Broken Hearts
74 Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
Notas iniciais

♣ ♣ ♣
“Estranho seria se eu não me apaixonasse por você (...)
Estranho mas já me sinto como um velho amigo seu”
(Nando Reis)
♣ ♣ ♣
♣ Gotham City || Hospital Geral de Gotham ♣
A (nova) vida ensaiada!
A morena de longos cabelos negros, modelados em uma trança lateral, soltou um suspiro longo e arrastado quando entrou no consultório da Dra Leslie. A tradução imediata era ‘cansaço’ – a série estressante de acontecimentos recentes em sua vida já seria suficiente, mas o período de gestação adicionava gasolina ao fogo. Mas o cansaço tinha outro motivo.
Diana estava há anos luz de distância da facilidade com que Bruce desempenhava seu papel de playboy. Em tese, não deveria ser tão difícil interpretar a si mesma – ao contrário de Bruce, cuja figura pública era seu extremo oposto. Mas, ainda que não tivesse assumido uma identidade civil como disfarce, todas as mentiras que precisava manter para proteger Bruce e sua família não era uma tarefa simples para alguém a quem chamavam de deusa da verdade.
Não era como se ela não pudesse fazer isso por eles – afinal de contas, era sua família, ela os amava e daria a vida por qualquer um deles. O que realmente aborrecia era o fato da esmagadora maioria não merecer o esforço.
E encenar para um público tão superficial era aborrecidamente cansativo.
(...)
A (nova) vida (exaustivamente) orquestrada!
Surpreendera, inclusive a si mesmo, que um mestre do controle como Bruce pudesse superar seus inalcançáveis (para muitos) limites. Suas ações, outrora meticulosamente planejadas, agora eram orquestradas à exaustão.
Nada que envolvesse a imagem pública dele e de Diana, direta ou indiretamente, era feito até que todos os arranjos matemáticos possíveis de problemas fossem previstos por ele e, consequentemente, elaboradas as devidas soluções para cada um deles.
É inegável que o mundo acreditava piamente que o envolvimento entre eles não tinha qualquer ligação com o Batman, graças a sua brilhante ideia de forjar o romance perfeito para eles: o príncipe órfão e mulherengo e a linda princesa heroína.
Diante de tudo que o mundo acompanhou pelas TVs durante o sequestro e o resgate de Bruce Wayne, salvo raras exceções, a população estava convencida de que isso deu o start ao relacionamento.
Além disso, para o mundo, a Mulher Maravilha era apaixonante. Seria fácil, mesmo Bruce Wayne cair de amores por ela, ainda mais tendo-lhe salvado a vida.
♣
Seu plano inicial era esconder sua gravidez e mantê-la na mansão para sempre. Mas ele sabia que era impossível. Bruce não queria que sua gravidez a tornasse um alvo para os inimigos dela. Contudo, seu argumento foi perdido quando ela voltou de sua breve visita à Ilha Paraíso, atendendo a uma convocação dos deuses.
Eles sabiam que para atender seu pedido de criar e integrar à ONU a embaixada de Themyscira, Diana não poderia enclausurar-se para proteger os filhos de alguém que desejava vingar-se dela.
Bruce jamais admitiria, mas trouxe-lhe um certo alívio quando ela lhe disse que ela e os gêmeos estavam sob uma proteção poderosa dos deuses, para além de seu poder: não foram as bênçãos protetivas de seus patronos que a convenceram, sobretudo as promessas de Zeus e Hades. Sem precisarem dizer como, bastou-lhe olhá-los nos olhos: Diana tinha certeza – ninguém se atreveria a fazer mal aos seus filhos.
Para irritação da princesa e satisfação ainda maior de Bruce, eles enviaram Donna, sua irmã, para assumir seu papel na Liga e Artemis, para protegê-la – o que a enfureceu sobremaneira.
