Broken Hearts
71 Duelo de Titãs
Notas iniciais

“Não há derrota na morte.
Dar a vida defendendo aquilo que é certo
é uma vitória”,
(Alfred Pennyworth >— In: Batman Begins)
♣ ♣ ♣
♣ Fortaleza de Ra’s Al Ghul || Líbano ♣
Ao ver o Morcego de Gotham se unir à Ibin e à amazona, Shiva tomara o mesmo caminho.
— Batman! – Ela o dirigiu um cumprimento discreto, movendo a cabeça com uma ligeira saudação.
Uma saudação que Damian só a vira dirigir ao seu avô.
— Shiva! – Seu pai retribuíra com o mesmo movimento discreto.
— Finalmente, eu terei um combatente à minha altura – Batman pôs-se à frente de Damian e Diana, encarando a letal assassina – Ser o melhor no que faz cobra um preço alto, detetive: meus adversários não me oferecem nem mesmo entretenimento em uma luta.
– Você devia ampliar seu raio de atuação, Shiva – Apesar do comentário irônico, o Batman parecia tão feroz quanto o habitual – Você está desperdiçando suas habilidades como uma serviçal de Ra’s, executando tarefas irrelevantes.
A assassina mais letal de Al Ghul estreitou os olhos:
— Ainda que você estivesse certo, Morcego. Não faria diferença. Só há dois adversários no mundo que poderiam me enfrentar em pé de igualdade. – Ela tomou uma posição de confronto – Meu mestre e você... E, desde que você esteja em forma para me dar seu melhor, eu me contento em ter esperado 12 anos por esse confronto.
Damian viu o movimento sutil de seu avô em direção à uma rota de saída e gritou para o Batman sobre a fuga de Ra’s. Ele e Diana queriam assumir a luta contra Shiva, para que o Cavaleiro das Trevas cuidasse do Cabeça de Demônio.
Bruce não queria deixar seu filho e sua esposa grávida com sua adversária. Lady Shiva era uma das assassinas mais letais do planeta (meta ou não meta). Ela era mortal... Ele sabia que por melhores guerreiros que fossem, suas habilidades combinadas não eram superiores as de Lady Shiva – uma luta contra ela, com Diana estando grávida e ferida, no máximo, deixaria a luta semi-equilibrada (com uma pequena vantagem em favor da ninja).
— Se você quiser defender sua família, Batman, ao invés de confrontar seu inimigo, dê-me a honra de fazê-lo eu mesma. Seria um prazer trazê-lo aos seus pés, empalado pela espada de Atena – Hipólita se aproximou, oferecendo a alternativa, que por um momento, Bruce achou que se tratava de algum tipo de divertimento amazônico.
— Nós podemos cuidar de Shiva e... de Diana, Batman – Red Hood completou o quarteto que veio para backup do Morcego – Só você pode deter Ra’s. Vai logo, antes que ele fuja!!
O Caped Crusader tomou a deixa e correu na direção de seu inimigo, que furtivamente deixara a sala de controle em direção ao hangar de emergência, onde encontraria um jato de fuga.
♣ Tóquio || Japão ♣
Cyborg escaneou a cidade em busca de algo que indicasse a localização de onde o grupo enviado por Ra’s liberaria o vírus. As suspeitas foram reduzidas a dois locais: o Aeroporto Internacional de Tóquio e a Estação Central de Metrô. Escolhas lógicas para um genocida, dada a quantidade de pessoas que circulam 24h/dia nos locais.
Victor informou aos demais leaguers que os aeroportos internacionais de cada cidade deveriam ser a prioridade do Cabeça de Demônio, porque a contaminação não ficaria restrita à localidade, mas se espalharia rapidamente pelo mundo, através de turistas contaminados. Por isso a escolha por cidades não apenas populosas, mas sobretudo destinos turísticos que atraem pessoas do mundo inteiro.
Como o Batman havia alertado, Ra’s Al Guhl era um demônio imortal e genial.
(...)
