Broken
13 Open Your Eyes
Open Your Eyes — Snow Patrol
Urgh, estava difícil. O barulho da ponta do lápis de Jazz batendo freneticamente contra o papel estava me azucrinando o juízo. No fundo da sala tinha duas pirralhas perdidas que não paravam de falar sobre a nova coleção da Chanel ao invés de se concentrar na maldita prova. Aquilo estava me cansando porque precisava muito terminar cedo para ir embora. Jasper estava sua última questão como eu, trocamos nossas provas para verificar e assinar a chamada.
- Eu te envio minha parte do projeto hoje a noite. – comentou enquanto agendava algo no seu celular e me puxava ao mesmo tempo para o refeitório. – O que achou da prova?
- Teria sido mais fácil se aquelas matracas estivessem ficadas quietas. – resmunguei praticamente me jogando ao lado de Alice que tinha a vida concentrada no seu notebook. Era isso, eu precisava comprar um computador pra mim. Ou o trabalho de amanhã estava perdido.
- Nossa! A aula foi um saco, né Jazz? – perguntou a tagarela.
- O quê Maria? – Alice perguntou arqueando a sobrancelha ameaçadoramente – Chamou meu namorado como?
- Jasper. – corrigiu sorrindo torto. – Eu disse que a aula foi um saco, Jasper.
Ah, que abusada!
- Talvez se você tivesse calado sua boca. – comentei sarcasticamente tentando decifrar como abria minha salada. John veio ao meu socorro quando descobriu como se abria a sua. Eu meio que me dava bem com ele. Tinha em torno de 23 anos e estava ali tentando arrumar um bom emprego, apesar de ser um grande playboy. Alice fofocou que o pai tinha cortado os gastos extras.
Ela abriu a boca e ficou me olhando com a sua melhor forma feia, mas eu sinceramente não estava me importando. Tentei engolir a comida, mas estava preocupada com o trabalho. John e Jasper pareciam tão seguros de si...
– Qual é essa última aula? – perguntei a Jasper ignorando a menina tentando me xingar. Alice mordia os lábios para não rir.
- Literatura. – respondeu sorrindo e olhando divertido para Maria.
- Você não pode falar comigo assim... – Maria sussurrou com aquela vozinha mimada quase chorosa.
- Maria, dorme. – resmunguei cansada – Jasper, estou cabulando a última aula. Manda-me o projeto.
- Certinho. Cuide-se. – acenou e Alice me deu um beijo estalado na bochecha e baguncei seus cabelos. Minha cunhada era maníaca, mas era minha amiga.
Maria continuava me olhando feio, mas ela pegava pesado sempre falando demais ou simplesmente mostrando o quão apaixonada por Jasper era. John pegou meu suco intacto e começou a beber olhando para algum gráfico que Alice tinha na tela do computador. Jasper começou a sua jornada com o pote de salada. Ninguém consegui abrir aquilo.
Demetri me esperava do lado de fora e meu salto resolveu prender em todos os buracos durante meu caminho até o shopping mais próximo. Nós ficamos conversando sobre o tempo enquanto ele se preocupava em me segurar toda vez que virava o pé. Hoje não era meu dia sorte ou qualquer outra coisa. Encontrei um modelo de computador igual de Edward e não pude evitar de olhar feio a vendedora que queria me empurrar um rosa.
A culpa não era dela que eu não era Alice para ver o mundo coloridamente em tons femininos. Eu só estava irritada.
Demetri estava mais atrás, me dando privacidade enquanto conversava com Emmett no telefone, ele continuava sendo meu amigo do coração, antes de ser meu cunhado, mas também sabia ficar no meu pé com seu modo protetor. Ele queria me levar para almoçar, visto que Edward estava fora da cidade e só chegaria a noite. Eu não queria pensar que passaria o dia inteiro sem falar com meu namorado, por isso estava concentrando minha energia em ficar irritada com o mundo. Eu odiava com minhas forças ficar sozinha!
Neguei até minha ultima gota de paciência dizendo que iria comer o que Carmelita estivesse feito, mesmo não esperando ninguém para o almoço. Faltavam só duas quadras quando praticamente fui puxada na direção oposta por alguém e Demetri segurou minha cintura com força para me tirar da pessoa. Olhei para lado e reconheci os cabelos loiros sujos de James.
- Solte-me James! – rosnei vendo Félix que sempre andava por perto se aproximar do outro lado da rua.
- Afaste-se – Demetri falou com um tom de voz ameaçador que me arrepiei por completo. Ele me girou e posicionou atrás do seu corpo. Tinha muita gente olhando o pequeno desentendimento e só me faltava aparecer em alguma revista ou site.
- Calma... Só quero conversar! – sorriu inocentemente. Aquilo revirou meu estomago.
- Não é permitido. – Félix rugiu criando uma barreira com Demetri. – Não chegue perto de Senhorita Swan novamente.
- Bella, eu vou te encontrar novamente. – James disparou olhando nos meus olhos. – Quando o Cullen te jogar fora e ninguém mais te proteger, eu vou te encontrar.
Engoli aquela ameaça me sentindo suar frio, mas Demetri me levou pelo braço porque eu não conseguia me mover corretamente. Ele estava tentando me confortar, mas acho que seu treinamento não ensinou como acalmar uma mulher em pânico. Eu me sentia segura com ele, então não liguei para seu lado sem jeito. Esperava que com sua namorada – se é que tivesse alguma, ele soubesse ser mais ajeitadinho.
As portas do prédio já estavam abertas quando chegamos e pedi que ele instalasse todos aqueles CD’s estranhos no computador enquanto tomava banho. Eu acho que precisava ficar sozinha. Meu braço tinha manchas vermelhas que serviriam como belos hematomas. O banho me relaxou bastante, tanto que senti sono, mas fui almoçar com Carmelita e Demetri na cozinha e eles conseguiram me animar contando piadas e jogando comentários aleatórios sobre o jornal.
- Então, se eu ficasse sozinho com Emma Stone, iria pedi-la em casamento, mas se ela negar, aceito um autógrafo.
- Como se aquela mulherona fosse casar com você, menino. – Carmelita ralhou daquele jeito dela meio cafona.
- Ei, eu sou bonito tá! – defendeu-se e eu quase engasguei com a minha comida. Demetri olhou pra mim ressentido, mas caiu na gargalhada logo depois. Ele era bonito, mas o modo que sua voz saiu magoada com o comentário que me fez rir.
- Todo mundo encontra seu par de chinelo perdido. Se eu encontrei Edward, você encontra Emma. – sorri e ele corou – Se um dia vê-la em algum evento, prometo pegar o telefone.
