Broken Hearts

49 A leveza da honestidade


Notas iniciais
Saudações, seus lindos: Acredito que vocês perceberam que eu amo Damian, não? Então, mesmo tentando ser fiel ao personagem, apresentando-o da forma mais crua e honesta: cheio de preconceito e maus hábitos, em seu favor, um flashback evidencia como ele foi criado e vocês o entenderão melhor. Contudo, prometo que em breve a relação com Damian vai melhorar e muito! Divirtam-se com a leitura! ♥

► "O fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim. Meu amor está cansado, surrado, ele quer me deixar para renascer depois, lindo e puro, EM OUTRO LUGAR”, (Tati Bernardi) ◄

FLASHBACK ON

♣ Gotham City || mansão Wayne ♣

(Um mês atrás)

Talia olhou ao redor com olhos curiosos. O interior da mansão parecia o mesmo de sempre, mas havia algo diferente. Algo que seu olhar não conseguia identificar, mas seus instintos formidáveis sim. Não era algo material. A mudança não estava necessariamente na decoração – que exibia uma pequenina alteração em um detalhe ou outro.

Havia mais... A casa parecia menos triste, um pouco mais iluminada (por causa de algumas janelas abertas – Que Bruce dispensava, porque preferia a escuridão), um aroma agradável de flores (exalando dos vasos dispostos em algumas salas e corredores: rosas brancas, amarelas, vermelhas, bromélias, lírios). Coisas que Bruce nunca permitira e agora estavam lá... Por quê? Ele mudou?

Talia detectou a mudança com cautela. Poderia significar que seu amado estava em um estado de espírito menos rude e melancólico? Isso lhe daria mais chances de chegar ao seu coração e ela sorriu intimamente.

— Senhorita Talia, queira me acompanhar até o escritório do mestre Bruce. – Alfred estendera-lhe a mão, indicando o caminho – Ele será informado da sua presença imediatamente. Imagino que a senhorita não se importaria de aguardá-lo?!

— Eu posso esperar. Obrigada – Ela sorriu regiamente, sem qualquer traço do nervosismo que estava sentindo.

Alfred informara que Bruce estava à caminho de casa, após o término de sua reunião de negócios na empresa. Talia não se importava de esperar. Ela não tinha avisado a Bruce sobre sua visita e compreendia a ausência dele.

Talia sentiu um desconforto no semblante irretocável de Alfred. Ninguém além de Bruce poderia. Alfred era um mestre na arte de manter-se ilegível, mas ela e Bruce tinham as habilidades extraordinárias para ver detalhes mínimos.

Alfred nunca fora um fã dela e ela sabia bem disso. Mas, ao mesmo tempo, ela sempre sentira que, apesar de tudo, ele sempre desejara que ela e Bruce fossem felizes.

(...)

— Amado! – Ela parece recitar para ele, com a voz melodiosa, como o canto de uma sereia.

— O que veio fazer aqui, Talia? – Bruce a recebera sem qualquer cortesia – Mais uma missão ordenada por seu pai?

— Não, amado... Não estou aqui por meu pai. Estou aqui por nós, porque preciso reparar um grande erro que cometi com você no passado. – Ela manteve sua voz suave e esperançosa de que as paredes emocionais erguidas por Bruce fossem caindo aos poucos, com era antes.

— Não existe “nós” há anos, Talia. E se você acha que pode consertar seu erro me dizendo que podemos ficar juntos, eu diria que era melhor tomar o caminho de volta.

— Eu entendo sua mágoa, amado e aceito meu castigo. Eu não mereço sua simpatia. Mas eu sei que, como sempre, nosso amor é forte e sobrevive em seu coração. Eu sei que você haverá de me perdoar.

— O que você quer?

— Eu preciso de sua ajuda, amado. Mas não por mim, por nosso filho.

— Nosso filho está morto.

— Não, amado. Espero que um dia você possa me perdoar, mas eu menti. Ele está vivo. Eu nunca perdi nosso filho. Mas meu pai o queria e ameaçou matar você se eu não entregasse o herdeiro que ele desejava.

