Broken
30 Sunrise
Sunrise e Somewhere over the rainbow – Norah Jones
Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly
And the dreams
That you've dreamed of
Dreams really do come true
Em algum lugar além do arco-íris
Os pássaros azuis voam
E os sonhos
Que você sonhou
Se tornam realidade
Dizem que mulheres aos oito meses podem ser comparadas aos mamutes. Pelo menos eu estava me sentindo enorme. Não gorda, mas com uma barriga enorme. Meus seios também estavam no caminho de explodir e desde a infâmia que Edward leu que o marido tinha o papel de estimular o leite materno, agora ele não parava mais de vazar. Eu queria bater nele, mas só de lembrar o quanto ele se divertia descobrindo coisas relacionadas ao meu corpo “grávido” eu me sentia bem e completa.
Comer era um bom esporte se não tivesse trezentas pessoas perguntando sobre minha alimentação e atividades. Resolvi seguir o conselho de Edward e estava criando um projeto com a ajuda de Rosalie. Nós duas tínhamos absolutamente nada a fazer. Ela era ótima em assuntos sociais e eu nos números. Em poucas semanas tinha o projeto todo fundamentado, agora só faltava preencher as lacunas e conseguir apoio. Isso mantendo segredo absoluto de qualquer Cullen. Eu queria fazer surpresa.
Principalmente para Edward.
Eu queria que ele visse tudo pronto e descobrir qual seria a sua reação.
Mal podia esperar para isso.
- Posso entrar? – Carmelita bateu a porta suavemente – Querida, Sarah Calahan deseja falar com você.
- Vou atender no escritório. – respondi levantando da cama rápido e cai sentada me sentindo meio zonza. Carmelita estava do meu lado em um piscar de olhos – Eu sei que Edward te aterrorizou, mas eu estou bem.
- Bella...
- Eu juro juradinho. Estou deitada o dia inteiro porque não posso me mover, mas as coisas estão todas guardadas no escritório.
- Ok. Não hesite em me chamar.
Meu telefonema foi mais bem sucedido que imaginei. Sarah era esposa de Phil Calahan, o futuro prefeito de Nova Iorque. Eu precisava colocar essas dondocas que conhecem sobre a vida de todo mundo para descobrir alguns pontos importantes. Sarah sabia do projeto e prometeu segredo e ajuda. Ela estava fazendo muito mais.
Até apoio da Universidade local com estagiários de psicologia e psiquiatria conseguimos. Seria como uma mão lavando a outra. Também consegui apoio de outras escolas particulares com bolsas estudantis para o grupo de honra de NYU. Claro que uma prova teria que ser feita, o que achei completamente justo.
Tudo estava se encaminhando bem. Só faltava decidir encontrar um local apropriado, mas antes, precisava conhecer e encontrar muita gente até apresentar isso ao conselho da empresa. E isso significava aprovação de Edward, Carlisle e Emmett. Isso seria meu ponto.
Eles aprovariam porque eu sou a Bella ou por que o projeto é bom? Eu queria alguém de fora e imparcial, mas não adiantaria de nada, porque Edward é o presidente e ele com Alice e Emmett são donos de tudo, sendo únicos herdeiros. Carlisle quase não ia mais a empresa com Edward no comando e Esme já tinha passado seu sucessor... Para Rosalie e eu. Quanta confusão.
Frustrada, resolvi fechar meu computador e descer apenas com o tablet para comer alguma coisa. Já estava na hora, de qualquer modo. Alguém iria vir atrás de mim, porque Edward ia ligar lembrando.
- Cheesecake! – bati palminhas quando vi em cima do balcão – Delicioso!
- E almoçar, nada? – Edward perguntou me assustando. Eu não o tinha visto na entrada da garagem para cozinha.
- Assombração. – resmunguei e ele riu, vindo me abraçar – Veio passar o dia comigo? Ou Carmelita te ligou?
- Carmelita me ligou porque você mal tocou no café da manhã e ficou a manhã inteira no escritório. De novo.
- E você despencou do trabalho até aqui somente para isso? – perguntei me afastando bruscamente dele.
- Você estava na mesma consulta médica que eu? Não é possível, Isabella! Você sabe que descer as escadas é proibido. Não comer está fora de questão e que se sentir qualquer mínima tontura, é para me falar.
