Broken Hearts
61 Em pratos limpos

"Ainda que a traição seja por um bom motivo,
o traidor é sempre odiado”
(Miguel de Cervantes)
♣ Mansão Wayne || Batcaverna ♣
O Batman olhou para a tela central do computador da Batcaverna, exibindo a imagem de Diana adormecida, sobre a cama confortável de seu cômodo hospitalar privativo. Sua ordem expressa para equipe médica de plantão era de que, terminadas os cuidados emergenciais, ela fosse levada até lá, onde se recuperaria em instalações mais confortáveis.
Reza a lenda, que o formidável Batman sabe sobre tudo. Que não se pode esconder nada dele. Por isso, falar qualquer coisa a seu respeito era praticamente um tabu na Liga. Do herói mais experiente ao novato, Batman era o nome menos citado em conversas que não fossem sobre suas ações heroicas ou sobre o medo que ele impõe nos bandidos de Gotham.
Porém, para as enfermeiras e médicos da ala hospitalar da Torre da Liga, certos acontecimentos eram tão impressionantes que tornara impossível a tarefa de frear a língua. Especialmente se o assunto envolvia o Batman e a Mulher Maravilha.
Batman raramente era visto na Torre. Mais raras ainda eram suas visitas ao setor médico – geralmente, para uma visita rápida ou uma conversa com o Caçador de Marte, que coordenava a equipe médica. Ele tratava os ferimentos em Gotham e fez uso de sua área restrita apenas uma vez, desde a reconstrução da Watchtower.
Mas sempre que a princesa amazona era encaminhada à enfermaria para tratar de lesões mais graves, quase 100% das vezes, a equipe tinha que lidar com o Morcego assustador controlando tudo referente ao tratamento dela. Os médicos recebiam ordens expressas de informá-lo sobre medicação, dosagem, reações, e todo quadro clínico da paciente.
Ele ficou com ela na UTI por três dias, quando ela sofreu inúmeras perfurações graves em batalha. Mesmo as fofocas sobre um possível romance entre ela e o Superman, logo foram descartadas diante de atitudes como estas.
Os médicos mais jovens, especialmente mulheres, imaginavam o Morcego como o personagem do Fantasma da Ópera, que cobria o rosto para esconder uma cicatriz. Elas diziam que ele havia se apaixonado pela princesa, mas tinha medo de confessar seu amor, com medo que ela o rejeitasse por causa de sua deformidade.
A maioria das enfermeiras e médicos não eram tão românticos. Ninguém duvidava que a Mulher Maravilha era alguém com quem o Batman se importava profundamente. A leaguer que recebia mais da sua atenção – na verdade, praticamente a única a quem ele dava atenção. O que surpreendera a todos era a reciprocidade dela.
Eles eram tão diferentes um do outro. Completamente incompatíveis. Como água e óleo, que não se mistura... Os observando individualmente. Mas quando estavam juntos, eles não pareciam tão diferentes assim.
(...)
Bruce não percebeu que passara os últimos 40 minutos observando a mesma imagem projetada pelas câmeras instaladas em sua instalação médica na Torre. Diana parecia estar dormindo profundamente. Seu peito subia e descia devagar, indicando que sua respiração normalizara.
Ele observou cada parte dela passível de observação. Os arranhões superficiais e as contusões sem gravidade estavam quase cicatrizadas, mas os cortes mais profundos mal pareciam ter sofrido qualquer melhora significativa. Ele pediria a J’onn para verificar o que havia de errado com ela, se o marciano não estivesse também em recuperação.
Batman queria ir até lá, monitorá-la de perto. Beijá-la, sentir seu perfume, abraçá-la, trazê-la para mansão e cuidar dela. Mas, ainda que seu coração gritasse deliberadamente exigindo-lhe estar ao lado dela, ainda que desejasse atender seu coração, ele não podia. Ele precisava de tempo para se concentrar, reunir forças, retomar o controle total sobre si mesmo... O que seria impossível se estivesse na presença de Diana, sendo açoitado pela culpa, sentindo-se responsável por feri-la, assombrado pelas imagens da princesa morta.
Ele precisava de tempo para desconectar-se de suas emoções, em polvorosa, causando uma tempestade dentro dele. Ra’s o levara ao limite físico e emocional. Seu inimigo o deixara quebrado demais para suportar o fim de seu relacionamento sem desmoronar. Ela iria deixá-lo assim que soubesse sobre seus protocolos. E ele não estava pronto para enfrentar a dor e a decepção nos olhos de Diana.
