Broken Hearts
36 Corra, Bruce, corra - Parte I

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“Tudo que criamos para nós, de que não temos necessidade, se transforma em angústia, em depressão”. (Chico Xavier)
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*** Watchtower/ Enfermaria ***
— Ela está em agonia há mais de uma hora, Superman. – Murmurou Mari, preocupada.
Ele não respondeu. Não poderia.Ele mal conseguia manter-se respirando.
— Você já conseguiu contactá-lo? – Perguntou Dinah, também aflita.
Kent fez apenas um sinal em negação.
Eles estavam parados fora da enfermaria. O semblante do “Big Guy” era de angústia, para dizer o mínimo. Todos na Liga sabiam o quanto ele e a Mulher Maravilha eram próximo. Alguns suspeitavam que essa proximidade fosse ainda maior, e eles fossem mais íntimos que sua amizade pudesse sugerir.
Se era verdade ou não, a maioria do leaguers não poderia precisar, mas ninguém poderia negar que ele a amava. O que não sabiam era o tipo de amor que ele nutria por ela.
Olhando através do vidro, como os olhos tristes de um menino observando alguém que lhe é muito caro em agonia, Superman suspirou, colando a testa contra parede envidraçada.
O corpo inconsciente de Diana, inerte. Seu rosto coberto por uma máscara plástica que liberava oxigênio. Em anexo ao braço direito estava um cateter que liberava um líquido salino em suas veias, tentando acelerar seu processo de cura.
O silêncio tenso da sala foi interrompido por um beep intermitente constante, enquanto uma enfermeira ligava um monitor cardíaco à Diana. J’onn estava fazendo o melhor que podia para cuidar dela, mas algo estava errado e Clark podia sentir a tensão no ar. Como se as vibrações das ondas sonoras sofressem algum tipo de abalo por causa da velocidade do ritmo cardíaco de cada vez mais pessoas que se aglomeravam à frente da enfermaria, agora selada, para evitar contágio.
Parecia que um à um, os novos e antigos heróis, além dos fundadores, assim que souberam sobre a situação precária da Mulher Maravilha, se dirigiam à baía médica para ter notícias sobre seu estado de saúde.
E Clark podia ouvir cada um dos corações angustiados e preocupados. Ele queria fugir, correr, parar com a agonia crescente, mas não podia. Sua melhor amiga precisava dele e ele não sairia de lá.
“Onde diabos você está, Bruce? Nós precisamos de você aqui!”, o Homem de aço disse a si mesmo.
*** Gotham City ***
Como um atleta de Parkur, o acrobata saltou de um prédio para o outro com graça e suavidade. Era a primeira de suas visitas depois de meses. Ele não Sabia se valeria a pena ir ao encontro do seu antigo tutor, tendo em vista que não sabia muito sobre o assunto, mas seus instintos lhe diziam que valia a pena tentar.
Asa Noturna encontrou Batman com muita facilidade. Bastava encontrar uma sirene ecoando estridente. A polícia chegou ao Banco de Gotham após uma chamada para o ‘911’.
Em todo caso, como não conseguiam encontrar Bruce, a Liga pediu que Dick fosse ao seu encontro, mas sem dizer o motivo. Apenas que era uma emergência. Ninguém queria correr o risco de vazar a notícia de que a Mulher Maravilha estava em estado crítico de saúde. Provavelmente, um caso de vida ou morte.
— Hey, velho! Como estão as coisas? – Dick fez-se anunciar, pousando atrás de Bruce, que observava o desenrolar do crime em um telhado de um edifício residencial na rua em frente ao banco. O Cavaleiro das Trevas estava assistindo tudo, antes de tomar o melhor curso de ação, caso a polícia falhasse.
— Você está perdido, garoto? Quer um mapa de Blüdhaven? Fica muito longe daqui. – Dick riu, mas não era para ser uma piada. E vendo o semblante inescrutável do Cavaleiro das Trevas, ele se calou.
