Broken

10 Price Tag


Música: Price Tag — Jessie J

A primeira coisa que fiz quando pisei na minha casa foi providenciar uma enorme faxina. Muito a contragosto Edward me trouxe esta manhã, no dia 2 de janeiro de 2011. Nós passamos o primeiro dia do ano praticamente na cama porque chegamos em casa era o amanhecer. Max andava atrás de mim como se me ver agachada lavando o chão do banheiro fosse a coisa mais interessante da sua vida. Depois de dormir, obviamente.

Eu estava trabalhando no turno da tarde, então dava tempo de almoçar e seguir para o centro com meu carro. Eu vi que tinha um dos carros dos seguranças dos Cullen lá fora, mas eu seriamente tinha duvidas se Edward tinha colocado atrás de mim. Pelo menos queria acreditar nisso.

Eu me arrumei lentamente comendo um monte de besteira antes de ir para o mercado e a minha alegria foi por água abaixo quando tentei ligar meu carro e não consegui. E ao abrir o capô, encontrei um bilhete muito abusado.

“A doce vingança.”

Eu ia matar Edward. Picar Edward. Trucidar Edward. Esfolar Edward. Beijar Edward. Amar Edward.

Ao sair da garagem encontrei Félix com a porta do carro aberta e ignorei seu sorriso indo direto para o ponto de ônibus. Eu sabia que estava sendo seguida de perto e o mais engraçado foi ver os seguranças dentro do transporte coletivo comigo bem imprensado com as pessoas apressadas. Como o idiota estupido pode ter estragado meu carro? Filho da mãe desgraçado! Ele ia pagar. E muito caro.

Ao descer do ônibus na porta do mercado encontrei vários fotógrafos. Ótimo, começando o ano com muitos pés esquerdos. Todos de uma vez só. Entrei no mercado logo me escondendo no vestiário e foi lindo passar a maior parte da manhã com paparazzi me fazendo perguntas, querendo saber porque estava trabalhando, como era meu relacionamento com Edward, como nos conhecemos afins. Lauren estava tão furiosa que sentia meu corpo arrepiar toda vez que ela passava por mim.

Eu não podia me dar ao luxo de perder o segundo emprego por causa de Edward. Riley não falou nada durante a maior parte do dia, mas eu sabia que a primeira pessoa da lista negra de Lauren era eu, por isso, me mantive abaixada e esquivando de perguntas. Ainda via alguns seguranças de Edward me vigiando de longe, mas eles não podiam ficar em pé do lado e também não podia expulsar os fotógrafos de dentro do mercado. Para todos os efeitos, eles eram clientes.

Terminei meu turno frustrada, emburrada e triste. Como pensei que nunca mais fosse fazer na vida, sai do mercado com capuz levantado, cabelos no rosto e cabeça abaixada. Quis pegar o metrô e da estação ir de ônibus, ao invés de pegar dois ônibus e demorar mais, embora, pensar em passar pela 104, preferia mil vezes o trajeto mais longo.

Os seguranças de Edward continuavam no meu encalço e isso me deixou parcialmente tranquila. Eu vi que tinha ligações deles, muitas e fiquei realmente surpresa dele não ter se tele transportado até a minha frente ou um dos rapazes que me seguiam com seus ternos haviam dito que eu estava muito bem, só com raiva e ignorando-o propositalmente. Félix ainda aparecia no meu campo de visão conforme andava, era como se dissesse, você pode pegar se quiser. Estou aqui pra você. Era tentador porque estava bem cansadinha, só que meu orgulho não demonstrava sinal de querer medir forças com Edward. Ele não ia vencer essa.

Não sei porque fiquei surpresa ao vê-lo encostado na minha varanda, completamente lindo como sempre e os sinais das horas que ficamos separados me fez amolecer. Joguei meus braços ao redor do seu pescoço e o beijei com força. Alguém envia o senso de proporção para minha casa? Eu ainda estava com raiva, mas isso não anulava todo desejo – com vida própria – que sentia por ele. Meu coração era altamente capaz em sentir raiva pelas coisas que Edward aprontava e também amá-lo por tudo que ele era. Uma incógnita.

