Broken Hearts
59 Salvação (Parte I)

► “Um dia, quando for maduro o suficiente, verá que seus erros não fizeram com que você desse passos para trás, na verdade, eles te salvaram do abismo de um falso acerto que estava a um passo à frente”, (Fábio Silveira) ◄
♣ Gotham City || Mansão Wayne || Batcaverna ♣
|| Madrugada de 2 de Março ||
Embora todos o tratassem como um tolo e não o levassem a sério – em alguns casos com razão. “Só alguns”, ele disse a si mesmo. – Wallace West era capaz de manter-se de bico fechado. E evitasse, para seu próprio bem, emitir qualquer frase, palavra ou som neste momento.
Após se livrar da bomba que quase o matou, ele levou menos de 60s pra chegar à Caverna. As expressões preocupadas e aflitas dos membros do batclã e a postura ainda mais rígida que o normal do Batman deu-lhe a dica. Além disso, ele ainda estava se recuperando do choque das palavras de Bruce sobre o que estava acontecendo. Ele sabia que agora não era hora de tocar no assunto. Não até seus amigos serem salvos. Agora não era uma boa hora para interromper o Morcego.
— Bárbara, quero que você entre imediatamente em contato com cada membro desta lista. Não me interessa como, eu quero que os ache! – Batman rosnou, enviando nomes e coordenadas do computador virtual, acionado em sua luva esquerda, para tela do computador central da Batcaverna – A linha é restrita, por isso, identifique-se imediatamente: Diga-lhes que é um comunicado do Batman. Protocolo de resgate, prioridade ZERO: Fundadores sob ataque, risco máximo. Entendeu tudo? – Bárbara assentiu.
— Tim, o Oráculo fica no controle geral... Quero que você a ajude. Temos que dividir nossas atenções em vários cenários e dinamizar nossas ações – Batman puxou a cadeira ao lado de Bárbara e o mandou sentar – Fale com Holt, na Torre. Envie-lhe a lista que acabo de passar para Bárbara. Ele deve teletransportar os que estão na lista para a localização exata da última localização de cada fundador relacionado, entendeu?
— Certo, chefe! – Tim respondeu, um tanto arrependido de soar divertido. Não fora sua intenção.
— Flash, contacte a Whatchtower, peça ao Senhor Incrível para enviá-lo para o local onde o sinal de comunicação do Superman indicava antes de ser bloqueado.
— Beleza, Morcegão... Mas... Como eu vou ajudar o Azulão? – Wally respondeu, um tanto preocupado.
— Não se preocupe. A ajuda vai chegar em breve. Tome isso, leve! – Batman entregou uma pequena caixa a Wally. – Asa Noturna... Você e Robin vem comigo. – Batman ordenou, girando os calcanhares e movendo a imensa capa no processo. Saltando, com agilidade, da plataforma superior para o corredor inferior, de acesso ao hangar do Batwing – AGORA! – Ele gritou, deixando claro a urgência do chamado.
— Onde vamos? – Dick perguntou, sem ter certeza se receberia uma resposta ou um rosnado.
— Salvar Diana... – Bruce respondeu com a voz falhando, incapaz de esconder o desespero que seu coração experimentava.
♣ ♣ ♣
♣ Gotham City || Central Park ♣
|| Madrugada de 2 de Março ||
O tempo não era um aliado da princesa de Themyscira. Ela tinha poucos minutos para desacelerar ou, pelo menos, estacionar o ritmo de seus batimentos cardíacos – aumentando progressivamente a cada minuto. Se a taquicardia ultrapassasse o limite suportável, ela não sobreviveria.
Contudo, as perturbações causadas pelos delírios de sua mente levaram as raras tentativas de Diana, em dois ou três raros momentos de lucidez entre pesadelos e visões, ao fracasso. Ela se esforçava para manter-se lúcida e acalmar-se, mas sentia o coração acelerar ainda mais após as dolorosas visões invadindo o pensamento: morte e dor, o flagelo das pessoas que amava – Sua mãe, Donna, suas irmãs amazonas... Kal, J’onn, Wally, seus amigos... Alfred, Tim, Damian, o clã dos Morcegos... Bruce...
