Broken Hearts

26 Eu sou a vingança...


Notas iniciais
Olá, meus amados leitores, (Eu não gosto muito de chamar ninguém de ‘amado’ porque me lembra Talia e eu odeio Talia... Mas abri uma exceção pra vocês!) Agora a coisa pega fogo. Aconselho todos a manterem a mente aberta e a imaginação em polvorosa. The revange is coming... *********** As referências para o capítulo de hoje: Filme: Seven – Os sete pecados capitais Um filme de 1995, com direção de David Fincher. Com Brad Pitt, Morgan Freeman, Kevin Spacey e Gwyneth Paltrow

*** Gotham City / Buker de Hush ***

O sangue estava por toda parte, ainda mais no rosto de Elliot e nas luvas do morcego. Batman sentiu o sabor da revanche envolvendo as entranhas. Vingança, era isso que ele nasceu para ser: “a noite, a vingança, o Batman”. Nascido do desejo de trazer justiça àqueles que estão à margem dela.

Olhando para baixo, para ver o homem acuado, que sorria, venenosamente com sangue por entre os dentes, ele viu Elliot cuspir sangue.

— Você sabe, não é Batman? Por que escolhi cada vítima?

— Sim. Você é patético. O clichê mais patético entre sociopatas. Você não é genial, Elliot, você é apenas um lixo subhumano com o qual eu posso lidar facilmente.

— Qual o problema, Batman? Por que se importar com a escória: uma mulher tão vaidosa e só via a si mesma? Um homem tão avarento que é capaz de renegar os próprios filhos e deixá-los à míngua? Um glutão doente que deixou a mulher ir embora porque sua fraqueza o impedia de parar de comer? Uma prostituta que vendia seu corpo para ricos? Ou um vagabundo drogado deixado para morrer no beco onde os pais do meu amiguinho Bruce Morreu?

Elliot percebeu um pequenino estremecimento no Morcego. Havia nada além de fúria em seus olhos. Pegando o vilão derrotado, o rosnado de Batman subiu para um grito quando ele fechou o punho e socou o serial killer de volta para o chão. A tosse e os respingos pulverizados de sangue brotaram nas paredes próximas e Elliot lambeu o sangue dos lábios.

— Acabou, imbecil. Você perdeu. Faltam dois!

— Não, meu caro Morcego. Eu só queria que Wayne estivesse aqui, mas ao contrário do que eu pensei, ele está onde eu quero.

— O que está falando?

— Você... você é Bruce Wayne, Batman! Eu percebi em pequenos detalhes: falar de Diana, da sua família, do Beco do crime, tudo que o fez estremecer minimamente. Mas eu estudei Wayne por anos. Eu conheço cada traço de sua personalidade e de seus traquejos. Minha obra está quase completa: você está exatamente onde eu quero. – Elliot riu.

— Se eu disser que violei a sua linda princesa, Batman, o que você faria? Ou devo chamá-lo de Brucie? (uma risada demoníaca de Elliot se proliferou pelo ambiente)

Ele olhou para cima a tempo de se encolher quando Bruce o chutou com a bota blindada bem no centro do estômago. Gritando novamente, babando de ódio, uma fúria brutal, lutando contra a vontade de esmagá-lo, Batman investiu novamente contra o vilão, pegando-o do chão, com joelhadas seguidas no estômago sendo desferidas... novamente e novamente e novamente.

— Pare de falar, seu psicopata desgraçado. Você não tocou nela. Você está mentindo. Você está mentindo. Eu vou matar você se você tiver posto um único dedo nela. – Batman ouviu uma gargalhada fraca.

— Mate-me, Batman. Mate-me: eu sou a inveja e você o cavaleiro da ira. Vamos, Batman. Faça valer a minha obra. Termine-a. Termine-a AGORA!!

Empurrando um batarangue afiado no rosto de Thomas Elliot, Batman rosnou baixo em sua garganta.

*** perspectiva do Batman (Prólogo) ***

Eu poderia matá-lo agora mesmo... Eu posso... Eu quero. Ah! Eu quero muito.