- Não dê esperanças, Dona Bella! – Carmelita brincou, mas eu ignorei a palavra “Dona”. Eu já tinha dito só Bella.
Começou uma reportagem que falava do baile anual contra o câncer de mama que os Cullen promoviam e a notícia foi estendida até passar umas imagens de Edward fazendo discurso, chegando a lugares, andando na rua ou visitando alguns diretores de hospitais. Cheguei a debruçar na mesa para olhar bem o quanto meu namorado era lindo e importante. Carmelita soltou umas piadinhas e me expulsou da cozinha dizendo que era hora de estudar.
Eu não era muito fã de computadores, eles ainda pareciam assustadores pra mim, mas abrir o Excel e começar planilhas não era diferente dos computadores do curso ou de Jasper, então gastei toda minha tarde com minha bunda colada na cadeira do escritório. Ela até era confortável, mas tudo que queria mesmo era cama. Toda vez que precisava relaxar a mente dos cálculos, olhava para o quadro verde que me lembrava florestas tropicais. Eu nunca fui a uma, mas eu acho que o verde me hipnotizava. Perto das três da tarde, recebi o e-mail do meu parceiro e juntei todo o trabalho.
- Emmett... Acabo de descobrir que não tem impressora aqui em casa. – resmunguei assim que ele atendeu. – Estou enviando para seu e-mail um arquivo, imprima aí e manda entregar aqui? – perguntei bocejando.
- Certo, certo. – sorriu – Bells, você não tem nada para me contar? – perguntou com um tom de voz mais sério.
- Não. – menti. A primeira coisa que pensei foi o encontro com James, mas engoli a resposta.
- Nadinha? – insistiu – Isabella...
- Não sei do quê está falando. – falei mais baixo tentando fazer minha voz soar doce e confusa. Estava aprendendo a ser cínica com o melhor professor. – Já mandou imprimir?
- Já. Em dez minutos chega aí. – respondeu e ouvi falando com alguém sobre isso. – Então, Félix me reportou sobre o encontro com James hoje.
- Ah isso? – bocejei. Não foi intencional, estava com sono mesmo.
- Sim. Edward não sabe. Como não foi nada demais, deixarei para que conte quando voltar a noite.
- Deixou a batata quente na minha mãe, Em? – resmunguei bufando.
- Claro. Você pode contar com jeitinho. Se eu ou um dos caras contar, ele vai quebrar e mandar matar James. – sorriu e um frio desceu pela minha espinha. Edward era capaz de mandar matar James e eu não tinha dúvidas disso.
- Ok. Até mais Em, preciso estudar mais algumas coisas porque matei a última aula. – sussurrei desligando o telefone. Na mesma hora Carmelita veio com um pedaço de torta de frutas vermelhas com suco de laranja pra mim. Tentei focar nos estudos e na torta, mas a reação de Edward me preocupava.
Não era o destino de James, mas sim o que Edward poderia sofrer com isso. Eu me preocupava com as ações impensadas dele.
Pisquei e me vi com um vestido azul colado ao corpo, com sapatos pretos cheio de manchas marrons. O chão tinha uma cor vemelha intensa e úmido. Levantei meus olhos e encontrei Edward me fitando daquele jeito intenso que fazia minhas pernas ficarem bambas. Um toque leve na minha cintura me fez quebrar a conexão com Edward e desviei minha atenção para os cabelos vermelhos ao meu lado. Victória sorria pra mim genuinamente.
Eram duas pessoas que eu amava incondicionalmente do meu lado, mas ao meu redor era cheio de teias de aranhas, goteiras e escuro. Apesar de que pela penumbra eu podia perceber ser a sala de jantar dos Cullen. As cadeiras grandes, a enorme mesa da madeira maciça. Havia várias taças de cristal cheias de líquidos vermelhos e Victória bebia uma delas completamente feliz. Observei o candelabro do centro da mesa, era todo trabalhado com anjos de expressão amargurada e asas tortas, até que senti Edward me abraçar, sussurrando que me amava. Eu quis saber o que estávamos fazendo ali, mas não saia som da minha boca.
Minha mente queria perguntar, mas minha boca não se movia. Edward roçava a ponta do nariz no meu ombro desnudo, dizia coisas lindas e só que naquele momento me pareceu assustador. Tudo era tão sujo, tão escuro, tão cheio aranhas que nós tínhamos que sair dali. Victória me ofereceu um pouco da sua bebida e eu não queria aceitar, mas meu corpo pegou, sorriu e bebeu. Era sangue. Eu sabia que era sangue. Meu pânico interior foi interrompido quando senti algo respingar em minha perna e uma enorme poça de sangue vinha do outro lado da mesa. Tentei acompanhar, mas Edward continuava me beijando, praticamente me violentando como ele sempre fazia de brincadeira.
Olhei para o sangue novamente e vi um corpo estendido, onde saia todo sangue que Victória enchia as taças. Ela olhava magoada para o corpo, mas não parava de beber e quando sorvia, sorria. Demorei a reconhecer o rosto de... James. Seus olhos azuis estavam caídos, mortos, sua pele pálida, os cabelos ensanguentados e os lábios abertos. Eu comecei a querer gritar, a sair correndo, mas Edward me segurou pelos ombros e me olhou bem sério.
- Tudo que eu faço é porque eu te amo mais que a minha própria vida. James nunca mais vai encostar-se a você. Eu nunca vou te abandonar. – seus lábios se moviam lentamente enquanto me segurava para não cair. Tentei olhar novamente, mas ele não me deixou, tomando meus lábios com força. – Eu matei James por você. – sussurrou
Pisquei novamente e meu corpo estava sendo sacudido bruscamente. Minha visão foi tomando foco e Edward falava algo comigo totalmente preocupado. Percebi estar deitada na cama, mas meus olhos cheios de lágrimas e meus dedos apertavam os lençóis ao meu redor. Edward soltou minha mão e beijou meus nós com cuidado, fazendo o mesmo com a outra. Eu ainda não processava o que ele falava, meu coração batia tão forte no peito que me deixou surda. Eu vi que ele falava com alguém, pedindo algo e gesticulando, enquanto voltava sua atenção pra mim.
Ele abriu alguns botões da minha blusa e colocou a mão entre meus seios, fazendo uma pressão relaxante. Meus batimentos foram diminuindo e consegui respirar, soltando pela boca uma grande quantidade de ar. A pressão da minha cabeça também diminuiu com isso. Eu estava assustada. Edward viu que abri os olhos novamente e sorriu quando eu sorri pra ele.
- O que aconteceu? – perguntei meio rouca.
- Diga-me você, amor. Você me assustou com seus gritos.
- Como eu vim parar na cama?