Batman sentiu um certo pavor. Ele sabia que esse momento estava chegando, mas não conseguia dizer a verdade agora mesmo. Além disso, agora que a crise imediata acabou, um problema diferente estava tomando conta de sua mente: encontrar Ra’s e fazê-lo pagar.
Ele agradeceu o fato de ter 24h até a reunião com a Liga. Clark o informara que alguns membros precisavam de tempo não apenas para tratar os ferimentos, mas sobretudo, para descansar, para aliviar as tensões antes de serem novamente expostos às tensões do assunto da reunião.
Bruce desligou a transmissão das imagens de Diana. Ele precisava se esforçar para enterrar novamente seus sentimentos, bem como a si mesmo. Tudo voltaria a ser como era antes dela. Sua vida não tinha lugar para ela. Apenas para Wayne (o playboy) e para o Batman.
Ele não podia olhar para Diana depois disso, depois do que ele tinha feito. Ele quebraria ao ouvi-la mandá-lo embora de sua vida para sempre. Bruce não suportaria vê-la chorar, magoada e ferida por ele... Só o Batman poderia lidar com isso.
♣ Órbita da Terra || WatchTower || Sede da Liga da Justiça ♣
Ele apreciava o silêncio em demasia. Por isso, repreendeu-se intimamente por senti-se tão incomodado com a quietude silenciosa que experimentou, desde que desembarcou do Batwing, no Sentinela.
Era a realização de um sonho. Não havia outro som ecoando pelos corredores que não fossem os ruídos artificiais das máquinas que mantinham a Torre funcionando. Mas o que silenciou o Sentinela fez do sonho um pesadelo impossível de ser apreciado.
Ele podia ouvir seus passos, cada vez mais pesados, à medida que se aproximava da Sala de Reunião.
O Batman permaneceu imóvel diante da porta, até sentir-se pronto para encarar as pessoas lá dentro, que estavam esperando por ele. Sua hesitação não tinha nada a ver com medo. Eles tinham medo do Batman – agora, mais que nunca, certamente – mas o Batman nunca os temeu.
Ele só estava cansado. Na verdade, exausto, física e emocionalmente. Sentia seu corpo arqueando com o peso do mundo sobre si. Ele só precisava de um tempo. Alguns minutos para respirar fundo e erguer os ombros. Para se convencer que não se importava com sua iminente expulsão da Liga.
Seu comando de voz fez as portas se abrirem e som do assobio do movimento das placas de aço deslizando enviou uma onda de eletricidade desconfortável sentida por todos, mesmo por ele.
Cinco olhares voltaram-se em direção à entrada, onde ele permanecera de pé, longe da mesa. Cada expressão dizia-lhe algo diferente:
Clark estava olhando pra ele fixamente, como os outros quatro. Mas de algum modo, seu olhar era o único que parecia ver através das lentes do capuz. Superman, assim como Diana, era completamente transparente e fácil de ler. Estava estampado o sentimento: Decepção! Como quem lhe diz: “Você era meu melhor amigo. Eu pensei que você também me considerava um amigo, Bruce”.
J’onn: Incompreensão. Uma criatura pacífica como o Marciano não poderia compreender suas razões. “Por que, Batman? Você sempre se manteve irredutível quanto à sua regra de não matar. Por que você elaboraria planos para eliminar membros da Liga? Não faz o menor sentido!”, dizia seu olhar.
Shayera e John compartilhavam o mesmo sentimento: Raiva. A diferença estava nas razões que justificavam essa reação para cada um deles. Não como Diana e Clark, mas John e Batman se tornaram bons amigos. Uma amizade que o Batman não poderia negar, já que o Lanterna Verde era uma das raríssimas criaturas com quem ele se dignava a conversar.
John estava com raiva por motivos passionais. “Não se trai um amigo, Batman. Homens honrados atacam olhando nos seus olhos, não com punhaladas nas costas”.
Shayera era mais simples. Ela estava zangada por ele ser tão hipócrita. Ela sabia que ele havia votado por sua expulsão da Liga. Ela superou isso. Se pudesse, ela também votaria por sua demissão. Mas revendo a postura do Batman agora, após os eventos, a enfureceu. “Como você pode ser tão hipócrita? Me condenando quando você também estava traindo seus amigos?”.
Wally só parecia magoado e triste. Era como um garoto que acabara de levar uma surra do pai, por algum motivo injusto.
Cinco olhares. Cinco sentenças.
(...)
Depois de enfrentar cinco, dos seis membros seniores da Liga, finalmente seus olhos se detiveram sobre ela: Diana.
