Broken

4 Save Me


Notas iniciais
É importante que você ouça musica antes de ler :p

Música: Save Me — Hanson

Eu dormi com dor de cabeça de tanto pensar. Acordei com o porteiro avisando que Alice subia juntamente com Edward. Corri para o banheiro, pulando Max que se enroscava na minha perna com fome. Ele queria sua ração como toda manhã, mas peraí meu bichano, há um homem bonito chegando e não quero que ele me pegue de cabelos despenteados e hálito matinal.

Rapidamente puxei uma calça jeans, sapatilhas, blusa branca com uns babados estranhos e escovei os dentes. Despejei a comida de Max no pote e ele rapidamente me ignorou. Adoro gatos. A campainha tocou e Alice estava exultante sorridente e Edward emburrado novamente esquecendo o dedo na campainha.

- Bom dia cunhadinha. Preparada? Temos tanto a fazer... – puxou-me pela mão tirando a chave da minha mão e trancando a porta do apartamento de Emmett. Edward não se preocupou em falar comigo e eu também não. – Será mágico ter um natal família depois de tanto tempo. E nós precisamos nos reunir para planejar o casamento de vocês.

Alice foi falando o caminho inteiro. Ela ia a frente gesticulando animada, contando detalhadamente seus planos para a grande festa no Empire Manhattan, a ceia familiar, a manhã de natal e a troca de presentes. Expressou sua felicidade e não respirou. Tive que reparar se ela respirava ou tinha uma técnica muito sinistra de falar disparadamente sem parar. Ao mesmo tempo em que era assustador, era fofo.

Edward estava ao meu lado e volte meia sentia seu corpo encostar-se ao meu. Fiquei me repreendendo toda vez que sorria ao sentir seu cheiro ou simplesmente arrepiava quando encostava-se a mim. Alice comprou inúmeros vestidos, sapatos e acessórios. Escolheu seus presentes e me ajudou a escolher alguns – ok, ela escolheu, pagou e assinou meu nome. O celular dela tocou e percebi ser Jasper, porque estranhamente ficou calma, tranquila e respirando.

Minha expressão ficou tão em choque que Edward acenou concordando.

- Incrível, não é? – sussurrou para ela não ouvir e pela primeira vez no dia sorrimos um para o outro. Se não me engano, foi a primeira vez que sorrimos sem antes discutir.

- Jasper precisa da minha ajuda, então Bella você vai ajudar a Edward comprar os presentes da família. Capriche no meu. – deu um beijo na bochecha do irmão e saiu, mandando seu funcionário pegar suas milhares de sacolas.

Fiquei parada no meio da loja sem ação. Chocada com a rapidez dela e puta da vida por estar novamente sozinha com Edward.

- Não precisamos fazer isso. Ligo para minha assistente e peço que compre todos os presentes. – disse-me coçando a cabeça, bagunçando ainda mais seus cabelos.

Uma pessoa normal com raiva de Edward diria ótimo. Daria as costas e iria embora. Uma pessoa como eu, sorriu e negou.

- Não. Você precisa escolher pessoalmente os presentes. Esta é a magia do natal. – respondi e ele sorriu torto.

- Você acredita em papai noel? – perguntou-me incrédulo.

- Eu sei que não existe, mas gosto de acreditar. – dei os ombros. – Vamos lá, Edward. Mostre seu lado familiar... Quem vai ser primeiro? – perguntei animada e ele bufou.

- Minha mãe. – respondeu baixo saindo da loja comigo – Pelo menos ela fala menos que Alice. – murmurou

- Eu ouvi isso.

Nós andamos o shopping inteiro e eu realmente não podia opinar muito porque não conhecia Esme, mas podia olhar bem sua beleza de perto. Do nada que o conhecia, podia dizer que ele não estava achando nada divertido não encontrar um presente para sua mãe, mas o modo que seus cabelos ficavam cada vez mais desalinhados conforme ele passava a mão irritado era completamente adorável. Eu estava começando a ficar insuportável com esses adoráveis.

Depois de rodar mais algumas lojas, ele bufou e encostou a cabeça na vitrine e nos seus lábios se formou um bico formidável.

- Isso não está dando certo. – resmungou – Tânia saberia fazer isso com mais rapidez do que eu.

