Broken

9 With Love


With Love — Hillary Duff

- Bella! – Lauren exclamou quando me viu chegar. – Seja bem vinda. – sorriu simpaticamente – Eu tenho seu uniforme e lhe darei um tour rápido. Algumas pequenas instruções também.

Primeiramente fui apresentada a outros funcionários que estavam no vestiário e suas funções. Todos eram simpáticos e se propuseram a me ajudar, mas eu achei que a minha função não seria tão difícil assim. Ela deu-me um tempo para trocar de roupa e instruiu que deixasse meu celular dentro do meu armário e para casos de emergência podia dar o telefone da recepção para meus familiares. Como não tinha, não respondi nada.

Lauren instrui-me sempre estar de cabelos presos e antenada nos preços porque quando um cliente está no mercado ele não quer saber sua posição e sim que é um funcionário e deve sanar sua dúvida. Quando não souber para procurar um rapaz chamado Miller que andava de patins pelo mercado. Ela entregou-me o carrinho especial no qual trabalharia e ele era extremamente pesado.

- Este é Josh. – apresentou um rapaz – Irá te acompanhar pelo dia ensinando os corredores e as pilhagens. – sorriu e o menino sorriu secamente pra mim. Respirei fundo e o segui pelo mercado rezando para não ser desastrada ao ponto de derrubar algo e esperta o suficiente para aprender tudo no primeiro dia.

A primeira manhã passou rápido e me vi sozinha já colocando coisas lugares. Não era tão difícil assim, só extremamente cansativo. O bônus que tinha duas horas de almoço. Troquei de roupa rapidamente vendo que tinha umas ligações de Edward e duas de Emmett. Liguei de volta, mas caiu na caixa postal. Minutos depois recebi uma mensagem fofa que dizia que estava em reunião e já me ligava.

- Eu não aceito perder você para meu irmão. – Emmett riu do outro lado – Almoce comigo? Precisamos de um tempo nosso como nos velhos tempos.

- Claro, Emm. Encontramos onde? – perguntei animada saindo do mercado. – Estou aqui no Lower.

- Fazendo o quê? Edward estava meio agoniado querendo saber seu paradeiro. – perguntou e imaginei Edward querendo quebrar o telefone para descobrir onde estava.

- Eu prometo contar tudo no almoço. Estou em frente ao mercado Hathaway.

- Dois minutos chego aí. Não se mova.

Fiquei encolhidinha no casaco perguntando a Deus quando sentiria calor vindo do sol e não de Edward. Um belíssimo carro que não tinha noção de qual marca parou bem na minha frente e um homem alto, loiro, com olhos azuis claríssimos desceu dele impecavelmente vestido. Ele tinha uma expressão alegre. Simpática até demais para alguém com tanto dinheiro.

O homem olhou pra mim de cima abaixo, desejou boa tarde e sorrindo e fiquei tão abobalhada que sorri de volta desenvolvendo seu cumprimento. Ele passou por mim indo em direção ao mercado, mas não prestei mais atenção nele quando um homem gigante chamado Emmett começou a fazer cosquinhas no meio da rua.

- Ei. Pare com isso. – pedi envergonhada e ele gargalhou mais ainda – O sistema deixar Bella envergonhada só entre amigos, por favor. — ralhei emburrada.

- Eu vi você admirando o homem do terno Armani oito mil dólares. – acusou franzindo os olhos pra mim ameaçadoramente. Meu rosto esquentou envergonhada.

- Eu olhei, mas não desse jeito aí. – retruquei batendo o pé e Emmett começou a rir. – Idiota.

- Vamos comer porque estou morrendo de fome. – disse abraçando-me pelo ombro e basicamente me arrastando com suas passadas enormes até um restaurante agradável na outra rua.

- Como você chegou tão rápido? – perguntei sentando a sua frente.

- Te apresento o arranha céu onde reside a corporação Cullen nos Estados Unidos. – respondeu-me apontando para um gigantesco prédio pelo vidro. Podia dizer que era na mesma rua do mercado que trabalhava. Dei um sorrisinho amarelo e prendi os olhos no menu. – Qual a novidade? – perguntou coçando a garganta.

- E você? Está feliz com Rosalie aqui? – perguntei ajeitando-me na cadeira. Ele sorriu e fez nossos pedidos.

- Não mude de assunto. – disse puxando seu copo de água. Emmett era palhaço, mas não burro.

- Hm, estou trabalhando naquele mercado que você me buscou. – disse olhando em seus olhos e Emmett ficou em silencio, encostando a cadeira.

- Eu sou contra. Calma, não me olhe assim. – disse levantando as mãos. – Eu respeito sua decisão e entendo muito seu lado. Então, boa sorte a encarar isto com Edward.

- Por que você acha que ele vai implicar com isto? – perguntei abrindo minha Coca-Cola.

- Edward é o novo presidente da empresa toda. – disse rindo. Eu não entendi como isso teria a ver, mas mudei o rumo da minha pergunta porquê minha curiosidade ficou maior.

- Como ele conseguiu isso se não é casado?

- Bom, eu conversei com meu pai muito seriamente e como estou noivo, a presidência veio pra mim e hoje de manhã, meu primeiro ato como presidente foi nomear Edward. – sorriu lindamente e particularmente achei muito bonito da parte dele, mas não ia me meter. – Eu não quero ser presidente. Isso é coisa que Edward gosta. Eu prefiro a parte administrativa e ter contato com funcionários.

- Fico realmente feliz em saber que vocês souberam se ajustar. – comentei finalizando o assunto.

