Broken Hearts
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Notas iniciais

♣ ♣ ♣
“Quando tocar o seu filho pela primeira vez
irão nascer tantos sentimentos novos dentro de você,
que você sentirá, sem saber dar nomes aos sentimentos.”
(Enide Santos)
♣ ♣ ♣
♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣
— Como está se sentindo, mestre Bruce? – Alfred perguntou com o tom de polidez habitual, observando a tela do ultrassom.
— Pra ser honesto, bem demais pra ser verdade. – O tom um tanto aborrecido da resposta não surpreendera o inglês, acostumado ao contrassenso de Bruce, aborrecido com a causa de seu bem-estar. – Pelo menos o joelho direito parou de doer e eu consegui chutar a cabeça do Ralph com a perna direita esticada. Há duas semanas, eu mal podia levantá-la num ângulo de 45º.
— Quem é Ralph? – Damian entrou na baía médica da caverna com Tim.
— É o boneco de borracha da sala de treinamento. – Damian deu ao irmão adotivo um olhar interrogativo – Ralph Dibny é o nome do Homem-Elástico!
— E então, Alfred? – Bruce cortou a conversa dos filhos. Enquanto o mordomo entregava-lhe as imagens de todas as radiografias e ultrassons feitos durante a tarde na caverna, além dos relatórios dos exames de sangue completo e urina, bem como do eletrocardiograma e dos testes físicos.
— Seu bem-estar físico não me surpreende, senhor. Ainda menos, a ausência de dor em seu joelho e a recuperação total do movimento da perna – Bruce quando Alfred se divertia dando-lhe respostas irônicas. – A cartilagem de ambos os joelhos foi completamente reconstituída.
O inglês prosseguiu:
— Seus ossos sofreram um processo semelhante de melhoramento, mestre Bruce. Eles não possuem quaisquer evidência de traumas anteriores. E os exames de sangue estão normais.
— Eu diria que o senhor está no auge de sua condição física, senhor. Mas não o de seus 37 anos, e sim aos 30. É como se seu corpo não tivesse sofrido nenhum trauma nesses 17 anos como Batman. – Alfred finalizou.
“O poço poderia ter feito isso há muito tempo”, Damian sussurrou para Tim. Que mandou o irmão ficar quieto, pois sabia que Bruce não levaria a notícia com parcimônia, conhecendo o temperamento do pai.
— Os deuses de Diana devem ser os responsáveis – Ele comentou com raiva.
— Você deveria ficar feliz, Bruce. – Tim tentou ponderar, para que Bruce não brigasse com a esposa.
O olhar de ‘fique fora disso’ foi o suficiente para todos ficarem cientes de que não deveriam se meter.
♣ Gotham City || Telhado da Catedral Basílica ♣
>— 2 meses depois
Era uma noite chuvosa e a figura ‘invisível’, engolida pela escuridão da noite, agachada entre as Gárgulas, sentia a água da chuva escorrendo pela mandíbula nua. Ele estava satisfeito por não sentir dores nos joelhos e apreciara o longo tempo que voltou a desfrutar de sua posição clássica de vigília (agachado entre as assustadoras criaturas místicas no topo da igreja), observando a cidade, esperando o momento de defendê-la.
Para tristeza de Alfred, o casamento, a gravidez de sua esposa e a vida em família não mudaram em nada a dedicação obsessiva do Batman à missão – e, para sermos honestos, o bem-estar físico que lhe fora concedido por Perséfone, restaurando fraturas, estiramentos e/ou desgastes nos músculos, ossos e cartilagens, fora quase 80% investido na missão.
Era injusto dizer que ele não se dedicara com afinco à família – para os padrões dele, obviamente. Que antes eram praticamente nulos. Mas também não seria correto dizer que ele transformara-se em um pai de família amoroso, dedicado e presente. O benéfico de estar em plena forma foi bem mais usado em prol de Gotham: nas patrulhas mais intensas, nas lutas (onde ele era mais ágil), no treinamento e na Liga.
Todavia a sorte na vida que lhe faltara quando perdeu seus pais, lhe sobrava nesta fase da vida. Qualquer outra família se ressentiria por isso. Mas não a sua...
