Broken Hearts

3 A princesa de Themyscira


Notas iniciais
Olá leitores lindos, *Esta é a última linha da série de descrições; *Era preciso situar o leitor sobre o caráter psicológico dos personagens, para que vocês soubessem quem são o Batman e a Mulher Maravilha da minha estória: — Um Bruce cínico, angustiado, mais maduro, menos paciente, mais ferido e magoado com a morte do filho (Jason); — Uma Diana recém-chegada, ainda ‘verde’ para as referências e padrões do mundo patriarcal e sem as experiências românticas que sua personagem em BvS já possui. *A escolha dessas personalidade é justificável para se adequar ao roteiro; *No mais, boa leitura e no próximo capítulo, teremos um tanto mais de ação entre os personagens!!

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"Nasci em tempos rudes. Aceitei contradições, lutas e pedras como lições de vida e delas me sirvo. Aprendi a viver".

(Cora Coralina)

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***Themyscira/ Ilha Paraíso****

Os homens não sabem disso, mas localizado no vasto Mar Egeu, há um paraíso escondido chamado Themyscira, lar de uma raça imortal de mulheres guerreiras. A rainha Otrera, rainha deusa das amazonas, criou a ilha com a missão de servir de inspiração de paz e justiça, como nas democracias atenienses.

Mas a missão fora comprometida quando, mil anos Antes de Cristo (AC), a princesa imortal, Hipólita, filha de Otrera, foi seduzida pelo semideus Hércules, filho de Zeus. Ele deveria realizar 12 trabalhos, a pedido de Hera, esposa do deus olimpiano e um desses trabalhos consistia em roubar o cinturão sagrado de Ares, guardado por Hipólita.

Depois da festa em nome do filho de Zeus, realizada pelas amazonas, a princesa o levou para sua cama e canções sobre o encantamento de Hipólita, que caíra sob o véu da sedução de Hércules, são cantadas pelas musas até hoje. Na manhã seguinte, roubado o Cinturão, Hércules partiu, deixando as amazonas sob o domínio e o escárnio do exército doriano, que o trouxera à Ilha.

A escravidão durou 15 longos anos: as amazonas sofreram estupros constantes, violência desmedida, tortura e abuso físico e emocional. Uma humilhação da qual as guerreira jamais se recuperaram e lhes garantiu ódio eterno aos homens.

Após sua libertação, através de uma luta feroz e armada contra seus algozes, as amazonas buscaram sua paz, tendo enfrentado a morte de tantas irmãs. Então, para protegê-las, seus deuses camuflaram a ilha com uma espécie de 'campo de força' mágico, que a isola de olhos curiosos e mal intencionadas visitas.

Assim surgiu o decreto da então rainha Hipólita, filha de Otrera: “Qualquer homem encontrado na ilha será imediatamente preso, considerado culpado e banido da sociedade pela eternidade, caso não seja condenado à morte”!

(...)

Os homens eram proibidos de entrar na ilha, mas isso não se aplicava aos deuses. Hades, senhor supremo do submundo, apaixonado pela rainha, fazia-lhe constantes visitas noturnas. Ao tentar uma guerra contra o Olimpo, para destronar seu irmão Zeus, com a ajuda de Ares, Hades foi banido eternamente, obrigando Hipólita e as amazonas à missão, imposta por Zeus e Hera, de guardar os portões do Tártaro pela eternidade.

Solitária e sem o amor do homem que amava por séculos seguintes, Hipólita implorou aos deuses por uma filha. Athena e Hera aprovaram seu pedido e, a partir do barro, moldado em conjunto com Hades, quando ainda eram amantes, a menina de lindos olhos azuis e cabelos negros foi trazida à vida.

À criança foi concedida: A força de Gaia; a velocidade de Hermes; a beleza de Afrodite; a sabedoria de Athena; a expertise e sentidos super-aprimorados da deusa da caça, Artemis; resistência e durabilidade de Apolo; e cura acelerada, dada por Deméter.

Seu nome: Diana!

Por 1.500 anos, Diana amadureceu lentamente até atingir a plenitude de sua feminilidade. Treinada para ser a campeã amazona dos deuses, no alvorecer do novo milênio no mundo do homem, Diana escolheu deixar Themyscira, a fim de ajudar os heróis do mundo do homem derrotar os invasores, uma espécie alienígena que cercou a Terra.