O corre-corre de pessoas tentando sair dali, ou procurar um lugar para se proteger até ter essa chance, parecia o Armagedom, quando se adicionava os gritos de desespero delas à cena provocada pela luta entre heróis e vilões.
Kara tentava, em vão, convencer Bizarro de que não queria machucá-lo. Contudo, mesmo apenas se defendendo dos golpes dele, a destruição do ambiente não era nada insignificante.
A força dos socos a fez atravessar paredes, destruindo o que estivesse no caminho deles – em menos escala que numa luta feroz entre ambos, mas ainda sim, digna de causar danos o bastante para amedrontar o público. Mesmo ela ou seu primo Kal, sabiam que Bizarro não era um vilão, mas uma criatura ignorante usada pelos verdadeiros vilões. Por isso, preferem não lutar com ele, ou machucá-lo, até terem a oportunidade de detê-lo.
(...)
O Caçador de Marte e Booster Gold não tiveram dificuldades em deter o sécto de assassinos de Ra’s. Embora as duas dezenas de homens de Al Ghul fosse letal em uma luta corpo a corpo, poderiam ser facilmente detidos em um combate com dois meta-humanos – ainda mais, sendo um deles um dos membros mais poderosos da Liga (o Marciano).
A expressão preocupada no semblante de Victor, visível na parte humana de seu rosto, levou J’onn a presumir, sem a necessidade de ler a mente do jovem, que nenhum dos assassinos abatidos carregavam o vírus – eles eram uma distração.
Sem titubear, J’onn abriu a mente para varrer a da multidão, a fim de encontrar entre eles quem carregava o patógeno – mesmo que essa ação lhe causasse dores horríveis, em virtude de sua alta sensibilidade empática, que o faria sentir o que a multidão desesperada sentia (todos, de uma vez).
Ele caiu de joelhos, segurando a cabeça entre as mãos, gemendo, antes de apontar para Cyborg a mulher usando um véu escuro, prestes a saltar do 4 andar.
J’onn sentiu o desespero não de medo, mas resignado dela, orando silenciosamente para cumprir o que deve pelo bem da humanidade, que seria purificada.
O homem-máquina usou jatos propulsores para voar até ela, assim que ela saltou.
(...)
Kara, Cyborg, J’onn e BG impediram o contágio em Tóquio!
♣ Dubai || Emirados Árabes Unidos ♣
Galatea entrou em confronto com Grodd, à frente da operação. Para garantir o sucesso do plano. Mas mesmo sua genialidade não foi páreo para uma replicante, clonada da Supergirl, que tinha os mesmos poderes que Kara e Kal-El.
Enquanto o Grande Sombra, após evacuar os civis, se dirigiu à pista de pouso e usou sua meta-habilidade de se agigantar, para se elevar a uma altura de um prédio de 15 andares, segurar os aviões que estavam taxeando para pousar e colocá-los, um a um, em um lugar afastado, onde os passageiros e tripulantes ficariam longe de perigo.
O choque indignado com o ultrajante uniforme da heroína da Liga foi abafado pelo medo, quando os assassinos de Ra’s apareceram em bando, em meio a quem estava no aeroporto internacional.
(...)
Desembainhando as espadas, cerca de 30 ou 40 homens, atacaram os leguears e alguns civis, para desviar a atenção.
O Sorriso da Thanagariana era uma mistura de satisfação e fúria. Para quem não a conhecia, a combinação com o brilho de excitação nos olhos, era assustador. Ela parecia gostar daquilo – e gostava mesmo. O que para um cidadão comum, é incompreensível.
Shayera quase pediu ao Grande Sombra que a deixasse cuidar sozinha dos assassinos, mas a urgência em detê-los era mais importante que sua apreciação pessoal.
Ela e o jovem rapaz feito em laboratório pelo Cadmus, derrotaram os homens de Ra’s, mas nenhum tinha o vírus.
(...)
Lanterna Verde (John) gerou uma bolha de energia com o anel para confinar o vírus, recém-liberado pelo jovem à serviço de Ra’s, ao se atirar do último andar do aeroporto na direção do térreo – para garantir sua morte antes da contaminação, que causaria uma morte pior.