- Você quebrou meu carro. – resmunguei.

- Sim e não tem volta. Eu tirei umas peças e como isso é velho, você não vai encontrar em lugar nenhum. – disse rindo e deu uns bons tapas no seu peito. – Embora, eu tenha um presente. – sorriu perversamente.

- O quê? Um carro? – ironizei me jogando no sofá de qualquer jeito. Foda-se os modos, estava com raiva, novamente.

- Exatamente. É bom bonito. Escolhi preto porque é mais discreto ou você pode simplesmente usar o motorista. – respondeu

- Meus modos não me permitem mandar você a merda agora. – deitei no seu colo e ele gargalhou acariciando meus cabelos. – Você quer comer alguma coisa? – perguntei bocejando.

- Quero que você durma. – disse. – São 22horas da noite. Você está cansada.

- E o quão legal isso ao ponto de você despencar de Long Island até aqui? – perguntei irritada novamente.

- Qualquer momento com você é bom e eu queria ver seu rostinho com raiva pessoalmente. – respondeu rindo e beijando meu queixo.

- Me procura na esquina, Edward. – resmunguei quase dormindo em seu colo. Eu realmente acho que dormi pouco tempo depois.

...

A semana foi um inferno, porque estava me recusando a aceitar o carro ou o motorista de Edward e ainda por cima, tinha meus amiguinhos me seguindo por todo canto. Eu almocei com meu namorado, que apesar de ser o causador dos meus problemas, não deixava de ser lindo e meu. Também encontrei com Rosalie algumas vezes e ela também tinha amiguinhos simpáticos seguindo. Além dos fotógrafos. Isso tudo ainda era muito estranho.

Minha cabeça parecia doer cada vez mais por isso de modo diferente. Era Lauren gritando e tendo crises nervosas toda vez que minha presença era notada por fotógrafos ou James. Eu sentia seus olhos me seguindo pelo mercado. Ele e Riley simplesmente ficavam conversando me olhando e eu esperava o momento em que iria ser chamada para a demissão. Sem carro e sem emprego. Me restava matar Edward.

Foram dias difíceis e me vi – mesmo chateada com sua mania de querer me fazer enxergar o impossível – mais apegado a ele ainda. Se é que isso ainda era possível. Eu coloquei em prática meu plano de comer em barraquinhas de rua ou em lanchonetes baratas, o fiz me levar no parque e entender que nem tudo era o preço que estava na etiqueta. Era a oportunidade de ter um momento nosso. Com mais alguns seguranças e fotógrafos, mas isso não impedia nossa bolha de ser criada no meio da rua.

Também o fiz entrar em lojas baratas para comprar roupas. Essa definitivamente tinha sido a parte mais engraçada da semana. Só que além desses momentos de diversão, eu ainda voltava pra casa de noite e ficava sozinha com meu carro quebrado e com a cabeça fervilhando pelo medo de ser demitida. Era ótimo namorar Edward. Eu me sentia bem com isso. Eu só não sabia quanto ao bilionário Edward Cullen.

Todos tinham me ligado durante a semana. Era estranho não vê-los, mas me senti tão bem recebendo ligações corriqueiras, sobre o que estava fazendo, se tinha levado o casaco, se poderia almoçar lá no fim de semana. Era a minha família me ligando para verificar meu estado. Exceto Emmett, suas ligações eram preocupadas, porque cai na besteira de contar o modo que James me olhava. Eu não sabia exatamente o motivo da animosidade entre eles, mas Victória quase entrou em pânico, me pedindo desesperadamente para deixar o emprego.

Suas palavras eram preocupadas e o bichinho teimoso só não saiu – porque eu normalmente dava ouvidos a conselhos desesperados como o dela. E ela também tinha pontos comigo para qualquer situação. – por causa de dar o braço a torcer a Edward. Isso era tremendamente infantil, mas deixei passar quando o mesmo me convidou para trocar de setor e ficar em paz.

