Broken
1 Enchanted
Notas iniciais
Música — Enchanted Taylor Swift
Mais um dia. Um dia completamente frio, chuvoso e tedioso pra mim. Meu nome é Isabella Marie Swan. Tenho vinte e dois anos e sou completamente sozinha no mundo. Meus pais faleceram quando ainda era muito criança e cresci com um tio distante que também faleceu quando completei 18 anos. Ele foi meu único amigo durante toda a minha vida e fiquei sem meu chão. Billy tinha mais três filhos, mas eles moravam com sua mãe e quase não os via. Não criei nenhum laço afetivo com meus primos.
Trabalhava como bilheteira do metrô em Nova Iorque. Não fiz faculdade porque não tinha a mínima noção do que fazer. Não gostava de morar na cidade e também não tinha condições de sair daqui. Era complicado e tedioso. Demais.
Debruçada no balcão, observei Emmett Cullen vir com toda sua graciosidade na minha direção, com seu sorriso maroto e terno Armani. Ele deixava sua lustrosa Ferrari no estacionamento de cima e ia de metrô até o grande prédio da empresa de sua família. Ele era a pessoa mais próxima de um amigo pra mim. Pelo menos era o único que perguntava algo mais que tudo bem.
Não que as outras pessoas falassem comigo. Elas simplesmente jogavam suas pratas no meu balcão e arrancavam o ticket sem nem se importar com quem lhes entregava. Acho que eles não reparariam se eu sumisse. Ninguém se daria conta se um dia deixasse de estar entregando tickets. Emmett não. Ele me trazia chocolate quente e ficava por cinco minutos – horário do seu metrô.
Eu só sabia seu nome, sua idade, sua geleia preferida, sanduiche, como gostava do café e que trabalhava no enorme prédio no centro. Nada mais que isso e não sei porque achei que um dia alguém me contaria algo além que isto. Já era muita simpatia dele dirigir-se a mim.
- E aí Bellinha! – bateu no vidro. – Você está bem hoje? Meio frio natalino, não é?
- Sim. Ouvi na rádio que vai nevar muito em breve. – respondi esboçando um meio sorriso. Emmett sorriu de volta e colocou um copo de chocolate quente no balcão. – Você devia parar de fazer isto.
- Você devia parar de dizer isto todos os dias. – retrucou brincalhão empurrando mais ainda pra frente, até tocar minhas mãos congeladas. – Cadê suas luvas?
Eu não tinha luvas novas e realmente estava com vergonha de usá-las no trabalho. Isso atenuava a repulsa dos passantes por mim. Encolhi minhas mãos no colo e mudei de assunto.
- E sua namorada? Ela virá de Paris pra cá?
- Não sei. Rosalie não quer casar comigo e meu pai está me pressionando a conhecê-la. Não sei o que fazer.
- Sugiro que conte a sua família a verdade. Que talvez vocês precisem de mais um tempo se conhecendo...
- Adoro seu modo de ver o mundo. – piscou sorrindo lindamente indo até seu metrô. Suspirei cansada e deixei que o tedio me dominasse. Era só mais um dia da minha vida completamente estranha, fria e vazia. Engoli minhas lágrimas e pensei em Max. Ele estaria em casa me esperando querendo seu leite na vasilha e nós passaríamos mais uma noite. Um dia de cada vez.
...
Meu carro velho rugiu no estacionamento do mercado e quis me esconder quando as pessoas reparam minha presença. Eu odiava quando percebiam meu estado catatônico de vida e me olhavam com pena. Era simplesmente constrangedor ter as pessoas te analisando com olhares de pena, dó ou qualquer coisa que me fizesse sentir mais inferior que já era. Não era fácil. Não era bom. Não era saudável. O pior de tudo era sentir falta de uma vida que nunca tive.
Sentia falta de Charlie, de Renée e até mesmo do Tio Billy. Eu queria ter uma família, amigos e uma casa movimentada. Sempre fui a estranha da escola, a reclusa ou depressiva. Não tive indicações a faculdade porque meu empenho social me fez ser indicada na verdade ao psicólogo e não para Columbia.
Obviamente não frequentei nenhum das terapias e também não fui a faculdade. O que poderia ficar pior em minha vida? O que mais poderia acontecer? Só a morte. E sinceramente, não sei se isso seria tão ruim. Era só mais uma oportunidade de descanso. Em paz. Ou não. Minha sorte não era muito boa e talvez nem dormir eternamente conseguiria.