- Bells. Tenha paciência com Edward. Ele é grosso, mas você pareceu ser o novo mundo dele, então a maneira de te mimar será te dando presentes e dando-lhe o que ele entende como boa vida. – comentou e aceitei de bom grado seu conselho. Eu sabia que meu relacionamento com Edward não seria fácil.

Emmett não perguntou mais sobre o emprego novo e eu não questionei mais sobre as mudanças da empresa. Era o nosso momento Bella e Emmett de sempre, bom, com algumas mudanças. Eu tinha Edward e ele sua ursinha francesa. Nós almoçamos em meio a gargalhadas escandalosas, fotógrafos no outro lado da rua que só vi quando ele deu língua brincando com eles. Eu acho que nunca iria me acostumar com isso.

Minhas roupas eram absurdamente caras, Alice me socaria se saísse de casa com meu jeans velho. Tinha sapatilhas e blusa de manga. Eram bonitas e confortáveis e não me incomodava muito em usá-las. Facilmente esqueci a presença dos paparazzi quando recebi uma mensagem de Edward dizendo que além de muitas saudades, estava entediado e com fome. A reunião pelo visto não tinha terminado.

Emmett me deixou no mercado e disse que se eu ganhasse comissão vinha fazer compras com Rosalie aqui. Voltei trocando de roupa rapidamente e voltando para a seção que tinha parado tranquilamente. Riley acabou vindo falar comigo e disse que tudo estava indo muito bem. Faltava muito pouco para sair quando fui parada por algumas pessoas, mas o santo Josh apareceu na hora. Abaixei para guardar algumas compotas quando senti alguém parado perto de mim.

- Você está fazendo compras? – Edward perguntou com um tom de voz controlado. Congelei momentaneamente e levantei. Seu olhar pousou no símbolo do mercado na minha blusa, no cartaz acima de mim, nos meus olhos, no símbolo e de novo em mim. Sua mandíbula estava travada duramente e aquele olhar frio que tanto me irritava estava escondendo meus lindos olhos verdes brilhantes.

- Não. Aqui é meu novo trabalho. – respondi baixo. Edward ficou uma eternidade com um monte de emoções diferente passando no rosto. Ele engoliu seco e passou a mão no cabelo. Sua respiração se tornou pesada e tensa. Parecia uma estatua de cera. A mais linda do mundo, é claro.

- Que horas você sai? – perguntou com a voz dura.

- Em quinze minutos. – respondi olhando para o relógio do meu pulso.

- Estou te esperando lá fora. – disse rispidamente dando as costas, passando por Lauren como um furacão. Ela fez uma cara de nojo impagável pra ele e veio até a mim.

- Riley precisa de você lá em cima e pode trocar de roupa porque de lá, está liberada. – disse e depois viu um outro funcionário passar e ela foi atrás.

Troquei de roupa rapidamente subindo as escadas até a sala de Riley que estava aberta com ele dentro e o homem que vi na hora do almoço conversando e rindo. Eles não pareciam estar trabalhando e sim compartilhando piadas. Riley notou minha aproximação e veio na minha direção.

- Bella! – riu – Este é James, nosso chefe. – apontou para o loiro extremamente bonito. O mesmo do estacionamento mais cedo. Fiquei envergonhada demais.

- Oi. Prazer. – disse baixo. Ele veio estendendo a mão e a apertei com cuidado.

- Prazer. Você fez um bom trabalho hoje. Seja bem vinda. – disse rindo de um jeito simpático.

- Obrigada. – agradeci sinceramente e ele voltou para o vidro.

- Eu realmente quero saber porque o empresário mais jovem e mais rico do Estados Unidos está parado no meio do meu estacionamento. – disse voltando a rir com Riley.

- Droga! Esqueci! – falei mais alto e os dois viraram pra mim assustados. – Desculpe.

- Algum problema, Bella? – Riley perguntou curioso.

- Não é nada. – falei mais baixo. Eu não tinha esquecido Edward, quer dizer, não efetivamente. Fiquei ligeiramente preocupada com Riley querendo me ver no primeiro dia de trabalho. Sempre quando um chefe te chama você fica tensa automaticamente. Geralmente não é coisa boa, porque que no primeiro dia iria de ser?

- Você pode ir, só queria que James lhe conhecesse. – Riley disse amigavelmente. Acenando desesperadamente desci as escadas de dois em dois e pulei para o estacionamento. Eu vi pelo vidro Riley e James parados olhando na direção de Edward andando de um lado ao outro nervosamente.

Apressei meus passos e tropecei sendo aparada por ele.

- Sem jeito mandou lembrança. – disse irritada e Edward riu me abraçando apertado. – Oi. – sussurrei e ele riu mais ainda me dando um beijo carinhoso nos lábios. Bipolaridade também mandou lembrança.

- Pronta pra ir? – perguntou prologando mais o abraço beijando meu pescoço. Assenti miudamente e Félix abriu a porta do carro para nós dois com aquela expressão de cuidado.

Nós sentamos do lado um do outro e ele continuou me beijando e momentaneamente achei que tudo ficaria bem e por isso, devolvi seus afagos com mais prazer ainda. Félix gentilmente subiu o vidro que o separava de nós com um sorrisinho idiota que Edward correspondeu com uma piscadela.

- Como foi o seu dia? – perguntou – Pule a parte do trabalho porque eu ainda estou tentando pensar sobre o que dizer em relação a não saber da novidade. – completou e nesse momento eu percebi que as coisas não estavam boas e ele não queria brigar agora. Isso foi o que mais me irritou.

Enquanto eu não tinha um autocontrole bom para gritar com ele, Edward tinha um bom o suficiente para adiar a briga. E naquele momento a raiva veio a minha garganta, eu queria brigar só pra ele ter noção que não dita as regras.

