Broken Hearts

53 Quem ama... Cuida!


Notas iniciais
Saudações, meus queridos: Imagino que todos estamos (me incluo na lista) ansiosos pela dinâmica das ações de Ra’s Al Ghul para aniquilar a Liga da Justiça. Porém, eu precisava inserir algumas cenas que antecedem o início da “queda”, para justificar alguns acontecimentos futuros fundamentais para estória. *Por exemplo: A evolução positiva do relacionamento familiar entre os moradores da mansão, descrita no capítulo anterior (52). O meu argumento para como o protocolo Rouge foi roubado não seria plausível sem a cena anterior. Este capítulo tem cenas que darão sustentação às cenas posteriores. Mas eu prometo que encerramos por aqui. E, no próximo, damos início à ação. Apreciem a viagem! ♥

"Erros, erros, às vezes parece que isso é tudo de que sou capaz”, (A menina que roubava Livros) ◄

♣ New York City || Manhattan || One57 ♣

|| 17 de Janeiro – Há uma semana* ||

FLASHBACK ON

— Irmã... – A mulher levantou seu olhar sabendo a quem pertencia a voz e usou toda sua força de vontade para camuflar o temor em seu coração, ao ser apanhada por sua irmã, bisbilhotando nas coisas de seu pai.

— Nyssa... Minha querida irmã – Talia respondeu, com uma impecável postura de normalidade, que enganaria a qualquer um (com exceção de Ra’s e, para seu desgosto, de Nyssa).

— Algum problema, irmã? – Nyssa mascarou a ironia, com um tom gentil. Uma estratégia para descobrir o que sua irmã pretendia. – É tarde... Achei que havia se recolhido há horas, desde sua conversa com nosso pai, mais cedo.

— Eu entreguei ao pai alguns rascunhos com caminhos que poderíamos tomar... Eu... vim procurá-los. – Talia mentiu, rogando que sua ‘atuação’ fosse convincente.

— E você os achou aqui, Irmã? Na sala do pai? – Nyssa parecia serena.

— Não... acho que me enganei. – Talia foi em direção à irmã, para sair, mas Nyssa a deteve.

— Nosso pai não vai poupá-lo, Talia. Suas súplicas foram em vão.

— Irmã, por favor... Eu preciso avisá-lo – Talia implorou, com um olhar de súplica tão intenso que Nyssa jamais vira. – Eu não pretendo desafiar nosso pai. Eu apenas fugirei com meu amado e nosso filho. Nosso pai poderá destruir a Liga... E você, irmã, só você, ficará ao lado dele, governando, como sempre quis – Ela apelou para o desejo que Nyssa sempre teve de ser a filha única e de seu pai.

— Está bem, irmã... Conte-me o que pretende e eu prometo ajudar-te. – Nyssa viu sua irmã derramar lágrimas de gratidão. Era a primeira vez que as irmãs agiam como tal.

Talia chorou, contando cada palavra do que pretendia fazer, na manhã seguinte, quando seu pai saísse para uma reunião de negócios: Abandonar a Liga dos Assassinos e fugir com Bruce e Damian.

A vida tinha sido dura com ela, mas pela primeira vez, sentindo que sua que sua irmã a amava, ela teve esperanças de que o destino estava lhe sorrindo, finalmente.

(...)

— Traído por aquela que é carne da minha carne, sangue do meu sangue. A joia mais exuberante de meu tesouro. A melhor oferta para o melhor homem. – A voz imperiosa do Cabeça de Demônio estava longe de confirmar suas palavras. Não havia nenhum rastro que indicasse qualquer emoção, mágoa ou decepção, pela traição de sua filha. Não havia nada. E ela lamentou ter estado cega por tanto tempo. Seu amado sempre esteve certo.

— Ainda que um ato de traição seja punível com a morte. Eu serei generoso contigo – Disse Ra’s, olhando para baixo, em direção à mulher de joelhos. – Tomarei tua traição como um ato impensável, fruto da loucura de tua obsessão pelo detetive. A insanidade te redime de ser diretamente responsável por tuas ações.

A mulher de joelhos, usava uma camisa de seda branca completamente desgrenhada – faltavam botões, que foram arrancados, manchas de suor e manchas vermelhas de sangue; Estava descalça; a meia calça preta tinha muitos fios puxados e buracos. A saia lápis rasgada e os joelhos esfolados.

Dois homens a seguravam pelos braços, um de cada lado, sem a menor sutileza. Ela parecia cansada... Era possível ver arranhões e alguns cortes ao longo das coxas, panturrilha e braços.

