Broken Hearts

69 Contágio (Parte I)


Notas iniciais
Saudações, meus lindos Sobre a sucessão de capítulos a partir de agora: — Teremos uma sequência de ação para encerrar a trama com Ra’s; — Não é meu momento preferido (por isso a demora para atualizar), mas eu estou me esforçando; No mais, Que Scorsese, Tarantino e Snyder me abençoem! Boa leitura! ♥

“Ou se morre como herói,

ou vive-se o bastante para se tornar vilão”.

(Harvey Dent, in: Batman – O Cavaleiro das Trevas)

♣ Fortaleza de Ra’s Al Ghul || Líbano ♣

O Morcego provou-se mais uma vez um estrategista paciente, observando e estudando cada canto do ambiente. Um grande salão com computadores de altíssima tecnologia tomando a maior parte do espaço interno à esquerda, uma extensa mesa de reuniões, o que parecia um púlpito, que dava a quem ocupasse o trono, ao centro, uma visão completa de tudo e um enorme espaço vazio do lado oposto.

À direita, o vão de uma depressão se estendia ao longo de toda parede rochosa. O som de água corrente que vinha da mesma direção, a mente do grande detetive levou milésimos de segundos para deduzir que era um dos Poços de Lázaro espalhados ao redor do mundo.

Os pontos luminosos na imensa tela projetando um mapa mundi, eram indicações de localizações, que provavelmente seriam os lugares onde Ra’s iniciaria a liberação do vírus, de seu plano de contágio.

Ao enviar as informações com a confirmação geográfica das cidades que seu inimigo tinha como alvo para J’onn, um pensamento breve percorreu sua mente, o desviando ligeiramente da concentração absoluta em deter Ra’s Al Ghul: Se Diana não o tivesse obrigado a engolir seu orgulho e procurado Clark; Se não pudesse contar com a ajuda da Liga; ele não suportaria a culpa de se sentir responsável pela morte de milhares, por não impedir que seu inimigo causasse um genocídio.

O som estridente de alarme trouxe seu pensamento de volta ao foco total na estratégia para deter Ra’s. Um radar mostrava algo se aproximando da área e Batman ouviu o jovem que monitorava o espaço aéreo informar ao Demônio sobre a proximidade da aeronave.

(...)

Diferente da estratégia do Batman, a Mulher Maravilha não tinha a mínima intenção de ser furtiva. Seu plano era uma abordagem simples e direta – que a equipe apoiou. A prioridade era a vida de Bruce. Não a captura de Al Ghul e de seus cúmplices.

Confiante da ‘invisibilidade’ de seu covil – garantida pela camuflagem montanhosa e pela tecnologia que bloqueia qualquer sinal de satélite – ele não deu importância ao alerta, esperando que fosse apenas um sobrevôo ordinário de uma aeronave no percurso irrelevante de sua rota igualmente desimportante.

Por isso, mesmo um dos maiores estrategistas da História da Humanidade, foi surpreendido pelo ruído ensurdecedor ecoando pelo salão. Um estrondo do que parecia ser a explosão da rocha, bem próximo de onde estavam.

Conhecendo o Vigilante de Gotham como ele conhecia, o Cabeça do Demônio sabia que só uma mente estúpida poderia subestimá-lo. Ele sabia que o detetive o encontraria e estava preparado para isso. O que seu plano não previa era a traição de sua filha, que levara o Morcego até ele sem ser notado, tirando-lhe a vantagem de saber sobre a chegada dele.

A presença do Cavaleiro das Trevas no bunker esculpido no interior das gigantescas elevações rochosas tornou a missão de achá-lo ridiculamente simples. As coordenadas da localização precisa de Bruce para o computador da Batcaverna era, por assim dizer, uma das funções mais simples executadas pelo traje – ele também monitora o ritmo cardíaco, a pressão sanguínea, regula a temperatura corporal interna (resfria ou aquece, de acordo com a necessidade), e incontáveis outras.

“Merda”, Bruce pensou. Teria que se mostrar antes da hora.