- Tânia é sua namorada? – perguntei insegura e sentindo uma pontinha de ciúmes. Se ela era alguém especial para ele, significava que Edward sabia ser gentil com alguém. E esse alguém não era eu.

- Não. – riu sem humor – É a minha assistente. Ela é como Victória para Emmett. É só mandar, que elas fazem. – deu os ombros. Grosso.

- E elas são filhas de Esme e Carlisle? – perguntei cruzando os braços.

- Não. – revirou os olhos

- Então você vai escolher os presentes da sua família. – ordenei e ele ficou completamente surpreso. – Anda. Mexa-se Edward Cullen. Você é capaz de disputar a tapas uma presidência, mas é incapaz de fazer algo pela sua família? – perguntei abusadamente já me preparando para levar um fora. Para minha absoluta surpresa, não aconteceu.

- Eles têm tudo. Nós temos tudo. O que poderia comprar que fizesse a diferença? – argumentou mostrando pela primeira vez sua fraqueza.

- Ninguém tem tudo, Edward. – suspirei e ele olhou ao redor. – Vamos por partes, ok? Que tal lembrar momentos da sua infância. Uma coisa que sua mãe fazia com vocês e hoje é impossível porque são grandes e trabalham... Algo que invoque valor emocional. – completei e ele pareceu ligeiramente animado – Vem comigo. Nós vamos encontrar. – estendi minha mão e hesitantemente pegou e pela primeira vez me seguiu sem discutir ou atacar.

Família era o ponto fraco de Edward Cullen. Quem diria que nós dois teríamos mais uma coisa em comum. Edward acabou me contando muitas coisas de sua infância com seus irmãos e eu realmente me acabei de tanto rir quando falou coisas de Emmett e Alice. Foi mais fácil encontrar e montar presentes que pudesse fazer o natal deles diferente. Já era de tarde quando finalmente compramos tudo e já estávamos andando do lado do outro sem dar briga. E pelo brilho animado do seu olhar, tinha acertado em minhas escolhas.

- Isso foi incrível. Jamais pensaria algo do gênero. – sorriu – Acho que nós devemos comer algo. – completou colocando a mão na parte inferior das minhas costas e me conduziu até a praça de alimentação, onde tinha uma cantina italiana. Eu sorri aprovando e ele pareceu ficar mais relaxado.

- Pizza de quatro queijos. – pedi e ele sorriu – O que foi?

- Ontem eu pedi peperoni para te irritar. – deu os ombros e como uma criança, dei língua de volta – O quê? Eu estava chateado.

- E agora viu que nada tenho com isso? – perguntei debruçando-me na mesa.

- O que tiver que ser, será. Talvez eu volte para Inglaterra e siga a minha vida. – respondeu-me servindo Coca-Cola para nós dois.

Fiquei em silencio tentando entender porque fiquei tão triste quando mencionou que iria embora novamente. Talvez, só talvez estivesse sentindo aquela minha normal tristeza de pessoas que eu gosto indo embora, mas eu não gostava de Edward para me importar com isso. E mesmo que ficasse, depois do natal eu nunca mais o veria. Não fazia diferença pra mim. Engoli minha presunção e dei um meio sorriso de volta.

- Como foram os outros natais de sua vida? – perguntou-me de repente. – Digo, não conte se quiser... É só que...

- Tudo bem. – cortei rindo do seu nervosismo. – Foram bem acompanhados por Max.

Quando Tio Billy ainda era vivo, ele ia passar seu feriado natalino com seus filhos no Broonx. Então, sempre recolhi a minha insignificância em ficar sozinha, olhando a neve cair e cear com uma arvore velha. Depois de um tempo passei a contar história pra mim mesma e adormecer no chão da sala para que no dia seguinte pudesse abrir presentes – de mim mesma para mim mesma. De um todo, não era tão ruim.

- Os últimos três anos tenho passado sozinho no escritório. Não gostei de ficar sozinho. Ninguém nasceu para ficar sozinho. – comentou baixo e quase ri.

Eu nasci, Edward.

- Por que nunca voltou antes? – perguntei cortando um pedaço do queijo para não parecer desesperadamente curiosa como estava.

- Foi ficando complicado. – deu os ombros.

- Pelo menos sua irmã está feliz com todos em casa. – completei tentando aliviar a tensão. Edward abriu um sorriso e acertei em cheio.

- Alice é a minha caçulinha e merece isto. – sorriu e resolvi dar fim naquele tipo de assunto.

