Broken Hearts

25 Eu sou a noite...


Notas iniciais
Saudações, queridos leitores Espero que a sequência de suspense esteja agradando a todos. Estou absolutamente feliz com os comentários deixados, mas ainda gostaria de saber a opinião de quem acompanha a fic se está satisfatório. No mais, continuamos a série de capítulos ainda no ritmo dos romances policiais: *Teremos a primeira parte do confronto entre Bruce (Batman) x Thomas;

*** Mansão Wayne / Batcaverna ***

Para alívio geral do grupo de corações aflitos que ocupavam a Batcaverna esta noite, foi preciso apenas um par de horas, depois que a Dra Leslie Thompkins ministrou o coquetel medicamentoso que filtraria e eliminaria as drogas da corrente sanguínea de Diana, para ouvirem da médica um diagnóstico positivo.

As bênçãos de Apollo e Deméter sobre a princesa amazona, concedendo-lhe o poder de cura extraordinária mostraram-se ainda mais formidáveis e eficientes que o esperado.

Um cateter perfurava a veia da mão direita, transportando o soro com os medicamentos. No mesmo ritmo dos pingos do soro, Diana sentia o coração bater. Desde que ouvira a voz de Bruce e abrira os olhos pela primeira vez, ela alternava momentos de lucidez e sonolência.

Duas horas após seu resgate, ela acorda mais uma vez. Mas desta vez, já não há tanta confusão em sua mente. Sua visão não está mais turva. Sua consciência já estava se realinhando e sua memória reavivando-se pouco a pouco.

Ela sorriu ao se deparar com o homem deitado na cama hospitalar, dividindo espaço com ela. Apesar do uniforme que ele ainda vestia, ela sentiu o coração aquecer-se com o calor dos sentimentos dele, que se tornam evidentes em atitudes simples como estas.

Diana estava acordada quando Leslie entrou na enfermaria, acompanhada de Alfred, Tim e Bárbara, recém-chegada. Bruce acordou quase que imediatamente, quando o barulho do escapamento da moto de Dick se fez ouvir, saindo da cama e esticando a coluna.

— Bom, de acordo com os exames de sangue preliminares, você eliminou quase completamente as drogas do seu organismo, Diana. Mas eu pretendo realizar alguns testes complementares, só pra garantir que você está bem e não deixar passar nada. – a médica anuncia, para todos os presentes, provocando uma miscelânea de reações que, apesar de distintas, tinham em comum a sensação de alívio geral.

— Obrigada, doutora. – ela pigarreou para limpar a garganta – Eu realmente me sinto bem melhor agora. Mas, para ser honesta, eu me sentiria muito melhor depois de um banho quente e relaxante.

— Você está liberada para subir e tomar um banho, Diana. Mas eu a aconselho, mesmo que se sinta melhor, a ficar em repouso por pelo menos dois dias. Até termos certeza de que seu organismo não apresentará nenhum efeito colateral retardatário.

Diana assentiu e olhou para Bruce, esperando que ele a acompanhasse até o quarto principal, que vinham dividindo há cerca de um mês.

Ela estava feliz por estar de volta ao lugar que ela considerava uma nova casa, ao lado do homem que amava e da família dele, a quem ela considerava como amigos.

Para bem da verdade, com exceção do Batman, ninguém naquela enfermaria conseguiu esconder o sentimento de satisfação que compartilharam. Era duplamente gratificante para a “Batfamily” não apenas a certeza de que Diana estava bem clinicamente, mas também emocionalmente, tendo em vista o sorriso de felicidade que ela ostentava para Bruce – como se não tivesse passado por todo desespero que passou.

Era um alívio para eles Diana estar viva e bem, porque mais que ninguém, eles sabiam que Bruce não suportaria perder mais ninguém que amava. Especialmente, dessa forma tão cruel. Eles sabiam que a morte de Jason o levara ao limite e a morte de Diana certamente o faria cruzar a linha da sanidade.

Mas o sorriso no rosto deles naquela noite não foi só de alívio. Era bom ver o cuidado e a atenção excessiva de Bruce com Diana, como se ela fosse quebrar. Ela podia flutuar, mas ele a levou no colo, com delicadeza e amparo, mas ainda sim, com um aperto forte sobre ela, como se tentasse segurá-la e protegê-la para sempre.

*** Suíte Master ***

Havia um silêncio desconfortável no ar e, por mais que Diana tentasse trazer um tanto de humor sobre sua situação, garantindo a Bruce que estava bem, na tentativa de aliviar as tensões explícitas, não obteve sucesso.

Ela podia ler nos olhos dele que, embora ela estivesse bem e viva, haviam outras preocupações que ainda o afligia. E quando seus olhos encontraram os de Bruce, de pé, do lado oposto da cama, ainda usando o uniforme, apenas sem o capuz, Diana foi tomada pela mesma sensação de aflição.

