Broken

26 Flaws and All


Flaws and all – Beyoncé

I'm a train wreck in the morning

I'm a bitch in the afternoon

Every now and whitout warning

I can be really mean towards you

Sou um trem destruído pela manhã

Sou uma vadia pela tarde

As vezes, e sem nenhum aviso

Eu posso ser realmente má com você

Edward POV

Bella longe de mim me fazia ser um velho resmungão. Eu sei, eu estava chato, ignorante e agindo como um mimado. Quando acordei naquela manhã que iria levá-la ao aeroporto, eu não quis mais que saísse. Eu odiava não ter ao meu alcance. Uma sensação ruim me enchia no peito e não sabia o que dizer ou fazer. Eu dormi e acordei preocupado e era um alívio poder falar com ela. Sua voz doce, suave como pluma, me preenchia de forma absurda.

Quando ela desligou essa tarde antes de sair para o ultimo evento, me vi contando no relógio às horas. Eu pensei feito um bobo, que se dormisse, iria passar, mas... Cadê o sono? Então liguei o computador e verifiquei seu GPS. Era maníaco e perseguidor, eu sabia que era.

Ela e Demetri se moviam em sincronia e Rosalie estava no hotel. Tudo estava bem... Ele estava com ela.

Estranhamente, eu me sentia bem com ele. Demetri jamais me decepcionaria, eu o escolhi, foi por acaso, paguei seu treinamento e vi sua evolução. Bella gostava dele e confiava muito. Demetri não desistiria e muito menos a deixaria. Ele era meu melhor homem.

As coisas começaram a ficar estranhas quando o carro assumiu uma rota diferente. Tudo era minimamente planejado. Quais rotas, quais ruas, endereços, esquemas, seguranças... Nada podia sair fora do combinado. Nunca. Qualquer mínimo erro, podia ter sérias consequências.

Calma, Edward. É só um desvio. Pode ser uma rua fechada ou um bloqueio policial... Fiquei esperando o carro se mover, mas quem se moveu foi Bella. Demetri estava parado e o sinal de Bella se movia cada vez mais distante.

- CARALHO!

Peguei meu celular, mas antes que pudesse discar, Emmett estava na linha.

- Sinal da Bella se moveu. – Emmett rugiu e ouvi o farfalhar de suas roupas – Vou ligar para o avião, estou ai em três minutos.

Vesti minhas roupas às pressas sem realmente saber o que estava acontecendo. Na tela do computador eu vi os pontos azuis – que eram os seguranças – entrarem com o ponto rosa – que era Rosalie – o vermelho – de Bella – continuava se movendo mais e mais. Demetri – ponto verde – estava se movendo agora, com mais pontos azuis.

Meu celular tocou.

- Eles a levaram. – Demetri falou ofegante – Ela e Victória. Homens encapuzados com mascaras de políticos, van preta sem placa, seguiram em direção ao norte. O motorista caiu.

- Demetri, você consegue vê-los? – respirei fundo. Fique calmo, Edward... Fique apenas calmo.

- Não, estamos seguindo o sinal de Bella, está bem forte.

- Estou indo para Seattle agora. Faça o que for preciso, mas eu quero Bella viva e inteira, entendeu?

- Sim senhor.

Eu não sabia o que pensar. Queria gritar e matar alguém. Pegar esses filhos da puta pela gola da camisa e socar até a morte. Liguei para Aro no caminho enquanto Emmett tentava controlar uma Rosalie grávida e histérica. Podia ouvir seus gritos de onde estava. Minha Bella... O que devia estar acontecendo com ela? Comecei pedir a Deus freneticamente que cuidasse dos seus passos.

Eu não podia perdê-la! Entregava tudo, todo meu dinheiro, minha alma, minha vida. Tudo. Só para vê-la viva e inteira.

Eu ia matar esses desgraçados.

- Demetri? Onde você está? – perguntei quando estava próximo de entrar no avião e me surpreendi a ver minha família inteira dentro do avião.

Demetri estava ofegante, com a respiração forte no telefone e podia ouvir os galhos sendo amassados com suas pisadas forte.

- No... Meio... De... Uma... Floresta... PORRA! OLHA PRA ONDE ANDA CARALHO! Tropical.

A ligação encerrou e o piloto perguntou se podíamos decolar. Eu estava nervoso como um inferno, tremendo de ódio, querendo matar. Eu não percebi que estava puxando meu cabelo, até minha mãe, com os olhos vermelhos e inchados de chorar, tirar do meu cabelo e entrelaçar com os seus. Eu tinha longas horas de voo pela frente.

- Vai dar tudo certo, meu filho. Nós vamos encontrá-las...

Eu me senti um filho da puta miserável por não me preocupar com Victória. Elas tinham que estar juntas, porque se não estivessem, como ia encontrá-la? Eles só podiam querer dinheiro. Isso a gente resolvia fácil, com elas livres e inteiras. Tudo que mais queria era a minha Bella. Nos meus braços.

- PORRA, QUANTO TEMPO MAIS VAI DEMORAR? – gritei jogando o copo de suco de maracujá na parede – E EU NÃO QUERO FICAR CALMO!

- Edward, você precisa ficar calmo. Não pode agir por impulso. – Alice interveio bastante chorosa.

- EU NÃO TENHO OUTRA OPÇÃO! EU QUERO MATAR TODOS ELES E VOU DESCOBRIR QUEM FEZ ISSO.

Ninguém mais se atreveu a falar algo e pararam com a mania imbecil de querer me acalmar. Impaciente, fiquei batendo o pé e quase rasgando o couro do banco durante toda viagem. Durou uma eternidade.

Em solo, uma chuva grossa caía, não o suficiente para impedir o pouso. Demetri não me atendia. Ninguém me atendia. Estava puto no caminho do hotel. Meu sangue quente corria rápido tentando acompanhar o ritmo desordenado das batidas do meu coração. Estava muito perto de amanhecer. E eu muito perto de matar um. Tinha repórteres por todo lado, flashes e os seguranças abriram o caminho, e ainda assim tinha gente querendo entrevista.

- SAI DA MINHA FRENTE PORRA! – descontrolado, joguei a maldita câmera no chão e empurrando o parasita da minha frente.

Rosalie estava pálida, com bolsa sobre os olhos, chorando descontrolávelmente, principalmente que Emmett a abraçou com maior cuidado do universo. Eu senti uma inveja amarga e um sentimento de impotência do caralho por não poder fazer o mesmo pela minha mulher. Liguei de novo para Demetri e nada. Tentei o GPS e tudo apagado.

