Broken Hearts

12 Coração partido


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“Não fui, na infância, como os outros e nunca vi como os outros viam. Minhas paixões eu não podia tirar das fontes, igual à deles; e era outro o canto, que acordava o coração de alegria... Tudo o que amei, amei sozinho”. (Edgar Allan Poe):

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*** Gotham Royal Hotel / Varanda / Noite do Baile ***

(...)

E reivindicando seu prêmio de amor avassalador: ele a beija, de qualquer maneira. E ela sente que todas as paredes caíram. Toda dor sumira. Agora tudo que eles têm de si mesmo é amor. Desmedido e intenso. Assumindo a forma de um beijo, exposto para arrematar a paixão de duas almas que orbitam em direção uma à outra.

Os primeiros segundos pegaram de surpresa a princesa de Themyscira. Ela podia sentir um sabor doce em sua boca, mas não era como se tivesse provado o mel, ou algo do tipo. Ela não saberia explicar. Era doce porque era afável, carinhoso, leve. O adocicado sabor que brota dos sentimentos, não do açúcar. A docilidade que nem o mais puro mel poderia alcançar.

Ela jamais fora beijada e por mais que os sinais indicassem que um beijo estava próximo de se concretizar, ela não poderia prever. Ainda mais, levando em conta de onde viria: O que poderia ter sido, em seu primeiro dia de treinamento com Bruce, não acontecera, porque ele fugiu. Então, como ela poderia esperar por algo assim?

O beijo era suave, mas nem por isso, menos avassalador. Havia nele a força do desejo, da urgência e da súplica. E ainda sim, não fora um beijo roubado, arrancado, tomado ou rude. Era como o beijo de dois amantes revivendo seu amor; como o beijo de duas almas que já se pertenceram, um dia, em uma outra vida, de outros modos ou maneiras. Um beijo de almas que se reencontram e se reconhecem.

Eles pareciam submersos em si mesmos. As paredes caíram, os medos se foram, os pensamentos congelaram. Só havia coração e nada mais. Os conflitos, as questões, a missão dele, a criação amazona dela, o mundo, a Liga, a festa, nada importava naquele instante.

Bruce era um homem experiente – muito experiente – e a conduzira por entre os beijos. A intensidade, o movimento dos lábios, a posição do corpo... Ele a levara consigo, embalado pelo ‘dança de lábios línguas’, como em um tango argentino caliente e sedutor, ao som de Carlos Gardel.

Ele alternava os movimentos da língua, a cadência de aperto nos lábios – ora havia fome, ora havia sutileza; ora desejo, ora sensibilidade. O grande detetive era um homem vivido. Experimentado pela vida, no amor e na guerra. Calejado emocionalmente, com o coração aleijado pelas subsequentes decepções causadas pelas mulheres que amou. Um homem que aprendera a disciplinar as emoções, que decidira abdicar do amor e dos relacionamentos afetivos. Alguém que acumulara um currículo vasto sobre as mulheres, seus sabores e suas artimanhas. Um homem que não poderia ser surpreendido por nenhuma mulher deste mundo.

Talvez fosse essa a razão de seu descontrole. Ela não era como nenhuma outra mulher. Diana era diferente de todas e, ao mesmo tempo, reunia em si mesma o que cada uma das mulheres que ele amou tinha como ponto único digno de afeição: Ela era estonteante – uma mulher de traços impecáveis e corpo perfeitamente esculpido; mas acima de tudo, ela carregava um coração inacreditavelmente mais belo que sua beleza física. Ela era forte – uma guerreira, treinada, disciplinada e eficiente. Uma amiga leal, uma companheira de trabalho eficaz; uma mulher inteligente, perspicaz e astuta; Alguém cujo temperamento era naturalmente complacente, gentil, entusiástico e compassivo. E, além disso, que parecia aceitá-lo, entendê-lo e admirá-lo em todas as suas personalidades: o Morcego, o Playboy e o verdadeiro Homem por trás de ambos.

Então, por mais faminto que seu corpo estivesse, por mais que suas paixões mundanas por ela fossem urgentes, havia em seu coração um comando afável que o conduzia por caminhos gentis em relação a ela. Por mais que a boca quisesse mais dela, reivindicando que ele tomasse seus sabores com mais força, seu coração lhe dizia para ser suave. O homem rústico e calejado a beijava de maneira doce. Como a Fera, que por amor à sua Bela, repele os instintos animalescos em favor dela, fazendo-se manso, terno e amoroso.