Dei as costas puxando meu tablet e sai da cozinha, deixando-o sozinho. Ele sabe que eu odeio ser chamada de Isabella, principalmente quando ele está brigando comigo.
- Bella? Aonde você vai?
- Para meu quarto. Médicos me disseram que não posso me irritar com você. – respondi já chorando.
Não que eu quisesse chorar, mas meus hormônios comandavam meus ductos lacrimais e não mais meu cérebro. Era estranho essa história de não sair da cama quando eu estava bem. Eu me sentia forte o suficiente para subir e descer escadas, conversar e trabalhar no projeto. Já que não podia ir até a empresa. Quando minhas costas e pés doíam, eu deitava ou parava de fazer o que me esforçava.
Deitei na cama secando as lágrimas teimosas quando ele veio com uma bandeja de comida. Eu realmente estava com fome, diferente do café da manhã que eu não estava. Só que agora eu estava emburrada com Edward e não ia comer.
- Bella, por favor... Preste atenção. Eu preciso que você coma e se preserve.
- Claro, porque eu vou me colocar em risco porque gosto. – rebati e ele bufou.
- Eu sei que você não vai se colocar em risco propositalmente, mas... Eu fico preocupado. Eu não consigo trabalhar ou fazer qualquer outra coisa pensando se vocês estão bem.
Eu me senti estupida por ter me derretido com a verdade de suas palavras. Involuntariamente abri um sorriso e abaixei a cabeça para que ele não visse. Edward riu relaxado e me puxou para perto.
- Desculpa ter me alterado com você. Eu não queria te fazer chorar... – sussurrou beijando meu rosto molhado. – Eu só preciso que você fique bem.
- Eu estou bem. Prometo. – beijei meus dedos cruzados e ele riu, puxando a bandeja para perto de nós. – Eu não estava com fome no café, foi só isso.
- Ok.
- E confie em mim. Eu vou te dizer quando não estiver me sentindo bem. Eu prometi, Edward.
Nós não brigamos mais durante aquele dia. Ficamos deitados na cama, conversando e namorando. Nós terminamos de arrumar uma ultima gaveta no quarto das meninas com novas roupinhas dadas por Alice e voltamos para o quarto. Ele me mimou o dia inteiro só porque me fez chorar. E me chamou de Isabella. Talvez eu tenha dramatizado um pouco mais, só que eu estava morrendo de felicidade porque ele tirou o dia pra mim.
De noite comecei a arrumar maneiras de fazer Edward concordar em ir na casa de Sarah. Eu não pensei nesse detalhe. Ele estava irredutível quando o assunto era sair de casa comigo, mas eu realmente precisava ir e conhecer algumas pessoas.
Nós dormimos depois de muitas risadas em um filme de comédia qualquer e ele cantarolou uma canção de ninar que aprendeu com Emmett. Eu fiquei imaginando os dois no trabalho trocando figurinhas sobre bebês. Eu ficava feliz que a amizade deles se fortalecia novamente a cada dia que passava. Que minhas filhas fossem melhores amigas uma da outra.
Sábado passei o dia na piscina com Edward, Emmett, Rosalie e Alice. Foi extremamente divertido e eu pude relaxar sem ninguém no meu pé sobre horários de comida e remédio. Edward não queria me ver irritada por isso novamente, então ele estava fazendo seu melhor para ser sutil.
Durante o almoço que eu realmente fiquei surpresa e percebi que Edward seria o melhor pai do mundo.
- Cadê Ian, Alice?
- Deve estar em casa. – respondeu dando um gole no seu chá gelado.
- Vocês terminaram? – Emmett perguntou sério, parando de dar biscoitos de dentição para Joseph.
- Não. – deu os ombros – Não posso mais ficar só com a minha família?
- Claro que pode. Deve. Só que você e Ian viviam atrás do outro. O que aconteceu, Alice? – Edward perguntou olhando bem sério para cara de culpada dela.
- Alice...
- Ok. Eu não sei. Desde que Jasper apareceu e nós voltamos a conversar amigavelmente, eu não sei mais o que estou fazendo com Ian. É isso. – resmungou jogando o talher na mesa com força.