- NÃO, PORRA, FUNCIONA! – joguei o computador contra parede.

- Edward, a polícia está aqui.

- Não quero falar. Eu quero Bella aqui e agora. – rosnei – Eles vão fazer isso? Não vão!

Quarenta minutos se passaram quando finalmente tive um vislumbre de sinal e então, meu celular vibrou. O céu estava amanhecendo.

- DEMETRI.

- Sinto muito senhor. Não tenho boas notícias.

Meu mundo pareceu desabar quando ouvi aquelas palavras. Minha doce Bella... Como eu te amo.

- O que aconteceu? – perguntei já chorando.

- A Senhorita Victória. Ela já estava morta quando a encontrei.

Ai meu Deus. Minhas pernas pareceram falhar. Meu pai já estava me segurando. James. Victória... Não... É mentira. Não!

- E Bella?

- Ela está comigo... Viva, mas inconsciente.

.

.

.

Bella POV

Eu estava flutuando em paz quando sentir meu corpo ser acariciado. Eu não sabia bem onde estava. Tudo escuro, gostoso... Eu queria ficar dormindo ali. Parecia quentinho. E só que Edward não estava ali... Eu queria tanto Edward que sentia seu cheiro.

- Por favor, acorda... Me perdoa por não te proteger. – Edward sussurrava com voz de choro. – Eu não aguento mais não poder falar com você.

Que?

- Edward... – sussurrei confusa. Onde ele estava?

- Baby, abra os olhos pra mim. – Edward pediu suplicante e eu senti falta da escuridão. Tudo tão claro. – Oh, amor...

- Edward... – chamei por seu nome quando o vi completamente. Bolsas sob os olhos. Lábios vermelhos e inchados.

- Como é bom olhar em seus olhos. – chorou beijando minha testa.

- Baby... – chorei lembrando tudo que tinha acontecido. Eu estava em uma cama de hospital, imobilizada, com tubos e máquinas ligadas ao meu braço. – Ai meu Deus... Edward... Você está aqui... Foi horrível. – meus soluços altos preenchiam o silencio do quarto. – Eu senti tanto medo... Eu rezei tanto para você me encontrar... Ele morreu na minha frente. Riley o matou na minha frente... Eles queriam dinheiro e ao mesmo tempo não me queriam... Eu não sei, eu não os entendia dizendo que eu não era para estar lá... – gaguejei confusa – Victória! Ai meu Deus, cadê Victória?

- Amor, shiu, você precisa ficar calma agora... – Edward pediu docemente – Infelizmente, Demetri chegou um pouco tarde em relação à Victória. Eu sinto muito, amor.

Barulhos ensurdecedores preencheram a minha volta e então várias pessoas entraram, vindo em minha direção, me fazendo ficar assustada e então, percebi ser meu coração batendo forte. Edward me segurava, pedindo pra ficar calma, mas foda-se, era minha amiga. Ela estava tão triste... Ela podia ainda sobreviver, reconstruir sua vida... Por que a vida foi tão injusta com alguém tão boa quanto Victória? Por que Deus a fez passar por essa dor? Será que ela sofreu? Será que ele a machucou?

- Foi James não foi? – perguntei a Edward e percebi ter muita gente no quarto – Saiam.

- Senhora Cullen, você acordou depois de três dias em coma, nós precisamos te examinar. – uma senhora baixa e robusta insistiu.

- Saiam. – pedi sem paciência. – SAIAM AGORA!

- Bella, amor... Calma! – Edward pediu me sacudindo – Me deem 10 minutos com ela. Já chamo vocês.

- Edward... – chamei baixinho – Como foi?

- Amor...

- Não começa!

- Eles tomaram alguma espécie de veneno. Estavam dormindo juntos na mesma cama. Ela não parecia machucada, nem nada. Apenas deitada ao lado dele.

- James também morreu? – sussurrei não conseguindo conter as lágrimas. – Isso tudo é tão ruim. Ela estava com tanto medo dele...

- Eu sei baby, o corpo dela foi transferido para sua cidade natal. Eu fui o único a não ir, porque tive que ficar aqui com você. Rosalie também não foi. – respondeu-me baixo, secando minhas lágrimas.

- E como ela está?

- Bem. Estava apavorada, agora está bem. – beijou-me na têmpora.

- Eu me sinto cansada... – bocejei – O que aconteceu comigo?

- Você desmaiou e entrou em coma. Por três longos dias. Eu fiquei com tanto medo de te perder...

- Eu sabia que você ia me encontrar, Edward. – sussurrei me agarrando mais ainda ele.

- Eu nunca mais vou deixar qualquer coisa te acontecer... Eu te amo mais que a minha própria vida. – beijou-me na testa e eu realmente senti falta dos seus lábios. – Você está cansada. Durma novamente...

- Me beija, por favor, me beija.

- Sempre. Para sempre.

Edward tocou meus lábios com delicadeza, com um carinho profundo, que me fez ficar mole nos seus braços. Eu o amava tanto que comecei a chorar no meio do seu beijo. Era um peso nos ombros que me corroía até a alma. Eu não acreditava que estava acontecendo na minha vida. Não com a nossa família. Por que tudo isso? Pra quê?

Edward abaixou a barreira da cama e me puxou para seu colo, onde chorei descontroladamente, sentindo uma dor absurda no peito por horas. Eu não sabia lidar bem com a morte. Eu era incapaz em aceitar que alguém tinha partido dessa para melhor. Eu amava Victória, apesar de nossas birras, ela era minha amiga. Minha amiga mesmo. Que amiga não briga? Não vacila uma com a outra? Dá conselhos ou simplesmente se ferram juntas?

Ela tinha tanto problema e eu me senti uma maldita egoísta por ter brigado com ela quando faltou ao meu casamento. Por que? Ela podia superar James. Apesar do medo, podia. Todos nós podemos superar...

Ele a matou. Ele se matou. A vida não é porra de um conto de Shakespeare!

- Shiu, baby, se acalme, seus batimentos estão muito acelerados... Respire, por favor.

- Está doendo, Edward. Ela era... Edward...

- Eu sei baby, está doendo. Eu preciso que você fique calma. – Edward insistiu me ninando. – Vai ficar tudo bem... Eu estou com você. Eu te amo...

Eu não sei por quanto tempo mais fiquei chorando, sei que depois eu adormeci, ainda ouvindo doces palavras de Edward comigo. Agarrei sua blusa com força. Eu não queria que ele me soltasse. Nunca mais.