- Eu cheguei mais cedo e Carmelita disse que você estava estudando no escritório. Encontrei você dormindo e te trouxe pra cama, mas quando fui beber água, seus gritos ecoaram por todo lugar. E depois demorou uma eternidade para acordar. – respondeu meio nervoso, coçando a cabeça e agarrando uma grande quantidade de cabelo que pensei que fosse arrancar. Tirei sua mão e comecei a acariciar o local que ele puxou com força.
- Eu acho que tive um sonho ruim. – respondi meio envergonhada pela minha crise. – Eu queria te responder, mas meu coração batia muito forte.
- Sonhou com o quê, amor? – deitou-se ao meu lado, me puxando para seu peito. Ele ainda estava meio vestido. – Seus pais? – perguntou preocupado e sem pensar assenti. Eu não tinha intenção de mentir pra ele, mas quando fui ver, já tinha feito.
- Está tudo bem agora. – sorri beijando seu peito bem acima do coração. – Desculpe por assustá-lo.
- Tudo bem. – sorriu torto. – Eu te amo, meu dever é cuidar de você. – beijou-me lentamente e só depois de um tempo consegui corresponder seu beijo, porque minha mente focalizou a intensidade de suas palavras. – Eu vou tomar um banho e nós descemos para comer. Carmelita deve estar fazendo algo para você bem especial.
Sorri observando tirar a roupa e entrar no banheiro. Carmelita entrou no quarto com uma bandeja com chá de camomila, o cheiro iria reconhecer de longe.
- O jantar de vocês fica pronto em quinze minutos. – sorriu
- O que você fez hoje? – perguntei aceitando o chá. Eu precisava me acalmar.
- Lasanha. Demetri está quase pulando de alegria. – brincou afagando minha mão. – Relaxa viu, o rapaz da empresa trouxe seu trabalho. Coloquei do lado do seu computador no escritório.
- Carmelita! Estou com fome! – Edward gritou do banheiro e ela saiu do quarto completamente corada e revirando os olhos.
Depois que conversamos sobre relacionamentos com funcionários, isso era muito novo pra mim, mas eu gostava dela e me recusava a criar esta barreira, Edward também passou a conhecê-la melhor e agora a tratava com carinho. Eu amava fazer meu namorado enxergar as pessoas. Tomei meu chá colocando o sonho no fundo da minha mente. Era só um pesadelo porque adormeci pensando nisso e não uma premonição... Eu acho.
Quando Edward saiu do banheiro só enrolado na toalha, com gotas escorrendo por todo seu corpo, eu esqueci até meu nome. A porta foi fechada em um baque leve e ele tirou a toalha, jogando na beira da cama e acabei queimando minha língua com o chá. Edward de roupa era lindo. Edward Cullen sem roupa era a verdadeira perfeição.
Coloquei a xícara na cômoda da cama e olhei enquanto vestia sua calça de moletom e esticava a mão para me puxar da cama. Aceitei de bom grado e ele desceu me agarrando como se tivesse dias sem me ver. Eu ri pra isso. Edward e seu remédio de me fazer melhor só com o seu sorriso. Nós jantamos em meio a risadas e conversas fáceis. Carmelita se foi quando a louça foi lavada e eu fui verificar meu trabalho completo. Guardei meu material do dia seguinte e aproveitando que finalmente estávamos sozinhos, tirei minha primeira blusa, ficando só com manga fina.
- Bella, você tem algo para me contar? – Edward perguntou de repente e xinguei mil palavrões mentalmente. Esses Cullen, todos iguais.
- Sim. – respondi com meu melhor tom de voz firme. – Eu ia esperar quando fossemos dormir. Quem foi? Emmett ou Demetri?
- Não importa quem. – deu os ombros. – Você não ia me contar, não é? – perguntou mais baixo e me surpreendi, ele parecia tímido.
- Ia sim. – respirei fundo. – Já aprendi minha lição com essa história de James. Só que eu quero que você seja sincero comigo e me conte exatamente o que aconteceu. – fitei seu rosto e sua expressão murchou um pouco.
- Meus motivos de odiar James você só vai entender se Victória te contar. Eu não posso fazer isso sem que ela saiba. Foi um tempo muito complicado e sei lá, ela é mulher e não gosta que ninguém saiba desse ponto da vida dela. – gaguejou coçando a cabeça.
- Tudo bem. – falei por fim. – É só por ela ou há algo mais?
- Há sim. Se esse filho da puta continuar querendo falar com você...
- Edward! – cortei sem esconder meu nervosismo – Por favor, vamos apenas mudar de assunto. Eu entendo sua posição de proteger Victória, mas agora, falar de James... – gesticulei confusa e ele encurtou o espaço vindo me abraçar.
- Tudo bem, meu amor. – beijou-me lentamente – Amanhã nós temos um compromisso. Eu mandei fazer seu passaporte, mas preciso da sua assinatura e outras coisas. Vamos até o aeroporto fazer isso.
- Ok, mas, por quê? – perguntei confusa beijando seu peitoral.
- Uhn, agora que tudo está as boas e temos você e Rosalie, minha mãe quer retornar com a viagem anual de família para um lugar quente. Com praia e afins...
- Quando?
- Em duas semanas, vamos para o Caribe. – respondeu e eu gemi – Que foi? É legal. Quer dizer, na última vez foi meio chato, mas eu tenho ideias legais para nós dois. Eu não sou mais solteiro... – sorriu maliciosamente com um olhar distante.
- Não é isso. Sua irmã vai me torturar com compras e vai me amarrar na cadeira enquanto faz as minhas malas. – resmunguei e ele mordeu meu lábio inferior que estava projetado pra fora em forma de bico manhoso. Ele estava me acostumando mal. Edward riu e ficar em pé no escritório com ele estava ficando desconfortável.
- Eu vou tentar detê-la, mas você precisa aprender a dizer não também. – sorriu me puxando em direção ao quarto.
- Tudo bem. Hoje é dia de ação e eu escolho o filme. – pulei na cama roubando o controle antes que ele pegasse. Era o nosso acordo, mas ele sempre trapaceava. Edward gemeu se jogando na cama, fazendo seu melhor drama, mas aprendi a ignorar esse ponto ou iriamos assistir UFC pela terceira vez na semana.
...
- Sem chance que vou usar isso! – gritei mais pra mim mesma do que para qualquer pessoa. Alice bufou e entrou no provador comigo. – Você está levando ao pé da letra essa festa a fantasia.
- Relaxa! Nós temos a festa e uma viagem de férias no dia seguinte. E gata, você usa uma aliança de um Cullen! Ninguém fica pra trás!
- Eu estou parecendo uma puta! – sussurrei ultrajada. Era a verdadeira colegial/ bibliotecária com uma saia de prega vermelha curtíssima e blusa de pano e botões.