- Você gosta do Jasper? – Edward perguntou o obvio, mas eu continuei calada, apenas observando. Alice assentiu envergonhada – Termine com Ian e decida sua vida. Você permanecer fiel integralmente à pessoa que está do seu lado. Se você está disposta ou já perdoou e esqueceu aquele episodio, volte para ele. Se é isso que você quer.
- Eu perdoei. Eu sei que fui infantil também. Eu quis que ele abrisse mão de um sonho para ficar comigo... Eu também errei e na época não enxerguei isso.
- Todos nós erramos na vida, princesa. – Edward afagou sua mão – Apesar de não me arrepender de ter dado um soco nele por fazê-la chorar. – deu os ombros fazendo-a rir e eu belisquei seu braço. Estava indo tão bem – Tudo bem, eu também errei em agredi-lo sem saber os fatos.
- Foi muito confuso nosso termino com uma chuva de disse-me-disse sem necessidade. Eu só sei que toda vez eu esperava por ele.
- E por que daquele ataque na faculdade? – perguntei curiosa.
- Ele tinha que aprender, oras. Não é porque me deixou uma vez que eu tinha que aceitar sorrindo. – sorriu torto, como Edward. Arrogantes!
- E agora, o que você vai fazer?
- Ficar sozinha. Nem um, muito menos outro. – sorriu ajeitando os cabelos, que agora, eram maiores – Quero apenas curtir a mim e se Jasper um dia voltar à Nova Iorque... Eu vou esperar.
- Uma coisa é certa, pequena. O que é verdadeiro volta. – Emmett beijou a bochecha de Rosalie. – Se a história sua e de Jasper não terminou ainda, tudo vai se acertar.
- E você pode correr de novo para meu colo se precisar. Eu ainda não estou preparado emocionalmente para você ser adulta e ter relacionamentos intensos. – Edward sorriu beijando-a levemente.
Alice agradeceu ao carinho dos irmãos e tive pena do atentado psicológico que Alice devia estar fazendo na vida de Jasper. Apesar dos pesares, ele era um bom menino e isso tem tempo. Deu abertura o suficiente para amadurecer. Além do mais, ele ainda tinha mais alguns semestres na faculdade, uma vida de estagiário, até conseguir voltar a Nova Iorque. Eu não pude deixar de sentir orgulho da minha pequena menina crescendo.
- Hoje a noite tem recepção na casa dos Calahans, vocês vão? – Rosalie perguntou tal como combinamos mais cedo.
- Não sei. Acredito que não...
- Ah, eu queria tanto ir. Sair um pouco de casa. Além do mais, gosto tanto da Sarah! – sorri docemente para Edward, que me olhou desconfiado arqueando a sobrancelha.
- Você? Querendo ir a algum evento? O que vocês duas estão aprontando?
- Do que você está falando? – rebati encenando confusão. Edward ficou lívido.
- Nós não vamos. Você precisa de repouso absoluto. – disse firme e eu fiquei com raiva.
É o que veremos Edward Cullen!
- Por que você não quer que eu saia de casa? – perguntei quase chorando. – Você está com vergonha que as pessoas me vejam enorme? Que eu engordei?
Hormônios estúpidos que tiram meu filtro verbal. Eu sabia que Edward não sentia vergonha de mim, mas esse pensamento não impede de assombrar minha visão no espelho.
Edward ficou branco como leite e me fitou incrédulo com minhas palavras. Seu olhar abriu e pude ver sua íris se expandir. A boca se abriu várias vezes e fechou. Levantei da mesa e comecei a recolher as coisas do almoço emburrada. Ele ia me levar ou mudaria de nome. Essa coisa toda de repouso absoluto estava me enchendo o saco!
- Amor... Eu não acredito que você falou isso.
- Sério? Por que? – rebati – Você não quer me levar...
- Porque é um absurdo!
- Sem brigar... – Emmett intrometeu e eu bufei, indo para cozinha – Edward, não vai atrás dela. Vocês vão acabar brigando e ela pode não aguentar isso.
Lavei toda louça com Rosalie e Alice em silencio. Cada uma estava perdida em seus pensamentos e dramas particulares. Edward devia estar chateado com a minha acusação, mas depois que ele me dissesse que iria me levar, eu ia assumir e pedir desculpas.
Deitei no sofá da sala sentindo sono e logo ele veio, sentando no chão ao meu lado.
- Baby.
- Ok – cortei me sentindo culpada – Eu sei que você não tem vergonha de mim e eu só falei isso porque eu quero que você me leve na recepção.