.~.

Fiquei internada no hospital por mais cinco dias. Exames e mais exames que resultaram em aulas de Ioga obrigatórias e exercícios físicos diários. Um psicólogo veio conversar comigo, mas realmente o ignorei. Eu não estou doente. Estou bem. Esse fato foi um infortúnio na minha vida e com Edward, iria superar tudo. Não queria nada disso. Queria minha vida como antes. Ir trabalhar e estudar.

O que não foi liberado pelo médico. Quem ele pensa que é para me dizer o que fazer?

Recebi visitas da minha família, que estava toda em Seattle. O hospital ficava em uma pequena cidade chamada Forks e meu estado clínico não permitia transferência. Eu feri gravemente meu tronco com as cordas e não podia sofrer grandes estresses. Mesmo quando recebi alta, a velocidade do carro foi lenta e pareceu durar uma eternidade. Eu não podia ficar em pé por uma grande quantidade de tempo nos próximos dias, por isso tinha os exercícios físicos, para me fazer ter firmeza nos pés.

Eu também podia sentir dificuldades em respirar em algum momento de estresse. Por isso a Ioga, para focar minha atenção em um só momento. Eu não disse a Edward que não pretendia fazer nada do tipo. Somente balancei a cabeça e sorri docemente sempre que possível. Tudo que mais queria era voltar para casa. Dormir na minha cama e ter um chá de esquecimento.

- Você está bem meu raio de sol? – Rosalie sentou-se ao meu lado no avião brevemente. Automaticamente toquei sua barriga e agradeci a Deus por ela ter passado mal e não ter ido conosco. Imagina se meu afilhado corresse risco de vida?

- Estou sim. Com sono, mas bem. – sorri e ela me olhou estranho, como se não acreditasse. – Finalmente estamos voltando para casa. Não vejo a hora de deitar na minha própria cama e comer qualquer coisa que Carmelita faz.

- Eu imagino. – afagou minha mão. – Vou sentar ali, qualquer coisa chama, ok?

- Obrigada. – beijei sua bochecha. – Eu te amo.

- Eu também te amo. Muito.

Rosalie levantou quando Esme subiu no avião e veio me abraçar. Ultimamente ela não me soltava mais. Sua primeira visita foi regada a choro e mimo. Ela quase me carregou no colo. Foi ótima sua presença. Ela me ajudou no banho, penteou meus cabelos, fez massagem, me deitou para dormir e verificou enfermeiras chatas. E ah, também controlou Edward. Eu não podia espirrar que ele estava de pé, querendo saber se precisava de água, levantar, se estava com dor, se precisava do médico ou sei lá, Deus.

Carlisle foi um doce comigo. Ele esteve presente em momentos simples, apenas para segurar minha mão durante um exame chato. Seu lado paternal fez perguntas aos médicos e não deixou que qualquer coisa acontecesse comigo sem que ele soubesse. Alice me manteve maquiada e com cara de saudável. Minha vaidade nunca foi tão grande, mas a me ver no espelho, eu tinha hematomas no rosto e uma feição tão destruída que entrei em pânico. Ela também providenciou roupas de dormir confortáveis e cheirosas, todos os dias. Cada um, de um modo especial, cuidou de mim.

Eu nunca vi Emmett chorar. Nem mesmo quando ele levou aquele tiro na estação. Emmett era enorme, forte como um cavalo, brincalhão e sorridente. Ele me abraçou com tanta força que fiquei meio sem ar, mas não reclamei, ele estava chorando. Ele dizia coisas que nunca ia se perdoar se algo acontecesse comigo, que ele ia matar, fazer e acontecer. Procurei não registrar suas ameaças e apenas aproveitei seu carinho de irmão. Era tão bom se sentir amada.

- Você quer um travesseiro nas costas? – Edward perguntou docemente, quebrando meus devaneios.

- Talvez deitar o banco um pouco, essa posição é incomoda.

Edward estava fazendo de tudo e mais um pouco para que eu ficasse confortável e bem. Eu admirava a forma que me tratava. De um jeito doce, carinhoso e apaixonado. Só houve um momento no qual acordei e não o vi do meu lado. Apenas Esme estava ali. Eu não sei o que ele foi fazer, iria perguntar, com toda certeza.

Demetri quando passou por mim, sorriu torto e foi para seu lugar costumeiro. Eu devia minha vida em gratidão a ele. Eu quis que Edward fizesse alguma coisa. Sei lá, qualquer coisa para que fosse recompensado por não desistir de procurar por mim. Fiquei surpresa ao saber que ele negou. Não quis nada.

Toda vez que pensava nisso, eu chorava. Isso também estava me irritando. Tudo eu chorava. Tudo meus olhos começavam a lacrimejar. Deitei a cabeça no peito de Edward e esperei esse momento insano passar, até que dormi, só acordando quando pousamos em Nova Iorque.

- Nós vamos para casa agora, não vamos? – perguntei baixinho. Eu não queria que Esme ficasse chateada por não ir até eles. Eu sei que seria mais fácil, teria várias pessoas a minha disposição e ela queria cuidar de mim.

Eu é que não queria. Minha cama, minha casa, meu silêncio e meu marido. Esperava do fundo do meu coração que ela compreendesse.

- Sim. – Edward respondeu firme – Nós vamos descansar agora. Você está com fome?

- Eu estou com fome. Muita, por sinal.

Edward me ajudou a levantar, outra coisa que não podia fazer sozinha e a descer do avião. Emmett estava logo atrás, pronto se eu fosse cair. Já tinha um carro esperando no pátio do avião e fiquei tão feliz de ver Félix a posto, abrindo a porta do carro.

- Seja bem vinda, Senhora Cullen. Nós estamos muito felizes que você esteja bem. – disse baixo, no seu modo cordial.

- Obrigada Félix. Também estou feliz em estar de volta.

- Obrigado pelo carinho, Félix. – Edward sorriu com os olhos brilhando.

Nós seguimos para casa em silencio. Eu tinha permanecido com todas as minhas joias, isso validava a informação de que eu não era o alvo de James. Era tudo por Victória. Minha aliança, meu anel, meu cordão e relógio, tudo junto dava um bom dinheiro, mas foi e voltou comigo. Minha bolsa com documentos e dinheiro permaneceu no Hummer e voltou ao hotel com algum segurança que foi buscar o carro.