— O detetive? – Ra’s perguntou com curiosidade – Imagino que seja vocêmesmo. Ninguém mais poderia encontrar esse lugar.

Batman hesitou internamente. Será que Talia estava escondendo algo? Será que seu pai já o esperava? Ela saltou logo atrás dele, mas não foi para o lado do pai, que estava com Nyssa, Lady Shiva e Ubu, seu fiel criado.

Quando ele saltou em direção ao Demônio um grande choque o atravessou. Com um grito dolorido, ele foi jogado para trás e atingiu a parede violentamente com um baque.

Ele não esperava essa onda de energia atirada contra ele.

Ra’s o treinara para ser o melhor espadachim do mundo, digno de rivalizar em pé de igualdade com o próprio Cabeça de Demônio, logo, Bruce estava de posso de sua espada especial – semelhante a uma katana, mas leve como um florete, sendo mais rápida que a que Ra’s costumava usar, que é de origem árabe, curvada e mortal.

Ra’s observou-o gemendo com diversão.

— Você não achou que seria tão fácil, não é? – O demônio puxou o capuz do Batman, revelando o rosto bonito de Bruce Wayne.

— Com você envolvido, geralmente não é – Batman reconheceu.

— Já faz um tempo, não é, detetive? – respondeu Ra. Mesmo enquanto falava, um grupo de assassinos estava se aglomerando ao redor deles; e agora, emergindo de algum lugar desconhecido.

Batman se ergueu com os dentes cerrados. Ele bateu na parede justamente do lado que tinha sido ferido.

— Você não pode me deter. Vou lançar o vírus em Tóquio, Dubai, Rio de Janeiro, Londres e, claro, Gotham – Batman rosnou, enquanto Ra’s continuava com uma voz perigosamente suave.

Batman lutou para se levantar, tossiu e ficou de pé. Ra’s viu seus esforços com um ar divertido. Ele rosnou e sua raiva finalmente foi suficiente para permitir que a adrenalina corresse em suas veias. Ele ia parar o demônio, nem que fosse a última coisa que faria.

Os assassinos se aproximaram mais cautelosos quando seu adversário se endireitou até a altura total. Ubu, o guarda-costas de Al Guhl estava com um olhar particularmente alegre em seu rosto brutal.

— Hoje será sua ruína, detetive – Ra’s determinou.

Naquele momento, quatro pessoas entraram no meio do salão, todos na sala giraram suas cabeças para olhar. A ‘cavalaria’ havia chegado.

(...)

Diana olhou para o Batman, cercado por assassinos. Seus dentes trincados, rosnando de raiva indicavam fúria desmedida. Ela só não sabia se era mais raiva por ver a ela e seus filhos terem vindo em seu auxilio (desobedecendo as ordens de deixarem ele resolver tudo sozinho) ou de seus inimigos. “Provavelmente, as duas coisas”, ela pensou!

Mas seu pensamento logo foi deferido, quando ele dedicou um olhar de morte para ela, Tim, Damian e sua mãe, indicando para que lado a balança da fúria pendia.

— Um homem como você deixar que mulheres e crianças façam seu trabalho é um demérito, detetive! – Ra’s desdenhou.

— Nenhuma amazona está abaixo de qualquer homem, mortal! – Hipólita praguejou, altiva, empunhando sua grande espada reluzente, digna da realeza que lidera as lendárias mulheres guerreiras.

— Outra amazona com porte real, detetive?! – Al Ghul voltou-se para encarar a rainha – Vejo que você finalmente percebeu que a escória de Gotham não tem nada a oferecer-lhe e tomou como concubinas aliadas com real utilidade, além do prazer mundano.

— Não ouse desrespeitar a rainha das amazonas, Demônio – Diana empunhou a espada em posição de combate.

— Perdão majestade – Ra’s sorriu. Uma mistura de malícia e sarcasmo – Mas, devo adiantar-lhe que sua presença e da sua filha causou-me uma satisfação que eu não previa. Quando derrotá-los, matarei o detetive e o garoto bastardo que ele treinou, tomarei meu neto de volta e terei prazer em ter você e sua filha comigo. Assim que eu adestrá-las, obviamente.

