Broken

14 Secrets


Notas iniciais
Meninas, estou feliz em estar de volta! Notas no fim ;)

Secrets — One Replubic

Dizem que o Google é o pai dos burros. Você pode pesquisar o que quiser, sobre qualquer coisa que ele tem sua resposta prática com direito a anexos de informação. Nós retornamos do Caribe tinha poucas semanas. Quase um mês. Acredite, meu corpo ainda ardia um pouco. Nova Iorque estava no seu melhor momento de calor e por isso, nas minhas pequenas férias do curso estava andando em casa com o mínimo de roupa possível. Um short e camiseta. Dentro do quarto era literalmente roupa íntima.

Eu ainda suspirava quando lembrava a nossa estadia naquelas praias paradisíacas. Meu namorado era um homem viril, completamente insaciável. Nós avançamos muito intimamente e eu quebrei alguns tabus sexualmente falando. Edward era meu companheiro. O homem que eu amava. Meu corpo era dele.

Passei essas últimas semanas tendo aulas intensivas de como ser uma boa anfitriã. Eu quase entrei em pânico. Quase. Esme chegou aqui em casa bem cedo com Rosalie, em um dia entre a outra semana, cheia de apetrechos. Ela anunciou que eu era a noiva do presidente da empresa e por isso, a mulher da noite era eu. Tipo, como assim?

“Quem é Edward para você?” – Esme perguntou severamente. Se tivéssemos vivendo no tempo da guerra, essa mulher seria aquelas professoras donas de palmatórias. Como sabia ser má. “Não descanse os ombros, Bella. Relaxe a expressão, mas nunca a coluna” – chamou minha atenção quando parei para pensar em sua pergunta. Rosalie me olhou meio assustada.

“Edward é o homem da minha vida. A pessoa que posso contar meus medos, segredos e compartilhar meus dias. Ele sabe ser simples e romântico nos momentos que mais preciso.” – suspirei apaixonada e ela sorriu maternalmente, mas depois coçou a garganta e esperei pelo pior.

“Sim, ele é isso... Para você”. – suspirou e olhou-me seriamente. “Edward Cullen estudou nos colégios mais caros do país e antes de terminar o colegial foi chamado pelo sistema MIT por ser muito bom em matemática. No seu primeiro ano de faculdade, ganhou a medalha de melhor aluno. Nunca se envolveu com escândalos em tabloides e terminou o ensino superior com honras. No seu primeiro ano trabalhando criou um projeto que nos rendeu mais alguns bilhões de dólares. Atualmente, é o presidente corporativo mais novo que o mundo já conheceu e tem o sucesso pela frente. Ele tem o sobrenome Cullen e adivinha quem escolheu para ser sua companheira? Você.”

“Certo” – suspirei lentamente. “Eu entendi seu ponto” – murmurei meio atordoada.

“É um pouco demais, mas você vai conseguir, por isso, nunca relaxe a coluna. De novo, me diga da esquerda para direita quais são os talheres e taças a sua frente.”

Foram longos dias escolhendo pratos principais, decorações e lendo, lendo, lendo e lendo sobre como me portar no baile. Rosalie teve o desplante de agradecer por Emmett ter aberto mão da presidência. Ela deixou claro que não seria capaz de tudo isso, apesar de Esme não ter permitido sua ausência nas aulas. Entre estudar para o curso e para o baile, eu e Edward gastamos nosso tempo brigando.

Hoje seria o bendito baile de arrecadação para as crianças com câncer do hospital apoiado pelo grupo Cullen Inc. James foi convidado pela secretária do assessor de imprensa da empresa, ela, assim como eu, não tem idéia do motivo que alimenta essa briga. Em todo caso, James tem dinheiro e isso que importa para os organizadores do baile. O papo terminou quando Rosalie chegou e Carmelita anunciou o jantar. Minha curiosidade estava a todas quando sai do escritório fingindo não ter ouvido nada.

Além de Edward e eu estarmos brigados. O jantar teve um clima pesado.

Novidade nenhuma nessa história, mas ele é teimoso e tem mania por perfeição. Eu sou organizada, ele é maníaco. São coisas diferentes. Creme dental do lado direito, travesseiro demais na cama, meu terno tem que ser passado a vapor, meu motorista não pode atrasar, ele é irritante com seus funcionários e isso me estressa. Eu tenho direitos a TPM. Todos perceberam minha distancia, mas não estava particularmente preocupada.