A polícia fez um interrogatório longo. Chato e repetitivo. Na verdade, eles não tinham muito que fazer. Talvez procurar por Riley, mas a noticia chegou que ele havia sido encontrado morto, boiando no mar. Eu juro que tentei pensar que Edward não tinha nada a ver com isso. Só que eu sabia que tinha sido ele, principalmente que ouvi uma história “virou comida para peixe”. Eu estava drogada com tantos remédios, mas não surda muito menos burra.

Assim que pisei em casa, fui assaltada pelo cheirinho familiar. Era uma mistura do meu perfume, com de Edward, mais hortelã e a cozinha sempre tinha cheiro de erva cidreira. Talvez fosse porque era o chá mais feito naquela casa. Carmelita apareceu, com aquele olhar maternal, abrindo os braços e eu desabei a chorar.

- Calma minha criança. Está tudo bem agora...

Eu fiquei chorando por um tempo, aproveitando seu carinho. Eu estava tão absurdamente feliz por finalmente estar em casa.

- Carmelita, ajude Bella com algo para comer e vou deixar nossas coisas no quarto. – Edward pediu antes de sair da sala.

- Vem querida. Eu tenho biscoitos de leite e um bom chocolate quente para você.

Eu comi em silencio e percebi que nem metade do que estava acostumada a ingerir foi aproveitado. Com dificuldade, fui até Edward que nunca mais voltou para cozinha. As malas estavam no closet e depois cuidaríamos disso... Encontrei-o no banheiro, com a banheira cheia, despejando diversos sais de banho diferentes.

- Eu já ia busca-la. Conseguiu comer?

- Um pouco. Talvez no almoço coma melhor, não sei. – dei os ombros. – No segundo cookie, estava cheia e bem enjoada.

- Você quer comer algo em especial? – perguntou-me ajudando a tirar a blusa. Era um exercício grande.

- Não. Eu acho que só quero tomar banho e deitar um pouco... Minhas costas doem.

- Certo... – falou lentamente, puxando minha calça jeans. Minha perna pinicou quando o vento bateu. Deu vontade de coçar, mas isso só me daria mais marcas vermelhas no corpo. Edward riu levemente, perdido em seus pensamentos. Ele era adorável.

- O que foi? Qual a piada?

- Estou despindo minha mulher e pela primeira vez ela não está reclamando. – provocou e eu dei língua.

- Normalmente você está com pressa de me ver sem roupa. Delicado é a última coisa que você pensa em ser. – brinquei e ele riu, concordando. Comecei a abrir os botões da sua blusa e beijei seu peito levemente – Eu te amo.

- Eu te amo, emburradinha.

- Emburradinha?

- Olha seu bico... – virou-me para o espelho e eu realmente estava meio emburrada.

- Eu odeio isso. – fiz sinal entre nós dois e ele ficou confuso – Isso de precisar de ajuda para tomar banho, não conseguir comer e não ter firmeza nos meus pés. Eu não sofri tanta agressão ao ponto de ficar tão debilitada.

- Eu sei baby, mas você ficou em coma. Seu corpo entrou em paralisia quando as emoções ficaram fortes demais para aguentar. Foram três dias sem nenhum dos órgãos vitais funcionando corretamente. Demora em seu corpo voltar ao ritmo... O médico disse que com exercícios você volta facilmente.

- E eu terei um fisioterapeuta comigo?

- Sim. Um fisioterapeuta e um personal trainer.

- Aqui ou na nova casa?

- Eu mandei montar a academia lá assim que soube disso.

- Quando vamos nos mudar?

- Quando você tiver condições de subir escadas e andar em longas distancias, nós vamos.

Edward e eu decidimos comprar a casa. Ela era linda, enorme, mas perfeita. Tinha um jardim tão maravilhoso que eu podia fingir que não morava em Nova Iorque. Até um chafariz bonito, com pedras ornamentadas brilhavam ao sol. Fiquei apaixonada mais pelo jardim do que pela casa em si. Era um exagero. Um exagero do tamanho de Edward. Dez quartos, sendo oito suítes, a maior era linda, com lareira e eu quase podia ter um carrinho de golfe para ir ao banheiro.

A sala era grande, com paredes de vidro para aproveitar o sol da manhã. Tinha uma piscina interna e outra externa. Garagem para nove carros, dependências para empregados, biblioteca, escritório, academia e outras coisas dispensáveis. Edward gostava disso. Ele ficou feliz com a casa e Esme me fez um imenso favor em mandar decorá-la. Eu não entendo muito disso. Uma coisa é escolher um tapete ou um vaso de flor. Eu vi que era aquilo que queria, apesar de ser exagerado, então, eu queria também.

Eu fiquei pensando em quantos passos teria que dar ali dentro sem precisar fazer exercícios físicos. Tinha a escada principal com um corrimão que dá vontade de sair correndo e escorregar. Eu tentei fazer isso e Edward entrou em desespero. Foi muito engraçado. Também gritei na sala que ficava piscina e conversei com o eco. O agente imobiliário estava achando que eu não batia muito bem.

Rosalie e Emmett também escolheram a casa do lado e por isso, mandamos fazer um portão interno. A deles também estava com algumas reformas e decoração. Eu não sabia quando íamos nos mudar, mas Esme antes do acontecido vivia me mostrando fotos de suas ideias. Eu só dizia que sim e que estava ótimo. Percebi que eu entendo de números, cálculos e contratos. Decoração não era minha praia.

- Certo. Tudo bem.

- Vamos tomar banho agora ou tem mais alguma duvida?

- Você vai fazer massagem em mim? – brinquei descontraindo o clima.

.~.

I'm a peasant by some standards

But in your eyes I'm a queen

You see potential in all my flaws

And that's exactly what I mean.

Sou uma camponesa para alguns padrões

Mas aos seus olhos sou uma rainha

Você vê potencial em todos os meus defeitos

E é exatamente isso o que eu preciso

Os dias se passaram lentamente. Eu podia andar em paz depois de algumas sessões de fisioterapia e uma professora simpática de Ioga me deu nos nervos com sua felicidade e calma.

- Eu quero essa mulher fora daqui, Edward. – bati o pé irritada. – Eu não gosto dela!

- Por quê?

- Ela é feliz e calma! Isso me irrita e muito, ok? Eu não quero suas ordens de respiração ou posições constrangedoras. Seus mantras e previsões de horoscopo. Eu não acredito nessa merda! Ela tem aquele sorriso do gato de Alice no país das maravilhas! Eu quero ela fora daqui! – rosnei irritada, jogando todas aquelas roupas de ginastica no armário. – Não quero mais aula de ioga. Não quero mais ser dependente! Eu ODEIO ESSA MULHER FELIZ.