Bruce não conseguia esconder a chama de ódio em seus olhos e Talia sentiu o veneno angustiante percorrendo a garganta. Ela não teria lugar ao lado dele, com Damian. Não agora. Por isso, ela não ousou pedir-lhe para ficar.

— VÁ EMBORA... SAIA DAQUI! – Não era um grito, mas ele elevou o tom em um rosnado ameaçador e Talia estremeceu. – Você não é mais bem-vinda nesta casa!

(...)

Talia entregou o menino para Alfred e se foi.

Bruce observou da janela o luxuoso Mercedes clássico levá-la embora, deixando para trás um menino de cabelos negros.

Aquela era a primeira vez que ele a deixar ir ser dor.

FLASHBACK OFF

♣ Gotham City || mansão Wayne ♣

Eram pouco mais de 4h30 da madrugada quando Bruce e Diana chegaram ao topo da escada da Batcaverna, enquanto seus lábios se encontravam repetidamente. Para ser justo, era principalmente culpa de Diana. Ela o beijava continuamente, acariciando-o e fazendo outras coisas extremamente impertinentes (Para quem? Para ele é que não era) com as mãos. Ao passo que Bruce tentava desesperadamente retornar seus afetos sem deixá-la cair dos seus braços.

O resultado foi uma bagunça desajeitada pelo caminho. Risos abafados por beijos, após alguns tropeços e uma amazona que se deleitava com a consternação despreocupada de seu amante.

Eles se chocaram contra paredes, mesas e outros objetos, e ainda derrubaram um ou dois quadros e alguns porta-retratos, até Bruce finalmente chegar ao seu quarto. Ele dispensara Robin da patrulha bem mais cedo, às 3h e esperava que ele, Alfred e Damian estivessem dormindo profundamente.

Seus lábios ainda estavam trancados um no outro quando o casal desabou sobre a gigantesca cama de Bruce. Eles nem sequer quebraram o beijo, enquanto rolavam um sobre o outro, lutando sedutora e divertidamente pelo domínio: Quem conquistasse o topo, teria o controle sobre o outro – Ao mesmo tempo em que as roupas iam sendo despojadas, jogadas sem nenhum cuidado.

A sequência estimulante de carícias era feita à quatro mãos, o que os fazia gemer na boca um do outro. O coração de Diana instantaneamente começou a martelar de excitação, como o martelo impiedoso de Hefesto.

Ela olhou diretamente para a íris brilhantemente de Bruce e percebeu que ele já tinha os olhos trancados nela. O certo que ambos encontraram no olhar um do outro, não apenas a chama ardente da paixão crua. Para surpresa de ambos, nem mesmo o calor escaldante do fogo da luxúria e do desejo, subjulgou o brilho de seus afetos, de seu carinho, de seu amor.

Nos olhos deles, o amor não se derretia com o calor do prazer, que nadava nas profundezas da alma do casal de amantes. A necessidade física estava exposta na reação de seus corpos: era explicita, desmedida, inebriante. Mas no brilho dos olhos, a necessidade que sentiam se bifurcava: era desejo e amor.

Os lábios macios de Diana toram tomados por Bruce, que reivindicara sua posse. Uma infinita onda sonora de gemidos femininos cantarolava contra a boca dele o fez emitir um sorriso lascivo. A contradição presente na mão forte e delicada foi sentida por ele, percorrendo seus generosos músculos peitorais. Os nervos amortecidos do corpo de Bruce crepitavam de prazer sob o toque de Diana.

Enquanto a onda de eletricidade percorria a espinha até o cérebro, sua mente vagou, por segundos, sobre a chegada até aqui. Foi tão rápido que ele mal teve tempo de protestar. Tudo acontecera de maneira tão surpreendente que sua mente, em parafuso, não conseguia confrontá-lo sobre o relacionamento. Ele sabia que ela o amava, porque ela nunca escondera isso. Mas nunca imaginou que tivesse tamanha intensidade. Não previa tanta paixão e entrega da parte dela – não a ponto de botar abaixo tudo que ela ouviu, por mais de um milênio de tradições e crenças, que condenavam o sexo com um homem.

