Broken Hearts

47 Ibn al Xuffasch - O filho do Morcego


Notas iniciais
Olá queridos, Damian foi criado a vida inteira por Talia e Ra’s, desde a tenra idade, submetido ao treinamento para ser um guerreiro. Quando vai morar com o pai, ele exibe todo o preconceito, soberba e comportamento violento com que foi criado. Ok? Não briguem com a autora e eu prometo que com o tempo, ele se ajeita. No mais, aproveitem e dêem boas vindas ao filho do Demônio. Boa leitura! ♥

► “Crianças adoráveis são consideradas propriedade da raça humana. Crianças malcriadas pertencem às suas mães”, (Neimar de Barros) ◄

♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣

Ele estava contemplando o jardim que Alfred mantém vivo, em memória de sua mãe, da janela da Biblioteca. Sozinho, ele não precisa suprimir um sorriso que vai se formando quando lembra onde a audácia de Diana os trouxe: Um relacionamento. Uma relação que, aos poucos, era assumida publicamente, sem maiores danos.

O medo de quase perdê-la, há pouco mais de um mês, causara em Bruce um impacto devastador. Na Torre de Vigilância, observando a energia vital de Diana ir embora gradualmente, ele sentiu a mesma dor que o aleijara, quando seu filho Jason morreu. A dor que quase o fez cruzar a linha.

Bruce estava caminhando em linha reta, rumo à insanidade. Mais uma perda trágica de alguém que ama, da qual ele certamente se culparia, romperia o último fio de sanidade em que ele estava se agarrando.

Ele fez um juramento para ela, como se restasse a esperança de ser ouvido: “Se você voltar pra mim, eu vou fazer de tudo pra fazer você feliz”.

Diana já é parte dele, de seu coração. E ele iria se permitir, ao menos uma vez na vida, fazer o que quer. Tomar a decisão simplesmente porque é a sua vontade – Não porque é melhor para missão. Não porque é o melhor pra ela. Ele quer ficar com ela. Não importa se ele está sendo egoísta, se o melhor seria afastá-la para protegê-la. Ele não pode deixá-la. Ele não quer abrir mão dela.

Após a reabilitação de Diana, Bruce passou a dedicar um tempo considerável – em se tratando do Batman – tentando achar uma maneira de cumprir a promessa que lhe fizera. Primeiro, avaliou qual dos seus alteregos ofereceria um emparelhamento menos arriscado. E descartou o Batman. Um romance entre os dois atrairia, não apenas seus inimigos, como também os dela.

Então, Bruce e Diana seria uma opção melhor. E não demorou até chegar à solução final, uma ideia convincente o bastante para que eles engatassem um romance sem levantar suspeitas de que Bruce Wayne é o Batman.

Contudo, as ações que culminaram no romance de Bruce Wayne com a Mulher Maravilha, foram tão surpreendentemente críveis, que até ele, o grande detetive, se estivesse fora do contexto, não suspeitaria que Bruce Wayne e Diana de Themyscira estariam genuinamente apaixonados.

O evento tinha todos os pré-requisitos que o transformara de uma ação criminosa em curso, para um espetáculo midiático. Polícia, mídia local, nacional e internacional, e mais de uma centena de curiosos.

Tudo acontecera tão perfeitamente para que ele pudesse cumprir sua promessa, que ele estava quase convencido de que o universo estava finalmente conspirando em seu favor.

Obviamente, a partir daí, Bruce Wayne conduzia tudo por baixo dos panos: sem se envolver, sem se mostrar. A mídia sequer poderia perceber sua condução. Eles achavam que seus “furos” e notícias exclusivas eram mérito próprio... Ledo engano. Toda informação, imagem ou ‘flagra’ da imprensa, só era possível porque ele orquestrara tudo, para que as manchetes, notícias e “flagras” sobre eles acabassem sendo conduzidos à sua maneira.

(...)

10 dias após o resgate, o casal ainda era notícia e estampava inúmeras revistas de fofoca, que especulavam sobre a natureza do romance.

Bruce Wayne era solicitado para entrevistas um sem número de vezes diariamente. Quase nunca aceitava. Contudo, sua secretária informou a todos os portais, revistas de fofoca, de celebridades, e tabloides, que ele concederia uma entrevista rápida, por vídeo, em determinado horário:

“Sim, eu ofereci um jantar em agradecimento à Mulher Maravilha por salvar minha vida”...

“Bom, nós aproveitamos o jantar, conversamos e eu tive a oportunidade de conhecer Diana, a mulher”...