Edward e eu dormimos bem, mas ainda tinha aquele clima porque eu discuti com ele antes de sair na manhã anterior. Hoje de manhã ele me acordou aos beijos e tivemos aquele sexo para o café da manhã. Estava tudo bem novamente. Eram só nossos ajustes. Edward tinha tudo a mão enquanto eu estava acostumada a buscar o que precisava. E fora que duas pessoas morando juntos, com pouco tempo de relacionamento, condições financeiras diferentes e personalidades fortes... Alguma hora ia dar choque.

Por isso que assim que ele saiu, liguei meu computador e digitei Victória e James Hathaway e quase cai da cadeira com que descobri. Eles eram ou pelo menos foram casados durante dois anos. Fiquei impressionada com as fotos da época. Não parecia a mesma mulher exuberantemente linda que eu conhecia. Ela estava sempre pálida, magra, com cabelos sem vida e escondida com roupas largas e cumpridas.

Também tinha uma reportagem de James denunciando Edward por agressão e pela data foi semanas antes dele ir embora para Inglaterra. Eu comecei a sentir um aperto no meu coração. Edward foi embora por causa da Victória? Será que ele? Será que ela? As reportagens, os tabloides e as pequenas notas de rodapé do google apontavam que o relacionamento de James com Victória havia sido conturbado, cheio de violência e traições. Eu não duvidava que a maior parte eram dele.

Só que... Edward tinha ido embora porque houve uma grande briga entre ele e Emmett pela empresa. Pelo menos foi isso o que me disseram, mas era coincidência demais ser poucas semanas após uma matéria do site Hollywood life especular qual era o real relacionamento entre Victória e Edward. Poucos dias depois de Edward esmurrar James. Momentos antes de Emmett e Edward romperem e ele resolver partir. Tinha muito mais coisa no meio dessa confusão toda e eu me sentia uma grande tola por não saber.

Eu queria saber se Victória e Edward tiveram um caso? Se essa informação fosse confirmada, o que exatamente iria fazer?

- O motorista chegou para te levar até a mansão dos Cullen. – Carmelita disse docemente me quebrando dos devaneios. Dei um sorriso amarelo e desliguei meu computador. – Está tudo bem Dona Bella? – perguntou-me preocupada. Eu me derretia com seu lado maternal.

- Se seu marido tivesse um passado envolvido com outra pessoa que você ama, você gostaria de saber? – perguntei segurando minha bolsa. Demetri já estava pronto a porta.

- Sim. – respondeu sem hesitar. – Gostaria de saber porque sou curiosa, mas meu amor continuaria o mesmo. Se ele não contou, porque nem tudo fica as claras na vida de um casal. Principalmente jovem. – piscou me empurrando levemente até a porta – Verei você na tevê. Seja a mais bonita.

- Obrigada. – sussurrei com a voz embargada. Sai de casa já discando o celular de Rosalie. Eu precisava de uma amiga, urgente.

O dia passou rápido com as arrumações para a festa. Em determinado momento me vi devorando as frutas em cima da mesa enquanto uma menina fazia cachos em meu cabelo. Victória, James e Edward rodavam a minha mente conforme me sentia zonza e completamente confusa. Edward e Victória se bicavam, na maioria das vezes agiam como irmãos e não exatamente como se tivessem tido um relacionamento amoroso antes. Ela me contaria, não contaria? Nós éramos amigas, não éramos?

Eu não sabia de todas as ex-namoradas de Edward. Ficava particularmente satisfeita em ser aquela que tinha o anel de noivado no dedo, então não importava, não é?

Certo?

- Bella, você está em que mundo? – Esme perguntou-me e quase saltei da cadeira engasgando com um morango.

- Amor? – Edward soou do andar inferior e eu suspirei. Como eu amava esse homem.

- Está tudo bem, sogra. Estava apenas... Pensando. – dei os ombros enchendo a boca de uva.

- Bella? – Edward gritou novamente com a voz mais forte. Esme sorriu um pouco com o desespero dele. – Amor?

