Broken Hearts

72 Amar é... sacrificar-se!


Notas iniciais
Amores, Não ‘primemos cânico’, by Chapolin. Vamos à leitura!! ♥ >> Trilha recomendada: Creed - With arms wide open https://youtu.be/wDpliUBNhrU

“O valor do amor está vinculado

a soma dos sacrifícios que estas

disposto a fazer por ele”, (Ellen G. White)

♣ ♣ ♣

♣ Fortaleza de Ra’s Al Ghul ♣ Líbano ♣

A forte atração de Bruce/Batman por mulheres tão lindas quanto problemáticas e/ou que estavam no ‘lado negro da força’, acabou se tornando uma piada interna, entre as pessoas que o conheciam. Cochichada longe de sua presença pela imensa maioria e usada contra ele por quem tinha coragem, para confrontá-lo.

Mas nenhuma delas era completamente má em sua essência e, ao contrário da crença geral de que a sedução, o sexo e a luxúria era o fator determinante, com o peso maior na balança, não era nada comparada a crença de que ele poderia salvá-las.

Ele não se apaixonou por serem garotas más, e sim porque seu quebrado coração altruísta reconheceu que havia vestígios de luz dentro delas, que elas lutam para manter acesa. Ele se apaixonou pelos maiores desafios de sua vida: salvá-las da escuridão – algo que a psicologia explica como a realização através do outro: tirá-las da escuridão era como tirar a si mesmo.

Sendo assim, se pudesse observar as ações de Talia agora, Bruce seria o único que não ficaria surpreso.

(...)

O menino vestindo do traje de Robin emudeceu após soltar um grito doloroso, amparando a mulher em seus braços, inclinando-se devagar para sentar sobre os joelhos no chão, apoiando-a em seu colo.

Os olhos dela tinham um brilho que ele nunca vira. E não poder identificar a emoção que seus olhos o mostraram rasgou seu coração com tanta força, que Ibin chorou, pela segunda vez na vida. A única certeza é de que não era um sentimento ruim. Mas ele queria saber qual era.

Dos quatro tiros que Ubu conseguiu disparar antes de ser detido, um acertou a parede a poucos centímetros de Tim, o segundo atingiu o braço esquerdo de Damian de raspão e os dois últimos perfuraram a região abdominal de sua mãe. Um desfecho que muitos tomariam como uma sentença do destino, cobrando o preço de sua escolha em favor de seu pai. O famoso “teve o que mereceu”.

Contudo, quando uma das variáveis muda, todo resto muda:

Não delírio de quem está a beira da morte, os últimos segundos da vida correm lentos. E a mente trabalha em velocidade vertiginosa, acessando os arquivos mais significativos da vida, e com eles produz o filme da sua história, projetado em sua mente.

Ela lembrou-se de sua mãe. De seus olhos grandes de avelã, bochechas altas e boca pequena. Linda... Lembrou de encontrar Ra’s depois que ela morreu. De fazer o máximo em tudo para deixá-lo orgulhoso, na esperança de que fosse o suficiente para que ele desse a ela uma migalha de afeto.

Lembrou-se de Bruce, de seu amor, de seu filho...

E, no fim, com a consciência livre da influência de Ra’s, entendeu que suas escolhas não lhe deixaram nada que valia a pena: amor, amizade, conforto, gratidão. E não havia ninguém além dela para culpar. Se ela tivesse ficado com seu amado, quando teve a oportunidade, ela teria o amor dele e de seu filho, ao invés de nada.

Por isso, não é tolice pensar que Talia recebeu uma sentença merecida. Contudo, não foi o destino seu carrasco, mas ela mesma, tomando para si o destino de outra pessoa. Uma última ação, na tentativa de terminar a vida com algo bom. Dando a vida por amor.

Num movimento brusco, ela colocou-se entre os tiros de Ubu e Diana. Seu corpo servindo de escudo, para impedir que ela fosse baleada, foi perfurado duas vezes.

— Por quê, mãe? – A pergunta de Damian era fraca como um sussurro.

— Não foi por ela – Talia explicou – Foi pelo amado e por você.

Para um menino de 12 anos, para quem a maioria dos sentimentos virtuosos era desconhecido, a resposta foi difícil.

