Broken Hearts
58 Por um fio
Notas iniciais

► "Todos nós caímos, mas apenas os fracos continuam no chão”, (Bob Marley) ◄
♣ Gotham City || Arredores da Mansão Wayne ♣
|| Noite de 1º de Março ||
— Bane!! – O nome saiu como um rosnado irascível. A fúria ficou evidenciada nas gotículas de saliva que saltaram por entre os dentes cerrados do Morcego de Gotham, rugindo como um cão raivoso.
De pé, diante de seu inimigo, Batman não era um ser humano experimentando desagradáveis sensações de fúria, ódio e raiva. A violência do sentimento irascível era tanta que bestializá-lo, comparando-o a um animal, quase deixou de ser metafórico. A raiva nele deixou de ser sentimento para se tornar doença, patologia, uma doença que o aproxima da besta incontrolável que mora dentro dele (desde a morte dos pais) e o afasta de sua humanidade.
(...)
Talia virou-se para Bane:
— Quebre-o, mais uma vez.
(...)
O Batman era o que poderíamos chamar de criatura impressionante por ‘n’ motivos. O motivo do impacto que sua imagem causava nas pessoas não estava restrito apenas ao traje ou ao seu modus operandi de trabalho. A figura do Morcego, especialmente quando projetava a capa – suas ‘asas’ – era grande, muito grande. Em tamanho (altura) e robustez. Bruce era um homem grande e muito forte.
No entanto, diante de um adversário tão excessivamente anabolizado, ele parecia relativamente pequeno e franzino. Ao contrário de Slade, também geneticamente aperfeiçoado, as intervenções genéticas que transformaram Bane foram em uma medida violentamente excessiva.
Os dois adversários se encaravam, se aproximando um do outro com o cuidado e a paciência das mentes estrategistas, que sondam o inimigo antes de qualquer ataque. A diferença entre ambos era a postura – a de Batman estava rígida e a de Bane, com relaxamento ansioso – e a expressão (Bane sorria ironicamente e Bruce rangia os dentes).
O primeiro ataque veio do ‘Golias’ de Gotham: um salto de aproximação e uma série de jabs para atingir Bruce em vários locais – rosto, queixo, costelas, fígado. Mas a guarda do Morcego tinha um quê de espetacular e, embora a força nível meta de Bane o tenha empurrado, ele foi capaz de conter os ataques, evitando ser atingido.
Entre uma esquiva e outra, Batman atingia-o em algumas regiões descobertas ou mais expostas, como braços e coxas (o tecido da calça de sarja não impedia o corte do batarangue de pontas afiadas como navalhas).
A luta na mansão estava longe de ser vista por curiosos, já que o mausoléu ficava em uma área privada e muito discreta da propriedade, cuja dimensão era de muitos hectares. Além disso, toda região estava protegida por tecnologia de última geração que bloqueia e/ou interfere em qualquer tentativa de transmissão de imagem aérea.
Por isso, foi uma surpresa para Bruce ouvir passos se aproximando e o som da voz ecoando em seus ouvidos, vindo por trás dele.
— Você começa a festa e nem nos convida, Batman? – Disse a voz – Achei que depois de tantos anos de parceria, eu mereceria um pouco mais de consideração! – O rapaz sorriu, tomando posição ao lado dele.
Ele vestia um traje de corpo inteiro, justo, negro, com o símbolo estilizado de um pássaro azul no peito. Batendo os dois bastões que segurava em cada mão, o moreno mascarado encarou o inimigo sem tirar o sorrido divertido do rosto.
— Você conhece o Batman, Asa Noturna – Destacou outro recém-chegado – Ele deixa os bandidos idiotas pra nós lidarmos e fica com toda diversão para si... A gente também quer lutar contra alguém que vale a pena, Batman. – completou Tim, que estava usando um uniforme diferente do que costumava vestir como Robin. Apesar do capuz negro deixar apenas sua mandíbula de fora, percebia-se que ele era jovem e mais franzino que Asa Noturna. Seu traje era preto e vermelho e tinha uma capa.