“Bom... Eu posso assegurar que Diana é tão notável e extraordinária quanto a Mulher Maravilha”...

Quando ele avisou que seria a última pergunta, um repórter perguntou se a relação entre eles estava indo rumo a amizade ou se ele esperava mais?

“Eu estaria mentindo se dissesse que quero ser apenas seu amigo... Diana tem me dado a oportunidade de conhecê-la um pouco mais e, tudo que eu sei é que eu não me canso dela, de desfrutar de sua companhia... Eu só não sei se realmente tenho alguma chance, concorrendo com o Superman, o Batman ou aquele cara.. que é... do mar... Como o chama mesmo? (...) Homem-Sargaço? (...) Homem-Sardinha?.. Ah!! Isso... Aquaman!”

(...)

No fim se semana seguinte, fotos do jantar romântico dos dois estouraram na imprensa: Ele a levara para jantar em Paris. Foi a primeira vez que apareceram de mãos dadas, mas nenhum dos dois confirmava nada.

Mas a imensa e esmagadora maioria da mídia estava, não apenas convencida, mas acreditava piamente que daria certo – inclusive, para o bem de seus lucros, que só aumentavam graças à avidez do público de consumir notícias sobre ambos.

De alguma forma, essa relação com Diana foi tão benéfica para ele que até a imprensa mudou a forma como o tratava. Desde o salvamento, e após a primeira declaração que dera aos jornalistas, Bruce Wayne fora visto desacompanhado em todos os eventos sociais que comparecera. Eventos aos quais reduzira sua presença para menos de 1/3 das festas que costumava ir.

A imprensa do mundo conhecia bem a fama do mulherengo playboy de Gotham, por isso, uma mudança no comportamento dele, privando-se da companhia de beldades, não passou despercebido pelos meios de comunicação. Além disso, a imprensa, que normalmente o tratava com um certo desprezo por seu comportamento, começou a mostrar empatia.

Para a mídia e também para o público consumidor desse tipo de noticias, “Se ele deixou até as mulheres de lado, é porque ele está levando a sério a missão de conquistá-la”.

♣ Trípoli || Algum lugar no território Líbio ♣

(Pouco mais de 12 anos atrás)

Ela era Talia al Ghul, a filha do Demônio. Ela jamais se curvaria a alguém que não seu pai, o grande Ra’s al Ghul. Ela comandava os exércitos de seu pai, a legião de assassinos mais letais que o mundo conhece. Ela era bonita, inteligente, forte, segura e... “covarde”, ela pensou, lamentando o que fizera.

Não que ela deixasse o medo transparecer. Nenhum dos soldados ou criados veria sua frustração em seus olhos. Apenas seu pai, que não conhecia os pormenores de sua angústia, mas era capaz de ver o suficiente para saber que se tratava do problema de sempre, a franqueza de sua filha: O detetive!

Ele permitiu que ela se recolhesse e ordenou que ninguém a incomodasse. Mas ela sabia que não era sensibilidade, seu pai simplesmente não queria lidar com as emoções tolas de uma mulher.

Sua irmã Nyssa a acompanhou até seus aposentos e Talia percebeu que ela também deveria suspeitar que seu abatimento tinha uma única fonte: O Batman. Ainda na porta, Nyssa disse a irmã que erguesse a cabeça, porque ela era uma al Ghul e isso logo iria passar, como sempre.

Mas Talia sabia que sua irmã estava errada. Não iria passar e ela sabia. Porque nunca passou. Ela apenas aprendeu a conviver com a dor de seu coração partido. Sua dor, na verdade, parecia cada vez mais sufocante sempre que era obrigada a deixar seu amado.

O sol quente do deserto não fazia bem à sua tez pálida e a falta de apetite, que só ela conhecia a verdadeira fonte, deixou-lhe fraca. Ela pensou nos braços de seu amado envolvendo-a, em uma acolhida protetora.

“Amado?!”, ela sussurrou quando ouviu um som vindo da porta.

Mas era apenas uma criada com uma bandeja de comida, recolhendo a anterior, intocada.

— Saia!

A serva se inclinou para uma reverência, colocou a bandeja sobre a mesa ao lado da cama e saiu.

Empurrando as portas de vidro da varanda, ela tomou o ar fresco da manhã, para ajudá-la a conter a náusea. Talia precisava se esconder, mas não era esse seu desejo. Ela estava se escondendo da pessoa errada.

A herdeira de Ra’s perguntara-se todos os dias, desde que o deixou ir, mentindo para ele, para afastá-lo, se havia feito a escolha certa. “Havia escolha?”, seu sorriso era melancólico.

