Broken Hearts

37 Corra, Bruce, corra Parte II


“Bem, algumas pessoas dizem que nossas vidas são definidas pela soma das nossas escolhas. Mas não são nossas escolhas que distinguem quem somos, é o nosso compromisso com elas”. (Emily Thorne – Revenge) ◄

♣ Watchtower || Enfermaria ♣

Um rugido furioso saiu dos lábios da morena diante deles. Ela estava lutando com toda força contra o Superman, o que seria um espetáculo digno de entrar para galeria dos maiores embates do século para os leguears que estavam vendo a exibição, não fosse o fato de que Diana de Themyscira, a mulher Maravilha, estava fora de si, deixando todos os expectadores aflitos.

Eles a amavam. Todos. Ela era o coração da Trindade. O Batman era o cérebro e o Superman, os músculos. Ela era, juntamente com o Flash, o coração da Liga.

– Diana, por favor, pare. Você pode se machucar – Clark tentou acalmá-la, em vão. Ela estava destruindo tudo à sua frente, como um animal raivoso, acuado, que ataca para se defender.

Mari tentou segurá-la, mas um punho veio voando no rosto de Vixen, que usou o talismã para tomar a força de um rinoceronte e foi esta medida que a salvou de ter a mandíbula partida em duas. Porém, não a livrou de bater a cabeça de encontro à parede, provocando um hematoma grave.

Quando Canário pensou em lançar seu grito gutural, Diana bateu-lhe com um chute poderoso, que ela tentou defender em guarda, com o braço atrelado ao lado do corpo, para defender as costelas. A reação defensiva foi a correta, mas a força do impacto poderoso de uma amazona em fúria quebrou o braço de Dinah.

— J’onn, não podemos sedá-la? – Perguntou Canário Negro, segurando o braço quebrado.

— Eu já tentei usar sedativos, mas não estão funcionando.

— Superman, segure-a. Ninguém é páreo para ela senão você. – Vixen latiu, com medo de Diana machucar mais alguém e a si mesma.

Ela segurou o Superman pela garganta, a ponto de quebrá-la. E se ele não fosse o Homem de Aço, sua traquéia estaria esmagada agora.

“Di... por... fa... vor... Sou eu... Seu amigo... Kal”, O grande homem a olhava com afetuosidade e preocupação.

Ele não queria machucá-la e estava observando sua roupa rasgar-se à medida que ela agia com ferocidade. Ele preocupava-se com ela em demasia. Com sua dignidade. Com toda vergonha que ela poderia sentir quando soubesse que seus amigos estavam a observá-la nesse estado.

— Vixen, tire todos de lá de fora AGORA! – Ele gritou, tirando as mãos dela de sua garganta e envolvendo-a em um abarco protetor, mas acima de tudo, impeditivo, para que ela não pudesse movimentar-se.

Vixen tirou todos do lugar e em seguida, em conversa mental entre Dinah, J’onn e Clark tomaram a decisão que eles queriam evitar:

Eles tinham que prendê-la em uma cela. Para evitar que ela se machucasse e machucasse mais alguém. Pelo menos até saberem o que fazer.

“Batman, onde está você quando ela mais precisa, seu miserável?”, Kal-El, o último filho de Krypton vociferou, sem medo de ser ouvido.

♣ Gotham City ♣

Um soco acertou o Caped Crusader e foi impossível não ouvir um som bem próximo ao som de um sorriso vindo de Slade. Como se ele estivesse divertindo-se com suas ações.

Batman jogou outro golpe em Slade, em reprimenda, fazendo com que o homem mascarado precisasse dar o seu melhor para bloqueá-lo. Mais ainda sim, ele sentiu a força do impacto.

Batman então mandou um chute direto para aproveitar a milimétrica baixa de guarda do Exterminador, atingindo-o no peito, fazendo-o arrastar-se uns três passos para trás.

Slade rapidamente rolou para fora do caminho enquanto o cavaleiro escuro se lançava sobre ele, tentando acertar-lhe outro chute debilitante.

— Você parece mais feroz esta noite, Batman. Isso é bom. Eu terei finalmente um bom adversário – Wilson desdenhou, calmo como sempre. – Eu temia que você tivesse ficado fraco desde o nosso último encontro.

Batman franziu o cenho para seu oponente.

— Você não tem medo, Slade. Mas eu posso ensinar-lhe o que é medo. – Batman podia dizer que Slade estava sorrindo para ele.