— Saiam daqui agora... Ele é meu – Batman rosnou em um nível tão ameaçador que, não fossem as circunstâncias dos eventos atuais, Dick e Tim teriam-no obedecido, retirando-se. – Lidem com os assassinos da Liga das Sombras.
Mas naquele momento, nada os tiraria de lá, 10 assassinos ninjas se enfileiraram para lutar com os irmãos Wayne.
Assim que Alfred deu a notícia da violação dos túmulos a Bruce, ele estendeu a notícia ao batclã, comunicando ao Oráculo, Dick e Tim o que ocorrera. E eles vieram em seu auxílio, quando a figura de Bane, captada pelas câmeras de monitoramento da propriedade, apareceu na tela do batcomputador.
Mas não só ele...
Damian sentiu a onda de eletricidade percorrendo sua espinha, da nuca à base da coluna, causando arrepios e um desconforto doloroso no estômago – uma ardência, como se algo corrosivo estivesse queimando as paredes internas do órgão. Era a imagem de sua mãe... Não havia som, mas era nítida a participação dela nas ações que prejudicaram seu pai. Ela estava ao lado de Bane. Não oferecendo ajuda ao Batman, como o fizera crer que faria.
Dick e Tim, vendo o choque do irmão ao testemunhar a traição de sua mãe, disseram-lhe que ele não estava apto para uma luta como esta – uma estratégia para esconder o real motivo: “Nenhum filho merece ser obrigado a lutar contra a própria mãe”. Para espanto de todos, Damian não reagiu, ou esboçou qualquer sinal de protesto, como de costume.
Quando Asa Noturna e Red Robin saíram, os ombros do menino afundaram na cadeira de comando do batcomputador. Ele parecia pequeno e indefeso... “É tudo culpa minha... Minha...”, o sussurro fraco que saiu de seus lábios só foi ouvido pelo Oráculo por causa da captação de som da tecnologia da Batcaverna e Alfred, certamente podia ler lábios (o que ele não pode fazer, por sinal?), ou escondia meta-habilidades auditivas de todos.
— Não é culpa sua, Damian – A voz robótica do áudio da ruiva na tela respondeu.
— Sim, é... Eu achei que... Eu confiei em minha mãe... – ele soluçou. Era a primeira vez que o mordomo inglês e Bárbara Gordon o viram chorar. E, definitivamente, era algo que eles desejaram nunca mais testemunhar: a imagem da dor do menino, tão valente e seguro de si, era palpável, a ponto de ferir não apenas ele, mas quem quer que o visse assim, tão ferido.
Damian contou tudo a ambos em detalhes. Especialmente sobre o protocolo.
Era hora das duas mentes cuja genialidade e expertise poderia ser comparada a do Batman (dentro de suas especialidades, claro) entrarem em ação.
Oráculo e Alfred assumiram os computadores. Era hora de salvar o Batman e a Liga.
— Vá lutar ao lado do seu pai e dos seus irmãos, meu menino – disse Alfred, com carinho – Sua família conta com você.
— Eu não mereço estar ao lado deles, Alfred. Eu os traí.
— Você é um Wayne. Os Wayne caem, para aprenderem a levantar. Após cada queda, eles se erguem mais fortes que antes. – Damian tinha um brilho incomum em seus olhos, ao ouvir as palavras do inglês: esperança.
— Robin... – o menino estava de saída quando foi chamado – Lembre-se: Você é especial, meu jovem.
— Eu sei... Eu carrego o sangue dos dois guerreiros mais extraordinários deste mundo: meu pai e meu avô – Disse Damian, confiante – Não vou desapontar o pai, nem vocês.
— Isso é o que diz seu avô, mestre Damian – o mordomo respondeu – O que o torna especial é que, assim como seus irmãos, o senhor agora é um Wayne. Não por vínculo de sangue. E sim, em seu coração.
(...)
Damian sorriu quando ficou ao lado do pai
— Perdi muita coisa? – o menino empunhando a katana estreitou os olhos para Bane, sem encarar seu pai, mas arrancando um sorriso largo de cada irmão.