Ela foi a única que não o encarou quando ele entrou. Seu olhar estava baixo, como se estivesse olhando o chão, seus olhos estavam distantes, longe dali. Bruce a conhecia o bastante pra saber que ela não queria estar lá. Não agora.
Protegidos pelas lentes, seus olhos varreram o corpo da princesa amazona cuidadosamente. Detendo-se um pouco mais de tempo observando seus ferimentos. Havia cortes superficiais nas bochechas, braços e coxas. E bandagens na coxa e no braço (provavelmente mais profundos). Ele odiava vê-la ferida.
Ela estava tão pálida. Tão distante.
Ele queria olhar em seus olhos. Uma última vez. Vê-la sorrir, uma última vez. Mas ela obviamente não queria olhar para ele e ninguém poderia culpá-la.
Suas ações eram perfeitamente válidas, certamente perceberam isso? Não era sua intenção feri-los; Ele não saiu do seu caminho para intencionalmente prejudicá-los. Ele só queria ter certeza. Ele sempre teve que ter certeza. Nada deixado ao acaso. Nada deixou de confiar. Nada deixou para esperar. Esse era seu mantra, seu modus operandi (como costumava dizer seu pai). Em incontáveis missões e operações, sempre que ele faria algo pouco ortodoxo ou "não de acordo com o protocolo", ele seria perdoado, independentemente de quão séria uma infração ou violação.
Desta vez, no entanto, Batman sabia que ele tinha ido longe demais — em seus olhos, isto é — ele cruzou uma fronteira moral em que eles não poderiam deixar de lado.
Mas, sem surpresa, ele não se importava.
Ele era o Batman: o pária, o louco; Aquele que era obrigado a fazer as escolhas difíceis; Aquele que percorria os tons de cinza; Aquele que não tinha uma vida normal, não volta pra casa onde o aguardam sua esposa e filhos; aquele carregando a pesada cruz de protetor de Gotham.
Sentou-se em seu assento — ligeiramente distanciado de todos os outros — sem fazer nenhum movimento para cumprimentar ou mesmo reconhecer alguém ao seu redor. Ele se sentou em sua cadeira, seus dedos em um campanário. Ele esperou.
Limpando a voz, Superman se levantou e se dirigiu à mesa.
— Sofremos danos sem precedentes – Superman olhou os rostos inquietos ao seu redor – obtivemos uma percepção clara de como nossa organização é delicada quando informações sigilosas caem em mãos erradas. Nunca estivemos tão perto da morte. Tão quebrados e derrotados. Nossos inimigos expuseram apetites de crueldade e selvageria quando nossas fraquezas foram expostas...
Batman, no entanto, permaneceu indiferente a trocas silenciosas em torno dele, seu olhar incrivelmente rígido olhando para o Superman.
— Eu acredito que é imperativo que nós revisemos a evidência em como esta informação foi obtida... – Superman foi interrompido.
— Os planos eram meus... Acho que vocês já sabem, não é Flash? – Bruce ressaltou.
O olhar de Superman piscou brevemente sobre Batman. Todos os presentes na mesa sabiam quem era que tinha mantido registros sobre suas habilidades e fraquezas; Que as guardava para si e não confiava em ninguém; Que projetou contingências incapacitantes extremamente eficazes (e secretas). Mas ouvi-lo admitir doeu. Especialmente para Clark e ainda mais para Diana.
O comportamento estóico de Batman atingiu níveis históricos. Permanecendo completamente imóvel apesar dos reconhecimentos silenciosos óbvios em torno dele.
Ele nem sequer piscou. Não havia remorso. Não havia nada. Parecia um homem de gelo. Mas, no meio de todas as emoções passionais, havia algo mais misturado nos olhares de ódio e raiva. Algo que teria passado despercebido para qualquer um. Qualquer pessoa, exceto uma pessoa com as experiências extraordinárias (e sombrias) de Bruce Wayne: Medo.
Oh sim, Batman era bem versado nesta emoção particular. Afinal de contas, era ele quem tinha caído em um vazio preto interminável desse bem, impotente e sozinho. Ele, que tinha perdido seus pais para as mesmas pessoas que eles estavam tentando ajudar.
Batman sabia por que eles estavam com medo dele.
— Morcegão... Eu sei que você sempre faz o que é necessário, mas nós somos seus amigos, não somos?
— Concordo – disse John – Eu pensei que confiávamos uns nos outros, como uma família.
— Eu poderia ter revelado outras mil maneiras de me imobilizar, Batman – Disse J’onn – Mesmo que sua pesquisa levasse a mesma conclusão.