- Espere só até ver a bota! É tão sexy! – sorriu me jogando um par de botas pretas cano alto.
- Seu irmão implica com minhas calças jeans, imagine isso, Alice! – murmurei envergonhada, mas ela estava colocando as botas em mim.
- Edward reclama de tudo. Tenho 18 anos de experiência! – sorriu travessa – E além do mais, Rosalie vai de melindrosa e eu de vampira. Não estará sozinha.
- Ele vai de quê?
- Você não leu o convite, não é? – perguntou impaciente e me girando no espelho. O resultado era que Edward iria arrancar as roupas do meu corpo e fazer sexo loucamente comigo – essa parte eu amei. E ao mesmo tempo iria fazer minha vida um inferno sobre isso. – Só as mulheres vão fantasiadas. Os homens vão de smoking. – revirou os olhos – Pode tirar, vamos levar essa.
- Não!
- Caladinha.
Alice me deixou ir depois que tinha me torturado o suficiente no dia e como sabia que estava sozinha em casa, na sala mesmo fui tirando a roupa porque não aguentava mais nada no meu corpo. Na escada eu já estava de calcinha e soutien e vi que Edward tinha feio uma maldita zona no meu lado no armário quando pedi para pegar uma blusa. Custava puxar sem desarrumar tudo? Comecei arrumando só para ajeitar, mas acabei encontrando mais coisas fora do lugar que imaginava.
Sufoquei um grito quando voltei para quarto e encontrei Edward deitado na cama com a expressão mais divertida do universo. Ele tinha o nó da gravata frouxo, o terno Armani jogado no canto e os sapatos.
- Que diabos você está fazendo aqui?
- É isso que você faz toda vez que Alice te irrita? Chega em casa e sai se despindo? Preciso ficar em casa mais vezes quando você vai às compras. – sorriu torto. – Eu te espiei pela cozinha, tinha acabado de chegar.
- Eu não te ouvi. – resmunguei controlando minha respiração. – Você me assustou.
Edward não me respondeu, seu olhar estava preso no meu corpo daquele jeito intenso. Eu podia imaginar as mil coisas que passava pela sua cabeça. Nenhuma delas era para menores de idade.
Lentamente atravessei o quarto e sentei em seu colo, onde o mesmo soltou meu cabelo e beijou meu ombro com cuidado, espalmando as duas mãos na minha cintura. Ajeitei meus joelhos dobrados ao seu redor relaxei com seu toque. Edward capturou meus lábios cheios de carinho e desejo, dando uma atenção especial aos meus seios com as mãos duas mãos.
- Como foi a escolha da fantasia? – perguntou escovando os lábios na minha clavícula.
- Urgh, você terá duas reações.
- Explique...
- Eu fico na dúvida qual será a primeira, mas digamos que se você me visse vestida, iria achar que estava tentando realizar alguma fantasia sexual. – comecei com o rosto quente de vergonha, mas ele parecia não querer parar de puxar a borda do meu bojo. Isso me deixava excitada e zonza – E então iria arrancar minha roupa. E a segunda reação seria arrancar minha roupa de qualquer modo. – gaguejei quando senti seus lábios beijando bem acima do soutien.
Suas mãos estavam vagando para fecho e dessa vez ele não iria arrebentar. Meus seios foram libertos e ligeiramente acariciados por ele. Edward nessa semana que nós nos descobrimos mais sexualmente tinha um jeito encantador de trabalhar no meu corpo e eu me descobri sem pudor em perguntar coisas. Veja-se, eu nunca tive um namorado antes e nunca me imaginei de modo sexual. Algum momento essa semana eu consegui me ver como mulher. Reconhecia em mim uma atração que foi construída através dos olhares ardentes e desejosos do meu namorado.
Ele também foi paciente, me ensinando e explicando sobre posições – não que a gente tivesse tentando, mas de noite, na cama, era o nosso momento, onde eu perguntava o que praticamente vinha na minha cabeça. Decidimos também não usar camisinha. Eu usei e não gostei. Foi estranho e como se o pênis dele estivesse revestido por saco plástico. Eu gostava do contato íntimo... Meu medo era engravidar, isso estava fora de cogitação, mas ao tomar remédios, podia ficar tranquila.
- É tão boa ao ponto de ser ruim pra mim... – sussurrou meio sôfrego enquanto chupava um dos meus seios e apertava o outro.
Fiquei na duvida se ele se referia a mim ou a roupa. Se era um elogio ou já estávamos entrando no momento da incoerência. O celular dele começou a tocar no modo de emergência, então, podíamos estar no melhor do momento, que ele teria que atender. Ainda bem que era só o começo...
- Edward Cullen. – disse no modo arrogante – Seria um prazer, Garrett. – sorriu torto daquele jeito consegui-o-que-queria. – Eu e minha mulher ficaremos muito honrados em jantar com você hoje noite no Four Season. – encerrou a ligação.
Eu fiquei zonza. Eu e minha mulher, ok, eu usava uma aliança de noivado, mas isso não significava nada porque Edward não me pediu em casamento. E como ele tinha audácia de marcar um jantar de negócios para hoje! Eu não sabia como me portar em eventos assim. Muito menos o que usar. Talheres, posições, sorrisos, conversas... Santa Merda! Eu ia precisar da minha sogra.
- Calma... Amor, por favor, não me mate. – Edward sorriu me fitando desesperando. Ele sabia que tinha feito merda – Eu quero comprar o banco dele. Bom, eu meio que o encurralei e ele está querendo acordo. A esposa dele está na cidade e ficaria meio chato aparecer sozinho. Por favor. – gaguejou coçando a cabeça. Eu esquecia minha raiva quando ele ficava adorável assim.
- Edward, eu não sei o que fazer em um evento como esse. – sussurrei porque meu tom de voz era pra gritar.
- Bom... Sentar, sorrir, distrair a esposa dele e comer comigo. – sorriu torto e bati em seu braço porque ele tinha que fazer piadinha. – Eu prometo que o próximo te aviso com mais antecedência. Pensa pelo lado bom, você é linda de qualquer jeito, então...
- Então, eu vou assim. Porque do jeito você fica em dúvida sobre se olha nos meus olhos e continua a conversa ou volta a atacar meus seios, eu acho que farei sucesso. – pisquei provocando-o. Edward me jogou contra cama e deitou em cima de mim.
- Só quem os vê sou...
- Você, eu sei. – cortei rindo e o empurrei de cima de mim. Ele me olhou incrédulo, mas já estava com o celular dele mandando uma mensagem meio desesperada para mãe dele. – Que foi? Eu tenho um jantar para me arrumar.