Os beijos seguem até que segundos se transformam em minutos. Bruce alterna os ângulos, movendo a cabeça, encaixando os seus lábios nos dela nas diversas posições possíveis. Ele a muda de lugar, sem descolar a boca da carne de sua musa. A encosta na parede, movendo-a ainda mais longe da entrada, protegendo-a de qualquer possibilidade de flagrante.

Ele segura sua nuca, enrolando os dedos no cabelo sedoso de Diana, puxando-a mais para si, aprofundando ainda mais o alcance da língua. O estômago dela se contrai de ansiedade e expectativa. É um tipo de êxtase que ela jamais experimentara.

Ela enrola seus braços em volta do pescoço dele, como se fosse a permissão que ele precisava para exercer ainda mais o seu domínio amoroso sobre ela. Ambos parecem esquecer de respirar.

De encontro à parede, ele desliza suas mãos, delicadamente, para o lado de sua cintura fina, massageando-a com movimentos sutis, que a fazem estremecer. O playboy rompe o beijo por instantes, para concentrar-se em seu lábio inferior, como se o reclamasse para si. Mas ele não quer a posse apenas de seus lábios, ele a quer por inteira.

De repente, a princesa das amazonas sente-se tonta, arfante, desprovida de qualquer controle sobre si mesma depois que ele beija seu pescoço, descendo até a clavícula. Era como se ele descobrisse um ponto fraco que ela sequer poderia reconhecer como tal, já que nunca fora beijada.

Ela recupera o fôlego, olhando para ele, ainda sentindo a umidade de seus beijos. Diana está ofegante e seus olhos são como chamas azuis. Ela nunca pensou que seu pescoço fosse tão delicado e sensível. A perna se dobra, instintivamente, como uma dançarina em um tango, e ele segura, firme. Há mais acessos e os corpos parecem encaixarem-se à perfeição.

Então estavam os dois, em um vão escuro, na varanda de serviço do hotel mais refinado de Gotham, escondendo-se do mundo e entregando-se ao que há muito esperavam um do outro, como dois adolescentes inconsequentes. E algo estala na mente de Bruce, como uma espoleta, um tiro disparado repentinamente. Algo que o faz voltar-se para ela, atônito, contemplado imóvel seus olhos gentis.

Após alguns segundos, ao vê-lo congelado, fitando seus olhos, Diana se questiona se fez algo que o desagradara. Mas ela está tão presa em sua tentativa de respirar, que não consegue verbalizar suas inseguranças. “Será que ele se cansara de seus beijos? Que sua falta de experiência, com o tempo, mostrara-se entediante para ele?”, seu coração disparou, atônito.

Diana não sabe, mas ele estava travando uma guerra dentro de si. Ele não podia ter cedido à inconsequência de suas emoções. Não ele: o homem que aprendera a disciplinar seu coração. Ela sente que ele está se afastando, não apenas fisicamente, mas seu espírito está à caminho do lugar inóspito onde ela não pode entrar.

Bruce tentou recobrar os sentidos, a consciência, o domínio sobre si. Ela observa quando seus olhos já não estão mais tão brilhantes, ou famintos. Está tudo gravado em suas ações: os olhos fechados, a respiração cadenciada, os dedos pelos cabelos bagunçados – como se os tivesse penteando.

É estranho, mas a amazona sente frio. Um frio que vem de dentro pra fora. Frio longe do calor do corpo dele sobre ela. Ela o vê dirigir-se para longe dela, para a borda da varanda. Ainda com os dedos traçando o cabelo negro, com leves tons grisalhos dos lados. Se Diana fosse honesta consigo mesma, ela iria até lá, para que pudesse ela sim, passar a mãos sobre os cabelos, enquanto beija-lhe as têmporas, dizendo-lhe que está disposta a esperar pelo tempo dele, até que ele se recomponha, também espiritualmente.

— O que estamos fazendo, Diana? Não... Não está certo!! – Ele diz, friamente.

— Eu... eu.. – Ela respira profundamente, traçando o caminho das mãos para ajustar o vestido, para tirar os amassados, e arrumar o cabelo desgrenhado.

A mente do detetive o manda correr, se afastar, mas ele não pode ser tão cruel. Não com ela. Ela iria se sentir usada e ele jamais quebraria seu coração dessa forma. Mas o mantra em sua mente permanece: “Fique longe dela”!