— Você fez bem em me contar sobre o plano de sua irmã, Nyssa. – Ra’s olhou para outra filha, de pé, ao seu lado – Sua atitude prova sua lealdade à mim – Ele fez um sinal para que os homens erguessem a cabeça de Talia.

Ela parecia se dobrar, de tão cansada. Os cabelos caíam cobrindo o rosto, pendurado para frente. Quando Ubu ergueu o sua face, pelos cabelos, para que seu pai desse a sentença olhando em seus olhos – O prazer cruel de Ra’s brilhava em seus olhos, vendo o medo nos olhos dela.

O rosto bonito estava com marcas arroxeadas nas laterais. Havia um corte profundo no supercílio e arranhões na testa. O sangue que desabava do corte acima do olho deu um aspecto horripilante à expressão sempre bonita de Talia.

— Tu desobedecestes minhas ordens... E para quê? Eu dei ao seu detetive a chance de se unir a mim. Sua recusa selou seu destino e assinou sua sentença de morte!

— Ele... vai... vencer... novam... – a voz fraca parecia não pertencer a ela.

— Eu te libertarei de tua estupidez insana.

— Eu... vejo... clara-mente... Amado... sabia... você... é o mal – Ela cuspiu sangue aos pés do Demônio, tentando falar.

— Levem-na para Líbia – Ele olhou para Nyssa – Mergulhem-na no poço*. Tantas vezes quanto necessário, até que sua mente esteja novamente frágil... Então, tragam-na para mim e eu cuidarei de sua doutrinação.

— Como quiser, meu pai! – Nyssa respondeu.

Talia queria reagir, mas não conseguia. Antes da escuridão total de sua mente, ela sentiu uma picada no pescoço. Não havia mais esperança para ela e seu amado. O destino estava apenas brincando com ela novamente... Iludindo-a com uma chance impossível de felicidade.

FLASHBACK OFF

♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣

|| Tarde de 24 de Fevereiro ||

Diana havia chegado à mansão mais cedo que o previsto. A missão que lhe fora designada, sob sua coordenação – obedecendo o protocolo da Liga: um membro sênior ou fundador sempre comandava uma missão integrada por outros novos membros, não importa quão ‘poderoso’ ele seja – foi resolvida de forma surpreendentemente rápida e ela agradeceu a Hera por isso.

Ela vinha sofrendo com dores de cabeça há pouco mais de uma semana. Contudo, o que em princípio parecia um desconforto suportável, evoluíra para dores debilitantes – considerando o fato de que o conceito de debilitante para uma amazona, acostumada com a dor, está bem próximo do insuportável.

Em paralelo, seu organismo apresentara outras pequenas ‘disfunções’ – como ela nomeou. Mas eram sintomas insignificantes diante das dores de cabeça. Tudo que ela sentia era decorrente das malditas dores de cabeça que, em dado momento, doíam tanto que ela se sentia tonta, além de outros desconfortos que ela preferia desconsiderar.

A luminosidade da Torre quase a fizera vomitar esta tarde, quando voltara da missão na Terra. O burburinho estridente de conversas, o barulho das atividades executadas pelos funcionários que trabalhavam no Sentinela e de seus colegas, os gritos de guerra ou de comando exaltados nas salas de treinamento, o som ensurdecedor dos motores das aeronaves decolando ou aterrissando no hangar... Tudo intensificava a dor.

Por isso, ela solicitou o teletransportasse às coordenadas da Batcaverna para o senhor Incrível, após informar a J’onn que dispensaria sua turma de novos recrutas do treinamento de hoje. Sem dizer o motivo real, ela lhe disse apenas que estava cansada. Que desde a última reunião da Liga – Sobre Ra’s – não conseguia dormir mais de três horas por noite, preocupada com Bruce.

Não era mentira. Ela não mentia... Só não queria revelar o motivo real. Sua teimosia era forte o bastante para fazê-la suportar a dor. Ela só precisava descansar. Além disso, não era por orgulho. Ela não queria arriscar ser deixada na enfermaria, impedida de ajudar, caso a Liga tentasse deter Ra’s Al Ghul, para ajudar Bruce.

Diana ponderou que em breve, isso iria passar. Era só um maldito resquício de sua infecção viral. J’onn advertira a ela e Bruce que, embora houvesse melhora, ela não estava completamente livre do vírus.

Ele disse que o organismo levaria um período de tempo para fazer uma limpeza geral, para eliminar a “sujeira” por completo. Por isso, seria normal sofrer com alguns sintomas tardios de sua longa exposição.

“Provavelmente, é isso”, ela pensou, antes de entregar-se ao sono, na cama que ela e Bruce compartilhavam.