- Porra... – Edward coçou a cabeça, mas ele estava rindo – Ok, e conseguiu. Eu vou te levar, só pelo drama e pelo bico. E porque você sabe, exibir você grávida é um dos meus maiores orgulhos. O primeiro é ser seu marido. – sussurrou vindo me beijar e eu o empurrei.
- Por que você é tão fofo comigo quando sou uma cadela com você?
- São seus hormônios, amor. Você adora provocar uma boa briga. Eu te conheço. – Edward riu – Além do mais, eu sou seu escravo. Você está grávida, eu tenho que fazer o que você quer.
- Então, eu posso conviver com isso. Eu te amo... E desculpa. Na hora simplesmente saiu. Eu sei que é normal ficar grande feito um elefante...
- É, você é linda. Como eu poderia te achar feia se você está carregando e protegendo minhas filhas com sua própria vida? Tem amor mais bonito que esse?
Eu sorri e puxei-o para um beijo pelos cabelos. Edward não iria se abalar com nada relacionado a gravidez. Era tudo que mais queria e ele estava vivendo nas nuvens com suas duas princesinhas a caminho e que reconheciam sua voz.
.~.
O janta na casa dos Calahans foi um sucesso absurdo. Sai de lá com uma lista de telefonemas extenso. Edward foi dirigindo e isso deu um ar de família mesmo. Agora eu estava cansada, de verdade. Com dor nos pés e nas costas.
- Eu acho que preciso deitar. – resmunguei bocejando – Estou com sono.
- Percebe-se. São meia noite e você praticamente vem dormindo cedo. – Edward provocou subindo comigo. – Você está sentindo algo além do sono excessivo?
- Dor nas costas e nos pés. – respondi sinceramente – Pegue aqueles travesseiros grandes do quarto de hospedes para colocar em meus pés?
- Claro. Vai trocando de roupa. Já volto.
Uma coisa engraçada aconteceu no meio do caminho. Eu abri a porta do quarto errado. Era sempre assim. Casa enorme com portas iguais. Quando finalmente acertei meu quarto devido ao meu sono, troquei de roupa e deitei esperando por Edward chegar com travesseiros grandes e fofinhos pra mim.
- Olha como papai é fofo! – provoquei com as meninas se movendo, juntas – Isso dói. Dá para parar?
- Se elas não te obedecem ai dentro, o que te leva a crer que farão isso quando estiverem fora? – Edward riu vindo me beijar. Eu queria mais...
- Droga. Se afasta.
- Que foi?
- Estou tendo um desejo que não pode ser... Executado. – resmunguei realmente emburrada e ele riu.
- Tudo bem, meu amor. É normal ficar excitada com seu marido. – gargalhou alto – Ainda mais um marido como eu que você intitulou como deus do sexo.
- Olha só! – gritei – Dá para diminuir? Você tinha me feito chegar ao orgasmo cinco vezes naquela noite. E com pouquíssimo espaço de tempo. Não se ache.
- Eu gostei do meu titulo, tá.
- E não vem com essa porque naquela noite nós tomamos aquele maldito estimulante sexual. Eu nunca pensei tanto em sexo como naquela noite.
- Foi engraçado.
- Foi mesmo. – concordei rindo – E muito boa. – pisquei
- Oh sim, dessa parte eu lembro com detalhes. – sussurrou charmoso no pé do meu ouvido, e eu estremeci por completo.
- Para Edward... – choraminguei – Isso é injusto.
Edward apenas riu e ajeitou-se na cama, me puxando para ficar em seus braços. Sua mão automaticamente foi para minha barriga e ainda conversando baixinho, coisas bobas e leves, adormeci sentindo seu carinho. Meu marido fofo.
Acordei três horas depois sentindo calor e uma sensação estranha. Aumentei o ar condicionado, mas então percebi que o calor era outro quando bebi metade da jarra de agua que ficava ao lado da cama. Talvez fosse hora do remédio e das vitaminas, apesar de nunca ter acordado antes por falta delas.
- Amor... – sussurrei baixinho. – Edward?
- Hum?
- Eu acho que não estou me sentindo bem. – respondi baixinho – Talvez seja a falta do remédio.
- O que você está sentido? – perguntou acendendo a luz do abajur.
