Broken Hearts

24 Aguente firme


Notas iniciais
Olá, meus wonderbaties queridos, As referências para o capítulo de hoje vem de um dos meus diretores de cinema preferidos: Quentin Tarantino. A inspiração é de uma cena da “noiva”, no filme KILL BILL – Volume 2 e do episódio GRAVE DANGER, da 5ª temporada da série C.S.I. Las Vegas (dirigido por ele). Em ambas as cenas, os personagens são enterrados vivos!

*** Gotham ***

Há um cheiro forte de putrefação e morte no ambiente. A escuridão ainda a engole e seus pensamentos estão turvos. Ela tenta abrir os olhos, e ainda sim, eles parecem pesados e cansados.

Diana tenta se mover, mas não consegue, como se uma força invisível a impedisse. As drogas que Elliot injetou em seu organismo foram despejadas em dosagens suficientes para matar três mulheres saudáveis de overdose.

Em duas ou três horas, é certo: ela poderia sair dali com facilidade, dada a sua cura meta-acelerada... Mas ela não tinha tanto tempo disponível antes da morte cortar o fio de sua vida.

Diana abriu os olhos, sem conseguir girar a cabeça. Abrir as pálpebras era a ação única que ela conseguira realizar no momento e ela fez uma oração aos deuses para ajudarem-na a se ambientar e recobrar os sentidos, ao menos, afastando a confusão louca que povoavam seus pensamentos turvos.

Estava escuro. Muito. E ela não podia ver nada. Apenas sentir algo tocando-lhe o corpo, em uma proporção que se estendia por todo o cumprimento.

Eram ossos, tocando-lhe a pele fria.

Mas para sua sorte, ela não conseguia precisar o que era aquilo.

O lugar era apertado, quente, escuro e tinha cheiro de morte.

Aos poucos, sua respiração foi ficando mais difícil, como se o ar fosse acabando, como se fosse aos poucos, ficando rarefeito. E seu desespero logo se fez completo, quando ela sentia-se obrigada a prender a respiração para evitar o “desgaste” do pouco ar que lhe restava naquele lugar sufocante.

A loucura em sua mente a impedia de raciocinar com clareza, mas instintivamente, Diana orou por um salvador encarnado escuro, que ela amava e com quem contava

“me salve”... Era o sussurro último de uma amante condenada a não ver olhos brilhantes de seu amado novamente.

(...)

Imagens turvas chegam à sua mente carregada de confusão...

Um lote imenso de imagens de sua vida passaram por ela, como um filme:

Havia uma ilha. Um paraíso.

O rosto de uma rainha, soberana e forte em seu trono. Os cabelos louros brilhantes como ouro caiam longos, em forma de cascata. A mandíbula forte, apertada regiamente, o queixo elevado: a realeza propriamente dita, a bravura, a valentia, a elegância e a fortaleza. Hipólita!

“Mãe!”

Suas irmãs... haviam tantas delas. Treinando, sorrindo. Banhando-se no mar. Ensinando-a a lutar. Amparando-a. Amando-a. Conduzindo-a ao templo para as orações.

“Irmãs!”

Em seguida... cavalos. Ela e sua mãe contemplavam o céu. Uma ameaça ao mundo do homem estava em curso. Ela deveria ajudar. Era sua missão!

Ela iria até o mundo patriarcal... Lá ela seria reconhecida como a “Mulher Maravilha. A campeã dos deuses”.

E então... um homem surgia na escuridão. Envolto em uma capa escura, a máscara de um morcego cobria-lhe o rosto. O guerreiro mortal, o mais incrível guerreiro no meio dos ‘deuses’.

“Batman”

Uma casa de campo aparece ao longe. Há um moinho que eleva-se no canto, acompanhando o movimento dos ventos. Um amigo lhe sorri. A imagem de sua família feliz, no Kansas:

“Kal”

Alguém canta uma canção, triste, mas a voz... a voz... ela ama aquela voz.

“Am I blueeeee...”. A voz mostra de onde vem:

O guerreiro escuro.

"Am I blue/

Am I blue/

Ain't these tears, in these eyes telling you/

How can you ask me "am I blue"?"

Um palco.

Duas feiticeiras

"Circe e Zatanna".

Zee mostou-me em sua bola de cristal o que ele fez por mim.

Uma mansão... lençóis desfeitos. Risos...

Ela olha o homem ao seu lado.

Olhos cinzentos, mandíbula forte e proeminente.

Há calor agora aquecendo o coração de Diana.