O círculo verde se fechou à milímetros do chão, interceptando o jovem e o vírus, mas não o impedira de quebrar a ampola por conta própria e se matar em seguida, usando uma pequena lâmina escondida para costar a garganta.
(...)
John, Shayera, Tea e Grande Sombra impediram o contágio em Dubai!
♣ Rio de Janeiro || Brasil ♣
Afastar os civis e manter os curiosos a uma distância que não lhes oferecesse risco não foi uma tarefa relativamente simples de ser executada, como em Tóquio e Dubai. Em se tratando de Brasil, nem mesmo o herói meta-alimentado por poderes cuja fonte era o todo poderoso Zeus, conseguiu ter sucesso na missão de evacuar os civis, afastar as aeronaves que haviam acabado de pousar ou estavam prestes a realizar o pouso.
Mas o pobre Capitão Marvel não era culpado pelos civis dentro do saguão, se esgueirando no meio das lutas, como se não tivessem medo do perigo.
Quando Gelo se aproximou para ajudá-lo a manter os cidadãos longe de perigo – formando uma imensa barreira de gelo para impedir a entrada deles e prendendo os que se atreviam a ficar na “linha de fogo”, para filmar as lutas com celulares, em ‘iglus’ sem abertura lateral, apenas no topo, para entrada de ar.
(...)
Se alguém deveria assumir a culpa por atrair a atenção em demasia e, consequentemente, provocar o aumento exagerado no número de curiosos – causando o triplo de problemas – deveria ser o rei de Atlântida.
Todavia, para bem da verdade, se como Arthur Curry, filho de um simples pescador, sem posses ou títulos, ele não passava desapercebido em lugar algum e não era do tipo fácil de esquecer; Orin (seu nome atlante), rei dos mares, membro sênior da Liga da Justiça, era um show-man impossível de ser ignorado.
Quem diabos poderia ficar indiferente à visão da figura que emergiu das águas, vindo de lugar nenhum, atravessando o caminho que leva à beira-mar com tranquilidade, como se o mar não quisesse importuná-lo com a força das ondas que sempre empurram os banhistas?
Aquaman foi seguido por curiosos hipnotizados por sua figura – sem a armadura, de pés descalços, vestindo apenas uma calça que, pela precisão do ajuste ao seu corpo, parecia uma segunda pele; deixando a mostra braços e tronco esculpidos à perfeição. Somado à isso, a aparição sem cerimônias de um dos mais notórios heróis da Liga em meio a multidão na praia de Copacabana, em um sábado de sol, no verão Carioca, centenas de pessoas interessadas apenas em filmar a luta, sem qualquer preocupação com a própria segurança.
Bastou 30 minutos de confronto com Mulher Leopardo e Katana para irritá-lo além do limite. A furtividade de ambas ao atacá-lo lhes garantiu poucos – comparados aos que ele impediu – mas incômodos, golpes que o acertaram. Cortes em sua carne nua, feitos por uma espada e pelas garras afiadas de uma felina.
Quem conhecia o temperamento explosivo de Arthur saberia que não era vantajoso enfurecê-lo a tal ponto. Suas discussões com o Batman eram sempre por ele não pensar nas consequências de sua agressividade quando está irascível.
Ao rosnar furioso, elevando o tridente de Poseidom acima do peito, antes de batê-lo contra o chão com tanta força que afundou a estrutura, ele não pensou que o exagero de suas ações poderia causar mais que a derrota de suas adversárias.
Toda estrutura estremeceu após a batida. Era a força da água correndo por toda tubulação, vindo de todos os cantos, para jorrar violentamente em todo ambiente, atingido Cheeta e Katana como uma parede de tijolos, deixando ambas inconscientes.
Por sorte, seus amigos não foram atingidos!
(...)
Olhando a cena com Billy, Wally entendeu porque Fogo sugeriu ao Azulão enviar uma equipe com, no mínimo, 5 heróis para o Brasil. Ele aprendeu muito sobre o país com sua namorada brasileira: Beatriz da Costa, a heroína de corpo escultural e cabelos verdes.