— Vão embora, agora! – Batman rosnou, cortando o Demônio, antes de Hipólita saltasse contra ele, irascível pela menção à escravidão sexual. Uma lembrança dolorosa dos tempos em que ela e seu povo sofreram nas mãos dos homens.

Diana sorriu: – Não mesmo, Batman. – Ela olhou para os lados – Prontos, Red e Robin? – À esquerda, Tim e Damian assentiram – Majestade? – Ela sorriu ao ver o fogo nos olhos de sua mãe, à sua direita – A equipe não sai daqui sem você, Batman!

Um grande homem se lançou para ela, gritando: "Infiéis!" e Diana o socou sem olhar para ele, jogando-o contra uma parede, deixando-o desacordado. O que fez o batimento cardíaco de vários assassinos aumentar ao menos uma batida por segundo.

Uma legião de incontáveis assassinos da Liga das sombras se acumulou entre os heróis:

Bruce rosnou: – Saiam daqui agora. Diana... Tirem ela daqui. Tim... tire-a daqui!!

Diana olhou para os companheiros, especialmente para Tim, que olhou para ela determinado a desobedecer:

— É tudo ou nada, meus amigos – Bruce sentiu um calafrio na espinha ao ouvi-la – Damian, Tim, mãe, se esta for minha última batalha, saibam que foi uma honra servir ao lado de vocês.

Os meninos sorriram em resposta e saltaram em direção aos assassinos, com uma chuva de chutes, socos e saltos, como uma dança sincronizada, coreografada por malabares.

Cercado por dezenas de homens da Liga das sombras, Bruce foi impedido por eles de ir atrás de Ra’s de imediato. O vilão fora em direção à central de controle dos computadores, para sussurrar uma ordem a um de seus servos com responsabilidades de domínio intelectual. O homem à frente do computador central começou a digitar freneticamente, e o detetive deduziu que o comando de Ra’s fora para liberação do vírus, já que a tela indicava um alerta emissor, com luz amarela piscando justamente nas cidades escolhidas para disseminação do vírus.

Intimamente, o Morcego desejou que a Liga conseguisse impedir os planos de seu inimigo de serem bem-sucedidos.

(...)

Um descrente chamaria de coincidência, mas para os que ainda depositam a fé em divindades ou entidades sobre-humanas e/ou sobrenaturais, o quarteto formado pelo amazônico-bat-clã era mais que providencial, era afortunadamente preciso, não apenas em número de integrantes, mas sobretudo em suas competências e habilidades para fazer frente aos adversários que enfrentariam.

Eles não teriam que lidar apenas com a Liga de assassinos mais bem treinados do mundo (leais como os kamikases japoneses, a ponto de dar a vida pela causa de seu líder ‘messiânico’). Cem vezes mais letais e leais que os soldados de Ra’s era seu ‘grupo de elite’, formado por aqueles que o Cabeça de Demônio mais confiava – seja servindo a ele e seus propósitos, seja em suas extraordinárias técnicas de combate): Suas filhas, Nyssa e Talia; Lady Shiva e Ubu.

Sendo assim, enquanto Batman abria caminho entre três dezenas de ninjas da Liga das Sombras que o circundavam, tentando golpeá-lo. O quarteto heroico foi confrontado pela equipe de Al Ghul.

Deixando a formação dos assassinos ao redor do Caped Crusader, uma figura abominável se colocou à frente de Tim. Ubu era, sem dúvida, o servo mais leal de Ra’s – que encontrou em seu temperamento naturalmente esquizoide e sua personalidade sádica, contudo, servil, o tipo ideal de escravo: aquele que serve a um senhor por escolha própria.

Mas Ubu não era Bruce Wayne, o grande detetive. Ele não tinha a inteligência, a força, a disciplina, a expertise, o charme, o carisma e a elegância de seu melhor aluno. Ele era apenas um servo que poderia ser melhor aproveitado, por suas habilidades e lealdade cega.