— Eu amo e sempre vou amar o seu pai e você, meu pequeno morcego. – Ela tossiu sangue – Perdi para sempre o amor do amado... Não me resta esperança de que um dia nós três viveríamos juntos.

— Eu vi que ele ama a amazona... E você... – Damian esperava um olhar triste de sua mãe, mas ela parecia apenas resignada – Ela parece gostar de você... – Talia prosseguiu.

— Mãe... Não me deixe! – Robin suplicou vendo-a cuspir sangue.

— Seu pai não suportaria a morte dela... eu fiz por ele. Para que ele me perdoe pela dor que lhe causei.

A morena foi fechando as pálpebras devagar, sussurrando a sentença: “Diga ao amado que eu o amo”.

Seu semblante não parecia aflito.

Era sereno... Talia sentiu finalmente como era estar em paz.

♣ ♣ ♣

O risco no céu, atravessando continentes, não pôde ser identificado pelos radares do alto comando do Governo Americano, porque se movia à uma velocidade muito acima da capacidade do equipamento. Algo que só o Cadmus, Batman e a Liga poderiam fazer, graças à tecnologia extraterrestre.

Se as circunstâncias não fossem tão sérias, aquele seria um bom momento para descobrir quem era mais rápido: Ele ou o(s) Flash(s). Porque ele estava, como raras vezes, em modo sem restrições de poderes. Algo que ele raramente fazia, porque era consciente do perigo de usar seus poderes ao máximo.

Mas agora ele precisava da supervelocidade para atravessar milhares de quilômetros no mínimo de tempo. Seus melhores amigos precisavam dele. Era sua responsabilidade proteger seus afilhados.

Ele contactou Alfred para pedir-lhe a localização deles, sabendo que teria que insistir bastante para convencê-lo a dar-lhe as coordenadas. Mas para sua surpresa, o mordomo nem se incomodou em perguntar-lhe o que faria. Certamente, o inglês estava tão preocupado quanto ele.

Superman escaneou o interior da montanha com a visão de raio-x e localizou Diana, Tim e Hipólita de pé, ao lado de Damian, com Talia nos braços. Ao ver J’onn se aproximar deles e certificar-se que não precisavam de ajuda, ampliou o raio de visão à procura do Batman.

O kryptoniano atravessou a extensa parede de rocha, para chegar a Ra’s e Bruce, como quem passa por uma cortina fina. Bem na hora em que Batman estava em desvantagem.

Ra’s não era do tipo que considera desonroso fazer uso de métodos condenáveis ou amorais ao enfrentar um inimigo.

“Treinamento não é nada...”, ele dissera a Bruce quando testou suas habilidades com a espada, em um combate sobre o gelo fino de um lago, na última semana de inverno, no período de desgelo. “Vontade é TUDO”, ele rosnou para seu pupilo, que confiava na disciplina e no treinamento, contrariando seu mestre. “E vontade é agir”.

— Veio se juntar ao seu amigo para ter a honra de morrer pelas mãos de Ra’s Al Ghul, Kryptoniano? – o vilão vociferou.

— Agora eu sei com quem você aprendeu a falar de si mesmo em terceira pessoa, Batman – Clark ironizou, com humor.

— Não é hora pra piadas, Superman. – Batman rebateu – Faça algo útil e tire Diana, a rainha e os Robins daqui. Ra’s é assunto meu... Não quero ninguém interferindo.

— Eu não vou sair. Posso não me meter, mas vou ficar e garantir que ele use golpes sujos pra derrotar você. Se Ra’s não lutar limpo, eu vou interferir, mesmo que você me odeie.

O Cabeça de Demônio tomou as palavras de Clark da pior forma. Como uma ofensa desrespeitosa, colocando-se acima dele, com superioridade, como se bastasse ter vontade e o derrotaria. Uma afronta que atinge com violência dois nervos expostos: sua vaidade narcisista e a arrogante ideia de que ninguém está acima dele, ou é superior, porque ele é a criação humana perfeita.

Bruce conhecia seu inimigo o bastante para saber que ele estaria preparado para a chegada do Homem de Aço. E ele estava certo. Ra’s contava com uma luta entre ele e Clark, mas em outras circunstâncias. Ele supunha que Clark viria como a última esperança para detê-lo, com o Batman e os fundadores da Liga mortos.