Eu achei que ele não poderia ser tão ruim assim quanto eles diziam. Talvez fosse só uma desavença que não necessariamente tenha a ver comigo. Eu era assistente de Lauren e Riley. Não preciso dizer que na semana que estava comemorando um mês de namoro com Edward e também a chegada de fevereiro, fugia dos olhares e patadas dela. Meu relacionamento com ele estava bom. Incrivelmente continuava me empurrando seu cartão, o carro, motorista, seguranças e afins. E eu continuava teimando com todos eles.

Como James poderia ser tão ruim se ele tinha me salvado da mira constante dos fotógrafos? Nem olhar mais o jornal olhei. Realmente não queria saber o que estavam falando de mim ou sobre o quê haviam descoberto sobre minha vida. Esse era um assunto proibido entre Edward e eu. E bem no fundo, quando estávamos sozinhos, era só Bella e Edward. Mais ninguém.

A grosseria não tinha diminuído, eu sabia que ela estava escondida, mas como nos víamos pouco tempo durante o dia, significava que a saudade absurda deixava todo o resto quieto em algum canto escuro. Eu tinha esperanças que depois de um mês Edward deixava a ideia de que me sustentar era normal. Apesar de ter plena consciência que namorar um bilionário nunca mais seria normal, se é que um dia eu fui.

Minhas esperanças continuavam fortes quando cheguei ao trabalho depois de passar uma manha inteira com Alice, rindo muito com sua companhia, Lauren me recebeu com sorrisos. E foi assim a semana inteira. Até mesmo no dia que Esme apareceu para me ver durante uma tarde. Eu fiquei meio atordoada, mas isso era uma prova de que tudo poderia continuar bem. Edward e Emmett estavam viajando. Eles tinham ido na noite anterior para Dallas resolver um pequeno problema e logo estavam de volta. Foi a nossa segunda separação, mas a primeira em que era só uns dias que ficaria com saudades. Ele ia voltar pra mim.

- Foi ela! – um grito ecoou no corredor e dei um pulo na cadeira assustada. Era Lauren aos prantos apontando pra mim acusadoramente. James e Riley estavam ao seu lado com expressões alarmadas e confusas.

- Lauren, isso é uma acusação meio seria. – Riley falou alertando.

- Eu sei que foi ela. – acusou e me encolhi confusa.

- O que está acontecendo? – perguntei baixo, extremamente envergonhada por ter quase todos os funcionários me olhando.

- Sínica! – rosnou com nojo.

- Bella, Lauren alega que você pegou acidentalmente um cordão de valor dela. – James disse calmamente e eu respirei fundo querendo compreender.

- Hã?

- Não se faça de tola! Foi você! – gritou batendo o pé. Como Alice dizia, eu quero arrancar seus implantes, vadia.

- Podemos olhar suas coisas? – Riley perguntou e eu dei os ombros ainda querendo compreender a situação. Ele mexeu na mesa e no bolsinhos externos da minha bolsa, eu realmente não liguei. Sem paciência, James puxou e virou tudo na mesa. Caiu meu celular e logo uma foto de Edward se acendeu na tela e eu ri da ironia, minha carteira, prendedores de cabelos e uma corrente de cordão de ouro. Ok, eu realmente desconhecia aquilo.

- Isso não é meu. – disse rápido.

- Claro, é meu. Roubo é crime. – gritou arrancando a corrente barata da mão de Riley. Foi então que a ficha caiu e comecei a rir.

- Você é patética. – rosnei – Achou mesmo que implantar uma correntinha de ouro barata nas minhas coisas vai trazer alguma coisa a você? – perguntei bem alto e logo puxei meu cordão de dentro da blusa. – Está vendo bem isso aqui? Ouro branco e diamantes, que se eu quiser vender, posso comprar um monte dessas correntinhas vagabundas e distribuir pela população de Nova Iorque. – completei e sua boca abriu em um O quando analisou meu cordão. – E sabe quando você vai ter um desses? Nunca. Porque ninguém nunca vai te amar ao ponto de te dar um colar que vale três apartamentos no Lower.

- Meninas... – James interviu olhando para meu cordão com interesse. Comecei a recolher minhas coisas com raiva. – Riley leve Lauren para tomar uma água e Bella, dois minutos na minha sala.