...
Jantares, festas a fantasia, fotos no jornal, paparazzi perseguindo, remédio para dormir, avião particular, Emmett animado, Edward preocupado, Alice enjoada e eu desmaiada. Tudo aconteceu tão rápido que eu deitei em um dos quartos dos fundos e praticamente desmaiei com o remédio para enjoo que Esme havia me dado. Meio que entrei em pânico quando a ficha caiu: Puta merda! Eu ia voar. Eu sei, dentro de um avião, o transporte mais seguro do mundo, quer dizer, isso foi palavras de Edward, mas eu tive que lembrar que os acidentes sempre eram fatais. Sendo assim, Esme me nocauteou com um comprimido pequeno e branco e Alice com outro. Ela caiu de um lado e eu do outro.
Não sei quanto tempo se passou, mas Edward me acordou porque íamos pousar e era preciso me prender no cinto de segurança. Cambaleante, sentei ao seu lado e sorri meio mole para Rosalie que me fitava divertidamente. Soltei um suspiro aliviado quando ouvi que estávamos no Caribe. Demetri veio pra mim com um pente e espelho. Seu sorriso era tímido, mas desconfiada aceitei.
- Vocês iam me deixar sair assim? – perguntei a Rosalie e Esme que fuxicavam suas boas.
- Eu ia avisar, mas seu pinguim foi mais rápido. – Rose deu os ombros.
- Por que você não me perguntou se eu ia te avisar? – Edward perguntou claramente ciumento.
- Porque quando eu acordo descabelada, completamente amassada e cheia de remela, você me agarra e diz que sou a mulher mais gostosa do mundo. – sussurrei no seu ouvido dando um beijinhos estalado na sua bochecha.
- Você tem razão, você é linda de qualquer jeito. – sorriu torto esquecendo a crise de ciúmes.
- Os helicópteros estão prontos, senhor. – Félix entrou novamente no avião e avisou a Carlisle. – Há fotógrafos por todo lado, por isso estamos usando os corredores internos do aeroporto.
- Certo, Obrigada Félix. – Carlisle soou sério. Era até estranho de ver.
Edward disse que já estava tudo certo com meu cabelo e Alice me deu um óculos de sol para esconder meu rosto destruído. Eu me sentia meio dormente e agarrei Edward como se fosse o fim do mundo, ele aproveitou e enfiou a mão na minha bunda pelo bolso da calça. Dei-lhe um olhar mortal, mas ele somente encolheu os ombros não retirando a mão, ainda apertou um pouco. Emmett atrás de mim soltou uma risadinha com Edward, só que Rosalie lhe beliscou para parar com o comportamento bobo. Jasper segurava Alice a minha frente com tanto carinho e cuidado, como se fosse um vaso de cristal. Ele a olhava de uma forma tão apaixonada que eu suspirei. Era tão lindo.
- Que foi? – Edward sibilou baixinho. Atravessei meu braço em sua cintura por dentro da blusa e segurei o cos da sua calça, brincando com o indicador na borda da sua cueca. Edward meio que corou, mas logo assumiu aquele sorriso sacana dele.
- Eu te amo. – sorri e ele se inclinou para me beijar.
- Eu também te amo. – sorriu escovando o nariz no meu.
- Isso não é lua de mel, é? – Emmett perguntou soltou aquela gargalhada idiota. – Tem casal demais para isso.
- Não pode ser lua de mel, burro. – Edward rosnou – Alice nem ao menos está noiva.
- Ah, mas ela vai dormir no mesmo quarto que Jasper, então conta. – Rosalie provocou e os dois olharam feio para ela. – Deixem de ciúmes. Ela já o namora a mais de dois anos. Por favor. – revirou os olhos e eu ri.
- Vocês pararam para observar que eu Jasper estamos aqui ouvindo vocês falarem da minha vida sexual? – Alice perguntou meio grogue a nossa frente. Eu já podia ver os helicópteros pelo fundo do vidro.
- E que eu e seu pai estamos ouvindo vocês discutirem a vida sexual da nossa filha caçula? – Esme perguntou colocando as mãos na cintura. Ela piscou para Jasper para mostrar que estava brincando, o menino estava pálido. – Deixem a irmã de vocês quieta. – ralhou vindo abraçar Alice. – Você acha que aguenta mais um pouco? – perguntou preocupada abraçando a filha cheia de mimo. – Qualquer coisa chama mamãe. – sussurrou
Desviei meu olhar de um momento íntimo bem intenso que me fez sentir inveja. Na verdade, eu sabia que era muito errado da minha parte sentir algo do tipo de Alice, porque eu a amava como minha irmã, mas eu não tive uma mãe para se preocupar comigo quando estive doente ou somente enjoada. Edward me abraçou mais apertado, imaginando o que estava sentido. Espiei Rosalie no canto e ela estava olhando para todos os lados, exceto para Alice e Esme. Nossos olhares se encontraram e involuntariamente sorrimos calorosamente uma a outra.
Eu sei que ela não era minha mãe, mas era sempre bom saber que podia tê-la por toda minha vida. Isso me fez sentir melhor. Demetri se aproximou com nossas bolsas e pertences pessoais e vi que nossas malas iam direto a outro helicóptero já pronto para partir. Edward conversava com Emmett quando senti uma pequena mão quente tocar minhas costas.
- Vai ser rápido. Quando você começar a sentir enjoo, vamos estar perto de pousar no resort. – Esme sorriu afagando meus cabelos. – Qualquer coisa só chamar, ok?
Assenti timidamente e corei porque era uma boba. Eu não podia ter uma mãe agora, mas eu tinha uma sogra que não era megera como nos filmes. Era doce, amável e cuidava de mim sempre que eu precisava. Como prometido, quando comecei a me sentir zonza pela altura, fui capturada pela beleza da ilha. Maravilhosa. Eu nunca fui muito fã do sol, mas estava começando a achar que iria ganhar um belo bronzeado.
Nós descemos no hotel e tinha bastante gente para recepcionar. Eu me encolhi em Edward e Demetri veio para o nosso lado, abrindo caminho. Como aqueles fotógrafos chegaram foi o verdadeiro mistério, porque será que minhas fotos valiam tanto dinheiro assim ao ponto deles comprarem horários de barcos ou helicópteros?
Soltei um suspiro satisfeito quando chegamos no quarto e era enorme. Edward perguntou se eu queria café da manhã, mas ainda me sentia meio zonza, então achei que comer vinha depois de tomar banho e dormir. E foi o que fizemos.