“Princesa, se eu acreditasse no paraíso, eu diria que estou morto, neste momento, com você”... Bruce! Meu Bruce!

Eu te amo! Me perdoe, Bruce. Me perdoe se eu tiver que partir.

Ela sentiria falta de seus amigos: J’onn, Wally, Kal, Shy, John, Dinah, Ollie, Zee e Kara.

Ela sentiria falta de ver o ciúme de Bruce quando ela era carinhosa com o Grande Sombra.

Sentiria falta de Alfred... Alfred. Seu amigo!

Havia um tom de desespero em seus pensamentos. Não era medo da morte. Diana de Themyscira não tinha medo de morrer. Mas o esmagamento de seu coração estava no fato de que ela quebraria sua promessa: ela o deixaria. Ela queria estar ao seu lado, ela queria saber o que estava acontecendo. Ela não queria ir sem ver seus olhos novamente. Sem dizer adeus.

Então, ela fechou novamente os olhos. As lágrimas escorreram pelos cantos semi cobertos de terra. Era hora de fazer a última oração antes de tomar o caminho para os Campos Elíseos.

Poucos metros acima dela, a voz de um cavaleiro negro ecoava em meio à neve que começava a cair no rígido inverno que pedia passagem em Gotham, deixando o chão de terra do cemitério ainda mais duro: – Aguente firme, princesa! – Ele disse em um tom agoniado.

*** Perspectiva de Diana ***

Morte... Isto é a morte?

Onde está Lorde Hades, então?

Se aqui é onde eu devo estar após o beijo da morte, então, só há frio e escuridão no porvir. Talvez os deuses me convoquem para lutar sob seu comando novamente, para integrar suas fileiras de guerreiros. Mas não vejo os campos Elíseos para onde vão as almas dos combatentes do bom combate. Há apenas uma escuridão que me engole e a agonia que me toma.

As vezes eu penso que posso ouvir sua voz. Dizendo-me para agüentar firme. E rogo a Afrodite, minha doce Afrodite, que ele encontre o amor novamente.

É um sonho longínquo. A luz de repente vai acendendo-se aos poucos e um raio de sol fraco parece adentrar e iluminar a escuridão... mas deve ser um sonho. Nada mais!

Às vezes, eu imagino que estou sentindo minha cabeça apoiada em seu peito, coberto pelo Kevlar, envolvida por sua capa e seus braços protetores.

Em meus sonhos, ele está chorando. Ele diz que me ama. Ele me pede para agüentar firme. Mas é tarde... meu amado. É tarde!

Ele permanece comigo, meus pensamento obscurecidos pela névoa de confusão e dor, dizendo-me sobre seu medo de me deixar partir e todas as coisas lindas que eu sempre quis ouvir.

É como se ele pudesse atravessar o rio da vida, até a margem em que eu estou, e me trazer novamente à vida.

E a voz, outrora distante, se faz novamente ouvir:

— Diana, acorde.

*** Batcaverna / Enfermaria ***

— Diana, acorde. Você me disse que nunca me deixaria. Acorde, princesa. Volte para mim – Era a súplica de um homem cansado.

Bruce tinha as luvas e o uniforme cheios de terra e lama. A neve derreteu-se e misturou-se à terra, quando ele foi obrigado a cavar a sepultura de seus pais, para encontrar Diana enterrada viva, dentro do caixão de sua mãe.

Tirá-la lá de dentro o quebrou de maneiras que ele não poderia descrever. Seu coração parecia ter parado de bater quando ele a resgatou. A pulsação fraca dela o fez levar mais tempo que o necessário para saber que ela estava viva. Doía-lhe vê-la suja, com marcas de cordas nos pulsos, as bochechas marcadas por um rastro das lágrimas que se expunha por entre a sujeira enegrecida da terra de Gotham.

A dor de ser obrigado a profanar o lugar sagrado de descanso de seus pais. A dor de ser vilipendiado, de ter o coração retorcido por uma mente depravada e insana.

(...)

Os pedidos de Bruce vão perdendo a confiança e o tom é tingido por notas de ansiedade. Ele pede que ela acorde. Ele só quer ver que ela está bem. Nada mais. É uma necessidade angustiante. É uma continuidade do esmagamento de seu coração vê-la tão frágil.

Quando os olhos dela se abrem para ele, temporariamente cega pela luz branca da enfermaria, Diana pisca, para ajustar a visão ao ambiente ofuscante.

Ele sorri, fracamente. É quase um sorriso choroso.

O rosto já não está escondido pelo capuz. Ele quer que ela o veja. Ela precisa ver que não há mais dor. Que ele estaria lá para ela. Sempre!