— Somos uma família – Disse Superman, a frustração agora penetrando em sua voz – Família não faz isso uns aos outros, Batman. Juntos poderíamos ter projetado contingências sobre como nos parar, porque Eu confio em Flash para não roubar um banco, eu confio em John NÃO para matar pessoas, eu confio J'onn NÃO invadir minha mente, eu confio em Diana NÃO me amarrar em seu laço, eu confiei em você para não nos apunhalar pelas costas. Se eu não confiasse em você, não teria lhe confiado um anel de kryptonita.
Batman não disse nada, os métodos brutos de Ra para mascarar emoções funcionaram muito bem. Ele estava considerando uma resposta pontuada e sucinta. Mas ele vacilou em sua proposição quando olhou para Diana de soslaio. Lágrimas caindo pelo seu rosto e a expressão ainda impassível.
Batman quase estremeceu quando uma pontada afiada de culpa o atravessou, como uma lâmina gelada e fria que penetrava profundamente em suas costelas. A dor nunca chegou ao seu rosto, mas era certo que estava fazendo um dano considerável.
— Você tem alguma coisa a dizer em sua defesa, Batman? – disse Clark.
Batman não respondeu. Ele apenas ficou quieto, seu olhar trancado.
Diana quebrou o silêncio.
Diana voltou a falar.
— Nós vamos votar, Batman. – Parecia uma prece – Diga alguma coisa, por favor – Ela suplicou suavemente.
Suas palavras funcionaram.
— Eu... eu não tenho vergonha do que eu fiz – Ele disse, lentamente – O poder concentrado nesta sala de reuniões é imensurável. Estamos todos a um milímetro de distância de nos tornarmos o mal que combatemos. Somos os heróis de nossas próprias cruzadas, os vilões contra os quais lutamos verdadeiramente. Se um de nós cairmos no vazio, que nos deteria? Quem poderia nos parar?
Ninguém respondeu. Todos olharam para ele com olhares de incredulidade com o que ele acabara de sugerir.
Batman sabia que seria expulso. Eles não podiam manter um membro que operasse como ele operava. Olhou para os rostos de seus companheiros e, como esperava, viu flashes de sua traição? Raiva, dor... Nos olhos de Diana, a decepção estampada. Tristeza, melancolia.
As entranhas de Batman se contorceram de culpa, ele tinha visto aquele mesmo olhar apenas uma vez antes. Foi no rosto de Alfred na noite em que Bruce lhe disse que não se importava com seu nome. Não se importava em honrar o nome da família Wayne.
— Como você não pode confiar em nós, Batman? – Perguntou Diana – Eu achava que éramos seus amigos... Pensei que você me considerava uma amiga.
Os outros membros estremeceram: Superman desviou o olhar, John continuou a brincar com seu anel, Shayera virou de costas, J'onn fechou os olhos e Flash olhou para a mesa, pendurando a cabeça, lamentando tudo.
Todos sabiam que Diana o amava e a dor na voz dela não escondia isso.
— Vocês não são meus amigos. – Rosnou Bruce. – Eu não confio em ninguém. Não posso me dar esse luxo... Não posso! – Todos se voltaram para Diana, que parecia ter sido esfaqueada. – Fiz o que era necessário, se eu tivesse vindo a você e planejado essas contingências com sua colaboração, eles seriam inúteis.
— Nós nunca traímos você, nunca planejamos nada pelas suas costas – exclamou John, abandonando a amabilidade.
— Então vocês são tolos idiotas – Batman respondeu. – Só vêem o bem nas pessoas. Se eu me tornar um demônio, vocês não saberiam como me parar. Isso é estupidez.
O peito de Diana estava levantando, o cabelo selvagem, a sombra de dor percorrendo seu olhar, focados no Batman, que não estava dando a ela qualquer base, ele estava dando a ela o olhar mais severo que ele poderia reunir.
Todos os outros, John, Superman, Flash e J'onn, estavam todos olhando um para o outro do canto dos olhos, deliberadamente mantendo silêncio, evitando misturar-se com o fogo cruzado dos reluzentes olhares entre Batman e Diana.
— Vocês todos não estariam nesta situação se tivessem passado alguns minutos em Gotham! – Batman ironizou.
— Oh, claro! – Diana reuniu o que sobrava de suas forças – Nossas habilidades combinadas de vôo, força e velocidade seriam completamente inúteis no submundo criminoso de Gotham. Desculpe, Superman, Flash, Lanterna e Shay, mesmo você J’onn – Diana continuou, cheia de sarcasmo – Não estamos à altura da cidade do Batman.
Batman bateu os punhos violentamente na mesa.