Tim ergueu seus bastões em posição combativa e estreitou o olhar para encarar seu adversário. O homem trazia um sorriso desdenhoso nos lábios que só não causava mais desconforto que sua aparência, no geral. Ubu era um homem forte, de altura mediana, mas seu físico corpulento causava a impressão de que ele era muito maior. Ele tinha feições esteticamente desarmoniosas, para ser gentil. Uma visão ainda mais desagradável quando exibia a vilania maquiavélica de sua personalidade através de sua expressão.

Ele saltou em direção a Tim, sem esconder sua descrença de que ele seria um adversário a altura. Mas seu rosto mostrava um sorriso sarcástico de satisfação por acreditar que causaria dor e angústia ao detetive desleal e ingrato, derrotando seu tutorado com facilidade; ferindo seu ‘ajudante’ com violência.

Os socos de Ubu eram fortes, fazendo Red Robin deslizar em recuo, sempre que os bloqueava, protegendo a guarda, formando um X com as duas barras. Mas ele era grande e lento. Não era rápido como Bruce, Dick, Alfred ou Damian (com quem costumava treinar). E Bruce o preparou para enfrentar adversários mais fortes e mais rápidos... Ubu não poderia ser ignorado, mas ele poderia lidar com o inimigo usando suas habilidades de combate e inteligência, Bastava ser paciente e preciso!

Hipólita de Themyscira reconhecera nos olhos de sua adversária seu valor como guerreira. A experiência da guerreira amazona acumulada em milênios de existência conferia-lhe capacidade inquestionável para ler com facilidade um adversário com as mesmas características (mulher, lutadora treinada sob as rédeas da disciplina, que valoriza a excelência em combate). A rainha disse a si mesma que honraria sua adversária com o melhor de si – uma rainha digna de seu povo.

A líder das amazonas fizera bem em tomar Nyssa como alguém que não deveria ser subestimada. Contudo, ao contrário do que a mãe de Diana pensara, a filha de Ra’s era uma guerreira notável apenas do ponto de vista combativo. Os conceitos de honra e os valores culturais amazônicos não eram compartilhados por ela.

O brilho evidente de seus olhos não era fruto da excitação entusiasmada dos guerreiros mais notáveis, prestes a enfrentar um adversário à altura de sua excelência. A euforia de Nyssa vinha da oportunidade de provar seu valor ao seu pai, enfrentando e derrotando um inimigo indubitavelmente valoroso como a rainha das amazonas.

A herdeira de Al Ghul tomou uma postura agressiva, empunhando uma longa espada de lâmina fina (com ambos os lados afiados para corte), segurando o cabo com ambas as mãos, apontando-a para a amazona, pondo-se em posição de ataque.

Hipólita respondera ajustando-se em um movimento defensivo muito singular – não como o habitual e sim uma postura que indicava que ela estava pronta para o ataque adversário, mas também para o contra-ataque. Ela segurou sua espada com apenas uma das mãos, inclinando-a apenas o bastante para proteger-se, contudo, semelhante a postura de Nyssa, seu corpo parecia pronto para o ataque.

A majestosa amazona não era forte como sua filha, mas, sem dúvida, sua força estava bem acima da média das mais fortes mortais (não-metas). E a irmã de Talia soube disso logo após seu primeiro movimento de ataque.

Logo após a breve sequência de golpes que ela desferira contra Hipólita com sua espada, a amazona revidou, ‘martelando-a’ com sua espada. Nyssa defendera-se sem sustos – apesar de sua rainha comprovar que as guerreiras amazonas são tão (ou mais) extraordinárias que o que a História conta como lenda, o isolamento tem seu preço sobre a experiência – contudo, a força do golpe de sua inimiga sim.

A bela morena, herdeira de Ra’s, era mais rápida, conhecia dezenas de técnicas de luta além do conhecimento da rainha, e (treinada por seu pai) era também uma estrategista melhor. Ainda sim, Nyssa tinha que admitir que mesmo com mais domínio técnico e tático, Hipólita era uma guerreira experiente, forte e resistente.

