Broken
3 Heartbreak Warfare
Música: Heartbreak Warfare — John Mayer
Edward convenientemente foi embora quando Victória chegou. Ao mesmo tempo em que me senti extremamente aliviada, senti um pedaço de diversão ir embora. Percebi que os dois não se davam bem, porque sem a presença dos pais de Emmett, Victória não foi nada educada. Foi como se um muro existisse ali.
Fiquei sentada no sofá ainda incapaz de me mover quando Audrey Hepburn ainda procurava seu gato no beco escuro, fugindo do seu amor. Edward havia relaxado um pouco mais quando falei com Emmett, mas pareceu ligar novamente o radar prestar atenção em Bella. Ele sentou perto o suficiente para seu ombro encostar com o meu e pude comprovar que ele tinha um cheiro incrível. Tão suave e ao mesmo tempo tão masculino que me deixou hipnotizada. Fui obrigada a pegar Max no colo e impor uma barreira entre nós dois.
Nós conversamos sobre literatura e ficou estampado no rosto dele o quão surpreso ficou quando comentei sobre grandes literaturas inglesas. Ele contou que morou na Inglaterra durante os últimos anos de sua vida e fiquei emocionada. Durante o período escolar ficava fantasiando ir até a terra dos meus contos favoritos. Tio Billy chegou a mandar fazer meu passaporte.
Não sei que espécie de mulher Emmett estava acostumado a se envolver, porque Edward simplesmente tirou a conclusão que no mínimo era loira e burra. Todas as coisas mais simples que comentei, principalmente sobre Cosmópolis, meu amor secreto, ele fitou de um jeito soberbo, misturado com incredulidade. Espera, eu podia não ter nenhuma faculdade (dinheiro para pagar um ou indicações de mente saudável para uma pública) e isso não me fazia uma pessoa burra. Quando você recebe 20 dólares em moedas para Tickets, sua matemática se torna avançada.
Me pareceu que ele tirou o dia para me ofender. Para ter mais um pouquinho de repulsa por mim e pela primeira vez fiquei feliz disso tudo ser falso e nunca mais olharia na cara de Edward quando Emmett supostamente terminasse comigo. Quando Victória abriu a porta cheia de bolsas e um sorriso mágico, rapidamente me deixou sozinha com ele indo para o escritório. Edward ajeitou sua roupa e olhou para mim e depois para Max, coçou a nuca e disse:
- Você realmente deve ter mudado Emmett. Ele não gosta de gatos. – sorriu torto e saiu pela porta sem olhar pra trás.
Minha boca se abriu e esqueceu de fechar. Fiquei ali congelada no lugar com Max miando e arranhando minhas pernas, pedindo atenção. Grosso, estúpido e completamente adorável. Esse era Edward Cullen.
- Ei moça. – Victória chamou-me – Trouxe maquiagens. Amanhã você sairá com Alice para fazer as compras de natal e precisa tirar esse aspecto de morta viva. – sorriu torto batendo na cadeira me pedindo para sentar. Eu acho que ela não falou aquilo para me ofender. Eu acho. – Como tive um insight que você não saberia usar isso, pequeno tutorial porque você é muito inteligente.
Fiquei lisonjeada por alguém simplesmente ter reconhecido meus dons exclusivos e ao mesmo tempo ofendida por sua insinuação de dúvida. Novamente acho não foi para me ofender. Esse papel era de Edward.
Victoria despejou na minha frente uma pequena maleta com maquiagens de variadas formas e tamanhos. Ela explicou um a um e como usar. Aplicou alguns na própria pele para exemplificar e ainda ensinou como tirar tudo sem danificar minha pele antes do banho. Não foi tão complicado e também inútil. Eu só continuava achando fútil porque Bella Swan não fica bonita nem com cem quilos de pó de arroz no rosto. Só não disse isso em voz alta porque tive a sensação que era um privilégio tê-la sendo simpática comigo. Pouco tempo depois ela se foi dizendo que precisava verificar Emmett antes de ir a empresa. Fiquei entregue ao silencio e sem mais o que fazer ou ver, deitei no sofá com Max em minha barriga.
No fundo, bem no fundo, continuava sendo a mesma Bella Swan reclusa. Só que agora tinha uma capa com roupas caras e um xampu milagroso. Só fiquei ali olhando para o teto bonito de gesso todo desenhado com formas complexas durante muito tempo. Eu queria conseguir pensar na minha vida, mas olhando mulheres como Victória e até mesmo a pirralha da Alice, percebi que nem ter o luxo de dizer que tinha uma vida eu tinha.
