Broken

5 So Close


Música: So Close – Jon McLaughlin

Emmett e eu acordamos ao mesmo tempo e fomos para a cozinha preparar o café da manhã. Eu fiz panquecas com calda de chocolates e morango. Ele torrou minha paciência por bacon, mas eu não sabia se com um ferimento recente ele poderia comer. Emmett mal poderia andar sozinho com o ombro ferido e carne de porco não era bom para cicatrizações. Esme e Carlisle chegaram de manhã bem cedo e ficaram falando animados da festa de hoje a noite.

- Alice vai mandar trazer seu vestido. – Esme comentou casualmente.

- Como? – perguntei confusa.

- Bom, Emmett não irá e irei ficar em casa com ele. Você vai com Edward representar a família. Acostume-se querida, esses eventos fazem nosso nome. – respondeu-me e Emmett me fitou preocupado quando lancei facadas a ele com meu olhar. – Será divertido.

- Imagino que sim. – disse entre dentes.

Emmett rapidamente mudou de assunto brincando com a minha mão livre que apertava a perna dele de raiva. Eu nunca tinha ido a festas antes. Imagine festas como esta... Que exige roupa de gala, postura, talheres, sorrisos, danças que não tinha a mínima ideia do que fazer. Bufei cansada e deixei que eles conversassem na sala sozinhos. Vesti um casado e inventei uma desculpa qualquer para sair um pouco.

Normalmente não tinha oportunidades para sair e tinha um lugar que sempre ia depois da escola nas férias de inverno: o parque. Lembro que tinha uma pista de gelo, ultimo lugar que meu pai me levou antes do acidente. Atravessei as ruas apressada e não demorou muito para encontrar várias crianças se divertindo com seus pais como um dia fui eu.

Charlie saia do trabalho, ia me buscar na escola e me trazia aqui. Lembrei-me do meu jeito desajeitado patinando com ele me segurando. Tinha sempre medo de cair, mas seu incentivo e confiança me deixavam tão feliz. Meu pai tinha tanta confiança no meu empenho que se me visse hoje, estaria tão desapontado. Só que eu não sabia como ser diferente. Não via razões a minha frente para ser feliz e nem como me sentir feliz. Era como um labirinto sem saída.

- Bella bonita não pode chorar em um dia tão bonito. – Edward soou atrás de mim e virei-me lentamente para olhá-lo secando as lágrimas. – Posso? – apontou para o lugar do lado do meu.

- Anda me seguindo, Cullen? – perguntei baixo chegando para o lado. Tentei soar engraçada, mas saiu uma acusação meio fanha.

- Emmett brigou com você? – perguntou preocupado.

- Não mesmo. Ele está com seus pais agora. – respondi voltando a fitar a garotinha parecida comigo. – É só um lugar especial.

- Você sabe... Que, bom, pode conversar comigo. – disse nervoso meio gaguejando daquele jeito meio grosso.

- A última vez que sai com Charlie foi aqui. Nós patinamos e dançamos no gelo juntos. – respondi sem olhá-lo – Foi perto do natal.

- Você sente muita falta deles ou simplesmente não superou? – perguntou-me cutucando o ombro levemente, ficando mais perto.

- Não superei. Não me acostumei a ser sozinha mesmo sendo sozinha. – respondi estranhamente mais confortável com ele por perto. Tão confortável ao ponto de cogitar conversar com ele sobre isso. – Faz muito tempo que não volto aqui. Nunca mais tive a oportunidade.

- Não consigo compreender... Não dói estar aqui?

- Não. Só é saudade. – respondi com novas lágrimas caíram.

- Faz muito tempo? – perguntou baixo.

- Quinze anos. – respondi em um murmúrio doído. Meu peito parecia que ia explodir. Edward me surpreendeu me puxando para o aperto do seu braço, fazendo carinhos na minhas costas e automaticamente deitei a minha cabeça em seu ombro.

Fiquei ali encostada nele chorando tudo que não havia chorado nos últimos anos. A camisa dele ficou completamente estragada com minhas lágrimas, mas ele não parecia se importar com esse detalhe. Seus olhos continuavam me analisando com cautela e pela primeira vez não vi pena. Havia um traço de compaixão, mas não pena. Talvez Edward fosse arrogante demais para sentir isso por alguém. E pela primeira vez achei um ponto positivo nessa personalidade sombria dele.