Ele retornou febrilmente a paixão de Diana, aprofundando o beijo ainda mais. Enquanto suas línguas exploravam o interior das bocas, as mãos hábeis de Bruce trataram de tomar-lhe os seios sob custódia.

Diana quebrou o beijo profundo para depositar sobre ele uma chuva de beijos leves: bochechas, nariz, testa, queixo... Depois peito, abdômen, braços... lentamente, percorrendo cada cicatriz, como uma reverência por seus feitos heróicos.

Essa adoração dela às suas marcas de batalha em seu corpo que, para a maioria esmagadora das mulheres era nauseante, o intrigava e excitava além de toda medida. Para ele, eram a lembrança de seus erros, para ela, o símbolo de sua coragem excepcional e de sua vontade inquebrantável.

Ele finalmente resistiu ao afetuoso assalto amoroso de sua amante amazona.

“Eu sei que só lhe disse isso algumas vezes, mas... Eu amo você, princesa”, ele revelou, baixinho.

“Eu sei... Eu também te amo, Bruce”, um sussurro foi tudo que ela conseguiu responder. Ela sentiu as lágrimas se formando no fundo dos olhos. O turbilhão desgovernado de sensações a atingira com força ao ouvi-lo. Não eram as palavras em si... Era todo amor que ele a fazia sentir.

Bruce tomou seus lábios e gentilmente a beijou novamente. A sensação de conforto, de afeto, de desejo, era indescritível. Quanto mais tempo o relacionamento seguia, mais forte e mais certo ele se mostrava.

Ele estava verdadeiramente convencido de que relacionamentos amorosos não ‘eram pra ele’. Mas se alguém como Diana era capaz de amar alguém tão quebrado quanto ele, então, a esperança de uma vida “um pouco menos melancólica” não estaria perdida.

(...)

Já passa das 8h30 da manhã e eles começaram uma nova sessão da realização desejosa do seu amor pela terceira vez, após um cochilo de 1h, entre 6h e 7h.

Os dedos do Morcego se movem dentro dela, golpeando as paredes lisas de músculo. Diana geme, arqueando as costas. Os seios firmes se elevando, mostrando o tom de sua pele ainda mais bonito quando exposta à luz da manhã. Os lábios cheios entreabertos, cantarolando um riso leve e os olhos semisserrados de prazer.

Bruce... Ele... Não reage como deveria.

Não que ele não se importe. Ele se importa e muito. Ele olha pra ela para que a beleza ensolarada de Diana, nua, solar, divina, lave os pensamentos que o aborrecem e as preocupações que o incomodam.

Ela olha pra ele. Ela pode ver através dele agora. Ela o conhece!

Seus dedos leves seguram o pulso dele, fazendo-o parar gentilmente.

— Bruce... – Ela sussurra, afetuosa, olhando-o como se ele fosse uma criança confusa – Você não está aqui comigo. Você está distante.

Frustrado e sentindo-se um tanto envergonhado por mera vaidade masculina, que falhava em dar prazer a sua musa, ele se volta para ela e começa novamente o ritual erótico, roçando com uma das mãos poderosas no meio das coxas dela, molhando os dedos nos líquidos da excitação febril de Diana por ele, que transbordavam, escorrendo por entre as pernas.

— Isso não importa, princesa. Eu quero que você esteja feliz. Quero dar-lhe prazer, satisfazê-la. – A sensação tátil da liquidez espessa era uma prova incontestável do desejo e da ânsia de Diana por ele. Ela o queria, muito... e ele estava lutando para se livrar do cárcere de sua mente, das correntes de suas encucações.

Se ao menos ela fosse o tipo de mulher que acata o que ele diz, seria tão mais fácil. Ele poderia satisfazê-la, como fez à outras, mecanicamente, sem necessidade de estar lá, corpo e espírito. Seu corpo, versado nas artes do prazer, era capaz de conduzir o sexo no piloto automático, enquanto sua mente poderia vagar para suas preocupações. Mas ela não quer... ela o quer inteiro.