- Bella, você está sendo confusa. Você precisa passar por isso. Para controlar suas ações e olhe para você, já está ofegante em meia conversa. – Edward sentou na cama e tentou me puxar pra si.

- NÃO QUERO SABER, QUERO ELA FORA! – gritei sem realmente saber porque estava gritando e bati a porta do banheiro com força. Lágrimas quentes e grossas rolaram pelo meu rosto. Eu não queria gritar com Edward. Eu queria que isso passasse. E logo.

Apesar de tudo, eu achava que estava bem. Edward arrumou outra professora que era doce e simpática, porém, normal. Ela sabia ser firme quando fazia corpo mole e no fim, sempre passava um relaxamento, meditação, sei lá, qualquer coisa que me dava sono e perdia a coragem de ficar irritada com ela por me fazer deitar sobre a cabeça e ficar de cabeça pra baixo. Ela também colocava musiquinhas engraçadinhas com ritmo estranho. Era bom de ouvir.

Meu fisioterapeuta era um porre. Corra mais um pouco, Bella. Só mais um pouco. Vamos Bella, você consegue. Respire fundo, faltam só mais vinte minutos... E blá blá blá. De pouco em pouco estava correndo 1 km. Eu queria matá-lo no fim. Tinha alongamentos que parecia que meu pulmão ia sair pelo ouvido. Às vezes – quase sempre – Rosalie me acompanhava. Ela e sua barriga de sete meses. Muitas vezes ela passava o dia rindo e tive a série desconfiança que ia só para se divertir.

Eu despejava minhas irritações em Edward. Nós brigamos quando eu quis parar. Brigamos quando eu não sai da cama no dia seguinte e eu briguei porque estava brigando sozinha. Eu estava em uma confusão emocional enorme. Ainda assim, acreditava estar bem. Já tinha superado as crises de choro quando pensava em Victória. Meu corpo apenas tremia um pouco e lágrimas castas caiam. Não era porque estava esquecendo e sim porque em algum momento, a gente deixa de sofrer fortemente.

As férias de verão estavam acabando, eu sabia disso, mas pouco importava. Meu ultimo semestre na faculdade tive boas notas. Meu medo era o próximo. Eu queria desesperadamente estar boa para concluir o curso e ficar pendente apenas o ultimo semestre, com meu trabalho de conclusão de curso, que me fazia ter menos horários na faculdade.

Eu continuava jurando minha sanidade e escondendo os sonhos ruins que tinha toda noite. Edward perguntava todo dia se tinha sonhado com algo. Eu negava. Ele não precisava saber disso. As coisas começaram a sair do meu controle, em uma noite que quis comemorar seu aniversário. Estava mais perto do meu do que do dele, mas como passamos no hospital, eu quis mesmo assim, sair, comer uma pizza, colocar o pé fora de casa, respirar a fumaça dos canos de descargas dos carros ou asfalto queimado.

Eu me arrumei simples, não sentia mais dor no corpo e nem nada. Já podia me virar basicamente sozinha. Estava louca para devorar algo inteiro. Se conseguisse, é claro. Eu acabei com uma anemia nesse meio tempo e minhas vitaminas triplicaram. Se eu não as tomasse, era uma fraqueza chata.

Na garagem do prédio, estava muito bem andando de mão dada com Edward, conforme ele me contava seu dia na empresa e eu engolia minha saudade de trabalhar para ouvi-lo melhor. Nós estávamos bem, tranquilos e eu feliz por ele estar em casa. Passar o dia sozinha estava me consumindo lentamente. Uma hora eu ia surtar.

Edward continuava falando e ri para seu comentário. Quando um estouro aconteceu e eu gritei a pleno pulmões, completamente assustada, cheia de medo me agarrei a Edward. Tudo que tinha acontecido foi o vizinho deixando cair sua pasta de trabalho quando saia do seu carro.

- Não quero mais sair, Edward. – sussurrei e sem dizer nada, me levou de volta ao apartamento.

- Você quer que eu peça a pizza? – perguntou-me baixo.

- Não. Eu vou dormir. – sussurrei querendo me esconder com vergonha. Eu era tão fraca!

Deitei na cama sem tirar a roupa e afundei o rosto no travesseiro. Não preciso contar até cinco para sentir Edward me abraçar. Eu dormi nos seus braços, me sentindo uma idiota e com medo de ter ferido seus sentimentos. No dia seguinte ele não falou sobre o acontecido, o que me deixou confusa e ao mesmo tempo temerosa.

Edward ia cansar de mim. Ele ia arrumar outra mulher mais segura de si, sem estar com uma confusão emocional, com medo da sombra e de qualquer barulho estranho. Uma mulher que não está privando-o de uma vida sexual porque não pode ainda. Apesar de sentir muita falta, era como se fosse virgem novamente e não tinha noção de como chegar e conversar com Edward sobre isso.

Para o café, eu fiz um bolo caseiro e comemos na cama vendo televisão. Naquela tarde ele precisou sair e então fui dormir. Estava meio silencioso o apartamento e o filme que passava n tevê era bom, mas não prendeu minha atenção. Meio cochilava e ouvia suas falas. Até que um estalo me acordou e tudo ficou escuro.

Saltei da cama com o coração batendo no cérebro. Tudo estava apagado, nada funcionava e comecei a entrar em pânico. Não quis sair do quarto com medo e freneticamente liguei para Edward.

- Tá tudo escuro... – choraminguei quando atendeu ao telefone.

- Eu sei baby, apagão na cidade. Não sei o que houve...

- Vem pra casa. Estou com medo. – chorei copiosamente.

- Estou indo amor, fica calma, ainda estou no trigésimo andar. – Edward falou docemente e podia ouvir sua respiração ofegante. – Bella, fala comigo...

- Edward, eu não quero sair do quarto. Se alguém entrar aqui? – solucei

- Ninguém vai entrar aí. Demetri está bem do lado de fora. – Edward tentou me tranquilizar. – Ele vai aparecer aí.

Foi então que ouvi um barulho vindo da sala. Eu podia ter consciência de ser Demetri, mas isso não me impediu de gritar e acabar batendo com o dedinho na quina da cama. Doeu pra caramba! Eu podia ouvir Edward me chamando ao telefone, mas me encolher na cama foi tudo que fiz. Coloquei o travesseiro na cabeça e tentei controlar meu corpo tremendo fortemente.