- Você confia em mim? – perguntou-me baixo.

- Não. – dei meio sorriso e seus olhos se abriram um pouco assustados. – É brincadeira. Confio.

- Espera aqui. Não se mova. – ordenou rindo e desceu os bancos sumindo de vista. Fiquei tentando procura-lo, mas simplesmente não consegui encontra-lo em lugar algum, até que voltou com dois pares de patins – Eu sempre quis dançar com alguém no gelo que não fosse Alice e agora, arrumei uma boa parceira.

Fiquei completamente sem ação até que comecei a rir. Edward me levou para a pista e me ajudou a sentar na beirada. Tirei meu tênis rapidamente e ele me ajudou a colocar os patins e com uma agilidade impressionante, colocou o seu. Fiquei mortificada de inveja. Se fizesse aquilo rápido, cairia ou me embolaria com os cadarços.

Com um toque delicado, segurou minha mão e me puxou para o centro da pista, segurando minha cintura e automaticamente coloquei minha mão no seu ombro. Nós ficamos apenas parados nos olhando...

Seus olhos. Eles eram incrivelmente verdes e brilhantes que contavam detalhadamente quem era Edward. Ele era um homem determinado com suas decisões, mas estava completamente infeliz com sua vida. Sabia que sentia saudades dos momentos com seus irmãos e podia abusadamente dizer que ele se arrependia. Talvez, todos esses anos sozinho o fez ficar assim, tão novo e tão rabugento.

Foi a primeira vez que vi algo humano centelhar em suas emoções. Seu sorriso tímido era amável, completamente doce e encantador. Talvez Edward não tivesse duas personalidades, e sim uma só, no qual ele se escondia na capa de durão, o bonzão que não sentia falta de nada que vivia em Manhattan. Ele era bom, ele sabia ser amigo, carinhoso...

Nós começamos a nos movimentar lentamente, mesmo sem musica. Encostei minha cabeça em seu peito e continuamos em silêncio. Eu ficaria feliz se Edward ficasse aqui. Ficasse com a família dele. Devolvendo a Esme mais um filho e a Emmett seu melhor amigo. Mesmo que nunca mais o visse na minha vida, eu queria que ele ficasse.

- Você deveria ficar, Edward. – sussurrei

- Eu sei... Só não sei se consigo e se vai ser boa coisa. – respondeu repousando o queixo na minha cabeça.

- Emmett sente muito a sua falta. Esme também... Eu acredito que você deva tentar. Sabe, família deve ser assim, superar as diferenças, ajudar em obstáculos e viver juntos. – suspirei – Era o que eu faria se tivesse uma família. – completei e ele me apertou ainda mais.

- Eu também sinto falta de Emmett. Nós éramos melhores amigos...

- Ele ainda é seu melhor amigo. – corrigi. – Vocês só precisam de um motivo para estar juntos... Uma situação no qual devam se ajudar. – completei e ele suspirou – Apenas tente.

- Eu não sei o que dizer... – sussurrou

- Não diga. Pense. – argumentei e deixei o silêncio reinar novamente.

Edward continuou nos movimentando em silencio até o seu celular tocar e Esme o chamar para almoçar. Ele eventualmente disse que encontrou comigo no parque e ela fez questão de expressar sua preocupação com meu sumiço. Inevitavelmente sorri por ter alguém preocupado comigo, era uma sensação de aquecer o coração. Nós seguimos para fora da pista e Edward puxou meu capuz.

- Não quero que fotografem seu rosto... – falou baixo e percebi a presença de alguns homens distantes nos fotografando.

- Obrigada pela preocupação. – agradeci e ele estendeu o braço como um verdadeiro cavalheiro.

Nós andamos perto um do outro e quando uns homens vieram correndo em minha direção, automaticamente me encolhi no canto assustada. Edward mexeu o braço e me protegeu no canto da parede, foi tão rápido que fiquei espantada com sua agilidade e seu olhar preocupado. De um jeito completamente carinhoso.

- Você sabe que irá a festa comigo hoje a noite, não sabe? – perguntou-me ajeitando meu cabelo.

- Eu não sei o que fazer com esses eventos. Eu sou um patinho desajeitado com essas coisas... – respondi baixo.

- Vai ser divertido. – disse simplesmente voltando a me puxar – Eu acho. – completou mais baixo e percebi que não pra ouvir, então, fiquei quieta.