*** Mundo patriarcal/ Dias atuais ***

Diana estava visivelmente intrigada com os prazeres e horrores do mundo do homem. Ela decidiu entrar para o hall da Liga da Justiça, juntamente com Batman, Superman, Caçador de Marte, Lanterna Verde, Flash e Mulher-Gavião.

Essa introdução à cultura estrangeira do mundo do homem foi inicialmente dolorosa, por causa de sua desconfiança de homens, o que resultou em uma série de ‘mal-entendidos’ com seus companheiros de equipe. Embora amigável e gentil, geralmente Diana sentia-se distante de seus companheiros e isso foi encarado erroneamente como uma reação autoritária e arrogante de sua criação aristocrática. Especialmente pelo Batman, que a chamava ironicamente de ‘princesa’, sem quaisquer reservas em mostrar o seu desdém.

Os únicos que se aproximaram dela com gentileza foram o Superman e J’onn, além do doce Wally, que tomou como desafio apresentar-lhe toda cultura pop do Mundo do patriarcado. E os três cresceram em amizade, respeito e amor. Wally era como um irmão. J’onn como um pai. E Kal, seu melhor amigo, o objeto de suas afeições um tanto românticas que ela sequer reconhecia, dada a inexperiência de suas emoções.

Até o dia em que Félix Fausto petrificou suas irmãs, em nome de Hades, numa tentativa de libertá-lo da vigília das amazonas e abrir os portões do inferno. Com a ajuda de seus companheiros da Liga, a princesa de Themyscira ‘salvou o dia’, mas a ousadia – mesmo necessária – de trazer homens às terras invioláveis da Ilha paraíso custara-lhe o banimento, em virtude da Lei.

Os votos de premiação do heroísmo da guerreira e seus companheiros fora devidamente realizados pela rainha. Como mãe, ela estava orgulhosa. Mas como regente, ela era obrigada a cumprir a lei: Exílio! Esta foi a determinação proferida por ela para cumprir seu dever.

Dentro do Javelin, Diana são verteu uma única lágrima. Nem mesmo com os berros do Flash sobre a ‘tremenda injustiça’ que ela sofrera. NADA!

Angústia, dor, medo, tristeza... tudo estava guardado lá dentro de seu coração amoroso e forte. Mas uma amazona não haveria de dar-se a vergonha da fraqueza de chorar em frente aos seus companheiros de armas. À exceção de Batman, não faltaram abraços e palavras de apoio. Até que ela ouviu o tom no barítono inconfundível se apresentar:

— Você vai ficar bem, princesa? – Foi a primeira vez que ela não ouviu aquela palavra com desdém, mas com uma dose de doçura. ‘Será?’ Ou era loucura adquirida com a dor. ‘O Batman foi gentil comigo!’, ela pensou.

Ele partiu sem esperar resposta, mas ela o viu exitar antes de dar mais passos em direção à baia de embarque do Sentinela. Era o máximo de companheirismo que ela vira dele em meses, desde que se conheceram. Ela sorriu, com um certo ar de melancolia por ter recebido essa ‘ternura’ em uma situação tão ruim e dolorosa.

Então partiu para o quarto, onde entregou-se às lágrimas, de joelhos, em oração de perdão aos deuses, envolta em seu laço, que queimava com a verdade dolorosa de seu coração despedaçado.

Depois, em sua cama, adormecera de tanto chorar.

***Sentinela/Perspectiva de Diana ***

Tanta coisa mudou desde que entrei para a Liga da Justiça. A mudança tem sido boa e eu conheci pessoas extraordinárias. Amigos que minhas irmãs e minha mãe condenam. Eu amo chocolate e mochas gelados, cozinho minha comida e lavo minha roupa. Apenas uma mudança tem sido ruim: o exílio.

O Batman continua chamando-me de ‘princesa’. Eu já percebi que agora, já não é como antes. Ele não tem a intenção de ser intragável. Mas ainda sim é doloroso. É uma constante lembrança do que eu não sou mais. Que não tenho mais casa.

Eu tento um sorriso condescendente quando Wally diz que é injusto. Mas é justo! Eu quebrei leis sagradas, permitindo homens em minha ilha, mesmo para salvar a vida de quem eu amo. A lei é a lei. Se minha mãe, como rainha,não me banisse, mostraria favoritismo e fraqueza. Muito antes de me moldar a partir do barro e pedir aos deuses que me dessem vida, ela era rainha em primeiro lugar.