- Ela esta aqui, deitada e não me responde. – ouvi Demetri falar, provavelmente com Edward no meu telefone. – Ok. Sim senhor. Bells, estou na sala. Não precisa se preocupar.

Não sei quanto tempo se passou, mas as luzes de emergência se acenderam e Edward surgiu, ofegante e suado, sem terno, com a blusa aberta e cansado. Comecei a chorar pela culpa de fazê-lo vir correndo porque sou medrosa. De joelhos na cama, me joguei em seus braços, murmurando desculpas entre soluços.

- Baby, olhe pra mim. – Edward pediu baixo. Mudei-me em seu colo para fita-lo, ainda morrendo de vergonha – Você não pode ficar assim. Está gelada e tremula.

- Eu quero me mudar logo, Edward. Eu quero sair daqui e o no próximo apagão, eu não vou estar sozinha, no ultimo andar, com medo de alguém invadir o apartamento e me levar de novo. – solucei voltando a chorar.

- Tudo bem. Nós vamos nos mudar amanhã, se for o caso, mas você também começa um acompanhamento psicológico.

Abri minha boca para contestar, mas fiquei quieta. Edward nunca tinha usado aquele tom de voz cortante e firme. Ele estava cansando de mim. Ele ia me deixar.

- Tudo bem. – miei.

- Eu respeitei sua escolha de tentar superar o acontecido sozinho, mas agora não dá mais.

Ai meu Deus.

O “não dá mais” ficou martelando na minha cabeça, como um papagaio repetindo. Eu tinha acabado com meu casamento. Um frio me atingiu na espinha e eu quis gritar, chorar e ter um colo de mãe. Ele não podia me deixar.

- Não me deixa, por favor. – murmurei baixinho.

- O que você falou? – Edward segurou meu queixo levemente e eu tinha a visão embaçada de tanto chorar – Amor... Você falou o que eu acho que você falou?

- Eu não sei o que você acha que eu falei...

- Bella, você acha que eu vou te deixar? – perguntou-me sério e sem realmente olhá-lo assenti lentamente. – Por que você acha isso?

- Eu não tenho sido uma boa esposa. – resmunguei cruzando os braços sobre o peito, me afastando dele levemente, olhando na direção oposta – Eu tenho tido crises emocionais fortes. Hora estou chorando, dependendo de você, hora estou gritando porque não quero uma coisa e estou realmente irritada. Você ficou sem trabalhar direito, tendo que me ajudar com banhos e até pentear meus cabelos! Você ficou noites acordados verificando se eu estava bem ou com dor. Você ficou com bolsas sob os olhos e sem falar na quantidade de tempo que nós não somos... Íntimos... – sussurrei a ultima parte.

Edward ficou imóvel e em silencio por algum tempo e quando reuni coragem para olhá-lo, ele estava rindo. Eu realmente não achei graça e fiquei com raiva. Fechei minhas mãos em punhos e comecei a bater nele. Depois de me deixar socá-lo, Edward segurou minhas duas mãos no alto e me jogou contra o colchão, deitando seu corpo sobre o meu ainda com aquele sorriso estupido no rosto.

- Acabou gatinha raivosa? – perguntou-me beijando meus lábios levemente – Você fica linda com raiva... – beijou-me novamente e se afastou para me olhar bem dentro dos olhos – Em primeiro lugar, tudo que eu fiz por você é porque eu te amo e sou seu marido, Bella. Eu nunca vou deixar de cuidar de você, entende? E faria tudo de novo. Você precisava de mim e na minha vida, você vem em primeiro lugar.

- Desculpa por ter gritado com você.

- Baby, você não sabe o quão sexy você fica quando está com raiva e gritar comigo realmente não é um problema. Você está confusa com suas emoções e o médico conversou conosco, lembra? Isso iria acontecer... Talvez não tão intenso se você estivesse indo ao psicólogo desde o inicio... – Edward provocou e eu fiz uma careta. – Só que nós resolvemos esse problema e esse assunto está encerrado.

- Você vai comigo? – perguntei baixinho.

- Claro que sim.

- Ok... – suspirei nervosa – Nós vamos amanhã?

- Sim. De tarde. Vai fugir?

- Não... – sorri e aproveite para tomar iniciativa e beijá-lo com vontade. Foi como ir ao céu quando ouvi Edward gemer na minha boca. Como sentia falta desse som. – Amanhã também tem consulta com o cardiologista... – sussurrei querendo que ele entendesse meu ponto.

- Eu sei. Vamos almoçar na rua e depois vamos às duas consultas...

- Edward... Você entendeu.

- Baby eu preciso que você me diga – Edward me fitou intensamente – Eu sou seu marido e nós já cansamos de fazer isso. Apenas fale...

- Eu sinto sua falta... Muito. Falta dos seus beijos mais intensos, dos carinhos provocantes, da força dos seus braços... Eu cheguei a um ponto que não posso ver você trocar de roupa. – choraminguei e ele riu de novo – Isso não vai ficar legal se continuar rindo.

- Eu sei amor, eu também sinto sua falta. Em todos os aspectos... – Edward sussurrou no meu ouvido, abrindo mais minhas pernas para se encaixar entre elas. – Eu te desejo todos os dias e vou te desejar para sempre. – pressionou seu membro deliciosamente contra meu centro. Infelizmente ele se afastou – Nós só saberemos quando poderemos matar a saudade um do outro feita coelhos amanhã. Só mais uma noite.

- Diga pra mim que você vai tirar folga. E se aquele médico filho da puta disse que não posso ainda, vou matá-lo. Porque o desgraçado do Evans me fez correr quase três quilômetros naquela esteira!

- Calma maratonista! – Edward riu fazendo cosquinhas – E está mais calma agora? Sem duvidas na cabeça?

- Uhum. – sorri realmente me sentindo mais leve – Bom, eu estou com fome. Vamos pedir pizza e ver um filme?

- Soa perfeito pra mim... Vai ser o quê? Uma calabresa e uma havaiana? – perguntou levantando-se e provavelmente procurando seu celular.

- Sim. Coca-Cola também! – gritei da cama, enquanto zapeava os canais de televisão. Meu celular tocou no meu bolso. – Oi barriguda!

- Vão fazer o que agora? – perguntou-me bocejando – Estou de saco cheio de ficar sozinha com Emmett.