- Calor, mas não é calor. É uma sensação de quentura. E ao mesmo tempo como se tivesse com pressão baixa. Garganta seca e dedos frios.
- Vou te dar o remédio da pressão, mas se não passar, você fala, ok?
Eu tomei o remédio e meia hora depois voltamos a dormir, mas ainda assim eu não me sentia bem o suficiente. Acordei uma hora depois e fui ao banheiro fazer xixi. Quando terminei e fui me olhar no espelho, apenas por costume, sentir um liquido quente e viscoso escorrer entre minhas pernas. Eu sabia muito bem o que era aquilo e estava um mês adiantado.
- Edward... – chamei incapaz de me mover. Eu acho que estava chocada. – Amor? EDWARD!
- Hum? – perguntou confuso, acordando novamente e ouvi o barulho dele levantando na cama. Assim que apareceu no banheiro, somente apontei pra baixo. – Ok. Você está sentindo algo anormal?
- Não sei se posso dizer cólicas, mas é bem fraquinho mesmo. Muito mesmo.
- Ok. Vou ligar para Dr. Grace e nós vamos para o hospital. – disse tranquilo. Aulas de pré-natal fez efeito nele. – Você quer que eu chame Rosalie ou minha mãe?
- Sua mãe, por favor. – respondi com ele enrolando uma toalha em mim para segurar um pouco do vazamento.
- As bolsas já estão no carro. Vou pegar uma roupa para você e vestir uma calça jeans. Já volto.
Apesar de Edward estar calmo, eu estava tremendo de nervoso. Primeiro que isso seria um parto prematuro. Segundo que não estava preparada psicologicamente para parir nenhuma delas hoje e terceiro, isso era apenas uma pontinha do iceberg que eu pressentia.
Pouco tempo depois Esme chegou secando minhas lágrimas. Ainda bem que ela morava extremamente perto de mim e eu não sabia o que iria fazer sem ela. Ela conversou comigo calma, disse para ter fé e ficar tranquila. Não fiquei surpresa em encontrar todo mundo na sala quando desci para ir ao hospital, com Dr. Grace já a caminho e preparando uma sala. Edward aferiu minha pressão e ela estava em um nível preocupante.
Eu fiquei quieta a maior parte do tempo, respondendo perguntas mecanicamente.
- Fale comigo, por favor. – Edward pediu preocupado.
- Eu estou com medo. – sussurrei – Você vai ficar do meu lado, não vai?
- Claro que sim. Estarei segurando sua mão o tempo todo. Não tenha medo, minha vida. Eu estarei lá com você.
Dr. Grace já estava me esperando no portão de emergência. Logo fui encaminhada para uns exames rápidos e me mandaram para um quarto, onde iria me preparar para a minha cesária. Meu coração ia sair pela boca ou a boca ia sair pelo meu ouvido. Não sei bem explicar o frio na barriga e sensação de nervoso que estava tendo naquele momento. Eu quase chorei quando vi tamanho da agulha que ia me anestesiar.
- Agora, vai ser rápido Bella. Eu preciso de você calma. Logo vai ouvir suas meninas. – Dr. Grace falou comigo, mas eu não podia vê-la. Edward estava engraçado com aquela roupa azul, mas estava ali, segurando minha mão.
- Eu te amo. – Edward sussurrou emocionado. – Eu te amo muito.
Eu podia sentir Dr. Grace me cortando. Não dor, apenas a sensação da lamina em minha pele. Eu estava ciente dos enfermeiros ao meu redor e do olhar atento de Edward sobre o parto a minha frente. Foi como cosquinhas internas sentir minha primeira filha sair de dentro de mim e um pequeno resmungo foi dado. Logo ela estava chorando a pleno pulmões e isso era bom, eles funcionavam.
Depois foi a outra. Poucos minutos depois mesmo. Ela também chorou, mas era diferente, mas agudo. Edward saiu do meu lado para cortar o cordão umbilical e Dr. Grace falava comigo enquanto terminava comigo. Meu sofrimento agora era outro. Eu queria vê-las. Pouquíssimo tempo depois Edward surgiu empurrando uma espécie de incubadora e eu fiquei feliz delas não estarem presas e nenhum tipo de fio.