Se ao menos ela parasse de sorrir assim pra ele. Se ela simplesmente pudesse ser um pouco egoísta e o deixasse apenas dar, sem precisar receber.

Diana balança a cabeça em sinal de negação, empurrando a mão dele pra fora de suas pernas.

— Bruce – ela corre o polegar por sobre a bochecha dele e, vai até seu queixo, para erguê-lo e alcançar seu olhar. – Seu amor é meu prazer. Seu amor... Nada é mais excitante, mais emocionante, mais orgástico que o seu amor.

“Merda... Ela está quebrando todas as minhas paredes. Eu a amo. Porra, eu a amo fodidamente”, a mente do Morcego grunhiu.

Em momentos como estes, ele é abruptamente lembrado que divino é a única palavra que poderia defini-la. Ela é uma semideusa. Ninguém poderia ser tão lindo (de todas as formas) sendo meramente mortal. Os olhos dela brilham compassivos e Bruce percebe os séculos de sabedoria, empatia e compaixão que ela armazena em seu espírito.

Ele é seu companheiro de armas, um de seus melhores amigos, seu amante, seu amor. Ele é dela... E ele se sente uma criança.

Seu grunhido dele é seguido pelo desmoronando ao lado na cama, jogando a nuca sobre os travesseiros. Ela ri da insatisfação tola dele.

“Droga. Eu não posso sequer manter a rabugice dos meus problemas?“, ele pensou.

Diana pressiona um beijo suave contra a têmpora do lindo homem ao lado dela e se desloca, acomodando-se em seu abraço.

— O que está incomodando?

— Nada – Foi a resposta seca.

As pontas dos dedos finos de Diana correm pelo meio do peito, com os pêlos bem aparados. Seu toque é gentil como uma brisa. Ele solta um suspiro e tenta desviar o olhar.

Ele se perdeu no pensamento. Era o que ele vinha evitando para estar com ela e ele estava tão feliz com isso. Mas quando um novo problema surgira, com força, sua própria consciência deu-se a vagar e refletir.

Por que ele não pode simplesmente aproveitar o fato de estar com ela como antes? Ela é maravilhosa. Ela merece toda a sua atenção.

Ela gentilmente coloca-se no topo, afastando as pernas para que os quadris de Bruce fiquem no centro.

— E se eu puder ajudá-lo a relaxar? Você quer? – ela diz com a voz melodiosa que é a perdição dele. E Bruce emite um grunhido assentindo.

Com Diana, é sempre muito mais fácil ser o parceiro receptor. Ela tem tanto amor dentro dela, tão ansiosa para liberar a energia de sua paixão. E ele está tão... Tão vazio.

Quando a boca dela arrasta beijos contra sua pele, enquanto o monta, devagar, sentindo o membro enrijecer, como se fosse feito de aço. Ele sente a mente unindo-se ao coração, como se estivesse de volta para seu próprio corpo, enquanto o sangue é drenado para sua virilidade novamente disposta, que latejava à medida que era engolida pela vulva aquecida e umedecida de sua amada.

Ele reencontra sua necessidade por dela, por seu corpo. E logo a língua volta a lamber o topo dos seios fartos, para em seguida, sorver e mordicar o mamilo , agora totalmente rígido de prazer.

Um pequeno gemido ecoa com canto do seu lábio. Ele estava inebriado pela sensação orgástica do frenesi dos movimentos dela, cavalgando seu garanhão, montando um touro de raça. Bruce ergue o torso e ambos agora seguem o ritmo de sua aventura lasciva, completamente entrelaçados, abraçados, em uma posição sentada, de frente um pro outro. E ele se recusava a sair de dentro dela, falo e vulva encaixados à perfeição.

Ela mantém o delicioso movimento cadenciado, triturando sua intimidade contra a base do falo poderoso de Bruce, levando-o a penetrá-la cada vez mais fundo. Uma tempestade de emoções o invadem, o coração vibra, a boca fica sêca.

Ele olha diretamente para ela, e Bruce está lá de novo, inebriado pela mistura impensável de luxúria, desejo, prazeres, afeto e amor.

Os gritos ruídos de ambos anunciam a chegada final ao ápice do deleite. Mas eles não caem na cama e permanecem abraçados, se olhando.

