Broken

2 Undesclose Desires


Música: Undesclose Desires – Muse

Eu sonhei com Renée e ela estava me chamando para viver junto dela e Charlie. No sonho eu sabia que eles estavam mortos e isso me assustou de tal maneira que sentei na cama rapidamente. Uhn, cama? Sonho? Quando foi que dormir e vim parar nesse local? Lentamente a engrenagem do meu cérebro foi trabalhando e as imagens vieram surgindo aos pouquinhos. Não tenho o mínimo de sorte. Olhei para a aliança no meu dedo e fiquei mais zonza ainda.

- Você fala bastante dormindo. Cheguei a pensar que estava passando mal. – Alice comentou do canto escuro do quarto. Era noite e tudo parecia bem frio e escuro. – Fiquei preocupada com você e resolvi vir lhe ver. Acompanhar-te... – completou chegando perto da cama. Eu fiquei absurdamente feliz em ouvir este detalhe. Alguém veio me ver. Me acompanhar.

- Eu dormi por muito tempo? – perguntei com a voz rouca. Limpei a garganta e passei a mão no cabelo meio embolado. Meu rosto devia estar desconfigurado de sono. E pelo choro também, meu rosto estava molhado e eu sabia o que isso significava.

- Só por algumas horas, mas acho que você estava precisando bem disso. – respondeu-me afagando minha mão. – Sente fome?

- Um pouco. – sorri para seu carinho – Só quero ver Emmett primeiro.

Alice pareceu sorrir mais quando mencionei minha intenção antes de comer. Eu queria vê-lo e saber se o efeito dos remédios tinha passado e sua sanidade voltada ao normal. E também saber se meu único amigo – se é que assim poderia dizer – estava melhor e mais sorridente. Era como um crime não permitir que Emmett sorrisse. Alice me ajudou a sair da cama e calcei as sapatilhas que estava no canto. Certifiquei que não estava mais tonta e rumei para fora do quarto, atravessando o corredor de cabeça baixa.

Ouvi uma gargalhada estrondosa, acompanhada de outras dentro do quarto dele. Dei meia volta e bati de frente com Alice. Certo, tinha me esquecido completamente dela. Ela abriu a porta e entrou primeiro, dei um passo inseguro e Emmett sorriu genuinamente pra mim. Não sabia se era parte da fantasia ou era apenas porque ele também estava preocupado comigo. Preferi acreditar que era parte da fantasia e mesmo assim sorri de volta. Seria impossível não sorrir de volta.

- Você andou discutindo com o médico de novo? – perguntou-me sorrindo torto.

- Ele estava sendo inconveniente. – brinquei aproximando de sua cama tentando ignorar todos os olhos nos analisando. – Você está melhor?

- Muito e com fome. – respondeu rindo e todos riram. Isso me pareceu tão Emmett. – Soube que desmaiou. Já parou de dar sustos por hoje?

- Engraçadinho. Não sou eu que estou tirando fotos do meu ferimento para contar aos netos. – retruquei sentando-me parcialmente na cama. Emmett gargalhou e o outro rapaz loiro, Jasper veio e bateu na sua mão. Em forma de hi-5 em punhos.

- Vejo que conheceu minha família... – começou comentando sem graça. Daí lembrei-me de ficar com raiva dele e franzi meus olhos. – Credo. Não me olhe assim... Eu disse que ia ser no natal. Não tenho culpa que hoje sofremos um assalto.

- Isso que dá andar sem seguranças, Emmett. Já cansei de falar que não é seguro. – Esme o cortou vindo parar ao lado dele. – Eu pensei que tivesse perdido você quando recebi a ligação.

- Sem exageros. Bella estava lá e viu que não foi nada demais. – deu os ombros e isso me irritou. Nada demais? Ele era insano. Dei um tapa no seu braço bom bem forte. – Isso dói, Bella.

- É pra doer mesmo. Nada demais? Aquele homem era três vezes maior que eu! Uma porrada dele e eu voei longe e a segunda coisa que vi foi você caído no chão. E tem coragem de dizer nada demais? – rosnei batendo mais duas vezes nele. Eu estava com tanta raiva. Mas tanta raiva.

