Broken Hearts
7 Brasileiro é tudo doido!
Notas iniciais
Bem acho que posso dizer que a deusa da neve estava no mínimo "muito puta" (como diria minha amiga Clarice); ela saiu um tanto quanto contrariada da sala, mas mesmo ela sendo uma deusa, não conseguiria conter a fúria dos quatro elementares juntos.
E foi só falar na criatura que ela apareceu.
Clarice invadiu a sala como um tornado, literalmente, já que ela arrombou a porta com um.
– A gente dando duro aqui fora e você fica ai sentada?
– ‘Tô meio sem opção, né? Cabeça de Vento.
Ela ia retrucar, mas foi interrompida pela risada escandalosa do Pedro que entrava pela sala.
– Ótimo apelido Heather — Disse ele entre os risos – Mas, infelizmente, na cabeça dela nem vento deve ter.
– Okay, agora será que da para alguém me soltar? — Disse antes que os dois começassem a brigar.
Quando coloquei meus pés para fora da sala quase cai de susto vendo a bagunça que eles arrumaram.
– O que era isso aqui? — Perguntei olhando a rua por um buraco na parede — Estamos em New Jersey?
– Olha! Dá para ver a Carlo's Bakery! — exclamou Clarice se juntando a mim para olha r- Pedro, me compra um bolo?
– Não viaja, Clarice. E respondendo a sua pergunta Heather, sim estamos em New Jersey e eu acho que isso aqui era um tipo de depósito.
– Disse bem, era, antes de vocês detonarem o lugar. — Disse Sam se materializando na nossa frente. – Agora, é melhor a gente cair fora antes que a polícia chegue.
– Credo garota! Quase me mata de susto! Não aparece assim do nada, não! — Disse Clarice quando se recuperou do susto. — Já disse que esse seu lance de virar água e depois voltar ao normal é muito esquisito?
– Clarice, para de dar show e vamos sair logo daqui — respondeu ela revirando os olhos.
Não demorou muito para que as duas esquecessem o risco eminente de sermos presos e começarem a brigar. Sem que eu percebesse, um sorriso iluminou meu rosto. Eles eram a turma mais louca e unida que eu já conheci e que sem querer, aos poucos, me tornei parte.
Quando os conheci a cinco anos, as condições não eram nem um pouco propícias a isso, eu fui para o Brasil fugindo de confusão e acabei caindo em uma maior ainda, descobri que os deuses gregos não eram os únicos, e os monstros também não.
Eu era uma intrusa no território deles e eles me acolheram. Com certeza minha vida só bagunçou ainda mais, só que para conhecer essa turma, valeu a pena.
– O que foi? — Perguntou Pedro parando do meu lado para assistir a discussão.
– Só relembrando os velhos tempos...
– Hmm... Você separa a briga ou quer que eu separe?
– Deixa comigo — disse batendo palma para chamar a atenção das duas — Quem brigar fica sem Nutella!
A duas pararam na hora e não sei por que, mas fiquei surpresa de realmente ter dado certo essa “tática”.
***
O carro ia em alta velocidade.
Ultrapassando sinais vermelhos e ziguezagueando entre os outros veículos.
– Carol, quer que eu dirija? — disse Pedro do banco de trás. — Você parece meio... sei lá, histérica.
– Nem pensar! — Retrucou ela. — Você dirige feito uma tartaruga e eu não sei vocês, mas não tô com vontade de ser presa.
– Já despistamos os policiais, Carol. — Disse antes de me virar para ver a cena que desenrolava no banco de trás
– Nossa, mano! Você é muito medroso, relaxa. — Disse Clarice dando pulinhos no banco. — Estou me sentindo no filme Velozes e Furiosos.
– Aham, Clarice, sei, agora senta aí! — Disse Sam a segurando pelos ombros e a empurrando de volta para o banco, fazendo-a sentar de novo.
– Gente — disse Pedro meio trêmulo -, não tenho certeza, mas acho que já passamos o apartamento da Heather...
Xingametos e reclamações se espalharam pelo carro e eu comecei a rir. Brasileiro é tudo doido!
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