— Eu preciso ir. – Foi tudo que ele lhe dissera, após dirigir-lhe um sorriso condescendente, embora amargo. Mas seus olhos, estes estavam escondidos. Ele não foi capaz de olhar nos olhos dela. Não... isso era pedir demais ao pobre homem. Não ao homem cujos cacos do coração estavam agora esmigalhados.

Ela não se moveu por quase meia hora. Realizando orações para Afrodite. Pedindo-lhe que a permitisse recompor as emoções. Seus coração batia instigantemente, mas sua alma estava gelada, sentindo falta dele.

*** Gotham Royal Hotel / Salão principal ***

Diana estava conversando com o comissário Gordon da última vez que Bruce a observara. Foi difícil para ambos voltar ao ‘convívio’ normal com os convidados depois da explosão de sua paixão avassaladora.

Mesmo com o olhar triste, ela ainda era deslumbrante. Ele ouviu quando ela questionou o prefeito sobre onde seriam investidos os montantes arrecadados com o baile. Segundo o político, o dinheiro seria empregado para atender as necessidades da Polícia de Gotham – com a criação de um fundo beneficente para policiais abatidos em serviço, ou para as famílias.

Ambos precisavam lidar com o constrangimento de permanecerem no mesmo círculo de conversas – já que foram colocados, pelo cerimonial do evento, na mesma mesa, onde estavam os quatro maiores doadores (Bruce, Verônica e outros dois milionários gothinamitas), o prefeito e o corpo mais importante de patentes da polícia de Gotham, entre os quais, o Chefe de Polícia e o comissário.

De repente, o cerimonialista anunciou que era hora da valsa. A homenageada iria dançar com os cinco maiores doadores e o prefeito, que seria o primeiro a beneficiar-se da companhia da ‘deusa’. Pedindo licença, ambos foram ao centro do salão para executar a primeira valsa. Bruce engoliu secamente um gole do champanhe que se permitira bebericar, apenas para relaxar. Ele deveria ser o próximo a conduzi-la e tudo que conseguia pensar era em assumir o controle sobre si mesmo e manter-se como o grande ator em seu ato de Playboy, para não tornar evidente ao público os sentimentos genuínos que nutria por ela.

Após a dança com o prefeito Garner, a eletricidade em seu corpo foi novamente despertada, quando Bruce dera-lhe a mão, posicionando o corpo para dança. Eles estavam um tanto mais afastados do que deveriam, provavelmente temendo entregar-se novamente aos desejos de seus corações.

Mas nenhum poderia negar a si mesmo que toda magia despertada pelos beijos estava novamente vindo à tona, quando seus corpos assumiram uma nova proximidade.

Ela tentou olhá-lo nos olhos, mas o olhar dele fugia dela e Diana apenas resolveu que não deveria insistir. Não por covardia em assumir seus sentimentos, mas porque, depois de tudo que leu sobre Bruce, entendera que ele precisava manter seu alter ego de homem superficial em público. Com um entendimento inexplicável, ela também compreende que ele precisava de tempo, para recompor o coração e o espírito.

Eles não perceberam quando a música acabou e permaneceram de mãos dadas, como se ainda dançassem. Quando um toque insistente nas costas do príncipe de Gotham o fez despertar de seu transe.

— Vamos lá, Bruce. Você já teve sua chance. Agora é minha vez de desfrutar a experiência de ter uma deusa em meus braços – o homem lhe dissera como um ar divertido, como se o conhecesse.

Diana olhou para ele com um olhar interrogativo. Bruce estava de costas e ao se virar, pôs os olhos sobre o homem aparentemente desconhecido, levando meia dúzia de segundos a avaliar suas feições. Quem era esse homem que se dirigiu a ele como um velho amigo?

Quase ao mesmo tempo em que sua mente deu-lhe a resposta, veio a apresentação formal:

— Permita-me apresentar, princesa: Thomas Elliot, ao seu dispor. – Ele sorriu, com uma habilidade e segurança capaz de rivalizar com autoestima desmedida de Bruce Wayne, o bilionário.

— Tommy? Tommy Elliot? O mesmo Tommy Elliot que me atormentava no colégio? – Bruce sorriu, fingindo um ar de desagrado, em tom de divertimento, surpreso em ver o colega do tempo de escola.

— Em carne e osso, Wayne. – o encantador homem de cabelos castanhos claros e olhos azuis sorriu, movendo os braços em direção ao velho amigo para ofertar-lhe um abraço.