Eventualmente sugeri o tempo como um assunto em pauta e nós compartilhamos que não gostamos da chuva e o sol faz muito bem a saúde, mesmo que em momentos o frio torna-se agradável para o romance. Daí começamos a listar romances que foram passados no inverno e constatamos que nossa lista de livros em comum era realmente muito grande. Animado, pegou um papel e começou a escrever para não esquecermos.

Passamos a escolher atores e diretores que fossem bons para trabalharem com esse tipo de transposição midiática e ficamos rindo com as misturas muito loucas. Eu estava gostando desse lado mais calmo, engraçado, educado e carinhoso no qual passei a tarde inteira junto. Nós voltamos para casa e minha barriga continuava a doer de tanto que rimos. Ele não perguntou da minha família e fiquei bem com isso, não precisava de motivos para simplesmente acabar com o clima.

- Foi muito divertido, Isabella. – sorriu deixando-me na porta do prédio de Emmett.

- Só Bella. – corrigi e ele me fitou confuso.

- Seu nome é muito bonito para um apelido... Embora esse combine mais com você. – beijou-me na bochecha e saiu andando pela calçada vazia segurando as sacolas de compras. Edward tinha um poder de congelar minhas pernas e mentalmente fiquei repetindo a cena dos seus lábios macios tocarem minha pele, enquanto sentia esse mesmo local queimar.

Um enorme sorriso abriu em meus lábios e entrei no prédio correndo esbaforida. Pela primeira vez na minha vida estava tendo uma reação estritamente adolescente e isso era tão gostoso. Ninguém nunca tinha me beijado. Não um homem que não fosse meu tio. Nenhum homem, muito menos como Edward, havia me beijado.

Entrei no apartamento ainda rindo bobamente e dei de cara com Carlisle passando por mim com meu pote de biscoitos. Emmett estava no sofá sorrindo olhando em direção ao pai e o pote e sorriu mais ainda quando me viu. Esme estava do outro lado falando ao telefone mais baixo. Victória tinha seu computador no colo e um bloco de anotações, a me ver, deu aquele seu sorriso genuíno e voltou a digitar freneticamente.

- Resolveu voltar. – Emmett implicou piscando um pouco – Isso está muito bom

- Natal merece biscoitos caseiros. – dei os ombros sentando-me ao seu lado. Carlisle sorriu pra mim, mas percebi que não falou por estar com a boca ocupada.

- Como foram as compras? – Emmett cutucou meu ombro com o seu ombro enfaixado. Meu sorriso abriu involuntariamente enorme – Divertiu, é?

- Agradável. – mordi os lábios piscando um pouquinho e ele gargalhou. – E você? Como foi o último dia lá?

- Descanso absoluto. – murchou um pouquinho. – Bom que tenho muitos jogos. – deu os ombros e Max pulou no colo de Emmett. Fiquei extremamente temerosa quando vi a cena, mas relaxei a ver Emmett brincar com ele. – Não irei a festa de Natal no Empire. Ficarei direto em casa só para a ceia com Max, não é parceiro?

- Se Edward ver você socializando com outro animal, vai ficar realmente enfurecido. – Esme comentou sentando ao meu lado. – Como vai querida?

- Muito bem. – respondi devolvendo seu sorriso amável – O que você aprontou com se irmão?

- O que te faz pensar que aprontei alguma coisa? – retrucou fingindo estar ofendido.

- Porque você é Emmett. – acusei cerrando os olhos e ele riu.

- Sem querer matei o gato que ele havia dado a Alice. – respondeu a rapidamente tirei Max do seu colo. – Eu deixei minha garrafa de Vodca aberta, o bicho bebeu e morreu. Edward acusa que fiz de proposito.

- Sinto tanta falta do momento em que meus meninos eram unidos. – Esme comentou acariciando Max.

- Comprem um gato novo. – Victoria sorriu solucionando o problema. Fechou seu computador e pegou a bolsa. – Tudo remanejado. Até amanhã.

Victória era uma pedra de gelo em forma de secretária. Esme suspirou com seu comentário e reparei que Carlisle continuava comendo os biscoitos sem falar nada. Esme riu revirando os olhos e Emmett se esticou para pegar mais.

- Você está devidamente convidada para fazer mais no natal. – Carlisle comentou e Esme o repreendeu – O que? Faz muito tempo que não temos coisas caseiras em casa.