Reuni coragem e sai do carro. O mercado estava quentinho e vazio, devido a hora, não me preocupei em abaixar meu capuz ou olhar cordialmente para as pessoas ao meu redor. Já sabia de cor todas as seções e onde ficava tudo e não demorei mais que o necessário ali dentro. Guardei tudo com cuidado e ao mesmo tempo com rapidez e segui dentro dos cinquenta quilômetros permitidos pela minha velha picape até o subúrbio de Manhattan, até a velha casa dos meus pais.
Fiz uma nota mental de juntar algum dinheiro para pintar a casa. Ela estava desbotada e com tonalidades de verde musgo. Não lembrava se sua pintura original era verde ou aquilo era limo. Esperava fielmente que fosse pintura. Seja uma pintura velha, pedi.
Max estava miando, pedindo minha atenção enquanto se enroscava nas minhas pernas. Ele devia estar com fome ou simplesmente queria atenção. Assim como pra mim, eu era sua única amiga. Meu gato e eu desenvolvemos uma relação dependente. Após dar sua comida e um momento de afago, sua cama pareceu mais interessante. Busquei guardar as compras, tomei um banho e ri com escarnio quando me vi escolhendo velhas roupas para usar. Eu só tinha aquilo para usar.
Eu não tinha aquecedor. Não tinha como pagar uma conta de luz com aquecedor. Eu não tinha como comprar um aquecedor.
Vesti minhas duas únicas calças de moletom e três casacos. Desci as escadas rangentes e esquentei uma sopa de ervilha que tinha sobrado de ontem. Fiquei tanto tempo fantasiando que tinha meus pais ali, que realmente cozinhei para três pessoas. Isso era tão doentio que me deu medo... Muito medo de estar enlouquecendo como os tutores escolares sempre me disseram que aconteceria.
O vento frio batia na janela e rugia como se fosse um leão feroz. Sem mais o que fazer, desliguei a televisão e fui deitar. A casa escura e silenciosa me fez tremer e chorar de medo como todos os dias. Isso era ridículo e tinha vinte e dois anos. Era hora de aprender a ser sozinha. Menina crescida. E por que isso simplesmente parecia impossível?
Max subiu na cama e deitou no meu pé. Fechei os olhos sem realmente pegar no sono. Era só mais uma noite. Só mais um e amanhã seria um novo dia.
Cheguei a estação as cinco horas da manhã tremendo de frio. Pelo menos a cabine era aquecida por falta de espaço e não por ter um aquecedor. Muitas pessoas passaram por mim sem realmente me olhar como todos os dias e me cutuquei internamente porque diabos queria ser notada. Talvez notada a palavra seria errada. Talvez eu só quisesse ter ou fazer parte do mundo deles. Queria vestir roupas bonitas e passar com cabelos cheirosos apressadamente sem ao menos me olhar. Queria pegar um metrô para me dirigir a Lower Manhattan e trabalhos nos prédios brilhosos de lá.
Desejei muito sair daquela vida, mas deitei minha cabeça no balcão gelado e me xinguei por ser tão sonhada. Acorda Bella! Você não é um personagem de Jane Austin. Você é Bella Swan, a órfã. Puxei meu livro surrado e espiei o horário. Agora só nas próximas levas teria um pouco de movimento. Cosmópolis era perfeito e tinha uma paixão secreta por Eric. Muitas vezes me peguei fantasiando em ser convidada para sua limusine.
- Não suspire mais, Swan. Cheguei. – Emmett bateu no vidro. – Tenho duas coisas para você. Ops, três. – colocou o copo de chocolate quente no balcão e empurrou pelo vidro. Uma barrinha de cereal colorida de uma marca absurdamente cara e um saco prata. – Chocolate esquenta, segundo minha irmã caçula. Ela é adolescente e disse que sabe das coisas. E luvas. É um presente. – disse deixando-me sozinha.
Fiquei tonta olhando-o entrar em seu metrô e abri o saco. Um par de luvas de couro caramelo caiu no meu colo com etiqueta da Chanel. Minha boca se abriu que mal percebi a fila se formando pedindo minha atenção. Ouvi uns murmúrios e palavrões e pensei como as pessoas poderiam ter uma boca suja aquela hora da manhã. Calcei as luvas e me senti melhor. Elas tinham um cheiro incrível e eram tão confortáveis que quis dormir em cima da minha mão.
Eu precisava agradecer muito a Emmett.
...