Não queria me irritar novamente com esse assunto de por vestidos e saltos altos. Talvez Victória fosse capaz de me ajudar com isso e meu desejo de matar Emmett estava aumentando cada vez mais. Era só para fingir um noivado e não me lembro de ter eventos no meio a não ser uma ceia familiar.

- Espero que não seja desconfortável para você sair sem Emmett e comigo. – comentou no elevador.

- Nas ultimas 48 horas tenho feito isso e visto que me deixou chorar na sua camisa cara, acho que posso levar isto. – respondi rindo e ele sorriu tímido. – A proposito, o que estava fazendo no parque?

- Carlisle me levava na mesma pista quando eu era pequeno e depois eu passei levar Alice. – respondeu-me baixo.

Não perguntei mais nada porque não precisava de nenhuma resposta. Edward estava lá pelo mesmo proposito que eu: matar saudades. A diferença que ele tinha como recuperar o tempo perdido. No meu caso, era tarde demais. Estava condenada a viver sozinha. Fiquei enfurecida com ele por ter essa chance e ainda estar na duvida e percebendo meu olhar, Edward se encolheu, mas não falou nada. Muito menos assumiu aquela capa de indiferença quando está sendo agredido.

- Emmett, eu já falei que Max não é empalhado. Muito menos de pelúcia, pare de brincar com meu gato assim. – entrei no apartamento já tirando Max do seu colo. Ele estava estressado que no mínimo ficou sendo alvo de paparicos de todos eles. – Você sabe ser irritante.

- Também amo você. – retrucou puxando-me para sentar do seu lado. Acabei sorrindo e dando língua bagunçando seus cabelos. Esme e Carlisle nos observavam com sorrisos bobos e Edward sentou no sofá com a famosa capa de cavalheiro negro.

Tudo que tinha destruído durante o dia estava construído novamente. Seus olhos dançavam entre mim e Emmett. Se eu não soubesse do episodio do gato de Alice, diria que ele estava com ciúmes, mas isso seria muita presunção da minha parte.

- Almoço prontinho. – Esme anunciou sorridente e reparei um avental no seu corpo. Só ela conseguia ficar extremamente linda trajando itens culinários. – Eu ainda sei comandar a cozinha.

- Você cozinhou, mãe? – Edward perguntou com os olhos brilhando com uma surpresa divertida.

- Claro, meus filhos estão sobre o mesmo teto. Tenho todos os motivos do mundo. – respondeu. Edward abriu um sorriso tímido e eu fiz questão de olhar pra ele e sorrir. Eu estava certa. Ele acenou com a cabeça, mas quando viu a mão de Emmett puxando meu cabelo – de modo irritante – fechou a cara. Isso definitivamente ia ser muito difícil. – Alice, deixe as coisas de Bella na cama e venha almoçar conosco.

Estiquei minha mão e toquei na de Edward quando Emmett levantou e Alice pulou em suas costas. Percebi que ele ficou olhando a cena meio deslocado, então, aprofundei meu toque chamando sua atenção. Aquela expressão séria ainda não tinha se desmanchando e abri meu melhor sorriso encorajador. Seu olhar prendeu-se com o meu e ele riu debochado.

- Por que você se importa comigo? – perguntou grosseiro. Senti um tapa sendo dado em mim. – Você vai casar com meu irmão e ficar aqui. – completou entre os dentes.

- Eu me importo porque você tem uma família que te ama e não está se movendo para viver entre eles. – respondi engolindo minha voz chorosa e esboçando meu melhor tom grosseiro. Deu certo. Edward se encolheu e suspirou passando a mão no cabelo nervosamente. – É um almoço em família. Se você quiser, eu não vou. Só quero que sente naquela mesa e faça sua mãe feliz por ter os filhos em casa. – completei mais baixo me ajoelhando a sua frente. – Isso fará bem a você também.

Edward ficou olhando dentro dos meus olhos durante um bom tempo. Seu silencio estava começando a me enlouquecer, mas me mantive firme. Completamente confiante do meu ponto vista.

- Tudo bem. – suspirou levantando-se. Continuei sentada dançando internamente pela minha vitória e ele esticou a mão pra mim. – Eu não vou sem você. – disse confiante e aproveite para tocá-lo novamente, sentindo aquela deliciosa eletricidade que provava somente pra mim que Edward era diferente.