Os dois anos de parceria profissional (na Liga) e amizade próxima – flertando um com o outro antes de assumirem o compromisso afetivo – deram a ela a capacidade de decifrá-lo com maestria.

Diana percebeu um tanto mais de rigidez no corpo de Bruce do que o habitual. Os olhos aparentando indiferença e as feições quase neutras enganariam a imensa maioria, mas ela percebeu o esforço em esconder os sentimentos.

— Diana, eu preciso fazer algumas perguntas. – Bruce precisou reunir toda sua força de vontade para prosseguir. A verdade é que ele não queria perguntar-lhe sobre isso. Tinha medo das respostas. E lhe doía saber que ele poderia feri-la permanentemente caso pressionasse sua memória.

Ela também percebeu a tentativa de distanciamento dele. Ele a chamou de Diana e não de princesa. – Bruce, o que está havendo? Você devia estar feliz. Eu estou bem. De verdade. Mas você parece tenso. O que está havendo?

— Diana... Eu preciso que você se concentre em lembrar qualquer coisa agora. É importante! – A voz tinha o tom rígido do Morcego, mas os olhos pareciam carregar um certo sofrimento.

— Bruce... Eu não sei se posso ajudar. Eu não posso confiar na minha mente. Tudo era confuso. Como uma névoa. Leslie me disse que era normal. Que eu fui drogada repetidas vezes com um coquetel de drogas pesadas e variadas. Eu não sei se consigo distinguir o real do imaginário – Ela baixou os olhos – Quando você me salvou, eu achei que tinha ouvido sua voz. Achei que era um sonho.

— Era real, princesa. – ele mostrou um pouco de suavidade na voz – por isso, me diga o que lembra, mesmo que ache que é um sonho. Pode ser um cheiro, vozes, barulhos.

O silêncio voltou ao quarto. Diana fez uma pausa longa, fechou os olhos, suspirou pesadamente. – Eu só tive a sensação de estar sonhando duas ou três vezes. A maior parte do tempo não havia nada. Era como estar no mundo dos sonhos sem Morpheu. Só soube que fiquei presa por dois dias quando você me disse, eu não tinha noção de tempo. De Nada...

— Eu achava que estava sonhando porque eu sabia que estava deitada, em uma cama grande e, por mais que eu tentasse acordar, as pálpebras estavam pesadas e eu não conseguia ver com clareza. As imagens eram confusas...

— O que você lembra? Qualquer detalhe é importante, Diana.

— Eu ouvi um barulho estranho uma vez. Era um som forte. Parecia de um navio cargueiro. Mas eu não sei se é real ou não.

— Continue... Você está indo bem. Ele pode estar nas Docas.

— Havia um cheiro forte de remédio, misturado com pólvora. Eu ouvia alguns disparos as vezes, como tiro ao alvo, sei lá... – Ele a viu vacilar antes de continuar – E... uma vez...

— Diga, Diana...

— Eu acordei e ele estava deitado do meu lado. Mas não tenho certeza porque estava tonta. – Diana viu Bruce enrijecer – Ele estava calmo, falando devagar. Eu senti quando ele tocou o meu rosto e começou a dizer coisas sem sentido.

— O que ele disse?

— Que me amava, que fez as plásticas para ficar com o rosto igual ao seu. Que você tinha me seduzido, como um demônio, mas que ele me libertaria de você. Depois... ficou tudo escuro.

FLASHBACK ON

“Você vai ficar bem, Diana. Vai ficar tudo bem agora que estamos juntos. Bruce não a merece”, Elliot tira delicadamente a mecha de cabelo que cai sobre as maçãs do rosto dela.

“Bruce”, Diana emite um sussurro fraco.

“Como alguém como você gostar de alguém como ele? Uma mulher inteligente, com poderes extraordinários, se apaixonar por um homem como Bruce Wayne?”, a voz de Tommy assume um tom mordaz e frio, mas ele continua na cama, ao lado dela.

“Eu voltei à Gotham porque queria equilibrar as coisas. Sabe, princesa – é assim que ele chama você, não é? – eu percebi que não podemos deixar nossa vida ser guiada pelo destino. O mundo é um caos. Eu sou o anjo vingador. Eu vim à Gotham para mostrar o exemplo de como podemos exterminar a imundície da face da terra. Os ímpios serão erradicados. TODOS!

FLASHBACK OFF

*** Gotham City / East end ***

Ra’s costumava chamá-lo de ‘o grande detetive’ não à toa. A genialidade dedutiva do Morcego é um dos seus talentos mais formidáveis. Logo, não foi difícil para ele encontrar Thomas Elliot. Na verdade, fora fácil até demais. E sua vasta experiência sabe que as coisas nunca são tão simples.

Elliot queria ser encontrado. No vídeo endereçado à Wayne, ele deixa isso bem claro. Então, certamente ele o estaria esperando. Mas o Morcego de Gotham tinha um trunfo: Elliot esperava Wayne, não Batman. E era essa a grande vantagem do Caped Crusader.