Eu odiava hospitais, odiava ficar presa em hospitais. E odiava o modo que Edward Cullen olhava pra mim. O maldito parecia ler minha mente. Eu só devia estar cansada. Cansada não fisicamente, mas mentalmente. Tudo estava uma bagunça do caramba. Tão confuso. Acordei me sentindo infeliz e sozinha. Agora estava ali, usando roupas caras, com uma aliança de mais de vinte mil brilhando no dedo e com uma família além de linda, que se amava era podre de rica. Ah, eles achavam que era noiva do seu filho mais velho.

- Desculpe. – murmurou baixo e suspirei cansada sentando novamente na cama. Esme parecia sorrir pra mim, concordando com minha explosão. Emmett as vezes me parecia ser tão crianção. – Então, animo gente, estou vivo.

Foi impossível não sorrir e me aninhei ainda mais na beirada da cama.

- Então, Isabella, você não vai avisar sua família sobre o ocorrido? – Edward perguntou do sofá onde estava sentado ao lado de seu pai, Carlisle. – Eles devem estar preocupados.

Emmett me fitou pedindo desculpas e pegou minha mão. Ele já tinha tentando arrancar de mim essa informação durante o ano que nos conhecíamos e somente hoje ele soube da verdade. Não passou despercebido por mim que ele viu a minha tristeza ao anunciar isto em voz alta.

- Eles não estão preocupados. – respondi baixo prestando atenção nos movimentos de Emmett brincando com meus dedos. O quarto caiu em um silencio e tenho certeza que muitos deles entenderam. Passados alguns minutos e conversas baixas foram preenchendo o silencio estranho, Emmett sussurrou desculpas e fiz meu melhor dar de ombros e sorri. Ele não pareceu convencido, mas deixou escapar.

- Papai noel chegou. – Victória abriu a porta sorrindo. Ela fechou mais a expressão quando viu o restante da família. – Boa noite família Cullen. – falou cordialmente e foi respondida no mesmo tom. – Trouxe chocolate quente preferido da moçinha. – estendeu-me um copo do Starbucks e aceitei de muito bom grado. – Trouxe uns donuts também. Imaginei que com esse frio e o estresse hoje fosse querer bastante açúcar. – entregou-me uma caixinha que Emmett puxou do meu colo, mas bati na sua mão puxando de volta.

- Você não deve comer isso. – tirei da sua mão. – Você está se curando e seu sangue não precisa mais de açúcar.

- Correto. Eu trouxe duas saladas diferentes porque imaginei que não iria comer a comida daqui. O médico disse que salada pode e Bella está liberada para comer o que quiser. – Victória completou e ele se encolheu na cama.

- Isso é injusto. – resmungou e lhe entreguei as saladas. – Podemos negociar isto?

- Não. – dissemos juntas e as outras pessoas riram da sincronização. – Bella, tomei a liberdade de ir ao apartamento do Sr. Emmett e peguei mais algumas roupas e sua nécessaire com produtos íntimos.

Fiquei um bom tempo tentando entender sua informação, mas depois sorri, ainda segurando a caixa de donuts. Emmett já estava comendo sua salada e Esme fitou-me preocupada.

- Você também deveria comer coisas saudáveis. – sorriu tirando da minha mão e puxando a outra salada, rejeitada por Emmett. – Coma isto, vai se sentir melhor. Sem mais desmaios.

- Obrigada Srª Cullen. – agradeci baixo e Emmett roubou minhas cenouras.

- Oh, por favor, chame Esme. Srª é a mãe de Carlisle. – brincou afagando minha bochecha e olhando feio para a atitude de Emmett.

- Mãe. Eles devem estar acostumados a dividirem coisas piores. – Edward intrometeu-se e a menção do significado de sua frase me deixou completamente envergonhada. Eu não estava acostumada a agir e interagir com pessoas ao meu redor. Emmett riu, mas voltou a comer. Segui seu exemplo pedindo aos céus que eles não vissem meu rubor. Levantei meus olhos e Edward estava me olhando, de novo.

- Seu gato está bem acomodado, Bella e mandei seu carro para a garagem. – Victória falou desligando o celular. – Estarei de volta amanhã cedo para lhe buscar. Sua alta é às nove horas. – deu-me um beijo rápido e acenou para o resto.