- Aqui em cima, querido. – respondi revirando os olhos. Só me faltava ele chegar em casa e gritar: Querida! Cheguei! Edward apareceu na soleira da porta e meu coração entrou em taquicardia por ele ser sempre tão lindo, mesmo de calça jeans justa, blusa social e sapato preto. Até a menina que fazia meu cabelo parou de se mover. Não poderia culpa-la.

- Estou com fome. – resmungou e todas as mulheres caíram na gargalhada. Ele pareceu meio confuso e por isso coçou a cabeça. – Que foi?

- Apesar de Bella ter atacado as frutas, ela ainda não almoçou. – Esme puxou a vasilha de mim e me ajudou a levantar. Muito tempo sentada fez minha bunda ficar dormente. – Passem no quarto de Alice e acorde-a?

Edward me abraçou brincando com a pele da minha cintura e eu ri. Alice saiu meio sonolenta com os cabelos embolados de um lado só. A menina tinha disposição para dormir, era impressionante. Também quando estava acordada a gente quase ajoelhasse para que calasse a boca. Esfreguei minha bunda ainda incrédula dela estar dormente. Edward me olhou e depois inclinou pra trás um pouco tentando entender o que estava fazendo através do vestido.

- Eu acho que minha bunda está dormente. – sussurrei incrédula.

- Permita-me, madame. – sorriu apertando minha bunda com força que soltei um grito. – É, está tudo bem.

- Há há há. – puxei a cadeira para sentar para comer, mas Edward me puxou para seu colo. – Não quer machucar minha bunda?

- Não, bem muito precioso. – brincou beliscando minha bunda.

- Estou aqui ainda. Ninguém respeita mais os irmãos mais novos. – Alice resmungou empurrando dois pratos pra nós e eu saí do colo de Edward antes que o resto aparecesse.

...

O resto do dia passou bem rápido com os últimos preparativos da festa. Eu estava nervosa demais, por isso depois de dar dois foras e Alice, calei minha boca. Amanhã cedo nós iriamos viajar para Las Vegas. Eu iria enlouquecer em algum momento. Não, eu sou capaz. Edward me ama e me escolheu para ser sua mulher. Eu quase me via abrindo mão de carreira para acompanha-lo e isso foi motivo para mais pânico ainda.

Um baile de cada vez. Respira fundo, Bella. Você sobreviveu a vida inteira a pessoas ruins. Isso é só um baile de caridade que seu namorado que te ama, isso mesmo, te ama, está promovendo. Não desaponte Esme, você consegue.

- Você está tremendo. – Rosalie sussurrou e meu rosto estava congelado um sorriso.

- Está impossível controlar. – rosnei de volta e posei para mais uma foto com Rosalie. – Cadê Edward?

- Do outro lado do salão, vindo a sua direção e ele está babando seu vestido. – sussurrou saindo do meu lado e virei-me em direção ao meu amor. Meu coração se aqueceu e surpreendentemente parei de tremer como uma vara verde.

- Você é a mulher mais linda deste salão. – Edward sorriu tão perfeitamente que senti minhas pernas moles. – Está tudo perfeito, amor. Sinto muito ter demorado.

- Eu acho que está tudo bem agora. Não vi ninguém. – dei os ombros.

- Preciso te apresentar a umas pessoas. – sorriu como criança. Edward estava tão animado que quase estava valendo a pena todos meus medos. Foi uma hora inteira de um lado para o outro, apresentando a pessoas, conversando sobre banalidades e troca de brindes.

Um orgulho imenso explodiu no meu peito e quase gritei que aquele era meu macho. As pessoas pareciam animadas, tinham sempre uma taça a mão e o buffet trabalhava bem. Esme sinalizou positivamente pra mim e foi o único momento que realmente relaxei. Pedi a Edward para sentar um minuto, porque meus pés estavam começando a sangrar. Aproveitamos para jantar junto com um casal de executivos que eram novos na cidade.

Eu o observei ir conversar com o prefeito quando a banda começou a tocar novamente após o jantar. O casal que me acompanhava pediu licença para dançar e me vi temporariamente sozinha na mesa. Deveria levantar, mas meus pés realmente estavam me doendo muito ainda. Me dei mais cinco minutinhos apenas observando a festa. Vi que o assessor, Alec foi até Edward e Carlisle. Estava na hora do discurso.