- Bella! Você não trabalha no natal. Saiu a lista! – Joseph gritou de sua sala e a bateu novamente. Não me preocupei em agradecer a informação porque ele não se importaria com isso, de qualquer modo.
Rumei para minha cabine e deixei o dia rolar. Não vi Emmett. Nem naquele dia e nem na semana seguinte. Emmett simplesmente não apareceu. E que idiotice da minha parte esperar por alguém para agradecer sobre luvas. Eu era só a menina da bilheteria.
Naquela segunda-feira estranha também não o esperei mais. Resolvi que ele fora mais uma pessoa que foi embora. Que me deixou sem nunca realmente ter feito parte da minha vida. Voltei a ler meu livro porque não tinha nenhuma espécie de movimento. Faltavam sete dias para o natal e ninguém realmente iria trabalhar. O frio estava mais intenso do que antes e isso resultava em noites insones pra mim. Não sei como não peguei um resfriado ou simplesmente congelei na cama. Ah, todas as colchas possíveis e imaginarias estavam sobre ela. Era preciso uma boa prática física para erguer tudo.
- Será que alguém sentiu minha falta? – Emmett bateu no vidro atraindo minha atenção. – Luvas bonitas, hã?
- Obrigada, Emmett. Você deveria não se preocupar, mas, ainda assim, obrigada. – agradeci sincera e ele sorriu torto.
- Isso está vazio hoje. – comentou olhando ao redor e ignorando meu agradecimento. – Vai visitar sua família no natal?
- Não. E você? – perguntei jogando a bola pra ele.
- Nós passaremos o natal juntos, como todo ano. Exceto por duas coisas. Meu irmão está voltando a morar em Nova Iorque e minha família aguarda a presença de minha noiva.
Engoli minha inveja do seu comentário. Ele tinha uma grande família, uma noiva e felicidade. Não só pelo dinheiro. Não me importaria em ter a mesma condição financeira que tenho hoje se tivesse uma família completa. Alguém para dividir a noite de natal que não fosse um saco de pelo preguiçoso chamado Max.
- Ela aceitou casar com você? – perguntei baixo torcendo para não ser intrometida.
- Não. Jogou o anel no meu rosto. Passei essas duas semanas na França com uma tentativa e meus pais agora exigem a presença de uma noiva.
- Isso é complicado. – resmunguei baixo e olhei para o relógio. Seu metrô estava atrasado. – Está demorando hoje.
- É. Você quer que vá embora. – brincou olhando para seu caríssimo relógio de pulso. – Está atrasado mesmo. – espiou pelo ombro e viu que tinha gente se aproximando. – Voltarei se não chegar e você continuar só.
Vendi mais um ticket para poucas pessoas mal humoradas e um homem completamente estranho veio correndo e pulou as roletas, batendo com força no vidro, fazendo todos os estilhaços voarem contra mim. Soltei um sonoro grito agudo e me encolhi no canto. Houve disparos e mais gritos até que o metrô chegou e vi o homem correr para dentro dele segurando um relógio. O relógio de Emmett.
Uma luz se acendeu na minha cabeça e mesmo com pânico movimentei minhas pernas para a pista de embarque. Havia um bolo de pessoas ao redor de um corpo estendido no chão e pelo ombro eu sabia que era ele. Meu rosto estava molhado, escorrendo pelo meu supercílio e boca.
Perder ele também não.
Empurrei algumas pessoas chamando a ambulância e sentei ao lado de Emmett. Ele estava com os olhos abertos, colocando a mão sobre o ferimento.
- Emmett! – chamei sua atenção. – Vai ficar tudo bem. Estão chamando socorro. – sussurrei baixo e ele sorriu. Esticou a mão até meu rosto e limpou o sangue que escorria. – Acho que você deveria ficar quieto. – completei rindo e ele sorriu de volta.
Só Emmett para sorrir daquele jeito. Ouvi barulhos de sirene e vários paramédicos chegaram até nós.
Foram muitas perguntas, um movimento louco, me seguraram, examinaram e por fim, estava na mesma enorme ambulância com o sorridente. Ele cantou a paramédica e ainda pediu que tirassem fotos do ferimento para contar aos seus netos futuramente. Apesar de dizer que estava muito bem, me obrigaram a deitar e fazer pontos no meu corte que recusei ver.
- Você tem algum contato de família? – a enfermeira me perguntou e Emmett ainda brincava com as gases ao seu redor. Nesse momento ele me fitou e meu rosto esquentou.