E eram lindas. Com o rosto amassado, vermelho e inchado. As duas tinham mãos na boca e as perninhas ainda enroladas em posição fetal. Edward sorria pra mim entre as lágrimas e tudo que conseguia fazer era chorar. Perfeitas. Não tinha outra palavra. Eram perfeitas.
Cabelos escurinhos, mãozinhas pequenas, nariz arrebitados, boquinhas vermelhas. Lindas.
- Edward... – sussurrei me sentindo meio fraca. Ele rapidamente estava do meu lado. – Elas são lindas...
- Sim, perfeitas. Igual a mãe. – concordou me beijando levemente e voltamos a fita-las quietas ao lado da outra.
- Vou sedar a mamãe um pouquinho... – Dr. Grace veio. – Eu preciso que você fique dormindo pelas próximas horas que são necessárias para repouso. Eu vou ter que fazê-la dormir. Ok?
- Ok. – concordei. Eu não ia discutir com ninguém. Contanto que pudesse acordar e pegar minhas filhas, eu faria qualquer coisa. – Está tudo bem comigo?
- Melhor que o esperado Bella. Você é uma vitoriosa. Eu estou orgulhosa do seu parto ter sido um sucesso. Eu não quero arriscar sua recuperação imediata, por isso, vou te sedar.
- Tudo bem. Obrigada. – murmurei bocejando. – Eu te amo, amor. Cuide delas.
- Vou cuidar, minha vida. Apenas descanse.
A ultima coisa que ouvi foi Edward falando que também me amava e um chorinho de alguma delas. Eu dormi tentando conter a ansiosidade de vê-las, cheirá-las, beijá-las e aperta-las demais. Só que para isso, precisava primeiro, sobreviver.
.~.
Acordei horas depois, quase 12 horas para ser exata. Edward estava dormindo do meu lado e do seu lado tinha um pequeno berço com as duas. Sua mão estava na barriga de uma delas e ele tinha a expressão cansada. Que trabalho elas não devem ter dado enquanto estava dormindo?
- Psiu... – sussurrei para ele, que abriu os olhos e sorriu – Acordei.
- Dorminhoca. – sorriu torto vindo me abraçar. – Você está bem?
- Curiosa. Quero vê-las. – sussurrei com medo de acordá-las e ele puxou pra mim o berço, colocando dois travesseiros nas laterais da cama e pegando uma a uma. – Você decidiu quem vai ser quem? – perguntei baixinho não contendo as lágrimas. Eu estava apaixonada. – São tão lindas.
- Eu penso que essa pode ser Sophie. Ela tem seus olhos e eles são como da sua avó. – apontou para a da esquerda – E esta, Elizabeth. Ela é birrenta e foi a única a brigar na hora dos exames. Apesar de Sophie ter resmungado bastante e se recusado a abrir a boca na hora da alimentação.
- Que pestinhas. – sorri acariciando os cabelos ruivos. Dava para ver que eram puxados aos meus fios avermelhados, caindo no bronze de Edward. – Qual a cor dos olhos de Elizabeth?
- Verdes. Nasceram cinzas, caiu para verde claro. – respondeu-me sentando atrás de mim – Acho que vai escurecer. Joseph nasceu com os olhos muito mais claros.
- Pode ser. E você tinha razão. Elas tem meu nariz. – comentei passando o dedo de leve no nariz delas. – E como foram os exames?
- Nenhum problema cardiorrespiratório. E só não possuem o fígado cem por cento completo, mas eles passaram mais alguns exames e só alimentação materna, por enquanto.
- Até agora elas mamaram o quê?
- NAN. E não gostaram. Apesar de terem ganhado peso.
- Isso é bom. – suspirei e Edward tocou meu queixo, virando-o pra si. – Que foi?
- Você me faz sentir coisas indescritíveis. – sussurrou emocionado – Obrigado por fazer minha vida perfeita. Eu te amo.
- Eu não tenho palavras para expressar a emoção que sinto ao viver e realizar sonhos que pensei nunca ter. Obrigada por compartilhar e realizar comigo.
Nosso momento em família durou pouco tempo. Logo a pediatra chegou e me ensinou como dar de mamar e a passar a pomada caso viesse a me machucar. Sophie realmente tinha meus olhos e ficou me olhando um tempão sem fazer nenhum barulho. Parecia que estava me reconhecendo, não sei dizer. Elizabeth mamou e depois ficou apenas quietinha no colo, com as duas mãozinhas presas na minha roupa. As duas dormiram novamente com suspiros feliz. Eu quase me derreti ao ouvir isso.