Bruce Thomas Wayne teve a sorte de formar uma família, cuja profundidade do amor altruísta por ele reconhecia a grandeza de seu amor nas pequenas atitudes – que para os outros seria muito pouco; e para eles, que sabiam o quanto é difícil para Bruce amar e deixar-se ser amado, era muito.
Diana, Alfred, Tim e Damian não lamentavam vê-lo mais envolvido com Gotham e a Liga que presente em casa, com eles. Bruce estava vivendo uma relação familiar – que ele considerava impossível – porque aceitou experimentar viver ao lado de pessoas que se encaixavam perfeitamente em todas as partes de sua vida.
(...)
“Oráculo para Morcego... Na escuta, B?” – A onda vibratória do chamado de Bárbara no comunicador auricular soou em seu ouvido.
— Algum problema fora de Gotham, Oráculo? – Batman indagou, preocupado com Diana – O firewall do meu computador não emitiu nenhum alerta.
“Nada fora da patrulha, Bat... Na verdade, eu não estou certa de que é um problema. Mas eu tenho observado uma movimentação suspeita nos últimos dias e minha intuição me diz que há algo de errado”, A ruiva explicou, sem pressa. Era uma suspeita. Não uma chance inequívoca de problemas em Gotham.
— Você vai explicar ou preciso lembrar que não sou um marciano leitor de mentes? – Ele respondeu no modo Batman, ríspido e sem paciência para rodeios.
“Há 4 dias, meu sistema de vigilância de rastreamento do seu traje me mostrou que alguém está te seguindo, longe o bastante para ficar fora do raio de detecção da armadura”.
Bruce não respondeu e ela sabia que ele estava intrigado.
Após uma longa pausa, ele disse:
— Eu vou atraí-lo!!
Bárbara não precisava dar-lhe qualquer informação da localização de quem o seguia. O grande detetive seguiu um caminho que o ‘stalker’ precisaria se aproximar para não perdê-lo de vista. Mas, após alguns quilômetros, Batman percebeu que quem o seguia, tomou seu próprio caminho.
“É como se ele/ela soubesse que eu o descobri”, ele pensou e descartou o pensamento. Porque quase ninguém conhece suas táticas.
Intrigado, ele pôs-se a seguir seu observador... E quando se deu conta para onde ele estava indo, seu coração disparou.
♣ Gotham City || Distrito de East End ♣
Red Robin se segurou para não rir da irritação evidente do Robin. Damian era uma versão poket de seu pai e, tão divertido quanto ver Bruce carrancudo por motivos ‘não-trágicos’, era ver Damian reproduzir a mesma expressão, que em Bruce causava medo e no mini-Bruce, era hilário.
Dick estava muito ocupado com os Titãs, o que acabou estreitando os laços entre eles. E para sua surpresa, também com a rainha, mãe de Diana. Às vezes, ele a observava olhando para Damian com o olhar triste, como quem sente saudade.
“Red e Robin, estejam alertas... Alguém está indo na direção de vocês”, Batman os informou pelo comunicador.
— Quem? – Tim perguntou.
“Não sei... Mas a ordem é não enfrentá-lo até sabermos com quem estamos lidando. Ele/ela parece estar nos observando apenas. Mas quero que os dois mantenham a guarda até que me junte a vocês”. Batman deu a ordem.
(...)
“Você deveria tirar esse meio sorriso do seu rosto, seu idiota”. A persona desconhecida se repreendera em vão, sem conseguir desfazer-se da expressão satisfeita. No entanto, servira-lhe como lembrete de que não tinha motivos para exibi-lo.
A verdade é que ele foi pego de surpresa e não pode conter a reação imediata às emoções despertadas naquele momento. Não estava preparado para experimentar qualquer outra sensação que não fosse raiva, mágoa, frustração e... O ódio em alta concentração.
Ele observara o Batman e seus ‘ajudantes’ de longe por dias, mas hoje, quando viu o quanto “o velho Bat” continuara um vigilante ágil e furtivo, saltando sobre tetos e telhados, ele não conteve a breve exibição de sua reação inconsciente de satisfação.
