Broken Hearts
73 Recomeços
Notas iniciais

♣ ♣ ♣
“Não importa onde você parou...
Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível recomeçar.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e,
o mais importante...
Acreditar em você de novo”.
(Paulo Roberto Gaefke)
♣ ♣ ♣
♣ Themyscira || Ilha Paraíso ♣
Ela sentiu como se retornasse a vida mais uma vez. A força vital sendo novamente drenada para seu interior. Restaurando a vida e curando os danos físicos.
A sensação do corpo sendo banhado era familiar, já que seu pai trouxe-lhe à vida dezenas de vezes, mergulhando-a nas águas dos Poços de Lázarus. Contudo, aos poucos, à medida que seu nível de consciência aumentava, ela percebia diferenças.
Ra’s a forçava a um mergulho violento. Desta vez, ela sentia seu corpo flutuar suavemente sobre as águas, nos braços de alguém; As sensações que sentia ao ser ressuscitada, eram angustiantes. Desta vez, ela não experimentou sensações ruins.
Ela abriu os olhos, mas a visão ainda turva a impediu de identificar onde estava e com quem.
Ela voltou a dormir quando uma voz feminina sussurrou: “Descanse, irmã”!
(...)
O olhar de Talia parecia vidrado observando o sol se pôr no horizonte, enquanto pequenas ondas à beira-mar lambiam seus pés. Na última semana, ela repetira o mesmo ritual, refletindo sobre sua chance de fazer as escolhas certas na vida.
Ainda que a contragosto, ela aceitou a proposta de Diana para passar um tempo na Ilha.
Após ser curada no Templo de Hera, que permitiu que Apolo e Demérter a curassem em virtude do que fizera por sua campeã.
Para sua surpresa, ela admitiu que a amazona estava certa quando disse-lhe que era o único lugar onde seu pai não poderia encontrá-la. Mas o mais surpreendente era o fato de sentir-se tão bem naquele lugar, com aquelas mulheres.
Talvez pela familiaridade com os hábitos cotidianos das amazonas (treinamento, disciplina, ordem, hierarquia); por deslumbrar-se com as belezas da Ilha; por estar em paz tendo deixado seu pai, livre do medo estressante de que ele a encontre; por desfrutar a vida pela primeira vez, tomando as rédeas dela... A verdade é que tudo isso estava fazendo o bem que Talia precisava.
Talia Al Ghul havia morrido.
Miranda Tate estava renascendo.
Ela estava curando...
O sacrifício que ela fez por amor era sua chance de renovação.
Era seu recomeço!
♣ ♣ ♣
♣ Watchtower || Órbita da Terra ♣
“Uma espada de Kryptonita? Quem pensaria nisso?", a ruiva thanagariana perguntou baixinho. Se a pergunta não fosse retórica e alguém se atrevesse a responder, por mais doloroso que fosse admitir, ‘o Batman’ seria uma resposta mais plausível até mesmo que Ra’s.
“Nem Luthor pensou em balas de kryptonita e armas para ferir de forma letal o Superman”, John comentou cochichando, completando “Com inimigos como o Coringa e Ra’s é fácil entender o comportamento do Batman”.
Alguns membros ‘do alto escalão’ da Liga, seniores e fundadores, estavam na ala médica, ao redor da cama onde estava o Superman. Todas as atenções deixaram o Homem de Aço por um momento, e focaram na figura inesperada recém-chegada do Batman. Apesar do traje esconder sua expressão, havia uma mudança sutil nele que deu aos leaguers um vislumbre da dor que ele estava carregando. Silenciosamente, um por um, Shayera, John, Barry, Cyborg e J’onn saíram, deixando Diana e Bruce sozinhos com seu amigo.
"Você não é responsável", disse a amazona, quase sussurrando, dirigindo o olhar para Bruce, que olhava fixamente para o homem sobre a cama.
Diana havia acabado de ser teleportada de Themyscira, mas preferiu deixar para atualizá-lo sobre a condição de Talia mais tarde.
"Ele ficará bem, Bruce", por mais que fosse lógica, a afirmação de Diana não dissipou a onda de preocupação e culpa. “Ele normalmente se reestabelece bem mais rápido. J’onn disse que você saberia por que a recuperação dele está lenta”.
Com um comando de voz, Batman ordenou o bloqueio da porta de entrada, impedindo o acesso total (como projetista e financiador da Sentinela, o Morcego era o mais alto na hierarquia de comando reconhecido pelo Sistema Operacional da Watchtower) ao recinto e o desligamento do sistema de monitoramento (câmeras e microfones)... Em seguida, removeu o capuz.