Acordei cerca de duas horas depois que cochilamos. Edward estava descoberto e só de cueca ao meu lado dormindo pacificamente. Seu peitoral desnudo me chamou a atenção, fiquei trilhando caminhos entre os gominhos da sua barriga até os pelos escuros perto do seu ventre, onde a borda da cueca Ralph Lauren marcava presença. Ele continuou dormindo, sem se dar conta que praticamente babava pelo seu corpo, não podia acreditar que aquilo tudo era somente meu. E que também estava curtindo férias de família em uma praia do Caribe. Isso sim era demais. Levantei da cama e o sol estava a toda lá fora e agora sentia fome, mas devia ser a hora do almoço. Carlisle tinha fechado um andar inteiro para família e funcionários que vieram conosco.
Coloquei um biquíni de marinheira, arrumei uma bolsa com toalha, protetor solar, óculos, uma revista nova e o Ipod de Edward com música que gostávamos. Quando voltei para o quarto já vestida, encontrei meu namorado sonolento procurando sua sunga na mala. Eu tinha certeza que era isso, e estiquei o pano vermelho que estava bem a sua frente.
- Obrigada. – sorriu e tirou a cueca ali mesmo e puxando a sunga, quase soltei um suspiro meio desapontado. Nunca iria me acostumar com a sua beleza. E era só minha. – Está se sentindo melhor? – perguntou quebrando meu devaneio, ainda estava secando descaradamente. Ele pareceu não se importar. Edward quebrou nossa distancia e me abraçou, roçando o nariz no meu pescoço.
- Mmmmmm. Estou melhor. Sinto até fome.
- Isso é bom. – beijou meu ombro – Você quer ir a praia ou ficar na piscina?
- Praia.
Estava bem quente, tipo, quente mesmo, por isso prendi o cabelo em coque desajeitado e acabamos encontrando com Rosalie e Emmett também indo a praia. Eles disseram que Carlisle e Esme já estavam por lá com Alice e Jasper. O sol brilhando, pessoas de biquíni, areia quente, homens bronzeados e fotógrafos por todo lado. Foi assim até entrarmos em uma área privada do hotel. Tirei meu vestido revelando meu biquíni de marinheira. Rosalie deu uma piscadinha de aprovação. Edward ainda estava distraído com Jasper. Até que...
- Que isso Bellinha... Muito marinheiro vai querer atracar no seu navio. – Emmett comentou sacudindo as sobrancelhas de modo irritante, atraindo atenção de todos pra mim.
O olhar de Edward foi aquele bem intenso e feio para o irmão. Ele nem era pequeno ou indecente, mas era bonito. Isso bastava para meu namorado que tinha tendências a se cegar de ciúmes. Eu sorri desconcertada, mas Edward veio com o protetor solar e dando um olhar quente pra mim. Eu quis que ele arrancasse meu biquíni ali mesmo.
Pouco tempo depois os meninos foram para o mar e me estiquei na cadeira para me queimar de costas. Alice veio correndo por mim e tirou a cordinha do meu biquíni.
- É só não se mover muito rápido. – Rosalie falou dando os ombros. Frustrada por ver que até minha sogra não tinha a parte de cima do biquíni, deitei de novo e coloquei o Ipod de Edward novamente a toda altura.
Não sei por quanto tempo fiquei deitada, mas acho que tempo o suficiente para dormir com uma mão gelada do céu tocar minhas costas. Não precisei abrir os olhos pra sentir o corpo molhado de Edward deitar ao meu lado, me puxando possessivamente pra si.
- Você devia saber do perigo de ficar assim, Bella...
- Assim como? – perguntei inocente me preocupando se meus seios estavam aparecendo conforme me ajeitava em Edward, ele parecia tapar as laterais. – Não me pergunte, ideia da sua mãe.
- Eu sei, mas estava me referindo a você deitada, com esse biquíni pequeno... – sussurrou passando a ponta do dedo na lateral do biquíni, fiquei arrepiada na mesma hora. Meus seios me denunciaram e ele sorriu – Sem nada em cima...
- Edward... – censurei. Ele de novo me excitando na frente de todo mundo. Não que a nossa família tivesse ideia, mas... – Você precisa voltar a mergulhar. – completei e ele sorriu maliciosamente amarrando meu biquíni com força. – Ei, isso dói.
- Você vai vir comigo. – sorriu verificando na maior cara de pau se não estava mostrando nada.
- Eu não sei nadar. – sussurrei envergonhada.
- E quem disse que você vai nadar? – piscou sorrindo torto já me rebocando para água.
A agua não estava tão gelada, mas também não muito quente. Edward foi me puxando para o fundo e as poucas ondas batiam contra meus seios. Isso me arrepiava até a alma ou a expectativa do que iriamos fazer dentro da água. Não sei dizer. Tinha descoberto em mim uma falta de pudor sexual bem grande ou Edward me deixava tão excitada ao ponto de fantasiar sexo quente em qualquer lugar que passávamos. O máximo que tínhamos ido foi o chuveiro e a experiência de ter os azulejos gelados contra minhas costas pegando fogo foi bem intenso. Eu gostei.
- Terra, chamando Bella. – Edward mordeu meu ombro. Eu mal tinha percebido que estávamos em um banco e areia e eu tinha as pernas presas ao seu redor. – Onde sua mente estava?
- Eu estava imaginando umas coisas... – sorri e tinha certeza que corei.
Tinha intimidade o suficiente de confessar meus desejos a Edward, mas a vergonha de parecer depravada era extensa. Não sei como funciona um relacionamento adulto com envolvimentos sexuais bem intensos.
- Tipo o quê? – sorriu torto e quase pulei quando senti seu dedo brincando com a borda da minha calcinha. Isso seria bom... – Não queremos chamar atenção de ninguém nesta praia, amor... – sussurrou e eu mordi meus lábios com força.
Ele estava devidamente brincando comigo, passando o dedo por cima do meu clitóris e puxando o fundo da minha calcinha lentamente.
- Eu estava pensando nas coisas interessantes que poderíamos fazer aqui... – confessei envergonhada, mas não o suficiente para travar a língua, de repente, seria bom o resultado dessa confissão.
- Mmmmm... – sorriu meio jogando a cabeça pra trás, mas penetrou um dedo dentro de mim com força. Arfei, mas ninguém ao redor parecia se dar conta do que estava acontecendo comigo ali. Isso era interessante. – Se você soubesse todas as coisas que sempre quero fazer com você em todos os lugares que passo.
Eu não fui capaz de responder alguma coisa coerente, a não ser um gemido abafado, porque ele aumentou o ritmo e continuou tocando meu clitóris com o dedão. Apertei minhas mãos cravando a unha nas costas com força, deitando a cabeça no seu ombro. A mistura de tê-lo ao perto de mim, sendo o homem que amo, em uma praia do caribe e com pessoas ao nosso redor possivelmente incapazes de saber o que ele fazia comigo. Resultou em o melhor orgasmo da minha vida. Mordi o lábio para não gemer alto.
