Broken
6 Broken
Notas iniciais
Música: Broken — Evanescence
Fazia muito tempo que não sentia aquela sensação de estar em paz comigo mesmo. Muito tempo que eu não me sentia feliz perto da minha família e em sete dias tudo mudou. Mudou porque encontrei alguém tão proibido e tão bom que me deu paz. Esse alguém era a noiva do meu irmão.
Bella era diferente de todas as mulheres que eu conheci na vida. Ela não fazia o mínimo estilo de Emmett porque era completamente tímida, reservada, extremamente inteligente e com um ar de inocência, pureza que alguém tão ogro como Emmett seria incapaz de reconhecer. Ela era perfeita. Ela era a mulher que sempre desejei conhecer que havia prometido a mim mesmo que quando conhecesse, seria pra mim.
Eu tentei afastar esses pensamentos sendo frio, distante e irritado. Estava chateado com a possibilidade de Emmett estar fazendo isso para conseguir ser o presidente da empresa. Não que ele quisesse ser, mas só porque eu queria isso, era bem capaz dele se autopromover. Os dias foram passando e ela sempre tão presente a mim. Presente com sua graça e charme. Presente com suas emoções não escondidas e seu olhar revelador.
Ela tinha o cheiro que me encantava, o sorriso que me fascinava e o toque me hipnotizava. Só que era proibida. Era comprometida com alguém tão próximo e tão distante de mim. Meu irmão, que um dia foi meu melhor amigo. Que ainda era meu melhor amigo. Eu sentia tanta falta de Emmett e suas idiotices que me atrair pela sua noiva não seria uma boa maneira de nos reaproximar... Que só consegui entender e compreender quando a vi chorar no parque.
Bella não tinha ninguém. Eu tinha todos. Ela me fez entender o quão burro e estupido estava sendo por causa de uma herança que por direito não era só minha. E independente disso, ele era meu irmão. A pessoa que ficou do meu lado na alegria e na tristeza durante toda minha vida.
Minha mãe estava exultante e não queria esconder de ninguém a sua felicidade de ter todos em casa no natal. Essa data sempre foi importante que por mais que papai sempre tivesse seus compromissos na empresa, o natal era nosso momento de família. Alice sendo 10 anos mais nova que eu acreditava nessa magia de estar em família. Ela era a nossa princesinha que mais sofreu com toda separação. Tudo era minha culpa que agora estava quase inexistente por todos estarmos sentados juntos rindo. E o nosso mais novo elemento.
- Cadê Bella? – perguntei olhando ao meu redor.
- Ela subiu para trocar de roupa, mas irei vê-la. Está demorando. – Alice respondeu e a campainha tocou no mesmo momento. Emmett tentou levantar com a expressão preocupada.
- Tânia? O que faz aqui? – minha mãe perguntou não escondendo seu desprezo pela minha assistente. Já cansei de dizer que não a contratei por amizade e sim por eficiência. Se ela era legal ou não, pouco me importava.
- Vim ver se a menina da bilheteria ainda está aqui. – respondeu rindo e olhando para Emmett. – Golpe baixo Emmett. Contratar a pobretona da bilheteria para concorrer o cargo com seu irmão.
- O que você está acusando meu irmão, Tânia? – perguntei duramente e ela como era abusada, não se encolheu. – Explique-se.
- Bella foi embora! – Alice chiou descendo as escadas com o papel na mão. – Emmett, o que você fez para Bella ir embora em plena noite de natal sem dar tchau?
- Conte a sua família quem é ela. – Tânia soltou venenosa.
- Eu quero que você saia da minha casa agora, Tânia. – Emmett ordenou de um jeito que eu nunca tinha visto. Todos se encolheram, inclusive ela. – Saia. Agora.
Minha mente estava confusa quando Tânia bateu a porta assinando sua demissão. Ninguém faz a casa dos meus pais o quintal da sogra.
- Explica, Emmett! – Alice gritou angustiada. – Está muito frio lá fora.
- Que história é essa? – perguntei me sentindo zonzo. Emmett suspirou e sentou no sofá mexendo no celular.
- Victória, suba no meu apartamento e verifique se Bella está por lá. Aguardo sua resposta rapidamente. – falou seco voltando a nos fitar. – Bella não é minha noiva, de verdade.
- Pula essa parte que já sabemos. – meu pai ordenou – Eu quero saber onde ela está agora. É natal, está frio...
- Como assim já sabiam? – perguntou confuso.
- Ela não tem nada a ver com você, Emm. – minha mãe completou rindo. – Vocês agiam como irmão, amigos. E não como noivos e nós sabemos como você é com uma namorada.