— Há mais uma coisa além da kryptonita que o enfraquece. – O tom da voz de Bruce era mais baixo que o habitual e mais alto que um cochicho. – Até Ra’s ter acesso aos meus arquivos, Clark e eu éramos os únicos que sabíamos... – Para quem não o conhecia profundamente, a postura rígida e o rosto sem expressão de qualquer emoção, era um sinal de frieza cruel. Contudo, Diana podia ler nas entrelinhas a dor que ele estava carregando.
— Ele não seria o Superman que conhecemos no planeta dele, Diana. Lá ele seria tão comum quanto eu – antes que ela protestasse, ele continuou – Eu descobri que os poderes de Clark foram meta-desenvolvidos ao extremo, após anos de exposição àradiação solar da Terra.
— Como um garoto, ele deu nome de cores aos sóis: o nosso é amarelo e o de Krypton, vermelho. – A amazona viu um rastro de divertimento seguido de tristeza nos olhos de Bruce. – O nosso o fortalece e o de seu planeta natal o enfraquece.
— Como Ra’s conseguiu usar isso contra Kal, Bruce?
— Não foi o ‘sol amarelo’ que o fez um Super homem, mas a radiação solar (raios UVA, UVB, etc). Ra’s recriou artificialmente a combinação dos tipos de raios do sol de Krypton dentro da fortaleza. A tonalidade avermelhada do ambiente não era por causa da baixa iluminação. Era pra tirar os poderes dele.
— Então é por isso que ele está demorando a curar, mesmo longe da kryptonita? – Diana desviou o rosto para a janela que mostrava o espaço antes de ouvir a resposta. Ela podia contar nos dedos à vezes que chorou na vida, mas desde que os malditos hormônios da gravidez bagunçaram suas emoções (especialmente na presença de Bruce), ela não conseguia impedir-se de chorar.
Quando Bruce a abraçou, as lágrimas discretas viraram um choro intenso, contudo, silencioso – porque ela não queria que Kal a ouvisse.
— Ele é meu melhor amigo, Bruce.
— O meu também, Diana. O meu também!
O som baixo da voz misturada com um gemido tornou as palavras incompreensíveis, mas chamou a atenção do casal para o homem na cama hospitalar. E ele repetiu:
— Eu sabia!! – Era difícil decidir entre o brilho de seus entusiasmados olhos azuis e o sorriso franco perfeitamente esculpido, o vencedor do Oscar, na categoria de Melhor Expressão de Júbilo. – Espero que as câmeras... e microfones tenham... gravado essa declaração!
Kal-El se apressou em continuar, antes que Diana e Bruce falassem:
— Eu tenho que mostrar isso a Lois... – O kryptoniano sorriu.
— Nunca, Kent... Você nunca vai ouvir isso. Foi um delírio.
(...)
O Homem Super, por algumas horas, era simplesmente um homem.
Clark viveu a experiência de ser apenas Kent, humano.
Kal-El mostrou que não são os super poderes que fazem dele um herói, mas a generosidade de seu coração – sua atitude foi heroica, mesmo sem poderes.
Foi o heroísmo de um coração que ama que começou a reconstruir as pontes da amizade que os planos de Ra’s havia demolido.
Ele estava reconstruindo pontes e decidido a abrir novos caminhos...
O sacrifício por amor o levou a reconhecer a si mesmo:
Kryptoniano (Kal) no DNA e Humano no coração.
♣ ♣ ♣
♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣
Após a ducha no vestiário da Caverna, Bruce recostou-se na cadeira vestindo um conjunto de confortáveis calças de treino – de tecido sintético leve, semelhante a uma mistura de seda e algodão – e camiseta de mangas curtas. Pretas, obviamente!
Ele estava exausto, mas ao invés do comportamento habitual de fechar-se por uma semana e de subir para o quarto para evitar as pessoas depois de passar por um desgaste físico e emocional, ele foi para onde Diana, Tim e Alfred estavam.
Devidamente banhados, Alfred levou o jovem e a amazona para a ala médica. O ultrassom confirmou que os gêmeos estavam bem e só então o mordomo assumiu suas costumeiras funções de ‘socorrista-costureiro’ pós-missões.
Alfred começou a costura de pontos com Diana, ignorando suas afirmações de que estaria curado em 24h. Depois, escondeu o sorriso quando ‘mestre Timothy’ fez breves movimentos da estranha ação que ele chama de dança – seu conceito de dança era harmonioso, não aquela bagunça que parecia o ataque epiléptico de um fantoche.
Ninguém além de Bruce perceberia o sorriso sob a máscara de polidez inalterável do inglês, quando ele sentou, esperou e depois tomou seu lugar na maca para que Alfred fizesse o que tem feito por ele há mais de 15 anos.