— Acredite, eu não queria vir aqui, Batman – Dick bufou – Mas a Liga tem uma emergência e precisa de você lá.
Batman o olhou, esperando maiores informações.
— Não olhe pra mim. Não sei do que se trata, mas o grandão parecia bem aflito, Batman. Ele parecia nervoso. Muito nervoso.
— Eles podem cuidar disso sem mim. Eu sou um membro parcial. Esse foi o meu acordo com a Liga. Gotham é minha prioridade.
Dizendo isso, ele saltou para onde estava a polícia:
Duas-caras estava ‘dando as caras’!
*** Watchtower/ Enfermaria ***
Clark sentiu o coração esmagado quando J’onn pediu que ele vestisse um EPI. O uniforme é fundamental para evitar que o médico (ou assistente médico) não sofra algum tipo de contágio. Ele funciona como uma traje anti-contaminação, ou anti-radiação. Isso era um indício de que a situação era grave.
— Como ela está, J’onn?
— Ela não está nada bem, Superman.
— Você pode sondar sua mente? Dizer a ela que estamos aqui? Que vai ficar tudo bem?
— Não. Eu não sei o que está provocando isso, mas a mente dela está fragmentada, como se não pudesse completar as sinapses de forma adequada. É como se ela não estivesse raciocinando. Tudo que vejo é fúria, dor e borrões. Nada faz sentido dentro da mente dela – O Caçador de Marte sentenciou.
— O que a está atacando? Por que a cura meta do organismo dela não está funcionando?
— Eu não sei, Superman. Estamos fazendo exames, mas eu posso dizer que seja o que for, não é nada conhecido pelo homem.
Depois de mais de duas horas tentando lutar contra as convulsões frequentes de Diana, J’onn estava satisfeito que os sinais vitais da Mulher Maravilha estavam, pelo menos, estáveis. Ele estava agradecido pela ajuda de Clark. As crises convulsionais de Diana eram violentas a ponto de quase arrancarem o cateter com as soluções intravenosas e quebrarem a cama hospitalar. Clark era o único capaz de segurá-la sempre que aconteciam, para que ela não apenas não retirasse a medicação, mas também não se machucasse.
— Ela parece estar bem por enquanto – Kal-El afastou a mecha de cabelo suada do rosto de sua amiga.
— Bu-ciiii... Bat... – Ela balbuciava, de forma desconexa, com as silabas erradas, como se tivesse dificuldade de falar.
— Nós vamos trazê-lo, Di. – prometeu seu amigo.
(...)
Eles saíram da baía médica selada e foram falar com Canário e Vixen.
— Ela não está com o nível de álcool tão elevado. Ao contrário das suas suspeitas. Os batimentos cardíacos normalizaram, e eu não consigo achar qualquer causa aparente para convulsão, porque não há qualquer indício de anormalidade eletrolítica no organismo. – J’onn relevou.
— Mas ela parecia bêbada, não é? – Mari olhou para Dinah, que confirmou.
— Bom, se não há causa aparente, eu poderia sugerir epilepsia, mas é quase ridículo contemplar a hipótese que a Mulher Maravilha tem epilepsia. Ela pode não ter uma constituição genética alienígena como o Superman, mas a verdade é que, mesmo que seu organismo seja semelhante ao humano comum, seu corpo é absolutamente reforçado. Ele tem a plena capacidade de lutar contra qualquer doença ou lesão por si mesmo e com velocidade.
— Sim, as células de Diana podem se regenerar inúmeras vezes sem mostrar qualquer dos danos causados por mutações genéticas ou o desgaste regular. – Completou Kal-El.
— Ele não tem febre, mas o organismo se comporta como se estivesse quente. Não há sinais de inflamação ou infecção. Os resultados das amostras de sangue não mostram NADA – J’onn parecia desanimado – Eu me pergunto se ela usou algum... queria dizer... tipo de droga?! – Ele laçou sobre Canário e Mari um olhar envergonhado.