A inconstância de seu comportamento, devido a instabilidade de sua mente mantinha os policiais distantes e a impossibilitava de receber ajuda. Os policiais pareciam honestamente aflitos, por não serem capaz de ajudá-la, sem colocar suas vidas em perigo. Boa parte dessas aflições diminuíram, assim que viram a impressionante aeronave em forma de Morcego pousar no parque, numa clareira próxima ao local onde estavam.
(...)
— Ela não está bem... Nós tentamos ajudar, mas ela nos mandou ficar longe. Ela gritou que não era seguro se aproximar dela! – Um dos policiais correu até os três heróis que desciam do Batwing – Digam-nos o que podemos fazer. Nós queremos ajudar!
— Vocês já fizeram sua parte tirando as pessoas daqui. Agora é com a gente – Dick respondeu, sabendo que Bruce estava cego e surdo para qualquer outra coisa que não fosse a imagem de Diana, a poucos metros de distância.
— Nós vamos manter distância, mas não vamos embora! – o policial respondeu, deixando claro que ‘não iria abandonar a Mulher Maravilha’ e Dick não conteve um sorriso discreto se formando em seus lábios.
Diana tinha esse efeito sobre as pessoas. Havia algum tipo de magnetismo que emanava dela, que capturava a simpatia imediata e a afeição das pessoas. O efeito dela sobre sua família era o melhor exemplo disso: Alfred a amava, para Tim, Diana era a pessoa mais próxima de uma mãe que ele poderia ter (embora agissem como grandes amigos) e até seu irmão mais novo, disposto a não ceder a ela, não resistiu.
— Você sabe o que fazer se as coisas saírem de controle, certo?! – Bruce disse a Dick, que assentiu, desconfortável com a hipótese – Diana pode me partir em pedaços, se ela achar que eu sou uma ameaça.
— Como vamos detê-la, pa... Batman? – Damian questionou, mais preocupado com seu pai que com ele e seu irmão.
— Vocês não vão... Não será necessário – A voz do Cavaleiro das Trevas não mostrava nem vestígio do habitual vigor intimidante. Ele parecia cansado e, nem mesmo o modulador, embutido no capuz, que eleva o tom grave de sua voz, foi capaz de mascarar isso – O ritmo cardíaco dela está no limite. Se ela me atacar, quando eu tentar me aproximar, será sua última ação... Ela... – Ele emudeceu.
Batman olhou para Asa Noturna e Robin, enquanto Bruce olhava para seus filhos: como se ambos dissessem adeus. Foram apenas segundos, mas para eles, parecia uma eternidade. Como se o tempo, ‘mano velho*’, quisesse lhes dar um presente que a vida lhes negava, alongando-se para que pudessem se despedir da melhor maneira.
Não havia nada além de silêncio entre eles. Ironicamente, aquele momento disse-lhes mais que qualquer conversa que já tiveram. Um raro instante em que Bruce não escondeu as emoções, para que soubessem que ele os amava. Em que, mesmo o Batman, seu herói, seu exemplo, não precisou de palavras pra dizer-lhes que se orgulhava de ambos.
Mas Diana não parecia capaz. Ela estava visivelmente esgotada, fraca, incapaz sequer de manter-se de pé. Enquanto Bruce se aproximava devagar.
“Se eu puder acalmá-la, desacelerando o ritmo cardíaco, vou ganhar tempo. Até chegar perto o bastante para sedá-la”, a mente alerta de Bruce ponderou, traçando rotas e inúmeras estratégias possíveis.
— Diana – Batman chamou seu nome calmamente, para não assustá-la. A uma distância segura para ela. Próxima o bastante para que ela tivesse uma boa visão de quem ele era e longe o suficiente para evitar sobressaltos.
Ela estreitou os olhos e viu a figura negra embaçada. Sua voz era serena, mas ainda sim, imperiosa, como a do Batman. Mas ela não tinha certeza se sua mente estava pregando-lhe mais uma peça ou se imagem da sombra escura e borrada era mesmo ele.