- A festa está muito bonita. – um homem elogiou sentando atrás de mim, na cadeira que antes estava sendo ocupada por Edward. Dei um gole nervoso no meu champagne e de alguma maneira estranha me arrepiei por completo.

- Obrigada. – disse secamente.

- Hm... Você tem um excelente perfume. – sussurrou e congelei no lugar procurando desesperadamente por Demetri. Eu não podia levantar e dar na cara desse homem. Isso causaria uma cena e envergonharia minha família. Essa era minha primeira noite. Eu posso lidar com isso.

- Creio que o Senhor esteja me confundindo com alguém. Sou uma mulher comprometida. Exijo respeito. – rosnei de volta pousando minha taça na mesa.

- Você saiu correndo dizendo que não era uma prostituta... – sussurrou. Era James. Minha pulsação estava batendo no ouvido, me deixando surda. – E olhe pra você. Uma de Luxo. Edward vai ganhar o prêmio de homem do ano porque tem uma boa capial em casa com sexo quente esperando por ele.

Sem alarde, levantei devagar da mesa e sussurrei uma licença educada, mordendo minha bochecha por dentro, meus olhos estavam querendo transbordar, mas não ali. Não na frente daquelas pessoas, onde os olhos estavam em mim a todo instante. Avistei Alice e Esme e virei na direção oposta, do outro tinha Edward, que assim que me viu, soube que algo estava errado, mas virei também em outra direção e ele foi puxado para o palco.

Demetri parecia assustado como um inferno quando me viu e fiquei confusa. Deveria estar chateada por ele não estar de olho em mim na hora que precisei, mas isso ficou de lado.

- Eu estava te procurando. Recebi um chamado de um dos seguranças que você estava sozinha no terraço. Fiquei louco por não te ver passar. – sussurrou quando cutuquei sua costela.

- Eu não sai do salão em momento algum, Tre. – respondi confusa. – Estava na mesa do canto. A da samambaia. – Demetri olhou para seu relógio e para o telefone. Alguma coisa estava errada. – O que há?

- Alguém chegou perto da Senhora?

- Uhn. James. – respondi baixo.

Demetri praguejou baixinho me conduziu até o centro da pista, para ver Edward discursando. Eu não prestei atenção no quanto tudo estava errado.

- Tem alguém de James infiltrado, não tem? – perguntei baixinho.

- Não sei, Bells. – Demetri respondeu baixo. – Ele conseguiu chegar perto de você. Foi falha minha.

- O quê? – virei-me – Não! Ele te enganou. Alguém dentro da segurança enganou você ou também foi enganado.

- Ainda assim, deixei de estar perto de você. – retrucou e nós dois sabíamos que Edward iria dar um ataque de pelancas.

- Não iremos contar a Edward. – falei seriamente e Demetri me olhou confuso.

- Eu posso lidar com isso, Bells. – tocou meu ombro.

- Eu não. – murmurei baixinho sentindo vontade de chorar. – Edward vai querer saber o que ele falou pra mim e não tenho coragem de repetir as palavras. Por mais que pareça verdade.

- Você sabe que é mentira.

- Você não sabe o que ele disse para afirmar isso. – dei os ombros. Eu mal tinha percebido que nós dois estávamos em um dos corredores adjacentes, discutindo.

- Nada do que sai da boca de James é verdade. Ele é um viciado em drogas que acha que pode brincar com a minha paciência.

- James fez o quê? – Victória perguntou assustando nós dois, mas eu não estava no meu melhor momento.

- Você poderia me dizer. – rebati. Victória chegou a ofegar surpresa com a minha resposta. Não parei para pedir desculpas. – Estou esperando, Vic. Eu quero saber o que envolve você e James Hathaway.

- Aqui não é o melhor momento. Edward está chamando por você. – respondeu baixo.

- Certo. – resmunguei indo direto a lateral do palco, onde Edward descia com assessores e tinha o cenho franzido conforme me observava caminhar. Ele estava claramente ignorando as pessoas ao seu redor felicitando seu discurso, que eu obviamente perdi.

- Perdi você de vista no meio... – começou a falar e eu sorri inocentemente.

- Mandou bem. – elogiei

- Bella... – soou severamente. – O que exatamente aconteceu?