♣ Biblioteca ♣

Tim estava completamente focado em seus livros. As avaliações das disciplinas seriam em algumas semanas e a experiência de ser o Menino Prodígio o ensinara a aproveitar seu tempo livre para estudar – Nunca se sabe quando um caso importante surgiria em Gotham, tomando-lhe todo tempo disponível.

Damian puxou a cadeira à sua frente e sentou-se.

“Nenhum livro à vista... Acho que ele não veio aqui pra ler ou estudar”, Tim pensou, esperando seu irmão dizer a que veio.

Quando o silêncio foi mantido por mais de um minuto, Tim poderia apostar que não era um assunto fácil para ele abordar. Seu irmão, assim como Bruce, eram muito parecidos na maneira de lidar com sentimentos aos quais preferiam evitar: silêncio, isolamento, mau humor (para afastar as pessoas). De qualquer forma, Tim estava feliz ao ver Damian, ao menos, tentar conversar – ainda mais com ele.

— Alguma coisa está te aborrecendo, Damian? É a escola? Uma garota? O que o Bruce fez? – Tim tirou os olhos do livro e olhou para o irmão.

— Não é meu pai... Quer dizer... é. Mas ele não fez nada!

— Você parece preocupado! – Tim queria ser sutil. Não queria pressioná-lo a falar, ao contrário, queria que ele ficasse à vontade.

— Eu estou com tanta raiva dentro de mim, Drake... Anos treinando pra ser o melhor, e não serve de nada... Eu não quero que nada mude. Eu quero que tudo continue do mesmo jeito.

— Eu não sei porque você está preocupado com isso, Damian, mas as coisas não vão mudar. O Bruce não vai te mandar de volta, garoto. Além disso, a Di e o Alfie nunca ia permitir. – Tim tentou tranquilizá-lo.

— Não é por isso... é...

— Do que você está com medo, Dammy-boy?

— Eu não tenho medo de nada – ele estufou o peito, um pouco ofendido, mas assim que ouviu ‘medo’, o estalo em sua mente deu-lhe a confirmação. O que o abalara ainda mais. Ele estava com medo. “Mas medo é para covardes”, pensou, desprezando a si mesmo por isso.

— Eu não duvido... Olha, eu só estou tentando ajudar você. – Tim tentou ser mais gentil – Se quiser, eu posso ligar pro Dick e pedir pra ele vir aqui. Talvez com ele você consiga se abrir.

— Não. Dick não serve... Eu preciso da sua ajuda, Drake. Só você pode me ajudar e ajudar o pai.

Finalmente, Damian lentamente, desabafou com ele. Disse-lhe que seu avô estava planejando uma emboscada para Liga e seu pai, para tirar-lhes a vida. Que sua mãe, desesperada com a ordem de execução do homem que ela amava, fugiu para alertá-lo.

Damian falou sobre o encontro com a Talia, contando a Tim a mesma história que sua mãe lhe contara. Que ela se arriscado vindo até Gotham, para tentar impedir seu avô de matar seu pai. E precisava manter-se escondida, porque foi sentenciada à morte, por sua deslealdade. E estava sendo caçada pela Liga dos Assassinos.

O irmão mais novo revelou a Tim que sua mãe descobriu que seu avô, há anos atrás, enfeitiçou Bruce para ter acesso à uma série de arquivos de seu computador, mas ele levou anos para decifrar os códigos de acesso que protegia os arquivos.

— Mas agora, o avô tem em mãos o protocolo que o pai fez da Liga. Se nós copiarmos o arquivo que está no computador da Batcaverna, nós poderemos saber o que há nele e impedir o avô. Sem isso, estamos de mãos atadas. E só você pode fazer isso, Drake. Meu pai diz que você tem a mente como a dele, a inteligência dele, que é um grande detetive como ele.

— Devíamos dizer a Bruce... Eu acho...

— Não... ele não vai acreditar na mãe e só vai agir quando investigar. E ai será tarde demais. Não temos tempo. O avô vai agir em dois dias.

Ele disse a Tim que sua mãe não sabia do plano e que a ideia de copiar o protocolo tinha sido sua. O que fez Drake relaxar, sabendo que Talia não teria participação no plano para salvar Bruce e a Liga.

— Está bem, garoto. Mas não vai ser fácil. Conhecendo Bruce como eu conheço, vai ser a coisa mais difícil que eu já fiz na vida.

— Você consegue, Drake – Seu irmão estava olhando pra ele, os olhos refletiam uma súplica silenciosa.