- Foi ótimo. Tive um almoço maravilhoso com Emmett. – respondi docemente que chegou a ser irônico.

Edward fechou a expressão e nós não falamos mais nada até chegarmos a sua casa, aonde cheguei cumprimentando todos e ele subiu as escadas e o ouvimos bater a porta. Meu corpo inteiro parecia dolorido por andar de um lado ao outro e tudo que realmente queria era dormir. Não parecia que ontem estávamos em nossa bolha particular completamente bem para hoje querer esgana-lo com sua estupidez. Eu sei, era errado da minha parte, mas nem tudo era sobre Edward. Ele tinha que compreender que além de ter pernas e braços para trabalhar, eu podia ser destemida como ele.

Talvez, só talvez não fosse uma questão de quem tem o controle e sim de que era pra ser um relacionamento igual. E isso tinha que ser ajustado. A voz de Emmett pedindo pra ter paciência me fez tomar uma respiração profunda indo até o escritório onde Edward, há poucos minutos, tinha batido a porta com força. Me preparei para mais uma briga.

Entrei sem aviso e ele estava olhando para a Nova Iorque fria.

Fiquei observando o quanto suas costas eram enormes e lindas. Completamente torneadas de um jeito atraente que me dava vontade de arranhar sua pele que sempre era tão quente. Fiquei chocada com o rumo dos pensamentos e concentrei em ficar neutra. O problema não era que Edward estava sendo orgulhoso. Ele não entendia. Isso me fazia puxar paciência de onde não tinha.

- Por quê não me contou antes? – perguntou normalmente.

- Eu não queria discutir por causa disso e além do mais, eu sempre fui sozinha, sempre tomei minhas decisões. Ainda é estranho discutir isso com alguém que não entende.

Edward continuou em silencio. Por um bom tempo.

- Eu realmente não entendo. – confessou – Eu posso te dar tudo o que quiser. Se o problema é trabalhar, eu posso arrumar um emprego aonde você quiser.

- E qual o maldito problema do meu emprego? É por que é um mercado? – perguntei surpresa por não estarmos aos gritos.

- Também. Isso na verdade se tornou o de menos. – riu sem humor.

- Então, qual é?

- James Hathaway. – respondeu friamente – Nós brigamos desde o colegial.

- O mundo não gira em torno de você.

- Eu sei que não. – rebateu – Me dá raiva saber que ele pode ficar a qualquer milímetro perto de você.

- Olha pra mim, Edward. – pedi cansada de conversar com suas costas, apesar de lindas, eu queria entender e só saberia olhando em seus olhos. Eles nunca mentiam pra mim. Lentamente e passando a mão no cabelo daquela forma nervosa que o deixava mais bagunçado ainda virou para me olhar.

Eu vi frustração e ciúme ardendo em seus olhos.

- Ele só é meu chefe e eu a menina da reposição. – disse baixo

- Você se subestima tanto que me dói. – falou com a voz angustiada. – Você sem sombra de dúvidas é a mulher mais inteligente que eu conheci. Repor mercadorias no mercado, entregar bilhetes em uma estação e andar em um monstro dos anos 50 não é pra você.

- Edward. Eu não nasci pobre, mas meus pais morreram e fiquei a própria sorte. Eu preciso trabalhar. Eu preciso me sustentar. É tão difícil assim? – perguntei já chorando.

- Não! Eu realmente entendo, mas você não pode mais ficar se escondendo em lugares que não são pra você. – insistiu e eu entendi o ponto dele.

- É isso que eu posso arrumar. – murmurei e as lágrimas que estava segurando desceram pelo meu rosto.

- Não é. – disse dando um passo pra frente, mas recuei. Eu não queria que ele me abraçasse porque esqueceria meu ponto.

- Você é meu namorado, Edward. Não pode lutar minhas batalhas. – disse mais baixo. – Eu quero conseguir por mim mesma e não por estar usufruindo do seu dinheiro.

- Devo ser muito burro porque continuo sem conseguir compreender. – falou agitadamente derrubando metade das coisas na mesa. Eu dei um pulo assustado olhando para os vasos no chão. Eu sabia que eles eram caros e preferidos de Esme. Algo sobre serem orientais e únicos. – Eu sou um presidente de uma enorme corporação e minha namorada trabalha como repositora em um mercado. – murmurou chutando uns cacos.

- O mundo não gira em torno de você. – repeti minimamente e girei para sair do escritório. Eu sempre soube da nossa diferença. Ele não precisava me diminuir tanto assim. Nós nunca seríamos iguais. Antes que chegasse a porta, Edward me girou com força me abraçando apertado. – São dois mundos diferentes. – resmunguei contra seu peito. – Eu sempre serei a órfã desajeitada e você o mais novo magnata.

- Não existem dois mundos. Existe o meu mundo que é você. – sussurrou no meu ouvido. – Você é minha namorada. Eu só quero te dar tudo que posso te dar.

- E eu quero construir o que é meu. – retruquei chorando menos. Era o efeito calmante chamado Edward. Ele me desequilibrava por completo. Hora levava minha mente ao ápice da irritação ou me apagava por completo.

- Tudo bem. – respirou meu cabelo por um tempo – Desculpe-me.

- Você vai parar de implicar com meu trabalho? – perguntei mais feliz.

- Não. – respondeu secamente – Só vou parar de formular maneiras de você sair dele. – completou olhando de forma perversa como se fosse normal. Minha boca se abriu em um estalo incrédulo. – O quê? Você achou mesmo que eu ia deixar você trabalhar ali?

- Não só acho como vai. – retruquei olhando em seus olhos. Nós ainda estávamos abraçados e não íamos nos soltar tão cedo.