Ele imaginou que iria deparar-se com um homem triste, cansado e debilitado. Após anos sofrendo o flagelo de Gotham no corpo e na alma.
Mas o maldito detetive ainda era formidável!!
(...)
Do alto do edifício paralelo ao topo do prédio que era base de vigilância de Tim e Damian, ele viu a chegada do Morcego. Ele podia sentir o calor das turbinas do jato sobre eles. E saltou para borda do parapeito, retesando os músculos do corpo, formando os punhos com força e rangendo os dentes, quando o Batman saltou da cabine e tomou a frente deles, de forma protetora.
Após um breve momento de silêncio, com ambos estudando um ao outro, como gênios enxadristas, numa partida de xadrez que lhes vale a vida, ele observara a adição de mais um aliado de Bruce.
Em sua memória, ele não era um homem alto (um pouco menor que o Batman), vestindo um traje todo negro – à exceção do azul que dá cor ao totem de um pássaro, pintado sobre o kevlar que protege o peitoral. O exímio acrobata lhe parecera agora um lutador ainda mais espetacular que outrora. E, como esperado, ainda aliado ao Morcego.
Contudo, sorriu cinicamente, quando percebera que essa mudança também era um indício de rusga ou afastamento de seu ‘mentor’. E estando ‘por conta própria’, seria um ótimo parceiro para se juntar a ele.
Uma lágrima solitária, como ele, correra sobre a maçã de seu rosto coberto.
Não era o choro de um lamento.
Tampouco a reação do corpo expressando a natureza de seus sentimentos.
Não era sinal de sua dor.
A ele fora negado o direito de chorar, porque nem mesmo um choro derramado por 100 anos seria o equivalente para lavar sua alma da dor.
A única lágrima vertida era o lembrete de sua sentença: a crueldade de uma vida solitária, de isolamento e desejo de vingança; sem nunca experimentar a sensação de ter sido verdadeiramente amado.
(...)
— Quem é você e o que quer? – o Batman rugiu.
— Sou seu pior pesadelo, Morcego... – O homem sentenciou, com a voz alterada como a do herói – Você é a Vingança para o mal de Gotham. Eu sou a Vingança contra você.
— O que faz você pensar que é melhor que qualquer um dos loucos que tentaram me derrotar e falharam?
Ele desviara de uma resposta, irritando Batman:
— Mamãe leõa protegendo os filhotes... Mas nós sabemos que você não pode protegê-los, não é? Eles são seu ponto fraco. Seus meninos perdidos... Estúpidos o bastante para acreditar que você é um herói.
E prosseguiu:
— O grande Cavaleiros das Trevas... Eu sou a noite... Eu sou a vinagança... MENTIRA!! VOCÊ NÃO É NADA. VOCÊ NÃO TEM A PORRA DOS COLHÕES PARA VINGAR NINGUÉM. Você não se importa o suficiente para vingar ninguém, velho – o detetive atentou para o fato de que o intruso falava como se o conhecesse.
— Eu sou o espírito da vingança, Batman. Eu vou vingar cada pessoa que sofrera nas mãos do lixo crinoso de Gotham que você não tem coragem para se livrar... Eu vou fazer o que você é incapaz: me livrar permanentemente deles.
— Saia da minha cidade, ou eu vou chutá-lo para fora. Não quero justiceiros fazendo carnificina.
— Se você tivesse se livrado dos psicopatas sádicos, teria evitado muitas mortes.
— Matá-los só vai instigar o dobro de loucos como eles.
— Vamos ver quem tem o método mais eficiente... Batman.
Antes de saltar na escuridão na noite, o estranho soltou em um sussurro baixo, captado pelo transmissor no capuz:
“Ou devo dizer, senhor Wayne?”
♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣
— Minha senhora, é meu dever expressar novamente que sou terminantemente contra suas ações nas últimas 2h – Alfred tentara, pela 5ª vez, demovê-la de sua ideia de decorar o quarto dos gêmeos por conta própria. Mas não era uma desaprovação por motivos de conflitos estéticos e sim de saúde. – Leslie recomendara-lhe repouso, dada sua condição.