— Nada... – Uma Diana apaixonada, sincera e enfática solta – me dá mais prazer que o seu amor – e lá está ele, sorrindo, o mesmo tolo apaixonado.

— Eu te amo! – ele diz, cansado, mas o sexo não é o responsável.

Então ela o abraça e ele se sente quente e seguro.

— Eu te amo – ela respira contra sua orelha – Eu sempre te amarei – Bruce sabe que as palavras que ela está dizendo significam algo mais profundo do que o amor romântico. É algo atemporal e espiritual. É o amor de um deus por um homem.

Logo, ele adormece em seus braços. E não há pesadelos. Ele está seguro.

(...)

Bruce está fazendo a barba enquanto a amazona cantarola, aproveitando o jato forte da ducha.

— Bruce!

— Hum?! – ele emite um grunhido em resposta para não cortar o rosto com a lâmina.

— Você não acha que devemos falar com o seu filho sobre nós? – quando ele não disse nada, ela completou – eu não durmo aqui desde que ele chegou, porque eu não quero impor minha presença. Mas já que você estava desesperado para que eu dormisse com você aqui, devíamos falar com ele. Ele vai me ver com você e vai querer explicações.

— Em primeiro lugar: esta é MINHA CASA. Eu posso trazem quem eu quiser e eu já disse que você não tinha que ficar na Torre, mas aqui comigo. Em segundo: Eu não devo explicações a ninguém sobre a minha vida. – ele respondeu.

— Bruce, ele já está aqui há mais de um mês e você não conversou com ele ainda, não foi?

— Tenho estado ocupado.

— Bruce... Nós sabemos que não é por isso. Você sempre se esquiva de confrontar suas emoções. Você evita e afasta as pessoas que despertam sentimentos em você que você não pode controlar ou com os quais não sabe lidar.

— O que quer que eu faça?

— Vamos conversar com ele. Eu posso ficar ao seu lado, se quiser.

— Não!

— Bruce, uma hora você vai ter que encará-lo. Ele é seu filho!

— Não é tão simples.

— Por quê? Ele é um bom menino e vai entender. Ele já tem doze anos.

— Ele não vai. Ele não é compassivo, Diana. Ele tem o temperamento da mãe somado à presunção e soberba do avô. Ele não é do tipo que sente empatia pelas pessoas e eu não quero me aborrecer. – ele estava muito sério – Eu estou feliz que você está de volta e eu não vou estragar isso com conversas desnecessárias.

— Quando eu o conheci, ele não parecia tão ruim.

— Você sabe que eu observo as pessoas. É instintivo. Eu monitoro toda mansão e a caverna, quando estou fora, na Wayne Enterprises ou na Liga. Há câmeras em todo lugar. – Bruce suspirou cansado – Eu o vejo dando ordens à Alfred como se ele fosse um vassalo qualquer. Ele trata os empregados de forma arrogante, como se fossem vermes. – Diana viu a mandíbula de Bruce apertar – ele sente um prazer vil em ofender e humilhar Tim, que ouve tudo em silêncio, sem revidar. Ele é cruel, acredite.

— Sinto muito, Bruce. Mas tente entender que não é culpa dele. A personalidade e o caráter de alguém é profundamente influenciado pelo meio em que se vive e pelas pessoas com quem convivemos. Mas ele ainda não é adulto. Você ainda pode ser uma influência benéfica para ele, se contrapondo às más que ele recebera antes. Quem sabe o carinho e o afeto possam suavizar a postura arredia dele.

Ele ficou em silêncio por um tempo, até sentir-se compelido a dizer-lhe mais, a colocar aquilo pra fora, sobre os motivos que o levaram a evitar seu próprio filho.

— Eu fiquei paralisado quando Alfred me disse que Talia estava aqui. Eu tive medo de revê-la e ser um tolo mais uma vez. De que ela ainda tivesse poder sobre meu coração – Bruce não costumava ser tão honesto sobre seus sentimentos e medos, e isso surpreendeu Diana. Por mais que doesse ouvi-lo falar sobre o quão intenso era seu amor do passado, a prova inquestionável de sua confiança nela, abrindo o coração, deveria ser louvada – Ela é tão bonita quanto eu me lembrava. Mas... Quando eu a vi, não era nada como antes.