Segurando a pesada espada com uma das mãos, que Nyssa deduziu ter o peso de seu sobrinho, bastou um golpe para jogá-la longe de sua adversária. Ela manteve-se de pé e não mostrou-se preocupada, mas ponderou que seria preciso uma estratégia para vencer Hipólita com paciência – ela não cairia com um golpe que não fosse fatal. Mas bastava um deslize seu, bastava que a rainha acertasse uma vez, e seria seu fim: A força da amazona e a robustez da arma a partiriam ao meio sem dificuldade.

Para um expectador alheio ao contexto geral da batalha e de seus personagens, seria impossível acertar qualquer suposição sobre o jovem rapaz vestindo o uniforme do Robin, com base na imagem dele.

Damian só tinha 12 anos, mas muito menos que sua estrutura física, sua postura (e comportamento) indicavam uma idade bem mais avançada – contudo, sejamos honestos, não era uma maturidade “boa” (que vem da evolução emocional e de boas experiências), mas um envelhecimento precoce, fruto de cobranças impróprias pra uma criança e de treinamento abusivo e desumano imposto pelo avô.

Ele estreitou os olhos para sua adversária, rangendo os dentes. Era seu modo de concentrar-se na luta completamente, esconder qualquer vestígio de hesitação ou descrença de que poderia vencê-la, e mostrar-se pronto para o combate.

Damian tomou a iniciativa de ataque, balançando sua katana em várias direções, com movimentos rápidos. Mesmo um meta (que não tenha os reflexos supra-desenvolvidos, cuja reação física do corpo é a de um ser humano comum) poderia sair ileso de uma sequência tão grande de golpes velozes e precisos (todos dirigidos as áreas do corpo que incapacitam ou ferem mortalmente o alvo). Contudo, para sua infelicidade, sua adversária ocupa os primeiros lugares na lista de raríssimos seres humanos, cujo nível imensurável de domínio de suas habilidades, os fez tão extraordinários quanto os indivíduos metas.

Desde que tomara consciência de que fora criado para ser o melhor guerreiro da Liga das Sombras, Damian elegera como meta pessoal (que o faria considerar-se o melhor), derrotar e, consequentemente, superar os três melhores: Seu avô, seu pai e sua atual adversária, Lady Shiva (uma de suas mestras).

Mas mesmo tomado pelo espírito corajoso de um guerreiro audaz, Damian tentou afastar os pensamentos de que precisaria de mais que perfeição no combate com Lady Shiva. Era preciso sorte!!

Pouquíssimas pessoas poderiam reconhecer a figura coberta por um traje preto da cabeça aos pés – deixando apenas os olhos à mostra. O corpo sem curvas, semi-esquálido (não fossem alguns músculos magros bem trabalhados dando o mínimo de volume ao traje), quase completamente escondido sob uma indumentária semelhante a usada por ninjas, impedia qualquer noção de quem seria. Não havia como saber o gênero, idade, ou o que quer que seja.

Shiva esquivara-se da lâmina cortante da espada de Damian exibindo uma performance digna de sua lenda. Seus movimentos para desviar-se da sequência ligeira dos golpes era tão ou mais frenéticos que os ataques. Ela mesclara sua movimentação elástica impossível do corpo com saltos acrobáticos. Lady Shiva mostrara a um desavisado expectador que achava a luta entre o menino armado com uma espada, contra ela, desarmada, injusta. Shiva, de mãos nuas, era mais letal que 20 dos melhores homens de Ra’s, com espadas.

— Não estivéssemos em lados opostos, Ibin, meu jovem aprendiz, eu consideraria dizer-lhe que o tempo ao lado de seu pai o fez um guerreiro melhor – a ex-mestra do neto do Demônio pontuou, em um tom quase sussurrado, que Damian tomou como o melhor elogio que recebera dela em 12 anos.

— Infelizmente, esse tempo não fora suficiente para impedir sua derrota iminente! – Ela completou.

— Quando acabarmos, você poderá me elogiar, lady Shiva – Damian retrucou, retomando a luta.