- Não tem problemas. Farei grandes fornadas. – sorri me sentindo extremamente feliz e útil com isso. Era algo bobo, mas importante pra mim.

Esme e Carlisle ficaram um bom tempo conversando comigo enquanto Emmett brincava de fazer Max seu companheiro no vídeo game, eles eram discretos e não perguntaram muito sobre mim. Só pude perceber que eles eram amáveis, mas tinham muitas falhas ao sentirem saudades dos meninos. Como se eles ainda fossem crianças... Tudo bem, mas como pais, eles não podiam fazer algo para que pudessem se falar?

Quando foram embora, Emmett estava rodando meu gato no chão. Quase tive uma sincope e o tirei de perto.

- Ele é de verdade, se não percebeu. – ralhei batendo nas duas mãos dele e sentei-me ao seu lado. – Passei o dia inteiro com seu irmão. – suspirei encostando a cabeça no sofá.

- Ele foi mais educado? – perguntou-me também encostando a cabeça no sofá, mas de lado para me olhar. Suspirei novamente. – Conte-me como foi, Bells. – incentivou

- Seu irmão é estranho. – comecei me sentindo como nos dias que nós simplesmente conversávamos na estação. Sem um vidro nos separando. Era só Bella e Emmett como sempre deveria ter sido – Ele me parece muito confuso com suas emoções. Hora é grosso, estupido, perdido e confuso. Hora ele é alegre, gentil, educado, bonito... Não que quando ele assume sua outra personalidade seja feio, mas, fica atraentemente sombrio. – suspirei ajeitando meu cabelo – Ele é complicado com vocês. Falar da família é um território explosivo. Nunca dá pra saber qual será a sua reação... Ao mesmo tempo em que ele quer proteger, como acha que quero seu dinheiro, ele sente o desejo de repelir. – completei

- Desde que nós brigamos pela empresa, ele foi embora e se manteve distante. Isso chateou tanto Alice e minha mãe, mas Edward é teimoso demais. Todos nós somos... Não que faça questão da empresa, mas ele não podia continuar tão obcecado. – comentou suspirando fitando o teto – Isso prova que ele não mudou. Quer dizer, ele veio porque Alice contou que comprou uma aliança de noivado comigo. Tudo que importa é a empresa e não os anos que se passaram sem a presença dele.

- Você também esteve fora. – acusei sentindo a necessidade de defender Edward.

- Sim. Eu não gostei de todo mundo ficar lamentando a ausência dele. Foi embora porque quis. – resmungou cruzando os braços com força e fazendo uma careta de dor.

- Vocês estão brigados por bobeira.

- Eu pensei que quando eu estivesse no meu leito de morte, lá no hospital, ele amoleceria o coração, mas tudo que fez foi irar-se por estar noivo. – retrucou

- Emm... Você não estava no leito de morte, porque você cantou todas as enfermeiras bonitas e ficou fazendo piadinhas o tempo inteiro. Não há como se compadecer. – comentei alisando seu cabelo.

- Eu acho que nós dois nunca mais seremos como antes. – suspirou – Eu sinto falta dele. – confessou mais baixo acariciando Max.

- Aproveita que ele está aqui, agora. A magia do natal, Emm. Ela deve servir para alguma coisa. – incentivei deitando minha cabeça em seu ombro.

Nós ficamos em silencio olhando para teto até tarde da noite. Ocasionalmente comentávamos algum fato esquecido do dia e sorriamos. Emmett era fácil de conviver, eu seria uma afortunada se o tivesse como irmão. Teria alguém bobo o suficiente para me fazer rir e grande o suficiente para me proteger. Um bom companheiro. Um bom ouvinte.

Tempos depois o ajudei a ir pra cama e discutimos sobre quem ficaria no sofá. Claro que venci quando disse que era pequena o suficiente e seu sofá cama era enorme pra mim. Ele não estava confortável com nosso arranjo, mas o ferido era ele, então, adormecemos em meio a promessas que amanhã ele estaria bom para brigar comigo.

Eu sorri, mas estava ansiosa para brigar com Edward novamente.

Notas finais
Edward É BIPOLAR. Brincadeira, só confuso! Meninas, eu estou sendo muito boazina em postar em dias seguidos, vocês poderiam, tipo, DEIXA REVIEW EM TODOS OS CAPÍTULOS.