Havia dois lugares vagos. Um entre Emmett e Carlisle e outro entre Esme e Alice. Aproveitando que era pequena o suficiente para passar por debaixo do seu braço, me sentei entre as meninas. Edward me olhou de soslaio e encolhi meus ombros inocentes. Com uma expressão estranhamente sem graça, sentou do lado do pai e do irmão. Sibilei um ‘Vai em frente’ e ele sorriu entrando meio sem jeito na conversa.

Emmett piscou pra mim e deu créditos ao que ele estava falando. Esme afagou minha mão e me deu aquele olhar agradecido. Automaticamente ruborizei concentrando-me em me servir, sem partilhar muito das conversas, só se eles me incluíssem. Eu já estava feliz por estar ali. Mesmo eles não sendo minha família de verdade.

Alice me arrastou para o quarto quando Victória chegou para me ajudar a me arrumar. Edward foi embora logo depois e nós desenvolvemos uma conversa silenciosa, porque pelo seu olhar eu soube que ele agradeceu pelo almoço, no qual ele muitas vezes ficou vermelho de tanto rir com Emmett. Foi emocionante vê-los interagindo e eu nem os conhecia a vida inteira para saber que ambos se completavam como irmãos devem se completar.

Esme ficou ajudando Emmett e verificar suas ataduras e foi engraçado ouvir seus gritos e choramingos. O homem levou um tiro no ombro, riu o tempo inteiro, mas não conseguia aplicar o remédio porque ardia. Ele definitivamente era incomum. Victória andou no closet comigo de saltos altos, dando uma rápida aula e tentei com todas as minhas forças argumentar meus motivos de não ir, mas quando ela ia responder, Alice entrou no quarto e o assunto teve que ser mudado.

(http://www.polyvore.com/brokenbs/set?id=33395250)

Eu não me dei por vencida até me ver no espelho e dizer ual pra mim mesma. O vestido era vermelho vivo como sangue e bem natalino. Eu tinha um decote bem modesto e fiquei surpresa com meus próprios seios e como eram bonitos. Victória tinha trançado meu cabelo, deixando uns fios soltos caindo sobre meu rosto, com uma maquiagem leve acompanhada de um batom da mesma tonalidade do vestido. Alice me entregou uma carteira e sorriu.

- Você tem uma beleza diferente. É tão rara... Está tão linda. – comentou emocionada. – Quando crescer, quero saber ser simples e bonita como você. – completou e meus olhos lacrimejaram. – Não chore. – sorriu dando-me um beijo saindo do quarto rodopiando.

- Você como uma mulher deve acreditar mais em si mesma. Você é muito bonita para o seu próprio bem. Aproveite a noite. – sorriu saindo do quarto.

Fiquei parada admirando a mim mesma durante um bom tempo até ver Emmett pelo reflexo entrando no quarto com um sorriso bobo nos lábios. Claro que ele tinha que abrir a boca.

- Espero que Edward veja bem você hoje. – comentou parando do meu lado. Prendi minha respiração nervosa e ele gargalhou mais ainda – Eu sou palhaço e não burro.

- Está tão obvio assim? – perguntei baixo.

- Não. Eu só fico de olho nas coisas. Meus pais estão felizes demais por ele estar de volta que não prestam atenção em mais nada. – retrucou rindo. A campainha tocou e nós rimos um ao outro – Me prometa que esta noite você vai se divertir e esquecer-se de tudo.

- Prometo. – sussurrei emocionada abraçando-o.

- Edward chegou. – Victória anunciou na porta do quarto. Nós saímos juntos e fiquei ainda mais embasbacada com a beleza dele. Seu smoking foi feito no corpo para estar tão perfeitamente bem.

Seus olhos se abriram mais quando entrei em seu campo de visão e nós ficamos em silencio, olhando um para o outro. Ele tinha um misto de surpresa, diversão e admiração no olhar. Seus lábios se curvaram em um sorriso torto adoravelmente encantador. Victória limpou a garganta tirando-nos do transe. Edward ficou ligeiramente ruborizado e esticou a caixinha de veludo que estava em sua mão.

- Emmett espero que não se incomode com isto. – abriu a caixinha e revelou um lindo colar com dois corações. Eu sabia que aquilo era muito caro. Provavelmente diamantes e ouro branco. – É para complementar o vestido e meu presente de natal. – completou meio gaguejando.

Eu arfei, é claro. Era lindo demais. Embora não pudesse aceitar...