— Diana... Sou eu... – A cada palavra, ele se aproximava, a passos lentos – O Batman... – Ela não reagiu à aproximação, até que Bruce parou, a pouco mais de 4m de distância dela – Diana... Me escute... Feche os olhos... Tente manter a mente focada no som da minha voz – Ele desligou o modulador para harmonizar o tom de sua voz.
— Você está me ouvindo, princesa? Não desista! – Bruce estava mais perto.
Ela queria responder, reagir à ele, mas não conseguia... O máximo que os esforços de Diana conseguiram, tentando forçar o corpo a executar os comandos do cérebro, foi fechar os olhos e tentar expulsar os pesadelos, deixando-se guiar pela voz de Bruce.
— Princesa... tente respirar mais devagar... – Ele a instruiu – As primeiras tentativas serão difíceis, Diana... Quando você inspirar mais devagar, você terá falta de ar... Como se estivesse sufocando... – Ele não sabia se ela podia notar o quão doloroso era dizer-lhe cada palavra – Para impedi-la de diminuir a pulsação... Você precisa ser forte... Lembre-se do treinamento... Você me pediu para ensinar-lhe algumas das minhas técnicas de meditação... Coloque-as em prática... esvazie a mente, princesa... Você pode... Eu sei que pode...
Ainda que fosse massacrante ver o quão dolorosos foram os esforços de Diana para desacelerar o seu ritmo cardíaco, a breve onda de alívio que o atingiu quando Bruce foi capaz de chegar perto o bastante para aplicar-lhe um sedativo desenvolvido para organismos meta-desenvolvidos como o de Diana, estava a anos luz do sentimento que o arrebatara quando, após sedá-la, teleportando-se em seguida para Watchtower, onde – em seus braços – ela foi levada para ala médica e imediatamente medicada sem dificuldades – tendo em vista que os médicos receberam um relatório completo do Batman que detalhava o patógeno a que ela fora exposta, a posologia da medicação que ele mesmo havia entregue e o tratamento adequado.
O Batman olhou para Diana uma última vez pelo vidro da enfermaria, antes de partir. Ele foi incapaz de conter um suspiro profundo, após observar os monitores cardíacos que indicavam a normalização dos batimentos. Era como se ele finalmente tivesse permissão para respirar... Mas, ainda que aliviado por vê-la livre do risco de morte, havia muito a ser feito. Então, ele partiu, indiferente aos cumprimentos, perguntas ou olhares de qualquer membro da Liga.
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♣ Metrópolis ♣
|| Madrugada de 2 de Março ||
— Doutor, eu não consigo aplicar a medicação intravenosa. – a enfermeira estava terrivelmente nervosa. Fazendo a mulher sentada do lado oposto, segurando a mão do Superman, estreitar os olhos em sua direção, visivelmente enfurecida. – É impossível... – O tom era tão desesperado que a loira estava prestes a chorar.
— Dê-me o material... – O médico respondeu, impaciente – Esse nervosismo está comprometendo seu trabalho, Lisa. É tão difícil achar a veia? – Quando o homem de cabelos curtos avermelhados e grisalhos tentou espetar a agulha no paciente desfalecido sobre a maca, percebeu o motivo da impossibilidade.
— Eu já quebrei 8 agulhas tentando perfurar a pele dele, doutor Peter. – Lisa disse.
— É impenetrável... Você não vai conseguir – Lois atestou.
Não havia nenhum indício da entrada da bala no peito do herói. O médico só sabia que ele fora atingido por um disparo porque viu pela TV. O buraco de entrada se fechara logo após a perfuração. A cura acelerada garantia a regeneração imediata dos tecidos. Contudo, a bala de kryptonita alojada dentro dele, estava causando prejuízos que, em breve, seriam fatais para o Homem de Aço.
(...)
Wally não teve dificuldades em deduzir onde o Superman estava, por causa da aglomeração formada pela multidão de jornalistas, curiosos e pessoas solidárias ao Homem de Aço.
Ainda que, sendo um dos heróis mais populares da Liga, ele não fosse impedido de ultrapassar o bloqueio policial e se aproximar da ambulância, a velocidade com que chegou às portas traseiras do veículo era tão vertiginosa que não é visível ao olho humano. Tudo que o policial pode ver foi um rastro no asfalto (semelhante ao que os pneus fazem quando são obrigados a frear bruscamente, em velocidades altas) e sentir um vento forte e rápido atirar para longe o seu cap.