No fundo, doía perceber que a cada separação, Bruce parecia cada vez menos ferido ao vê-la partir. Tão diferente de suas reações passionais ferozes, quando tentaram separá-los nas primeiras vezes, quando ele lutou por ela, para ficar com ela.

No fundo, por mais que as palavras que saíram de sua boca fossem para afastá-lo, ela queria que ele protestasse, que se negasse a deixá-la, que não a permitisse ir.

“Eu teria ficado? Teria tomado outra decisão?”, ela sofreu para encontrar a resposta. Ela não tinha. Ela não podia trair seu pai... Mas desta vez, as circunstâncias eram diferentes, então... talvez, se ele pedisse pra ela ficar...

Será que ficaria? Mas ele não pediu. Ele estava triste, mas era uma dor conformada, desesperançosa, inerte. Como se ele estivesse apenas esperando esse momento, que ele sabia que viria. Ela viu que ainda havia amor por ela em seus olhos, mas já não havia mais paixão.

A verdade dolorosa é que ela fora covarde. Ela pensou que poderia decidir pelos dois, ou melhor, pelos três, pela primeira vez, por conta própria. Deixar seu coração decidir, ao invés de seguir as ordens de seu pai.

Talia sempre considerou que a vontade de seu pai era sempre para o melhor. Não havia dúvida... Mas agora, cada fibra de seu ser gritava para ela que ela estava errada.

Seu vestido de cetim arrastou-se pelo chão de mármore enquanto ela voltava para o interior do quarto. Em sua mente nada além de seu “amado” e da mentira que contou para ele:

“Nosso filho está morto”, ela mentiu.

♣ Gotham City || Mansão Wayne ♣

(12 anos depois)

Era seu segundo dia como hóspede da Mansão Wayne, “morada de seu pai”, dissera-lhe sua mãe, quando estavam no carro, à caminho da mansão. Damian Wayne – não Ibn al Xu’ffasch, como seu avô o chamava – foi o nome que sua mãe lhe dera, pensando que seria mais adequado para ser usado na América – no fundo, Talia tinha esperanças de que um dia os três formariam uma família.

Ele suspeitara que sua mãe se juntaria a ele, hospedando-se na casa de Bruce. Na verdade, ele esperava que essa decisão de sua mãe, de finalmente levá-lo para conhecer seu pai, significava que eles formariam uma família e ficariam juntos. Mas sua mãe disse-lhe que era muito difícil de acontecer, porque ela e seu pai se separaram de maneira não amigável. Além disso, a última vez que se viram, ela o magoara profundamente.

Mas Talia nutria esperanças de que Bruce a deixasse realmente se hospedar na mansão. Ela tinha esperanças de poder recompensá-lo. Ela estava fantasiando em sua mente a vida ao lado do seu amado e de seu filho. Que o amor deles – dela e de Bruce – era forte o bastante para superar a mágoa e que ele, como sempre fizera, iria perdoá-la e dar-lhe a chance de amá-lo novamente.

Damian estava quase certo de que sua mãe havia se preparado, não apenas para deixá-lo sob a tutela de seu pai, mas para ficar com ele. Porém, quando viu sua mãe sair de um dos cômodos da casa, depois da conversa com Bruce, em direção ao carro, sem despedir-se dele, como se estivesse lutando para não chorar, Damian convencera-se que estava enganado.

A casa era imensa, digna de um homem escolhido para ser seu pai, embora menor que alguns dos palácios de seu avô. Ele começou a explorar o lugar. No segundo andar, ele se deu conta de que seu quarto não era próximo ao de seu pai.

Ele andou pelo corredor e viu uma porta aberta. O quarto ficava ao lado do quarto principal, que ele sabia que era o de Bruce. Embora parecesse não estar sendo usando, o ambiente dava a impressão de estar sempre esperando a vinda de quem o ocupara.

Um porta-retratos no criado mudo mostrava uma imagem de seu pai, bem mais jovem, abraçado a um garoto que parecia um adolescente – talvez 15 ou 16 anos. Na foto, o garoto olhava para cima, para seu pai (bem mais alto) e sorria com um “sorriso idiota”. Atrás do objeto, o nome Richard Graysson escrito. “Provavelmente um dos bastardos dos quais me falara a mãe. Meu pai deve ser generoso, abrigando e alimentando a ralé”, desdenhou.