O Batman desembarcou no telhado do bunker de Elliot, e olhou o que acontecia na parte de dentro através de uma clarabóia. Sem desperdiçar o momento da madrugada para efetuar seu espetáculo, ele desce quebrando o vidro da clarabóia em forma de morcego, abrindo a capa para formar a asa do animal. O sangue quente de ódio queima em suas veias. Ele é a noite e assim fará valer-se de sua vingança.

Ele rapidamente tira de ação dois homens que estão na entrada do ambiente em forma de depósito, feito para abrigar pessoas. Dois homens abatidos com socos e chutes. Ele podia jurar que vira um dente voar da boca de um deles.

Havia um sorriso macabro no rosto do Caped Crusader quando ele viu Ellito de pé, no quarto que manteve Diana em cativeiro, segurando duas pistolas automáticas, uma em cada mão. Tommy não conseguira esconder o estremecimento súbito quando vira o morcego. Ele mostrou-se furioso.

“Onde está o covarde do Wayne? Ele deve estar chorando no túmulo da princesa morta”. As palavras de Elliot inflamam o ódio de Batman.

Não há dificuldades em desarmá-lo, afinal, Batman é um mestre em inúmeras artes marciais e Elliot só um obcecado por armas. Inteligente, mas despreparado.

A risada assustadora do maníaco se faz ecoar, enchendo o ar quando eles se enfrentaram. – Ulalá, se não é o famoso Cavaleiro das trevas. Você é algum tipo de vassalo do Wayne, Bat?

— Não, eu não sou – Batman sussurrou com a voz rouca poderosa do modulador, ainda mais aterrorizante porque estava cheia de ódio por toda dor que ele causara à Diana.

– Por que está aqui, Morcego. Não é assunto seu!

— Minha cidade, Elliot. Minhas regras! – Batman continuou – Desde a primeira vítima, percebi que havia algo diferente naquele homicídio. Minhas intuições se confirmaram depois de acharem a segunda vítima. Eu sabia que era o mesmo assassino. Mas não porque ambos tinham conexão com Wayne. Era fácil deduzir. Um idiota saberia... Você queria que Wayne soubesse que ele era a única coisa em comum entre as vítimas.

— Você é bom, Batman. – Elliot riu – Eu não podia criar uma trama elaborada. Bruce é estúpido demais para perceber que ele é o fator comum entre as vítimas, se eu não tivesse deixado isso claro para polícia e imprensa. Mas você foi além, não é Batman?

— Havia um padrão nos cortes. Em todas as vítimas, eles eram muito semelhantes, como se houvesse uma assinatura do homicídio. Eram muito precisos em ambas as direções. Isso me levou a duas conclusões: um, o assassino era hábil com ambas as mãos (ambidestro) e exímio recortando a pele (um cirurgião experiente).

Batman continuou: – O local dos cortes em cada vítima era diferente. Isso indicava que havia uma lógica para essa escolha. Você queria mostrar algo com isso. Uma espécie de castigo para cada um deles, com um propósito que indicava que aquela parte do corpo era merecedora do castigo. Que a parte do corpo mutilada era a mensagem propriamente dita.

— Algum palpite, aberração? – Elliot provocou.

— Sim... e por isso eu vou fazer você desfrutar lentamente da dor que causou.

A sombra do morcego abateu-se sobre o homem com o rosto desfigurado. “Eu sou a noite...” era a primeira parte do ato de reparação que Bruce iria infringir.

*** Gotham City / Docas ***

Uma Mercedes preta se mistura aos outros carros posicionados no estacionamento. O veículo ganha destaque porque é o único que se mantém ligado e ocupado, em meio aos outros, vazios. O casal de ocupantes não se preocupa em ser descoberto. O inverno rigoroso em Gotham afugenta transeuntes em toda cidade, especialmente em uma região pouco frequentada seja qual for a estação do ano.

Oswald observa com atenção a mulher ao seu lado, ocupando o lugar do motorista. É a primeira vez que ele põe os olhos na mulher com quem manteve negociações por telefone nos últimos meses.

Mesmo encobertos pela escassa iluminação, ele é capaz de notar a figura esguia e atraente dela. Ela usava um casaco sobreposto ao vestido, definitivamente elegante. E a postura indicava uma educação refinada. Ela só poderia pertencer à elite – não que ele se importasse com isso.

— Tem certeza que o Batman não desconfia de nada? – Ela foi direto ao ponto.

— Sim... Eu tenho. – Oswald sorriu – Ele tem as mãos cheias no momento. Ele está à caça do tal serial killer que tem agido em Gotham.

— Foi um golpe de sorte ele estar ocupado em capturar esse assassino. Não podemos contar com isso por muito tempo. Quando ele puser as mãos nele, é uma questão de tempo até o Batman descobrir.

— Bom, e o que você sugere?

— Antecipar o plano... Antes que ele descubra e coloque tudo a perder.