Broken Hearts

23 Silêncio - Parte II


Notas iniciais
Meus caros, Sei que é meio angustiante o rumo que a estória toma, mas, gostando ou não, eu preciso dar uma dinâmica de suspense ao roteiro, me abstendo do romance por hora. Acreditem, ele há de voltar, no momento adequado. No mais, o capítulo de hoje traz algumas revelações ao Cavaleiro da Trevas a respeito das atrocidades de que "seu amigo" Elliot é capaz. *Com o resgate da princesa em curso, minha sugestão é: Cruzem os dedos e apertem os cintos! —------------------------------- Ps1: A falta de poesia na introdução dos capítulos é proposital! Ps2: Fiquem atentos para o recadinho nas notas finais!

*** Iceberg Lounge / Noite do sequestro ***

O Batmóvel está encoberto pelo imenso par de lixeiras de metal, dispostas em um beco, a três ruas adjacentes do local. O ponto de partida das investigações do Morcego é a base de operações de alguém que sabe de tudo que acontece em Gotham: O Pinguim.

Batman tem as emoções oscilando, como se estivesse à beira da insanidade. Quanto mais rápido ele achar Diana, sua Diana, mais longe da linha tênue que o impede de matar ele ficará.

E é nisso que ele se concentra para não se perder na luta com seus demônios do passado que voltam a assombrá-lo, tentando engolir e destruir a parte humana que ainda existe nele. Mas quanto mais tempo longe dela, quanto mais tempo sua mente imagina o que Thomas pode fazer com ela, mais seu coração aperta de angústia e medo. Quanto mais o tempo passa, mais Bruce perde espaço para o Batman e o anseio por amor e família vai-se extinguindo aos poucos, como uma utopia distante. Impossível de ser alcançada.

Ele escorrega para dentro do Iceberg Lounge, verificando a área com o sistema de Tecnologia da Informação do capuz e vê Cobblepot em uma posição bem acessível, tomando um gole de um licor refinado. Ele salta para dentro do escritório, onde não há ninguém a vista, como se o Pinguim esperasse alguém, tendo disposto seus capangas apenas do lado de fora. E Oswald sente o nó estabelecendo-se na boca do estômago quando a figura do imenso Morcego negro pousa, seguro e firme, dentro do recinto.

Um silêncio sinistro se forma no ambiente e o Pinguim sente que o Batman está mais duro que o habitual. Os cabelos finos da parte de trás do pescoço se arrepiam, como se ele antecipasse o que virá e não tarda para ele estar certo.

A expectativa ansiosa de Bruce de que Oswald diga-lhe alguma coisa caem em ouvidos galhofeiros de Cobblepot, que desdenha e acaba ganhando socos que ele não esperava que tivessem a força de tamanha fúria. Nariz quebrado e um ou dois dentes faltando, como saldo da brincadeira em má hora. O sangue escorrendo pelos dentes do mafioso célebre, enquanto ele ri, não é uma visão bonita.

— Eu não estou para brincadeira, Pinguim – Batman vocifera, brutamente – Diga o que sabe sobre o Retalhador.

— O que faz você pensar que eu sei de algo? – Pinguim ri, mostrando os dentes vermelhos sujos de sangue.

Um soco no estômago de repente o faz reavivar a memória: – Está bem, Morcego... Você parece zangado! – Cobblepot o estuda com cuidado, tentando captar um pouco de emoção do comportamento de Batman, mas é duvidoso que não seja apenas sua fúria habitual para limpar as ruas de Gotham. – Há rumores de que um louco tem alugado depósitos na região de East End. Fale com a Gatinha. Você sabe... é a área dela!

— O que mais? Como sabem que ele é louco?

— Meus homens disseram que ele é estranho. E quando alguém é estranho em Gotham, é preciso ser o inferno de tão estranho, Morcego. – Batman foi afrouxando o aperto no colarinho do terno do Pinguim – Ele tem um rosto costurado, como Bruce Wayne após ser atropelado por um caminhão de carga. Foi o que disseram!

— Eu tenho monitorado você, Oswald. Eu não sei no que está se metendo, mas eu vou descobrir.

— Você não faz nem idéia, não é Morcego? Tudo acontecendo embaixo do seu nariz, da SUA cidade (o tom foi irônico) e você nem faz idéia. A bomba vai explodir diante dos seus olhos, Batman. Tudo porque você está preocupado com um retardado louco que está matando gente inútil. Quem liga para esses inúteis? Ele está fazendo um favor à sua amada Gotham.