— O quê? Você acha que daríamos drogas a ela? Que fazemos esse tipo de coisa? – Dinah estava possessa.
— Calma, Dinah. J’onn só precisa esgotar todas as possibilidades, estamos preocupados com Diana. – Disse Clark.
— Está bem, desculpe. – Dinah baixou o olhar e soltou um suspiro cansado.
— Talvez alguém possa ter feito isso, Dinah – Mari proferiu e Dinah arregalou os olhos.
— O homem que a trouxe. É isso – Dinah respondeu
— Que homem? – Clark perguntou aflito.
— Um cara a trouxe semi-desmaiada. Ela parecia bêbada e achamos que ela estava se divertindo – Vixen soltou.
— Quem era? – Clark latiu.
— Elas não sabem – J’onn sentenciou. E seus olhos ficaram laranja como as labaredas de um fogo escaldante.
*** Gotham City ***
O Batman agradeceu um pouco de ação para livrar seus pensamentos da decepção que, mais uma vez, as mulheres que amara o trouxeram. Era uma ferida que nunca fechava, já que sempre que ele tinha um pouco de alívio, quando estava sarando, alguém aparecia em sua vida para romper a casca e reabrir o corte.
Ele contemplou a cidade que era sua casa, sua missão, o símbolo de sua promessa. Não havia nada de especial em Gotham. Como qualquer cenário urbano excessivamente povoado, Gotham tinha ruas imundas e nada que a fizesse, de alguma forma, espetacular.
A noite não agira em prol da cidade. Não escondia suas falhas. Os muitos ladrões, assassinos e estupradores sem consciência adoravam a cobertura da escuridão fornecida pela falta de iluminação, muitos prédios e muitos becos e vielas. Só uma coisa os trazia medo: a lenda do Batman.
Mas Bruce não se iludia sobre este assunto, no entanto. Se eles soubessem que Batman não era mais do que o playboy bilionário Bruce Wayne, ele perderia o medo que tinha a seu favor e tudo estaria acabado. Por isso, o que Andrea fez era mais que reprovável, era imperdoável.
Ela expôs uma informação de que ele era um homem. Um simples homem. Que poderia ser morto, mutilado e/ou incapacitado. Se seus inimigos soubessem que ele era um homem, ele perderia seu controle e a proteção sobre Gotham.
Ele fez pressão ao segurar a borda do alpendre, com raiva. Apesar do que diziam os tablóides, Bruce Wayne teve poucos relacionamentos verdadeiros: Andrea, Rachel, Selina e Talia. E embora houvesse uma parte dele que sabia que eles nunca durariam, isso não o fez menos honesto em amar as mulheres de sua vida.
Mesmo depois da inevitável separação, nunca se preocupou que elas revelassem sua identidade dualista. Ele sempre pensou que tinha bom senso quando se tratava de pessoas, mesmo que ele não pudesse encontrar a mulher certa que pudesse lidar com Bruce Wayne e Batman ao mesmo tempo.
Como ele poderia ter se enganado tanto quanto à Andrea? Então, novamente, talvez fosse culpa dele, sua arrogância, por achar que ela o amava a ponto de jamais fazer algo que o prejudicasse. Ele se enganara!
Enviando a tensão elétrica para a capa, que agora se ampliava em forma de morcego, como uma asa delta, ele saltou para o telhado do Banco. Bruce de repente se lembrou do chamado que tinha recebido da Torre de Vigilância e, lembrando de Diana, e de tudo que fez inconscientemente para magoá-la, jurou em silêncio que faria tudo por ela. Que lutaria até mesmo contra sua necessidade protetora de afastá-la.
Ele faria outro jantar. Pediria desculpas. Dar-lhe-ia uma noite de amor imensurável, para mostrá-la o quanto a amava.