— Hum... – ele riu ironicamente – Ela simplesmente vem à minha casa, depois de todos esses anos, para me entregar uma criança.

— Nós passamos um bom tempo junto, há 12 anos atrás. Quase dois anos... Nós éramos felizes. Eu estava feliz e achava que ela também. Um dia, de repente, ele sumiu, sem se despedir, sem dizer adeus, nada... Um mês depois ela voltou. Disse que precisava atender um chamado de Ra’s, mas que agora tinha a permissão dele para ficar comigo.

— Ela me pediu um filho, mas eu neguei. Eu disse a ela que não queria trazer uma alma inocente a um mundo tão vil... Num dia qualquer, eu acordo me sentindo estranho, com a mente turva, com um lapso de memória, dos meus últimos dias. Eu descobri que ela sumiu para ir até Ra’s e ele exigiu um herdeiro meu para ela. Como eu me neguei, ela o fez por... – ele fez uma pausa – outros meios nada louváveis. Ela mais uma vez traia minha confiança para obedecer seu pai.

— Eu não consegui odiá-la por muito tempo e saber que ela carregava meu filho, me fez perdoá-la e aceitá-lo. Mas depois ela me disse que teve um aborto espontâneo e me rejeitou, dizendo que seu pai a honrara com o posto de segunda no comando da Liga dos Assassinos.

—E agora, ela traz um menino com ela e diz que é meu filho.

“É o nosso filho, amado”, ele lembrou o que ela disse.

— Sei que é difícil, mas ele é seu filho, Bruce!

— Não... É o filho dela. O herdeiro do Demônio. Verdadeiramente o neto de Ra’s: Estragado e arrogante, violento e mesquinho. Ele é tão cruel com Tim, um menino tão doce, tão bom. Trata o pobre Alfred sem nenhum respeito, fazendo exigências e dando-lhe ordens apenas por diversão. Ele os humilha, dizendo-se superior. Ele é filho de sua mãe. Não do pai dele.

— Meu filho morreu, há doze anos. Morreu antes de nascer. Meu filho... O filho que ela tramou para conceber, sem minha permissão, ardilosa, mentirosa, envenenando-me para conceber uma criança sem amor. Mas eu a perdoei, eu a acolhi, eu amei aquela criança porque amava sua mãe... – Bruce escondeu os olhos feridos – o filho que eu lamentei sozinho, sem ela, quando ela me abandonou dizendo que ele havia morrido. E ela me deixou para quê? Ela tirou meu filho de mim para entregá-lo ao Demônio – Bruce era pura raiva – Ela pode ficar com ele.

— Bruce... – foi a primeira vez que Diana falou. Ela sentia a raiva dele através dos músculos se contraindo.

— Ele não se importa com minha família, Diana. Ele despreza meus filhos. Despreza o homem que foi minha âncora, meu exemplo, que me criou como um filho, desde a morte dos meus pais...

“Vocês todos estão muito abaixo de mim. Não são como eu. Não tem o sangue do meu pai. São bastardos e serão tratados como tal: NADA”, Bruce ouviu Damian dizer à Dick e Tim durante o jantar, nos primeiros dias em sua casa, sem perceber a presença furtiva de Bruce, observando.

— Ele está certo. Eles não têm o meu sangue, Diana. Eles têm meu coração. Ele não é um Wayne. Dick e Tim são. Eles merecem o nome que representa o legado de meus pais.

Diana percebeu a mágoa que o carcomia. O temperamento abusivo de Damian era o maior culpado, mas havia mais: mágoa de Talia, raiva e dor.

FLASHBACK ON

♣ Mediterrâneo || Bacia do Levante || Ilha de Chipre ♣

(Treinamento de Damian – Aos 9 anos)

Algumas noites, as lembranças o atormentavam, o forçavam a acordar, encharcado de suor. Outras, ele acordava congelando até os ossos, tremendo incontrolavelmente, apesar da brisa quente do verão mediterrâneo.