Os brasileiros eram um povo, em sua essência, agradável, acolhedor e amigável. Mas que dariam trabalho para manter longe de encrenca.
Ninguém o viu gargalhar ao ver o pobre Shazan levar os curiosos voando para o lado de fora e eles retornando, como um bando de filhotes levados, que enlouquecem o dono que os põe de volta na caixa – uma batalha sem fim.
O Flash poderia ter derrotado seu adversário em metade do tempo que gastou, mas ele queria se divertir um pouco às custas do Capitão Frio. “Que o Morcegão nunca fique sabendo disso”, ele pensou.
(...)
Enquanto a multidão fugia, em direção às portas de saída, a menina tentando abrir caminho na direção contrária chamou a atenção de Beatriz. Quando a jovem tomou caminho para fora do prédio, a heroína a seguiu, comunicando os outros que localizara o portador do vírus.
Fogo a viu hesitar, chorando, antes de atirar o objeto em sua mão.
— Você não precisa fazer isso – Beatriz falou com docilidade.
— Eu tenho que fazer, minha família precisa do dinheiro. – A menina respondeu.
— Você não precisa devolver. Nós os prendemos... Só me entregue o frasco – A heroína flutuou devagar até a menina (que não parecia ter mais de 12 ou 13 anos e a simplicidade das roupas sugeria uma origem humilde) e estendeu a mão. – Muita gente vai morrer se você soltar o que tem dentro dele. Inclusive sua família.
Ela entregou a ampola a Beatriz, que a carregou nos braços para fora do aeroporto, sem ser vista.
— Vá pra casa... Eu vou dizer que você jogou o frasco pra me distrair, e fugiu.
A menina sorriu, correndo em direção ao morro, agradecendo a Deus sua heroína entender as duras escolhas que foi obrigada a fazer. Ao invés de ignorar as circunstâncias e prendê-la.
(...)
Aquaman, Flash (Wally), Capitão Marvel, Gelo e Fogo impediram o contágio no Rio!
♣ Londres || Inglaterra ♣
Se durasse mais alguns segundos, as reações entusiasmadas dos londrinos ao Superman poderia por em xeque a visão que o mundo tem dos ingleses: a pontualidade, polidez, postura estoica. Mas seria impossível, mesmo para os ingleses, conter a excitação diante de uma cena incomum e espetacular.
Voando sobre a cidade, o kryptoniano usou a superaudição como um radar, a fim de captar alguma conversa suspeita, que lhe desse uma pista de onde Ra’s planejara liberar o vírus.
Em meio a milhares de vozes, uma se destacou ao mencionar ‘o mestre’. Crescer na Terra o tornou um mestre no uso de suas super-habilidades – e direcionar o radar da superaudição à frequência que quisesse era simples. Há quilômetros de distância, Kal concentrou-se na direção do som.
“Todos para o Palácio de Buckingham”, ele comunicou aos companheiros.
(...)
— Majestades... Ou altezas? Excelências... – O herói fez uma reverência desalinhada ao cumprimentar a família que ele acabara de arrebatar, levando-os consigo em seu voo. Acomodados dentro de um carro feito de pura energia esverdeada, a cor da vontade.
— Eu nunca aprendi os pronomes certos... Porque, foi mal, mas eu não dou a mínima. – A morena mais nova, com a menina nos braços riu, desagradando a senhora – Olha vovó, você não devia ficar brava. Se um maluco salvasse a mim e minha família, ele pode me chamar até de Lady Laura.
A monarca não verbalizou ou expressou qualquer sinal de gratidão, mas quem a conhecia poderia reconhecer em seu silêncio (ela sempre protestava quando algo lhe desagradava) e na mudança de expressão (de injuriada para nenhuma emoção) que compreendia a urgência da Liga em agir no país sem autorização das autoridades competentes, para proteger a população londrina.