- Obrigada, Victória. Até amanhã. – acenei esboçando um sorriso simpático. Emmett terminou de comer e uma enfermeira veio ajuda-lo a levantar para por a cama inclinada novamente. Fiquei observando os músculos das suas costas e nossa, ele era enorme. Pensei se ele tomava alguma substancia química ou algo do tipo. O celular dele começou a tocar e rapidamente todos nós olhamos para ele. Emmett ainda estava no banheiro tentando argumentar que podia escovar os dentes sozinho.

- Atenda, querida. – Carlisle incentivou. Respirei fundo e puxei o telefone. Estava identificado como R.H

- Alô. – falei baixo.

- Quem é? – a mulher verificou furiosa. – Esse telefone é do Emmett Cullen? – ela tinha uma puxada francesa.

- Uhn, sim. Ele está meio ocupado no momento, você gostaria de deixar recado? – perguntei tentando soar tranquila.

- Sim, gostaria primeiro de saber seu nome.

- Bella Swan. – respondi confusa e ela ficou em silencio.

- Você é namorada dele, não é?

- Não. – respondi baixo. Não era namorada. Era amiga e tecnicamente noiva. Ela suspirou audivelmente na linha. Por impulso, bebi um gole do meu chocolate quente já frio.

- Sou Rosalie Hale. – disse baixo e engasguei com a bebida. Fiquei lívida. Meu rosto deve ter ficado tão branco que Alice se alertou. Ela fez menção em levantar, mas fui mais rápida, saindo da cama e fazendo sinal para ficar calma. – Eu vi no noticiário que ele sofreu um atentado e que estava com a namorada.

- Em parte isto é verdade. – respondi baixo e sua respiração tornou-se pesada. Fiquei de costas para a família de Emmett. – Na verdade, é um prazer conversar com você.

- Você só é amiga de Emmett? – perguntou-me chorosa.

- Sim. – respondi e pensei em completar: Por causa da sua ignorância, estou usando o SEU anel de noivado. – Só isso mesmo. – completei mais baixo e observei a enfermeira sair do banheiro sozinha, bufando irritada. Emmett deve ter irritado seu juízo. Olhei para a porta e para a família dele que me observava atentamente. – Você pretende vir, tipo, logo?

- Não. – respondeu rapidamente – Eu sinto que ele tem outra pessoa. Os jornais nem sempre mentem.

- Não é cem por cento verdade. Não mesmo. – mordi os lábios confusa. Já estava me intrometendo demais. Só que parte de mim queria que essa mulher simplesmente aparecesse para confortar Emmett. Há um ano ouço dizer o quanto gosta dela.

- Ele está realmente ocupado ou está somente me evitando? – perguntou-me desviei meu olhar da janela do hospital para a porta do banheiro entre aberta onde podia ver Emmett escovando os dentes e passando a mão no cabelo irritado. Quanta intimidade, pensei. Troquei o peso do meu pé e respirei fundo. – Pelo seu silencio...

- Preciso que aguarde só um minuto. – cortei rapidamente colocando o celular no mudo. Caminhei até o banheiro, entrei e fechei a porta. Emmett olhou pra mim arqueando uma sobrancelha. – Eu sei. Intimo demais. Não me culpe. Sua família tem olhos de quem lê mentes. – sussurrei mostrando o celular e a chamada em espera. – É ela. Atenda.

- Não. – respondeu simplesmente voltando a escovar os dentes.

- Ela está preocupada, isso pode ser um sinal de arrependimento. – argumentei sussurrando e ele revirou os olhos pra mim. Lavou a boca, secou e me fitou incrédulo. – Não me olhe assim, Emmett.

- Bella, eu fiquei duas semanas lá me rastejando aos pés dela. E Rosalie me renegou. Não dá. – retrucou cruzando os braços emburrado.

- Ela disse que viu o noticiário. Que está preocupada e me pareceu com medo de perder você. – contra ataquei e completei mentalmente que ela não tinha intenção de aparecer, mas não custava nada. – Ela está na linha, Emm. Atenda. – tentei soar suave.

- Não dá. Bells, eu tenho um pingo de amor próprio. – resmungou encostando-se na parede. Suspirei e percebi que ele estava irredutível. Peguei o telefone novamente e tirei do mudo.