Após as devidas apresentações introdutórias, Bruce deu espaço para que o amigo dançasse com Diana, tomando o caminho de volta à sua mesa e ainda um tanto surpreso ao ver Elliot de volta à Gotham. A última vez que o vira, ainda nos tempos escolares, fora a anos atrás. Tommy havia se mudado, com a mãe, que deixou a cidade após sobreviver a um acidente de carro que matara seu marido, pai de Tommy. A perícia policial havia apontado a tese de que o carro do casal de milionários fora propositalmente sabotado, mas as investigações não tiveram sucesso e o caso nunca foi solucionado. Temendo um novo atentado contra sua vida e a de seu filho, a senhora Elliot mudou-se de Gotham imediatamente após o enterro de seu esposo. E Bruce nunca mais ouvira falar de Tommy em anos... Até agora.

Ele foi incapaz de conter a contração no estômago e a secura na garganta ao contemplar a familiaridade que Diana e Thomas pareciam demonstrar. Foi preciso um tanto mais de empenho de sua parte para esconder de sua amiga Ronnie e dos convidados na mesa o descontentamento crescente que sentia ao contemplá-la nos braços de seu antigo amigo.

Incomodava-o sobremaneira os sorrisos constantes que ela expressava sempre que ele falava-lhe algo ao pé d’ouvido. Bruce sabia que Tommy estava usando de subterfúgios para seduzi-la – era algo que ele estava acostumado a fazer com seus alvos femininos. Mas ela era ingênua e inexperiente em relação aos jogos de sedução realizados pelos homens e ele jurou para si mesmo que a protegeria de todo e qualquer homem que tentasse abusar de sua inocência.

Diana estava se divertindo, alheia ao ciúme crescente do Morcego protetor. Ela não vira seus olhares em direção a ambos, ou sua mandíbula contrair-se, para conter a fúria presente em seus olhos. Ela estava apenas tendo um bom momento ao ouvir Tommy contar-lhe histórias divertidas sobre sua infância com Bruce – que era seu único interesse e isso não escapara aos olhos do homem que a tinha em seus braços.

— Você o conhece a muito tempo? – Ela perguntara, com um brilho curioso em seus lindos olhos azuis.

— Sim... desde que éramos crianças. – Ele respondeu – Há uma tradição em Gotham: os filhos das famílias mais ricas sempre frequentam a mesma escola. Uma instituição tradicionalíssima, que só abre vagas para a elite. Eu e Bruce estudamos nesse colégio.

— Hum... então você também é um dos príncipes de Gotham – Ela disse, divertida.

— Ah, não, alteza. Quem me dera – Ele sorriu – A fortuna da família Wayne está em um patamar que só pode ser alcançado talvez por sheiks árabes. Mesmo os ricos de Gotham estão longe de serem tão ricos. (...) Mesmo de longe, eu acompanhei a vida de Bruce através dos jornais e confesso que me surpreendeu muito.

— Por que? – Ela quis saber.

— Bruce era um garoto quieto e pouco falante. Sempre foi. – Ele começou – Depois da morte dos pais, ele ficou introspectivo e se fechou completamente. Ele não sorria e na falava com ninguém. E era alvo de bullyng constante.

Diana lamentou saber disso e, quando a dança terminou, ela agradeceu a companhia tão agradável, sentindo-se feliz por conhecer um pouco mais sobre o homem que amava.

De volta à mesa, a princesa não entendera o motivo de receber um olhar tão inconformado de Bruce. Agora com a presença de Elliot, a conversa fluía naturalmente e aos poucos o descontentamento do Morcego fora se desfazendo.

— O que o traz de volta à cidade, Tommy? – Verônica questionou.

— Negócios, minha cara. Negócios! – Ele respondeu, com cortesia – Eu resolvi voltar às origens e colocar um consultório em Gotham. Eu agora sou um neurocirurgião e cirurgião plástico. Diga-se de passagem, o melhor!

Bruce sorriu, fingindo contentamento, embora o sentimento fosse completamente contrário. Ele podia reconhecer quando alguém estava representando. Afinal, ele era perito neste quesito.


*** Mansão Wayne ***

Bruce estava sentando em uma cadeira de couro preto, sintético, com design semelhante às cadeiras de escritório da Wayne Enterprises. O balanço lento da poltrona, no escritório que ficava no andar térreo da mansão e servia-lhe de apoio para os negócios, ajudava-o a manter a concentração.