O telefone da sala tocou novamente e estava quase escurecendo. Fiquei na duvida sobre atender, visto que não tinha ninguém ali que precisasse fingir ser a noiva de Emmett. Embora a insistência me fez pensar ser o próprio.
- Eu nunca liguei tanto para uma mulher como tenho feito com você só hoje. – disse antes mesmo que pudesse falar alô.
- É a segunda vez que você me liga na vida, Emmett. – resmunguei voltando a sentar no sofá.
- Precisamos de terapia de casal. – brincou. Tudo era engraçado. Respirei fundo e deixei que ele risse o quanto quisesse do outro lado. – O idiota do meu irmão esteve aqui e eu o obriguei a leva-la para jantar em forma de desculpas. O papel de ogro é meu, então...
- Emmett. Cancele isto. Seu irmão não tem o mínimo prazer da minha companhia e é errado. Não quero ficar perto dele. – cortei rapidamente já com o coração batendo de nervoso.
- Vocês dois começaram com o pé esquerdo. É natal. Você é minha amiguinha e precisa ficar de bem com meu irmão. Ele foi grosso, Bella.
- Eu sinceramente duvido que seu irmão saiba ser gentil com alguém.
- Ele sabe sim, quando quer. – sorriu – Esteja pronta as 20h e amanhã cedo quero saber os detalhes.
- Você é um idiota.
- Ei, xingamentos antes o casamento? Definitivamente precisamos de terapia de casal. – desligou com um clique delicado. Fiquei um bom tempo com o telefone no ouvido sem saber o que fazer.
Não estava muito inclinada a sair com Edward porque ele simplesmente me fazia sentir um lixo. Ok, exagero. Quanto mais ele era grosso comigo, mais vontade de ser petulante com ele ficava. O ponto X da questão era que quem eu era para ser petulante com alguém como Edward? Ele tinha tudo na vida. Beleza, amigos, família adorável e dinheiro. Eu era o seu oposto. Um oposto que nem tinha o direito de se comparar a alguém como ele.
Reunindo minhas forças levantei e fui ate o quarto onde estavam todos os produtos de beleza. Tomei um banho usando o novo xampu com cheiro de morango bom e todos os sabonetes femininos que ela havia posto ali pra mim. Fiquei pensando qual era realmente o problema de Edward porque as únicas pessoas que sabiam a verdade – parcialmente, é claro – sobre a minha vida era Emmett e acho que Victória. Se eu era uma herdeira agrária, que morava sozinha e noiva do seu irmão, por que simplesmente me odiava?
Resolvi que a primeira oportunidade que tivesse, mandaria Edward se foder. Não, ele merecia por me tratar tão mal. Depois de escolher uma blusa cinza de manga e gola alta bem grossa, um par de botas cano baixo azul de camurça e calça jeans, percebi que estava sendo uma completa idiota por estar me importando com a opinião dele.
Eu nunca mais o veria daqui a uma semana. Não passando maquiagem alguma, apenas secando o cabelo, a campainha tocou e Max ficou miando na porta como se já fosse intimo de Edward por ter ganhado um afago durante o filme. Gato barato dá nisso. Abri a porta sem nenhum entusiasmo que surgiu rapidamente quando o vi encostado na soleira da porta com camisa social azul dobrada nas mangas e meio aberta no peito, calça social escura e sapatos brilhantes.
- Você está bonita. – disse baixo coçando a garganta para a voz sair clara, revirei meus olhos diante do seu esforço inútil. Além de grosso, deu pra ser mentiroso.
Comecei a me perguntar porque não poderia matar Emmett por isso.
- Então, você está pronta? Podemos ir? – perguntou esticando sua mão, puxei a chave e a ignorei. Seja durona, Isabella.
Nós ficamos em silencio. Eu não agradeci seu elogio e não correspondi nenhuma das suas tentativas de conversa. Eu estava chateada... Magoada na verdade. Que mulher – mesmo sendo como eu, tendo completa consciência da sua aparência – gostaria de ouvir que não era o tipo de alguém? Não que quisesse ser o tipo de Emmett, porque a nossa relação era estritamente fraternal. Eu tinha que ser o tipo de alguém, não?
Ficamos andando do lado do outro, sem se tocar ou falar. Agradeci por ele ao menos ter tido a decência de se manter mudo, porque não estava muito a fim de segurar o choro e chorar mostraria a ele o quanto sou fraca. E idiota também. Estava muito frio e agradeci mentalmente pelo casaco quentinho.