O inglês havia se juntado a ela na tarefa, já que não teve sucesso em fazê-la descansar. Mas suas preocupações atingiram o ponto alto quando, após quase duas horas gastas em montagens de alguns móveis e prateleiras, pintura, limpeza e arrumação, Diana flutuava até o topo de uma das paredes, aplicando o papel de parede.
O modelo arquitetônico da mansão datava do século XVIII e, consequentemente, suas dimensões refletiam alguns dos exageros da época. À exemplo da quantidade e tamanho de seus cômodos; e, para aflição de Alfred, da elevação do teto.
Para ele, não era a Mulher Maravilha que estava ali, mas a senhora Wayne, esposa de seu amado Bruce, mãe de seus netos. Uma mulher com os pés inchados e com dores na coluna, com um lindo barrigão imenso e com a pressão alta, subindo 4m6cm, pedaço por pedaço, para colar o maldito papel de parede.
Ele sabia que ela estava sentindo dor, mas seu orgulho amazônico – emparelhado em nível de teimosia ao orgulho morcegônico – certamente a impedia de admitir sua (o que ela via como) fraqueza.
Com a rainha tomando uma semana de volta à Ilha Paraíso para cudar de demandas de sua posição de regente, o mordomo não poderia usar o infalível recurso de ‘não faça isso ou vou chamar sua mãe’ em seu favor.
Diana estava com quase 32 semanas de gravidez. O equivalente a 8 meses. E apesar dela e das crianças gozarem de boa saúde em geral, os raros picos de pressão eram preocupantes.
Alfred agradeceu a Deus suas habilidades de guerreira terem-na preparado para lidar com a dor. Ele viu quando ela gemeu, com uma mão no fim da coluna, arqueando o corpo para trás. Ela desceu muito lentamente para cama de apoio do quatro dos bebês, com um líquido escorrendo pelas pernas e a expressão dolorosa no rosto.
— Alfred... – Era um sussurro pedindo-lhe ajuda.
Ele a acalmou com toda sua experiência sábia e silenciosa.
— Está na hora, minha querida. Devo tomar as medidas para receber as abençoadas novas vidas do pequeno mestre Thomas e senhorita Sarah.
— Alfred, você faria uma coisa muito importante pra mim?
— Obviamente, minha senhora.
— Eu li que para seu povo bretão, regras de etiqueta e conduta são inquebráveis. Eu também sei que você não se sente confortável sendo informal com todos nesta casa... Eu respeito isso, Alfred. Muito... Mas, no caso das crianças, a logica é inversa.
O mordomo sorriu quando soube onde ele iria... Sábia amazona.
— Eles são seus netos... E logo eles irão chamá-lo de vovô... E se o vovô falar com eles com formalidade, eles irão pensar que você está bravo. Além disso, eu pesquisei sobre etiqueta e é descortês usar pronomes de tratamento em conversas informais entre pares ou parentes... Não envergonhe sua rainha Elizabeth fugindo a regra, Alfred.
— Eu ficarei feliz em manter-me fiel às regras, senhora wayne. Mais alguma coisas? – o mordomo sorriu
— Não se preocupe... Eu não pretendo achar um modo de obrigá-lo a me chamar de outra forma. Eu gosto do som de Senhora Wayne!!
Ela sorriu para seu querido Alfred.
(...)
Fazendo jus à sua personalidade controladora-obscessiva, Bruce tomara todas as providências para que o parto fosse realizado na mansão. A menos que alguma complicação no quadro clínico de Diana exigisse o deslocamento para ala médica da Torre da Liga.
Ele reconfigurou a ala médica da caverna, mais bem equipada que o complexo hospitalar mais moderno dos melhores hospitais da América, com equipamentos, medicação e tudo mais que fosse necessário nos cenários de possíveis problemas no parto.
Ninguém ficou surpreso quando ele lhes entregara o ‘Protocolo Greco-Hebraico’ – Nome códico do relatório com seus planos de ação para o dia do parto de Diana. Detalhando o que cada um deveria fazer, em todas as situações possíveis (para ele, claro). E Dick e Tim estavam lutando para não rir de algumas.