— Flash?! – Wally viu nos olhos de Lois um brilho de esperança que ele temia não ser capaz de corresponder. Mas ao ouvir a voz de um grande amigo, um de seus melhores amigos, ressoando atrás dele, foi impossível não sorrir e renovar as esperanças... “Morcegão... Ele disse que mandaria ajuda”, ele pensou.
— Kid Flash... Não podemos perder mais tempo – O ‘homem-máquina’ disse, ao se aproximar dele. A impressionante figura do Titã chocara a imensa maioria de expectadores presentes (que se deparavam pela primeira vez com a imagem do herói robótico, cujo último resquício que lhe restara de sua humanidade era parte de seu rosto e parte do tórax).
— Batman pediu pra te entregar isso... Eu só não sabia que era pra você, amigão!! – Wally olhou com carinho para Vic. – Tem certeza que não precisa de mim?
— Não... Há coisas mais urgentes. Eu tenho tudo que preciso. O Batman me enviou relatórios – Victor respondeu.
— Beleza, irmão... Senti sua falta! – Vic sorriu para Wally – Ah... Ia esquecendo: É Flash, amigão... Não Kid...
(...)
Cyborg mandou todos, exceto o médico, saírem do interior da ambulância. Ele explicou todo procedimento, que lhe fora orientado pelo Batman. O Morcego havia entregado-lhe um pedaço de kryptonita para que Victor a lapidasse até um ponto de corte tão preciso quanto o de um bisturi. Ainda que a exposição do Superman a mais kryptonita pudesse acelerar os danos internos causados pela bala alojada dentro dele, não há outra maneira de remover o projétil sem abrir caminho até ele.
— Agora não é uma boa hora para ficar parado, olhando pra mim, Doutor – O médico quase enfartou, amedrontado pela admoestação – Quando o Superman estiver fora de perigo, o senhor terá muito tempo pra isso. Agora, preste atenção: Eu posso abrir caminho até a bala, basta me dizer onde cortar, o tamanho e profundidade... Entendeu?
O médico apenas assentiu, sussurrando as respostas.
— O que vamos fazer agora não é como qualquer cirurgia que o senhor já fez. – Cyborg ressaltou, ao mesmo tempo que seu antebraço direito assumia uma forma que se afunilava em direção a mão. Unindo as pontas dos dedos, ultrafinos, formando um encaixe perfeito para servir de base para a lâmina de kryptonita.
— O senhor não terá tempo suficiente para procurar onde a bala está alojada, mesmo depois que eu fizer o corte... – Pela primeira vez, o médico não sentiu-se amedrontado pela estranha figura diante dele. O Cyborg, apesar de manter a seriedade, não parecia ameaçador como antes. – A regeneração celular acelerada vai reconstruir os músculos e tecidos bem rápido... Nós vamos precisar executar o mesmo processo várias vezes, entendeu? – Quando o médico assentiu, ele prosseguiu.
— É provável que isso o deixe irritado, frustrado e tenso... Por isso, é melhor se preparar pra trabalhar sob pressão... Você tem dez segundo pra me dizer se pode fazer isso por ele, ou não. Se não puder, eu vou achar alguém que possa. Se você não se sentir seguro pra isso e quiser ajudar, basta me guiar (afinal, hoje em dia é muito comum médicos operando à distância, usando robôs – doutor Peter sorriu ao se convencer do quão humano era o Cyborg).
— Estou pronto – O médico tomou seu lugar à frente de Vic.
— Pelos meus cálculos, a partir do relatório do Batman, a recuperação do Superman, após sua exposição à kryptonita, é diretamente proporcional ao período de tempo, proximidade de contato e tamanho... Você tem 54s para achar o projétil em cada abertura.
Por mais que parecesse ínfimo para o cirurgião clínico geral do Metropolis General Hospital, para um conhecedor da invulnerabilidade do Superman, era um sinal do quão agravante era seu quadro clínico.
(...)