- Mais cedo ou mais tarde você vai perceber que ser repositora de mercadoria não é o seu lugar. Que você está negando muitas coisas. Coisas que posso te dar. – respondeu-me com um olhar maligno no rosto.

- O que eu fiz para merecer uma pessoa tão irredutível como você?

- A reciproca é verdadeira. – resmungou, mas me beijou delicadamente. – E você está errada. O mundo gira ao meu redor sim. – sorriu colocando a mão no meu cabelo e aprofundando seu beijo. – Pelo menos o seu mundo. – completou beijando a pontinha do meu nariz. Eu sorri, mas não disse nada. Era verdade, mas o ego dele já era do tamanho do Everest. Não precisava aumentar.

- Eu não quero mais brigar com você sobre isso. – pedi mesmo sabendo que era inútil.

- Não posso prometer isso, Bella. – resmungou frustrado. Eu ri porque conhecia tão bem Edward que isso me fez ficar feliz.

- Que seja. Também não prometo nada. – retruquei

- Não esperava nada diferente de você. – brincou mordendo meu lábio inferior.

Então, quando ele ajeitou meu cabelo que tive uma ideia. Meu mundo era estranho para Edward porque ele não conhecia. Comecei a reunir planos internamente.

- Eu preciso de uns minutos de menina e encontro você depois. – disse me afastando dele – Seu pai realmente não vai devolver minhas chaves até o próximo ano, não é?

- Não. – Edward riu. – É um sequestro, Swan. – piscou e o deixei sozinho, mas resolvi me divertir um pouquinho à custa das irritações dele.

- ESME! EDWARD QUEBROU SEUS VASOS DAQUELA COLEÇÃO RARA! – gritei do topo das escadas. O olhar no rosto de Edward foi impagável. Ele ficou surpreso com a boca aberta enquanto eu ria de me acabar. Algo estalou na cabeça dele que disparou a correr atrás de mim. Soltei um grito enorme e me escondi no quarto trancando a porta.

- Isabella Swan você está ferrada. – disse atrás da porta.

- EDWARD! – Esme gritou e ouvi os cliques do seu salto no escritório resmungando e xingando. Eu não sabia que Esme tinha tantos palavrões na ponta da língua.

- Foi sem querer, mãe. – respondeu e ouvi seus passos indo em direção ao escritório.

A cena devia estar muito engraçada. Edward, daquele tamanho, sempre tão grosso e tão sério, levando um enorme sermão de sua mãe por não saber controlar sua raiva. Eu gostei, é claro. Hoje ele estava merecendo, de qualquer modo. Tomei meu banho ainda com um sorriso idiota estampado no rosto.

Max estava arranhando a porta e como não queria um estrago maior e abri, mas fui surpreendida com um braço me empurrando contra a cama e cai de costas nela com Edward me beijando avidamente.

- Usar meu gato foi golpe baixo. – sussurrei sem folego.

- Eu nunca jogo limpo. – sorriu beijando meu pescoço.

- Você vai se vingar, não vai? – perguntei me encolhendo, mas ele voltou a me beijar, subindo a mão pela lateral do meu corpo chegando quase bem perto dos meus seios. – Edward...

- Hmm...

- Você não fechou a porta. – disse baixo e ele parou me olhando surpreso. – O que foi? – perguntei extremamente envergonhada. Eu não queria parar, mas ninguém precisava ver que tinha Edward entre minhas pernas, me beijando com vontade, no meio da cama. Seria constrangedor ser pega em um momento intimo.

- Você me surpreende a cada dia.

- Você não quer ficar sozinho comigo? – perguntei confusa

- Bella, você não deveria querer ficar sozinha se quiser manter tudo no lugar. – respondeu rindo de um jeito safado. Meu rosto enrubesceu, mas realmente gostei de ver aquele sorriso.

- E se eu quiser ficar sem algumas coisas no lugar?

- Daquelas que não tem mais volta? – retrucou arqueando uma sobrancelha.

- Nós estamos usando linguagem figurada para falar da minha virgindade? – perguntei rindo e Edward gargalhou. – Eu acho que no tempo pode dar certo. No deixar rolar.

- No deixar rolar. – Edward concordou – Podemos ensaiar antes? – perguntou sorrindo daquele mesmo. Conclui que mesmo que minha resposta fosse não, eu diria sim só por causa dele.

- Por favor, obrigada. – respondi rindo e ele voltou a me beijar com mais força.

- Jantar! – Alice gritou do corredor. Edward bufou na mesma hora porque nosso clima foi para o espaço.

- Mal começamos e já ganhamos empatas fodas. – resmungou fechando os botões da minha blusa que não tinha visto abrir. Olhei espantada pra ele e ganhei um sorriso traquineiro de volta. – Baby, você permitiu ensaios.

...

- Edward, eu preciso do meu carro. Só quero pegá-lo. – resmunguei enquanto Félix abria a porta do carro pra mim. Era véspera de ano novo e eu recebi folgas. Não sei exatamente porque, mas Riley mandou dizer que só trabalharia dia 2. Foi o dia que conheci um lado de Lauren nada agradável. Ela foi tão grossa e ríspida comigo que fiquei chocada.

Eu também tinha feito minha matricula no curso de Administração e Contabilidade com Jasper. Alice faria só administração porque já tinha feito esse. Edward estava todo que ele também havia feito o mesmo curso e quando fui pagar a matrícula a secretária gentilmente me informou que Carlisle tinha pago tudo. Fiquei mortificada, mas algo me disse que questionar a ele não seria a mesma coisa que com Edward. Somente agradeci morrendo de vergonha e ganhei um lindo sorriso de volta. Essa família me levaria a loucura.