Usando uma linha segura de comunicação, apenas a família, com exceção de Leslie, Clark e J’onn, seria informada sobre o início do trabalho de parto. Bruce queria evitar que a notícia se espalhasse e chegasse ao conhecimento de algum vilão que se aproveitaria do momento.
Alfred levara Diana para a suíte principal, onde ela, sua mãe e seu esposo decidiram que ela daria a luz. Semelhante ao filho gerado em seu coração, o inglês era obcecados por controle e tudo fora previamente preparado para o nascimento dos Waynes.
Ele e Leslie acompanharam as duas primeiras horas de contração, que Diana parecia suportar sem maiores problemas – já acostumada a lidar com a dor em uma escala muito maior.
J’onn estava presente para o caso de complicações derivadas da meta constituição celular de Diana, que Leslie não dominava. Ele, Clark e Lois estavam na ante-sala da suíte, esperando Hipólita, Bruce e o clã dos Morcegos.
“Bruce... Por que ele não... Onde ele... está?”, a pergunta veio entre as contrações. Para sermos justos, ninguém poderia acusá-la de exigir que ele estivesse com ela, quando jurou que compreendia e admirava o fato de que sua prioridade era Gotham.
Ela desejava que ele estivesse ao seu lado no momento mais doloroso e incrível de sua vida, mas isso não era nada comparado ao medo torturante que a ausência indicava: ele poderia estar gravemente ferido ou... morto.
Era quase 1h da madrugada quando a rainha entrou no quarto e Leslie tocou a medalha de São Francisco de Assim para agradecer a providência divina. A presença da mãe evitara que a pressão de Diana se elevasse por causa da preocupação com Bruce.
♣ Gotham City || Docas ♣
Clark ouviu Damian resmungar que “o pai está ocupado”, ofegando como se estivesse correndo, quando pediu para trazer seu pai para casa.
O coração de Bruce acelerou quando Bárbara lhe disse que seus filhos poderiam nascer a qualquer momento. Ele já vivenciara muitas situações em que era obrigado a escolher entre a missão e um relacionamento. Mas Gotham sempre teve um peso maior na balança... Até agora. Era a primeira vez que ele estava dividido entre Gotham e a família, por igual.
Seu coração dizia para ir para casa, ficar ao lado de sua esposa, viver a experiência de estar presente na hora que seus filhos nascessem. Mas o Batman tinha um argumento mais convincente: Ele precisava perseguir e capturar o homem que conhecia sua identidade. O desconhecido era uma ameaça à segurança de sua família.
Batman, Asa Noturna, Red Robin e Robin suspenderam a procura depois de horas sem qualquer pista do paradeiro do estranho. Era como se ele fosse um fantasma... Que podia desaparecer sem deixar vestígios.
♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣
Bruce saltou do Batwing em velocidade e banhou-se no vestiário da caverna, antes de entrar. Ele esperava que sua esposa não estivesse muito desapontada por ele não estar ao lado dela desde o primeiro momento. Mas todas as preocupações se tornaram desimportantes quando a viu.
Diana levantou os olhos na direção dele e sorriu, no breve intervalo de tempo entre as respirações ritmadas. Ele esperava encontrar sua esposa desapontada com ele e não a expressão carinhosa de alívio em seu rosto.
“Estou aqui, princesa... Estou bem aqui!!”, ele sussurrou, massageando suas costas.
Bruce riu para si mesmo, ao tomar consciência do quão perdidamente apaixonado ele era por Diana. A realização se dera quando a visão da imagem de sua esposa refletida no espelho era a coisa mais linda do mundo – no sentido mais estupidamente fofo da palavra.
O que ele poderia fazer?
Se, para ele, Diana era perfeita mesmo agora, com o cabelo desgrenhado, preso em rabo de cavalo, com algumas mechas desalinhadas caindo sobre a testa, e laterais das bochechas; mesmo o rosto suado, exibindo algumas expressões de dor, a deixara menos encantadora.
— Eu devo... 100 dólares... ao Kal – Diana estava tentando desviar sua mente de se concentrar na dor. Ela sabia que a distração era um paliativo para amenizá-la.