Victor Stone se surpreendeu com a postura focada do Dr. Peter. Afinal, controlar as emoções humanas sob pressão, assumindo riscos para os quais o sucesso ou fracasso de suas ações, resultavam em vida ou morte do grande herói da cidade, do Planeta, seu herói e de seus filhos.
Ele esperava um comportamento um pouco mais irritadiço do médico, frustrado pelas constantes interrupções de seu trabalho, em virtude das peculiaridades genéticas que seu paciente apresentava. Mas ele manteve-se tão ferozmente focado que nada parecia perturbá-lo significativamente.
Na décima primeira incisão – obedecendo a sequência de 8 tentativas até achar a bala e três para retirá-la – eles foram bem sucedidos.
Victor riu quando viu o Dr Peter desabar no acento próximo, finalmente dando-se o direito de colocar as emoções que reprimira para fora. Ele chorou por algum, com as mãos cobrindo o rosto, a ponto de soluçar. Só então, olhou o homem de pé, à sua frente, com os olhos vermelhos e sorriu. “conseguimos”, ele mexeu os lábios, como se não tivesse energia para falar.
Cyborgue assentiu, enquanto guardava ambos os cristais de kryptonita (bala e lâmina) em uma pequena caixa revestida com chumbo, guardada em um compartimento que se projetara de sua coxa e em seguida, recolhia-se.
— Quanto tempo até ele acordar? – O cirurgião perguntou.
— Não muito... Mas até a recuperação total, vai demorar um pouco mais do que estamos acostumados – Victor respondeu – Agora eu vou levá-lo para Torre da Liga. Ele vai se recuperar lá! – Cyborgue solicitou o teletransporte imediato – Obrigada, doutor. Quando o Super-Homem estiver de volta à Metropolis, tenha certeza, quando menos esperar, ele o agradecerá pessoalmente.
♣ ♣ ♣
♣ Nova York || Distrito do Brooklyn ♣
|| Madrugada de 2 de Março ||
— Entregue-me o anel... – Sinestro rugiu.
John sequer podia compreender os gritos fracos de sua vó dizendo-lhe para desobedecer a ordem do inimigo. Gritos chorosos que juraram-lhe que sempre o amou, e que já tinha vivido o suficiente.
Então o mundo parecia estar em câmera lenta:
À medida que retirava o anel, a energia esverdeada enfraquecida, o levava lentamente ao chão, ao mesmo tempo que seu traje desaparecia, devolvendo-lhe as roupas civis.
Ele não viu quando o raio de luz amarelada o cercou, aprisionando-o em uma espiral de escuridão em seu interior. Tudo que John podia sentir era o vazio, a solidão, o peso de seus arrependimentos – alimentando seu orgulho tolo, que o impedia de entregar-se sem reservas a realização do amor com a mulher que amava – o crescente sentimento de falta de fé, que lhe tirou a esperança e a conformidade que lhe roubou a vontade.
E não há Lanterna Verde sem vontade... Mas ele não era mais um deles. Não sem o anel.
(...)
Foi necessário mais que apelos e gritos chamando seu nome para tirar John de seu transe. Ele estava tão profundamente mergulhado no vazio que só foi despertado graças a uma falha na esfera, causada por uma rajada de energia que abriu uma abertura, pequena demais para dar ao ex-militar espaço suficiente para escapar, mas o suficiente para passagem da luz, iluminando a escuridão e para que John tivesse uma boa visão do que acontecia fora dela.
Os disparos de energia verde se chocando com os amarelos não deixavam dúvidas de a luta era entre Sinestro e um integrante da Tropa dos Lanternas Verdes, mas Jonh só teve certeza de quem era, quando seu amigo se aproximou da abertura.
— Assim que eu terminar com ‘Barney, o dinossauro’, eu tiro você daí, Marinheiro – O Lanterna soltou um meio sorriso debochado e piscou para ele.
John nunca questionou o valor de Hal Jordan como herói – o mérito de seus feitos e ações que deram-lhe o crédito eram inquestionáveis. Mas era impossível, especialmente para ele, compreender como alguém que não demonstra levar qualquer coisa a sério, avesso a assumir responsabilidades, indisciplinado, dentre outros traços de personalidade que são praticamente incompatíveis com sua missão, consegue, não apenas se tornar um Lanterna Verde, além disso, estar entre os maiores.