Tim e Dick estavam lutando com vários homens do exército de Ra’s. Embora os ninjas da Liga das Sombras estivessem em ampla vantagem numérica e fossem lutadores em um nível muito acima de um soldado bem treinado das Forças Armadas, Asa Noturna não teve tantos transtornos para abater seus seis adversários.
— Quer uma mãozinha aí, irmão? – Dick se aproximou de Tim, se preparando pra luta. Ele era um ótimo lutador, mas não como seu irmão mais velho. Red Robin não teve problemas em defender-se dos ataques simultâneos dos quatro assassinos da Liga. Contudo, não teve chances reais de contratacar para derrotá-los.
Com os filhos mais velhos cuidando dos homens de Ra’s, Bruce perdeu a única justificativa para afastar Damian de sua luta com Bane. Rosnar ordens exigindo que ficasse fora do caminho, não foram obedecidas e Batman estava furioso demais para se irritar com alguém que não fosse seu inimigo.
Em condições normais, em que sua mente está de posse do domínio completo de seu lendário controle, Batman captaria cada detalhe da ação – especialmente o desempenho de Robin, contra um de seus maiores adversários no confronto direto. Ele veria o quão naturalmente integrado foi seu trabalho em equipe, assim como ele e Diana. Bruce perceberia mais uma semelhança entre eles.
Assim como Bruce, Damian fora totalmente tomado por uma fúria que o cegava para qualquer outra imagem que não fosse a do monstruoso homem cujos músculos, enxertados além do limite por líquidos que aumentam dez vezes o ganho de massa muscular, parecem balões prestes a estourar.
Enquanto seu pai esquivava-se dos golpes de Bane e o golpeava contra-atacando, a agilidade furtiva de Robin garantiu que ele se aproximasse do inimigo, focado na luta com Batman, usando a katana para cortar um a um, os tubos que o mantém meta-desenvolvido.
Quando Dick e Tim se juntaram a eles, Bane, que já não era tão grande e forte, tinha os pulsos algemados e pés acorrentados.
— E agora? Ele vai pra Arkhan? – Tim perguntou.
— Não... – Batman respondeu – Entre em contato com Canário e Arqueiro Verde. Diga-lhes para levarem-no para uma das celas da Torre. Ele sabe a minha identidade. Não podemos arriscar colocá-lo em um lugar onde todos os meus inimigos estão.
♣ ♣ ♣
♣ Metrópolis || Em frente à Luthor Corporation Tower ♣
|| Noite de 1º de Março ||
O corpo do Homem de aço deixou uma depressão profunda no asfalto quando atingiu o chão. A genética alienígena de sua estrutura física foi supra-alimentada, após sua chegada à Terra. A exposição do kryptoniano ao longo de décadas, da tenra infância à idade adulta, ao sol amarelo do nosso Sistema Solar, transformara Clark Kent em um ‘homem’ infinitamente superior ao homem comum (quanto à força, velocidade, aos sentidos, à resistência, à vulnerabilidade física). Um ‘homem’ fisicamente invulnerável e indestrutível. Um Super-homem.
Depois de isolar a área da queda e afastar o público à uma distância confortável para as ações da equipe de emergência, a Polícia – alguns de seus homens – retirou o herói do ‘buraco’ e o colocou sobre uma das macas da ambulância. Antes de colocá-lo dentro dela, dando privacidade à equipe médica presente no local, uma jornalista furou o bloqueio e se aproximou deles.
Antes do Comissário de Polícia de Metrópolis expulsasse a moça, que chamava desesperadamente pelo herói da cidade, a enfermeira ouviu o sussurro fraco “Lois... por... fav... deix... ficar...”.
(...)
— Doutor, eu não consigo aplicar a medicação intravenosa. – a enfermeira estava terrivelmente nervosa. Fazendo a mulher sentada do lado oposto, segurando a mão do Superman, estreitar os olhos em sua direção, visivelmente enfurecida. – É impossível... – O tom era tão desesperado que a loira estava prestes a chorar.
— Dê-me o material... – O médico respondeu, impaciente – Esse nervosismo está comprometendo seu trabalho, Lisa. É tão difícil achar a veia? – Quando o homem de cabelos curtos avermelhados e grisalhos tentou espetar a agulha no paciente desfalecido sobre a maca, percebeu o motivo da impossibilidade.