— Em primeiro lugar, o nome dele é Clark – Seu marido respondera sem o tom irritadiço habitual de sua implicância ciumenta – C. L. A. R. K. Clark Jonathan Kent... Kal nem mesmo é um nome. Quem diabos tem um nome com uma sílaba? Isso é nome de cachorro!
A gargalhada de sua esposa o deixara feliz.
— E por quê? Qual o motivo? – Bruce indagou quando o riso dela foi perdendo a intensidade.
— Eu apostei com ele que... se você estivesse patrulhando... quando as crianças nascessem... – ela começou a rir antes de terminar – Você viria conhecer seus filhos vestido de Batman.
— Eu pensei nisso, princesa!
Diana riu o olhou para seu marido com afeto.
Bruce voltou-se para sua esposa, que estava olhando para ele. Um olhar assustado consumiu seu rosto e ele podia sentir a tensão que ela segurava dentro dela.
— Diana, eu preciso examinar você para verificar a dilatação – Leslie dissera. – Apenas relaxe, dobre seus joelhos e aponte-os para as paredes laterais.
Diana fez o que a médica pedira e tentou relaxar.
— 8 cm. Você está indo muito bem, Diana.
(...)
Sentada na varanda, desfrutando o chá de tâmaras e pêssegos de Themyscira que Alfred adorava, Hipólita manteve seu olhar fixo no Batman e sua filha. Como rainha e mãe, uma pequena parte dela preferia que Diana tivesse se unido ao ‘Filho de Apolo’ – o Superman. Mas a maior parte dela agora, aceitava e entendia as escolhas da filha.
Diferente de Kal-El, esculpido sem esforço pelo sol de Apolo, Bruce dedica-se incansavelmente para manter corpo e a mente à perfeição. Ela quase perdeu a fala quando viu as cicatrizes em seu tronco e braços – por um segundo, ela invejara sua filha. Ele era um guerreiro formidável e, quando não estava envolvida na construção da embaixada de Themyscira, ela gostava de assistir o treinamento dos filhos de seu genro.
Alfred era um exímio espadachim – embora ela odiasse aquela agulha que ele chamava de florete – Mas o treinamento do Batman era mais rigoroso e ela gostava disso.
O tempo com a nova família de sua filha acabara por despertar sentimentos adormecidos por milênios. Ela jamais abdicaria de sua coroa, por amor ao seu povo e não por vaidade. Mas seu desejo de formar uma família, vendo a felicidade da filha e experimentando a vida em família com os Wayne, cresceu.
Especialmente por causa do menino que tinha o sangue de seu pai.
Se Damian fosse uma menina, certamente seria uma amazona. E, indubitavelmente, poderia ser sua filha, filha de Hipótlita, irmã de Diana.
Ele herdara o espírito guerreiro de seu pai e sua mãe Talia; tinha um gênio feroz e valente; Damian a fazia lembrar a si mesma, há milênios, na infância, quando seu povo não havia sido abençoado com a imortalidade. Mas especialmente, o menino a lembrava sua irmã Antíope.
♣ Lar da família Wayne || No mesmo lugar em que seu pai nascera ♣
>— 5h45 || Janeiro de 2000
A contração estava terminando e Diana levou uma inalação final pelo nariz e expirou lentamente pela boca. Ela gritou pela primeira vez e as pessoas na ante-sala sabiam que os gêmeos iriam nascer logo. Já que não a ouviram gritar nenhuma vez.
— Está na hora. Diana, quero que inspire e faça força para empurrar.
A amazona assentiu e a sinfonia de gritos de dor, ‘força’, ‘empurre’, ‘Você é a campeã dos deuses, Diana. Empurre... Empurre...’.
Ela estava exausta. Como se seus poderes estivessem indo embora... Ela não tinha mais força para empurrar.
‘Escute, meu pequeno sol e estrelas... No momento em que as amazonas começam a parir, perdemos nossos dons para evitar machucar ou matar a criança por acidente. Se mantivermos a força, uma reação involuntária no momento da passagem do bebê seria trágico. Por isso, parimos como as mortais... E você precisa continuar a fazer força’.