Tim sentiu a emoções afloradas do menino, temendo pela vida de seu pai. Ele iria ajudar seu irmão. Afinal, um irmão mais velho deve cuidar de seu irmão caçula.

♣ Gotham City || Lawrenceville High School ♣

|| 26 de Fevereiro ||

— Você conseguiu, pequeno Morcego?

— Sim, mãe. Isso vai nos ajudar a descobrir como o avô pretende deter a Liga e meu pai? Para que possamos impedi-lo?

— Sim... – Ele viu seus olhos dizerem não, como se uma forma demoníaca comandasse seu corpo, mas dentro dela, sua alma pedisse socorro. Eram olhos tristes, vazios. – Volte para sua aula. Em breve eu precisarei da sua ajuda para juntos, salvarmos seu pai e finalmente, seremos uma família, pequeno Morcego.

Essa deveria ser a melhor notícia de sua vida...

Então, porque ele estava sentindo-se tão angustiado?

♣ Sentinela || Ala médica ♣

|| Noite de 26 de Fevereiro ||

— Você não me ama? – Ela perguntou a ele, no meio da tempestade.

— Mais do que a mim mesmo... Mas dó tanto, Diana. – O vento soprava ao redor deles.

Uma voz reprimida ecoou na cabeça de Diana: – Princesa cuidado, eu não posso te proteger aqui. Minha cabeça não é um bom lugar.

Correndo para a frente, Diana tentou chegar à ele, lutando e buscando forças contra o desejo de Bruce de afasta-la.

— Bruce! – Diana gritou, permitindo que todo o ar inundasse seus pulmões quando ela soltou e foi rapidamente atirada pelo vento antes que ela se acalmasse imediatamente.

Uma lágrima rastejou pelo rosto de Diana enquanto ela testemunhava uma pequena garota e um menino de cabelos cor de noite, vestidos de branco, caminhando até Bruce.

Bruce estava chorando, com as mãos embebidas de sangue.

— A mamãe vai fazer você ficar melhor, papai.

— Ela se foi... A mamãe se foi. Eu a perdi. E a culpa é minha. – Bruce olhou para cima com seu rosto manchado de lágrimas.

Soltando um soluço, Diana flutuou até eles. “Grande Hera, a dor que estou sentindo vindo dele... Por favor, ajude-o, J’onn. Ele está quebrando”.

“Tente chegar à ele, Diana. Ajude-o. Ele vai te ouvir”, J’onn disse em sua mente. O marciano a havia transportado à mente de Bruce, que havia caído em um sono profundo há quase dois dias e estava em estado catatônico.

Virando-se, a garotinha imediatamente abriu em um amplo sorriso enquanto corria em direção à Mulher-Maravilha.

— Mamãe, mamãe. Venha cá. O papai precisa de carinho. Faça passar, mamãe. Ele está com um dodói. – A menina atirou os braços em torno de Diana, as lágrimas fluindo de seu rosto.

Ajoelhando-se no chão, Diana podia ouvir os sussurros de Bruce, desesperado. – Está tudo bem, Bruce. Vai ficar bem... shiii...

— Eu sinto muito, princesa. Eu pensei que tinha te perdido.

Pegando a garotinha nos braços, Diana se levantou, embalando-a e bruce pegou o menino.

— Vamos pra casa, Bruce. Vamos pra casa!

Salvar

Notas finais
*Poço: Trata-se dos poços de Lázaro Um Poço de Lázaro é um fenômeno natural que possui propriedades restauradoras que instantaneamente curar lesões e até mesmo conceder a imortalidade. As origens do poço Lazarus foram descobertas acidentalmente por Ra’s al Ghul enquanto cavava um poço. Lá ele descobriu as piscinas químicas restauradoras enquanto procurava uma cura para um príncipe moribundo. Embora o Poço de Lázaro tenha salvado a vida do príncipe, ele também o deixou louco e o levou a matar a esposa de Ra, al Ghul, Sora. Este incidente levou a uma série de circunstâncias cruéis para Ra's al Ghul, eventualmente transformando-o no temido "Demon's Head". Por vários séculos, os Poços de Lázaro foram usados por Ra's al Ghul para prolongar sua vida. O Lazarus Pits foram posteriormente utilizados por várias pessoas em todo o mundo, incluindo as filhas de Ra al Ghul, Nyssa e Talia, Canário Negro, Charada, Lady Shiva, Cassandra Cain e Kate Kane. A filha de Ra, Talia usou o poço de Lazarus para curar a mente e o corpo de Jason Todd após sua ressurreição inesperada (Isso virá na seqüência desta fic).