Tim subiu assim que o mordomo o liberou e Damian, quase desmaiou de exaustão e sono quando recebeu a notícia que sua mãe estava bem.
Enquanto Alfred executava os ‘remendos’ necessários em Bruce, Diana sentou-se na ponta da maca, um em frente ao outro.
— O que disse a ele quando eu os deixei a sós?
— Perguntei se a ideia de morrer era loucura ou apenas burrice?
— Sempre delicado como um paquiderme, não é Bruce?!
— Sabe o que ele disse? – Diana balançou a cabeça negativamente, sorrindo.
— Disse que estava pagando uma dívida – Ela não sabia se o sorriso um tanto doloroso era por causa das lesões ou da resposta de Clark – E que Ma Kent disse-lhe que padrinhos devem fazer o melhor pelos afilhados.
— Você está zangado porque as justificativas provam que não foi uma ideia estúpida que ele quase morreu pra salvar você? – Diana perguntou.
— Você e seu amigo escoteiro tomam decisões baseadas em emoções pessoais egoístas. Entre perder o Batman e o Superman, a melhor escolha, que beneficia a humanidade, seria abrir mão do Batman. – Alfred ficou em silêncio, mas algo no ambiente lhe dizia que aquelas palavras lhe doeram tanto quanto em Diana.
— E você e sua razão tomam decisões baseadas em pura lógica. Não é uma opção, é uma sentença: “pelos meus cálculos, o mais lógico é Batman morrer”. Ponto final... não tem escolha. – Alfred sorriu ironicamente para Bruce.
— Eu teria feito o mesmo por você e – Diana Continuou – e ainda que eu não possa negar que meu amor por você comande minhas ações, não é estupidez pensar que tenho mais chances de sobreviver a um golpe que seria fatal para você. Escolhas emocionais não são estúpidas, Bruce. – A amazona prosseguiu.
— Agora, Bruce, me diga... Se Kal não evitasse sua morte, quem deteria Ra’s? – Bruce não respondeu... mas Diana sorriu. – Quem é o idiota agora, detetive?
— Deus abençoe Atena, alteza. Agradeça a ela sua sabedoria por mim – Alfred ironizou.
(...)
De repente, Bruce sentiu pouco a pouco o relaxamento muscular, a dor diminuir, o estado mental totalmente alerta e desperto caindo para o nível que ele odiava: consciente, contudo, sem os filtros do controle. Ele deixava um pouco das emoções aparecerem...
— Alfred, sua velha raposa ardilosa. Como eu não vi você me envenenar com esse maldito opióide?
— Eu sempre desconfiei que Alfred fosse um meta, Bruce?! – Diana riu.
— Eu não o agradeci, Alfred... Eu nem sequer disse obrigado – Ele olhou para o inglês com uma expressão rígida e um olhar triste que lamentava tê-lo decepcionado.
— Não precisa, Bruce... Ele sabe que você é grato pelo que ele fez – Diana se adiantou e sentou-se ao lado dele na maca – Assim como ele sabia, antes de você admitir, que é seu melhor amigo.
— Agora, eu tenho que viver com o fato de que ele quase morreu pra me salvar... Não está certo!
Diana entendeu. Não era só pela lógica, como ele disse. Ele se sentia culpado por Superman quase morreu pelo Batman.
— Este mundo precisa do Superman mais do que precisa de mim, princesa.
— Você está certo, o mundo precisa do Superman. Talvez até mais do que precisa do Batman. Mas o Superman precisa do Batman, Bruce. A Liga precisa do Batman. Eu preciso do Batman. Damian, Dick, Tim, Alfred... Nós precisamos do Batman.
♣ Uma semana depois ♣
O céu mostrava uma grande quantidade de estrelas, enquanto a lua cheia, com toda a beleza e o mistério dela, brilhava como um aconchego reconfortante de luz.
Dentro da caverna, diante do Cavaleiro das Trevas, a mulher era capaz de capturar o amor de qualquer homem. Seus lábios carmesim brilhando como um rubi e os olhos eram como jóias estreladas. O olhar poderoso, que guardava um espírito inquieto e luminoso. Tudo parecia perfeito. Como o cinema noir francês.
A Princesa das Amazonas mostrou o olhar de paciência enquanto um sutil vento fresco soprava da ventilação pelos fios grossos de seu cabelo cor de corvo e as pontas de seu vestido azul pálido balançavam sutilmente. Ela estava esperando que seu amante, futuro marido, amor de sua vida, voltasse da lida que ele suporta todas as noites, em patrulha.