Ela conseguira... Metade de sua missão fora cumprida.
Sarah Wayne chegou ao mundo às 5h45 da manhã, sob o último véu da sombra da noite, quando Gotham ainda se preparava para ser iluminada pelo sol da manhã. Saudada pelo fim da noite, como se tivesse segurando-se para dar um vislumbre do rosto de sua pequena princesa.
Leslie a entregara a Alfred para desobstrução do nariz, orelhas e afins.
Antes de banhá-la para limpar os resíduos da placenta, Alfred a envolveu em uma manta como um envelope, e a colocou nos braços de seu menino Bruce, absolutamente agradecido por ele estar tão focado em sua filha, que não vira as lágrimas do velho homem tolo, incapaz de manter sua polidez diante da felicidade exorbitante.
Bruce a levou à mãe, que a envolveu em um abraço por um breve momento, devolvendo-a ao pai. As contrações haviam voltado com força e agora era hora de completar a missão mais importante de sua vida.
Thomas Thaddeus Wayne nascera às 6h20 de uma manhã ensolarada incomum em Gotham. Era como se o sol viesse saudar o pequeno recém-chegado. Alfred repetira o processo e deixou o menino nos braços de sua mãe, quanto banhava sua irmã.
Com o filho nos braços, Diana deu-se o direito de chorar copiosamente na frente de Bruce, sua mãe, Alfred e Leslie. Um choro que não envergonhara seu povo, porque não era dor, medo, covardia ou perda. Eram as lágrimas aliviadas do guerreiro que chega ao fim da batalha, tendo cumprido seu dever.
(...)
Escondido, afastado dos demais, no banheiro da suíte, o mordomo entoava baixinho a antiga canção com a bênção irlandesa que sua mãe cantava para ele todas as noites, enquanto banhava seus pequenos mestre Thomas e Senhorita Sarah.
Que o caminho seja brando a teus pés,
O vento sopre leve em teus ombros.
Que o sol brilhe cálido sobre tua face,
As chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que eu de novo te veja,
que os Deuses te guardem nas palmas de Suas mãos
Que a estrada abra à sua frente,
que o vento sopre levemente em suas costas,
que o sol brilhe morno em e suave em sua face,
que a chuva caia de mansinho em seus campos.
E até que nos encontremos de novo...
Que os Deuses guardem, você na palma das suas mãos.
Que as gotas da chuva molhem suavemente o seu rosto,
que o vento suave refresque seu espírito,
que o sol ilumine seu coração,
que as tarefas do dia não sejam um peso nos seus ombros,
e que Deus envolva você no seu manto de amor.
(primeiros cristãos)
Ele limpou as lágrimas antes de entregá-los aos pais. Decerto, seu comportamento era uma gafe deselegante. Contudo, quem poderia culpá-lo por não ser capaz de conter a força do sentimento de felicidade daquele momento?
Não era apenas um ou dois eventos felizes, mas a soma de vários...
Sua razão de viver; seu menino sofrido; o filho que seu coração gerou... Desde que entrara para Liga, não era mais tão solitário. Ele tinha amigos que o amavam e colegas dispostos a ajudá-lo em sua missão, que agora também já não era o exercito de um só. Inspirados por ele, outros heróis da cidade também patrulhavam Gotham e combatiam o crime.
Bruce finalmente assumira seu amor e deixou-se amar pela bela heroína que lhe capturara as atenções e, então, seu coração. Ele tinha certeza do sucesso do relacionamento entre eles, porque Diana se encaixava perfeitamente em todos os aspectos da vida de Bruce. Como conter a felicidade de um pai, diante do alívio de perder o medo de morrer. Alfred não tinha o direito de morrer. E o pânico de partir e deixá-lo sozinho, causava-lhe dores físicas. Como conter a alegria de saber que pode descansar em paz, porque Bruce tem uma relação sem data de validade, amigos e filhos que irão confortá-lo.
De pé, com Leslie ao seu lado, o incentivando à quebra dos protocolos, ele permitira-se a indulgência de um abraço, estendendo os braços para Bruce.