Estava indo ao centro almoçar com Victória. Quando tudo meio que desmoronou ela esteve presente e senti uma ingrata não mantendo contato por esses dias. Ela aceitou de bom grado minha companhia. Rosalie estava gripada e Esme tinha proibido sua saída de casa, Alice foi ao shopping comprar uns livros do curso e dispensou minha companhia. Todos os meninos iriam trabalhar, até mesmo Jasper, que ajudava seu pai na firma de advocacia.

- De tarde nós vamos buscar. Eu prometo. – beijou-me rapidamente e seu celular tocou. – Estou com minha Bella e já chego. Adiante tudo, Jéssica. – disse secamente. – Eu não perguntei sobre as ligações. – desligou o telefone voltando a afagar minha mão.

- Seu grosso. – resmunguei emburrada.

- Já deu para descobrir esse detalhe? – sussurrou no meu ouvido e depois que fui entender o sentido da conversa. Fiquei vermelha, dei meu melhor sorrisinho debochado.

- Você ainda não foi capaz de chegar a terra prometida. – respondi agradecendo por Félix novamente ter subido o vidro. Tudo ficava negro e Emmett deixou escapar que era a prova de som também. Isso rendeu boas brigas com Rosalie. Os dois também estavam sequestrados na casa.

Edward abriu a boca incrédulo com a minha resposta. Segundos depois eu estava no colo dele com suas mãos por dentro da minha blusa e um beijo furioso. Ele agarrou minha cintura e começou a conduzir em ritmos lentos movimentos para friccionar meu centro com sua ereção. Ele jogava sujo, mesmo.

- Tudo é uma questão de tempo. – sussurrou no pé do meu ouvido quando o carro parou na garagem do seu prédio.

- Você é um idiota! – gritei batendo nele. – Como quer jogar agora? Eu vou descer desse carro com cara de frustrada sexual e ainda virgem. – bufei dando mais um tapa em seu ombro e caindo fora do carro. Segui em direção ao elevador bufando de ódio.

Não era necessariamente dele, e sim do maldito efeito que tinha sobre mim. Eu tinha 22 anos e hormônios loucos para serem extravasados. Não se brinca com uma mulher em dias férteis. Edward estava surpreso com meu surto. Outra coisa sobre nós dois. Ele não era o único que poderia sofrer de bipolaridade. Minha tpm era monstruosa.

- Baby... – Edward chamou-me tentando controlar seu riso. Eu senti vontade de rir também, mas esse não era o problema. – Mal súbito que todas as mulheres sofrem todo mês?

- Exatamente. – murmurei deixando meus ombros caírem em derrota.

- Você tão linda irritada. – puxou para um aperto que me deixou sem folego. – Alice diz que uma mulher de tpm precisa ser mimada. – afirmou com um brilho perverso nos lábios

- Edward... – eu ia repreende-lo, mas a porta do elevador se abriu e fui praticamente rebocada fora conforme as pessoas me analisavam e abriam caminho para Edward passar. Edward passou como se não houvesse ninguém ali. Ele me deu um sorriso caloroso, mas não cumprimentou nenhuma das pessoas ao seu redor.

Uma menina desajeitada e bonita veio nos seguindo segurando telefone e agenda. Ela me deu um sorriso nervoso e Edward a ignorou. Vi Emmett rindo perto da mesa de um rapaz loiro e Victória estava do lado dele com a expressão impaciente.

- Bom dia. – sorri abraçando-a. Eu realmente tinha sentido sua falta. Minha pedra de gelo favorita. – O que há?

- Eu tenho um chefe que acha que sou público de circo. – respondeu fuzilando Emmett com os olhos.

- Emmett eu ficaria honrado se você não irritasse Victória, ela tem tendências assassinas quando está de mal humor. Ou seja, sempre. – Edward comentou rindo.

- Querido Eddie Olívia Palito. – Victória soou

- Cabelo de fogo.

- Eu te odeio. Esse maldito apelido era do colegial. – bateu com a pasta em Edward.

- Já pararam? – perguntei e Edward se encolheu sibilando tpm para Emmett. – Estarei pronta quando quiser ir. – falei a Victória que sorriu pra mim docemente.

- Assim que me livrar da mala do Emmett, venho te buscar. – adicionou indo para uma sala com Emmett ao seu encalço.

- Sr. Edward, sua agenda e suas ligações. – a menina da recepção. Ela sabia ser invisível porque tinha esquecido-se dela.

- Prossiga. – Edward falou secamente sem olhá-la. Franzi meus olhos para ele, mas não estava me olhando.

- Reunião com Alec e Jane das 14horas até as 17. Temos também o planejamento da primeira semana do ano.

- Confirme a reunião e ligue para Victória amanhã a tarde e façam vocês duas o planejamento. Tenho outro compromisso. E você está liberada a partir de amanhã. – respondeu lendo uns papeis na mesa do rapaz loiro que falava espanhol no telefone irritado.

- Odeio espanhóis. – comentou digitando algo no computador. – Metidos de língua enrolada.

- Eles têm boas novelas. – Victória riu saindo da sala. – E você, cabeça bagunçada, não vai reclamar da minha agenda. – apontou para Edward.

- Bella vai passar os planos dela para a próxima semana e então, concilie tudo. – disse rindo maroto e Victoria rosnou irritada.

- Vamos Bella. Seu namoradinho precisa irritar alguém. – resmungou e o celular de Edward tocou. Dei um beijo que foi interrompido com Victória me rebocando pelo braço.

- Não, Alice. Você não pode passar o fim de semana viajando sozinha com as amigas. – Edward resmungou – Porque estou dizendo que não e isso é definitivo.