- Então é verdade? Você a contratou para conseguir o cargo na empresa? Você jogou esse golpe baixo, Emmett? – perguntei enfurecido.
- Não! – gritou de volta. – Senta aí e abaixa seu tom de voz que ainda sou seu irmão mais velho. – ordenou novamente naquele tom de voz seco que me fez sentar. – Porra! Você é estupido mesmo, não é? Eu fingi que estava noivo para te fazer ficar até o natal. – revirou os olhos irritado — Na verdade, planejava realmente estar noivo, não pelo cargo porque não me importo com isso, mas porque tem 1 ano que vejo alguém que não me quis. Ela disse que não queria casar comigo... Enfim, Bella é sim a menina da bilheteria. – sorriu torto
– Ela é incrível. Tem um bom tempo que nós conversamos, brincamos, compartilhamos algumas coisas. Sempre me incomodei porque ela nunca sorria e puxei assunto. – deu os ombros – Ela estava do meu lado quando fiquei ferido. Era o segundo natal que eu vi que ela iria passar sozinha então propus isso. Se ela fingisse ser minha noiva para trazer Edward e nós passaríamos o natal todos juntos.
Minha boca abriu e fechou várias vezes tentando processar as informações que ele havia me dado. Então, era tudo mentira...
Meu irmão idiota havia bolado um plano ridículo para me fazer voltar pra casa. Teria sido mais inteligente se eu não tivesse ligeiramente atraído pela mulher que ele usou para ser sua noiva. A mulher que tinha encantado minha família a tal ponto que eles não estavam se importando com a mentira. E eu era tão desprezível. Era tudo verdade. Eu só tinha permanecido porque ele estava noivo e eu senti medo. Ameaçado de perder a empresa e também perder meu irmão, porque ele estando bem com uma mulher que o completasse, que serventia eu teria?
Eu era tão pateticamente mimado que tratei todos tão mal que eles sentiam tanta a minha falta como eu sentia deles. O celular de Emmett tocou tirando o silencio da sala.
- Ela deixou um bilhete e todas as coisas? – perguntou chateado. – Eu quero ir lá agora. Por que não? E quem te garante isso? – perguntou irritado discutindo com Victória. – Certo. Você tem toda razão.
- Ela está bem? – minha mãe perguntou
- Não sei. – respondeu
- Devemos ir atrás dela? – Jasper perguntou se manifestando pela primeira vez.
- Não nenhum de nós. Só alguém. – Emmett respondeu me olhando e abaixei a cabeça.
Eu abaixei minha cabeça desanimado tentando reorganizar meus pensamentos, minha vida. Eu já sabia o que fazer. O que devia fazer...
- Eu vou ficar. – disse baixo.
- Hã? – Alice chiou
- Eu vou ficar em casa. Não quero mais morar na Inglaterra. Quero ficar em casa. – respondi e senti os braços da minha mãe em mim.
- Nós sabemos querido. Seja bem vindo de volta ao nosso lar. – sussurrou baixo me dando um beijo leve – Agora nós vamos cear como deveríamos ter feito no último ano.
- E quanto a Bella? – Alice perguntou amuada me lançando seu olhar maligno.
- Vai chegar o tempo certo. – Meu pai respondeu pegando a mão dela, conduzindo até a mesa com Jasper.
Eu e Emmett ficamos olhando um para o outro durante um bom tempo, até que ele se levantou e sorriu.
- Vem aqui moleque. – chamou-me do mesmo jeito que fazia comigo quando éramos menores. Atravessei a sala e abracei meu irmão. Meu melhor amigo. – Eu senti sua falta.
- Eu também. Desculpe.
- Agora me solta. – empurrou-me rindo – A próxima vez que gritar comigo, eu vou te dar muita porrada. – bateu na minha nuca indo até a mesa.
Nós ceamos naquela noite como fazíamos desde pequeno, foi difícil empurrar o sentimento que ela estava fazendo falta, mas eu me recusava a pensar em Bella naquele momento. Eu queria sentir ódio dela saber os meus desejos e fraquezas e ainda assim, continuou mentindo pra mim. Eu queria me sentir magoado porque quando estive prestes a tocar seus lábios, eu pedi uma resposta e ela simplesmente se afastou. Eu queria odiá-la, mas tudo que meu coração gritava era um sentimento novo. Um desejo intenso de que agora nós não tínhamos impedimento nenhum para estarmos juntos.
Eu podia tocar em seu corpo sem achar que estava traindo meu irmão. Eu podia desejar beijar seus lábios sem me sentir um miserável filho da puta e ainda por cima queria ter repulsa de mim mesmo por todos esses sentimentos, mas nada negativo a Bella vinha. Eu não sabia o que fazer. Ela foi embora sem me dar tchau e não tinha a mínima ideia se a reciproca era verdadeira.