Minha respiração ficou ofegante e minhas pernas ficaram moles. Eu acho que não tinha condições de me mexer tão cedo, bom, espero que ele pudesse continuar comigo sentado no seu colo por mais um tempo. Eu sentia muito bem sua animação roçar a mim delicadamente.
- Está tudo bem? – perguntou com aquela pintada de arrogância de sempre. Ele ficava em um estado soberbo toda vez que eu tinha orgasmos fortes.
- Você acabou com a força das minhas pernas. – sussurrei e ele riu me abraçando apertado.
- Nós vamos ficar aqui até a hora que você quiser ir. – beijou minha bochecha.
Depois de mais alguns minutos apenas namorando dentro da água, Edward viu Esme acenar e fiquei mortificada de vergonha por estar aos amassos dentro da água, mas sai mesmo assim e me enrolei na canga porque iriamos almoçar em algum lugar no deck. Edward fez uma grosseria absurda com um dos garçons porque estava me oferecendo outras opções de suco. Esme quase voou no seu pescoço, mas meu chute na canela foi o suficiente para que parasse, mas não se redimisse, como sempre.
Eu abominava o comportamento grotesco dele, mas acho que era simplesmente incompreensível a sua mente que era o dever do garçom me contar o que havia na casa. Ele me continuou me olhando sem entender. Os ciúmes dele seriam um problema muito grande em nosso relacionamento. Dei meu melhor olhar feio e o ignorei, mesmo com sua mão fazendo carinhos em meu joelho.
Esme foi para o quarto descansar antes de um Luau que fomos convidados. Rosalie também a seguiu, deixando Alice escolher nossas roupas. Jasper, Emmett e Carlisle foram caminhar na praia. Comecei a seguir Rosalie, mas Edward me puxou pelo braço antes mesmo que pudesse dar dois passos.
- Bella? – perguntou com um tom ultrajado.
- O que é?
- Por que você ia sair assim? – sussurrou irritado.
- Deixou de dar piti de ciúmes? – perguntei alto e ele se encolheu coçando a nuca.
- Desculpa.
- Edward...
- Ele estava olhando para os seus seios...
- Edward...
- Ok.
Melhor assim.
- Eu odeio quando você trata as pessoas como se fossem inferiores, Edward. Nem todos são presidentes de grandes corporações ou irão herdar mais de quatorze bilhões de dólares. Eu sou como eles, não se esqueça.
Edward endureceu na mesma hora. Chegou a soltar minha mão que segurava. Seus olhos verdes que antes brilhavam porque queria me deslumbrar, assumiu uma postura densa, sólida e fria. Fiquei completamente chocada com essa atitude.
- Até quando, Bella? – perguntou secamente. Eu quase quis perguntar “até quando o quê?”, mas ele não me deu tempo. – Quando você vai continuar se diminuindo?
Cheguei a dar dois passos pra trás para responder. Do que diabos ele estava falando? O equivoco maior é que ele tinha razão em dizer que havia sim muita diferença entre ele e o garçom, além do fato dele ser o homem que eu amo, o garçom não tinha bilhões a disposição. Só que eu estava certa em dizer que isso não podia fazer diferença, mesmo que fizesse, porque o pobre rapaz era um ser humano e não precisava sofrer pelo ciúme besta dele. Tão confuso.
- Não é questão de se diminuir. Eu só estava dizendo que eu sou como ele no sentindo de não ter tanto dinheiro e poder como você. Seu ciúme fez com que tratasse o menino como lixo. – suspirei
- Não o tratei mal porque ele é um garçom. Tratei-o mal porque estava dando em cima da minha mulher na minha frente. – bateu o pé
Novamente o termo “minha mulher” me fez perder o rumo e simplesmente esqueci-me da briga quando senti minha calcinha molhar. Suspirei cansada de o meu próprio corpo me trair e me encolhi enrolada na canga.
- E ao contrário do que pensa, você é minha mulher. Se eu mando, você também manda. – sorriu arrogante. – Eu peço desculpas pelo meu mal comportamento, mas quando vou perceber, você já está puta. Posso deixar uma boa gorjeta para compensar.
- Deixa pra lá, Edward. – encurtei nossa distancia. – Controle-se, ok?
- Eu prometo tentar. – sorriu escovando os lábios nos meus, rodeando minha cintura com seus lindos braços fortes.
- Obrigada.
- Você quer fazer o quê? – perguntou-me depois de um tempo que ficamos abraçados. – Podemos ficar na piscina do hotel só pegando o sol da tarde.
- Você não quer ir com seu pai? Vai ser algo só de meninos... – perguntei confusa. Seria completamente o normal, mas Edward se denunciou coçando a cabeça.
- Eu vou fazer o quê lá? – perguntou meio sem graça. Ainda era complicado se estabelecer muito tempo ao lado de sua família, mas eu não podia deixar que Edward fechasse seu mundo em mim. Por mais tentador que fosse.
- Você só vai descobrir indo. Então, nos vemos mais tarde. Estou indo passar um tempo com as meninas. – beijei seus lábios rapidamente e o deixei em pé em meio ao restaurante.
Quando passei pelo saguão houve uma gritaria sem limites e só depois que Demetri veio ao meu encontro tapando a visão da entrada, compreendi meu nome entre os gritos. Sorri agradecida e vi que ele não usava aquela roupa de pinguim e tinha um ligeiro bronzeado. Ele corou e olhou para o outro lado, mas uma menina entrou no elevador, achei que fosse morrer de taquicardia. Ela sorriu lindamente e cheguei me encolher no canto para não atrapalhar, mas Demetri me surpreendeu em não se abalar. Ela, por outro lado, deve ter entendido minha presença e piscou, colocando algo em sua mão.
Abafei uma risadinha e segui em direção ao quarto.
Descobri uma banheira e um manual de instrução e preparei um banho tão gostoso que quase me arrependi de não ter arrastado Edward para o quarto. Deitei bem ao centro, deixando a água quente me ninar enquanto brincava com a minha aliança. Eu mal podia acreditar no que estava vivendo. Era tudo, de certa forma, bastante surreal e ilógico que aos fechar os olhos antes de adormecer acreditei fielmente que era um sonho. Que ainda iria acordar no meu antigo quarto na casa velha dos meus pais.