— Eu já quebrei 8 agulhas tentando perfurar a pele dele, doutor Peter. – Lisa disse.
— É impenetrável... Você não vai conseguir – Lois atestou.
Não havia nenhum indício da bala. O médico só sabia que ele fora atingido porque viu pela TV. O buraco de entrada se fechara logo após a perfuração. A cura acelerada garantia a regeneração imediata dos tecidos. Contudo, a bala de kryptonita alojada dentro dele, estava causando prejuízos que, em breve, seria fatal para o Homem de Aço.
— O que faremos? – A pergunta de Lisa foi mais para si que para os outros.
— Só há uma pessoa no mundo que saberia o que fazer? – Lois respondeu. – O Batman.
♣ ♣ ♣
♣ Gotham City || Central Park ♣
|| Noite de 1º de Março ||
A imagem da expressão cinicamente sorridente de Cheetah e de sua postura triunfante diante dela – um nível de confiança que Diana jamais vira em Bárbara – foi o gatilho que disparou seu último pensamento coerente. O de que Bárbara baixou a guarda e interrompeu a luta porque conseguiu o que queria... “mas o quê?”, Diana se perguntou.
Ela sentia a dor e o ardor dos cortes em sua carne, causados pela felina. Contudo, eram comuns nos embates contra a Mulher Leopardo. Não havia nenhuma indicação de que algo estava errado – exceto o fato de Diana sentir-se estranha. Mas nada incomum no comportamento habitual de sua oponente.
O suor no rosto da amazona escorria da testa até o queixo, de onde caíam algumas gotas. Seu corpo suado brilhava sob a luz artificial dos postes de iluminação do Parque.
Mesmo o suor, que desgrenha e desmantela qualquer mulher (e homem) mortal, em Diana, não era um prejuízo estético. Ao contrário, a superfície molhada da pele aveludada daquela Mulher – que a imprensa nomeou de Maravilha, como sinônimo de obra-prima, numa tentativa de dar ao leitor uma noção, ao menos próxima, do quão incrivelmente impressionante era a mulher, vestida com trajes que cobriam praticamente o mínimo, que se unia aos heróis já conhecidos para deter a invasão alienígena hostil.
A verdade é que ‘Maravilha’ não representava Diana satisfatoriamente, como Superman, por exemplo, era a palavra perfeita para definir o último filho de Krypton. Mas era o melhor que se pode fazer. Não havia palavra, em qualquer dialeto ou língua para defini-la.
Maravilha, ao menos, era um sinônimo das Sete Maravilhas. Obras mais que primas, eleitas como símbolos do que a humanidade tem não só de mais bonito, mas que representam valores infinitamente superiores a qualquer valor monetário ou estético.
O brilho da pele molhada evidenciava os músculos esculpidos à perfeição da princesa. A luz incidindo na curva do topo dos seios fez com que parecessem maiores. Ela parecia besuntada com um óleo translúcido.
Seria uma fabulosa e hipnotizante visão para a meia-dúzia de policiais que atendeu ao chamado emergencial de cidadãos informando sobre o embate no local, não fosse a ‘tragédia anunciada’ que se configurava diante deles.
Alheia aos expectadores, bem como a tudo ao seu redor, Diana não viu quando Cheetah deixou o lugar. Ela começou a sentir uma dor aguda no peito, nas costas e o braço esquerdo estava estranhamente pesado.
Ela não conseguia se manter de pé e apoiou-se em um poste a dois passos de distância de onde estava. A fadiga e a tontura que sentia estavam dificultando seu equilíbrio e ela vomitou uma ou duas vezes. Os batimentos cardíacos dispararam e a temperatura corporal também. A febre alta comprometeu ainda mais suas funções neurológicas. Antes era apenas uma confusão mental que atrapalhava o raciocínio. Agora, ela estava delirando... E as imagens produzidas em sua mente eram terríveis.