O velho inglês inalou o cheiro de Bruce e foi relaxando aos poucos, protegido dentro de um abraço. Alfred era 10 cm mais baixo de ele e, apesar de manter-se em pena forma, sua elegante estrutura esguia, fora completamente engolida pelo Golias de 1m92, com um monstruoso peitoral 3cm mais largo que o do mestre Kent e braços longos como de um gorila... Embriagado com o calor aconchegante do abraço de Bruce, Alfred ousou recostar a cabeça no ombro dele. E chorou em silêncio... Porque sua felicidade era a felicidade de Bruce.
Alfred iria levar os gêmeos devidamente arrumados para conhecer os tios. Mas sugerira que antes, Bruce e Diana tivessem um momento a sós com os filhos.
(...)
Bruce colocou os filhos em cima da cama delicadamente e estendeu a mão para sua esposa. Um convite para que ela levantasse... Ela o observou selecionar algo no display da Tv e uma canção começou a tocar.
Am I blue? Am I blue?
Ain't these tears
In my eyes tellin'g you?
Am I blue? You'll be too,
If each plan with you man
done fell through
— Me concede esta dança, minha princesa? – Ele tomara-lhe a mão e cavalheiresco, beijou os nós dos dedos.
— Você quer dançar agora? – Diana sorriu, ainda com os olhos marejados.
Bruce apoiara a esposa em seus braços, balançando lentamente ao som da voz melodiosa de Ray Charles, cantando a canção mais importante para eles. A música que a memória guardava como prova do quanto ele a amava, sacrificando a dignidade do Batman.
Was a time I was his only one,
But now I'm the sad
and lonely one,
"Lawdy," Was I gay? 'til today,
Now he's gone and we're through
— Obrigado, Diana! – o barítono estava suave, emocionado.
— Eu amo você, senhor Wayne – Ela respondera.
— Obrigada por não desistir de mim, princesa. Mesmo quando eu já tinha desistido.
— Bruce... – ele respondeu com um fraco ‘hum’ – Nós nunca terminamos nossa dança em Paris. Você promete que vai me levar à Paris?
Ele parou de dançar e ergueu o queixo dela, para trazer o olhar de Diana para os seus.
— Princesa... – O tom macio e sedutor do barítono, o clássico meio sorriso e o brilho predatório em seus olhos enviara onda de choque por todo corpo de Diana. Ele era todo palyboy, seu playboy – Se você tivesse a mínima ideia do poder que tem sobre mim, não faria pedidos... Você faria exigências!!
Eles ficaram na cama por um bom tempo, deitados em lados opostos, observando os filhos dormirem antes de levá-los para conhecer seus amigos.
FLASHBACK ON
♣ Catmandu || Nepal ♣
— A senhora não se enganou de endereço? – O condutor da velha caminhonete perguntou com seu inglês enferrujado, que não praticava há 12 anos.
— Não – A resposta curta dizia-lhe que ela não queria falar mais.
— Mas não há nada aqui, senhora. – Ele insistiu.
Ela não respondeu.
O velho a deixou no fim da trilha, há 2km de onde pretendia ir, se ela ainda lembra a distância da entrada de uma das mais antigas bases de seu pai.
Talia Al Ghul, melhor dizendo... Miranda Tate arrastou um peso 20k acima do seu, por 2,4km, sem sequer envergar a coluna. A agora ruiva era uma mulher forte, gozando do máximo condicionamento físico, graças ao treinamento com as amazonas, com quem morou nos últimos três meses.
(...)
— Se eu der a ele o que ele mais deseja, talvez ele possa perdoar todo mal que lhe causei. – Ela disse para si mesma – É meu presente para você, amado.
Ela encaixou o que carregara no suporte de aço e começou a girar a roldana das correntes que moviam o suporte ao fundo de um poço fundo. Quando o suporte chegou ao fundo, ela desceu até lá.
Não havia nenhum movimento sob a água esverdeada.
E ela quase perdera a esperança.
Quando a figura emergira das águas esverdeadas do Lázarus, a força da dispersão das águas mostrara a morena a selvageria bestial que o carcomia por dentro, antes de sua expressão feroz e seu olhar de puro ódio.
FLASHBACK OFF
Salvar
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