♣
Uma semana depois, a mente mais genial do planeta colocou sua estratégia publicitária em prática. Durante uma coletiva de imprensa na Wayne Enterprises, ele ‘confessou’ aos jornalistas que pediu a Mulher Maravilha em casamento... E ela aceitou – usando um tom que tinha traços de felicidade real (para convencer a mídia e o público de que estava realmente apaixonado, não era marketing, como alguns especulavam) e de vaidade.
Bruce tinha que manter a persona de playboy e sua expressão maliciosa e arrogante era a versão adulta da clássica frase-escremento “MEU brinquedo é melhor que o seu”. Ele não poderia dar-se o luxo de abrir mão de sua máscara de playboy – com a desculpa de que o amor o fez mudar e ser o homem ideal.
A experiência o ensinou que quanto mais inaceitáveis para ser um herói fossem alguns traços da personalidade do playboy, menores as suspeitas sobre ele. Seu ‘vício em dormir com mulheres bonitas’ nunca convencera de fato. Mas ‘um homem com uma personalidade tão narcisista, fútil e superficial, machista, insensível e incapaz de amar alguém além de si mesmo, JAMAIS poderia ser o Batman, um homem que dedica sua via em prol dos outros’.
Ao longo de 15 anos, o príncipe de Gotham não fingia apenas o comportamento, mas sobretudo suas emoções (ou falta delas) fúteis e egocêntricas, e sua incapacidade de assumir responsabilidades (com um discurso que leva as pessoas a acreditarem que seu comportamento e personalidade são resultado do trauma da morte de seus pais)
O grande detetive pensara em tudo. Ele ponderou que não poderia livrar-se do playboy infame e dos defeitos reprováveis de sua personalidade, usando o relacionamento com Diana como justificativa para ser um homem melhor. Ele seria um homem apaixonado, mas do tipo que está aprendo a amar e não o que morre de amor.
♣
O segundo colocado na lista da Forbes esperou, pacientemente, com um sorriso vitorioso de satisfação pretensiosa, até que o frisson causado por sua recente revelação passasse e o volume do burburinho baixasse, no mínimo, para que pudesse ouvir as perguntas dos repórteres.
Apesar de que não seria preciso ouvir as perguntas para deduzir que o questionariam sobre a possibilidade de sua noiva estar grávida. Porque seria a pergunta mais lógica após Bruce responder que a cerimônia seria na Catedral Basílica de Gotham, onde seus pais se casaram, no próximo mês. Apressar uma cerimônia que demanda muito tempo na organização era uma prática de noivas grávidas.
Ele deixou o auditório depois de confirmar a gravidez.
O barulho agora era ensurdecedor.
♣
Quando Bruce entrou na sala médica, a reação da médica e da paciente era uma expressão de estranhamento. Pouco antes de chegar a elas e cumprimentá-las, seus lábios moldaram um sorriso sutilmente diferente do comum. Tinha um vestígio mínimo de diversão.
A excitação do momento o fez esquecer completamente o aborrecimento causado pelas rusgas da última semana. Apesar dos esforços hercúleos para manter o controle de suas emoções, há certas forças no mundo que nem mesmo o Batman poderia subjugar. Ela estava omitindo alguma coisa dele, provavelmente, de seu encontro com os deuses.
Mas Bruce esqueceu-se quando desviou o olhar de sua noiva e deparou-se com a visão da figura à sua frente, na lateral contrária da cama hospitalar.
Alfred Thaddeus Crane Pennyworth, um mestre no domínio de suas emoções, exibira vestígios sutis de seus sentimentos – que ninguém além dele e Leslie perceberiam. O Morcego, o playboy e o menino sorriram ao vê-lo emocionado.
Bruce tirou os olhos dele e voltou a observar o monitor. Por mais que desejasse mantê-los um pouco mais sobre o inglês, ele sabia que Alfred se sentiria envergonhado ao ser apanhado em um momento de fragilidade.
Ele sorriu para si mesmo, perguntando-se se o sentimento caloroso que preenchera-lhe o peito, obrigando-o a lutar para combater a vontade de sorrir como um menino que ganhou o presente que mais queria no Natal, era o que os filhos sentiam ao ver seu pai feliz.