- É claro que Bella irá aceitar. – Emmett empurrou-me pra frente – Isso a deixará mais bonita. – terminou de me empurrar até Edward. – E com isso eu não me importo. – sorriu dando-me um beijo na bochecha – Nós nos veremos mais tarde na ceia em casa.

Lentamente virei-me de costas para Edward e permiti que seus dedos compridos – que estavam gelados – tocar minha pele completamente nua. Involuntariamente me arrepiei, não pelo gelo, mas porque era o seu toque. O toque me fazia sentir completamente diferente. Fazia-me sentir uma única mulher importante do mundo.

- Perfeito. – Edward soou com a voz embargada – Podemos? – esticou o braço e o aceitei, acenado para Emmett e Victória.

- Obrigada. – sussurrei no elevador.

A festa estava completamente lotada de gente bonita. Tive que controlar minhas emoções para simplesmente não expressar minha admiração e surpresa com tudo aquilo. Edward mantinha o braço me apoiando, mas durante nossa vinda ficamos apenas em silencio constrangedor. Ele estava bonito demais para que falasse sem babar.

Edward cumprimentou muitas pessoas e eu reparei que ele somente me apresentou pelo nome, sem dar referencias do meu relacionamento com seu irmão. Essa atitude só encheu mais minhas expectativas que assim como eu, ele também sentia algo muito mais que uma amizade confusa.

Eventualmente sentamos em uma mesa sozinhos. Meus olhos se perderam nos lustres, nos vestidos, nos homens bem vestidos e nas mulheres também. Pela primeira vez eu me senti a altura de alguém. Eu não parecia – fisicamente falando – inferior a nenhuma daquelas mulheres presentes. Eu gostei disso e acabei sorrindo. Olhei para Edward e ele também sorria comigo e pra mim.

- Edward! – uma loira morango aproximou-se com seu vestido preto coladíssimo ao corpo e cabelos esvoaçantes. – Finalmente te encontrei. – comentou com os olhos pousando em mim. Ela me analisou milimetricamente antes de voltar sua atenção a Edward. – Como nós não viemos juntos como o combinado inicial – continuou olhando-me acidamente – Não deu tempo de avisar que o governador não estará presente, então, o evento desta noite está falho.

- É uma pena... – Edward suspirou, mas depois deu os ombros – Você pode ir embora agora, Tânia. Vou aproveitar a festa mais um pouco. – respondeu secamente não olhando-a.

A banda estava posicionada e começou a tocar uma música bem lenta. Edward levantou calmamente e esticou as mãos pra mim.

- Dance comigo, senhorita?

- Claro. – sorri boba e minhas costas queimaram com o olhar cortante de Tânia.

Edward me arrastou para a pista de dança e nos posicionou bem no centro. Do meu ombro, sua mão desceu lentamente pelas minhas costas deixando rastros de fogo, parando na parte inferior da mesma. Nós começamos a nos movimentar de acordo com o ritmo suave da musica. Sua letra era intensa. Era nossa.

How could I face the faceless days

If I should lose you now?

We're so close

To reaching that famous happy end

Almost believing this was not pretend

Let's go on dreaming for we know we are

So close

So close

And still so far

Pelo salto alto, meu rosto estava quase na altura do seu, então, colei minha bochecha na sua e me deixei levar pelo aquele momento de finalmente me sentir no meu lugar no mundo. Eu não queria acreditar que aquela sensação de estar em paz, em casa e feliz era proporcionada pelos braços firmes de Edward envolto a mim. Eu não podia aceitar que estava desejando-o mais que um amigo. Eu não podia acreditar que estava apaixonada por Edward. Nós não pertencíamos ao mesmo mundo.

Seus lábios tocaram minha pele gentilmente enquanto rodopiávamos no centro. Meu coração tão acelerado com a proximidade cantava sua própria música. Seu cheiro me envolvia em um mundo particular. Seu toque me fazia única. Seu sorriso era como a minha gravidade. Abri bem olhos e olhei profundamente para os dele completamente perdida. Eu queria encontrar a resposta ali... A minha maior surpresa foi encontrar a mesma pergunta.

Quando a música deu seu ultimo acorde, Edward colou seus lábios na minha testa e deu um longo e profundo beijo dolorido que fez meu coração se despedaçar ainda mais. Descendo a mão do meu ombro até a minha mão, me soltou conduzindo-me lentamente até a saída. Eu senti seu dedo brincando com a aliança de Rosalie que estava no meu dedo. Era como se ele estivesse respondendo a nossa pergunta.