Ao contrário do que pensei, Edward estava distribuindo beijos no meu rosto e abri os olhos meio sonolentos. Essa história de fuso horário, viagem de madrugada e praia o dia inteiro cansa muito. Ele me puxou para levantar, peguei uma toalha e abafei o bocejo. Ele riu um pouquinho me ajudando a secar meu cabelo com outra toalha e estendeu um roupão. Depois disso a próxima coisa que senti foi a cama e um beijo casto nos lábios. Voltei a dormir pesado segundos depois.
Acordei sentindo um pouco de frio, não era como em casa, mas o vento da praia estava gelado ou eu que ainda vestia o roupão úmido. Sentei na cama ainda meio zonza e Edward estava me fitando do outro lado do quarto com a tevê ligada. Seu sorriso era bobo e divertido.
- Brigou com algum leão, amor? – perguntou rindo um pouco. Girei meu corpo para o espelho e depois de segundos percebi um grito agudo que era meu ecoar pelo quarto e uma gargalhada forte de Edward. Meu cabelo era um ninho de mafagafo.
- Idiota. – resmunguei baixinho e tirei o roupão para tomar outro banho.
Não haveria jeito de fazer meu cabelo desembolar. O pior é que sempre dormi com cabelo molhado, mas ele nunca acordava assim. A risada de Edward morreu quando me viu nua, mas ignorando-o segui direto para o banheiro trancando a porta atrás de mim. Eu sabia que ele tentaria escapulir para meu banho, mas ele riu do meu cabelo. Infantil? Eu sei. Só que meu esporte favorito era brigar com ele. Não me culpem. Segundos depois vi a maçaneta ser virada. Chupa essa, seu bobo.
Tomei banho sozinha e aproveitei para me maquiar, secar o cabelo e fiz um coque para enrolar as pontas. Assim que terminei todo meu processo de mulherzinha, encontrei-o pronto me esperando para sair com cara de poucos amigos. Mordi a bochecha para não rir quando deslizei meu biquíni e ouvi seu gemido. Ele estava sentado no meio da cama me olhando descaradamente. Seu amiguinho estava bem animado.
Alice era maníaca e queria ver o irmão me estrangular, porque o vestido era leve, bonito e transparente. Abraçava minhas curvas com perfeição. Edward arqueou uma sobrancelha me olhando e ignorei também. Vesti as havaianas perfeitamente brancas e sorri.
- Estou pronta.
- Percebi. – murmurou me avaliando. – Tinha uma mais transparente não? – perguntou e eu gargalhei alto abraçando-o por trás enquanto saiamos do quarto. – Não é engraçado, amor...
- O lado bom que para um banho noturno não será impedimento algum... – beijei suas costas e ele sorriu.
- Por mais que eu queira tomar você de todas as maneiras possíveis lá na praia, eu jamais iria te expor a algo que não podemos disfarçar efetivamente. – beijou-me com carinho. Eu não pude disfarçar a decepção que correu em meu rosto. Eu iria convencê-lo – Por isso... Eu pedi um quarto com aquela jacuzzi enorme.
- Você tem tudo friamente calculado, não tem? – perguntei rindo.
- Antes de você, sim. – respondeu sinceramente e fiquei confusa. Percebendo minha expressão, se adiantou me abraçando ainda mais apertado. – Eu nunca sou capaz de adivinhar o que passa em sua mente. Cada passo que dou com você é como pisar em ovos. Você pode me amar ou querer me matar e amor, eu não quero dormir no sofá novamente.
Gargalhei jogando meu pescoço pra trás e ele aproveitou para me atacar contra o espelho gelado do elevador. Edward ficou com o dedo brincando com meu decote e o casal de velhinhos quando entraram no segundo andar arfaram de pavor. Eu sorri pedindo desculpas, mas ela me olhou tão feio que me encolhi no braço de Edward que mordia a boca para não gargalhar.
Eu gostava dos momentos que não havia tensão entre nós, apesar de ultimamente nossas brigas serem divertidas... Eu assumia que meu namorado tinha uma personalidade forte, meio velha. Quando as coisas eram mais leves e joviais fazia nosso relacionamento particularmente relâmpago parecer normal, afinal, quem com um mês de namoro vai morar com o namorado? Ok, isso foi uma decisão de dois meses atrás, mas mesmo assim. Não deixa de ser precipitado.
O luau foi incrível. Teve danças típicas do local, dançarinas de havaiana que levaram os meninos até é o palco para dançar e depois de algumas doses de batidas de frutas, até Edward dançou. Ele ficava maravilhosamente sexy tentando me seduzir, como se precisasse de muita coisa. Rosalie estava radiante, com os olhos brilhando de felicidade e pude perceber que meu rosto era a mesma coisa. Estávamos tendo nossas primeiras férias em família. Esme tinha seus cabelos bronze bem mais puxados para o ruivo sacudindo alegremente conforme se chacoalhava com a música ao lado de Alice.
Edward sentou-se ao meu lado depois de estar melado de tanto dançar com os meninos. Ele me pegou paquerando-o, sorriu torto piscando. Pulei para seu colo no segundo seguinte e quando bati meus lábios contra o seu, sua mão já subia por dentro da saia do meu vestido.
- O que você tanto sorri? Gostou da minha performance? – perguntou rindo
- Já sabe que se tudo der errado, os Cullen podem se mudar para o caribe e ganhar vida com dançarinos de hula-hula. – brinquei – Eu só estou feliz.
- É? – beijou meu queixo. – Então, eu fico duplamente feliz com isso.
- Sim, porque eu nunca tive férias de família antes, nunca fui a praia ou me diverti tanto ao lado de pessoas que posso chamar de minha família. Você está me dando isso... E estou feliz.
- Eu te daria o mundo, mas você me mataria, por isso eu faço o que posso. – piscou aliviando o clima quando me vi a beira das lágrimas. – Eu te amo, minha linda.
- Eu te amo, meu Edward.
- Eu te chamo de linda e você retruca com Edward? – perguntou severamente dando um tapa forte na minha coxa. Cheguei a saltar.
- Edward significa a personificação da perfeição na terra. Acredite em mim quando digo isso.
Uma coisa que eu aprendi nesses meses que estou morando com Edward. Massageie seu ego que eu ganho tudo que quero do jeito que bem entendo. Essa era a enorme vantagem de namorar o todo poderoso quando ele estava particularmente excitado. Não era a ultima palavra que saia da sua boca.
- Eu quero entrar na água agora. – sussurrei chupando o lóbulo da sua orelha.
Edward olhou pra mim e como sabia, não negou. Ele nunca negava nada quando pedia com jeitinho. Ele me puxou para a parte mais escura da praia e nossas roupas ficaram seguramente presas na pedra. Qualquer coisa, tínhamos roupas de banho ainda conosco, mas... Eu não ia abrir mão da minha mais nova e primeira fantasia sexual. Sexo nas águas quentes do Caribe.
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