O príncipe e a princesa de Gales, segurando no colo o casal de filhos maravilhados com o sobrevoo pela cidade em um carro verde e mágico, sorriram discretamente um para o outro. William e Kate sabiam que a rainha provara sua gratidão aqueles que defendiam seus súditos, ao engolir o desgosto diante do que ela considerava desrespeitoso.
Mas para azar de sua Majestade, Hal Jordan era o pesadelo de toda e qualquer autoridade.
(...)
Barry se encarregou da dispersar a multidão, evacuar o local e conduzir os civis à uma distância segura. E ficar de olho neles, para evitar curiosos de se aproximarem.
A mudança dos planos de Ra’s quanto ao local de dispersão do vírus não era aleatória. O vilão sabia que contaminaria uma multidão de milhares de pessoas aglomeradas em frente ao Palácio de Buckingham, para ver a família real assistir ao tradicional desfile militar Trooping the Colour, que anualmente saúda a rainha no dia de seu aniversário.
A supervelocidade do Flash, moldou uma corrente de vento forte o bastante para empurrar a multidão para fora da entrada do Palácio, até uma distância segura. O espaço aberto lhes permitia ver a luta dos assassinos da Liga das Sombras contra Tornado e Vigilante.
Mas eram olhares rápidos... Afinal, quem poderia disputar as atenções do público com o Superman?
(...)
A luta do Homem de Aço contra seus adversários, atraiu atenção e gerou excitação no público porque era a chance de vê-lo em ação, ao vivo, diante de seus olhos. Mas não tinha nada de memorável.
Mesmo em maior número, Sinestro e Solomon Grundy estavam em desvantagem. Um golpe de sorte aqui (com uma rajada de energia disparada covardemente pelas costas do kryptoniano, segurando o poste que Grundy arrancara para golpeá-lo, como se fosse um bastão de baseball), outro ali (quando o zumbi ultra forte conseguia acertar um soco que o arremessava longe) dos inimigos, só adiou a derrota de ambos em um ou dois minutos.
Nem mesmo seus poderes combinados poderiam derrotar um Super homem.
(...)
Superman, Flash (Barry), Lanterna Verde (Hal), Tornado Vermelho e Vigilante impediram o contágio em Londres!
♣ Gotham City || EUA ♣
Os planos do Demônio imortal tinham um olhar diferenciado sobre Gotham, cidade natal de seu arqui-inimigo. Na intenção de garantir o sucesso da missão e causar o máximo de dano à cidade que o Batman jurou proteger com a própria vida, ele enviou seu aliado mais eficiente, mortal e impiedoso, acompanhado de 50 assassinos da elite de seu exército da Liga das Sombras.
À frente do grupo, o líder dos Titãs distribuiu as tarefas entre seus companheiros. Ao assumir o combate mais mortal para si, à exceção de Questão, todos os outros contestaram suas ordens (alguns acintosamente, outros um pouco menos – o que não era surpreendente, tendo em vista quem estava na equipe).
(...)
Ao ouvir a ordem de Asa Noturna para que cuidassem dos assassinos, enquanto Questão executava a tarefa de encontrar, em meio à multidão, quem estava com o patógeno e, em seguida, impedi-lo de iniciar o contágio em Gotham, Dinah, Oliver e Helena protestaram com veemência, cada um, a seu modo.
Em outras circunstâncias, uma missão que lhes desse a chance de ‘chutar o traseiro’ dos homens de Ra’s Al Ghul seria uma tão aprazível, que mais parecia um prêmio, que uma ordem. Mas não desta vez.
Canário Negro foi a primeira a largar os protestos e saltar na direção dos assassinos. Desferindo uma variação de jabs, chutes altos e rasteiros em sua luta contra seus adversários. Ela chiou para ordem do Titã, mas conhecendo-o como conhecia, sabia que não adiantaria retrucar.
Dinah Lance foi cercada por uma dúzia de ninjas habilidosos nas artes marciais, ainda que suas habilidades de combate fossem incontestáveis – já que fora treinada pelo Batman e Catman – para equilibrar a luta, fora preciso nocautear metade deles com seu grito ultra-sônico.