Victória e eu tivemos um bom tempo de meninas na rua. Assim como com Rosalie, eu não me sentia diferente – a não ser pela beleza -, eu era uma mulher como ela. Almoçamos em um pequeno restaurante de comida brasileira e contei a ela tudo que sentia em relação a Edward e deixei escapar que trabalhava para James Hathaway. Victória quase morreu engasgada com seu pão.

- Eu acho ótimo que você trabalhe, mas fique fora do caminho de James. – disse-me seriamente de um jeito que não abriu espaço para perguntar. Eu vi seu olhar tremer uma emoção forte quando o nome dele foi mencionado, assim como Edward, ela também sabe usar o olhar frio como gelo para se esconder.

Eu ia descobrir, de qualquer modo.

Nós voltamos para a empresa e nos dispersamos quando ela ouviu Emmett discutir com alguém no telefone e havia muitas pessoas agitadas falando em línguas diferentes. A menina que era secretária de Edward fingiu que não me viu e continuou digitando em seu computador bonito. Caminhei em direção ao sofá da recepção e pensei no quanto gostaria estar em casa, mas Edward era implacável no assunto passar o dia junto. Era definitivamente ao pé da letra.

Meu celular tocou tirando atenção de Jéssica. Ela me deu um olhar tão feio que me encolhi no sofá. Era uma mensagem de Alice implorando para usar o melhor que tinha para seduzir Edward e deixa-lo de bom humor porque ela queria muito viajar no próximo final de semana com suas amigas. Antes de achar graça, fiquei envergonhada porque a família dele provavelmente achava que nós tínhamos algo mais que beijo e abraço.

O elevador se abriu com um Carlisle sorridente vindo com outro homem da sua faixa etária bem bonito.

- Bella! – exclamou a me ver e levantei para aceitar seu abraço. – Querida, por que está aqui? Eu sei que Edward está em reunião, mas a sala dele tem muito mais conforto. – lançou um olhar penetrante para Jéssica. – Quando minha nora estiver presente, desejo que seja atendida de primeira. – disse cortante a Jéssica que balançou a cabeça nervosamente. Eu ia abrir minha boca para protestar, mas o homem que estava com ele negou silenciosamente pra mim.

Ninguém podia ir contra a uma ordem de Carlisle. Emmett era a Esme e Edward era o Carlisle. Isso ficava tão claro. Não entendo ainda como eles gostaram de mim.

- Este é Aro, meu assistente e amigo querido de muitos anos. – apresentou-me – Esta é a Bella do meu Edward.

- Prazer, senhorita. – Aro sorriu e eu ainda estava idiotamente sorrindo por ser a Bella do Edward.

- Vamos, vou te deixar na sala de Edward. Ele deve sair em breve. – sorriu me conduzindo para as portas de vidro. A sala dele era realmente enorme, com uma mesa de madeira maciça no centro. Uma outra mesa de reunião, cadeiras grandes e acolchoadas e pretas. Um frigobar cheio de besteira. Tudo era limpo, agradável, moderno e chique. Carlisle saiu porque tinha outras coisas a fazer e sentei-me no sofá de couro enorme do canto, tirando minhas sandálias, puxando a perna pra cima. Meu celular vibrou no bolso do casaco.

Onde está? Reunião chata. Queria estar do seu lado, agora, beijando seu pescoço. E

Eu ri da sua carência e me apressei em responder provocando um pouco além do que estava acostumada.

Estou na sua sala, deitada no seu sofá de couro sozinha.

Apertei o botão de enviar sem pensar duas vezes. Era de fato o que eu estava fazendo, mas eu queria que o cérebro dele processasse outras informações. Edward não respondeu pelos próximos minutos e frustrada por não ter dado certo com a minha tentativa infame de provoca-lo via sms, me aconcheguei mais no sofá e dormi. Acordei com Edward beijando meu pescoço loucamente e com a mão, por dentro do meu casaco, espalmando minhas costas.

- Dorminhoca. – sussurrou no meu ouvido quando me movi para olhá-lo melhor. – Desculpe a demora, tive que sair para providenciar algumas coisas.

- Tudo bem. – sorri beijando seu queixo. – Estava bem confortável aqui.

- Não brinca com isso. – resmungou – Um sofá nunca é confortável. Nossa casa terá uma cama reserva pra quando você me expulsar.

Eu engoli o tremor que senti ao ouvir nossa casa e botei um sorriso terno nos lábios. Edward pensava em nossa casa. Não digo nada quanto as brigas porque isso não é surpresa para nós dois.

- Quer ir pra casa continuar dormindo? Eu super adoraria uma soneca antes de Alice te sequestrar.

- Se eu pedir você me sequestra de volta? – perguntei temerosa enquanto ele reunia suas coisas para irmos embora.

- Claro que sim. – sorriu torto – Você quer buscar seu carro hoje?

- Uhn. Acho que posso sobreviver. – sorri tranquila e Edward enlaçou nossas mãos para sairmos da sala bem juntinhos. O rapaz loiro dessa vez falava em francês e percebendo meu olhar confuso, Edward riu.

- Esse cara é um gênio. Peter fala sete línguas fluentemente e o nosso presidente de relações exteriores. Eu realmente admiro sua capacidade de ser mandão em várias línguas. – comentou rindo e o Peter deu um tapa na mesa irritado. Era comum ter péssimo humor naquele ambiente. Carlisle, Victória e Emmett estavam no hall e pareciam nos aguardar.