— Não cabe a você decidir, Oswald. MINHA CIDADE! MINHAS REGRAS!

E o Batman some na escuridão, deixando Cobblepot aflito.

(...)

O telefone toca meia hora depois, quando Pinguim ainda tenta recuperar o fôlego.

— Ele acabou de sair daqui! – A pessoa do outro lado da linha suspira aliviada. – Não... Ele não sabe nada sobre isso. Sobre nossos negócios. – A pessoa bate com as unhas vermelhas em cima da mesa de carvalho escuro, tentando conter um nó de aflição na garganta – Não se preocupe. Ele não desconfia de nada!

*** Batmóvel / Perspectiva do Batman ***

Selina talvez tenha mais informações sobre onde Elliot está e eu vou poder encontrar Diana em breve. Eu quero poder sentir o calor de seu corpo novamente, ouvir as batidas de seu coração, ao tê-la em meus braços. Ela precisa sobreviver a isso. ‘Aguente firme, princesa. Eu vou buscá-la’.

Eu não posso perder o foco, me lamentando e chafurdando na lama da autopiedade. Eu tenho uma pista que me levará à ela e preciso correr. Eu não vou desistir dela. Eu não posso. Eu não saberia viver sem ela. Não neste momento. Não agora. Não tomado por culpa e dor.

Eu preciso agarrar a corda que me mantém pendurado à esperança de que eu posso sonhar com um futuro: um futuro com ela.

O Batmóvel dá um sinal de alerta de uma mensagem enviada por Bárbara, que aparece na tela do computador.

— Batman, eu tenho notícias de Diana. – O Oráculo começou, mas parecia hesitante e eu congelei, com medo do que ela poderia dizer – Ela está viva. Mas, você precisa ver isso... B, por favor... Tente manter a calma.

— O que é? – Eu mantenho a frieza na voz, que parece um rugido rouco.

— Elliot enviou um pacote endereçado à Bruce Wayne para a mansão. Alfred tomou todas as medidas protetivas ao analisá-lo: não é uma bomba. O pacote continha um pendrive, com um vídeo.

— Envie para o Batmóvel, Oráculo.

Ela assentiu e eu vi seus olhos manterem um pânico velado.

(...)

O vídeo de Thomas levara toda minha atenção. Os nós dos meus dedos ficando brancos de tanta força que fiz, contraindo-os. Eu queria socar aquele maldito. Eu queria fazê-lo pagar por cada vítima, por me tirar a mulher que eu amo.

Meu coração se aperta vendo-a deitada, dopada, impotente sobre uma cama imunda. De alguma maneira inexplicável, eu consigo me manter sobre meus joelhos, apesar deles parecerem borrachas e me dirijo em velocidade para East End.

Eu não conseguia me lembrar de odiar tanto alguém como agora, assistindo, impotente o delírio de insanidade grotesca de Elliot. Alguém que credita a morte de seus pais como um golpe de sorte do destino, como se fosse uma gratificação, ao invés de uma tragédia. A mente doente de Elliot era venenosa e cada palavra me fez ainda mais enfurecido.

Meu coração cai quando vejo Elliot tomar fôlego para me dar um ultimato: “Ela tem pouco tempo”, ele grita. Maldito!

É torturante. Minhas pernas sentem o peso da minha angústia. Minha mente precisa ser rápida e eu preciso pensar no quebra-cabeças que ele me deu para descobrir onde Diana está e achá-la, apesar das emoções conflitantes me consumindo.

Metodicamente, eu começo a trabalhar o meu caminho até East End, recolhendo na mente todas as evidências da imagem e me concentrando na única dica que ele me dá para saber onde ela está. E eu não posso falhar. O Batman me convence de que o melhor é pensar neste como apenas mais um caso, mas é muito mais do que isso para mim.

No momento, ela está tão vulnerável a qualquer tipo de ataque ou atos de violência como qualquer outra mulher e isso está me assustando sobremaneira. Eu sempre fui protetor em relação a ela e eu sei o quanto ela me odeia por isso. Mas é instintivo. Eu quero protegê-la, mesmo ela sendo quem é. Mesmo confiando em suas habilidades. Mesmo confiando nela minha própria vida.