Ótimo. Demitida mais uma vez. Respirei fundo e segui James já com as minhas coisas. Minha vontade era de gritar com todos eles. Não acredito que estava sendo demitida por causa de uma armação. Essa merda é coisa de novela.

- Eu realmente sinto muito pelo o que aconteceu, mas eu não roubei nada. – comecei nervosa. Pelo menos ia sair com dignidade.

- Eu sei. – cortou-me – E pouco me importo com isso. Só que eu sei quem você é e quero te fazer uma proposta.

- Hã? – dei dos passos pra trás. Seu olhar foi tão intenso que cambaleei nervosa. Sabe quando sua mente gritaa vermelho! Alerta Vermelho! Saída de emergência; Era esse o momento.

- Quanto Edward está lhe pagando? – perguntou e fiquei realmente confusa. – Essa história de trabalhar aqui é pra despistar, eu sei. Além dele ganhar a fama de que nós não temos mais problemas nenhum, é bom que abafa quem você é. Eu pago o dobro pra você ser minha.

- Do que você está falando? – vociferei sentindo meu pescoço ficar quente.

- Ora, Bella. Você é uma prostituta. Não precisa mentir pra mim aqui dentro. – disse rindo e senti um tapa sendo dado no meu rosto. – Não vou contar as pessoas.

- Desculpe, você está terrivelmente enganado.

- Só precisa me dizer quanto que pago o dobro ou mais, se você for realmente boa. E não vai precisar de disfarce algum. – sorriu maliciosamente. Eu senti tanto nojo que queria vomitar.

Engoli meu desejo de gritar e chamar algum segurança de Edward para matar este homem e sai da sala dele, ouvindo sua cadeira ranger e vir atrás de mim. No corredor, na frente de todos, achei que ele não faria nada, mas desci tão desesperada para chegar ao estacionamento que se algum deles me vissem correndo e com o rosto terrivelmente vermelho de tanto chorar, iriam aparecer e James não faria algo comigo.

Foi o que aconteceu. Quando pisei no estacionamento completamente esbaforida por James ainda estar atrás de mim, fui envolvida por um par de braços enormes. Eu me permiti ficar mole e ser carregada por ele. Ouvi suas instruções para o carro aparecer na entrada e quando chegamos lá, Félix já vinha ao meu encontro. Sua expressão era preocupada, mas ele não me perguntou nada.

- Estamos indo pra casa. — Disse baixo e eu assenti nervosa, vendo James, parado a metros de mim, me olhando como se fosse algo comestível.

É claro que as pessoas estavam pensando isso. É claro que James estava sendo bonzinho comigo por isso. Ninguém enxergava o Edward e a Bella. Eles só viam o bilionário namorando a garota pobre. Mesmo sabendo que Edward me amava do jeito que eu era e que os Cullen me receberam com amor, aquilo não deixou de doer em mim. Eu andei na rua durante todos esses dias e as pessoas apontavam possíveis teorias de como tinha conseguido o coração dele.

Eu gritei para Félix parar em uma livraria e fiz o segurança comprar todas as revistas de fofocas. Eles se encolheram com meus gritos, tentaram protestar, mas não iria sair dali sem ler tudo o que Nova Iorque achava que eu era.

“Fontes seguras afirmam que eles se conhecerem em uma lanchonete que ela era garçonete. Essa mesma fonte garante que o amor é verdadeiro e eles esperam um bebê como nos contos de fadas”.

“Edward estava entediado e encontrou esta menina, meu eu garanto, só para passar o tempo”.

“Porque mais um magnata como ele ficaria com uma menina tão sem sal? Ele só pode tê-la engravidado. O vestido de ano novo escondeu bem a barriga”.

Félix me lançava olhares de que me avisou conforme foleava com raiva fotos e mais fotos minhas com os Cullen. Várias noticias, especulações e boatos. Meu nome definitivamente estava na boca do povo. Isso não me impediu de continuar chorando até que Esme achou que alguém tivesse morrido. Ela viu o bolo de revistas em minha mão e rapidamente tirou para jogar fora.

- Não ligue para isso. Nós sabemos que tudo não passa de mentira e é isso que importa. – disse docemente me fazendo deitar em seu colo.