Nós saímos sem que nenhum deles movesse a expressão para cumprimentar ou despedir qualquer pessoa no caminho e definitivamente me senti especial, porque em momento algum fui destratada. Exceto por Edward, mas isso era outra história. Jéssica estava me olhando com tanto afinco que me senti nua e meu olhar se tornou desesperado. Edward não tinha prestado atenção por esta tentando discutir com Emmett.

- Você gosta dos seus olhos? – Victória perguntou desafiadoramente

Jéssica abaixou no seu lugar e senti vontade de rir. Agradeci silenciosamente a ela por sua defesa e Edward apertou mais o abraço em mim completamente inconsciente do acontecido ao redor. Victória ignorava a presença do outros habitantes no elevador e pareceu que não se sentia confortável. Era como se fosse o modo dela ficar envergonhada.

- Até mais, querida. – Carlisle beijou o topo de sua cabeça e ela corou furiosamente.

- Até mais padrinho. Mande beijo para a madrinha. – falou bem baixo, como se não quisesse que as pessoas ao meu redor ouvissem a novidade, quer dizer, pra mim.

Edward passou puxando seu cabelo e Emmett deu um abraço carinhoso. A porta do elevador se abriu e eles pareciam as estatuas de cera de antes. Como se não tivessem nenhum vinculo emocional que acabavam de demonstrar. Nós seguimos até Félix, Emmett e Carlisle foram para seus motoristas. Esperem, estávamos indo para a mesma casa, por que ser tão confuso?

Encontrei em mim aquele sentimento de que a casa dos Cullen era o meu novo lar e não a antiga casa dos meus pais. Isso começou a doer pelas bordas até meus olhos começarem a pinicar. Isso era errado. Não digo sobre amar a família e sentir-me em casa perto delas, mas anular a casa dos meus pais. Era a única coisa que tinha deles e como podia deixar ir com tanta facilidade?

Eu não sabia se queria ir pra casa. Só sabia que queria muito ficar quieta no meu cantinho. Lá tinha as minhas melhores memorias de quando estavam vivos e também as piores de toda minha vida. Era uma gangorra emocional que estava me deixando zonza. Edward me olhou profundamente, mas apenas ficou desenhando formas na minha perna e me permiti olhar para a janela sem me incomodar em dizê-lo o que sentia. Não no momento.

Não queria me sentir ingrata ou confusa. Eu realmente amava o modo maternal que Esme tinha comigo, o jeitinho imperativo adolescente de Alice, o lado irmão protetor de Emmett, o jeito paizão descolado de Carlisle, o péssimo humor da Rosalie e seu carinho fraternal e o namorado idiota, ridículo, estupido, lindo, mal humorado que era Edward. Cada um tinha suas qualidades e defeitos que me completavam.

Félix abriu a porta pra mim com um sorriso simpático, como se ele tivesse percebido que meu humor estava do melancólico pra baixo. Tinha alguns fotógrafos em cima de mim tirando muitas fotos que abaixei a cabeça na hora. Félix estava a minha frente tapando minha visão e provavelmente a deles, Edward me segurou pelo ombro colocando a mão no meu rosto impedindo que os flashes me cegassem e pode achar estranho, a única coisa que pedi a Deus era para não tropeçar e cair.

- Oh, querida. Desculpe pela confusão. Com várias fotos suas ao nosso lado e Edward assumindo publicamente o namoro de vocês, eles irão ficar insuportáveis. – Esme abraçou-me com carinho. Rosalie estava logo atrás dela com o nariz vermelho de tanto espirrar.

- Você não melhorou? – perguntei preocupada.

- Se ver qualquer tipo de sopa que Alice resolver fazer, eu juro, irei vomitar. – resmungou – Ela disse que ia fazer canja. – revirou os olhos.

- Eu vou ter um momento pra mim agora e desço assim que possível. – disse com as lagrimas que tinha engolido presas na garganta. Edward estava sentado no sofá com uma sobrancelha arqueada. Eu odiava isso. – Eu já volto. – disse rindo e subi as escadas com Max pulando dos braços de Esme ao meu encalço.

Fiquei um bom tempo sentada no chão olhando para o nada tentando definir o que sentia. Era Ano Novo. Trinta de dezembro de 2010 e seria o primeiro ano que passaria a virada acompanhada por alguém depois de quinze anos. E sobre isso, tinha certeza que meus pais aprovariam. Eles, aonde quer que estivessem, estavam olhando por mim, felizes por mim.

- Não somos mais só eu e você. – disse afagando sua orelha.

Eu acho. Só acho que talvez deva deixar esse sentimento. Mesmo sendo surreal.

[...]

Esme contratou um serviço de beleza e nós quatro ficamos trancadas com chocolate e champanhe durante todo o dia. Desde manhã cedo quando Alice me rebocou da cama e mal tive tempo de olhar para Edward que tinha os olhos assustados com o rosto completamente amassado. Meu cordão estava preso em sua camisa e Alice não quis esperar conforme eu tentava desembolar minhas pernas da dele, cabelos e afins. Baixinha miserável.

Só me senti melhor quando soube que ela fez a mesma coisa com Rosalie, se quisesse vingança, teria alguém do meu lado. Nós conversamos coisas sobre mulheres e homens. Fiquei quieta quando o assunto se tornou um pouco mais intenso e agradeci por Esme dizer que não queria mais me envergonhar. Alice também confiscou meu celular, então eu não vi, não ouvi, não falei e não senti Edward pelas ultimas quatorze horas e isso estava me consumindo de forma trágica.

- Meia hora para a chegada da família Cullen! – Alice gritou com seu mini-vestido branco deixando as pernas de fora e um sapato de três andares. Edward ia surtar.