- Nada demais. Só coisas corriqueiras de uma nova anfitriã. – menti dando ombros. Ele não acreditou em nenhum momento, mas o Govenador exigiu sua atenção e por isso fugi para a mesa da minha família.

- Aconteceu algo, não é? – Rosalie perguntou seu sotaque forte.

- Quer ir no banheiro retocar a maquiagem? – Alice perguntou

- Não se preocupem. É só essa história de ser “anfitriã”. – sussurrei para Esme não ouvir. Alice pareceu acreditar e por isso mudou de assunto. Rosalie sabia de toda minha pesquisa e insegurança, me olhou preocupada. Ela sabia que depois iriamos conversar.

Pelo restante da noite Edward não tirou os olhos de mim. Ele sorria de uma forma que me deixava sem ar. Sempre controlava meus pés e tinha o desejo de voar no seu colo. Demetri não saiu mais de perto de mim. Até mesmo quando fui ao banheiro e dancei com Edward. Ele ficou na beirada da pista, tenso, sem sair. Edward estava desconfiado... Não perguntou, embora eu via que por vezes, ele acompanhava os olhares de Demetri. Eu perdia um ponto. Tre e Edward conversavam pelo olhar.

E mesmo sabendo que James não estava mais na festa, Edward já sabia que ele tinha se feito presente e quando chegássemos em casa mais tarde, nada no mundo me faria fugir da conversa que eu não queria ter. Eu não era uma prostituta, nem de luxo, nem de verdade muito menos hipoteticamente. Edward me amava e eu acreditava nisso. Não seria James e seja lá qual for sua doença que iria me fazer tremer nas convicções.

Isso não anulava que o fato que Victória já tinha passado do tempo com essa história que a relaciona com James. Eu já sabia qual era, mas queria os detalhes. A partir do momento que isso poderia causar risco a minha vida, porque ele sem dúvidas era perigoso, tinha direitos. E iria exigi-los. Gostando ou não.

Edward anunciou que era a hora de ir e eu chorei quando ele tirou meu sapato dentro do carro. Foi uma sensação de alívio e dor. O sapato podia ser lindo, maravilhoso e arrasador... De dedinhos.

- Nossa, amor... Não chora. – Edward pediu desesperado massageando meus pés. Eles também estavam sangrando.

- Droga, eu não devia ter tirado. – choraminguei e ele massageou, me fazendo grunhir e chorar mais. – Edward...

- Por que você ficou com isso? É tortura, Bella!

Eu não respondi. Apenas sacudi o ombro e fiquei calada evitando chorar, mas meus pés tinham outros planos comigo. Assim que o carro parou, fui me mover, mas antes que pisasse no chão, Edward estava me carregando até o elevador. Ele me beijou carinhosamente e eu fechei os olhos sentindo a dor latejante.

- Não se mova, ok? – sussurrou me deixando ao pé da cama. – Tire só o vestido, mas nada de por o pé no chão, tá? – falou baixo e assenti confusa.

Depois que soltei o cabelo e me livrei do vestido, tive coragem de olhar o estrago. Meus dedos estavam tortos e sangrando. Até desencostei do carpete porque eu amava aquilo. Eu estava tão apegada ao apartamento que já não via mais como a casa que dividia com Edward. Era a minha casa. Nossa casa. Nosso ninho de amor. Pouco tempo depois ele voltou só enrolado no roupão, me ajudou a tirar a lingerie e me pegou no colo em direção a banheira cheia, saindo fumaça.

Tinha um cheiro de canela no banheiro e vi que vários sais estavam abertos a disposição. Óleos quentes de massagem também. Quando senti a água eu gemi descontroladamente, fazendo Edward rir.

- Calma amor, eu não te toquei.

- Bobo.

- Não faça mais isso com seu corpo. – sussurrou lavando meus pés e massageando. Aquilo era bom demais. – Vá de chinelo...

- Foi o que achei perfeito. Eu tinha que estar perfeita.

- Não tinha não.

- Foi minha primeira noite como anfitriã. Eu não podia te decepcionar. – sussurrei envergonhada. Em um movimento rápido, eu estava no colo de Edward.