- Não tenho família. Nenhum contato. – respondi baixo, muito envergonhada. A enfermeira explicou o processo de exames que seria obrigada a fazer e eu sabia muito bem que o serviço médico era pago. Não existia público em lugar algum. Não em Manhattan. – Tudo bem.
Ficamos em silencio, até que vi o rosto de Emmett se iluminar. Chegamos ao centro médico e ele foi empurrado – pedindo mais velocidade – para o seu atendimento e o rapaz me colocou sentada a força em uma cadeira de rodas. Fui conduzida a radiografias e exames de toques. Também dei meu depoimento a polícia sobre o ocorrido e fui liberada para ficar em observação em um enorme quarto.
Eu queria muito saber de Emmett. Ele estava rindo e brincando, mas isso não parecia o suficiente pra mim.
Fiquei um tempo olhando para o teto esperando que horas a enfermeira me dizer quando poderia ir embora também ter notícias de Emmett. Vi uma correria estranha em seu quarto e meu coração quase saiu pela boca. Ouvi a porta se abrir e uma cabeleira ruiva muito lustrosa entrar. A mulher era como as executivas que passavam no metrô. Olhos azuis, lábios vermelhos vivos e um sorriso brilhante.
- Olá. Sou Victória Evans, secretária do Sr. Emmett Cullen e ele pediu que lhe ajudasse trazendo algumas roupas. – apontou para a sacola e olhei para minha blusa completamente suja de sangue e a calça jeans também.
- Obrigada, mas não posso aceitar. – falei baixo.
- Eu sei, mas você vai. – retrucou colocando as sacolas. – Avise-me quando terminar.
Rapidamente ela saiu e me deixou sozinha no quarto com as sacolas de roupas de grife. Tinha uma calça jeans do meu numero, uma blusa junta de manga e dois casacos. Um deles era um lindo sobretudo. Havia outro saco com uma sapatilha também do meu numero. Fiquei me perguntando como ela simplesmente adivinhou. Sem mais opções porque realmente estava nojenta, usei o banheiro do quarto e tomei um banho quente.
- Estou pronta. – avisei-a e ela sorriu ao ver a roupa por completo em mim. Meu olhar se perdeu no quarto de Emmett e ela acompanhou. – Será que eu posso vê-lo? Me prometeram notícias, mas simplesmente...
- Acabo de sair de lá. Ele ficará feliz com isso. – cortou-me e segui com passos inseguros até o seu quarto. Eu sentia uma sonolência grande e estava bem tonta, mas procurei ignorar isto. Meu corte parecia pulsar e meu corpo dava seus primeiros sinais de cansaço do dia.
- Hey. – sussurrou assim que me viu. Meu coração pareceu quebrar ao vê-lo. Não parecia o mesmo sorridente de antes. Ele tinha o torso enfaixado e o rosto pálido. Aparentando uma fraqueza que me deu vontade de chorar. – Não estou tão ruim assim, Bella...
- Você vai ficar melhor. – falei baixo, parando do seu lado na cama.
- Eu sei. Eu sei. – sorriu torto, mas pareceu uma careta de dor. – Não me odeie pelo o que vou lhe pedir. Eu preciso de uma noiva para passar o natal com a minha família.
- E?
- Você poderia ser minha noiva durante esse período de natal? Eu juro parar de te encher quando tudo isso passar. Eu só não quero que meu pai se desaponte comigo de novo.
- Emmett. – ri com escarnio – Você está sobre efeitos de remédios e não sabe exatamente o que faz. – completei rindo.
- Ele está falando sério. O motivo pelo qual vim aqui foi para trazer isto. – Victória interrompeu abrindo uma caixinha com um anel de noivado. Um lindo solitário.- É só durante o período de natal ou perderemos muito.
- Vic. – Emmett interrompeu e depois virou-se pra mim – Só por uns dias. Passaremos o natal juntos e você ficará livre.
Minha cabeça pareceu doer um pouco mais com tudo aquilo. Minha mente se dividiu em pros e contras e me repreendi por realmente considerar uma insanidade daquelas. O que mais me chamou atenção foi a possibilidade de passar o natal com uma família de verdade. De ter mais que um gato para compartilhar histórias velhas de papai Noel perto de lareira grande e bonita.
Não faria mal algum brincar um pouco de faz de contas. Se seguir uma mentirinha para mudar um pouco minha infeliz vida. Respirei fundo e olhei para o relógio.