— Então, Morcego. Comece a lição. Eu estou ansioso por ela. – O mercenário bradou.

Dois batarangs pretos saíram dos pulsos do terno de Batman em direção ao adversário. Slade os desviou com maestria. Apesar de grande, ele era ágil. E Batman rosnou assumindo a posição de batalha, esperando o adversário fazer o próximo movimento.

Naturalmente, o Exterminador tomou a iniciativa, como Batman previa. E o Morcego manteve a posição defensiva, esperando um ataque pela direita.

À medida que Slade o atacava, Bruce seguia bloqueando os golpes, defensivamente.

— Você está ficando desleixado, Batman.

Batman logo respondeu, segurando um dos bastões com as cavilhas laterais da luva, e, com um batarangue afiado, cortou o peito de Slade, coberto pela armadura. O que fez o vilão rir, como se apreciasse o confronto. A lâmina em forma de asa fez um corte limpo através da armadura, expondo um pedaço de tecido.

Slade respondeu com uma cotovelada no queixo do Batman que o fez perder momentaneamente o equilíbrio. O mercenário tentou sobrepujá-lo com uma joelhada, mas Batman esquivou-se, e o chão afundado mostrou ao Morcego sua sorte em não ter sido atingido em cheio.

♣ Watchtower || Cela 22 || Bloco DOIS ♣

O Bloco de celas do segundo compartimento estava completamente esvaziado, para que eles pudessem acomodá-la, sem envergonhá-la. Sem condená-la a vergonha de ser vista presa, por outros membros da Liga.

Ninguém do grupo de heróis, exceto os presentes na enfermaria, como J’onn, Clark, Vixen e Dinah sabiam que ela fora levada até lá. Os outros membros foram avisados que ela estava em uma área de isolamento para tratamento, tendo em vista um diagnóstico que previa contágio. Mas apenas J’onn e Clark permaneceram com ela, para evitar qualquer constrangimento.

Ela estava no canto da cela. Acuada, como um animal indefeso, quando Clark se abaixou para nivelar-se e olhar em seus olhos.

— Está tudo bem, Diana. Eu estou aqui. Nós somos seus amigos. Não vamos machucar você.

Kal-El, seu melhor amigo, não podia acreditar na imagem à sua frente: Diana estava com as roupas semi-rasgadas, com muitos hematomas, por causa da força que ele teve que impor para trazê-la até aqui. Os olhos tinham um misto de vergonha e medo. Tão diferente da mulher que tinha um espírito radiante e um caráter orgulhoso de sua criação amazona que ele habituou-se a respeitar e admirar.

Seu impulso era confortá-la, abraçá-la, dar-lhe o carinho que ela precisava e merecia. Mas ele não podia. Ela não deixava ninguém chegar perto. Não sem que a pessoa sofresse com uma investida feroz de uma amazona furiosa.

— Diana, o Superman vai trazer o Batman – J’onn pontuou com suavidade, sabendo que era o único nome, além de Bruce, que lhe trazia algum tipo de conforto.

— Bá... ti... má – Um par de olhos brilhantes espiou os amigos por trás das grades, e o Superman corou ao ver o quanto seu vestido estava rasgado, mas ainda cobrindo o essencial. Contudo, a imensa fenda sobre a coxa direita mostrava mais que um sedutor lance de pernas desnudas, longas e torneadas. Havia uma quantidade consideravelmente sexy do que parecia uma langerie rendada branca, visivelmente à mostra, e absolutamente impactante, tendo em vista o indivíduo que a ostentava.

— Sim, querida. O Batman! Eu vou buscá-lo, nem que seja no inferno. E vamos descobrir o que está havendo com você. Eu prometo! – Superman disse, contrariado.

♣ Gotham City ♣

— Você parece estar se divertindo, Slade! – Batman vociferou.

— Ah, claro... Me divertindo tanto que me dói ter que interromper nossa luta para dar-lhe um conselho!

Batman não pode conter um murmúrio desdenhoso.

— Como um velho amigo, Batman, eu diria que você está cometendo o pior erro de sua vida enquanto está aqui lutando comigo e alguém tão especial está... digamos... morrendo?!

As mãos de Batman se contraíram reflexivamente. Alguém próximo? Quem? O coração dele disparou. Galopante. Sem rumo. Mas sua voz era indiferente, para dizer o mínimo, mantendo a postura de indiferença.

— Se eu não o conhecesse, eu diria que você quer me desestabilizar.