Damian olhou ao redor. Havia um cartaz de circo na parede, troféus em uma prateleira e vários livros. Ele se enfurecera por não ter sido conduzido a este cômodo, ao lado de seu pai, onde era o seu lugar por direito. E decidiu que reivindicaria a seu pai a permissão para aplicar ao criado a correção devida por sua desatenção desonrosa para com o filho legítimo de seu mestre.

Por falar em criado, ele ficara completamente confuso com o comportamento com a criadagem. Ele fora ensinado que a satisfação de um servo é servir ao seu senhor, conservando uma postura humilde para com ele, nunca erguendo-se para encará-lo nos olhos, ao contrário, curvando-se para reverenciá-lo.

No entanto, a primeira coisa a deixá-lo colérico nesta casa fora assistir o criado colocar-se acima do pai, seu senhor. E o enfurecia ainda mais ter que observar em silêncio.

Bruce parecia aborrecido em ouvir as “recomendações” do mordomo. Damian não poderia admitir a insolência do empregado, de pé, com o queixo erguido, olhando nos olhos de seu pai, “como se fosse um igual”, enumerando ordens que ele chamou de ‘sugestões’, ficasse impune... E ainda sim, seu pai mesmo não querendo, obedecera. Era desonroso!

Saindo do antigo quarto de Dick, ele entrou em outro cômodo, em frente. Tinha uma placa com um nome na porta: “Jason” e estava trancado.

A porta de acesso ao quarto ao lado do de Richard também tinha uma placa. “Thimoty”. “Quem são essas pessoas? Por que estão nos quartos tão perto do pai? Seu pai tinha outros filhos? Sua mãe dissera que ele era o único filho verdadeiro, que tinha o sangue de seu pai. Sua mãe teria mentido?”, o menino franziu o cenho. Uma expressão idêntica a de Bruce.

Havia muito mais a ser explorado, mas Damian tinha uma infinidade de perguntas, especialmente, queria saber quando seu pai teria tempo para falar com ele. Concluída a exploração do dia, ele foi à biblioteca, pegou um livro e começou a ler, esperando que seu pai voltasse para casa.

Depois de horas, Damian adormeceu e o livro aberto em seu colo escorregou para o chão.

(...)

Dormindo, Damian mal percebeu quando alguém colocou um cobertor sobre ele. Tudo que ele sentiu foi o aconchego do calor tomando o lugar do frio.

Ele sentiu-se aquecido, no sentido mais amplo da palavra. Imaginara que seus sonhos o haviam levado a experimentar a sensação de conforto que estava sentindo agora. Era como se alguém o estivesse embalando.

A sensação o forçou a lembrar-se das raras vezes em que sua mãe o fez sentir-se assim. Não era culpa dela... Seu avô fazia questão de observar de perto seu treinamento e considerava esse tipo de comportamento materno (amoroso, protetor ou carinhoso) um desserviço desagradável que deveria ser evitado ao máximo – Ra’s queria fazer dele um guerreiro perfeito, uma arma letal, com o mínimo possível de sensibilidade ou emoções (que o Demônio tinha a intenção de reprimir nele, porque afirmava ser a chave que abre as portas de nossas fraquezas).

Ra’s não permitia que sua mãe fosse carinhosa com ele, nem quando ele era uma criança em tenra idade. Ele achava que as suas memórias do abraço, da voz de sua mãe cantando para ele, devem ter sido guardadas de quando era bebê.

A imagem de seu avô em seu sonho o trouxe de volta à realidade. Ele não estava sonhando: o calor que sentira vinha do cobertor que fora colocado sobre ele. E, quando sentiu que mãos finas estavam encaixando as pontas da manta nos cantos do sofá e por baixo dele, como se o empacotasse, para evitar que alguma parte ficasse descoberta, certamente era a razão da sensação que teve de ser embalado.

Quando ele abriu os olhos, ele viu uma mulher sorrindo pra ele. Normalmente, sua mente fazia comentários desdenhosos para si mesmo – quando alguém o dirigia sorrisos gratuitos. Geralmente, isso era hábito de pessoas com limitações intelectuais. Mas para sua surpresa, seu cérebro não se manifestou. E isso não era comum.

Mais incomum ainda é que ela continuava sorrindo para ele e isso não o estava incomodando, porque ela não parecia nem um pouco idiota.

Diana permaneceu em silêncio. De alguma forma, ela sabia que ele queria observá-la, em silêncio, como Bruce.

Ela ainda sorria, mas agora, já não era tão amplo. Só os lábios faziam um arco em sinal de divertimento. Os cabelos escuros tinham uma tonalidade tão forte que reluzia contra luz. Era cumprido e tinha a raiz lisa, que ia até a altura dos ombros; então ficava ondulado para formar grandes cachos nas pontas.