Ela sorri. E nada, nada poderia ser mais bonito para Bruce Wayne, o Batman, que ver aquele sorriso estampar-lhe o rosto.

A luz de seus olhos bonitos, os cabelos bagunçados, as olheiras proeminentes gravadas abaixo do olhar. Os vestígios da timidez envergonhada, como guerreira, por ter sido apanhada – mesmo que não fosse sua culpa. Coberta de terra e sujeira, por tudo, ainda sim, esta é a visão mais linda com a qual ele poderia satisfazer-se neste momento.

"Eu não estou morta?", ele percebe que dói para ela falar. A voz é crua e rouca.

— Não, você não está – Ele sorriu. – Você está aqui na caverna comigo. Leslie está fazendo alguns exames, princesa. Descanse. Vamos cuidar de você.

— Por que me sinto tão... tonta e estranha, Bruce? É como se eu tivesse um retardamento do movimento. Estou lenta, meu pensamento está turvo.

— Há muitas drogas na sua corrente sanguinea, Diana. Mas Leslie já fez um coquetel intravenoso de medicamentos que vão ajudar a limpar seu sangue e o resto é por conta de sua capacidade de cura.

— Que Apollo me abençoe, então... – ela sorriu novamente.

(...)

Bruce saiu da enfermaria para falar com Leslie, Alfred e Tim, que estava esperando-o em frente ao console da estação de computadores e monitoramento.

— Você realizou o procedimento, Leslie? – Ele disse, e ouviu quando Tim engoliu secamente o pouco de saliva. O pobre menino estava tenso e o próprio Bruce também. Ele estava com medo da resposta.

— Sim. Mas não há como precisar. Como ela te um percentual de cura acelerado, as lascerações poderiam ter sumido, mas eu acredito que não houve qualquer violência sexual. Eu realizei com cuidado todo o protocolo com o kit estupro e não detectei nada que indicasse atividade sexual nos últimos dois dias, Bruce.

— Menos mal. – ele sai de lá e os deixa, todos com semblantes cabisbaixos e tristes. Bruce exibe a carranca de uma frustração crescente, mas que trazia um certo alívio, já que os dois dias em que Diana ficara a mercê de Elliot ela não foi violentada.

Ele vai voltar pra ela antes de fazer valer-se de sua missão e de dar a Elliot o que ele merece. Agora Diana precisa dele.

Ele a beija com ternura na testa, enquanto se coloca ao lado da cama hospitalar, com cuidado.

Um milhar de fábricas de fogos de artifício explodem no coração de ambos, alegres pelo reencontro. Diana reza para que não seja um sonho de quem está seguindo a vida após a morte, mas um sinal de que este céu é um céu na terra, uma nova realidade feliz para eles.

E o sorriso dela cresce amplo, quando vê seu querido Alfred entrar na enfermaria com um suco fortificado e muita água de coco para ajudar a hidratá-la. Quando ouve o sorriso de Tim, ao vê-la bem e Leslie abraçando o menino, feliz.

— Mestre Bruce, o senhor poderia ao menos ter banhado-se e feito a barba antes de despertá-la, não é senhor? Uma princesa adormecida deveria ter direito a um príncipe encantado bem preparado.

Ela agarra a mão de seu amigo inglês e leva a palma ao seu rosto, como um carinho de gratidão. Alfred, Leslie e Tim deixam-lhe um beijo na bochecha e saem, para deixá-los à sós.

Enquanto isso, o amor da vida da princesa de Themyscira, rasteja ao seu lado na cama de hospital da enfermaria e a abraça, para que ela se aconchegue em seu peito, mesmo coberto pelo kevlar.

Ele vai protegê-la até o fim da vida... é sua promessa silenciosa.

*** Bunker / East End ***

​ELLIOT vídeo on

Então, agora, ouça bem:

Ela tem pouco tempo. E você, para salvá-la, terá que buscá-la onde você deveria estar, há muito tempo.

Se apresse, garoto rico. Ela não tem muito tempo! Tic TAC tic tac

Depois, venha me buscar... e minha missão estará completa, meu amigo.

ELLIOT vídeo off

Elliot ri para si mesmo, enquanto passa a mão no rosto cheio de cicatrizes.

— Eu me tornei Bruce Wayne por você, querida (ele pensa em Diana). Mas você, sua vadia, não me quis. Agora morra e fique onde ele deveria estar há tempos.

— Venha para mim, pequeno Bruce... Venha me buscar e minha missão estará completa.