É quase um desejo, insistente e passional, uma vontade instigada pela adrenalina correndo nas veias. O poder é algo definitivamente excitante, inebriante... Por isso é tão perigoso.

Minha escolha pela maldita regra de ‘não matar’ é um sacrifício cada dia mais pungente. Especialmente quando se tem sob seu domínio uma espécie de criminosos que representam o que há de mais pútrido em Gotham. Assassinos violentos, estupradores, abusadores de crianças, traficantes de órgãos e de pessoas.

Eu jurei jamais cruzar a linha tênue que determina quem merece viver e quem deve morrer. O que ninguém sabe, a verdade crua, que eu tento omitir até de mim mesmo, é que, depois de tantos anos como patrulheiro da noite, meu juramento se tornou mais um sacrifício doloroso que a escolha ética de outrora.

Em Gotham, princípios éticos não se aplicam. Aqui, bandidos não têm código. Meus inimigos matam. Mas eu devo manter a promessa de não cruzar a linha.

(...)

Eu sinto o sabor do sangue. Eu poderia matá-lo.

Eu o faria... Não haveria remorso. Eu estaria em paz!

(...)

Eu vejo a imagem dela e seus lindos olhos brilhantes em minha mente. Ainda que esteja com as bochechas formando um caminho de lágrimas, aquela imagem da deusa entre os mortais é a coisa mais fascinante em minha memória. Seu lamento é como réquiem, a prece que ouço em meus ouvidos e me faz parar. O canto triste das baleias, a oração que faz meu coração parar de sangrar.

Eu me vejo sentado ao lado dela, acariciando seus lindos cabelos negros, puxando seu rosto para meu peito e beijando sua têmpora. "Você é linda", foi tudo o que disse e logo ela parou de chorar. Ela afastou-se e esfregou os olhos inchados, recusando-se a olhar para mim. Ela sabe que eu faria tudo para protegê-la e por mais que eu saiba que ela quer ficar em meu peito para sempre, eu sei que ela pode ver por baixo do capuz... eu sei que ela pode. Eu sei que ela viu o ódio correndo dentro de mim. Eu sei que ela sabe que eu não vou ficar. Que eu preciso sair...

"Eu estou bem, Bruce". Eu ainda ouço a voz melodiosa em minha mente, quando Diana me diz isso, esfregando o ranho do nariz.

Deus, eu só posso levá-la em meus braços para o quarto, esperando que ela durma, até a hora em que eu precisarei de forças para fazer o que eu quero fazer. Um frio suspeito formigava na base da minha espinha. Eu quero vingá-la e eu vou.

Mas a imagem dela debruçada na cama, frágil, com os olhos inchados pede que eu volte pra casa e deixe o pedaço de lixo em minha frente. Será que eu mudei?

Tudo que quero é voltar para ela. Vê-la ao meu lado e me sentir aliviado o bastante para acordar sem dor. Sem o coração partido em pedaços.

*** Gotham City / Estaleiro / Um dos muitos galpões mantidos pelo Batman ***

— O que vai fazer comigo, Morcego? Eu conheço o seu segredo – Elliot riu para ele, sem remorso.

“J’onn, preciso de você. As coordenadas serão enviadas para torre da liga. Por favor, venha sozinho”, Batman fez contato com o Marciano.

Elliot ainda o provocava quando J’onn chegou e viu-se horrorizado com a cena sanguinolenta à sua frente. J’onn tirou delicadamente o batarangue afiado das mãos do Batman lentamente, como se quisesse aliviá-lo de uma cruz muito pesada.

Borbulhante, o rosto de Tommy mostrou surpresa e medo quando Bruce o socou novamente e tudo ficou escuro. O Caçador de Marte colocou uma mão em seu ombro, cansado.

“Eu vou apagar as memórias dele, meu amigo. Não se preocupe. Ele não vai mais machucar ninguém. Mas você não deve mais ficar aqui, Batman. Sua mente está um caos. Você não pode mais suportar sem cruzar a linha, meu amigo.”, a conversa manteve-se apenas dentro das mentes de ambos os heróis, para evitar que Elliot soubesse o que seria feito.