Ele olhou para a armadura e franziu a testa, arqueando uma das sobrancelhas no processo, com o mesmo semblante duro de seu pai. Mas Damian era um menino e essa rudeza era, no máximo, divertida. Por isso, ela riu. Desta vez, fazendo ecoar o som da risada leve.

Damian não estava familiarizado com os sentimentos que a interação silenciosa com a mulher o despertaram. Ele nunca conhecera alguém que o fizera sentir-se assim. Ele não conhecera mulheres além de sua mãe, sua tia Nyssa e Lady Shiva – haviam criadas também, mas não tinha qualquer contato com ele. Ele nunca conheceu uma mulher como ela.

A verdade é que seu silêncio não era para observá-la. Ele estava tentando entender a si mesmo. O sorriso dela não o aborrecia. Ele não o tomara como sinal de tolice. Ele não achava que ela fosse tola.

Damian não sabia porque, mas tinha a sensação de que ela era confiável. E ele poderia apostar nisso. Porque assim como sua mãe e seu avô, ele podia ler as pessoas só de olhar para elas, ele podia ver através delas e alcançar suas fraquezas.

Isso era estranho... Então, olhou para a armadura e Diana achou que era hora de falar.

— Olá! – Ela disse – Você deve ser o Damian!

— Quem é você? – O menino olhou pra ela, sondando-a, com a expressão impassível. “Assim como seu pai”, ela pensou.

— Eu sou Diana.

— Por que está aqui?

— Eu vim ver seu pai.

— Por que está usando uma armadura? Você pretende desafiá-lo? – o menino pôs-se de pé – Meu pai é um grande guerreiro. O melhor guerreiro do Ocidente.

— Não... Eu não pretendo lutar com ele. – “Pelo menos, não agora”, ela disse a si mesma e sorriu – Eu acabo de voltar de uma missão... Por isso, estou vestindo armadura.

Ele olhou pra ela esperando mais informações...

— Você sabe que seu pai é um membro da Liga da Justiça, não é? – Quando o menino balançou a cabeça em sinal positivo, Diana prosseguiu – Então... Eu também sou.

— Mas o pai não está aqui.

— Eu sei... É que... – Ela ponderou se deveria dizer que a mansão é um lar para ela, mas era melhor que Bruce dissesse sobre o relacionamento deles. – Bom, eu vou esperar na caverna... Boa noite, Damian. Foi um prazer conhecê-lo.

O menino foi para seu quarto. Seu pai não poderia conversar hoje. Ele ainda tinha negócios para resolver com um membro da Liga. Ele poderia falar amanhã.

Para sua surpresa, a mulher, “Diana”, fora a primeira pessoa que não detestara desde que chegou – em princípio. Ela o fez lembrar sua mãe: uma guerreira, lutando ao lado de seu pai.

Quem sabe ele sugerisse ao seu avô que a convidasse para se juntar a Liga dos Assassinos, junto com seu pai, que voltaria ao clã do Demônio, assim que ele o convencesse. “Se ela tiver habilidades, talvez a Liga possa dar-lhe uma chance”, ele pensou, entrando no quarto.

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Notas finais
Damian Wayne nasceu Ibn al Xu'ffasch, que significa, literalmente, "Filho do Morcego". Escrito em árabe (origem de seu nome): داميان الغول Filho de Bruce/Batman e Talia al Ghul, Damian é neto de um dos maiores inimigos de seu pai, Ra’s al Ghul. O personagem apareceu originalmente ainda criança, em 1987, na História – ‘Batman: Filho do Demônio’. Depois disso, surgem várias Hqs e animações em diferentes universos retratando o personagem, como em ‘Batman and Son’. Denny O'Neal escreveu a história O Filho do Demônio onde mostra que Talia engravidou e teve um filho de Bruce, com o qual ele acaba não tendo contato. Bruce acabou o reencontrando já um tanto crescido. Damian era um menino que fora treinado por seu avô Ra's para ser seu herdeiro como líder da Liga dos Assassinos. Assim o menino, desde a mais tenra idade foi treinado pra ser um guerreiro mortal e impiedoso, chegando mesmo a ter matado uma pessoa durante o treinamento, por ordem de seu avô. A princípio Damian odiava o pai, além de ter tendências à violência. Mas aos poucos, a relação passa a se tornar mais afetuosa e Damian aos poucos vai abandonando as tendências cruéis que apresentava.