- James só estava me tratando bem porque achou que era prostituta. – disse simplesmente e Esme engasgou com seu chá.

- Ele fez o quê? – gritou com raiva.

- Ele me ofereceu dinheiro. Disse que pagava em dobro para abandonar Edward e ser dele. – suspirei envergonhada. Meu rosto queimava e eu precisava desabafar isso com alguém. – Foi tão humilhante. – miei e Esme me abraçou apertado. Eu chorei tanto que adormeci nos braços dela, ali no sofá.

Acordei no quarto de Edward, sentindo minha cabeça e olhos doerem de tanto chorar. Estava claro, significa que dormi a noite inteira completamente apagada. O lugar o meu redor estava remexido e alguém tinha dormido comigo. Rosalie apareceu no vão da porta também com cara de sono e pijamas e percebi que ela quem tinha ficado ali comigo a noite inteira. Ela abriu aquele sorriso quente dela e veio de novo para cama.

- Eles também falaram sobre mim. – começou eu assenti por ter visto nas revistas. – E nós duas sabemos que Emm e Edward estão conosco porque nos amam. Não precisa ficar assim, meu anjo.

- Eu acho que não me importei tanto com as revistas, mas receber uma proposta por acharem você uma prostituta foi humilhante. Eu sou virgem, como posso estar sendo paga para dormir com Edward?

- Isso só prova que esse James é um idiota sem escrúpulos. – comentou

- Isso só prova que Edward estava certo. – resmunguei emburrada. – Ele vai me matar.

- Ele vai matar James. – sorriu – Embora, nós não iremos nos importar com isso. – deu os ombros e eu ri. – Eu realmente acho que você deveria aproveitar o título de namorada do bilionário. Eu tenho gostado disso.

- Eu não quero aproveitar dele... – murmurei

- Não vejo como aproveitamento e sim benefício. Emmett pode dar a vida que sempre trabalhei para ter e então, vou aproveitar isto. – disse rindo

- Eu quero trabalhar e conquistar. Bom, eu achava que queria. – resmunguei – Edward tinha razão quando disse que ser repositora de mercado não era meu lugar.

- O que você vai fazer agora?

- Estudar. As aulas do curso na escola de Alice começa semana que vem. – respondi e Esme apareceu no vão da porta também meio sonolenta.

- Alguém me acompanha no café? Alice só sai da cama de tarde. – bocejou com seu vestido perfeito. Nem parecia que tinha acabado de acordar. Deixei as duas descerem na frente e troquei de roupa. Ainda bem que tinha deixado quase tudo aqui. Edward não parecia se incomodar em dividir o closet comigo. Isso era assustador.

Quando cheguei perto da escada, ouvi Rosalie gritar e Emmett gargalhar. Isso significava que os meninos estavam de volta a casa. Isso significava que Edward estava de volta. Meus pés ganharam vida própria quando me vi descendo as escadas com tanta pressa que Max se embolou no meio caminho rolando os últimos degraus. Gato gordo era um caso sério. Voei no pescoço de Edward que ainda tirava o casaco e procurava pela sala minha presença.

- Opa! – sorriu me abraçando meio cambaleando quando joguei meu corpo contra o seu. – Que saudades, meu amor. – beijou-me com carinho e amoleci em seus braços. Edward enterrou o rosto no meu pescoço e inspirou profundamente. – Como senti falta do seu cheiro. – murmurou docemente com as suas duas mãos espalmadas fortemente na minha cintura por dentro da blusa. Estava tão quente.

- Eu senti muito a sua falta. – resmunguei me apertando nele. Foi então que percebi que duas coisas estavam erradas. Max se enroscando na minha perna... Como diabos ele veio parar aqui? E porque exatamente Edward voltou dois dias antes? A não ser que Esme tenha...

- Você está melhor? – Edward perguntou baixinho saindo do modo namorado desesperado meio tarado para o melhor amigo. Seus olhos brilhavam de preocupação.

- Estou sim, obrigada. – sorri torto. Mania dele, eu sei.

- Depois você me conta com calma, ok? – beijou-me de levinho e Alice veio descendo a escada de pijama com os curtos cabelos bagunçados.