- Você gosta de restaurante francês? – perguntou-me e minha vontade foi dizer que nunca havia pisado em um na vida, mas apenas dei os ombros. – Espero que isso seja um sim. – respirou fundo e parou de andar – O que gostaria de comer?
- Como?
- Estou tentando adivinhar o que você gosta...
- Ah. – mordi os lábios e girei ao meu redor até encontrar uma cantina italiana que parecia bem mais aconchegante que aquele restaurante francês com muitos talheres a mesa e pessoas extremamente arrumadas, chiques. – Acredito que aquele lugar seja bem legal.
- Uhn. Parece mesmo. – sorriu torto – Você gosta de comida italiana?
- Sim, sim. – dei os ombros atravessando a rua rapidamente e entrando no local quentinho. Edward colocou a mão nas minhas costas e me conduziu a uma mesa, puxando a cadeira para que eu pudesse sentar com cuidado. – Obrigada.
- Então, conte-me mais sobre sua vida. – sorriu sentando-se e puxando o cardápio.
- Direto ao ponto você. Não tenho nada em minha vida que seja interessante em partilhar. – retruquei também olhando para meu cardápio. Edward respirou fundo e colocou na mesa com a expressão cansada.
- Eu estou tentando aqui. Olha, eu sei que não fui muito legal com você e não tenho desculpas para isso. Só que Emmett sempre apronta muito e me sinto no dever de tomar conta dele, mesmo sendo mais velho.
- Edward, me atacando não é a melhor maneira de proteger seu irmão. Ou seja lá o quê você quer proteger. Não tenho nada a ver com isso. – rebati cruzando os braços, aproveitando um pouco minha vantagem.
- Eu sei. Eu errei e por isso estamos aqui, para virarmos amigos já que muito em breve você vai casar com meu irmão. – sorriu recostando-se na cadeira. – Você trabalha em quê?
- Não trabalho. – respondi baixo bebendo um pouco de água. Bom, eu trabalho... Na bilheteria da estação 104 de Manhattan – Lower. Ganho 600 dólares por mês. E você 600 mil. Ual! Edward arqueou a sobrancelha e bebeu sua água também.
- Estuda? – perguntou acenando para o garçom. – Nós queremos uma pizza de peperoni com muito queijo. E duas cocas. – disse e dispensou com um gesto feito pelos seus dedos longos. Arrogante. Quem disse que eu queria comer pizza de peperoni? E quem disse que era Coca-Cola a bebida noite? Quem o deixou escolher por mim. Tudo bem, ele iria pagar de qualquer modo e não poderia exigir muito. Ainda assim, foi de extrema grosseria.
- Não estudo. – respondi irritada. Eu não tinha o direito de ficar irritada porque era a parte insignificante da equação, mas explique isso para meu cérebro.
- Você poderia simplificar minha vida e dizer o que faz ou perderei a noite inteira aqui. – retrucou naquele tom de voz impaciente. Minha expressão de choque foi tão grande que minha boca se abriu e ele se encolheu – Fiz de novo, não é? – falou baixo passando a mão no cabelo nervosamente.
- Eu não faço nada nessa época do ano. – respondi e ele compreendeu como se estivesse de folga ou algo do gênero. – Isso é complicado para você, não é?
- É estranho. Emmett casando com alguém como você é o mesmo que um elefante dê a luz a passarinhos. Algo está errado. – respondeu coçando a cabeça e depois me fitou pedindo desculpas, tarde demais, essa doeu. – Não que você seja feia. Muito pelo contrário, Isabella. Se me permite dizer, você é muito bonita e inteligente demais para meu irmão. – completou e fiquei sem ação.
Primeiro ri com escarnio quando usou a expressão ‘se me permite dizer’, ele simplesmente dizia o que queria. Depois fiquei congelada a mesma boca que jogou minha autoestima no lixo agora estava me dizendo que era bonita demais para Emmett. Quem no mundo era bonita demais para ele? Quer dizer, pode até existir, mas essa pessoa definitivamente não sou eu.
- Emmett é uma boa pessoa. – murmurei baixo.
- Não disse que não era. Só que ele não gosta de animais, filmes ou simplesmente literatura. Ele não consegue desenvolver nenhuma conversa do tipo.
- E o que você está querendo insinuar, Edward? – perguntei realmente irritada – Que meu noivado com Emmett é falso? – apelei para o blefe. Eu ia matar Emmett por me deixar de cara com o leão. Eu só queria um natal em companhia.