Mas por hora, essa era uma noite em que nada estava indo bem e com a presença de Duas-Caras, tudo tendia a piorar: Saindo com seus capangas de um buraco recém explodido na parede do prédio financeiro, todas as frustrações do dia, sua amargura pela traição de Andrea e seu desapontamento por não poder passar o aniversário de Diana com ela, atingiram um pico dentro dele que o trouxe à borda da sanidade, quando a voz zombeteira de Dent o saudou.
— Você demorou, Batman. Está ficando velho e cansado? Você já foi mais rápido e...
Dent não foi capaz de terminar a frase quando um batarang afiado partiu fios consideráveis de seu cabelo, da parte desfigurada. Batman deu-lhe um chute no peito, que fez cair a moeda longe, para desespero de Harvey.
Os capangas saltaram em direção à Bruce, mas eles não tinham a habilidade e velocidade necessárias para dar ao Caped Crusader sequer um bom treino.
Bruce chutou um dos capangas em direção à duas caras, que de arma em punho e de posse de sua moeda, não fora capaz de prever o movimento e fora atirado para longe, perdendo o equilíbrio. Os sacos que alguns dos homens tinham pendurado em suas costas escorregaram de suas mãos e diamantes e dinheiro foram derramando-se pela rua como água. E os policiais foram lentamente recolhendo o fruto do roubo.
— Não é um bom dia para testar minha paciência, Dent. – Batman rosnou.
Harvey tentou atirar no peito do Morcego, mas o blindex do kvelar funcionava como um colete. Haveria, no máximo, a luxação de uma contusão no outro dia.
Aproximando-se de Duas-Caras, Batman varreu os pés do bandido e torceu seu pulso, fazendo a arma pousar no chão. Ele agachou-se para ficar no mesmo nível de seu arqui-inimigo: – Como eu disse, Harvey, hoje é o dia errado pra me irritar.
“Ah, Batman... Seu adversário está muito aquém de suas habilidades. Que tal se nós elevarmos o nível e melhorarmos as coisas para nós dois?”
Uma figura mascarada alta e forte saiu das sombras. Batman levantou a cabeça lentamente e instintivamente pôs-se em guarda. Ele reconheceu prontamente o recém-chegado. O número de pessoas que poderiam esgueirar-se sobre o Cavaleiro das Trevas podem ser contadas em uma mão: Alfred SEMPRE, algumas raras vezes Selina e outras raríssimas, Asa Noturna. O homem deve ter estado lá por algum tempo, mas Batman não tinha percebido sua presença. Isso em si era mais alarmante do que qualquer outra coisa.
— Deadstroke!! – O Batman soltou um rosnado de ódio como se vira poucas vezes.
*** Watchtower/ Enfermaria ***
Enquanto J’onn falava com Dinah e Vixen na ante-sala de recepção em frente à ala médica, Superman ouviu a comoção repentina entre os leaguer que estavam acompanhando a Mulher Maravilha do lado de fora, pelo vidro.
O corpo de Diana começou a sacudir-se espasmodicamente. Seus braços agitavam-se tão violentamente que o cateter com o soro foi arrancado. Ela puxou a máscara de seu rosto e tossiu mais sangue.
J’onn correu para injetar mais benzodiazepina em seu organismo, para sedá-la. Mas foi segurado pela força da amazona, que segurou seu pescoço, até ele se soltar, tomando a forma fluida que sua composição alienígena permite.
Vixen, Dinah e Superman correram em direção a Diana, mas ela perecia estar duas vezes mais forte do que era. Batendo as duas com facilidade e lutando com o Superman de forma desenfreada.
— J’onn, fale com ela. Chega à sua mente. Diga-lhe para se acalmar. – Superman pediu.
— Eu não consigo. A mente dela não compreende o que eu digo. – O marciano respondeu.
— Ela está louca? – Superman perguntou, aflito e angustiado, tentando impedi-la de machucar os outros e a si mesma.
— Não. É muito pior!! – J’onn sibilou, com os olhos alaranjados.
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