!! Ele era o Batman, afinal. Indiferente e insensível.
*** Mansão Wayne / Suíte master ***
Bruce vestiu o paletó do smoking depois de terminar com a gravata. Ele deu uma última olhada no espelho para ter certeza de que estava adequadamente vestido para encarnar o playboy. Conferiu alguns itens nos bolsos: comunicador, Pager, carteira e spray – o aroma do spray garantia-lhe a impressão de embriagues: Scotch e Bourbon. Infalíveis! Ele não bebia, mas o “perfume” de bebida estava sempre presente, atestando os maus hábitos do playboy.
Esta noite ele não levaria ninguém para acompanhá-lo. No fundo, ele não queria chocar Diana com o comportamento lascivo que suas “acompanhantes” instigavam nele. Uma vez que sentiu-se pronto, fez seu caminho até a limusine, onde Alfred o esperava.
Ele estava estranhamente nervoso e preocupado com sua aparência e comportamento. Isso lhe causara um mal-estar incômodo. Borboletas no estômago já não eram um comportamento adequado ao experiente homem de 35 anos. Bruce Wayne era um homem, não um garoto. E a sensação de retorno desses sentimentos genuínos e adolescentes o estavam irritando em demasia.
Mas para sua decepção: ele não podia evitar!
*** Grand Sallon / Gotham Royal Hotel ***
“Oh, Deus… Lá está ela”, foram os ruídos vindos das pessoas na festa após a chegada da homenageada. A luz dos flashes estourava ao redor dela, tornando-a mais brilhante – como se fosse possível. A imprensa manteve-se fora do salão, após as declarações do prefeito, Chefe de Polícia de Gotham PD, do comissário e, agora dela, a deusa grega.
Ele não percebeu seu olhar faminto em busca dela, fitando-a. Conhecendo-o muito bem, sua amiga socialite Verônica "Ronnie" Vreeland o admoestou: – Bruce, querido. Tente não ser tão “Brucie” ao redor dela, está bem? Não queremos chamar a ambulância para tratar do seu braço quebrado, não é? Aliás, você pode ter problemas com o namorado dela, o Superman.
— Você sabe muito sobre a Liga, não Ronnie? – Ele sorriu e piscou, fazendo valer sua melhor versão Wayne e gemendo por dentro, em desacordo – Prometo que serei um gentleman.
Uma parte dele estava ouvindo a conversa com sua amiga ruiva, mas o resto dele – corpo e espírito – acompanhava a impressionante amazona roubar todas as atenções em todo salão. O cabelo preso parcialmente em um penteado meio preso, apenas agarrando a parte do lado esquerdo, deixando-se cair em uma cascata pelo lado direito, ao mesmo tempo em que deixava parcialmente os ombros sedutores à mostra.
Ela usava um lindo vestido branco, em estilo grego, longo e elegante. A parte superior tinha um leve brilho prateado e combinava com suas pulseiras. O brilho sutil ficava ainda mais bonito reagindo às luzes do salão e aos flashes.
Ela sorria graciosamente, dançava e atendia a todos com maestria – como era esperado. Havia uma multidão de policiais, políticos, funcionários do governo que ela precisava ‘atender’, além das fotos oficias que precisavam ser tiradas, para atender as necessidades e formalidades do evento. Bruce acompanhava cada um dos seus movimentos com atenção, mas afastado.
Depois de uma hora e meia, ela estava sozinha e seu semblante estava um tanto triste. “Talvez ela esteja esperando alguém”, ele pensou, enciumado. Ele a viu de repente fugir para um pequeno espaço, semelhante a uma varanda, um pouco mais afastada do salão, escapando por um lance de escadas que ficava escondida pela sombra de um canto mal iluminado.
É a hora de Bruce Wayne fazer seu caminho até ela!
Ela está sozinha, olhando o luar, na sacada da varanda. Ele a olha por um momento antes de deixar-se perceber.
— A festa não está agradável, princesa? – o barítono em sua voz trouxe a ela lembranças maravilhosas e ela o respondeu com um sorriso iluminado.
Ele estava sedutoramente encostado à parede, quando ela se virou para vê-lo. As mãos, casualmente nos bolsos, um meio sorriso deslumbrante e olhos vidrados, de fazer corar qualquer mulher. A gravata borboleta desfeita do elegante Smoking assinado por Giorgio Armani deu-lhe um ar lascivo, como se tivesse sido desfeita por um rebanho de mulheres em busca de seus beijos. Ela poderia apostar – furiosamente – que havia uma ou duas mulheres arfando em algum dos cantos do salão neste momento.
Ela o amava, mas contemplá-lo em seu papel de playboy – ela sentira de modo fulminante – a irritava sobremaneira. Mas contemplar seus olhos bonitos a fazia querer perdoá-lo, imediatamente – como diz a música de Hebert Viana “as vezes te odeio por quase um segundo... depois te amo mais”.
Eles ficam em silêncio por um tempo. Olhando um ao outro, como se bebessem da água apaixonante de seus olhos. Ele faz o primeiro movimento e toca a mão dela. O polegar esfrega-lhe o pulso, na parte não coberta pelas pulseiras. Suas mãos são ásperas e as dela, tão macias... Ele sabe. Ele é um homem cheio de rudezas em sua pele. A vida o calejou e ela haverá de senti-lo dessa forma, calejado e áspero.
Ele olhou aquele olhar doce. Era seu olhar só pra ele. Ele viu quando estavam dançando em Paris ou mesmo quando foram transformados em crianças, por Morgana Le Fey. Por que há tanto temor em seu coração? Por que sentir-se congelado, inerte? Ele quer fugir, mas não consegue! Tudo que ele pode fazer é uma expressão de convite, de súplica, a expressão tola de um homem apaixonado que suplica “por favor, me ame”!
Ela estremece e ele se sente humilhado. Bruce Wayne não está acostumado à rejeição e sua vaidade masculina cega-lhe para o óbvio. E então, ele a olha com raiva. “É meu toque que não é bom o bastante, princesa?”, ele pensa, ciumento e confuso em um emaranhado de emoções desconexas. Ele a olha ofendido e ela percebe.
Uma lágrima doce verte dos olhos arrependidos da morena. O coração dele quebra em pedaços. “Deus, eu esqueço que ela não sabe o que fazer. Homem tolo!”, ele se repreende em silêncio.
Em um impulso louco, Bruce a toma em seus braços, escondendo-se do mundo, colado à parede. Ela está em seu abraço e esta é a coisa mais deliciosa que seu coração experimentara nos últimos três anos.
Sua respiração forte expele o cheio de scotch e sugere que ele bebeu, mas ela sabe que não. Diana pousa carente, em seu abraço forte. A extensão do peitoral do homem grande e musculoso a esmaga, de um jeito bom e protetor. Suas mãos encontram as lapelas do traje dele. Ele toca seu rosto, limpando a lágrima traiçoeira e ela fecha os olhos.
Seus quadris inconscientemente sentem-se impelidos a pressionarem-se contra ele. Eles se movem como amantes. Como dois que sempre foram um. Mas eles não são. Ainda não!
E reivindicando seu prêmio de amor avassalador: ele a beija, de qualquer maneira. E ela sente que todas as paredes caíram. Toda dor sumira. Agora tudo que eles têm de si mesmo é amor. Desmedido e intenso. Assumindo a forma de um beijo, exposto para arrematar a paixão de duas almas que orbitam em direção uma à outra.
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