— VOCÊ NÃO ESTÁ. NENHUM DE VOCÊ ESTÁ. Não é pegar o cara mal e colocá-lo na prisão, princesa. Você nunca teve que examinar o cadáver de uma mulher estuprada até a morte; nem juntar partes de corpos.
— Eu estava lá quando os crimes de Elliot foram cometidos. Você esqueceu? – Diana ergueu uma sobrancelha. – Isso é o que você faz, Bruce. Você se condena: Não posso ser feliz. Não posso ter amigos. Não tenho família. Não tenho nada.
— Eu... Você não entende – Batman balbuciou, as memórias da morte de seus pais em sua mente, latejando.
— Oh, você também sente não é? Dor? – Diana soltou um soluço e começou a chorar silenciosamente diante dele – É bom saber que você pode realmente sentir alguma coisa, Bruce. Talvez agora você possa entender o quão dilacerante é a dor que sente quem se importa com você e é pisoteado com seu comportamento.
Batman pela primeira vez, em muito tempo perdera a capacidade de falar. Ele ficou ali, parado, sentindo-se inábil, preso, ferido, cansado. Lentamente ele se virou e saiu andando.
Podia-se ouvir o som das botas tocando o chão. Ele parou novamente em frente a porta. Depois de um momento, ele falou baixinho, sua voz carregada pelo silêncio absoluto na sala.
— Eu não queria... Eu nunca quis que nenhum de vocês fosse ferido. Mas se eu tivesse que fazer de novo, eu não hesitaria. Alguém precisa fazer a escolha por este caminho.
Ele se virou, seus olhos decididamente estavam evitando Diana.
Batman respirou fundo, sua mente estava preparada para o fim.
— Não precisam votar. Estou renunciando. Eu vou manter o financiamento da Liga por um ano. Até vocês encontrarem um novo mantenedor – Batman disse – Foi um prazer – Ele fez uma leve reverência.
Com olhar periférico Batman olhou para eles, ainda evitando o olhar de Diana, seu tom de voz baixou do frio para o gelado.
— Adeus!
Uma voz doce soou deliciosamente perto.
— Bruce... – Diana sussurrou.
— Eu sei, princesa... Não precisa dizer nada... Adeus! – Batman sentiu sua armadura mais pesada que nunca.
Ele queria abraçá-la, beijá-la, dizer que a ama. Mas esta é a parte essencial de sua identidade: sua promessa. Sua missão.
No entanto, nos recônditos mais silenciosos e distantes de sua mente, um puxão de emoção surgiu. Nenhuma experiência ou treinamento o preparou para isso.
Olhar pra ela o feriu, como uma espada atravessando o coração.
Diana. Sua princesa!
Doeu horrivelmente. Olhar para ela tão perturbada e chateada, sabendo que ele era o responsável.
Seu estômago fervia e suas entranhas queriam pular de dentro para fora da carne. Ele sentiu falta de ar. Queria correr, se esconder. Não sentir-se tão culpado.
— Sinto muito, Diana.
Ele disse antes das portas deslizantes se encontrarem e ela ser cortada de sua vista.
Ele fez sua escolha. Ele se foi!
♣ ♣ ♣
FLASHBACK ON
♣ Torre de Vigilância || Dormitório 003 ♣
|| Três horas antes da reunião ||
— Di, como você está? – Superman perguntou, entrando no dormitório para verificar sua melhora.
— Eu estou bem, Kal. – Ela respondeu, olhando em seus olhos azuis profundos – Alguma notícia do Bruce? Eu não consigo falar com ele.
— Não... nada! – Clark estava preocupado como ela iria reagir quando ele lhe desse a notícia sobre o que Wally tinha-no revelado.
— Estranho... Ele não me atende.
Superman olhou pra ela com um olhar estranho. Ela o fitou, tentado decifrá-lo.
— Kal... Por que você está me olhando assim?
Clark arregalou os olhos por alguns segundo antes de responder.
— Di, você... Você...
— Eu o quê, Kal? – Diana perguntou atônita.
— Você está grávida.
— O quê? Você está louco, Kal. Eu não posso engravidar. Minha genética não permite. Eu fui trazida à vida do barro. Eu nem sei se meu sistema reprodutor é normal... – Ela respondeu, ainda tentando entender a confusão dos sentimentos dentro de si mesma. – Como você sabe? Como pode dizer isso, Kal? Não brinque com isso, por favor.
— Di... Eu estou ouvindo... Há mais de um coração batendo além do seu. Eu posso ouvir vindo de dentro de você.
FLASHBACK OFF
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