- Você buscou Max? – perguntei ainda agarrada a Edward. Ela negou bocejando se agarrando ao outro lado de Edward, dando um beijinho.

- Culpada! – Esme levantou a mão. – Fiquei com o coração apertado dele ficar só e você estava desmaiada que não quis te acordar. Furtei sua chave e o peguei. – sorriu e eu sorri de volta. – E nós vamos conversar sobre sua permanência naquela casa. Ela é importante, mas o bairro é perigoso e não me sinto bem com você por lá.

Meu sorriso morreu. O tom de Esme foi maternalmente preocupado, mas mexer no assunto casa dos meus pais ainda erra um terreno perigoso. E eu iria morar onde? Aqui na mansão? Eu quase ri do impossível, mas mordi meus lábios e assenti tentando parecer tranquila. Esme era boa demais para envolvê-la com meus problemas psicológicos.

— Vamos subir um pouquinho? – Edward sussurrou no meu ouvido e mordi os lábios com outras ideias fervilhando em minha mente. Depois de seguros e trancados no quarto dele, Edward parou olhando ao redor. – Essa semana vou procurar um apartamento pra mim. Vinte e sete anos morando com os pais é meio tenso. – riu

- Perto de Emmett? – perguntei interessada.

- Os apartamentos lá são bons. E tem a cobertura em frente a dele que é boa. – disse – Nós seremos vizinhos de atravessar a rua. – piscou tirando a camisa.

- Lá é um lugar bom, apesar de ser ao contrário da empresa. – comentei distraída com sua beleza.

- De carro tudo é rapidinho. Eu sempre pulo as horas de rush.

As vantagens de ser o chefe.

- É. – murmurei meio idiota me encolhendo na cama. Meus hormônios podiam para de falar por mim.

Edward veio todo maroto, deitando em cima de mim, cheio de mãos e beijos. Como senti falta do meu emburradinho.

- Você está cheia de placas vermelhas. – Edward murmurou analisando a pele do meu colo, pescoço e rosto. Sua minucia foi tão intensa que faltou tirar minha roupa para verificar os resultados da minha noite de choro. – O que aconteceu? Minha mãe não entrou em detalhes.

Eu pensei em mil maneiras de mostrar que Edward/Victória/Emmett e o resto do mundo estavam certos em relação ao meu emprego e simpatia de James comigo. Só que o ego de Edward iria ultrapassar o Everest e a frase “Eu sabia” sairia dos seus lábios sem se importar que eu era a sua namorada fragilizada. Edward ficou em silencio me observando atentamente. Seu rosto estava a cinco centímetros do meu e podia sentir sua respiração calma e quente bater contra meu rosto e seus lábios vermelhos de tanto que mordi e suguei com força me convidando para mais. Essas emoções estavam me enlouquecendo um pouquinho.

- Digamos que James não foi muito legal comigo. – comecei e seus olhos brilharam de raiva, muito rápido. Eu sabia que ia se mover, por isso envolvi minhas pernas em sua cintura e segurei ali. Muito perto não teria necessidade para gritos. Meu coração ia sair pelo ouvido a qualquer momento. – Ele achou que eu era uma prostituta e ofereceu pagar o dobro por mim. – murmurei envergonhada e Edward deitou a cabeça por cima do meu ombro, mordendo o travesseiro para não gritar. Eu ouvi trezentos palavrões e continuei travando seu corpo ao meu. – Amor... – apelei para uma voz suave acariciando seus cabelos.

De repente, os papeis inverteram e eu estava acalmando, quando na verdade queria gritar. Meu instinto disse que se fizesse isso, nada no mundo faria James viver mais uma semana. Ele pode ter sido um pilantra comigo e eu não culpava sua imaginação fértil. Qual a explicação em um mundo atual para meu relacionamento com Edward? Amor é algo irracional que poucos compreendem. Não existia um lado em mim tão cruel ao ponto de desejar sua morte, mesmo não podendo ficar no mesmo ambiente que ele novamente.