Os olhos humanos só poderiam captar o som dos disparos e o brilho das faíscas produzidas pelo choque violento dos projéteis contra o metal. Os detalhes da cena da arma de Talia descarregada na direção de Diana só poderia ser vista em câmera lenta: A pistola empunhada em um ângulo exato da mira perfeita; a fumaça no cano após cada disparo; cada bala percorrendo o caminho preciso dos alvos em áreas fatais; o movimento dos antebraços da princesa amazona, cobertos por um metal que servira de escudo para bloquear cada disparo.

Talia era uma guerreira habilidosa, versada em diversas técnicas de combate, nos mais altos níveis. Mas nada comparadas à sua habilidade de espadachim – à altura de seu pai e de seu amado. Logo, não era uma simples dedução arrogante ou o devaneio insensato do ciúme que lhe deram a certeza de que derrotaria a Mulher Maravilha no combate direto usando espadas, usando uma estratégia que impedia sua adversária de fazer uso de suas vantagens como meta.

Quando levou sua luta com a amazona bem próxima à Bruce, Talia tentou disfarçar o desgosto crescente se formando dentro de si, ao vê-lo dividir as atenções entre os inúmeros adversários e Diana. Doía ver que ele se importava com essa mulher a ponto de desviá-lo do absoluto controle de sua missão (deter seu pai). Ainda mais doloroso era perceber que não era a habitual preocupação de seu coração altruísta de herói. Havia tanto afeto, cuidado, carinho na postura dele que nem ela poderia se enganar e negar.

Ela viu a mesma preocupação afetuosa da amazona para com ele, desviando sua atenção da luta contra ela, permitindo-lhe aberturas em sua guarda – o que possibilitou que Talia conseguisse atingi-la com alguns cortes sem gravidade na coxa e no braço. Foi então que percebera a protuberância discreta, disfarçando o volume da parte superior da armadura com a jaqueta.

Talia escrutinou Diana com um olhar gélido de indiferença, como se ela não tivesse qualquer importância (nem como adversária: seja em combate ou disputando o coração de seu ‘amado’). Uma frieza que, aos olhos da amazona, parecia ser o frio de um cômodo vazio, oco, sem alma, sem coração – o que a fez apiedar-se de Talia, imediatamente.

Era como se ela pudesse enxergar que as feridas de sua adversária eram bem mais profundas que o drama superficial da relação conflituosa entre ela, Bruce e Ra’s sugeria: Talvez Shayera estivesse certa e a maternidade a tinha deixado ‘soft’ demais. Talvez essa suavidade esteja interferindo no julgamento de seus inimigos e Talia fosse egoísta, narcisista e obcecada por Bruce, como o pai.

A compaixão da filha de Hipólita por Talia reacendera assim que Diana vira o sorriso cínico e satisfeito de Ra’s, contemplando o cenário geral das lutas. Ele não demonstrava qualquer preocupação com os seus ou interesse pelo bem-estar de suas filhas e de seu neto – quiçá de seus servos leais.

Ela ponderou que sua luta com Talia se tratava de mais que vitória e derrota. A princesa amazona precisava vencer por Bruce, pelos filhos que carregava, por Tim, Damian e sua mãe, por Talia. Para dar a ela a chance de se reencontrar, longe da influência de Ra’s.

♣ ♣ ♣

♣ Ações simultâneas || Localidades ♣

Após uma reunião privada com os membros seniores da Liga (agora composto pelos fundadores ativos e os reintegrados), Superman reuniu todos os leaguers para revelar o plano de Ra’s, descoberto pelo Batman, e como era dever da Liga impedi-lo de ser bem-sucedido.

Todos estavam envolvidos direta (integrando uma das equipes enviadas às cidades onde começariam as epidemias) ou indiretamente (executando tarefas de apoio: na enfermaria, no monitoramento, na vigilância, etc).

Os heróis que integravam as equipes foram escolhidos de acordo com as habilidades mais úteis na solução do problema. E liderados por dois membros seniores.

Eles foram e direção à Tóquio, Dubai, Rio, Londres e Gotham.

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Notas finais
>> Trilha sonora: Aerosmith - Dream On Legendado https://youtu.be/11fH4M4GYtE • Fanart da imagem do capítulo: Logan Lerman - Robin Vermelho (Tim Drake) Asa Butterfield - Robin (Damian Wayne)