Rosalie e eu nos olhamos nervosas. Ontem o ataque dos paparazzi foi normal, segundo eles, mas nós duas ficamos assustadas com a imprensa revirando nossas vidas. Rosalie foi cercada na rua com Esme e ficou extremamente irritada. Ela não é dada a aparições. Muito menos eu.

Meu estomago não estava mais se contorcendo. Ele pulava, quicava e rodopiava de nervoso, medo e apreensão. Meu vestido bege era longo, marcado na cintura e com bustos desenhados. Era algo quase puxado para o branco e tinha sapatos marrons altíssimos no meu pé. Meu cabelo era uma enorme trança embutida com fios soltos e meus olhos estavam escuramente esfumaçados com batom claro. Eu gostei. Poderia me acostumar a me sentir assim sempre. Bonita.

Edward estava ao pé da escada esperando por mim, a última a descer. Seu smoking perfeitamente alinhado e os cabelos bagunçados deu aquele ar de bad boy chique, principalmente que ele estava olhando feio para o vestido da irmã dele. Seu olhar encontrou com o meu e seus olhos fizeram um check up descarado do meu corpo inteiro. O brilho do verde dos seus olhos me hipnotizou até estar em seus braços no hall de entrada. Parecia uma eternidade o momento que fiquei longe dele.

- Você, sem sombras de dúvidas, será a mulher mais bonita da festa. – sussurrou puxando o seu/meu cordão de dentro do vestido, expondo os corações e o anel – Que é somente minha. – beijou meu pescoço. Eu consegui a proeza de não sentir meu rosto esquentar por estar ainda sobre efeito das inúmeras taças de champanhe bebido no dia. Esme quase arrumou uma intravenosa para me obrigar a relaxar.

- Estamos prontos. – Félix anunciou abrindo as portas, liberando todos os carros para a nossa entrada.

- Foi um saco ficar sem você durante o dia. – resmunguei me aninhando ao corpo de Edward dentro do carro como se fosse um gato. De repente, eu o queria demais.

- Eu sei, Alice não fará isso novamente. – respondeu com sua mão parando na curva do meu quadril de forma bem forte. Beijei o pescoço de Edward bem próximo ao seu ouvido. – Você bebeu hoje?

- Algumas taças. – dei os ombros.

- Sei. – sorriu beijando-me com desejo. Meu cérebro quase cantou aleluia porque eu estava com muitas saudades, mas como sempre, o carro parou e Félix abriu a porta. Edward deu seu olhar duro e gélido pra ele e me ajudou a sair do carro.

Rosalie tinha um sorriso terno posando para fotos e eu congelei com a quantidade de fotógrafos gritando ao mesmo tempo. Alice dava tchau, mandava beijos, dava autógrafos? Ela era uma fedelha que adorava me acordar aos gritos e dava autografo? Quem iria querer autografo de Alice? Emmett segurava a cintura de Rosalie como se exibisse seu maior prêmio e Edward me beijou na bochecha causando delírio e gritos. Colei um sorriso no rosto e apertei ainda mais o smoking dele onde estava me apoiando para não desequilibrar.

Esme e Carlisle eram os mais discretos e outros carros com pessoas famosas foram parando onde Félix havia nos deixado e tinha os outros seguranças que já reconhecia da propriedade dos Cullen próximo de nós. Edward gentilmente me puxou para o interior aquecido e pensei por um momento que meu sorriso tinha sido congelado. Eu não sabia o que pensar sobre aquele momento. Estava processando.

- Confie, está tudo em ordem. – Edward sussurrou no meu ouvido, me puxando para mais perto. Nós subimos a uma área com o nome deles que tinha mesa e alguns convidados. Victória estava no canto sozinha, tomando um champanhe e pela sua expressão, ninguém teve coragem de chegar perto dela.

- Você está linda! – elogiei

- Obrigada querida. Alice acertou que um Oscar De La Renta seria ótimo pra você. – comentou me fazendo rodopiar.

- Victória, porque você pode ser tão doce com Bella e azeda com o mundo? – Edward perguntou inclinando a cabeça, tentando não rir.

- Pessoas como ela são únicas. – respondeu acidamente.

- Deixe-a em paz. – pedi e ele riu. Um homem chamou sua atenção e saiu dando-me um beijinho rápido. – É só pra ser insuportável.

Me vi as voltas de dançar com Alice, Edward, Rosalie, Emmett e Jasper. Foi engraçado e também bebi um pouco mais intercalando com doces e agua que Edward me dava. Nós brincamos, conversamos, conheci algumas pessoas legais, mas não lembrava exatamente o nome de nenhuma. Todos foram reunidos as bordas da Times para a contagem e Nova Iorque inteira estava presente. Lembrei-me da última vez que estive ali nos ombros de Charlie, com Renée segurando a minha mão.

Eu fiquei emocionada com a queima de fogos. Rosalie me deu a mão e também estava chorando. Eu não sabia como ela havia perdido seus pais, mas sabia que foi durante a virada do ano quando ela tinha 10 anos. Eu acho que esse foi o primeiro ano que nós compartilhamos mais do que a mesma família, mas também o primeiro ano que nenhuma de nós duas desejou morrer no dia que perdemos nossos entes queridos. Foi o primeiro ano depois de quinze anos que nós finalmente tínhamos nos encontrado e encontrado uma família.

- Feliz ano novo. – Edward sussurrou no meu ouvido, me apertando mais ainda no seu abraço. Virei-me pra frente e agarrei seus cabelos para beijá-lo.

- Sabe o que mais me lembrarei do ano de 2010? – perguntei dando um selinho de leve – Que foi o ano que encontrei o homem perfeito para brigar com amor.

Notas finais
Só para NÃO sentirem falta :)