— Bom dia, Diana! – John caminhou ao meu lado rumo à sala de reuniões com uma xícara de café na mão.

— Como estão as coisas em Oa? – Caminhei ao lado dele, as mãos cruzadas atrás das costas, cheirando o aroma do seu café.

— Tudo sob controle – Ele estufou o peito um pouco mais e segurou a cabeça erguida, como um militar.

‘Princesa, John...’, a voz sussurrada por traz de nós se faz ouvir.

Eu já tentei corrigi-lo, mas não adianta. Shayera, J’onn e Kal são os únicos que não me chamam de princesa. Esse título: eu odeio. Minha escala de humor cai vertiginosamente, me deixa triste.

Sentados à mesa redonda elegante estão Superman, J'onn, Flash, Hawkgirl e Batman, mas o mais importante: há uma xícara de café fumegante para cada membro fundador que está lá. Tão delicioso é o café. É das coisas que eu adoro neste mundo.

Ansiosamente tomo meu assento e envolvo os dedos em torno da caneca quente de cerâmica. ‘I ♥ Gotham’ está escrito nela e eu me distraio rindo sozinha, com meus pensamentos.

♪ ‘... a map the leads to you and nothing I can do...’ ♫

Algo chama a atenção de Kal e ele olha confuso pra mim. Wally também costuma me atualizar sobre as músicas do mundo do homem e, às vezes, eu me pego cantando em momentos inoportunos.

— Desculpe, eu cantei em voz alta? – Eu cruzei as pernas, com um sorriso envergonhado.

O kryptoniano alto e de ombros largos balança a cabeça afirmativamente, com um sorriso no rosto: – humrum!

Eu acabei rindo de mim mesma e voltei a tomar meu café. J'onn exibe os olhos laranjas, provavelmente conversando com o Batman. Ele sempre fazem isso. Hawkgirl olha para a entrada, antecipando o borrão vermelho prestes a entrar a qualquer momento.

Sentado com sua capa envolta em torno de seu peito, pés plantados no chão, postura régia e estudando cada membro na mesa, está o Batman. As lentes brancas não me deixam ver o caminho dos seus olhos, mas de algum modo, eu sei que ele está bloqueando as coisas que ele considera irritante, como eu e Kal rindo por causa do meu canto em voz alta.

*** Sentinela/ Sala de Reuniões***

O Cavaleiro das Trevas estreita os olhos por baixo das lentes do capuz. Aquelas reuniões continuam irritantes. Ele é bom e se concentrar apenas no que quer ouvir e quando percebeu Diana e Clark rindo por alguma bobagem, ele se surpreendeu quando sua mente bloqueou o som que vinha de seu amigo e se concentrou apenas nela.

Ele gostava de vê-la e ouvi-la sorrir. Ela havia diminuído suas exibições do sorriso contagiante desde seu exílio.

John olha para Shayera por cima de da xícara de café e lança um olhar apreciativo sobre a Mulher Gavião. Os impressionantes olhos verdes chamam a atenção do ex-Marine. ‘Sim, você gosta dessa mulher’, ele pensou.

Limpando a garganta, Superman inicia seu discurso. Seria mentira dizer que Diana estava prestando atenção. Ela estava observando os sinais sutis entre Hawkgirl e Lanterna Verde e um sorriso tomou seus lábios. Romance era um aspecto do mundo do patriarcado que ela não experimentara. Ou amor.

Não é que ela não tivesse opções. Homens que ela nem sequer conhecia continuamente enviavam rosas para a Torre de Vigia. Era uma infinidade de ursos de pelúcia, roupas de grife, joias e doces. Os ursos ela costumava doar aos orfanatos; as joias eram leiloadas para financiar abrigos de mulheres, bem como as a maioria das roupas caríssimas. Mas com os doces, ela se permitia ficar e os partilhava com Shayera e Wally.

Diana nunca se apaixonou. Ela conhecia o conceito. Era bem versada nos clássicos gregos, que não eram clássicos para ela. Histórias como a Ilíada significavam mais para o seu povo, mesmo sendo basicamente contos sobre como os deuses brincavam com a humanidade. Mas ela sabia sobre o amor desmedido de Orfeu compartilhado com Eurídice e sobre Eros e Psique.