- Rosalie? – chamei e ela respondeu rapidamente. – Desculpe. Não vai dar agora. – dei ênfase no agora para ela não desistir. Rosalie não podia simplesmente desistir no primeiro não que ouviu da parte dele.

- Acho que já esperava por isso. – suspirou meio chorosa. Meu coração se cortou com isso. Olhei com raiva para Emmett. Custava falar? Ninguém estava pedindo para voltar. – Obrigada por tentar, Bella.

- De nada. Tchau, Rosalie. – despedi-me baixo e envergonhada por ter fracassado como cupido. Sabe se lá Deus quando ela ligaria novamente. Emmett me olhava com seu celular na mão. – Não me olhe assim, sou sua noiva, posso atender. – sussurrei inclinando a cabeça para o outro lado. Emmett sorriu torto e deu os ombros. – Melhor sairmos agora. Eu simplesmente agi por impulso e entrei aqui.

- Com certeza eles estão achando que você veio me agarrar, sua tarada. – piscou e fiquei mortificada de vergonha destrancando a porta. A família dele nos olhava confusos, curiosos e divertidos. Fiquei ainda mais envergonhada e o celular dele vibrou de novo na minha mão. – Ela só estava com saudades. – deu os ombros voltando a deitar na cama.

Alice sorriu com Esme e Edward revirou os olhos. Esse definitivamente não ia com meu santo, apesar de ser incrivelmente lindo. O celular continuou vibrando e vi que era Rosalie de novo. Acho que precisarei dizer que será preciso mais tempo que cinco minutos. Mostrei o visor para Emmett e ele virou o rosto como criança emburrada. Respirei fundo para manter meu controle.

- Só atenda, Emmett. – insisti.

- Não. Vou. Atender. – respondeu irritado. Não comigo, mas com a ligação. – Você não precisa atender, se quiser, mais do que ninguém sabe que isto será impossível.

- O que está acontecendo? – Alice perguntou extremamente curiosa. – Vocês estão brigando?

- Bella é teimosa. – Emmett respondeu bufando.

- Eu sou teimosa? Sr. Cabeça dura! – retruquei apertando o botão para desligar e joguei em cima dele de leve. – Eu só quero que você atenda e diga a verdade a ela.

- Ela quem? – Esme perguntou lendo o visor – É mulher? É algum ex-caso seu?

- É alguém sem importância, mãe. – respondeu dando-me seu olhar mortal. Eu bufei e peguei o celular na mão de Esme. – Você vai atender?

- Não, vou desligar. Enquanto ele tocar vou ficar ligeiramente irritada com sua teimosia e sinceramente não estou a fim de desmaiar de novo, hoje. – respondi devolvendo seu aparelho e apontando para a placa que pedia celulares desligados. Emmett sorriu pra mim e constatei que ele era realmente impossível. – Eu sinto que te odeio neste momento.

- Não fique com ciúmes. Ela faz parte do passado. – sorriu torto. O que parecia um conforto para sua família, pra mim era um aviso. Algo em mim bateu o pé dizendo que não era passado. Acabei sorrindo de volta e novamente fiquei incomodada com a sua família sendo mais uma vez nossos expectadores.

- Está tarde. Nós voltaremos amanhã cedo, querido. – Esme beijou sua bochecha e veio me abraçar. – Desculpe por mais cedo e é um prazer lhe conhecer, Bella. – beijou-me a bochecha com carinho. Aquilo era tão mágico que senti vontade de chorar.

- Voltarei amanhã cunhadinha. – Alice me agarrou e os outros apenas apertaram minha mãe. Edward se aproximou coçando a cabeça meio sem graça.

- Desculpe por mais cedo. Estava nervoso por Emmett e todas as outras coisas. – disse-me com um sorriso pedido de desculpas lindo. Ele era tão perfeito que podia confundi-lo com um anjo. Seus cabelos pediam que minhas mãos os acariciassem.

- Está tudo bem. Compreendo.- disse baixo aceitando seu aperto de mão. Sua pele era macia, gostosa. Ele tinha dedos longos, bem brancos e bonitos. Como um pianista. Seu toque era quente, confortador e me transmitia uma eletricidade diferente. Foi como se meu corpo inteiro se arrepiasse com isto. Meu olhar se encontrou com o dele e nós nos fitamos assustados.