- Nós vamos assistir a um filme e comer pizza, quer vir?

- Acho que sim. – respondeu-me – Estou indo para casa de Bella, seu chato. – ouvi a risada de Emmett antes de a ligação ser encerrada.

- Edward, Rosalie está vindo, peça mais uma pizza! – gritei da cama.

- O que ela tem? Está enjoada de Emmett? – perguntou-me rindo e tirando sua roupa no closet. Fechei os olhos e fui atender a porta sem respondê-lo.

Tentei não me abater. Só mais uma noite, pensei comigo mesma. Mais uma noite e eu pulo em cima dele feito uma louca tarada.

Rosalie estava do lado de fora, com uma calça de ioga e blusa leve, marcando bem sua barriga fofa. Beijei primeiro sua barriga e depois beijei a bochecha.

- O que aconteceu?

- Ele fica me irritando! Estou falando sério... Toda hora é uma piadinha ou aquele maldito vídeo game. – rosnou irritada.

- Emmett sempre foi assim, Rosalie – sorri docemente puxando-a até o quarto. – Ele é irritante por natureza.

- Agora fique grávida e ature aquilo. – riu e deitou na cama. – Oi Edward.

- Oi bebê – Edward beijou a barriga antes de dar um beijo estalado na bochecha dela

- Fui trocada.

- Sabe que não é nada pessoal, cunhada. Eu te adoro! – Edward piscou e sorriu torto, deslumbrando Rosalie.

- Estupido! Pare de deslumbrá-la! – bati nele e a campainha tocou – É Emmett!

- Espero que seja a pizza. – Rosalie murmurou alisando sua barriga e eu ri batendo na bunda de Edward quando ele foi atender a porta.

- CADÊ A PIZZA? – Emmett rugiu e cai na gargalhada com a revirada de olhos de Rosalie. – Oi amorzinho do papai.

- Deixe-me Emmett.

- Estou falando com meu filho. – provocou e ela deu um sonoro tapa nele. – Ok, desculpe baby. Eu achei que você estava brincando...

- Eu não estava Emmett Cullen. E agora fique calado.

Não sei como, mas ficamos todos na mesma cama assistindo vários filmes e devorando mais coisas além da pizza. Eu dormi me sentindo pesada e feliz. Fazia muito tempo que não dava um sorriso genuíno e Edward parecia eufórico com isso. Eu gargalhei tantas vezes que ele chegou a fazer cosquinha, querendo ouvir mais vezes, afirmando o quanto sentiu saudades delas. Eu sonhei com nós dois e a nova casa. Eu ia fazer 24 anos e completar dois anos ao lado do homem da minha vida. Eu podia superar qualquer coisa.

Eu era Isabella Cullen. Um Cullen nunca desiste.

.~.

Eu estava nervosa! Muito nervosa! Edward segurou minha perna de tanto que sacodia esperando o médico ler todos os exames e simplesmente dizer que parte desse inferno ia embora.

- Bom... Isabella, eu devo lhe dar os parabéns. Seus exames finalmente estão batendo com sua idade. Pode dar adeus aos remédios.

- Exercícios físicos também?

- Eu aconselho que continue, sempre é bom manter a forma. – deu os ombros – Talvez se você correr no parque, vai ver que é divertido. Tente ao menos uma vez.

- Ok...

- E, o sinal está verde para suas atividades normais. Trabalho, sexo, estudos e qualquer outra coisa que fazia antes. Eu só peço que verifique sempre sua pressão e se sentir algum desconforto, como aquela queimação ou tremedeira, volte o mais rápido possível. Não tome nenhum medicamento antes de falar comigo.

- Existe alguma possibilidade disso acontecer? – perguntei nervosa

- Não necessariamente, mas é bom ficar de olho por enquanto. E você tem planos de engravidar?

- Sim. Em breve. – respondi rápido e o aperto de Edward quase esmagou meu joelho. – Que foi? – sussurrei e ele riu, sacudindo a cabeça como se fosse nada.

- Quando isso acontecer, gostaria de lhe ver novamente. Nós precisamos saber como seu coração vai lidar com emoções nos próximos meses.

- Mas é saudável termos um bebê, certo? – Edward perguntou hesitante.

- Sim. Bella não tem um problema congênito, apenas não sabemos se é genético ou qualquer outra coisa. Ela tem facilidade com pressão alta e isso pode causar algumas mudanças na gravidez.

- É mais por precaução, correto?

- Exatamente, Isabella. Então, é isso. Parabéns pela sua recuperação. Você foi ótima!

- Obrigada, Dr. Clearwater. – agradeci sorrindo. Eu realmente estava feliz com isso.

- Boa sorte a vocês.

- Então, nós vamos ter um bebê? – Edward perguntou sorrindo daquele jeito criança em manhã de natal.

Eu o ignorei. Edward ficou sorrindo feito um bobão até chegarmos ao consultório da psicóloga. Eu fiquei quieta, mordendo os lábios para não rir. Demorou apenas uns minutos para ser atendida. Edward não pode entrar comigo na seção em si, mas fui com a cara da doutora. Nós resolvemos nos dividir por etapas e por isso começamos com a minha infância. Ela me fez lembrar coisas que jurei não ser possível. Ainda assim foi bom. Muito bom. Eu estava leve e feliz por cuspir minhas dores relacionadas ao meu crescimento e a morte dos meus pais.

Eu teria uma seção por dia, durante uma hora e meia, com ela e em grupo. Ela me prometeu sigilo e cuidado com minhas informações. Naquela noite, eu disse a Edward que nós teríamos que usar camisinha. Ele não pestanejou como imaginei. No dia seguinte ele tirou o dia de folga e nós não saímos do quarto. Para nada.

Eu mal podia acreditar quando voltei a trabalhar e ir para a faculdade. A terapia estava muito boa, às vezes eu saia chorando e com raiva da Dra. Lucy. No dia seguinte estava pronta para mais uma. Como hoje, eu fui muito bem na terapia de grupo, fui a faculdade e tive duas aulas e agora estava a caminho da minha nova casa.

- Baby, onde você está?

- A caminho de casa e você?

- Estou te esperando para entrarmos juntos. – respondeu – Sentado no seu jardim.

- Nós já entramos nela, Edward.

- Não oficialmente. Tipo, agora não existe mais o apartamento. – rebateu e pude vê-lo batendo o pé. – Carmelita veio me perguntar vinte vezes se preciso de algo.