Quando ainda era menina, ela fugia de seu quarto para a praia durante as madrugadas. A lua no alto do horizonte lançava seu brilho perolado sobre as ondas, iluminando a escuridão. Ela caminhava para o mar até que as ondas encharcassem a túnica na altura da cintura e recitava suas histórias favoritas.

O vento forte ensurdecia sua voz e os guardas não podiam ouvi-la. E ela estava livre para mergulhar e admirar a beleza selvagem da meia-noite. Ela estava em paz e imaginava que o amor era isso. Mas ela nunca se apaixonou.

— Seu café está frio, princesa! – A voz ricamente profunda a tirou de seus pensamentos.

— O quê? – Diana piscou, olhando ao redor da mesa, agora vazia.

Batman decidiu que seria um bom momento para jogar com sua irritação, antes que ela pudesse sair da sala, ele provocou: – Se distrair durante uma reunião da Liga da Justiça não é um comportamento apropriado para uma princesa.

Igualando-se em seu tom de ironia, Diana o surpreendeu ao não se irritar com o comentário e ele expressou um leve sorriso no canto do rosto. Ao contrário, ela tirou o cabelo do ombro, tirando a parte que cobria o colo e retrucou: – Olhar para os seios de uma colega também não, senhor Cavaleiro das trevas e da indiferença.

As lentes brancas sobre o capuz permanecem impassíveis, mas havia um pequeno sinal peculiar e novo exposto em seus lábios. – Você não vai se dignar a usar isso como resposta, vai princesa?! Você está se desviando do assunto.

Ele não quis apontar todas as ações que o indicavam que ela não estava prestando atenção: Os olhos azuis deslumbrantes sorrindo, à deriva da conversa, pousando em algum lugar no chão, ou na janela de vidro, vislumbrando o cosmo. Ele não podia dizer nada disso, porque seria revelador demais. Ele sempre a observava, mas ela não precisava saber. Era estritamente fruto da curiosidade sobre seus poderes meta e a obtenção de suas fraquezas para incorporar ao protocolo Rouge, ele disse a si mesmo.

Ela olha para ele com a sobrancelha arqueada. Eles entraram em um tipo de competição que os obrigada a olhar fixamente uma para o outro e o derrotado seria aquele que desviasse o olhar primeiro.

Bruce estranhou quando seu corpo começou a ficar tenso. Com um movimento na capa esvoaçante, ele se dirigiu ao teletransporte. Gotham o aguardava. Ele tinha um evento como Bruce Wayne, foi sua justificativa para sair dali. Alfred provavelmente tinha um smoking preparado para ele.

E ele já havia perdido tempo demais com a Mulher Maravilha.

Ele tinha que pensar sobre o mercado de ações e sobre Betany, a loira linda e entediante que estaria o acompanhando esta noite. Sua voz era irritante e ele costumava pensar em uma forma de se matar quando ria de suas piadas.

Ele olhou de volta para a sala de conferências. Diana não havia se movido. Seus olhos azuis ainda estavam sobre ele. Ele endureceu os músculos, sem saber o que fazer... Ela finalmente sorriu para ele, balançando a cabeça como se esperasse sua fuga. ‘Vá para Gotham... é isso que você sempre faz, certo?’, ela disse, sorrindo e o deixando em direção ao corredor.

‘Humpf!! Eu não estava olhando para os seus seios, princesa’, ele sibilou sem que ela pudesse ouvir... ‘Não durante a reunião de hoje’.

Notas finais
*Hipólita é uma personagem conhecida na Mitologia Grega. Segundo o Livro da Mitologia, ela é a rainha das amazonas, filha de Ares e da rainha Otrera e irmã de Pentesileia, Melanipe e Antíope. É conhecida por possuir um cinturão mágico, cuja obtenção foi o nono dos Doze Trabalhos de Hércules. É uma das mais famosas rainhas amazonas, tendo aparecido em obras de arte, na literatura e no cinema, uma mulher ousada. Nos quadrinhos, é a mãe de Diana! *Félix Fausto é um feiticeiro inimigo da Liga e de John Constantine, que aparece nos episódios I e II de "PARAÍSO PERDIDO", da animação da Liga da Justiça.