Edward rapidamente recuperou sua postura e me soltou. Fiquei que nem uma idiota parada, olhando-o sair do quarto com toda sua graciosidade e costas largas. Emmett explodiu em uma gargalhada irritante na cama, virei-me irritada querendo saber o motivo de sua gargalhada.

- Meu irmão deslumbra as pessoas, normalmente.

- Hum. Eu vou dormir, Emmett. Eu nunca tive um dia com tantas pessoas ao meu redor. – disse irritada.

- Ah, Bellinha. Não vá. – resmungou – Foi só engraçado ver seus olhos brilhando pelo meu irmão.

- Não estava brilhando. – retruquei batendo o pé e ele riu mais ainda. – Amanhã nós conversamos, Emmett. – revirei meus olhos e sai do quarto ainda o ouvindo rir. As enfermeiras também sorriram ao ouvir e provavelmente ela era o paciente mais alegre de suas vidas. No meu suposto quarto tinha uma bolsa em cima da cama com toalha, pijamas, escova de dente, xampu, sabonete líquido e outras coisas mais femininas. Quis dar um beijo em Victória porque era realmente isso que estava precisando.

Tomei um banho lento, tirando todo resto de sangue dos cabelos e lavando a minha alma. O pijama de flanela era confortável e quentinho. Me recusei a pensar nas minhas calças de moletom velhas que deviam estar congelando na minha casa sem aquecedor. Fiz uma promessa a mim mesma que enquanto estivesse com Emmett nessa maluquice de o ajudar, não iria lembrar do quanto minha vida era solitária e amarga.

Meu corpo estava exausto por ter tanta gente ao meu redor realmente me dando atenção, me olhando. Principalmente Edward. Era o olhar dele que parecia grudar na minha pele e eu acho que gosto disto. Ele era tão bonito que mesmo que não fosse de admiração ou paixão, fui notada por alguém bonito que não era Emmett.

No dia seguinte vi Emmett muito rapidamente, mas fui liberada e Victória me levou para o apartamento dele. Ela explicou que para tudo parecer nos conformes, tinha algumas roupas minhas e objetos femininos por todo canto. Ela trouxe também Max e sua cama, onde ele estava preguiçosamente dormindo quando cheguei.

- Tem certeza que isso vai dar certo? Eles me parecem muito observadores...

- Só manter-se casual e impor um limite a Alice quanto a sua vida. – Victória sorriu torto – Será divertido. Emmett gosta de você.

- Eu sei. – murmurei sentando-me no sofá.

- Não preciso dizer que fique a vontade. A casa é sua. – piscou e saiu, deixando-me sozinha naquele enorme apartamento. A televisão era enorme e encontrei uma coleção de filmes antigos ali. Abusadamente e sem mais nada que fazer até Emmett ser liberado do hospital, coloquei Juventude Transviada com o lindíssimo James Dean. Aconcheguei-me no sofá e Max subiu no meu colo, ficamos assim, ali quietos com a Tevê brilhando.

Assim que o filme acabou, senti um pouco de fome e invadi a cozinha enorme e cheia de aparelhos impossíveis. Gastei metade do tempo necessário só identificando onde ficava cada coisa e como ligava cada coisa. Aquilo era tão vergonhoso que dei graças de estar sozinha. Encontrei ingredientes para uma boa massa com queijo e também para cookies.

Assim que terminei a massa e coloquei os biscoitos no forno e o espaguete só precisava colocar o queijo por cima a campainha tocou e fiquei realmente sem saber o que fazer. A pessoa ficou insistindo e lentamente rumei até a porta e espiei pelo olho mágico. Era Edward. Os cabelos bronzes bagunçados e o dedo esquecido na campainha definitivamente era ele. Abri a porta sem aviso prévio e ele se assustou.

- Oi?

- Uhn, ér... Gostaria de saber se você estava bem. – disse ruborizando um pouco. Ele ficou adorável, extremamente fofo porque ele era sempre tão sério ou tão grosso que fiquei encantada com seu momento tímido. Uma coisa que nos fazia igual diante do abismo de diferença que reinava entre nós.