Os policiais só monitoravam-na a uma distância segura. Depois da primeira e única tentativa de ajudá-la, se aproximando, resultar no fêmur quebrado de um deles, tudo que podiam fazer era rezar para que seu chamado à Liga seja atendido o mais depressa possível.
O que nem eles, nem Diana, faziam ideia é que o tempo não era um aliado. Ela tinha pouco mais de 10 minutos para desacelerar ou, pelo menos, estacionar o ritmo de seus batimentos cardíacos – aumentando progressivamente a cada minuto. Em 10 minutos, a taquicardia ultrapassaria o limite suportável pelo órgão e um infarto fulminante.
A mente delirante era responsável por manter as pessoas distantes e impossibilitar que ela fosse diagnosticada ou recebesse ajuda médica a tempo de salvar sua vida.
Não havia nada que ninguém pudesse fazer!
♣ ♣ ♣
♣ Nova York || Distrito do Brooklyn ♣
|| Noite de 1º de Março ||
As cores amarela e verde, contrastando com o cenário em azul e branco do céu, seria um espetáculo, se não fosse pela batalha violenta que estavam travando.
O herói esmeralda tinha uma estratégia clara: levar seu estranho adversário de pele roxa o mais longe possível dos civis, tentando manter sua luta no céu, e evitar que mais pessoas inocentes sejam vítimas do rescaldo e dos danos colaterais que um confronto de forças com essa proporção provocam.
Mas Sinestro raramente colaborou e manteve-se perto o suficiente dos edifícios e pessoas, notando a crescente preocupação do disciplinado e moderado soldado se transformar em desequilíbrio emocional e desespero. Desdobrando-se para proteger as pessoas, se defender e atacá-lo, para forçar o alienígena a se distanciar.
Sinestro estava brincando com John. Apreciando a luta com um adversário que ele considerou formidável e digno – ao contrário de Jordan – já que o ex-marinheiro lutava com seriedade e foco que o ex-Lanterna Verde tanto admirava.
Ele já tinha planos para levar John à rendição, humilhado. O fundador entregaria-lhe o anel de livre e espontânea vontade. Único modo de tomá-lo.
Uma onda de energia amarela varreu a cobertura de um edifício residencial e os olhos de John lacrimejaram. Foi o sinal para que dois soldados da Liga das Sombras escoltassem uma idosa senhora a fora para a rua.
— Entregue-me o anel, ou eu dou a ordem para executá-la. – Sinestro rugiu.
John sequer podia compreender os gritos fracos de sua vó dizendo-lhe para desobedecer o inimigo. Gritos chorosos que juraram-lhe que sempre o amou, e que já tinha vivido o suficiente.
Tudo parecia em câmera lenta: À medida que retirava o anel, a energia esverdeada enfraquecida, o levava lentamente ao chão, ao mesmo tempo que seu traje desaparecia e ele estava vestido com suas roupas civis.
Ele não viu quando o raio de luz amarelada o cercou, aprisionando-o em uma espiral de escuridão, uma prisão semelhante à zona fantasma.
John sentiu-se condenado, sem chance de liberdade, exceto a morte.
♣ ♣ ♣
♣ New Orleans || Avenida em frente à House of Blues ♣
|| Noite de 1º de Março ||
Não precisava ser um gênio para deduzir que a amputação das asas de Hro não prejudicara sua incrível força. Ele ainda era o mesmo soldado rápido, forte e habilidoso que, promovido à general, comandou as tropas do exército thanagariano durante a invasão.
Eles estavam travando uma luta corpo-a-corpo no meio da rua.
Shayera não queria lutar com alguém que amou tão profundamente e com quem ainda se importava muito. Mas por isso mesmo, ela se negou a fugir, voando pra longe. Seria uma humilhação para ele, desprovido de suas asas e negado o direito de lutar com ela e dissipar suas frustrações.
Ela sentia que devia isso a Hro. Então, quando baixou a guarda, a força do golpe dele a levou a nocaute.
Shayera sentiu que algo estava errado quando, um minuto depois, ao abrir os olhos e voltar a si, tudo ainda estava escuro. O desespero veio em seguida, quando ela tentou se mover e não conseguiu por falta de espaço. Ela foi encarcerada em um caixão com suas medidas exatas, nem um centímetro a mais ou a menos.