- O que nós faremos hoje à noite para começar a comemoração do meu aniversário?

- Eu penso em nós dois nus, em cima da cama, na banheira, atrás da porta...

- Soa um excelente plano pra mim. – provoquei – Quem sabe possa finalmente fazer um desfile com todas aquelas coisas que comprei. Eu preciso saber se você gosta.

- Fique a vontade. Só não se apegue emocionalmente a nenhuma delas, ok? Talvez eu possa me empolgar em vê-la fora dela. – Edward riu e eu miei, imaginando.

- Está vendo o portão abrindo? – perguntei animada – Cheguei.

- Graças a Deus.

Edward me ajudou a sair do carro e me deu aquele beijo quente que me fez corar pensando que alguém tinha visto, mas era impressionante a facilidade dos nossos funcionários em sumirem de vista em momentos como esse. Rindo da minha preocupação, provoquei-o sobre se ele tinha comprado à caixa de camisinha, ele concordou feliz demais. Edward sabia que esse era o passo mais próximo da noite que eu diria que nós não iriamos usar mais.

Eu fiz exames e suspendi mesmo o uso de anticoncepcionais. Só que ainda iria brincar um pouquinho com isso. Eu só esperava que Edward me engravidasse logo, porque minha mania de calcular as coisas e o tempo queria estar grávida no natal ou bem antes. Nós abrimos à porta da casa e fomos surpreendidos com confetes voando para todo lado.

- SURPRESA!

É claro que a família Cullen não ia deixar passar meu aniversário. Nunca. E eu estava mais que feliz com isso. Principalmente depois dos últimos meses.

- Beaaaaaaah! – Ethan gritou atraindo minha atenção. – Beaah!

- É isso mesmo que ele está falando meu nome? – perguntei emocionada, pegando o grande rapazinho de 1 ano e meio no colo.

- Sim, ele também chama Edward. – Charlotte riu vindo me abraçar – Parabéns gatinha!

- Espero que Joseph fale mamãe antes de Bella ou teremos um problema sério. – Rosalie riu com toda sua imensa barriga de nove meses, vindo me abraçar – Estou muito feliz em comemorar mais um ano com você. Eu te amo.

- Eu também te amo e vá se sentar. Você está de repouso absoluto.

- Credo, parece Esme.

- Eu ouvi isso Rosalie Lillian! – Esme interveio puxando-a para o sofá – Meu neto pode nascer a qualquer momento, vamos parando, ok? Sentadinha.

Fiquei observando Ethan dar seus passos pela casa, sozinho, mexendo em tudo, dando mais cabelos brancos aos loiros perfeitos de Peter. Alice com Ian no cantinho, Esme com Carlisle paparicando Rosalie com Emmett. Carmelita andava para todo lado servindo coisas, enchendo copos de sucos, bebidas e Demetri ria do seu nervosismo.

- Então, senhora vinte e quatro anos, você está feliz?

- Você sabia disso, é?

- Claro! Ninguém entra na minha casa sem minha permissão. – piscou sorrindo torto.

- Hum... Eu estou amando tudo isso. Eu agora amo comemorar meu aniversario e esse ano eu não esqueci. – provoquei abraçando-o.

Nós ficamos na minha pequena festa até quase oito horas da noite. Agora com todos nós bem perto um do outro, era mais fácil, gostoso e divertido. Carmelita foi embora no seu horário e Demetri foi para a parte da frente da casa, comer pizza e assistir um jogo com os outros rapazes. Edward estava no quarto jogado na cama, com a televisão ligada, esperando que eu saísse do meu banho. Que eu demorei de proposito.

Quando começamos a namorar um pouco mais tarde naquela noite, Edward fez menção em puxar a camisinha e eu neguei. A partir de hoje e até o momento que soubesse do resultado, nós não sairíamos mais do time de tentadores. Ele falou soltar fogos de felicidade. Dormi com a sensação gostosa no peito de estar fazendo a coisa certa. Eu olhei para Edward e quis muito um bebê pequeno no seu colo.

O celular insistente me acordou no meio da madrugada.

- O que é? – resmunguei sem realmente ver quem era. Edward acendeu a luminária.

- A BOLSA ROMPEU. – Emmett gritou

- Compra outra. – murmurei sonolenta e então a ficha caiu – AI MEU DEUS, ESTOU CHEGANDO!

- Que gritaria! – Edward assustou-se e então, ele também entendeu o que era, pulando fora da cama.

Nós nos vestimos correndo, eu tenho certeza que minha blusa estava ao contrário e amassada. Escovei os dentes enquanto Edward me ajudava a prender meu cabelo. Foi uma correria engraçada. Rosalie era a única calma no meio de todos nós. No hospital, apenas Emmett entrou com ela e Edward parecia o pai do bebê de tão ansioso que estava! Foram horas, longas horas até que finalmente apareceu o pai mais feliz do universo.

- É menino!

Dã! A gente já sabia, mas não impediu de comemorarmos feitos loucos. Meu afilhado tinha nascido no meu aniversário. Fiquei tão imensamente feliz. Mais algumas horas fomos autorizados a vê-los. Rosalie não parecia que tinha encarado um longo parto, estava linda, exuberante e feliz.

Um pequeno pacote azul estava no colo de Edward, que olhava emocionado para o bebê. Seu sobrinho, mais uma geração dos Cullen reinando. Foi então que aquela sensação de ter a barriga vazia demais me abateu. Eu queria aquela cena. Eu queria Edward segurando nosso próprio pacote azul. Quando foi a minha vez, eu não contive as lágrimas. Ele era lindo. Loirinho, com os olhos verdes do pai e covinhas. Já estava sorrindo.

Eu me apaixonei por ele. Foi à primeira vista e comecei a contar mentalmente os dias até finalmente estar grávida. Agora eu queria meu bebê. Rápido.

I don't know why you love me

And that's why I love you

Catch me when I fall

Accept my flaws and all

And that's why I love you

Eu não sei porque você me ama

E é por isso que eu te amo

Me levanta quando eu caio

Aceita meus defeitos e tudo mais

E é por isso que eu te amo

N/A Sem comentários. Vocês me amam agora?

.

N/B: Gente, a Bella entrou em parafuso, SOS, mas ainda bem que ela melhorou. Todos solta Fireworks porque a Bella agora quer engravidar \\o/\\o/\\o/\\o/\\o/\\o/\\o/\\o/\\o/\\o/\\o/\\o/\\o/\\o/ bjs xx LeiliPattz