- Estou bem. – respondi e Max se aninhou entre minhas pernas miando. Edward olhou para o gato e depois pra mim espiando por cima do meu ombro as coisas dele espalhando pelo chão. – Você gostaria de entrar um pouco? – perguntei me sentindo uma idiota porque estava perguntando ao irmão do dono da casa se ele queria entrar um pouco. Acorda, Bella! A estranha é você.

Eu era uma versão sem gêmea da Paola Bratcho?

- Seria agradável. – respondeu cordialmente passando por mim. Ele olhou para a tevê ligada na espera de começar Bonequinha de Luxo e sorriu torto. Max se embolou em suas pernas e ele gentilmente afagou atrás de sua orelha. Foi adorável.

- Uhn. Acabo de fazer um espaguete simples com queijo para o almoço, gostaria de me acompanhar?

- Eu acho que sim. – respondeu confuso coçando a cabeça. Reparei que toda vez que ele ficava confuso ou a vontade, simplesmente bagunçava ainda mais seus cabelos.

Fui até a cozinha e tirei dois pratos, talheres, copos e um suco de laranja da geladeira e pus na mesa da sala. Nós começamos a comer em um silencio ridículo e completamente constrangedor, ele observava cada mínimo movimento meu e isso estava me irritando profundamente. Resolvi empurrar aquele momento para o cantinho escuro da minha mente e ignorá-lo por completo. Quando estava quase terminando, o forno apitou avisando dos biscoitos. Levantei rapidamente e tirei a fornada que estava perfeita. Emmett iria devorar os biscoitos de natal.

Voltei a mesa com um sorriso satisfeito no rosto e Edward sorriu com isso e depois fechou a cara. A minha nova teoria era transtorno bipolar grave. Terminei de comer e recostei na cadeira tentando desafiá-lo a perguntar o que quer que fosse, contanto que perguntasse e saísse da minha frente com o olhar quero saber de tudo, ficaria MUITO feliz.

- Você e meu irmão estão noivos a quanto tempo? – perguntou-me sério.

- A aliança está no meu dedo tem o tempo suficiente. – respondi baixo.

- Quanto tempo?

- Por que você se comporta tão mal? É por isso que Emmett demorou a me apresentar a família? – retruquei querendo loucamente mudar o foco. Mentindo um pouquinho, é claro. Pareceu funcionar quando Edward rapidamente vacilou com uma expressão culpada no rosto.

- Desculpe. Emmett nunca foi de compartilhar muito sua vida comigo. – suspirou e fiquei surpresa que comigo, mesmo sendo a menina da bilheteria, ele compartilhava muitas coisas. Bom, eu achava. Uma pequena gota de entendimento pingou no meu cérebro. Eles só podiam ser distantes...

- Você devia tentar conversar mais com Emmett. Às vezes ele pode ser meio cabeça dura, mas ele sempre está sorrindo. Sempre tem algo alegre e é altamente capaz de compartilhar algo. – incentivei com minha mania de querer consertar relacionamentos alheios.

- Você tem razão. Emmett às vezes é bem fácil de ser levado. – retrucou e percebi um duplo sentido em suas palavras. Bufei irritada e comecei a retirar a mesa do almoço. Ele era tão rabugento que poderia me dar indigestão. Fui para a cozinha equilibrando as coisas e comecei a desinformar os biscoitos, colocando em uma vasilha empilhado.

- Desculpe Isabella. Desculpe por ter sido grosseiro. – Edward soou atrás de mim. Ele parecia confuso e arrependido ao mesmo tempo. Respirar fundo tornou-se minha mais nova atividade fique calma Isabella.

- Edward, você precisa decidir.

- Só estou confuso, ok? Você não faz o tipo do meu irmão. Então, é de desconfiar. – retrucou e senti que um tapa foi dado na minha cara. Automaticamente me encolhi. – Não. Desculpe, é que Emmett gosta de mulheres extravagantes, que se mostram, sejam sensuais...

Edward começou a listar várias mulheres bem mais parecidas com Emmett. Era estupidamente grosseiro e a minha inexistente autoestima se sucumbiu a nada. Eu era baixa, magra e com os cabelos de uma tonalidade sem graça, com olhos de uma tonalidade mais sem graça ainda. Eu tinha completa noção do meu estado não atraente e ele não precisava jogar na minha cara.