O natal passou e nós trocamos presentes e eu ainda não sabia o que fazer. Todos tinham ficados emocionados com as ideias que foram exclusivamente dela. Os jogos, as cartas, o álbum de fotos, os doces, o tabuleiro dos sonhos e todas as outras coisas. Ninguém mais expressou a falta dela, talvez eles estivessem me dando esse tempo para compreender o quão idiota era por tê-la deixado ir. Eu estava apaixonado sem saber se ela me amava.
Nós estávamos no meio do almoço depois do natal sozinhos ainda em família e Emmett estava insuportavelmente contando piadas. A campainha tocou e como era o único próximo a entrada, abri a porta dando de cara com uma mulher loira extremamente bonita com uma expressão confusa.
- Olá? Bella Swan se encontra? – perguntou-me com um sotaque francês.
- Não. Bella não mora aqui. – respondi engolindo aquela queimação no estomago que sentia toda vez que dizia o nome dela em voz alta.
- Eu sou Rosalie Hale. – disse depois de respirar fundo – Ela pediu que eu viesse aqui, neste endereço hoje para encontrar com Emmett. Ele está aqui?
- Sim. – respondi rápido. Ela era a famosa Rose francesa que Emmett contou no natal depois de toda confusão – Entre, por favor. – pedi conduzindo-a até a sala onde a gargalhada de Emmett soava alto. – Emm, visita.
Emmett parou de rir para olhar quem era e quando viu quis gravar sua expressão idiota olhando com adoração para a mulher que me acompanhava. Ele abriu um largo sorriso e atravessou a sala em dois passos, erguendo a loira no aperto.
- Eu senti tanta a sua falta. – ela sussurrou emocionada – Espero que você possa me perdoar. Bella foi tão dura comigo no telefone e ela tinha razão. Eu amo você Emmett e se ainda me quiser, eu quero casar com você. – falou em meio as lágrimas. – Eu só estava com medo porque não tenho a mínima ideia do que é ter uma família.
- Shh... – Emmett colou os lábios dela. – Eu quero sim casar com você e nós podemos descobrir isso juntos. – sussurrou e perdi as forças da minha perna.
Minha família inteira estava emocionada e em êxtase com a demonstração de afeto de Rosalie e Emmett. Os dois ficaram completamente embolados em um só durante um tempo, conversando e acertando ponteiros. Toda vez que o nome de Bella era mencionado, meu coração parecia que ia explodir. Emmett contou a história em detalhes e Rosalie contou não só a ele, mas a todos que Bella ligou durante a noite de natal sendo completamente dura e brigona com ela. Foi engraçado ouvir com detalhes e do jeito que a baixinha era petulante, eu não duvidei.
Ela deu presentes de natal a todos. Ela me devolveu a família e entregou a Emmett sua ursinha francesa. E o que eu havia dado a ela?
Não passou despercebido por mim que Victória e Alice tinham contato com ela, mas ninguém me contou exatamente o que estava acontecendo. Cheguei a ouvir uma conversa de Emmett com meu pai que ela iria voltar a trabalhar em breve e que ele queria arrumar um novo emprego que ela pudesse sair da sua antiga casa, ganhar mais... E quando eles viram que eu prestava atenção, mudaram o rumo da conversa sem se preocupar em disfarçar.
Alice cochichou com Rosalie como era Bella e parecia que era de proposito. Tudo ao meu redor indicava Bella, cheirava Bella, gritava Bella e merda o que eu ia fazer? Ia chegar na porta dela e dizer que estava apaixonado? Se ela dissesse que não? Ela foi embora. Preferiu voltar para a vida sozinha ao invés de me contar a verdade! Merda! Mais cedo ou mais tarde iria descobrir a verdade.
- Edward? – Emmett chamou-me tirando algo do seu bolso. — Encontrei isto em casa. –entregou-me o cordão de Bella. Observei a forma dos corações batendo um no outro e Rosalie sorriu ao vê-los.
- Alguém pelo amor de Deus me leva até Bella? – Rose ordenou puxando o casaco e percebi que aquela ali era tão da família que não se dava conta. Só um Cullen chega sendo petulante com alguém. E eu só queria do meu lado uma baixinha raivosa capaz de mandar em mim.
Eu já sabia o que fazer.
Notas finais
Rosalie chegou, verdades, putânia, enfim.
Eu apaguei o paragrafo pq achei super desnecessário, mas ela reconheceu Bella pq tbm usava o metrô. ok?
beijos
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