- Estou querendo dizer que Emmett está te usando para ganhar a presidência da empresa. – disse simplesmente como se fosse a coisa mais natural do universo. – Entendeu agora? Precisa ser casado para substituir meu pai e Emmett não tem o mínimo escrúpulo para fazer isto.
Fechei a minha boca e encostei a cadeira completamente perdida. Se abrisse a minha boca poderia comprometer Emmett. Bom, eu não tinha o direito de me doer, porque não iria casar de verdade com o grandalhão. Era só uma mentira. Edward parecia fielmente acreditar nessa besteira – que graças a Deus não tinha a ver – e estava frenético com isto.
Foi então que a ficha caiu. Edward e Emmett não se davam bem porque disputavam o mesmo cargo, que era do pai deles e que provavelmente pela idade estava se aposentando. Ele não gostava de mim porque Emmett supostamente estava muito mais perto de conseguir ser o novo CEO da empresa porque tinha uma noiva. A famosa que seria apresentada no natal. Era essa a pressão psicológica que Emmett vinha reclamando nas ultimas semanas. Tudo por um cargo.
E minha intuição dizia que Edward só tinha voltado da Inglaterra para também ter essa chance. Já que Alice aos 17 anos não podia concorrer. Fiquei terrivelmente chateada que dois irmãos não se dessem bem por causa de dinheiro. E eu nem família tinha! Um irmão no qual brigar e fazer as pazes. Senti uma tremenda vontade de chorar... Eu já estava chorando e por isso levantei da mesa rapidamente, puxei meu casaco no corpo e sai de dentro do restaurante.
Meu peito parecia que ia explodir. Não estava acreditando que poderia existir tanto egoísmo. Tudo que mais almejava na minha maldita vida era ter alguém para compartilhar alegrias e tristezas. Era chegar a casa e ter uma família para cozinhar, rir e conversar e estava no meio de dois irmãos que mal se falavam por uma empresa? Por dinheiro? Eu sei que eu não tinha dinheiro algum e poderia não compreender a importância desse tipo de coisa, mas isso não deixava de me magoar.
Atravessei a rua rapidamente e fui impedida de seguir adiante quando uma mão grande puxou meu braço. Virei-me tão rapidamente que me choquei contra o corpo de Edward.
- Não foi muito educado da sua parte sair assim. – resmungou me ajudando a equilibrar. Ele olhou para meus olhos e secou uma lágrima com a ponta do dedo. – Desculpe. Não quis te magoar, só falar a verdade. – completou docemente e isso me enervou mais ainda.
- Não me peça mais desculpas. Não fale mais comigo. Você está errado. – acusei batendo com a ponta dos dedos no peitoral dele – Emmett é altamente capaz de gostar de alguém. De correr atrás e mostrar seu amor. Querer casar por amor e não dinheiro. Ele não é egoísta como você!
Claro que não estava referindo a seu amor por mim porque não existia. Abusadamente joguei traços do que ele fez por Rosalie no meio. Edward nunca iria saber, de qualquer modo.
- Essa ideia não vai dar certo. Deixe-me ir embora, Edward. Estou zangada com você. – resmunguei soltando meu braço do seu aperto.
- Zangada? – ele riu – Quem usa esse termo hoje em dia?
- Alguém não tão grosso e estupido como você. – retruquei dando as costas. Eu estava muito irritada, ia ligar para Emmett e tirar essa história a limpo, mesmo não sendo da minha conta, precisava falar mal de Edward com alguém.
- Eu passo para te buscar amanhã cedo. Compras de natal. – gritou animado e continuei andando sem me importar em virar pra trás. Se fizesse isso seria uma tremenda má educada e daria meu dedo do meio a ele.
Emmett ficou rindo conforme esbravejava no telefone. Ele disse que Edward muito obcecado com o trabalho e a empresa. E também me garantiu que não pediu Rosalie em casamento por causa disso, mas que me pediu em casamento por isso. Só para se divertir as custas do desespero de Edward. Não preciso dizer que fiquei com mais raiva ainda, mas foi impossível não rir conforme Emmett ia listando os motivos de suas diversões.
No fundo, eu percebi que ele só queria ter seu irmão por perto. Acho que Emmett sentia falta de algum momento – se é que existiu – em que ele e seu irmão caçula eram apenas amigos. Inevitavelmente me vi na hora de dormir formulando uma maneira de fazer Edward enxergar que Emmett precisava dele como irmão e não como inimigo.
Quem eu estava querendo enganar? Eu não chegaria mais perto de Edward e parte de mim ficou triste com isso.
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