A mente da heroína ruiva reagiu imediatamente à consciência da falta de espaço de sua prisão, entrando uma espiral histérica e irracional de pânico. Enquanto o organismo, em comum acordo, apresentava sintomas físicos, a medida que o tempo passava e ela permanecia presa.
Dificuldade respiratória, sensação de sufocamento, vertigens, palpitações, náuseas e tremores.
Ironicamente, o instinto de sobrevivência fez as vezes da razão. Ela tentou fechar os olhos e lembrar a música que sua mãe cantava pra ela. Concentrar-se em algo que tiraria o foco da mente. A Mulher Gavião só queria ganhar um pouco de tempo e contactar a Liga.
♫ O pôr-do-sol me mostra aquilo em que eu não posso crer
Me mostra como eu devo caminhar
Me mostra o que eu não quero ver
A multidão que lota as ruas não sabe dizer
Que existe pouco tempo pra sonhar
E tanta coisa pra fazer
Você não vê que as coisas mudam sempre devagar
E que as pessoas perto de você
Se movem pra outro lugar
Eu já tentei eu fiz de tudo pra não encarar
Mas a verdade é que eu não sei dizer
Onde a coragem foi parar
Se você me levar pra fora
Sozinho eu não sei sobreviver
Eu tô trancado no quarto agora e não consigo ver
O pôr-do-sol ♪
Ela cantou baixinho, enquanto lágrimas escorriam no canto dos olhos!
♣ ♣ ♣
♣ República Popular da China || Tianjin ♣
|| Noite de 1º de março ||
— Ma’alefa’ak! – Bufou J’onn, reconhecendo seu inimigo.
Mas era tarde, para se afastar. Demasiado tarde.
Seu irmão olhou para ele e atirou um liquido viscoso sobre o Caçador de Marte. Em seguida, acendeu o isqueiro e uma chama se apresentou.
J’onn pegou fogo imediatamente, causado comoção entre as pessoas ao redor. Elas fizeram de tudo para tentar apagar. Jogaram água sobre ele, que rolava no chão, desesperado. Mas nada parecia adiantar.
J’onn sabia, só poderia ter sido magnésio. Era a única forma de fazê-lo incendiar sem a condição de apagar as chamas.
Os olhos de Ma’alefa’ak ardiam de satisfação, vendo seu irmão queimar, arder, doer-se, contorcendo-se e gritando.
A vingança nunca fora tão doce.
A aproximação das pessoas, compadecidas com o sofrimento de seu irmão, tentando ajudá-lo de todas as formas, irritou o vilão marciano. Ele assumiu a forma de um gigantesco dragão de aparência aterrorizante. O corpo em forma de serpente formou um círculo em volta de J’onn, a fim de impedi-lo de pedir socorro e que alguém o socorresse.
— Ma’alefa’ak, somos irmãos. Nascidos do mesmo ventre. Compartilhamos o mesmo sangue – J’onn rangeu. – Família... Já fomos uma família.
— Caçador, esse seu sentimentalismo patético era muito irritante em Marte. Estou certo de que viver nesse planetinha subdesenvolvido alimentou consideravelmente essa fraqueza – As labaredas das chamas de energia que se projetavam ao redor dos olhos vermelhos de Ma’alefa’ak, mostravam o diálogo mental entre eles.
— Ma’alefa’ak... – Mesmo a mente poderosa de J’onn estava enfraquecida. Restavam-lhe poucos minutos de vida. E a morte iminente levou sua mente e coração à sua esposa e filho marciano – Em breve eu me juntarei a vocês...
— Obrigada Jin... por tudo. Eu também te amo – ele dirigiu o pensamento à esposa terráquea e fez o último esforço possível antes de desmaiar.
♣ ♣ ♣
♣ Gotham City || Batcaverna ♣
||Noite de 1º de Março ||
O sentimento angustiante de aflição trouxera Bárbara Gordon à Mansão. Ela estava operando o computador central da caverna, tentando avisar os fundadores sobre os planos de Ra’s contra cada um deles. Mesmo ela não tinha acesso as medidas de contenção ou o conteúdo delas, por isso, o máximo que ela poderia fazer era alertá-los.