- Tudo bem. – falei baixo e Victória bateu palminhas. Emmett sorriu e meu coração se aqueceu ao vê-lo sorrir de forma adequada.
- Faça as honras, chefe. – Victória entregou-lhe o anel e Emmett brincou colocando no meu dedo. Eu sorri para aquela situação estranha. Eu realmente estava ficando insana. – Há algo na sua casa que gostaria de pegar?
- Como?
- Você ficará com Emmett no apartamento durante este período. – respondeu e achei lógico. Emmett não namoraria a menina da bilheteria. – Vocês se conheceram em um Starbucks. Você não trabalha e vive de herança dos seus pais. Eles eram empresários do ramo agrário, invente o que quiser. – deu os ombros. – Vocês precisam descansar e volto mais tarde. – reuniu suas bolsas e saiu sem dar tchau.
Emmett estava meio sonolento e sentei-me na sua cama.
- Você deveria dormir agora. – incentivei colocando minhas mãos sobre seus olhos. – Foi um longo dia.
- Você também. Vá descansar. O médico disse que você é muito teimosa. – sorriu
- Eu não perdi minhas pernas e odeio que mandem em mim. – retruquei – Sua família não sabe de Rosalie?
- Eles só sabem que estava vendo alguém. Não exatamente quem. – respondeu baixo.
- Ela vai voltar. Ela vai se dar conta que você é o homem da vida dela e vai aparecer a qualquer momento. – suspirei tentando confortá-lo.
- Eu espero. Realmente espero. – recostou-se na cama com uma expressão de dor.
- Durma agora. Prometo dormir quando você dormir.
Emmett fechou os olhos e logo adormeceu. Que loucura estava fazendo com a minha vida, não sabia, mas de algum modo, quis retribuir a Emmett por dois anos de atenção. Ele estava precisando de mim agora. Alguém, pela primeira vez na vida precisava de mim e eu queria fazer parte disto.
Não tinha o mínimo sono e muito menos ideia do que fazer. Será que já estava liberada? Suspirei irritada e alguém limpou a garganta atrás de mim. Virei-me lentamente sufocando o grito assustado que poderia acordar Emmett e me deparei com cinco figuras extremamente bonitas.
Um homem era loiro, alto, de um jeito sulista com olhos azuis claríssimos e se vestia muito bem de terno, como Emmett. Ele estava abraçando com uma mulher de cabelos pretos, curtos e olhos verdes, ela estava me analisando minimamente, senti como se pudesse ver a minha alma. Algo nela me lembrava o grandalhão sorridente, mesmo sendo mulher e extremamente pequena. Outro homem loiro, de aparência mais velha e não menos bonito estava me fitando com curiosidade e segurava a mão de uma mulher ruiva meio bronze, de olhos verdes com a expressão misturada com preocupação, choque e curiosidade.
Havia mais um. Ele era extremamente bonito. Tão alto quanto os outros, forte, não grotescamente como Emmett, mas dava para ver seu porte causando sombra no quarto. Seus cabelos era bronze meio bagunçados, seu queixo era quadrado e tinha a barba a fazer. Seus lindos olhos verdes me analisavam seriamente. Era como um anjo do mal. Dei um passo pra trás completamente encantada.
Foi então que a ficha caiu. Eles eram a família de Emmett. Uma absurdamente família linda do meu sorridente. Foi a segunda vez no dia que achei que estava enlouquecendo.
- Então, senhorita Bella Swan, eu lhe disse que você veria o Sr. Emmett depois. – Dr. Xavier entrou no quarto sem reparar que tinha mais gente. – Eu sei que você estava absurdamente preocupada com o seu noivo e lhe prometi que contaria detalhes do estado crítico do mesmo.
Minha boca se abriu e fechou várias vezes. Como ele sabia que – supostamente – era noiva de Emmett? A única resposta que me veio foi Victória, mas não tinha certeza disto. Respirei fundo e me senti zonza. Era a terceira vez e dessa vez me importei. Estando mal, não encararia a família Cullen. Ótima hora para dormir, sorriso.
- Viu, você sofreu um estresse muito grande. Repouso, moçinha. – ralhou vindo me ajudar – Oh, quem são estes?
- Somos a família do paciente. Sou o pai, Carlisle Cullen. – o loiro mais velho estendeu a mão para o doutor. – Viemos o mais rápido possível.