O imortal deixou Bruce e se aproximou do Superman com confiança. Desembainhando um objeto semelhante a uma espada esverdeada de lâmina curta. Quando seu amigo se apoiou na parede para manter o equilíbrio, Batman teve a confirmação de que era kryptonita.

— Curve-se aos meus pés, kryptoniano – A proximidade da lança, a dois passos de tocar o brasão de sua família, desenhado no peito, o fez dobrar os joelhos. – Veja, detetive, uma das utilidades que deu a kryptonita que tomei de Luthor. Uma adaga feita de modo tradicional, com a afiação perfeita da lâmina. Depois foi coberta com o cristal alienígena na bainha e em ambos os lados do aço, deixando apenas a lâmina descoberta, para que eu possa cortar seu amigo em pedaços.

Batman travou o golpe de Ra’s, usando os ganchos laterais da luva. Chutando seu adversário apenas para ganhar tempo de tirar Clark de lá. A recuperação rápida de Al Ghul não permitiu que se afastassem muito. E ele apoiou Kal sentado no canto da parede, tentando levar a luta para longe do amigo.

(...)

A desorientação por causa da kryptonita o deixou sem noção de quanto tempo Bruce e o Demônio estavam lutando. Ele se esforçou para se concentrar na batalha e ver se Bruce estava ganhando ou perdendo. Seu coração disparou quando viu Ra’s acionar as defesas do esconderijo para manter o Batman ocupado, enquanto o feria covardemente, com golpes furtivos.

Seu mestre tinha razão quando disse que “Vontade é tudo”. E a força de vontade deu a Clark a última gosta de energia para cambalear até Bruce e Ra’s, prevendo que o vilão estava prestes a deferir um corte fatal desonesto, sem remorso ou sentimento de desonra.

Ainda que suas habilidades fossem extraordinárias, para ter o mínimo de dano possível ao ser alvejado por uma centena de estrelas ninja com lâminas de 5 pontas, era preciso estar 100% concentrado. Dando a Ra’s a chance de usar a concentração do Batman a seu favor. O demônio levou o Morcego ao chão, chutando com força os pés de apoio do Batman. Chutando a costela ferida, o rim e outras feridas que provocara no adversário, imediatamente, para não dar-lhe meios de sair da posição desprotegida.

(...)

O Demônio segurou a bainha com as duas mãos, apontando a ponta da lâmina na direção do adversário, no chão. Ele elevou os braços para fincar a lâmina com violência no peito do antigo pupilo, mas a sensação da lâmina atravessando a carne foi rápida demais: O meta-humano tinha ¼ da espada perfurando suas costas.

“Vontade é tudo... e vontade é agir”

Clark Kent experimentou o mesmo que Talia. A passagem lenta do tempo, o filme de sua vida, mas ao contrário dela, não havia arrependimentos, nem tristeza. Ele teve uma vida maravilhosa!!!

Sua energia estava abaixo da reserva por causa da proximidade da kryptonita, na cintura de Ra’s. Mas nem a ciência contesta o poder da adrenalina que faz pessoas comuns capazes de ações incríveis. Ele sentiu o coração acelerar e bombear o sangue com velocidade para todo seu corpo, garantindo que seu daria tudo no esforço derradeiro. E sorriu com uma alegria genuína. “Então é isso que um humano sente?”.

Superman sempre desejou ser um homem comum, mas jamais poderia ser. E pra ele, era difícil entender a humanidade quando não se tem ideia do que um homem comum precisa enfrentar. Ele sorriu porque era como ter o último desejo realizado antes de morrer. A kryptonita o fez frágil como o ser humano, mas a força de vontade de sacrificar-se por amor a um amigo o fez entender onde está o super poder da humanidade: no amor!

Jogando-se sobre Bruce com uma força que ele não sabia de onde viera, o Homem de Aço sorriu olhando para o seu amigo.

— Tente me odiar por pouco tempo por interferir, Bruce! – Batman queria matar o idiota sorridente sobre ele.

— Eu disse... – Ele pretendia grunhir com raiva, mas a voz falhou. – pra não se intrometer.

Ra’s tomou uma certa distância, não por compaixão, mas para apreciar a dor que causara à seu inimigo. Ele sabia que Bruce tinha uma tolerância muito alta à dor física, ao contrário de um emocional frágil, que ele sabia como ferir ainda mais.

(...)