Eu não terminei. Preciso entregá-lo às autoridades em Arkhan, J’onn”, Bruce respondeu.

“Volte para ela, Bruce. É tudo que seu coração quer. Eu posso fazer isso, meu amigo.”, J’onn reiterou.

“Nada de metas em minha cidade, J’onn. Sinto muito! Regras são regras”, Batman disse, cansado.

*** Gotham City / Batcaverna ***

Um homem vestido com uma armadura negra olha fixamente para os imensos monitores à sua frente. Ele tenta inserir as bases e notas de seu relatório. Mais um caso concluído, mas a custa de quê? Do que lhe resta de sua sanidade?

Ele pode sentir o cheiro suave de jasmim e rosas invadindo o ambiente. É melhor que o cheiro de sangue que o enjoa neste momento.

— Volte para cama, princesa. Você precisa descansar – Ele se esforça para manter a frieza, mas o sussurro sai com tanta fraqueza que é impossível ela não notar sua dor.

— Não sem você, Bruce! – Ela se coloca ao seu lado e vê quando os ombros dele caem, derrotados.

— Eu não posso proteger você, Diana. Todos que estão próximos a mim eventualmente se machucam e eu não quero que você se machuque.

— Você não pode salvar a todos, Bruce. J’onn me pediu para cuidar de você. Ele me disse que você quase cruzou a linha Bruce. – Ela tocou seu rosto com delicadeza e ele fechou os olhos.

— Eu não me importaria, Diana.

— Bruce. Não diga isso. Não matar é sua regra mais importante. É parte do seu juramento. Não diga isso, por favor, Bruce.

— PARE DE FALAR! PARE, DIANA. PARE!

Batman levantou-se como por impulso, com o batarangue ensangüentado nas mãos, furioso. Diana manteve seu olhar firme, olhando para ele, desafiando-o.

—Você vai me esfaquear, Bruce? Você vai se sentir melhor assim? Se isso o fizer bem, me machuque. Eu não me importo! – Seus olhos tinham uma compreensão inexplicável.

Tremendo, Batman deixou cair a arma de metal no chão, as reverberações de seu coração estavam em choque, como se todo corpo tremesse, em convulsões. Ela o abraçou, deixando-o acalmar-se em conjunto com seu coração compassivo.

— Afaste-se de mim, princesa – a voz dele é fraca, isso a faz chorar.

— Eu não vou embora, Bruce.

— Eu vou te machucar.

— Eu sei que vai. Eu sei!

— Então por que você fica, Diana?

— Porque para cada onda de ódio, mágoa, de dúvida, desespero, escuridão e tristeza em sua alma, eu vou devolver com amor, perdão, fé, esperança, luz, e alegria até chegar o ponto em que você nunca mais vai me pedir pra ir embora. Acostume-se, Bruce. Eu não vou deixá-lo. – Ela viu quando ele esboçou um tímido sorriso, derrotado por sua teimosia.

— E quando eu for um velho?

— Eu já vou ter me acostumado a lidar com sua rabugice.

Ele virou-se tão rápido que Diana esqueceu o quão rápido ele pode ser. Puxando-a para si, ele a beijou, com força, sem qualquer suavidade. Era um momento selvagem e apaixonado, que traduzia apenas uma coisa nas necessidades de Bruce: o desejo de salvar-se.

Diana conhecia a sensação de angústia, sabia que ele precisava dela dessa forma menos delicada e mais rude. Ela deixa que seus beijos furiosos se aprofundem, fazendo-os ofegar. Ele a colocou nos braços, e subiu as escadas em velocidade alucinante, acariciando-lhe o corpo.

Ele precisa dela nesse momento. Ele precisa dela como amante. Ela sabe que ele precisa colocar para fora toda dor concentrada dentro dele, toda frustração. Ela hesita se não deveriam conversar, mas vendo sua urgência feroz, a energia sexual que se agiganta, Diana deixa todas as dúvidas e hesitações serem levadas com a brisa da noite.