A figura negra capturou a visão da moça, ao sair do veículo para caverna. A mulher que parece ter consertado seu coração e o fez ansiar para voltar para casa, para sua família. A única que levou embora a dor dos pesadelos, fazendo-a desaparecer em seu caloroso abraço.
Ele passou pelas escadas e sentiu o doce aroma de rosas e jasmim de seu amor. Ele olhou para a princesa.
— Princesa – Ele sussurrou em um tom calmante, com uma pitada sombria. A palavra saia da boca dele como se fosse ambrosia, dada pelos deuses.
O rosto de Diana iluminou-se com alegria imensurável. Batman subiu os degraus de pedra, mantendo um olhar fixo de seu fascínio. Sua longa capa balançava a medida que ele caminhava. Sua íris estava cheia de desejos que ele já não precisava manter escondidos. Seus lábios foram formando uma linha reta, enquanto ele respirava seu cheiro sedutor de jasmim. Toda fibra de seu corpo sentia a combustão que estava se formando em cada fibra do ser. Deus, ele a amava, a desejava, a queria.
Diana aproximou-se e olhou para as marcas de desgaste da armadura, em virtude das lutas que vem lutando, além da mancha avermelhada seca no canto do lábio. Sua mão quente tocou a carne reluzente do homem morcego.
A mão enluvada capturou a dela e segurou-a firmemente. Ela olhou fixamente para a escuridão de seus olhos e viu a dor que estava presa lá, quando ele removeu o capuz. A dor que ele sofreu toda a vida e ela lutou para ajudar a diminuir.
Sua mão quente moveu-se para cima para a superfície elegante de grafite de sua máscara. Os olhos azuis e oceânicos irradiavam o desejo indomado de beijá-lo.
Amar era mais que prazer e a intimidade deles não era sexual, mas a permissão de que ela visse o homem real, aquele embaixo das máscaras que ele sustentava. Diana olhou as características cinzeladas de seu cabelo e um apelo misterioso para as sombras que fizeram que a intensidade de suas emoções.
Ela inclinou seu corpo musculoso e liso e bateu o peito no dele — sentindo o calor que ele estava irradiando. Dentro da casca de Bruce Wayne, a alma do homem sentiu a pressão de qualquer homem que conhecesse seu verdadeiro amor: aquilo é um presente de Deus. Um Deus que ele deixou de acreditar desde que seus pais morreram.
Não havia outra mulher como sua princesa. Esta noite ele iria reivindicá-la como sua novamente. Os seios amplos de Diana pressionados contra o peito dele.
Ele podia sentir seu poder através da carne e dos ossos.
Os olhos de Bruce se estreitaram, olhando seus lábios de rubi intocados que brilhavam com vermelhos profundos misturados na carne.
— Qual é o seu desejo, meu Cavaleiro? Depois da sua vitória da noite, você pode ter o que quiser – Ela perguntou. Era quase como William Shakespeare em uma ode ao amor.
Bruce se inclinou para a frente. Ambas as pontas do nariz formaram um diamante. Seus braços fortes enrolaram suas lisas costas cobertas de seda azul do hobby por cima da camisola. Ele grunhiu em seu pescoço e fechou-se em seus lábios. A cabeça de Diana se moveu para trás enquanto sentia a paixão de seu beijo. Sua mão percorreu os fios grossos. Ele estava pronto para lhe dizer seu desejo. Para se dedicar a ela ao compartilhar seu segredo que ele estava pronto para revelar.
Com o coração batendo forte no peito dele, Bruce alinhou os lábios e abriu a boca, saboreando a doçura dela enquanto seus olhos se fechavam. Ele a amava mais do que a própria vida. Este foi o verdadeiro homem que ele a estava mostrando, que estava beijando-a.
Toda a dor que ele manteve fechada dentro das paredes de sua alma desapareceu ao senti-la. Seu amor estava reparando as feridas infligidas que ele carregava.
Bruce destrancou seus lábios e confessou.
— Diana, eu te amo – Ele falou com força em sua voz – Seu amor é tudo o que eu sempre desejei. E tudo o que eu desejarei até o dia que eu morrer.
Ela sorriu e envolveu seus braços ao redor de seu pescoço.
Ele fez sua declaração.
Diana olhou nos olhos com um sorriso atraente.
— Eu te amo, Bruce. Mais do que tudo!
Seu olhar sóbrio conheceu o sonho dos oceanos que habitava nos olhos dela.
— Então, nós dois temos nossos desejos concedidos, princesa.
Ele pressionou os lábios e a beijou com uma paixão feroz que nenhum homem poderia dar a um amante.
Diana era mais do que seu amante.
Ela era toda sua totalidade.
Salvar
Fale com o autor