John sorriu com a comparação desdenhosa de Hal entre Sinestro e o personagem infantil da Disney. Mais ainda ao espiar o quanto Jordan era capaz de tirar o estoico ex-Lanterna, que o havia treinado pessoalmente, do sério. Irritando-o com tanta intensidade que o levavam a ultrapassam os limites da sanidade e do equilíbrio emocional.
— Ouvi dizer que aqui no Brooklyn tá rolando um encontro da Sociedade do anel?! – Disse o homem com um traje vermelho, semelhante ao do Flash – mas que parecia mais aprimorado – que tinha o mesmo símbolo de um raio no peito.
— Barry? É você mesmo? – John arregalou os olhos – Eu não te vejo desde que você ‘passou o bastão’ pro Wally. Ele nos disse que você havia se aposentando pra ter uma vida mais normal. O que você tá fazendo aqui?
— Atendendo o chamado do Morcegos... Ele não é o tipo de pessoa que se pode contrariar – Barry sorriu e olhou na direção da luta no céu entre Sinestro e Hal. – Além disso, o comunicado mencionou ‘protocolo de resgate / prioridade 0. Você sabe o que significa!
— A Liga está sendo atacada? – John franziu o cenho, preocupado – Eu pensei que meu confronto com Sinestro havia sido pontual.
— Os ataques foram orquestrados para eliminar apenas os fundadores. – Barry revelou. – Agora chega pra lá que eu vou te tirar daí.
Uma das habilidades pouco conhecidas de Barry era um soco de potência infinita, que desferido contra a esfera de energia, libertou o ex-fusileiro naval sem dificuldades.
Sinestro estava disposto a derrotar Jordan usando exclusivamente o poder de seu anel amarelo – não por princípios éticos, morais ou de honradez (dos quais sempre fora exemplo, em seu passado como Lanterna Verde), mas para humilhar seu adversário e mostrar-lhe sua superioridade. Contudo, a frustração crescente de seu insucesso e seu ódio desmedido por seu adversário o levaram a tomar outras medidas que, embora não provocasse a sensação de êxtase que a derrota humilhante de Jordan lhe daria, a satisfação de vê-lo derrotado era suficiente.
O vilão tentou, em vão, colocar o anel usurpado de John no anelar de sua mão esquerda. Porém, mesmo ciente de que só poderia usar o anel quem fosse por ele escolhido, sua vasta experiência como Lanterna Verde e seu poder corruptor como Lanterna Amarelo o credenciou a fazer uso de parte da energia do anel de John em seu benefício, aumentando seus poderes e sobrepujando Jordan com a potência de um soco de energia muito mais potente que o normal, atirando- o contra um prédio e deixando-o desacordado.
Uma imensa mão desenhada pela luz amarela do anel de Sinestro suspendeu Hal Jordan pelo pescoço.
— John, pegue seu anel de volta – Hal disse, quase sem voz.
— Eu... Eu não posso. Eu não sou mais um Lanterna. Não sem o anel. – Ele respondeu.
— Você é, John... Não é o anel que faz de você Lanterna Verde... É a vontade indomável em seu coração...
John sorriu, emocionado. Hal tinha razão... Ele sempre será um guardião. Com ou sem anel!
— Eu, John Stewart Diggle, guardião do setor 2814, sou um Lanterna Verde – Ele anunciou, antes de recitar o juramento solene de sua Tropa:
“No dia mais claro.
Na noite mais densa.
Nenhum mal escapará à minha visão
E aqueles que cultuam o mal,
Temam o meu poder
A LU Z DO LANTERNA VERDE!”
Seu anel parecia revigorado pelo juramento, sendo atraído para John de imediato. Envolvido pela energia esverdeada, que o transformou novamente em Lanterna, as chances de vitória de Sinestro, contra dois adversários poderosos, eram nulas. Já que ambos, agindo em consonância, o cercaram a ponto de inutilizar qualquer tentativa de fuga.
Sinestro fora derrotado e levado à Oa, onde os Guardiões decidiriam sua sentença, após um julgamento.
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