Eles tomam um banho e fazem amor. Depois ele a leva para cama, ainda com um olhar suplicante de tristeza e dor que parece tomar todo o controle de si, cegando-o.

Diana não se importa em ser, por hoje, sua fonte de alívio.

Pelos deuses, Eu amo este homem. Eu farei qualquer coisa por ele”, ela disse a si mesma.

*** Mansão Wayne/ perspectiva de Bruce ***

Eu me visto enquanto ela dorme, enrolada debaixo das cobertas. Ainda é manhã. Uma 8h, eu acho... Eu sento na cama, para olhar para ela. Diana dorme como uma deusa e eu me sinto como um demônio cuja alma lhe foi entregue.

Ainda que esteja esgotada, envolta nos lençóis, os cabelos levemente bagunçados, ela é gloriosa. Inclinando-me sobre a cama, eu acaricio as ondas pretas grossas do cabelo longe de seu rosto para assistir sua testa oscilando entre o medo e êxtase. O que está sonhando? O que eu fiz com ela? Eu não posso deixá-la. Eu não posso perder mais ninguém.

"Eu não posso prometer nada, Princesa. Mas posso prometer que vou tratá-la da melhor forma que eu conheço, sem destruir você".

Beijando sua testa, deitei-me ao lado dela, a porta está trancada, e nem mesmo Alfred vai entrar. Curvando meu corpo contra o dela, eu permitir que meus músculos relaxarem ao seu contorno, proferindo uma promessa de protegê-la até de mim mesmo.

Ela se aproxima contra mim e deita a cabeça no meu ombro. O cheio dela é divino. É inebriante. Intoxicante.

Princesa, acorde!”, eu a beijo, para acordá-la. O gemido suave do ronronar de sua garganta me faz desejar acordá-la todas as manhãs. “Pare de sonhar Bruce”, eu me repreendo.

Massageando seus ombros e os músculos da parte superior das costas, eu escovo o cabelo longe de seu pescoço para sussurrar: “Hora de se vestir. Você tem dever de monitoramento em uma hora".

"Obrigada, Bruce", ela me disse, sorrindo.

"Por que, princesa?"

"Por não ir embora. Por me deixar ficar"

Tudo o que eu temia veio a acontecer. Eu lutei e perdi. Perdi minha guerra interior para a mulher mais formidável que já conheci na vida.

Um ano atrás, se alguém para me dissesse que eu teria o amor da princesa das amazonas; que a teria em meus braços, ou faria amor com ela, eu teria o internado no Asilo Arkhan.

Shakespeare escreveu uma vez que "se você puder olhar as sementes do tempo e dizer que grãos vão crescer e quais não irão, por favor, revele para mim". Os minutos estão arrastando a manhã, e eu estou segurando a princesa em meus braços. O contato pele a pele me faz sentir completamente preenchido.

Ela pertence ao céu, ao paraíso. Não ao Olímpo. Não a minha cama. Mas aqui ao meu lado, ela me fez acreditar que eu posso tê-la. Que posso ter o céu, ao invés de viver eternamente o inferno.

Todas as coisas estão mudando e nós dois estamos mudando com elas.

Talvez essa mudança não seja tão ruim quanto eu pensei que seria.

*** Nota do autor ***

Ele olhou para o quarto ao seu redor, inalando o aroma do amor que ele parecia carregar. Sua mente perspicaz repassava tudo até este ponto em sua vida. Ele começou a vida com uma família amorosa, que foi rasgada dele uma noite fatídica. Ele cresceu para ser a vingança, a solidão, a escuridão. A vida tinha dado tantas voltas. E ele lentamente saiu da escuridão para ajudar o mundo quando entrou na Liga da Justiça. E na Liga, ele encontraria a mulher mais bonita, solidária e corajosa que ele já poderia ou iria conhecer.

Lá, ele encontrou o amor.