- Me perdoa, amor. – pediu desesperado e fiquei confusa. – Não é isso a nossa vida. Não são jantares de gala ou recepções fabulosas. Eu te amo pelo seu jeito simples, inocente e cheio de vida. Você é perfeita fazendo caricias em mim na hora de dormir, sendo teimosa, ciumenta... Eu sei que isso tudo é novo pra você. Bella, você nunca iria me decepcionar. Me perdoa pela minha vida causar esse tipo de exigência. Você ficou tão nervosa esses últimos dias que estou tão culpado.

Edward se desesperou e eu fiquei completamente chocada.

- Amor, olha pra mim. – pedi baixo e não resisti beijando-o – Eu te amo, por completo. Sabe, foi difícil entender mesmo, vigiar meus hábitos e também posturas sabe... Foi tudo muito novo. Só que não é sobre mim ou sobre você. É uma responsabilidade que seu pai lhe confiou e eu aceitei ser sua mulher. Apesar de não entender, no fundo, eu sabia que morar junto iria exigir de mim uma responsabilidade grande. Só que eu te amo muito, muito mesmo. Faria tudo outra vez... Por você. Por nós dois.

- James chegou perto de você... O que ele disse?

- Não importa. Foi a mesma coisa de sempre. – dei os ombros estranhamente não afetada com James. Como aquele ambiente recheado de paz e amor poderia ser mentira? James não sabia o que era amor para poder sossegar. – Eu sei que você me ama. É o que importa!

- Você realmente está bem com tudo? – perguntou-me depois de um tempo. Seu rosto estava deitado no meu ombro.

- Edward. Eu nunca passei por isso antes. Eu ainda não sei das coisas e sou meio ignorante, mas se eu escolhi viver com você, vou aprender sobre o seu mundo. Assim como todos os dias a gente meio que dá choque. É como sua mãe diz. Um processo de vida.

- Por que você é perfeita? Eu só não quero que isso te mude... Eu tenho medo de te perder. Tenho medo que você vá embora. Eu jogo tudo fora e vou atrás de você.

- Eu não irei a lugar algum, Edward. Por que isso?

- Eu achei que essa semana, você realmente conheceu o que é ser mulher de alguém como eu. Eu pensei que você fosse me deixar... – sussurrou

- Edward...

- É uma responsabilidade muito grande. O pai do meu bisavô abriu esse banco e eu preciso superar meu pai em eficiência para manter os negócios da família. São cobranças altas demais e eu não quero que o nosso relacionamento sofra com isso. A gente brigou essa última semana inteira. Bella, não é isso que eu quero. Eu te amo, mesmo... E só não sei como fazer um relacionamento funcionar.

- Edward. Olha pra mim. – pedi calmamente. Ele me fitou e algumas pequenas lágrimas escaparam dos seus olhos – Mesmo brigando, eu nunca cogitei a possibilidade de ir embora... Ela não existe.

- Eu quero que você saiba uma coisa. – pegou minha mão e colocou em cima do seu peito, que batia acelerado – Ele bate por você. O tempo todo.

...

Ainda não conseguia digerir a surpresa das confissões de Edward. Ele sempre me pareceu tão seguro de si que eu jamais imaginei que tinha medo de um dia eu quisesse ir embora. Cara, eu amava demais. Depois de passar a maior parte da noite fazendo amor, lenta e maravilhosamente, nós adormecemos ainda grudados, sem querer que aquela bolha se dissipasse, mas ao celular despertar, nós tínhamos um compromisso em Las Vegas. Hora de pegar o avião.

Fiquei olhando para o sapato escolhido do dia com tanta dor no peito... Meus pés iriam ser maltratados depois da deliciosa massagem de Edward ontem. Resignada, calcei os sapatos gemendo de dor. Sentei na cama para colocar uns brincos bonitos de Esme e verificar a pequena mala que fiz com roupas de emergência para mim e Edward.

- Amor, você vai usar essa arma de destruição de novo? – perguntou-me abotoando sua blusa. Fiquei tão perdida em sua perfeição que não respondi. Ele era tão lindo que minha mente demorava a registrar a informação. – Bells?

- Quê?

- Sapatos?

Ah, sim. Sapatos... Minha mente estava fantasiando com Edward sem roupa. Os efeitos da noite anterior ainda pairava sobre mim.

- Não posso ir de tênis. Esses são mais confortáveis. – deu os ombros. Não estava doendo tanto assim. Edward suspirou e tirou os sapatos dos meus pés, colocando dentro da mala.