O resto, ela derrubou da maneira tradicional: combate corpo-a-corpo.
(...)
Contudo, Helena e Oliver não acataram as ordens de Nightwing até serem obrigados à executá-la. Quando o aliado que comandava a equipe de Al Ghul se mostrara, a reação dos quatro heróis para enfrentá-lo fora tão imediata, que a insatisfação ao ouvir o comando de Dick teve o mesmo efeito.
Todos queriam sua chance de lutar com Deadstroke!
Slade foi escolhido a dedo pelo Demônio. Ele conhecia Gotham e seus protetores, bem como suas fraquezas. Dick, Oliver, Dinah e Helena, todos tinham contas a acertar com o Mercenário... E nenhum deles queria perder a oportunidade de cobrar cada centavo da dívida.
Inconscientes de que permaneceram juntos, a Caçadora e o Arqueiro atraíram um grande grupo de assassinos, que os cercara. Obrigando-os a deixar Dick com Slade e assumir a missão de lutar com os soldados de Ra’s.
O número de adversário era significativo, pouco mais de 3 dezenas. Mas a vantagem de se ter um arqueiro na equipe – o melhor de todos (com exceção de Artemis) – é que seu arsenal de flechas (de vários tipos, para múltiplas funções) reduzia a quantidade, atingindo alguns à distância.
O Arqueiro Verde disparou as muitas Flechas de seu suporte com uma velocidade vertiginosa. Que só não era mais incrível que sua precisão. Duas, ou três, de uma só vez, todas atingindo seus alvos: flechas com descargas elétricas, cordas e redes de contenção, cuidaram de boa parte deles.
O resto, cerca de 15 ou 20, foram deixados para o combate contra ele e a Caçadora – deixando a impressão de ser proposital, para que ele e sua companheira de equipe pudessem livrar-se das frustrações na luta.
Se fosse permitida a apreciação de um expectador, seria difícil se concentrar e observar um combatente por vez. O estilo acrobático agressivo da Caçadora capturava a atenção por causa do espetáculo visual. Era como assistir a versão violenta de ‘O tigre e o Dragão’. Contudo, como tirar os olhos do herói, que mesmo usando uniforme e máscara, parecia um príncipe saído dos contos de fadas, usando um arco no duelo contra espadachins?
Todavia, apesar das medidas impecáveis de sua musculatura tonificada, da cabeleira e cavanhaque de fios de ouro bem cuidados, Oliver Queen, um herói não-meta, não fora recrutado pela Liga à toa. Ele também ganhou as atenções de Ra’s, que assim como a Bruce, ofereceu-lhe a filha (Nyssa) em casamento, para selar a aliança entre eles. O que significa que, só o Arqueiro Verde poderia transformar uma risível disputa (arco contra katanas) em um espetáculo.
(...)
Slade riu cinicamente para Dick – sua primeira ação de ataque. Já que ele sabia o quanto o riso desdenhoso dele incomodava seu adversário. O vilão escondeu a surpresa quando não obteve a reação desejada. Se Dick foi tirado do sério, ele não dera nenhum sinal disso.
A luta entre eles nunca fora tão equilibrada – a vantagem de DeadStroke agora parecia bem pequena, ao contrário da superioridade visível de confrontos anteriores – e Asa Noturna precisou se controlar para não sorrir diante da mudança de postura de seu inimigo, que confirmava sua evolução como herói.
Nightwing não se tornou apenas um lutador mais aprimorado. A experiência como líder dos Titãs o fez um adversário mais maduro. E Slade não precisava verbalizar que estava ciente disso. A ausência de provocações era prova suficiente de que o Mercenário estava concentrado na luta.
Mesmo com o orgulho ferido, Dick engoliu a vaidade e aceitou bem a intromissão de Oliver, Helena e Dinah, após deterem seus adversários. O confronto em pé de igualdade entre ele e Slade não era suficiente para detê-lo, mas ficou fácil com a equipe.