Para ele, era o único impedimento. Pra mim, o mundo inteiro.

Tânia estava em pé na saída e me olhou novamente com se me conhecesse de algum lugar. Eu realmente não me importei, seria impossível nessa terra frequentarmos o mesmo local.

- Edward! Espere um minuto. – chamou e ele colocou seu casaco sobre meus ombros. Seu olhar foi duro, mas ela pareceu não se incomodar com isso. – Só duas palavras.

- Eu espero no carro. – falei baixo descendo as escadas e o gentil bonito motorista de Edward me estendeu a mão para ajudar. Sorri extremamente agradecida.

De dentro do carro observei Edward conversar com Tânia gesticulando irritado e depois desceu as escadas como quem não quisesse ouvir o que ela tinha a dizer. Ao contrário da ida, ele sentou bem ao meu lado e inclinei minha cabeça para deitar em seu ombro. Meu peito parecia tremer com a intensidade da energia que emanava entre nós dois.

Agora eu tinha absoluta certeza que essa experiência natalina ia tirar um pedaço de mim que não teria reparo. Ao voltar para minha vida não poderia dizer que foi um sonho. Porque ia doer muito esquecer que um dia, cheguei perto de um homem como Edward e o deixei ir. Não havia de maneira alguma possibilidades de contar a ele a verdade.

Eu não podia fazer isto por Emmett. Eu não poderia suportar o desprezo de Edward quando soubesse que era a menina da bilheteria da estação 104 de Manhattan – Lower. Que tinha uma condição de vida extremamente inferior a dele. O choro estava se formando na minha garganta e só engoli quando vi Emmett sentado abrindo um enorme sorriso ao ver Edward chegar para a ceia de família.

Esme estava emocionada por ter todos em casa e vi meus biscoitos em uma enorme vasilha bem perto de Carlisle. Alice tinha Jasper ao seu lado, sentados aos pés dos seus irmãos. Eles estavam bem agora. Todos eles. E ninguém ali realmente precisava de mim. Não mais.

Emmett já tinha conseguido que Edward ficasse para o natal. Edward já estava melhor com sua família e todo resto já se sentia completos. A realidade da situação me tomou como um soco no meio rosto. Aquela não era a minha família, a brincadeira tinha chegado ao fim pra mim.

- Bella, tem roupa pra você lá no meu quarto. É só virar na escada e tem meu nome na porta. – Alice gritou do centro da sala e dei meu sorriso simpático de volta. Se eu me aproximasse mais iria chorar. Encontrei um bloco no corredor e escrevi: Feliz Natal.

Dei dois passos pra trás e saí conforme eles conversavam entretidos pela presença de Edward ali. Desci as escadas da casa deles rapidamente e deixei que o frio do natal chicoteasse meu rosto enquanto caminhava para casa de Emmett.

Percebi que havia mais uma coisa a se fazer. Peguei o telefone e liguei sem hesitar esperando que a pessoa do outro lado do mundo me atendesse disposta para ouvir. Deixei em cima da mesa o colar que Edward havia me dado ao lado do anel de noivado com um bilhete a Emmett.

“Coloque este anel na mão da verdadeira dona. Não se preocupe, quando for a hora, ela irá aparecer. Eu gosto muito de você, Emmett. Cuide do seu irmão.”

Eu fiz tudo errado novamente. Eu estraguei mais um natal da minha vida porque me apaixonei por Edward. Já não importava se ele ia ficar ou ia embora. Se ele seria o mais novo CEO da empresa ou não. Importava é que meu coração doía porque ele não iria ficar comigo. Simplesmente porque a Isabella Swan criada no dia do assalto pela Victória não existia.

Existia aquela que na noite do dia 24 de dezembro, estava saindo com seu gato e as coisas dele de volta para a vida escura e fria na casa que pertenceu aos seus pais. Aquela que tinha um emprego qualquer e ganhava um salário qualquer. Que vivia um dia de cada vez sem mais nada. Sem mais ninguém. Condenada a solidão.

Notas finais
ahahahaha vocês estão me enviadando com isso, maaaaaas, continuem deixando mtas reviews, pq eu sei que tem um monte de gente que lê isso aqui u.u

Bellinha foi embora mesmo! É isso. Joguem pedra agora.