- Use-os quando chegar lá. – beijou minha têmpora e empurrou meu chinelo com o pé. Mordi minha língua para não dizer que aquele não era o sapato do evento.

Essa semana tinha feito a promessa de não brigar com Edward. Em três dias ele faria 28 anos e manteria a paz. Por mais legal que brigar com ele fosse, essa semana iria aquietar-me. A verdade é que o medo dele de ontem me fez refletir muito sobre nosso relacionamento. Foi a primeira vez que percebi que era um jogo igual. Edward sentia medo, ciúme, dor como eu. Estranhamente, ganhei mais confiança. Meu ego inflou ao vê-lo chorar achando que eu ia dar o fim em tudo.

Durante o caminho, fiquei rodando a aliança dele. Era o meio que lembrei em dizer, ela está aí no seu dedo, porque é o par da que está aqui no meu, nós somos noivos. Demetri sorriu ao nos ver bem e seguiu o caminho até o aeroporto em silencio. Edward – como de costume – manteve as mãos em mim o máximo que pode, mesmo quando a gente falava apenas banalidades, tinha um jeito no modo que a ponta do seu dedo passeava pelo meu corpo, quase me fazia ter um orgasmo.

Ele tocava meus lábios, descia pelo pescoço, ombro, colo e até os seios para meu delírio. E as vezes estava falando do tempo, da bolsa, do dólar, real ou seja lá o quê. Seus olhos eram sempre quentes e isso também me dava uma vontade insana de gemer. Essa nova parte, a sexual, do nosso relacionamento era ótima. Ele era um amante incrível. Não era possível existir melhor.

Emmett e Rosalie já estavam dentro do avião quando cheguei. Alice dormia jogada na poltrona, provavelmente já sedada e Jasper sorriu ao me ver chegar. Esme e Carlisle estavam no canto, bem no fundo, sussurrando um com o outro. Era lindo vê-los. E então, tinha Victória. Nós não nos cumprimentos. Só olhamos uma para a outra. Ambas magoadas demais para dar o braço a torcer. Edward percebeu a nossa falta de interação, alias, todo mundo percebeu, e como uma boa teimosa, sentei na minha poltrona enfiando logo o calmante e bebendo delicadamente o suco de maracujá.

- Devagar... É pra dormir e não morrer. – Edward brincou tirando o copo de mim. – Eu quero um beijo com gostinho de maracujá.

- Bobo. – sorri escovando meus lábios nos dele.

- O que aconteceu? – sussurrou

- Nós nos desentendemos na festa ontem. – respondi sinceramente.

- É sobre a história...

- É. – respondi secamente, mas me arrependi por ter sido desnecessário com ele.

- Bella, seu horário. – Victória falou tentando soar fria, mas a voz falhou e ficou trêmula. Isso foi um soco no meu coração, mas ela tinha que ceder. Eu não. Meu interior se contorcia muito, porque era minha amiga, mas ela só iria funcionar na pressão.

- Obrigada. – murmurei duramente, puxando as folhas, colocando de lado e deitando minha cabeça no ombro de Edward.

Resignada ouvi seus passos até sua poltrona e fechei os olhos para dormir antes mesmo que o piloto anunciasse o voo. Eu estava seriamente magoando uma das poucas e valiosas amizades. Só que ela tinha que me contar tudo em relação a James. Se eu fosse boba e insegura, essa merda poderia ter causado mais uma briga feia. Tudo bem que fiquei bastante confusa e cheguei a imaginar coisas, mas se no passado Edward e Victória tiveram algo, eu simplesmente percebi que isso importava e ao mesmo tempo não importava.

Importava porque gostaria dessa informação antes. Se não havia mais nada. Sem motivos de esconder, certo?

E não importava porque Edward era meu e ninguém iria mudar isso. Muito menos um suposto amor do passado.

Dormi de babar a viagem inteira. Não era longa, por isso ainda estava dormindo quando desci do avião, escondendo o rosto em Edward. O caminho até o hotel era desconhecido pra mim e eu mal consegui prestar atenção na linda cidade de Vegas. Eu estava literalmente nos braços do morfeu. Só me dei conta que andava até o quarto com a minha família e assim que chegamos ao quarto, Edward me deitou na cama, tirando meus sapatos baixos e abrindo a calça jeans, tirando delicadamente. Eu quis agradecer, mas dormi antes de abrir a boca.