Nenhum deles respondia sua chamada no comunicador... Alimentando um sentimento de angústia que já estava em um nível enervante.
A entrada furtiva do Batman na Batcaverna, deixando-se notara presença a um braço de distância dela, fazendo-a incapaz de esconder suas emoções naquele momento. Após tantos anos, embora conhecesse Bruce intimamente, havia momentos em que ele ainda a assustava. Este era um deles.
Alfred sentiu uma onda de alívio em seu coração cansado quando o viu vivo, de pé, caminhando e, aparentemente, sem ferimentos graves. Bem diferente dos últimos confrontos com Bane, cujo saldo foi a quebra de uma vértebra da base da coluna e uma placa de metal perfurando a coxa direita, respectivamente. A sensação de alívio aumentou à medida que, um a um, Asa Noturna, Red Robin e Robin, foram chegando à caverna. A paz completa em se coração só seria possível quando os outros membros da Liga, especialmente A Mulher Maravilha e o Superman, estivessem igualmente fora de perigo.
— Bárbara, entre em contato com todos os fundadores.
— Eu já tentei, nenhum responde (...) Espere... O satélite da WayneTech captou um sinal. O comlink que está ativo... É do Flash, Bruce.
— Computador, estabelecer comunicação com o Flash – A voz forte de Bruce ecoou na caverna.
“Reconhecendo comando de voz... Membro ativo: Batman... Comunicação em execução”.
♣ ♣ ♣
♣ Patagônia >> Deserto do Atacama >> Alasca >> Deserto do Saara >> Tibet >> Antártida >> ♣
||Noite de 1º de Março ||
— Flash?! – Wally nunca se sentiu tão feliz ouvindo a voz do Batman. Bruce não era a pessoa ideal para ter sua última conversa, mas ele também era um amigo, mesmo que fosse o amigo mais assustador que já teve na vida.
O velocista lamentou internamente não ter a chance de se despedir das pessoas que amava: de seu tio Barry, da garota que conhecera há duas semanas, Linda; de seus amigos fundadores da Liga e dos outros membros; dos Titãs; da ex-namorada Bia (Fogo).
— Batman?! – A resposta foi imediata, mas deu a Bruce a certeza de que havia algo errado, muito errado com Wally. Ele quase nunca o chamava de Batman. Mas o maior indicativo é que Bruce jamais ouvira o tom de seriedade na voz dele.
— Onde você está, Flash? – Bruce perguntou.
— Nenhum lugar fixo. Eu estou correndo ao redor do mundo... Tentando ganhar tempo... Pensando em como me livrar dessa porcaria de bomba, sem virar picadinho.
— Uma bomba? – Bruce perguntou, escondendo a preocupação – Me diga exatamente o que sabe sobe ela.
— Ela se parece com uma pulseira de metal. Eu tentei quebrá-la, mas não consegui. Eu não o conheço, não sei como rompê-lo... Eu tentei pedir ajuda ao Azulão e a Wondy, mas nenhum deles responde. – Wally revelou – Na verdade, tá todo mundo me ignorando... Até o J’onn.
— Eles não vão responder... Eles também devem estar em apuros. – Bruce respondeu. – Flash, continue correndo e não desacelere. Corra para a extremidade do planeta que você estiver mais perto e procure o maior iceberg que encontrar.
— Beleza, Morcegão?! – Wally se sentia incrivelmente mais otimista com Bruce tentando achar uma solução – Mas... Pra quê?
— Pressione o pulso para impedir a circulação do sangue. Isso vai desgrudar as travas da pulseira. E corra na maior velocidade através de um iceberg. A baixa temperatura vai retardar a explosão quando a bomba reconhecer a desaceleração a tempo de você ficar fora de risco. Tenha cuidado... Um passo em falso e você explode.
— Você é um gênio, Morcegão! – Wally estava realmente feliz – Mas... Como é que você sabe de tudo isso?
— Porque os planos são meus!
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