O que Bruce não fazia ideia era do quão desmedido fora o impacto do turbilhão de emoções que atingiram Alfred naquele momento.
Alfred não teve dificuldade para manter a polidez quando a primeira onda de emoções bateu nele. Diana o convidara para acompanhar a ela e Bruce no exame pré-natal que revelaria o sexo dos gêmeos – deixando claro que não aceitaria sua recusa.
A segunda o atingiu ao olhar a foto no porta-retrato sobre a cômoda. A solidão confortável de seu quarto permitia-lhe deixar cair livre uma única lágrima do olho direito, quando se viu abraçado ao seu amigo Thomas na imagem.
A terceira onda era gigantesca, mas era uma onda de satisfação, quando Leslie revelou que os bebês eram um casal de gêmeos.
No entanto, nem somadas, as fortes emoções anteriores poderiam se equiparar a do momento em que Diana revelou o motivo de sua presença. Ela e Bruce decidiram que cada um escolheria um nome para cada criança.
— Vocês já pensaram em nomes de meninas? – Leslie perguntou sorrindo.
— Sarah... Ela vai se chamar Sarah! – Bruce respondeu de imediato, com um brilho de excitação nos olhos – Significa ‘princesa’ em hebraico, princesa – a revelação fez Diana se emocionar.
— Você vai escolher o nome do menino, Diana?
— Sim... – A amazona sorriu para o inglês, que interpretou o gesto como simples simpatia, completamente convencido de que sua presença não era tão importante – Meu pequeno guerreiro vai ter o nome dos avôs.
Alfred imaginou que Bruce não a deixaria chamar o filho de Thomas Hades.
— Thomas Thaddeus... – O nome fez surgir três largos sorrisos estampados, nos rostos de Bruce, Diana e Leslie, com os olhos voltados para o mordomo.
Os 4 segundos que seu cérebro demorou para reagir, era uma eternidade dentro de uma mente que trabalha à velocidade da luz.
Alfred não precisava levantar os olhos para saber que Leslie e Bruce tinham um olhar satisfeito sobre ele. Eles eram as duas únicas pessoas que o conheciam no grau mais alto de intimidade que ele permitiria a entrada de alguém. Ele sabia que Bruce e Leslie decifrariam as emoções que ele experimentava naquele momento, nos pequeninos detalhes que ele nunca foi capaz de esconder, mas que para sorte dele, era indetectáveis para qualquer outra pessoa. Nem mesmo Dick, ou Bárbara.
O inglês baixou os olhos para Diana e segurou a mão direita dela entre suas duas mãos. Ela não o conhecia o bastante para ler mensagens invisíveis, mas ele sabia que ela o entenderia, mesmo em silêncio.
Alfred sorriu com os olhos para ela.
Ele era um avô. Sem dúvida!
♣ ♣ ♣
♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣
Bruce Wayne puxou distraidamente a mão pelos cabelos negros desgrenhados enquanto olhava para o monitor do batcomputador. Ele sentiu um pouco o ar resfriado da estação de computadores, mas a temperatura era a menor preocupação.
No meio do espaço livre atrás dele, Diana chegou vestindo um vestido de verão fluido na parte da barriga de 5 meses. Ela imediatamente caminhou até ele e roubou um beijo rápido.
Diana inclinou-se sobre o ombro, com uma leve curiosidade:
— Eu nunca imaginei que chegaria o dia em que chegaria perto de você sem vocÊ perceber! Diana comentou.
— Isso é ruim, princesa? – Bruce congelou, tão imperceptivelmente. – O que você está planejando…?
Ele se sacudiu de surpresa quando ele sentiu uma fricção gentil em sua virilha.
Merda.
Ela tinha planos impertinentes para ele.
E a droga do QI saiu pela janela.
— Princesa, não comece a despertar o gênio da lâmpada.
Quando ela lambeu todo seu comprimento, ele gemeu.
— Pelo amor de... Deus... onde você aprendeu a fazer isso tão bem?