- E Emmett não procura mulheres com autoestima baixa. – completou me olhando como se tivesse duas cabeças.

- Você só acabou de provar que é totalmente ao contrário do seu irmão. Emmett pode sim gostar de mulheres desse tipo, mas nunca, em hipótese alguma, deixaria de ser cortes, educado ou cavalheiro com uma mulher. Ao contrario de você, Edward. Se não tem mais nada a fazer ou falar, pode sair. – retruquei apontando para a porta.

Estava me equilibrando em uma linha muito tênue entre expulsar o irmão de Emmett do seu apartamento e fazer com que a relação deles piore ou simplesmente engulo minha autoestima e permito que ele fale comigo daquele jeito. Escolhi a primeira opção.

- Eu não quis te ofender, Isabella. – disse baixo e quase ri com escarnio. Imagina se quisesse me ofender. – Você está entrando para a minha família e eu preso estes valores. De conhecer quem um dia será uma Cullen.

- Está fazendo completamente errado. – soltei umas forminhas de biscoito com força. Quase as quebrei — Primeiro, não trate uma mulher mal e não diga as preferencias sexuais do seu noivo para ela. Mesmo que seja o oposto. Não repare uma mulher comer e não chegue sem avisar a não ser que seja intimo.

- Você está querendo me ensinar como tratar uma mulher? – perguntou irritado. – Pelo menos eu posso dizer que a única coisa que Emmett gostou em você foi o dom culinário, porque ele é verdadeiro ogro da família.

- Outch! Não sabe ouvir uma repreensão? Emmett nunca foi tão grosso comigo como você está sendo em 24 horas. – gritei completamente irritada.

- Não grite comigo.

- Não seja estupido comigo.

- Desculpe. – disse suspirando e me irritei mais ainda porque era milionésima vez que ele pedia desculpas por ser tão grosso e ignorante. Revirei meus olhos cansada de brigar com Edward. Peguei a vasilha de biscoitos e lhe ofereci. Ele me fitou incrédulo, mas pegou um.

- É uma boa maneira de recomeçar. Prazer, sou Bella Swan. – estiquei minha mão. Edward gargalhou incrédulo e a apertou. Senti a mesma coisa hipnotizante de antes. Toque quente, mãos grandes, eletricidade, prazer... – E você? – gaguejei não soltando sua mão.

- Edward Cullen. – respondeu dando um sorriso torto.

- Me acompanharia em um filme? – perguntei tentando soar cordialmente, mas nós dois rimos. Ainda existia uma tensão palpável entre nós dois. Edward não iria embora e eu não queria que ele fosse.

O telefone da sala tocou e não me movi para atender, depois fui compreender que se eu supostamente morava ali, seria uma atitude normal. Puxei o telefone evitando olhar para Edward ou simplesmente iria cair.

- Pronto?

- Se divertindo com a minha tevê? Ela é enorme, não é? A daqui do hospital está tão pequena. – Emmett soou no outro lado da linha. – Está bem?

- Está tudo bem. Vi uns filmes antigos. – respondi rindo. – Preparado pra vir pra casa amanhã?

- Ansioso, na verdade. – respondeu bocejando. – Iremos fazer compras de natal. Não comprei presentes para ninguém ainda e Alice irá se intrometer nisso.

- Uhn, Emm, seu irmão está aqui. – comentei tentando soar casual.

- Ele foi estupidamente grosso com você, não é? – perguntou preocupado. – Arrancarei as bolas dele.

- Não. Está tudo bem, por enquanto. – retruquei tranquila. – Ela retornou?

- Por várias vezes e me senti tentado em atender.

- E atendeu? – perguntei curiosa

- Não. – suspirou – Cuidado com Edward. Ele é curioso demais. E acho que não gosto da ideia de tê-la sozinha com ele...

- Vai ficar tudo bem, Emm. Preciso que você fique bom para as nossas vidas voltarem ao normal. – completei pensativa.

- Até amanhã. – despediu-se

- Até.

Voltei a sentar-me no sofá ao lado do homem mais bonito que tinha encontrado na vida. Seria perfeito se ele não me achasse feia, tivesse repulsa por mim e achasse que estava querendo roubar o dinheiro da sua família. Eu não tinha a mínima sorte, mesmo.

Notas finais
Deixem sua review :)