- Sim, imagino. Foi uma confusão. – respondeu. – Bella, sente-se no sofá, seus pontos estão abrindo. – gentilmente me estendeu a mão e conduziu até o sofá de couro ao lado. – Vou pedir para a enfermeira limpar isto e você voltará para seu quarto, entendeu?
- Eu precisava vê-lo. – falei com um fio de voz – Vocês não permitiram saber como ele estava. Não foi fácil vê-lo sangrando no chão ao meu lado e depois simplesmente perder de vista. – retruquei e ele respirou fundo. Ouvi um soluçar baixo e vi a mulher que achava ser a mãe de Emmett chorar pegando a mão do filho adormecido. A pequena mulher também estava bastante chorosa.
- Compreendo. Mais você teve uma lesão que precisa ser acompanhada de perto, ok?
Assenti e abaixei a cabeça. Ouvi o doutor contar o estado clínico de Emmett e quase chorei quando ele disse que poderia ter sido pior. Ele precisava se recuperar e ficar em observação. A família dele fez muitas perguntas e não passou despercebido que o homem de cabelos bronze ainda me fitava seriamente com confusão.
- E ela? – a ruiva perguntou baixo com uma pintada de carinho. – Que lesão é esta?
- Ela teve ferimentos provocados por vidros e uma batida forte de cabeça contra o chão. Há uma anomalia em sua radiografia que pode ser temporária ou não. E só descobriremos se ela sossegar e parar de discutir comigo. – respondeu me olhando de soslaio e me encolhi no canto.
- É só você parar de me obrigar a fazer as coisas. – retruquei baixo cruzando os braços e ouvi risadas abafadas. Eu sabia que ele ia responder, mas seu bipe tocou e saiu do quarto dizendo que depois se entendia comigo. O silencio voltou a reinar e eu não tinha a mínima noção do que fazer ou dizer. Seria como: Oi, sou a noiva de Emmett. Prazer, família.
- Então... – a baixinha com voz de passarinha chamou minha atenção – Quem exatamente é você?
- Eu, hum... Ér, sou Bella. Isabella Swan. – respondi coçando a garganta para a minha voz sair confiante – Sou a, bom, noiva do Emmett.
- Noiva do Emmett? Meu irmão? – o outro rapaz cabelos bronze perguntou incrédulo Seu tom de voz era incrivelmente doce e aveludada. Poderia passar o resto da minha vida ouvindo-a. – E como nenhum de nós realmente sabíamos desta informação?
Mordi os lábios e passei a mal no cabelo. Alice prendeu os olhos na aliança em meu dedo e sorriu. Os outros a olharam como se fosse louca e depois viraram pra mim. Não gostei do modo que o irmão dele falou comigo e por isso emburrei meu rosto.
- Sou uma louca qualquer que simplesmente está aqui, no quarto do hospital de um cara no qual sofreu um assalto e olhando para a família dele afirmando que sou sua noiva. Só isso. – respondi ficando de pé prontinha para sair do quarto, mas a pequena pegou minha mão e olhou para a aliança.
- Ela está falando a verdade. – disse simplesmente. Soltou minha mão e me abraçou. Fiquei muito surpresa com sua atitude que demorei meio século para poder corresponder – Prazer, sou Alice, como deve saber, irmã caçula de Emmett. – sorriu e virou-se para sua família ainda confusa. – Estes são meus pais, Carlisle e Esme. Meu namorado, Jasper e meu outro irmão, Edward.
- Prazer. – murmurei envergonhada e com o rosto quente. – Eu já os tinha visto em umas fotos antes. – completei. Grande mentirosa. Você vai para o inferno.
- Alice, como você pode afirmar isto? – Edward perguntou emburrado.
- Eu escolhi esta aliança para Emmett a duas semanas atrás. – ergueu minha mão e mostrou para a família. Uma luz de entendimento caiu sobre eles e sorriram. Exceto Edward, é claro.
- É realmente muito ruim conhecê-la nestas circunstâncias – Carlisle se aproximou com Esme e comecei a me sentir tonta – Espero que possa perdoar nosso nervosismo...
- Ela vai desmaiar. – Alice chiou me segurando e cai em uma escuridão profunda.
Eu sabia. Sabia que aquilo tudo era sonho. Não havia um noivado falso, uma família bonita que passaria o natal comigo. Quando abrisse os olhos, estaria sucumbindo a solidão novamente com a companhia de Max. Sem nenhuma família bonita e nenhum homem sombriamente encantador. Tudo porque Bella Swan não tem sorte alguma.
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