Contei a Edward tudo que aconteceu nos mínimos detalhes. Nós tínhamos deitados mais confortavelmente na cama e ainda trocávamos afagos. Minha perna ainda bloqueava seu corpo para possíveis impulsos. Ele tinha que parar antes de gritar, como ainda esperava que fosse fazer. Ele me ouvia atentamente, mas seus olhos tinham um brilho tão sombrio que me lembrou nossas primeiras brigas. Contei também minha decisão de simplesmente aproveitar o curso que havia ganhado de presente do meu sogro.

- Edward você vai fazer o que? – perguntei depois que ouvi que sua respiração continuava controlada.

- Bella, por favor...

- Não faça nada. Me prometa. Não é por ele, mas porque você não deve se rebaixar por algo do nível dele.

- Bella...

- Ele vai querer se vingar, Edward. Não vamos nos meter nisso. Não agora, por favor. – pedi nervosa e muito a contragosto ele assentiu. Eu sabia que iria fazer sem que eu soubesse, mas pelo menos eu pedi.

- Você é meu mundo, sabia disso? – perguntou me beijando de leve.

- Eu sei, nós temos o nosso mundo. Apesar de ser a garçonete, o passatempo, a substituta, a caridade...

- Não é nada disso – cortou-me, mas sabia que estava apenas brincando. – Você é minha namorada.

Eu sorri beijando seus lábios mais uma vez. Meu namorado estava de volta pra mim. O celular de Edward tocou nos interrompendo e era um toque diferente do que tinha ouvido. Ele atendeu rápido, completamente confuso, olhando pra mim e para o aparelho.

- Como assim? Ela está do meu lado agora. – disse coçando a cabeça confuso. – Como? – questionou mais alto. – Amor, você colocou sua casa a venda?

- O quê? Não! – pulei da cama.

- Nós estamos indo aí. Não deixe essa pessoa ir embora. – disse rápido puxando sua camisa e eu já estava dentro do closet trocando de roupa. Não me importei de fechar a porta com tanta pressa que tinha. COMO ASSIM VENDENDO MINHA ÚNICA CASA?

- Quem é você? – perguntei vendo o homem absurdamente alto sendo retido por Demetri. O segurança loiro a cara do James Bond. – Por que diabos você está colocando essa placa de venda na minha casa?

- Bella? – perguntou surpreso e algo em seu rosto era familiar. – Ual. Você cresceu.

- E quem é você? – Edward rosnou olhando de forma dura para o moreno. O rosto de Edward estava com cenho franzido, maxilar travado e olhar penetrante.

- Jacob Black. Essa casa é do meu pai. – respondeu e suei frio. Era o Jacob. Filho do Tio Billy. – Bom, era.

- Não. Essa casa é minha. Eu herdei dos meus pais quando morreram. – retruquei

- Meu pai viveu nesta casa por quinze anos. Estou entrando com um processo de uso capião e de venda. – respondeu e senti o desejo de dar-lhe um tapa.

- Você não vai vende-la, idiota! – gritei – Ela é minha porque EU sou a única herdeira da família Swan viva.

Eu nunca tive tanto orgulho desse detalhe até o momento.

- Olhe, Jacob, certo? Meus advogados irão entrar em contato com você. – Edward falou no modo cavalheiro das trevas. Um arrepio desceu pela minha espinha. – Tira a merda dessa placa daqui. – disse a Demetri e outros homens. – Nós vamos resolver esta situação judicialmente, mas se eu sonhar encontrar qualquer resquício seu perto desta casa, meus amigos vão conversar com você.

Jacob ficou em silencio vendo Demetri quebrar a placa. Edward entrelaçou nossas mãos e abriu a porta do carro pra mim dizendo que eles não deixariam nada acontecer, mas tudo que eu pensava era que estava muito excitada com o lado bad boy do meu namorado. Eu tinha a chance de perder a casa dos meus pais, mas tudo que queria era agarrar Edward e saciar meus hormônios em fúria.

Novamente, alguém manda o senso de proporção para o meu endereço?

Notas finais
Gostei muito da review de vocês! O próximo capítulo se chama Iridiscent, musica nova do Linkin Park!
Deixem sua review, por favor!

Há uma promoção do Guia Ilustrado no meu site www.docesmeninas.com e podem me seguir em @marizoch ou @docesmeninas.
Beijos