Cada mínimo detalhe delas era mágico. Os pezinhos pequenos, as mãos vermelhinhas, os olhos amendoados e as bochechas gostosas. O cheirinho de bebê misturado com leite. E a roupinha que estavam usando era que Alice havia dado.
Os dias no hospital foram rápidos, apesar de ter sido sete dias. Edward decidiu tirar as primeiras semanas delas em casa de férias e foi bom, porque duas semanas se passaram e eu me vi tendo duas bonecas de verdade que acordavam durante a madrugada e dormiam em horários trocados. Ia demorar até que tudo se ajustassem.
Eu também tinha que verificar meus pontos e colocar aquela maldita cinta tamanho PP que me irritava ate a alma. Sem Edward, não faria nada disso. O clima da casa era de pura magia. Apesar de a impressa ter feito plantão do lado de fora e atazanar a vida de qualquer alma viva que entrava na minha residência, foi tudo tranquilo.
Peter e Charlotte chegaram dias depois. Eles seriam padrinhos de Elizabeth quando Sophie ganharia Emmett e Rosalie como padrinhos. Eu me sentia em um estagio de felicidade enorme. Dava um trabalho bem grande, mas isso não anulava meu sorriso. Cada chorinho era ouvido com prazer e eu ainda tinha o colo do meu marido na hora do sono pesado.
Eu babava com Edward segurando as duas ao mesmo tempo e conversando como se estivessem compreendendo. Ele ficava horas apenas sentado olhando-as dormir e me ajudava na hora da alimentação. As trocas de fraldas eram sempre rápidas e engraçadas com eles. Sophie não gostava de ficar sem roupa, quando Elizabeth não gostava era de ficar com roupa.
Eu provoquei muito Edward com isso.
As duas cada dia que passava mostravam ter personalidades fortes. Até mesmo de brigar e franzir o cenho quando não gostavam de algo. E quando uma chorava, a outra normalmente choramingava junto.
Agora o nosso momento. Não tinha ninguém em cima delas, apenas nós dois, pais corujas e ciumentos. Ele estava deitado com Sophie no colo enquanto eu alimentava Elizabeth. Era a mamada da madrugada meio manhã. Sophie tinha os olhos atentos em mim e quando sorri para ela, seus olhos se abriram mais e a boca fez um estalinho bonitinho. Ela esfregou o rosto no peito nu de Edward e depois espirrou. Era a cena mais fofo do mundo.
- Ela está te paquerando de novo? – Edward perguntou baixinho e eu assenti – Elizabeth também.
Olhei para Elizabeth que mamava me olhando com tanto carinho. Eu fiquei toda boba com minhas filhas olhando pra mim assim que meus olhos marejaram. Edward riu e me cutucou.
- Chega pra cá. – sussurrou e fiquei confusa, mas fui – Olha que lindo.
Na janela do closet que dava para os fundos da casa, o sol estava nascendo e eu me vi pela primeira vez em anos em pleno estado de plenitude. Eu estava completa em muitos níveis. Era mulher, mãe, amiga e companheira. Percebi que a vida era bela como um simples sorriso de um bebê e que era preciso de pouca coisa para ser feliz. O que realmente nos move é a felicidade que pequenas coisas como um olhar apaixonado nos trazem e não as dores e os dramas que somos obrigados a passar.
Todas nós podemos ser a menina do sorriso quebrado e ainda assim sem desistir, se tornar a mulher mais feliz do mundo. É como o nascer do sol. Precisamos agradecer pela força de viver mais um dia.
Surprise, surprise
Never something I could hide
When I see we made it through another day
Surpresa, Surpresa
Algo que nunca poderia esconder
Quando eu vejo que nós passamos mais um dia
N/A Nasceram... *suspira*. Bom... Final de fanfic.... Hum.... Já conferiram a nova? http://www.fanfiction.com.br/historia/169959/My_Life_Would_Suck_Without Deixem reviews, por favor.
N/B: Quero morder essas duas. Ai que fofas, nasceram lindas demais!! AAAAAH Cheirinho de final de fic gente, ai socorro. Não quero que acabe!! xx LeiliPattz
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