Era quase o fim da madrugada e ele havia chegado da patrulha. Fora uma noite lenta e praticamente sem crimes – apenas suas tentativas de assalto que ele impedira com facilidade. Seus pensamentos o mantiveram com a mente acesa: havia a ânsia de desvendar os assassinatos recentes; a chegada de Tommy e seus sentimentos em relação a Diana.

Thomas Elliot deixou a impressão para todos que ele e Bruce eram amigos, mas as coisas não eram bem assim. Ainda que Bruce não guardasse rancor, ele lembrava-se bem que Tommy era o garoto por trás de todo bullyng que sofrera na escola, incitando os outros a serem cruéis com ele, mesmo após a morte de seus pais.

Ele era filho de uma rica família de Gotham e seu pai havia sido assassinado. Tommy era extraordinariamente inteligente e sempre ganhava de Bruce em todos os jogos que envolviam estratégia, como xadrez, por exemplo. Como ele havia dito, as pesquisas de Bruce constataram que ele havia se formado com honras em Medicina: tornando-se um especialista gabaritado em Neurocirurgia e Cirurgia Plástica.

Mesmo curioso em relação à volta de Tommy, ele não conseguiu dispersar a mente para longe de Diana. Ele fez seu caminho para o quarto, cansado, para tentar entregar-se ao sono, ou pelo menos, descansar o corpo enquanto sua mente convergia para ela.


*** Gotham City / Telhado da Catedral / um dia após o baile ***

Na madrugada em Gotham, a figura do Homem-Morcego se confunde com as gárgulas que protegem a catedral dos maus espíritos. Imóvel, em posição empoleirada, o protetor da cidade mantém seu olhar atento a tudo.

O som do bipe do comunicador acoplado ao capuz o tira do transe de seus pensamentos e ele agradece silenciosamente envolver-se em algum tipo de ação. A tranquilidade da madrugada, que não exigira qualquer tipo de ação em patrulha, o obrigara a dirigir o pensamento aos acontecimentos recentes na varanda, fazendo-o reviver todas as sensações e emoções que vivenciara.

Após o alerta emitido pelo Oráculo*, Batman tomou a direção das Docas. Barbara já havia enviado todas as informações sobre o crime e ele usou o computador do Batmóvel para ficar a par dos acontecimentos. Um corpo havia sido achado recentemente em um frigorífico, pelo segurança que fazia as rondas internas no local.

Segundo a pesquisa preliminar do Oráculo, o imóvel pertence a Jacob Lange, um rico comerciante de Gotham, do ramo alimentício. Ainda de acordo com ela, Jacob não é visto há dois anos, vivendo confinado à sua casa, em Belle Ville desde a morte precoce de sua filha de 12 anos, que morrera afogada, ao cair acidentalmente na piscina da mansão.

Batman sabia que área era comandada pelo Pinguim e que todos os negócios, indústrias e comércio que faziam parte dela estavam condicionados ao pagamento de propina e/ou associação direta à Oswald Chesterfield Cobblepot.

Imaginar o envolvimento do Pinguim nos crimes causou um certo calafrio no Morcego que ele fora incapaz de reprimir.

Se Cobblepot estava envolvido, as coisas teriam uma complicação maior até que pudessem ser resolvidas ou até mesmo até que ele pudesse sem implicado legalmente. Oswald era astuto e sabia, como ninguém, como realizar seus crimes sem envolver-se diretamente com eles.

Notas finais
*Dr. Thomas "Tommy" Elliot é dono de uma inteligência poderosa e de uma grande fortuna. Além de um neurocirurgião brilhante, ele é um cirurgião plástico de dar inveja a Ivo Pitangy, pois reconstruiu o rosto do famoso vilã Duas-Caras. Surgiu no quadrinho Batman #609, de 2003, em uma saga chamada: Silêncio (Hush). Tommy tem uma propensão de adoração para com revólveres e citações ao filósofo Aristóteles. *Bárbara Gordon, filha do comissário Gordon é a super-heróina conhecida por Batgirl nos quadrinhos de 1967 até 1988. Depois disso, passou a ser conhecida por Oráculo, quando abandonou o traje após perder os movimentos das pernas, tendo levado um tiro do Coringa. Ainda nos quadrinhos, ela volta a andar e reassume o manto da Batgirl. Sugestão musical: The Blower's Daughter - Damien Rice Trilha sonora do filme Closer – Perto demais https://www.youtube.com/watch?v=5YXVMCHG-Nk “I can't take my eyes off of you” Eu não posso tirar meus olhos de você