— Ciúmes?
— Pro inferno... Estou, mas... a menos que seu arsenal inclua um hímen mágico auto-reparador, eu sei que eu fui o único... – ele interrompeu com pausas, incapaz de parar outro gemido.
— Eu andei vendo alguns vídeos... Queria aprender!
— Parte de mim está... muito feliz. A outra metade... está assuatda – Bruce gemeu novamente – Meu Deus, Diana, venha aqui... eu não posso agüentar isso muito tempo.
Ele deslizou a placa de circuito que estava trabalhando para longe dele e puxou-a pelas axilas. Sentou-a na mesa de trabalho na frente dele. Ele não se importava nem um pouco em beber em sua boca. Ele precisava beijá-la ali mesmo, com pressa e com fome.
Ele deslizou as mãos debaixo da saia e subiu as coxas, tirou a calcinha e enfiou-se dentro dela. Seu corpo inteiro se aqueceu em prazer e alívio simultâneos. Ela vagamente envolveu suas pernas ao redor de sua cintura. Ele tomou seu tempo enquanto se movia, não correndo em qualquer lugar, simplesmente curtindo estar com ela.
Depois de um tempo, ele quebrou o beijo para que ele pudesse dizer a ela:
— Eu não acho que fazermos isso aqui seja uma boa ideia, princesa. Eu não quero machucar meus filhos. No entanto, você vem me tentar constantemente.
— Não está machucando, Bruce. Você está com desconfortável?
— Desconfortável? Eu estou ótimo... – ele falou através dos dentes, ainda com a eletricidade do prazer irradiando o corpo.
— Então não pare.
— Eu não quero, mas... alguém pode nos ver – ele imediatamente esclareceu.
— Ta bom!! – Sem mais preâmbulos, ela levitou.
Bruce alavancou as mãos firmemente nos ossos do quadril e continuou seu movimento, como se ele estivesse fazendo flexões.
“Pelos deuses, Bruce... no ar?!”, ela sussurrou.
Oh, Afrodite... Ele era bom. Ele era um deus do amor e do sexo.
Seus quadris se contraíram involuntariamente enquanto ele bombeava e Diana apertava as pernas ao redor dele.
Eles desceram quando chegaram ao quarto.
Ele se moveu, num ritmo tão doce e familiar que achou tão reconfortante quanto despertava. Não importava quantas vezes ele fizesse amor com ela, quer estivessem tentando novas posições ou voltando para os simples momentos em que nenhum deles se sentia aventureiro – era sempre maravilhoso.
Eles ficaram lânguidos um ao lado do outro enquanto terminavam. Em algum momento, Diana apertou suas costas nuas no peito de seu futuro marido quando ele apertou fortemente os braços ao redor da cintura dela, com possessividade.
Ele falou, sua voz excepcionalmente suave e quase adormecido:
— Por que eu, Diana?
— Hmmm? – Ela observou que ele a chamou pelo nome e não pelo título carinhoso.
— Três mil anos... Diabos, Diana, você é a mulher mais maravilhosa do mundo. Por que me escolher, com todos os meus problemas? Eu sou apenas um homem comum.
Ela se perguntou o mesmo inúmeras vezes a si mesma por muitos anos. E a cada momento, sem hesitar, ela teve uma resposta.
— Porque você se importa com o mundo. Porque você é um homem comum. Porque eu amo você e seus problemas. Você não seria quem é sem eles, Bruce. Você é maravilhoso além deles.
— Diana...
— Eu amo todos vocês. Eu sempre amei...
Ela podia dizer por sua expressão que uma parte dele ainda se recusava a deixar-se acreditar nela. Claro... Sempre achando que não merecia o amor dela.
Algum dia, a princesa amazona tinha certeza de que ele acabaria por fazê-lo. Se ela tivesse que falar uma e outra vez, ou morrer por ele, ou viver para ele, ou foder e fazer amor com ele ao limite...
Diana faria.
Sua princesa faria.
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