Esta noite, ele viu adagas voavam em sua direção.

Seus olhos estavam apertados e ele estava hiperventilando.

“Fique calmo. Respire devagar. Respirações fortes fazem barulho e as facas irão me achar”, o garoto pensou.

O pensamento foi cortado pelo som de uma lâmina afiada afundando profundamente na plataforma de madeira. Damian estava preso à madeira, enquanto os ninjas assassinos da Liga lançavam as lâminas contra ele. Seu avô observava de perto. Uma figura imponente, mantendo a postura régia e rígida, usando um manto esmeralda, bordado com fios de ouro, tremulando com o vento da brisa noturna.

Uma faca pousou a menos de uma polegada de seu pescoço, raspando um pedaço de cabelo. Ele estremeceu e abriu um olho para ver de onde vinham, mas instantaneamente lamentou fazê-lo: outra dúzia de facas voavam em sua direção e seus olhos se fecharam novamente.

A madeira reverberava com cada golpe e o menino repetia par si, em silêncio: “Não olhe para eles. Se não pode vê-los, não sentirá medo”.

O aço frio beijou sua bochecha quando um punhal raspou o lado esquerdo do seu rosto. Ele estremeceu e o movimento de sua cabeça fez com que outra lâmina cortasse o lóbulo do ouvido e ele gritou.

Uma mão enrugada, mas incrivelmente forte agarrou seu braço e o empurrou para longe, tirando-lhe da plataforma de madeira.

— Silêncio! – Sibilou Ra's al Ghul.

O terror bateu em seu coração.

— Avô, por favor, desculpe ter quebrado meu voto de silêncio.

Seu fôlego foi cortado e seu coração parou quando o menino enfrentou os olhos demoníacos enegrecidos de seu avô. Ele não pode conter um gemido diante daquele olhar aterrorizante.

— Diga-me, criança, o significado de seu nome, Ibn al Xu'ffasch – a voz de Ra’s era brutalmente calma.

— Filho do Morcego, avô.

— Você, filho do Morcego, é o fruto de uma união perfeita – Rosnou Ra’s. – Seu pai, o Batman, o grande detetive, o melhor guerreiro que já treinei; sua mãe, minha filha, meu melhor soldado. Sua coragem é nada, menino. Você não é digno deles. Você envergonha os Al Ghul..

Damian temia o que viria a seguir:

— Enterre seu medo, menino. Enterre!

— NÃO! POR FAVOR! – Ele gritou quando foi arremessado no poço.

Ele cambaleou, chorando e soluçando.

— Por favor – Ele implorou.

Fecharam a entrada da luz, jogando terra sobre ele, para enterrá-lo parcialmente vivo. Tudo estava escuro e ele não sabia há quanto tempo estava lá. Mas sentia a fome ferir o estômago e os lábios já estavam rachados por desidratação. “Certamente, mais de dois dias”, ele pensou.

Seu coração pulsante ameaçou estourar de seu peito quando ele sentiu algo se mover ao seu lado e não eram mais as baratas. Reflexivamente, seu punho se fechou, em guarda.

— O que está havendo, pequeno Morcego? – A voz familiar, embriagada de sono e enganosamente gentil, o trouxe de volta a seus sentidos.

Ele respirou profundamente e olhou ao redor. Ele estava em sua própria cama. Seguro. Não no poço.

— Pequeno Morcego? O que houve? – perguntou a voz sonolenta.

Ele tocou seus cabelos para convencer-se de que estava realmente acordado.

— Nada. Só um pesadelo. Peço desculpas por acordar você, mãe.

— Está bem, volte a dormir – Poucos momentos depois, sua respiração uniforme indicou que ela tinha tomado o próprio conselho.

Ele permaneceu sentado, puxando os joelhos contra o peito e encolhendo-se sobre eles. Se fechasse os olhos novamente, estaria de volta ao poço, sufocando sob a terra. Se fechasse os olhos, seria enterrado de novo. Era melhor manter os olhos abertos.

FLASHBACK OFF

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