O kick final foi da Caçadora, que levou Deadstroke à nocaute com um chute elevado de Muai Tai, tomando impulso para golpear a lateral do rosto.
A queda de Slade fez vibrar os comunicadores. A voz impassível do homem sem rosto os comunicara o sucesso da missão: o detetive havia encontrado e detido o agente responsável pela liberação do vírus.
(...)
Asa Noturna, Arqueiro Verde, Canário Negro, Caçadora e Questão impediram o contágio em Gotham!
♣ Fortaleza de Ra’s Al Ghul || Líbano ♣
Batman não respondeu as perguntas de Dick sobre seu atual status (se estava bem, ou ferido, ou se precisava de ajuda) e desligou a comunicação assim que o ouviu dizer que todas as equipes haviam conseguido neutralizar os assassinos da Liga das Sombras, capturar os vilões a serviço de Ra’s e impedir a liberação do vírus.
Ele abafou a vontade de soltar um suspiro aliviado ao saber que o último recurso do plano maligno de Al Ghul tinha sido neutralizado. Um alívio que ele negou-se a dar-se, por sua descrença em um desfecho tão favorável.
“Deve ser dolorosamente frustrante, para alguém como você, fracassar tantas vezes!”, Batman provocou, elevando o tom apenas para chegar aos ouvidos de seu inimigo, distante o bastante para entrar no jato a poucos metros dele, antes que pudesse detê-lo. O Morcego o conhecia o bastante para saber que, como todos os egomaníacos narcisistas, ele dificilmente ignoraria qualquer ofensa ao seu orgulho para fugir.
— Você perdeu uma fortuna, dezenas de seus assassinos, aliados, servos... Vai levar um bom tempo para recuperar tantas perdas de uma só vez, Ra’s – Batman desta vez rosnou mais provocações, se aproximando de seu adversário com passos largos, ciente que despertou nele a necessidade de abrir mão da fuga para puni-lo e depois, matá-lo, antes de ir.
— Os bilhões que você considera uma fortuna, detetive, não passam de moedas para mim. Para cada baixa de um membro da Liga, surgem dois para ocupar o lugar. Novos aliados podem ser comprados e, quanto aos meus fiéis servos, suas prisões são um paraíso para eles, comparadas ao castigo por me decepcionarem que os aguarda.
O Demônio riu desdenhosamente, sem desviar o olhar glacial de Bruce.
Dando início ao duelo entre o antigo mestre e seu melhor aluno.
(...)
Saindo do transe de seu vazio existencial, após ser trazida à realidade com um chute de Shyva, Talia juntou-se a ela, contra as amazonas e os meninos-pássaros.
Diana não recuou do confronto. O medo de perder os filhos era intenso, mas não o bastante para superar os valores que compartilhou por 1500 anos com seu povo. Nada é mais desonroso para as amazonas que abandonar os companheiros. Contudo, a fez mais cautelosa – não correndo riscos e protegendo a barriga com o escudo.
Diana, Tim e Damian ouviram a voz de Alfred avisar pelo comunicador que alguns membros da Liga estavam indo ao esconderijo de Ra’s para levar os aliados do rival à prisão e garantir a ajudar necessária para derrotar o Demônio e seus comparsas de uma vez por todas.
(...)
Com a chegada da Liga, mesmo Talia e Lady Shyva foram obrigadas a se render, diante da derrota iminente, sendo cercadas pelas grades de energia esverdeada geradas pelo anel de Hal. Como último pedido, algemada, não oferecendo perigo, a filha de Ra’s pediu para se despedir do filho e J’onn, após sondar seus pensamentos, permitira-lhe, vendo que ela não pretendia fazer mal ao menino.
Enquanto, os soldados da Liga das Sombras, Nyssa e Ubu foram escoltados até o javelin. Bastou um segundo de descuido para Ubu roubar a arma do Vigilante e descarregar as balas na direção de Hipólita, Tim, Damian e Diana.
O grito de desespero que se ouviu em seguida, carregava um lamento impossível de esconder a dor.
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