Batman deitou Clark de bruços no chão e se pôs de pé, para enfrentar o Demônio, como se seu corpo não tivesse sofrido qualquer dano.

— Como prova da minha benevolência, Detetive, prometo celebrar o dia de hoje a cada ano, prestando-lhe uma homenagem. Como alguns países homenageiam seus heróis e santos no dia de suas mortes – Al Ghul garantiu.

Seu antigo mestre não tinha dúvidas de que Bruce poderia aprimorar suas habilidades em um grau bem acima do nível mais alto conhecido. Que ele era o único homem notável não em uma, mas em inúmeras áreas. Alguém que não seria um servo, mas um aliado acima de todo seu império, abaixo apenas de Ra’s.

Mas ele não esperava tanto... Batman, mesmo ferido, parecia tão mortal que não sentia dor. Seu foco era derrotá-lo e o Cavaleiro das Trevas não reagiu como ele previra: lutando de forma previsível e menos eficiente, perdendo boa parte do controle por causa do abalo emocional.

O sangue jorrando do grande corte no peito encharcou a peça de roupa por sob a túnica. E Ra’s desfez-se de ambas, exibindo o corte acima dos mamilos, riscado quase de ombro a ombro. Batman se movia mais rápido, atingindo-o com mais golpes, dos quais, quando usou batarangues afiados, fez cortes no peito, na mão direita e o mais profundo, causando muita perda de sangue, no interior da coxa esquerda. Uma perda que lhe custou caro, a medida que o tempo do confronto se prolongava.

O Morcego desferiu uma série de chutes que atingiram o adversário em várias partes do corpo e Ra’s cambaleou como um bêbado antes de cair de joelhos no chão. Ele estava fraco e cansado, mas isso não compadeceu o Caped Crusader. Que se ajoelhou sobre o peito dele e deu início à sequência de socos em seu rosto, sem piedade. Era como ele estivesse descarregando toda dor e a raiva bestial dentro dele.

♣ ♣ ♣

O Marciano tentou acalmar a mente do Morcego para que ele parasse de espancar seu inimigo, mas só quando Diana segurou o punho prestes a dar mais um soco, ele parou. Batman parecia voltar de um transe, como se estivesse fora de si até aquele momento. “Acabou... nós vencemos. Você o venceu”, sua noiva disse em um tom que apenas ele ouviu. Que o fez levantar-se e ir em direção a Clark.

Trazendo o Superman sobre seu ombro, Batman fez seu caminho até o Javelin, para deixar seu amigo sob os cuidados da Liga.

“J’onn... Você pode me dar um diagnóstico superficial?”, ele fez contato mental com o marciano.

“Conhecendo a constituição genética dele, apesar de não descartar a probabilidade do ferimento ser fatal, longe da kryptonita, as chances de recuperação rápida são bem maiores”, o Caçador de Marte respondeu.

Seu coração apertou quando viu Talia imóvel, na maca ambulatorial da nave.

Ao ver seu pai, Damian apenas sussurrou que ela havia feito isso por ele. E Bruce não precisava de detalhes para saber que ela fez um sacrifício por alguém importante para ele.

“E Talia?”, A pergunta também foi feita telepaticamente, para que Damian não ouvisse.

“Honestamente, ela tem poucas chances, Batman”.

Diana se aproximou de Damian, abraçando-o.

— Ela é minha mãe... Apesar de tudo.

— Damian... – Batman chamou sua atenção e ele virou-se na direção do pai – É tarde demais! – Após uma pausa silenciosa, ambos paralisados, Bruce andou na direção do filho e o abraçou. O choro do menino era silencioso, mas pelo movimento dos ombros, podia-se dizer que era copioso.

— Talvez não, Batman – A rainha se pronunciou – Talvez haja uma pequena chance. Mas eu não lhes aconselharia a criar expectativas.

— Então, pra quê tentar? – Wally disse sem pensar.

— Por que por menor que seja... é uma chance.

— Você acha que eles...? – Diana perguntou a mãe, sabendo que não precisava terminar.

— Se eu disser o que ela fez por você, Solzinho e Estrelas, talvez sim...

Diana assentiu e, após dirigir o olhar para Bruce e Damian, esperando autorização, pediu:

– J’onn, envie-nos para Themyscira agora... Eu, minha mãe e Talia!

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