Ela nunca havia sido exposta ao ódio e a depravação do mundo. E isso eu tive o desprazer de ver diante dos meus olhos uma infinidade de vezes, crescendo em Gotham. Mesmo a agonia de sua descendência amazonas foi relatada e não vivida por ela, o que me traz alívio imediato.

Eu preciso me concentrar que ela é uma guerreira, em todos os sentidos e esperar que ela agüente firme. Eu só preciso pensar... onde... onde você está, Diana?

Ah, não... Ah, não... Malditoooooooooooooooo

(ele sabe onde Diana foi levada e dá meia volta no Batmóvel. Ele vai buscá-la, rezando para que ela esteja viva)

*** Bunker / minutos antes ***

O homem sorri para a beleza deitada inconsciente sobre a cama, enquanto tira a mecha teimosa de cabelo negro que lhe cai sobre o rosto.

Ele admira, com os olhos brilhando, cada curva do corpo esguio da mulher vestida em um uniforme com as cores da bandeira americana. Thomas Eliiot não pode negar a beleza divinal à sua frente. Ela é admirável, mesmo em uma posição tão frágil, desacordada.

Ele é um cirurgião brilhante e renomado. Para ele, dopar Diana e deixá-la inconsciente foi um mecanismo absolutamente viável e fácil. Conhecendo a dosagem certa para cada tipo de substância incapacitante: como drogas ansiolíticas para desorientá-la, à exemplo do Vallium; tranqüilizantes em doses descomunais para combater sua capacidade acelerada de cura meta-humana e ainda Clorofórmio ou triclorometano em quantidades cavalares, para ser utilizado como um anestésico.

Tudo que seu coração pulsante é capaz de emitir no momento é um sussurro.

“Não se preocupe, princesa. Eu vou cuidar de você”.

“Agora vamos... continue quietinha porque não queremos que nada dê errado, certo? Temos um vídeo para enviar à Bruce, meu querido amigo, Wayne”

O vídeo é gravado com ela ainda na cama, sonolenta, mas não totalmente desacordada. Ele queria que Bruce a visse dopada, drogada e desorientada, mas viva.

Na gravação, Elliot destila seu veneno, mostrando sua inveja doentia de Bruce Wayne e do que ele chama de “sorte”, por Bruce ter os pais assassinados.

ELLIOT Video on:

Bruce, Bruce, meu pequeno Bruce

Sortudo! Sempre privilegiado pela vida, pelo destino, seja lá o que for.

Eu tentei mudar as coisas para que ficassem do meu jeito, você sabe?!

Quando não se conta com a sorte, temos que trabalhar para nos fazermos sortudos, você não acha?

Eu trabalhei duro para ficar órfão, como você, e administrar a fortuna de meus pais, mas mesmo tendo armado tudo para sua morte, minha mãe não morreu e para minha infelicidade, eu tive que passar anos ao lado dela, até poder assassiná-la, sem que a polícia desconfiasse.

Eu sempre fui brilhante, você lembra não? Mesmo quando garoto. Então armar um acidente foi tão... estupidamente fácil.

Mas o destino sempre tramando em seu favor, não é? NUNCA NO MEU! NUNCA!

Mas agora, eu vou ter a sua atenção por bem ou por mal, já que tenho sua princesa comigo.

VOCÊ NÃO MERECE NADA. NADA. SEU ESTÚPIDO GAROTO ÓRFÃO!

E eu vou tomar o que você ama. Porque eu sou o destino. Eu sou o senhor da sua vida, Bruce. Eu dito o que deve ou não ser feito com sua felicidade.

Eu tentei chamar sua atenção antes, mas você é burro demais para me achar. Então, eu tive que tomar medidas drásticas.

Então, agora, ouça bem:

Ela tem pouco tempo. E você, para salvá-la, terá que buscá-la onde você deveria estar, há muito tempo.

Se apresse, garoto rico. Ela não tem muito tempo! Tic TAC tic tac

Depois, venha me buscar... e minha missão estará completa, meu amigo.

ELLIOT vídeo off

(...)

A gravação termina com as faíscas formigando na imagem.

E um grunhido é ouvido ao desligar a tela do Batmóvel.

O Morcego de Gotham está indo ao resgate com uma fúria que rivaliza à de Aquiles!