- Dorminhoca. – Edward beijou. Ele também tinha a voz arrastada de sono. – Hora de acordar.

- Mmmmm. Já? – resmunguei me apertando a seu corpo quente. – Está tão bom...

Edward me apertou mais só que tivemos que levantar. Tomei um banho tão lento de tão lerda que estava. Vesti o conjuntinho da noite e soltei os cabelos, fazendo cachos na ponta com o babyliss. Do jeito que Esme tinha me ensinado. Edward entrou para tomar banho durante o tempo que me maquiava sem pressa. Nós ficamos prontos quase uma hora depois.

Victória discutia baixo com Emmett no momento que pisamos no hall de entrada do hotel. Eles se distanciaram na mesma hora, mas ficou explicito que as coisas não estavam boas. Ela tencionou quando cheguei perto, e ao contrário do que minha língua queria, não perguntei o que estava acontecendo e segui em direção a uma Rosalie bastante curiosa.

- As vezes, eu tenho a ligeira sensação de que... – sussurrou pensativa pegando minha mão e a gente ia até Esme, do outro lado.

- De que o quê, Rose? – perguntei confusa.

- Emmett e Victória. Existe algum segredo entre os dois que envolve Edward que me deixa... – suspirou – Não sei dizer. Eu sinto ciúmes deles juntos. Do possível passado.

Minhas inseguranças foram subindo lentamente, mas algo freou meu pensamento. Por que diabos Rosalie teria ciúmes? Era sobre Edward... Não era? A não ser que... Emmett? Não! E foi por tudo ser tão estranho que meus olhos se arregalaram.

- Eu não sei de nada. Esse pensamento relacionado aquela conversa que tivemos no telefone... Isso me ocorreu com os dois agindo estranhamente o dia inteiro. – deu os ombros.

- E isso... Esse possível passado te incomoda? – perguntei.

- Sim. Tanto se for com Edward ou Emmett... – respondeu e nós duas olhamos para a direção onde Victória tocava o ombro de Edward. Meu sangue pareceu esquentar e meu ciúme me fez esquecer que ela era minha amiga e isso eram só conjecturas. – Nós vamos descobrir. – Rose sussurrou confiante e uma socialite chegou exigindo nossa atenção.

Durante o resto da noite eles não se aproximaram mais. Edward ficou do meu lado e Emmett ao de Rosalie. Me senti mal por Victória estar sozinha, mas ela sempre estava envolvidas em conversas de negócios. Afinal isso não era um passeio e sim uma reunião de gente importante. Emmett conforme a noite foi avançando, ficou pálido e olhava ao relógio toda hora. Rosalie profanou uns palavrões em Francês.

Victória olhou para o relógio e depois virou pra mim. Seu sorriso foi tímido e a vontade de sair correndo e abraçar minha amiga foi imensa.

- Nós podemos conversar? – sussurrou

- Claro.

Alívio foi tudo que senti. Nós ficaríamos bem.

- Me espere no seu quarto. – respondeu e assenti, me despedindo brevemente da minha família.

Rosalie me olhou confiante. Eu me senti mais segura com isso e beijei Edward nos lábios rapidamente antes de subir.

No quarto comecei a me sentir triste e pensando se peguei pesado em ser tão fria com ela. Meu coração gritou sobre meu egoísmo em pensar no quanto isso me afetava, sem saber que isso poderia ser difícil pra ela. Só que ao mesmo tempo não conseguia me sentir cem por cento culpada. Era meu direito. Ouvi a porta ser aberta e suspirei.

- Desculpa por ter sido tão ruim, mas eu me sinto no direito. – sussurrei angustiada.

- Tudo bem, Bells. Você vai saber da verdade.

Meu queixo caiu quando vi Emmett em pé ao lado de Victória, com as mãos no bolso completamente sem jeito e envergonhado.

Que diabos... ?

Notas finais
Aqui eu estou de novo e feliz por estar aqui. Gente, obrigada pelas reviews e indicações. Contem-me: O que vocês acham que Emmett tem a ver com tudo? E Edward e Victória? Será? Triangulo amoroso? Como Rosalie vai reagir... Principalmente Bella?! Uhnnnnnnnnn Deixem-me saber!