— Nisso você está certo, mas não significa que o que estou dizendo não é verdade – Wilson riu com um humor honesto.

Batman ficou em silêncio, os olhos fixos no mercenário.

— Sabe, Batman... Ela é tão bonita... A sua princesa – Slade sorriu vendo o Batman fechar os punhos com uma fúria evidente – Seria lamentável ver uma mulher com tamanha beleza física e de espírito partir deste mundo – Ela tem os lábios macios, Batman. Você é um homem de sorte.

O Batman partiu enfurecido, com uma revoada de socos precisos, que Slade quase teve dificuldade em bloquear, tendo sido atingido uma ou duas vezes.

— O que você pensa que está fazendo? Não toque nela. Nunca mais! Deixe-a em paz.

— Você poderia me parar agora Morcego, eu suponho. Mas, eu devo adverti-lo embora, que até termos um vencedor nesta luta, perderíamos um longo tempo. Um tempo que sua princesa não tem. Então... Eu o aconselho a ir até a Torre ver como ela está. Se eu estiver certo, bom... Após 3h de contaminação, ela precisa de você bem mais do que o lixo que é esta cidade de merda que você tanto protege. – Slade parecia tentado a fazê-lo enxergar onde deveria se concentrar sua prioridade no momento e conseguiu.

Pela primeira vez em sua vida, Batman deixou um criminoso ir embora. Alguns policiais protestaram e ele sentiu-se abatido. Mas não por um senso de humilhação e sim de inutilidade. A mulher que ele amava estava precisando dele e ele bloqueou toda e qualquer comunicação feita através da Liga para chegar até ele, porque estava preocupado com as consequências da traição de Andrea.

— Ah, e cuidado, Batman. Ela pode não reconhecer você! Ela pode te machucar... E muito. Isso é o que você merece, no entanto! – Slade foi pontual – Eu só lamento não estar lá para ver.

Após chamar o Batmóvel remotamente, dentro dos limites de seu veículo, o coração de Batman entrou em disparada e ele permitiu-se suspirar angustiado, antes de acionar o comunicador para entrar em contato com a Liga. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, uma voz gritou:

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— Finalmente! Onde diabos você estava? Nós estamos procurando você há horas! – Não eram gritos, mas certamente tinham uma força e fúria em mesmo tom. – Estamos no meio de uma crise e você simplesmente desaparece. Eu não posso garantir que eu não vou machucar você, Batman. Acredite em mim. Eu não tenho o seu autocontrole. – Um Superman alterado latiu para o amigo, sem qualquer vestígio de compaixão.

— Clark, cale a boca por um segundo, pelo amor de Deus. Só me diga que Diana está a salvo na Torre. Que ela está bem. Por favor! – Haviam traços de súplica na voz do Morcego que ele não fora capaz de esconder. Se fosse para manter a aparência de indiferente para outra pessoa, talvez sim, ele mantivesse o controle, mas Clark (ainda que ele negasse) era seu amigo e ele não estava conseguindo conter-se – Há algo acontecendo com ela? Me diga, Kent. Ela está bem?

— Eu não sei se deveria, Bruce... Talvez você não se importe tanto em saber como ela está. Se você tivesse uma preocupação genuína com algum dos seus amigos, seu filho da mãe egoísta, você teria atendido meu chamado.

— Eu não sabia, Kent. Eu tive... problemas em Gotham. – Batman disse, sinceramente – Se eu soubesse que ela estava em apuros, eu teria deixado tudo pra trás.

— E como você poderia saber se desligou a porra do comunicador? Nós estávamos desesperados aqui, Bruce. Não sabíamos mais o que fazer. Você é nosso detetive. E ela precisava de você, mas você simplesmente deu as costas para ela. E para quê? De acordo com o que eu soube, para jantar à sós com sua ex-noiva. – Kent rosnou com uma raiva ameaçadora que, em outras circunstâncias, faria o Cavaleiro das Trevas orgulhoso.

Bruce afundou em culpa. O coração sofrendo uma pressão que parecia ter o peso de toneladas para cumprir a função de esmagamento.

— Se você não vai dizer algo útil, Clark, então falar com você é inútil agora. – Bruce desconectou.

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— Torre de Vigilância, transporte imediato já! – Ele solicitou, tentando ganhar uma licença qualquer da vida para respirar. Decidido a enfrentar o castigo que fosse de Clark, mas ainda sim, salvar Diana.